Amazon vende 6 milhões de unidades e esgota Kindle Fire


Varejista lançará novo modelo do Kindle semana que vem

Kindle Fire, tablet Android com 7", da Amazon | AP

Kindle Fire, tablet Android com 7″, da Amazon | AP

Jeff Bezos anunciou ontem que o Kindle fire está esgotado, mas que a empresa tem planos estimulantes pela frente. O CEO tem motivos de sobra para comemorar: em 9 meses de venda, o Kindle Fire vendeu 6 milhões de unidades, estima o site Publishers Weekly e, segundo a Amazon, conquistou 22% de vendas de tablets nos EUA.

Bezos chama 2012 de o “grande ano dos produtos digitais” afinal, conta ele, 10 dos 10 produtos mais vendidos na loja, entre aparelhos e conteúdo, são relacionados ao Kindle. A expectativa do mercado fica agora por conta do lançamento do novo modelo do Kindle Fire, com um frenesi que se assemelha cada vez mais às antecipações dos lançamentos da Apple.

Por Iona Teixeira Stevens | PublishNews | 31/08/2012

Kindle Fire está esgotado e detém 22% do mercado americano de tablets, diz Amazon


Jeff Bezos, presidente-executivo da Amazon, apresenta o tablet Kindle Fire, em setembro do ano passado | Emmanuel Dunand - 28.set.11/France-Presse

Jeff Bezos, presidente-executivo da Amazon, apresenta o tablet Kindle Fire, em setembro do ano passado | Emmanuel Dunand – 28.set.11/France-Presse

A Amazon disse nesta quinta-feira [30] que seu tablet Kindle Fire detém 22% das vendas de tablets nos Estados Unidos e que o dispositivo está esgotado.

Ele chegou às lojas em novembro do ano passado a um custo menor que o líder do mercado iPad, da Apple. A Amazon vai realizar um evento para a imprensa na próxima semana em Santa Monica, Califórnia, alimentando as especulações de que lançará novos aparelhos.

Desde o lançamento do Kindle Fire, o Google desenvolveu o Nexus 7, um tablet com tela de sete polegadas que obteve bons resultados de vendas. O Nook Tablet, da Barnes & Noble lançado no último outono, também é popular no mercado americano.

A Amazon disse que o tablet está esgotado, mas o comunicado não informou quando o produto volta ao mercado e nem quantos dispositivos foram vendidos pela companhia.

DA REUTERS | Publicado em Folha de S.Paulo | 30/08/2012 – 19h55

StoryBundle


Undersea by Geoffrey Morrison

Undersea by Geoffrey Morrison

Novidade boa pessoal!

No ótimo StoryBundle o leitor pode obter sete eBooks de Literatura Fantástica a um preço do tipo “pague-o-que-você-acha-que-vale“. E, pasmem, os títulos da StoryBundle não têm DRM.

Na pratica isto quer dizer que o leitor pode baixar e ler os títulos em praticamente todos os hardwares que você possuir.

E, cá pra nós, as capinhas estão joia, hein!? Demais, show!

POR EDNEI PROCÓPIO

Amazon.com.br


Domínio vai para a mão da Amazon após sete anos de disputas

Quem acessa o domínio www.amazon.com.br continua caindo no site da brazuca Amazon Corporation, com sede em Belém do Pará. Mas, se antes este era claramente o domínio da empresa, agora há um redirecionamento para www.amazonet.com.br, onde o site da empresa paraense está hospedado. Segundo o jornal Brasil Econômico, a Amazon levou a melhor na briga com esta empresa e, a partir de 14 de setembro, depois de sete anos de disputa, o endereço nobre fica disponível para a empresa de Seattle. O jornal não deixa claro como e qual teria sido o acordo entre as duas Amazons. A notícia originalmente foi veiculada no Blog do Jotacê, que você pode acessar aqui.

Por Carlo Carrenho | PublishNews | 30/08/2012

Barnes & Nobles anuncia parceria com varejistas ingleses


Nook será vendido nas livrarias Foyles e Blackwell’s

A Barnes & Noble, rede norte-americana de livrarias e proprietária da plataforma Nook de livros digitais, revelou no último dia 28 que a loja de departamentos John Lewis seria o “principal varejista” na Inglaterra para os leitores Nook. E ontem, dia 29/8, a Barnes & Noble anunciou parcerias com outros três grandes varejistas do Reino Unido. O primeiro é a rede Argos, uma espécie de Lojas Americanas da terra dos Beatles.

O Segundo varejista é a Blackwell’s, uma rede de livrarias acadêmicas. E finalmente a Foyles, tradicional livraria londrina marcada pela excelência e que já conta com cinco lojas na capital inglesa e uma em Bristol. Estes parceiros passarão a oferecer os leitores Nook monocromáticos ainda este ano, para aproveitar as vendas de fim de ano. Leia o release completo aqui.

Por Carlo Carrenho | PublishNews | 30/08/2012

Kobo substitui Google


Empresa firma acordo com American Booksellers Association

A American Booksellers Association, ABA, anunciou ontem sua nova parceria com a Kobo. A empresa irá substituir o Google, cujo contrato seria finalizado em janeiro de 2013, em acordo que permite aos membros da associação vender seus e-books e e-readers pela plataforma da Kobo.

Em nota a Kobo conta que desenvolveu um programa especificamente para as livrarias independentes. O acordo começa a valer em outubro, e as 400 livrarias que utilizavam o serviço do Google Books devem passar a vender os e-readers e acervo de quase 3 milhões de e-books da Kobo. Mas o acordo deve ir além, segundo o jornal americano Wall Street Journal, a Kobo buscará parcerias com as quase 2.000 livrarias associadas à ABA. E a Kobo não será apenas uma plataforma de vendas online, a empresa dará assistência na parte de treinamentos, marketing, vendas e questões de logística às livrarias da associação.

Já Jeremy Greenfield, do Digital Book World, reiterou que o acordo entre ABA e Kobo não é exclusivo. De fato, alguns concorrentes já começaram a aparecer. A nova livraria online Zola, que deve iniciar suas operações em setembro deste ano, contou ao Digital Book World que a associação confirmou a possibilidade de uma parceria Zola-ABA, e que a Zola já teria “centenas” de livrarias independentes confirmadas para a nova empreitada.

Como não podia deixar de ser, o acordo levanta expectativas e perguntas sobre a chegada da Kobo no Brasil, se esta fará acordo com livrarias específicas, como faz em outros países, ou se vai procurar um acordo mais abrangente como o da ABA.

Por Iona Teixeira Stevens | PublishNews | 30/08/2012

Kobo contrata primeira funcionária no Brasil


Camila Cabete, da Xeriph, será a “Kobowoman” no país

A Kobo fechou ontem contrato com Camila Cabete, da Xeriph, para ser sua gerente sênior de relações com editores no Brasil. É a primeira funcionária a ser contratada pela empresa no país, marcando de vez a chegada no Brasil e na América latina. Pieter Swinkels, diretor da Kobo, disse ao PublishNews que a empresa deve aterrissar em solo brasileiro ainda este ano, e que todos estão muito animados com a expansão da empresa. “O mercado brasileiro é enorme, o negócio de e-books está crescendo rapidamente, tem muita coisa acontecendo, então naturalmente tínhamos interesse no Brasil.” Sobre a contratação de Camila Cabete, ele se mostra muito entusiasmado: “Nós estamos muito felizes que ela se juntará a nossa equipe, eu e ela montaremos a relação da Kobo com o Brasil.

Camila também está feliz com o novo emprego, que começa já na próxima segunda-feira. “Sempre me identifiquei muito com a marca, acho a cara do Brasil. A Kobo tem coisas que vão se adequar perfeitamente ao nosso país.” Entre os destaques da nova empregadora, Camila enfatiza o meio social da Kobo, a plataforma de self-publishing, que vem atender uma demanda muito grande do mercado brasileiro, e os aparelhos e-readers. Apesar de não saberem ainda onde montarão escritório, a Kobo chega na América latina com todo seu aparato, inclusive os novos e-readers que planejam lançar em breve.

Por Iona Teixeira Stevens | PublishNews | 30/08/2012

Startup analisa dados de mídia social para o mercado editorial


CoverCake promete analisar conversas e comentários sobre livros nas redes sociais

Todo dia aparece alguma novidade “digital” no negócio do livro: de Hiptype, que mostra como as pessoas lêem seus ebooks, a rede social para profissionais do livro, a BookMachine. A nova ferramenta do momento é a CoverCake, que segue a onda [na verdade, quase uma obsessão] dos analytics do mercado editorial. A nossa colunista Ivani Cardoso falou aqui ontem sobre a importância das redes sociais para as editoras, e a nova startup do vale do silicone vem ajudá-las nessa tarefa.

A CoverCake criou um software de análise de dados de mídias sociais específico para o mercado editorial. Segundo a empresa, a ideia veio enquanto buscavam a solução para a questão da “descobertabilidade” dos livros. Eles notaram que leitores deixavam centenas de comentários em várias redes sociais e pensaram que beneficiaria as livrarias e editores se pudessem medir e comparar essa atividade em relação às campanhas de marketing, aparições de autores etc. Como já possuíam vasta coleção de dados de meções de livros na mídia, a coisa tomou forma e deu certo.

Por Iona Teixeira Stevens | PublishNews | 29/08/2012

eBooks exclusivos para o Kindle ultrapassam 100 milhões de downloads


Marca inclui compra e empréstimo de e-books

A Amazon anunciou ontem que seu catálogo de e-books exclusivos para o Kindle alcançou a marca de 100 milhões de e-books baixados ou emprestados, informou o site Publishers Weekly. Os e-books exclusivos incluem títulos bem diversos, como o War Brides, de Helen Bryan, que foi comprado ou emprestado 270 mil vezes e se mantém no ranking dos Top 10 do Kindle há 8 semanas, e a série 87th Precinct, de Ed McBain, publicada inicialmente em 1956 edigitalizada pela Amazon, que já foi baixada mais de 250 mil vezes desde dezembro.

Por Iona Teixeira Stevens | PublishNews | 29/08/2012

Ir até onde estão os leitores pode ser uma alternativa à venda direta


Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em Publishnews | 29/08/2012 | Tradução: Marcelo Barbão

Mike Shatzkin

A notícia de que a Faber no Reino Unido fez uma parceria com uma empresa chamada Firsty Group para oferecer serviços diretos ao consumidor abre novamente a questão da venda direta pelas editoras. Em meu post mais recente sobre o resultado provável do acordo com o Departamento de Justiça que foi aceito pelos tribunais, falei que estava repensando minha ideia de que todas as editoras deveriam vender diretamente, porque parecia que a Amazon [e todas as livrarias] agora terão liberdade para dar descontos aos e-books como quiserem e, portanto, podem reduzir o valor recebido pelas editoras.

Acho que as distribuidoras teriam muito a ganhar com a venda direta das editoras. Mas seria uma vitória complicada, porque quem mais perderia seriam as livrarias, que são os melhores clientes das distribuidoras. No final, como a Amazon demonstrou claramente há quase duas décadas e, mais recentemente, a F+W Media provou de novo, qualquer um pode se tornar varejista de uma grande seleção de livros impressos e digitais, basta montar uma conta com a Ingram ou a Baker & Taylor. [A Amazon começou trabalhando com os distribuidores, que enviavam os livros para eles, que depois os reenviavam ao consumidor. A F+W trabalha com a Ingram no mesmo modelo, provavelmente porque seus próprios livros estão incluídos em muitos dos pedidos e eles perderiam margem desnecessariamente se a Ingram enviasse seus livros.]

A Ingram possui uma incrível seleção de livros impressos em seus depósitos e os milhões de títulos disponíveis para print-on-demand através da Lightning, assim como a distribuição de e-books da Ingram Digital que representa a maioria dos ebooks publicados. A Baker & Taylor está tentando montar sua plataforma de e-book Blio, que lida bem com livros ilustrados, mas não chega nem perto da seleção de títulos que a Ingram possui, com seu inventário de impressos, para fornecer uma combinação um pouco diferente de títulos.

A conclusão é que você não precisa ter seu próprio inventário para oferecer uma ampla seleção.

Phil Ollila da Ingram expandiu sua abordagem para vender diretamente. Eles fornecem o que possuem: um bom inventário e o banco de dados de títulos. Indicam às editoras outros fornecedores de serviços para o componente “carrinho e cartão” do e-commerce. Há muitos motivos, incluindo potenciais questões de impostos envolvendo “nexus” e exigências de conformidade, ou seja, regras que você precisa seguir se estiver guardando dados do consumidor, e a Ingram prefere deixar esta parte do negócio para os especialistas.

Mas Ollila também informa que a Ingram descobriu recentemente, após pesquisar nos 100 principais sites para os quais eles fazem o preenchimento digital, que cerca da metade dos vendedores eram as próprias editoras. Algumas poucas estão vendendo livros de outras editoras, mas a maioria está apenas se dedicando, e com sucesso, a seus próprios e-books. Então, ou minha teoria sobre a Amazon reduzindo os preços destas editoras está errada, ou eles não começaram a prestar atenção para estes “concorrentes” ainda.

Todo negócio de grande porte, como o de uma grande editora que vende downloads digitais [vendendo ou não livros impressos também], encontraria muitas oportunidades para isso. Dito de outra forma, se a editora não conseguir completar transações com consumidores, ela vai diminuir sua capacidade de construir relacionamentos diretos com os usuários finais, o que muitos acreditam ser essencial para o futuro das editoras. Ser capaz de oferecer distribuição direta a clientes, algo que pode em pouco tempo passar a ser essencial para as empresas editoriais, foi provavelmente o que motivou o acordo da Faber com a Firsty.

É interessante pensar que todo site que possui algum tráfico substancial poderia oferecer livros e/ou e-books como um serviço combinado para sua audiência, e com isso aumentar seus ganhos. Achei que esta seria a proposta que receberíamos da Open Sky quando entraram em cena, mas eles mudaram o modelo de negócios. Uma nova plataforma de varejo, chamada Zola Books tem uma variação desta ideia – “lojas” que eles abrigam, mas que são administradas individualmente – montadas com o planejamento deles. Gostei da ideia quando a Open Sky a apresentou originalmente e ainda gosto; será ótimo que a Zola consiga implementá-la.

As mentes criativas na Random House criaram uma abordagem diferente para capitalizar o potencial de um modelo de distribuição mais amplo. Estão fazendo um protótipo com o Politico, que possui uma grande audiência de pessoas interessadas em política.

A Random House agora promove a “Bookshelf” do Politico: sua livraria. A loja apresenta uma grande variedade de títulos de todas as editoras, divididas por categorias políticas, na qual você pode navegar para conseguir informações adicionais. Depois você pode comprar escolhendo a livraria. Vi que as escolhas eram Amazon, Barnes & Noble, Politics & Prose [uma livraria local em Washington] e a iBookstore da Apple.

Além disso, no final de muitas, se não de todas, as matérias do Politico, há uma lista de ofertas adicionais de livros chamada “Livros Relacionados na Estante do Politico”. Os livros nesta lista abaixo das matérias são todos da Random House.

Além de fazer a curadoria da loja, que dá ao Politico tanto informações valorosas sobre seus visitantes quanto uma renda adicional vinda das vendas afiliadas [que eles provavelmente compartilham, apesar de não conhecer o acordo comercial], a Random House pode ajudar a Politico a publicar.

A Random House está desenvolvendo tecnologia para fazer a curadoria das ofertas de todas as editoras para a loja do Politico. Isso não é algo pequeno. Mas construir a tecnologia que pode fazer a curadoria de metadados possui um valor adicional. Eles aprendem como combinar os metadados associados com o título e com isso podem saber sobre o ranking de vendas e localização ao observar o que está acontecendo em outras livrarias. E estão aprendendo sobre as listas de seus competidores também, de uma forma diferente da que faziam antes. Parece provável que este conhecimento algum dia irá ajudar nas decisões de aquisições para novos livros e o posicionamento – timing e preço assim como ênfase no marketing e criação de metadados – dos livros que eles mesmos publicam.

Esta abordagem dá à Random House o que pode ser uma posição de guardiã das ofertas de livros para o substancial tráfego no Politico. Se estão adquirindo um livro apropriado para esta audiência, eles possuem exposição de marketing e oportunidade de vendas para fatorar em seu cálculo de rendas [e no convencimento do agente de que são a editora “certa”.] Livros de outras editoras também serão vendidos ali, claro. Mas elas não são as guardiãs, logo não podem ter tanta certeza, nem podem prometer isso ao autor. E a Random House possui a oportunidade exclusiva de explorar a estante de “livros relacionados” em cada página com matérias.

Enquanto isso, a Random House desenvolve a curadoria e as ferramentas de merchandising que permitirão fazer coisas similares em sites que possuem tráfico robusto para diferentes tópicos verticais. Se o experimento com o Politico funcionar, a Random House vai ter adquirido a capacidade de se colocar em evidência em algum site muito visitado, para o qual um livro com curadoria seria uma oferta muito atrativa.

A Random House escolheu desenvolver livrarias sem carrinho e cartão. Não estão coletando nomes de clientes com seu e-commerce ou construindo uma base instalada de consumidores cujos cartões de crédito estão arquivados. Em vez disso, estão organizando o tráfego de outra pessoa para ser distribuído às livrarias com quem já estão fazendo negócio.

E, claro, da mesma forma que a Amazon começou baseando-se em distribuidoras para os livros antes que passassem a comprar diretamente a maior parte do inventário, a Random House pode instalar o mecanismo de e-commerce quando quiser e acrescentar um botão “compre direto de nós” entre as opções.

Vejo isso como uma futura distribuição com mentalidade do editor, que é “Não preciso ter o cliente; preciso chegar ao cliente e estou bastante feliz em fazer isso através de um intermediário que faça o trabalho de atrair o cliente”. Se a combinação de curadoria e ferramentas de publicação que ela pode oferecer aos donos dos sites como o Politico for suficientemente atrativo, seria possível imaginar que a Random House está construindo uma rede de sites com alto tráfico capaz de chegar a muitos consumidores e que, na verdade, formaria um novo modelo de distribuição.

A posição da Random House abriu meus olhos. Há muito está claro para mim que a web iria organizar as pessoas de forma vertical, como está sendo, e que no final o conteúdo especializado seria encontrado e transacionado dentro da verticalidade. Cheguei à conclusão que as editoras precisavam estar na vertical, ou dominar a vertical, para se fortalecer neste ambiente. Essa é essencialmente a estratégia que está sendo executada pela F+W Media e a Osprey, para falar de dois incríveis exemplos [os dois recentemente fizeram uma aquisição que substancialmente aumentou seu tamanho, e a Osprey da Duncan Baird].

Mas a Random House está mostrando outro caminho: tornando-se especialista em livros em comunidades verticais. É muito cedo para saber se a experiência  com o Politico vai se transformar num modelo de negócio replicável. Mas é certamente uma ideia que vale a pena tentar.

Enquanto estava pesquisando um pouco para este post, fiquei impressionado ao ver isso no site do Firsty Group [ver atualização abaixo] que faço referência no alto. Foi perturbador ver que eles estão pegando meus posts verbatim e postando-os sem atribuição em seu próprio site. [Para ser justo, há um link, mas você precisa intuir que ele está lá para encontrá-lo e usá-lo!]

Numa reflexão, parece que o que eles estão fazendo é somente publicar nosso RSS feed, que a] inclui todo o post e b] deixa de fora qualquer nome de “autor”. Neste caso, esta violação de direito autoral está, na verdade, sendo feita “inconscientemente”. Estou verificando se isso é verdade com este post, porque eles certamente não postariam um texto em que os chamo de violadores de direitos autorais exceto se fosse de forma automatizada!

Quando conferirmos o que acontece com este post e confirmemos meu palpite de que o comportamento é automatizado, vamos enviar um educado pedido e sugerir que a Firsty mude sua política e passe a postar somente as primeiras X palavras de um RSS com um link. [Também estamos vendo como mudar nosso RSS feed, mas na verdade não queremos atrapalhar as pessoas que o usam de maneira correta.]

Eu não estou atacando a Gaber. É uma ótima empresa e tenho certeza de que eles e a Firsty realizam um ótimo serviço juntos.

*** Assim que este post entrou no ar, recebemos uma nota de desculpas da Firsty explicando que, na verdade, eles estavam trabalhando a partir do RSS feed e, na verdade, tinham um protocolo para cortar o artigo e depois mostrar o link. Por qualquer razão, não estava funcionando nas minhas coisas e, aparentemente, somente nas minhas coisas. Claro, chegamos a um acordo. É ótimo saber que foi um erro e que estavam alertas para consertar tudo rapidamente. Tudo está bem quando termina bem.

Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em Publishnews | 29/08/2012 | Tradução: Marcelo Barbão

Mike Shatzkin tem mais de 40 anos de experiência no mercado editorial. É fundador e diretor-presidente da consultoria editorial The Idea Logical Co., com sede em Nova York, e acompanha e analisa diariamente os desafios e as oportunidades da indústria editorial nesta nova realidade digital. Oraganiza anualmente a Digital Book World, uma conferência em Nova York sobre o futuro digital do livro.

Nos Arquivos de Shatzkin, o consultor novaiorquino aborda os desafios e oportunidades apresentados pela nova era digital. O texto de sua coluna é publicado originalmente em seu blog, The Shatzkin Files [www.idealog.com/blog].

Está no ar a Hemeroteca Digital Brasileira


Cinco milhões de páginas digitalizadas à disposição dos interessados. Assim é a Hemeroteca Digital Brasileira, lançada oficialmente na última semana e disponível para consulta gratuita no endereço hemerotecadigital.bn.br. A página virtual reúne jornais e revistas extintos ou raros publicados de 1808 ao século XX e pode ser acessada pela internet. O portal oferece a possibilidade de buscas por título, período, edição, local de publicação e palavras dentre o material disponibilizado. São exemplares de peças históricas como o Correio Braziliense, O Malho, Diário Carioca, Última Hora, Jornal do Brasil e ainda, periódicos científicos, como a Revista Médica Brasileira e a Rodriguesia: revista do Jardim Botânico do Rio de Janeiro – todos disponíveis para consuta e impressão. Visite!

Defasado, Alfa [da Positivo] encalha mesmo com 50% de desconto


Positivo Alfa

Positivo Alfa

Lançado em 2010 e sem atualização desde então, semana passada o Alfa, eReader da Positivo, estava em promoção com destaque no site da Livraria Cultura. Mesmo assim, as vendas devem ter sido muito fracas. Segundo o blog Radar Online, “uma grande rede varejista de livros registrou vendas de apenas 2.000 unidades”. Como o aparelho está defasado, até por este preço está muito caro – com mais alguns trocados, é possível levar um Kindle 3. E isso que a Amazon ainda nem chegou ao Brasil oficialmente. Apesar da nota completa da Veja ter apenas 260 caracteres, ela comete dois erros consideráveis:

1] A Positivo não “criou” o Alfa, ele é um eReader whitelabel, comprado de uma fábrica na Ásia e personalizado com firmware em português. Existiu também uma versão espanhola do aparelho, igual ao Alfa mas com outra marca;

2] Ele não foi “criado” em setembro de 2011, mas em agosto de 2010. Foi lançado durante a Bienal do Livro de SP e as vendas começaram naqueles dias, na Livraria Cultura.

Por Eduardo Melo | 27 agosto 2012 | Publicado originalmente em Revolução eBook | Fonte: Radar on-line – Lauro Jardim – VEJA.com

Roberto Feith: ‘A pirataria online pode minar a produção do conhecimento’


Diretor da Objetiva diz que seu maior arrependimento foi deixar passar a edição de ‘Harry Potter’

Não, não é porque diz sentir falta da “adrenalina da TV” que o ex-repórter carioca Roberto Feith, diretor-geral da Objetiva, uma das maiores editoras de livros do País, pode ser considerado ainda jornalista, a despeito dos mais de 20 anos que deixou a profissão. Ex-correspondente da TV Globo na Europa e ex-editor chefe do Globo Repórter, Feith aceitou em 1991 a proposta de dois conhecidos e comprou 60% de uma editora inexpressiva – ela mesma, a Objetiva. Àquela altura, tocava uma produtora, a Metavídeo, após ter estado com Walter Salles na Intervídeo, que fazia trabalhos para a extinta TV Manchete. Não entendia nada de editora, mas como bom repórter diante de um furo em potencial, decidiu arriscar – seguindo critérios jornalísticos.

Viés jornalístico foi fundamental na trajetória da editora, diz

Viés jornalístico foi fundamental na trajetória da editora, diz | Clayton de Souza/AE

Começou mal. Apostou numa biografia de Boris Ieltsin – política internacional era sua especialidade -, que resultou num enorme fracasso. Aos poucos, porém, foi ajustando o foco. “Como correspondente e depois no Globo Repórter, exercitei muito a função do editor e o trabalho em equipe. Nessas tarefas, você está sempre buscando uma abordagem original para contar determinada história. E o trabalho do editor de livro, principalmente do livro de não ficção, é muito próximo disso; as aptidões e os talentos são muito parecidos. A Objetiva evoluiu, principalmente na área da não ficção, em função dessas características“, diz ele na entrevista a seguir. Confortavelmente instalado num hotel da região da Avenida Paulista, Feith conversou com uma equipe do Estado: Rinaldo Gama, editor do Sabático; os repórteres Antonio Gonçalves Filho e Maria Fernanda Rodrigues, e Ubiratan Brasil, editor do Caderno 2.

Por três horas, seu raciocínio cristalino e a fala assertiva – educada pelos sinais elétricos dos microfones e uma longa convivência com a escrita – atravessaram um largo espectro de temas ligados ao livro: o dia a dia do processo editorial, os erros [Harry Porter lhe foi oferecido com insistência e ele deixou passar], os acertos [Inteligência Emocional, que vendeu meio milhão de exemplares], pirataria online [“o Google e o Yahoo são ‘sócios’ do Megaupload”, alfineta], o futuro do e-book no Brasil e da própria literatura brasileira, para o qual, aliás, ele acenou publicando novos talentos em um número especial da revista Granta. Aos 60 anos, Roberto Feith não é mais majoritário na Objetiva: em 2005, vendeu 76% da empresa para a Santillana, que participou da criação do prestigioso jornal espanhol El País. Sim – mesmo sem a adrenalina da TV, Feith, de certo modo, está em casa.

Que interesse o senhor tinha no mercado editorial para entrar de sócio na Objetiva?

Um dos projetos importantes que fizemos na Metavídeo foi uma série de seis documentários sobre a história do cinema no Brasil. Produzimos tanto, que uma grande parte desse material fotográfico e de entrevista ficou inédito. Então, surgiu a ideia de fazer um livro usando esse conteúdo. A Nova Fronteira coeditou. Lá, o Alfredo Gonçalves e o Armando Campos tocaram o projeto comigo. Passou-se um tempo e nunca mais os vi, mas soube que seis meses depois eles saíram para criar uma editora, com o apoio de um investidor. A editora não conseguiu evoluir. Anos depois, esse sócio saiu e eles me procuraram. Foi assim que eu entrei no negócio. O meu sonho profissional era ser jornalista de imprensa escrita; entrei para a TV por mero acaso. Mas sempre fui um leitor voraz, rato de livraria. Minha mulher foi a única pessoa que me incentivou a investir numa editora. Todo mundo me dizia que eu estava maluco, que televisão era o veículo de maior poderio e projeção no Brasil, que aqui ninguém lê. Depois que entrei, continuei anos com a produtora enquanto tentava entender como funcionava o mercado e uma editora. [Gonçalves deixou a editora em 2004 e Campos, em 2006]

Quando o senhor fez o negócio, tinha um modelo de editor na cabeça?

Não. E não tinha por ignorância.

Alguma linha editoria em mente?

Hoje poderia falar sobre isso de um modo mais coerente. Na época, foi uma mistura de oportunidades que surgiam aleatoriamente com as minhas experiências pessoais. Eu me lembro de contratar direitos de tradução de muitos títulos sobre política internacional, um grave equívoco, nenhum deles vendeu nada. Era o assunto que eu conhecia e gostava. Um dos primeiros livros que compramos foi uma biografia do Boris Yeltsin. Imagine se alguém ia ler um livro do Yeltsin! Aprendi isso a duras penas. E o outro tipo de livro que a gente acabou trabalhando foram aqueles que surgiram por circunstâncias aleatórias. O Lair Ribeiro é um bom exemplo disso. Não me lembro como apareceu a oportunidade, mas aproveitamos e ele foi nosso primeiro best-seller.

Qual sua participação ao entrar na editora?

Se não me engano comprei 60% da empresa em 1991. O que veio a ser um investimento mais substantivo não foi a compra das cotas, mas sim a tentativa de fazer a editora decolar.

Quanto pagou?

Não tenho a menor ideia. Mas foi pouco. Talvez o valor de um carro usado.

Muitos editores dizem que publicam best-sellers para ter recursos que possibilitem vencer o leilão de um título de qualidade literária indiscutível. Essa também foi a estratégia da Objetiva a partir de sua entrada?

Havia a ideia de que publicando autores comercialmente potentes teríamos condições de desenvolver a editora na linha de um projeto mais consistente.

Ainda sobre best-sellers, o senhor criou a Plenos Pecados, uma série com autores de prestígio escrevendo a respeito de temas mais palatáveis. Como é a reação de autores consagrados quando se oferece a eles a oportunidade de escrever um livro para uma série como essa?

Uma das razões de montar esse projeto era atrair autores de renome para uma editora ainda sem grande visibilidade ou uma trajetória consolidada. Fiz o projeto com Isa Pessoa, que trabalhava na editora. Levou quase um ano para fecharmos a lista dos sete autores. Convidamos o Mario Vargas Llosa, e ele disse que escreveria contanto que fosse sobre a luxúria. Mas a luxúria já estava tomada pelo João Ubaldo. A coleção deu certo, trouxe autores de grande qualidade e sucesso comercial, e pudemos começar a montar a editora que sonhávamos.

E qual era essa editora?

Como disse antes, eu não tinha um modelo de editora – nem mesmo considerando as estrangeiras. Se olharmos a trajetória da Objetiva, veremos que ela não é igual a nenhuma outra. Acho que é um pouco pela experiência de vida das pessoas da equipe – havia muito o viés jornalístico.

De que modo ter atuado como jornalista contribui para o trabalho da editora?

Como repórter e correspondente internacional e depois no Globo Repórter, exercitei muito a função do editor e do trabalho em equipe. Nessas tarefas, você está sempre buscando uma abordagem original para um determinado tema, procurando como contar determinada história. Às vezes, você vê um assunto que tem consistência, que tem interesse ou relevância, mas precisa encontrar uma outra maneira de tratá-lo. E o trabalho do editor de livro, principalmente do livro de não ficção, é muito próximo disso; as aptidões e os talentos são muito parecidos. A Objetiva evoluiu, principalmente na área da não ficção, ou a da ficção dirigida, encomendada, em função dessas características.

O modelo do publisher americano parece que vingou no Brasil – e o europeu ficou um pouco esquecido. Filho de americano, o senhor acabou unindo as duas pontas: o pragmatismo de um publisher dos EUA, atento à performance de vendas, e uma visão europeia, marcada mais pela vontade de publicar qualidade literária, independentemente dos resultados financeiros. Como se deu isso?

Ser filho de americano não teve, na prática, nenhuma influência. Como mencionei, acredito que a vivência que mais marcou meu papel na editora foi a jornalística. Acho que há pessoas que tocam editoras lendo e editando e outras não. Sou editor-geral de uma editora que faz as duas coisas. Desde o início.

Sua editora cresceu muito. O senhor ainda consegue estar em todas as frentes?

Conciliar tudo tem sido um exercício. A palavra publisher evoca uma pessoa que não edita. Não me sinto totalmente encaixado nesse conceito porque não é bem esse o meu cotidiano. Continuo avaliando manuscritos, vou a feiras, converso com os agentes.

O senhor edita algum autor que não vende, mas dá prestígio ao catálogo da editora?

Naturalmente. Prestígio, prazer de publicar. Mas essa não é uma decisão puramente romântica, porque poder publicar grandes autores, ainda que comercialmente não sejam tão bem-sucedidos, é uma forma de você qualificar o selo e atrair outros escritores. Tem outro componente relevante no universo editorial brasileiro: esses grandes autores podem não vender muito, mas periodicamente são adotados num vestibular ou entram numa compra pública. Lobo Antunes é um exemplo disso. Os Cus de Judas foi um livro dele que vendeu mais de 20 mil exemplares por causa de um vestibular.

Qual foi o seu maior sucesso de vendas?

Comédias Para se Ler na Escola, do Verissimo. Mais de 1 milhão de exemplares.

Quando seguiu sua intuição na hora de adquirir um livro, qual foi seu maior equívoco e o maior êxito?

O maior equívoco é fácil. Tessie Barham, hoje uma importante agente literária, nos ajudava na avaliação de textos. Naquela época, ela ainda estava tateando e me propôs uma série juvenil maravilhosa, a Fronteiras do Universo, de Philip Pullman. Compramos, investimos pesado em marketing, e nada aconteceu. Paradoxalmente, anos depois vendeu mais de 100 mil exemplares.

E o arrependimento?

Foi nos anos 90. Um dia, Tessie me mandou um e-mail assim: “Roberto, tem aqui outro livro juvenil para você comprar. Muito bom, você tem de comprar. Chama-se Harry Potter.” E eu: “Olha, Tessie, me desculpe, mas não vou comprar.” Ela ficava mandando e-mail dizendo que eu iria me arrepender. E eu: “Tessie, lembra o que aconteceu com o Pullman?” Bem, ela estava certa, claro; eu me arrependi amargamente. Errei e continuo errando. Mas se o editor ficar desanimado quando errar, ele vai mudar de profissão.

Algum outro acerto?

Nessa linha um pouco anedótica da intuição e do imponderável, comprei os direitos de um livro que vendeu maravilhosamente bem [meio milhão de exemplares], que foi o Inteligência Emocional, do Daniel Goleman. Li o informe do nosso scout e intuitivamente achei aquilo muito forte. Entrei no leilão em Frankfurt, suei, mas consegui.

Os grandes livros não são mais vendidos em Frankfurt, são? Perdeu-se um pouco do frenesi dos leilões?

Hoje, os agentes literários e as editoras que têm uma grande oferta de direitos autorais para tradução, deliberadamente, esperam até a véspera da feira para distribuir alguns de seus títulos mais potentes, porque eles compreendem que a dinâmica da pré-feira leva a uma disputa mais acirrada pelos editores de cada país por aqueles direitos.

Os brasileiros estão pagando valores irreais nos leilões?

Houve num passado recente e continua havendo uma exuberância irracional, para tomar emprestada uma expressão do Alan Greenspan, em relação à compra de direitos de tradução. Adquirir um livro que exija torná-lo um mega best-seller para recuperar esse investimento é um exercício perigoso. Isso é realidade e tem a ver com o aumento da concorrência.

Enquanto as grandes editoras criam selos para organizar melhor o catálogo, as de menor porte têm se especializado em determinado segmento. Isso terá lugar no futuro ou acha que as pequenas serão incorporadas por grandes grupos?

Sempre houve e haverá espaço para pequenas editoras focadas em determinados nichos. Isso não é novo. Novo são editoras importantes buscando diversidade de linhas de atuação criando novos selos, de uma forma semelhante ao que adotamos há cinco anos. Isso está acontecendo de forma sistemática. A tendência é que nenhuma editora se limite a atuar só num gênero.

O que leva a isso?

Hoje, a diversidade é um bem em si no mercado editorial, dado o grau de competição visto na última década.

No início do ano, o senhor escreveu um artigo investindo contra a campanha das gigantes da internet contra a lei antipirataria. Como vê o futuro do mercado digital, as leis antipirataria?

Fico feliz que tenham levantado esse assunto, que é importante. Vivemos a era do conhecimento. A produção do conhecimento é fundamental para o avanço de qualquer país. E esse tipo de produção tem de ser incentivada, e não minada. As empresas, ou pessoas, que defendem a pirataria online, ou a cópia irrestrita online, estão minando a produção do conhecimento nos seus respectivos países. Da mesma forma que não existe o milagre da multiplicação dos peixes, não existe o milagre da multiplicação do conhecimento. Sua produção exige formação, trabalho, investimento, e tudo isso tem de ser remunerado. Ninguém imagina que uma pessoa possa entrar numa livraria, pegar uma dúzia de livros e sair sem pagar. Mas algumas pessoas argumentam que na internet você pode e deve fazer isso.

A Objetiva sofre com a pirataria?

O Sindicato Nacional de Editores apoia um grupo de trabalho que identifica a oferta de conteúdo ilegal e pirata online. Em maio, no caso da Objetiva, havia 1.600 títulos oferecidos ilegalmente – 90% em um só site, o Fourshared. Esse site americano está ganhando dinheiro com escritores que publicamos, e alguns deles são brasileiros. Para isso as pessoas não atentam. O Fourshared e o Megaupload não têm estrutura para vender publicidade pelos quatro cantos. Eles usam estruturas criadas para esse fim por grandes corporações da internet, como o Google e o Yahoo. Então, o Google e o Yahoo são “sócios” do Megaupload e, indiretamente, se apropriam de obras dos escritores brasileiros para faturar milhões de dólares. E faturam literalmente milhões de dólares. Assim, quando uma grande corporação da web defende a pirataria na internet, argumentando que é uma questão de liberdade de expressão, estamos diante do mais puro oportunismo e demagogia. É preciso que a sociedade se conscientize, porque se a pirataria for consolidada como prática na web, a produção de conhecimento vai atrofiar aqui, e o brasileiro será obrigado a consumir conhecimento produzido nos países onde essa atividade é estimulada.

No momento em que o e-book se difundir efetivamente, o que o livro impresso precisará ter para não perder vendas?

O e-book é coisa do futuro e será uma coisa do presente. Mas eu não vejo o livro físico sendo a parte menor do mercado. Não vejo o digital ocupando a maior parte do mercado brasileiro no horizonte de uma década.

A Objetiva tem uma equipe focada na questão do livro digital?

Não, acho isso um erro. Todos têm de entender do digital para fazer seu trabalho. Mas uma das coisas que fiz tendo em vista essa transformação foi propor a criação da Distribuidora de Livros Digitais, que toma grande parte do meu tempo e tem como sócias as editoras Objetiva, Record, Sextante, Rocco, Planeta, L&PM e Novo Conceito.

Por que uma distribuidora?

Quando formamos a DLD, pretendíamos participar da definição de como o livro digital iria se consolidar e se implantar no Brasil. Essa preocupação se traduz em três objetivos. Primeiro, trazer para o consumidor brasileiro o que existe de melhor no exterior, em termos de experiência de consumo de livro digital, sem que isso signifique que empresas vindas de fora tenham condições de concorrência, no relacionamento com as editoras, superiores àquelas disputadas pelas empresas brasileiras que atuam no entorno digital. Segundo, garantir uma oferta diversificada e ampla de conteúdo. E terceiro, trabalhar com preços que sejam atraentes para o consumidor, mais baratos que o livro impresso, mas que remunerem o trabalho do escritor, da editora e da livraria.

De quanto é o desconto da DLD?

Nosso e-book tende a ser de 30% a 40% mais barato que o livro impresso; em julho, o preço médio do livro vendido pela DLD foi de cerca de R$ 16. Ou seja, menos que US$ 9.

Como estão as negociações com as empresas estrangeiras que querem atuar no País?

Estamos conversando com cinco empresas e muito perto de fechar acordos – acho que até o fim do ano teremos novidades. Para que o livro digital dê corda no Brasil, precisamos de três coisas: dispositivos de leitura bons e baratos, livrarias virtuais com facilidade de uso e oferta ampla e diversificada de títulos pelas editoras. A conclusão desse tripé é que teremos, ainda este ano, dispositivos de leitura lançados aqui, de primeira geração, a preços acessíveis. Penso que teremos o primeiro Natal digital.

Quais são as cinco estrangeiras que estão negociando para atuar aqui?

Amazon, Apple, Google, Kobo e nós, na Objetiva, estamos negociando com a Barnes & Noble, mas não para o Brasil.

Falamos em concorrência, em e-book, mas existe também a questão da territorialidade. Até pouco tempo atrás, era possível comprar um e-book de um autor português editado no Brasil pela Alfaguara diretamente da editora portuguesa desse autor.

Você está se referindo a um livro de António Lobo Antunes. Foi uma falha da editora portuguesa, já foi sanada. Isso se chama territorialidade. Hoje, quando você faz o upload de um título, tem de indicar para que países tem os direitos de venda.

Como fazer para que as pessoas leiam independentemente de obrigações escolares ou profissionais? Há, de modo recorrente, a queixa de que o livro no Brasil é caro.

O Snel e a Câmara Brasileira do Livro vêm contratando pesquisa de mercado há mais de uma década, que é feita pela Fipe. A última pesquisa, de 2011, identificou que no setor de obras gerais o número de lançamentos aumentou 8,6%, o número de exemplares vendidos aumentou 0,2%, e o faturamento, em reais, caiu 11%. Se considerar o acumulado de 2004 até 2011, em obras gerais, em valores nominais, a queda no preço médio foi de 26%. Em valores reais, compensados a inflação, 45% de redução. Eu pergunto: que outro produto teve uma queda de 45% no seu preço médio, real, nos últimos sete anos?

Por que o preço caiu?

Competição, competição. Há outros fatores: Avon, com vendas de porta em porta, os selos de bolso, a desoneração, no caso de livros de obras gerais.

Essa queda está chegando ao limite?

Sim. A criatividade dos editores está sendo cada vez mais exigida. Acredito que as margens têm sido comprimidas por esses processos. O que aconteceu de 2007 para 2011 não pode se repetir. A tendência é desacelerar, mas não posso afirmar que não haverá mais uma queda de preço.

A Alfaguara Brasil lançou recentemente uma edição da Granta com novos talentos do País. Essa seleção consolidou alguns autores que, nos últimos anos, começaram a se posicionar como promessas. O que sua editora, dentro ou não da Granta, faz para descobrir, de fato, novos valores na ficção?

A maioria das editoras que publicam ficção está sempre louca para encontrar jovens talentos. Eu sei que muita gente comenta que é difícil conseguir ser publicado, mas é difícil encontrar talento também. Temos conseguido atrair grandes autores da literatura brasileira, nomes como João Ubaldo, João Cabral de Melo Neto, e agora o Mário Quintana. Mas fiquei preocupado que o selo se tornasse clássico demais, com pouca vitalidade e criatividade. Por isso, temos feito grande esforço para encontrar e trazer jovens autores. Hoje em dia, temos quatro ou cinco novos escritores com muito potencial. Laura Erber é uma jovem que tem muito a dizer, domina a técnica da escrita. O Ricardo Lísias nem se fala, ele é completamente original, uma coisa difícil de encontrar.

Fazer uma seleção como a da Granta é uma experiência de risco.

Sim, dá dor de cabeça. Mas olhando em retrospecto, posso dizer que deu tudo certo. Estávamos preocupados. Quando anunciamos o projeto, não sabíamos se seria bem-sucedido. Era efetivamente um risco. A primeira coisa que nos tranquilizou foi a quantidade e a qualidade de textos submetidos. Depois, conseguimos montar um grupo de jurados de inegável qualidade e qualificação. O resultado da revista foi muito bom. Há desigualdades, diversidade. Alguns textos são melhores que os outros e nunca tive expectativa de achar que os 20 seriam extraordinários, isso não acontece em coletânea nenhuma. O resultado tem quantidade suficiente – na minha opinião pessoal – de escritores de talento para que se possa dizer: está justificado o esforço.

Leituras afins

O LIVRO NO BRASIL: SUA HISTÓRIA, DE LAURENCE HALLEWELL [VÁRIOS TRADUTORES, EDUSP, 816 PÁGS., R$ 253]
MOMENTOS DO LIVRO NO BRASIL. ORGANIZAÇÃO/EDIÇÃO: ÁTICA [216 PÁGS.; ESGOTADO – PROCURE EM SEBOS]
COLEÇÃO EDITANDO O EDITOR, VOL. 3 – ÊNIO SILVEIRA [EDUSP, 168 PÁGS., R$ 28]
A QUESTÃO DOS LIVROS, DE ROBERT DARNTON [TRAD. DE DANIEL PELLIZZARI, COMPANHIA DAS LETRAS, 232 PÁGS., R$ 45]

Por Rinaldo Gama, Antonio Gonçalves Filho, Maria Fernanda Rodrigues e Ubiratan Brasil | O Estado de S. Paulo | 24/08/2012

Evento envolvendo Kindle eleva expectativas sobre novo tablet da Amazon


Kindle Fire, tablet da Amazon, pode ter um sucessor anunciado no dia 6 de setembro | Mark Lennihan - 28.set.2011/Associated Press

Kindle Fire, tablet da Amazon, pode ter um sucessor anunciado no dia 6 de setembro | Mark Lennihan – 28.set.2011/Associated Press

A Amazon enviou convites nesta quinta [23] para uma coletiva de imprensa que acontecerá no dia 6 de setembro perto da cidade californiana de Los Angeles, reacendendo as especulações sobre um possível novo tablet da maior varejista do mundo.

Amazon não revelou o motivo do anúncio, mas o evento está sendo organizado pela divisão Kindle, negócio da empresa que inclui serviço de livros digitais, dispositivos de e-readers e o tablet Kindle Fire.

Tem havido vários rumores sobre a possibilidade de um novo tablet Kindle“, disse o analista de tablet da Frost & Sullivan Pete Finalle. A Amazon pretende expandir sua plataforma móvel e oferta de dispositivos, informaram desenvolvedores e parceiros varejistas no mês passado.

Há mais de um ano especula-se sobre um tablet maior da Amazon que iria competir diretamente com o iPad e que, segundo diversos blogs, tem o codinome Hollywood.

Pode ser bom para a Amazon ter mais de um tablet em seu portfólio” disse Finalle. “Ter um tablet maior com um preço menor que o iPad da Apple pode ser particularmente benéfico“.

CONCORRÊNCIA

O lançamento do Nexus 7, tablet do Google, é um provável fator que levaria a Amazon a renovar seu Kindle Fire, já que o concorrente tem dimensões e preço semelhantes.

Acredita-se que a Apple também vá lançar um novo tablet, que teria tela de cerca de 7,9 polegadas. Até agora, a imprensa tem-se referido ao hipotético aparelho, que seria produzido também no Brasil como “iPad mini”.

DA REUTERS, DE SAN FRANCISCO | COLABORAÇÃO PARA A FOLHA | 24/08/2012 – 13h48

Qual é o caminho para o mercado de livros ilustrados?


Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em Publishnews | 24/08/2012 | Tradução: Marcelo Barbão

Mike Shatzkin

No início do mês, fiquei interessado por uma história no The Bookseller que reconheceu que ebooks simplesmente não funcionaram para os livros ilustrados. Parece que os editores de livros ilustrados com quem eles falaram pensam que a situação é temporária. O Diretor-Gerente da Thames & Hudson, Jamie Camplin, é citado dizendo: “você precisa fazer uma distinção muito clara entre a situação agora e a situação daqui a cinco anos”. E o CEO da Dorling Kindersley, John Duhigg, enfatizou que sua equipe está sendo mantida com fluxos de trabalho digitais e inovações, assim podem “estar ali com o produto certo na hora certa”.

Mas talvez, exceto por uma oportunidade aqui ou ali, não haverá nunca o “momento certo” para as editoras de livros ilustrados que buscam explorar o mesmo desenvolvimento criativo tanto em impresso quanto digital. Não existe garantia para isso.

Duhigg caracterizou o chamado “negócio digital branco e preto” os livros cuja leitura flui [eu acho que seria mais precisamente descrito como “negócio digital de leitura imersiva”], e admite que é muito diferente para as empresas com “catálogos totalmente ilustrados”.

Isso está correto. Esperar que a coisa vai mudar pode ser apenas otimismo exagerado.

Livros ilustrados em formato impresso dependem de livrarias mais do que romances e biografias. Se o valor de um livro está em sua apresentação visual, então todos querem olhar antes de comprar, e a visão que se consegue online pode não fazer justiça ao livro impresso.

Camplin vê isso de forma otimista. Ele tem uma visão agressivamente modernista do que vai acontecer com os romances. “Não vejo como os impressos vão sobreviver para ficção, além do bibliófilo”, o que poderia abrir mais espaço nas livrarias para os livros ilustrados.

Mas, se os compradores de Patterson e Evanovich e de 50 Tons de Cinza não estão visitando livrarias para fazer nenhuma compra, haverá público para olhar os livros ilustrados, por mais bem expostos que estejam?

Este problema tem me preocupado faz um tempo. Livros são ilustrados por duas razões: beleza ou propósito de explicação, mais a segunda do que a primeira. Se são ilustrados para explicar melhor, como tricotar, fazer uma vela ou uma joia, não seria um vídeo uma opção melhor na maioria das vezes? Se a ilustração for um mapa, não é provável que organizar digitalmente as camadas [pelo movimento do tempo, das tropas num campo de batalha ou o ajuste das fronteiras] vai trazer mais clareza do que as imagens nos livros?

Claro, as editoras podem fazer estas coisas as versões digitais. Mas elas exigem criar, ou licenciar, depois integrar novo conteúdo, repensar e redesenhar a apresentação. E isso sem contar o trabalho envolvido para ajustar o conteúdo a múltiplos tamanhos de tela, um problema que vai ficando mais desafiador, já que tablets e telefones com tamanhos de telas diferentes vão sendo lançados.

Tem uma grande editora que conheço que está realmente fazendo esforços para publicar ebooks de todos os novos títulos lançados, inclusive de selos que lançam vários livros ilustrados. Como todas outras editoras, suas vendas de e-books representam cerca de 50% ou mais na ficção, e 25% ou mais em não-ficção de leitura imersiva. Mas os livros ilustrados estão em porcentagens de um dígito na maior parte do tempo, com alguns dos mais bem-sucedidos na categoria chegando a dois dígitos.

Isto nos EUA – dois anos ou mais depois do lançamento do iPad e do Nook Color e quase um ano depois do lançamento do Kindle Fire. Baixas vendas de e-books ilustrados não podem mais ser atribuídas à falta de aparelhos eficientes.

E a ubiquidade destes aparelhos de alta capacidade trazem novas dores de cabeça. Estava discutindo com nosso especialista favorito em hábitos de leitura, Peter Hildick-Smith, do Codex Group, sobre o recente informe Bowker, que afirma que mais pessoas estão lendo ebooks em aparelhos de multi-função do que em leitores de e-ink dedicados. Ele concorda e diz que, como resultado, o consumo de ebook por leitor ameaça cair.

Hildick-Smith afirma que o tablet é uma mudança profunda na história do conteúdo e do consumo. Até agora, cada conteúdo tinha seu próprio mecanismo de distribuição. Discos, K7s e até MP3s eram distribuídos através de aparelhos feitos para eles, assim como a programação na TV e rádio. Livros em Kindles e Nooks replicaram este paradigma. Quando você liga seu Kindle, se enterra no seu livro como fazia quando estava no papel.

Já não é mais verdade. Se o livro que você está lendo num iPad, Kindle Fire ou Nexus 7 está chato, ou você se cansou, pode mudar para um filme, o New York Times, sua música favorita ou Angry Birds com o mesmo aparelho. Ou seu iPhone vai tocar e você vai deixar o livro para responder a um email.

Para o editor de romances, isso significa que o livro está competindo com outras mídias que teriam um propósito diferente. Para o editor de livros ilustrados, o livro também deve competir com mídia com o mesmo objetivo [quantos novos vídeos sobre pontos de tricô ou com técnicas de criação de joias são postados no YouTube todo dia?]. Mas eles não podem publicar pelo mesmo preço, por que a maioria é gratuita.

Então, o editor de livros ilustrados não só precisa aprender a fazer vídeos [uma habilidade que nunca foram obrigados a ter antes], como também precisam criar um modelo de negócios que permita que seus livros sejam parte de um produto com preço comercial, competindo com legiões de coisas parecidas que são gratuitas. E eles precisam financiar um componente criativo substancial que não está contribuindo com nenhum valor ao impresso.

Sabemos que nossa indústria está mudando radicalmente. Diferentes modelos de negócio estão sendo desafiados de diferentes maneiras. A maior parte do tempo neste blog, talvez tempo demais, estamos contemplando como isso afeta as maiores editoras e os maiores livros. Há uma razão para isso. Grandes livros sempre impulsionaram o negócio de livro do consumidor e isso parece ser mais verdade hoje do que nunca.

Mas o desafio para – muito especificamente – “publicação de livros ilustrados gerais” parece muito mais severo. Os grandes editores com quem falei, aparentemente estão vendo isso. Ninguém foi explícito, mas parece que eles podem ver um caminho lucrativo para navegar pela mudança digital com livros de leitura imersiva, mas não com os ilustrados.

Também falei com editoras de livros ilustrados. Ninguém disse: “você está errado, Mike. É assim que vamos continuar sendo bem-sucedidos, usando nossas habilidades de desenvolvimento de conteúdo, capacidades de marketing e rede de talentos quando o espaço nas livrarias se tornar insignificante.” Alguns deles disseram “não concordo” sem especificar. A maioria admite que vê o problema, mas ainda não encontraram uma solução.

Pode ser que não exista.

Camplin, da Thames & Hudson, está citado no final da matéria no The Bookseller dizendo: “Assumir que o mercado existe [no momento] é perder dinheiro; no entanto, seria estúpido dizer que ficará assim para sempre”.

Poderia também ser besteira dizer, ou apostar, que não vai.

Claro, há uma estratégia que pode funcionar: a vertical. Se estiver usando livros ilustrados para construir uma comunidade de interessados, então você será capaz, é o que se presume, de vender outras coisas a eles [software, eventos ao vivo, bases de dados, serviços] quando os livros ilustrados ficarem datados. É a estratégia da Osprey e da F+W e você pode ver algum sentido nela porque livros são somente parte e quase certamente uma porcentagem cada vez menor, de seu portfólio de vendas.

Na verdade, são empresas como essas que poderiam usar tecnologia como Aerbook Maker de Ron Martinez e usar seus livros como um trampolim para produtos digitais com valor comercial. Eles provavelmente também querem descobrir o esquema “advanceImages” para micropagamento de royalties da fotoLibra em vez de pagar licenciamentos para fotografias. O que Aerbook e fotoLlibra estão oferecendo pode reduzir o custo de criar um e-book ilustrado ou enhanced em 80%. Isso certamente ajudaria.

Já faz tempo que me parece evidente que gerenciar o lado do custo da criação de enhanced e-book é crítico, por isso fiquei animado com o lançamento original do Blio em dezembro de 2009.

Para as editoras que buscam a solução na estratégia vertical, a métrica para analisar são as vendas que fazem de coisas além de livros e as vendas que fazem fora das livrarias. Ou seja: acompanhar o que é sustentável e tem potencial para crescer, não o que está destinado a afundar.

Fatos relevantes: lembro que alguém na Wiley me contou há alguns anos que um grande portfólio de fotografias acrescentava rendimentos mensuráveis em seus sites de viagem. Por um custo muito baixo, eles podiam fazer uma seleção de fotografias disponíveis para pesquisa. As pessoas clicavam nelas escolhendo uma nova a cada vez. Esta será a “publicação de livros ilustrados” do futuro, mas começa tendo uma audiência.

Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em Publishnews | 24/08/2012 | Tradução: Marcelo Barbão

Mike Shatzkin tem mais de 40 anos de experiência no mercado editorial. É fundador e diretor-presidente da consultoria editorial The Idea Logical Co., com sede em Nova York, e acompanha e analisa diariamente os desafios e as oportunidades da indústria editorial nesta nova realidade digital. Oraganiza anualmente a Digital Book World, uma conferência em Nova York sobre o futuro digital do livro.

Nos Arquivos de Shatzkin, o consultor novaiorquino aborda os desafios e oportunidades apresentados pela nova era digital. O texto de sua coluna é publicado originalmente em seu blog, The Shatzkin Files [www.idealog.com/blog].

Biblioteca Nacional Digital


A BNDigital foi criada com uma dupla missão: preservar a memória documental; permitir o acesso múltiplo, simultâneo e sem fronteiras ao acervo em domínio público da Biblioteca Nacional. Oficialmente lançada em 2006. A BNDigital integra coleções que desde 2001 vinham sendo digitalizadas no contexto de exposições e projetos temáticos, em parceria com instituições nacionais e internacionais. O ambiente virtual da BNDigital, além do acervo digitalizado, que já atingiu a faixa de mais de 25.000 itens ou 6.000.000 de páginas, reúne também exposições virtuais, sites temáticos e projetos com parcerias nacionais e internacionais. Para conhecer a BNDigital clique aqui.

Patrimônio Cultural | quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Cadastro Nacional do Livro ganha espaço


Ferramenta da cadeia produtiva do livro já possui 543 mil títulos cadastrados

Cadastro Nacional do Livro, chamado Canal, foi criado pela Câmara Brasileira do Livro, CBL, e permite aos profissionais da cadeia produtiva do livro gerenciar e distribuir informações bibliográficas e comerciais sobre os livros à venda no país. Hoje ele já conta com 543 mil títulos cadastrados, e espera-se que o número chegue a 550 mil títulos até o final deste mês.

Segundo Ednei Procópio, que está por trás do projeto, o mercado sempre quis ter um cadastro único, pois as editoras têm dificuldades de cadastrar os livros em todas as livrarias, bibliotecas etc. Para participar do Canal, a editora associada à CBL deve se registrar e validar os dados de seus títulos, sejam eles novos ou já previamente cadastrados. A editora coloca os dados comerciais e os dados ‘ricos’, como capa, peso, e, principalmente, o preço. Quando termina de validar os dados, ela mesma pode criar uma lista e distribuir as informações para quem ela quiser.

Ednei conta que o cadastro ainda está em fase de divulgação e adesão, mas a recepção está sendo positiva. Hoje estão cadastrados 40 selos editoriais diferentes, mas a perspectiva é de que, até o final do terceiro trimestre de 2012, o Canal alcance a marca de 100 editoras. “As editoras adoraram a ideia, pois sempre quiseram montar algo nesse sentido, mas não sabiam como. O cadastro serve internamente também, as editoras têm acesso a todas as informações, e sabem claramente onde estão os livros, quais são impressos e quais são eletrônicos”, explica Ednei.

As livrarias também são beneficiadas pelo cadastro único, podendo consultar a situação dos livros diretamente no Canal, ao invés de entrar em contato com todas as editoras. O cadastro utiliza o padrão de intercâmbio de dados Onix for books, utilizado pela Amazon e Apple, o que permitirá, no futuro, uma interação com outras plataformas de outros países.

Por Iona Teixeira Stevens | PublishNews | 23/08/2012

Pasta do Professor atinge a marca de meio bilhão de páginas


“Isso significa que meio bilhão de páginas de conteúdo não foram pirateadas”comemora Bruno de Carli

O projeto Pasta do Professor, nascido dentro da Associação Brasileira de Direitos Reprográficos, ABDR, e que reúne 34 editoras e mais de 70 selos editoriais voltados ao ensino universitário, alcançou na última semana a marca de meio bilhão de páginas de conteúdo entregues aos alunos das instituições de ensino filiadas à iniciativa. O projeto cria uma alternativa legal viável contra a pirataria de livros, em especial no meio universitário – a famosa xerox da pasta do professor. “O aluno tira cópia porque é barato e é fácil. Se o livro tem 100 páginas, ele usa apenas 30, por isso que, independentemente do preço do livro, ele sai caro para o aluno”, explica Bruno de Carli, diretor do projeto. Frente a essa realidade, a Pasta do Professor buscou replicar o modelo de tirar cópias dos livros universitários, e viram que a internet seria a ferramenta mais adequada para isso, devido a sua capilaridade.

Para viabilizar a Pasta do Professor e torná-la o mais acessível possível aos alunos, o projeto acabou criando também um enorme acervo de metadados: “Todos os livros estão fracionados em capítulos, colocados pelo nome. Na época nem se sabia que no futuro isso seria o famoso metadado” comenta Bruno.

O projeto é pioneiro no mundo, e evoluiu ao longo do tempo nos formatos e tecnologia, começando com o sistema de folhas soltas impressas nas parcerias com universidades como PUC-Minas, PUC-Rio, Mackenzie e ESPM, para o formato de fascículos impressos na Universidade Estácio, e por fim disponibilizando os conteúdos das editoras afiliadas em tablets e sistemas de leitura online através de browser na internet.

Por Iona Teixeira Stevens | PublishNews | 23/08/2012

Tecnologias como smartphones, geolocalização e games remodelam a arte de contar histórias


Conto publicado em Twitter e narrativa espalhada em 23 redes sociais são apenas exemplos mais recentes do fenômeno

RIO | No ano do centenário do naufrágio do Titanic, o escritor e editor Claudio Soares decidiu pesquisar e recontar a história da tragédia. Mais uma volta ao mesmo tema, não fosse pelo fato de o autor ter escolhido fazer isso espalhando fragmentos — páginas de jornais da época, o áudio de músicas tocadas pela orquestra do navio — em 23 redes sociais [dos celebrados YouTube, Facebook e Twitter ao esquecido Orkut, passando pelos menos manjados Scribd e Pinterest]. Em outro canto da web, a editora Intrínseca vem publicando diariamente, em sua conta no Twitter, o texto “Caixa preta”, da americana Jennifer Egan, escrito originalmente para a ferramenta, em pedaços de até 140 caracteres. São apenas dois exemplos de algo que vem sendo chamado de narrativas digitais, literatura eletrônica ou narrativas em rede — enfim, evidências de como a arte de contar histórias vem sendo remodelada com as novas tecnologias e os novos comportamentos que nascem delas. [Assista aqui um divertido vídeo com um diálogo virtual entre um homem e uma mulher que se gostam, mas hesitam em se declarar em suas mensagens. A história está no que não foi enviado.]

“Titanicware”, projeto de Claudio, editor da Obliq Press, será lançado ainda no formato físico de uma trilogia de livros, batizados de “MGY” [identidade do Titanic na rede de telégrafos], “Leme” e “Mashup”.

— As redes sociais em geral são usadas no final do processo, para anunciar o livro apenas — explica Soares. — Minha ideia é fazer o inverso. Desde o momento em que se inicia o processo, você insere o leitor. Cada um se torna um editor, escolhe seu caminho de ler, usando agregadores ou entrando nas redes separadamente. E a participação deles pode influenciar meus caminhos na edição dos livros que sairão no fim do processo. Escolhi o Titanic não por acaso. A memória sobre ele é fragmentada. E, numa simbologia, o próprio navio volta à superfície como fragmentos.

Soares nota que há experiências ao longo do século XX, de autores como John dos Passos e Mario Vargas Llosa, que forçaram as fronteiras da narrativa como vem sendo feito agora. Mas eles trabalharam com a limitação do livro, que tem, para o editor, “o DNA da tecnologia de Gutenberg”. Uma diferença que ele sentiu bem quando, em 2009, verteu sua biografia de Santos Dummont para o Twitter, no projeto “@sd8”.

O microblog, usado agora na publicação de “Caixa preta” [na conta @intrinseca], é uma ferramenta recorrente dessas novas narrativas [autores como Marcelino Freire exploram o formato do microconto, por exemplo]. Mas há muitos outros caminhos sendo usados, experiências espalhadas em sites, em aplicativos de smartphones ou reunidas em bibliotecas de referência como Electronic Literature Organization e Literatura Eletrónica Hispánica.

— São três as características que definem a literatura eletrônica: a interatividade; a hipertextualidade, daí a sensação de fragmentação, não linearidade; e a multimídia — explica Cristiane Costa, pesquisadora do Programa Avançado de Cultura Contemporânea da UFRJ [PACC] e coordenadora do curso de Jornalismo da universidade. — Mas o termo literatura é evitado, até porque o verbo ler é muito restrito para dar conta dessas experiências, nas quais você lê, vê, interage, compartilha… Basta notar que muito dessa produção está no YouTube, não nas bibliotecas.

Cristiane cita o exemplo do vídeo “The digital story of nativity”, um compêndio bem-humorado das possibilidades das novas narrativas. O filme o faz de forma despretensiosa, ao visitar a história mais recontada do Ocidente, o nascimento de Cristo, com ferramentas como SMS [o anúncio do anjo Gabriel a Maria], e-mail [Maria para José: “Precisamos conversar”], geolocalização [ao traçar a rota de Nazaré a Belém, “evitando romanos”], Foursquare [na busca por hospedagem], comércio virtual [os Reis Magos escolhendo presentes].

— Ainda existem muitos caminhos a se explorar — acredita Cristiane. — Já há contos feitos totalmente com emoticons. Usando recursos de geolocalização você pode reescrever “A volta ao mundo em 80 dias”, ou fazer algo como o “De onde vieram os homens que beijei” [no qual a autora Julia Debasse marca no Google Maps os tais homens e relata seu encontro com eles]. E gosto da ideia da realidade aumentada [as imagens e palavras de uma folha de papel captadas por uma câmera “ganham vida” na tela do computador], porque ela não prescinde do papel, você precisa voltar a ele. É um diálogo entre papel e tela, real e virtual não aparecem separados por um muro. Está no YouTube uma ótima edição nesse formato de “Dr. Jekyll and Mr. Hyde”.

Clássicos como matéria-prima

A revisita de clássicos em novas formas narrativas é recorrente — em mais um exemplo, “Frankenstein”, de Mary Shelley, ganhou uma versão em aplicativo para iPad e iPhone —, talvez como forma de pisar em terreno seguro no conteúdo para se poder experimentar na forma. Mesmo quando não são diretamente relidos, os clássicos são requisitados como matéria-prima de remixes literários, corta e cola inerente à cultura digital aproveitado em sites como MixLit.

Os games são outro espaço no qual as narrativas digitais vêm se desenvolvendo com originalidade — o espaço de excelência, na visão da pesquisadora americana Janet Murray, autora de “Hamlet no Holodeck: o futuro da narrativa no ciberespaço”.

— O “Façade” é o primeiro game literário, permitido pela tecnologia dos chatbots [ferramentas capazes de dialogar, simulando humanos] — cita Cristiane. — Nele, você é envolvido numa situação-limite com um casal e a história se desenvolve conforme suas reações.

Coordenador do CTS Game Studies da Fundação Getúlio Vargas, Arthur Protasio nota que essas experiências narrativas dos jogos, em casos radicais, vão além — ou aquém — dos diálogos:

— No “Journey”, a história é construída enquanto você segue seu caminho para uma montanha. Você encontra outros jogadores no trajeto, que podem só cruzar com você ou acompanhá-lo. Mas não há diálogo, sua comunicação com eles se dá no silêncio. É uma experiência profundamente contemplativa, numa linguagem extremamente nova, contemporânea.

Por Leonardo Lichote | Publicado originalmente por O Globo | 22/08/2012 | © 1996 – 2012. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A.

Big Six dominam lista americana de eBooks mais vendidos


A partir desta semana, o Digital Book World começou a publicar uma lista semanal dos eBooks mais vendidos nos EUA. O ranking reúne dados de cinco dos seis maiores vendedores de livros digitais do país [Amazon, Barnes & Noble, Kobo, Sony e Google] e, além da lista geral, também inclui classificações separadas por diferentes faixas de preço.

Quem esperava ver livros baratos dominando a lista – ainda mais depois da notícia da semana passada de que o preço médio dos eBooks de ficção americanos caiu para apenas US$5.24 – teve uma surpresa. 17 dos 25 livros no topo da lista custam US$9.99 ou mais, enquanto apenas quatro livros ficam abaixo dos US$3. Uma rápida olhada no ranking completo mostra também o domínio das grandes editoras: além das Big Six, apenas a Scholastic, com sua trilogia “The Hunger Games”, e a editora independente Soho Press ocuparam posições entre os 25 livros mais vendidos.

Uma matéria da Forbes reuniu alguns outros insights trazidos pela nova lista:

  • Ao contrário do que se pensava, as faixas de preço menores também são dominadas pelas grandes editoras, e não por autores independentes
  • A trilogia dos Cinquenta tons já não ocupa mais os três primeiros postos da lista
  • As novelas – isto é, livros de ficção mais curtos do que os romances – podem ser best-sellers se tiverem preços menores
  • Livros de catálogo podem ter um novo ciclo de vendas com uma mudança de preço

As listas completas e a metodologia usada na pesquisa podem ser acessadas neste link.

Por Nina Sarti | Revolução eBook | 22/08/2012

Amazon descobre o caminho das Índias


Varejista abre loja Kindle na Índia e aumenta expectativa de sua chegada ao Brasil

A gigante Amazon abriu uma loja indiana do Kindle na Amazon.com, segundo informa o site The Bookseller, e venderá também o aparelho nas lojas indianas Croma. A loja do Kindle inaugura com um acervo de mais de um milhão de títulos, e inclui de bestsellers a autores indianos. O e-reader será vendido por cerca de U$ 126, não muito superior ao preço cobrado nos Estados Unidos. A Amazon também lançou no país o Kindle Direct Publishing, uma plataforma onde autores e editores indianos podem estabelecer diretamente os preços de seus livros na Índia. Seria uma prévia da chegada da Amazon ao Brasil?

Por Iona Teixeira Stevens | PublishNews | 22/08/2012

Paulo Coelho pede mais flexibilidade para conteúdos grátis na internet


Paulo Coelho em palestra na Campus Party Berlim

Paulo Coelho em palestra na Campus Party Berlim

O escritor Paulo Coelho pediu nesta quarta-feira [22] ao mundo editorial maior flexibilidade em relação ao conteúdo grátis na internet e que abandone uma concepção rígida dos direitos autorais de propriedade intelectual.

Estão tentando deter algo que não se pode interromper“, disse Coelho durante a Campus Party, feira de tecnologia que está sendo realizado em Berlim.

Não devemos controlar conteúdos, mas compartilhá-los. Com mais conteúdos compartilhados, mas conteúdo será recebido“, disse o escritor.

Desde 2005, Coelho oferece parte de sua obra de graça na internet, e segundo ele a iniciativa melhorou as vendas de seus livros.

O escritor considerou que atualmente, da mesma forma que ocorreu nos tempos da invenção da imprensa, existe medo pela perda do controle do conhecimento.

DA EFE | Publicado por Folha de S.Paulo | TEC | 22/08/2012 – 15h35

Para popularizar armazenamento em nuvem, Amazon lança serviço de US$ 0,01 por Gbyte


A Amazon Web Services, braço de computação em nuvem da varejista americana, lançou nesta terça-feira [21] um novo serviço de armazenamento de dados com preços a partir de US$ 0,01.

O serviço custará US$ 0,01 por gigabyte armazenado e é voltado para arquivos de backup, que não são acessados com frequência pelas empresas.

No Brasil, onde a Amazon Web Services iniciou operação há seis meses, o produto será disponibilizado, em um primeiro momento, somente para os atuais clientes da empresa.

Em visita a São Paulo, o chefe mundial de tecnologia da Amazon, Werner Vogels, afirmou que o novo serviço faz parte da estratégia da companhia de oferecer produtos cada vez mais baratos, para permitir que a tecnologia esteja acessível a empresas de todos os tamanhos.

Já fizemos 20 reduções nos preços dos nossos serviços nos últimos anos”, disse Vogels. “Nosso objetivo é ser a opção mais barata do mercado.

O executivo não quis comentar sobre o início das atividades de varejo da Amazon no Brasil.

OPORTUNIDADE

A computação em nuvem permite que empresas e pessoas físicas guardem seus arquivos digitais em servidores de companhias como a Amazon, dispensando-as de comprar seus próprios equipamentos.

Segundo o executivo da empresa norte-americana, a operação da Amazon Web Services na América Latina já conquistou “dezenas de milhares” de clientes corporativos desde o início das atividades, em dezembro. Metade deles está no Brasil.

Entre as empresas atendidas pela companhia no país estão Terra, Pão de Açúcar, Peixe Urbano, Gol e Anhanguera.

A economia do Brasil vive um ‘boom’ e há oportunidades grandes em setores como o financeiro e de telecomunicação, que precisam armazenar muitos dados por causa das exigências regulatórias“, afirmou Vogels.

A companhia também quer atrair as empresas de pequeno e médio porte que, muitas vezes, não têm capital para investir em infraestrutura de TI. “[O armazenamento em nuvem] é um modelo ideal para elas“, disse o executivo.

Apesar de permitir que pessoas físicas comprem o serviço de nuvem, por meio de seu site, a Amazon Web Services tem como foco os clientes corporativos, explica José Nilo Cruz Martins, diretor-geral da empresa no Brasil.

Com operações em oito regiões no mundo, a companhia já armazena em seus centros de dados cerca de 1 trilhão de arquivos, segundo dados de junho.

Sem detalhar números, Vogels disse que os negócios da nuvem podem chegar ao mesmo tamanho da atividade de varejo da Amazon, cujo faturamento anual é de cerca de US$ 40 bilhões.

POR MARIANNA ARAGÃO, DE SÃO PAULO | Publicado originalmente em Folha de S.Paulo | 21/08/2012 – 18h52

Mercado editorial ganhará rede social


A BookMachine, do Reino Unido, promete dar impulso ao networking entre profissionais da área

O site Publishing Perspectives publicou ontem um artigo sobre a criação de uma nova mídia social voltada para profissionais do mercado editorial, onde os usuários poderão colocar exemplos de seus trabalhos e projetos. O objetivo é juntar pessoas com diferentes habilidades a demandas de projetos, e não apenas conectar indivíduos que já trabalharam juntos, como é o caso da rede Linkedin. Os fundadores do BookMachine.me contaram ao site que, como todas as boas ideias, a da criação da plataforma surgiu em um pub, e buscará replicar o tipo de ligação que pessoas fazem em eventos sociais. Será que, além dos livros, o networking do mercado editorial também será digitalizado no futuro?

Por Iona Teixeira Stevens | PublishNews | 21/08/2012

Mundo Cristão lançará 60 eBooks em 2013


A Editora Mundo Cristão expande seu catálogo digital, publicando até o final do ano 52 títulos e, de acordo com o planejamento da editora, mais 60 novos e-books em 2013. Em nota, a Mundo Cristão afirma que os e-books da editora podem ser encontrados nas livrarias virtuais com preços até 25% abaixo do valor de um exemplar impresso. O livro mais barato da MC é O peregrino, que pode ser adquirido como aplicativo por U$ 0,99 na Apple Store e o título mais caro é Bonhoeffer, um livro de 640 páginas e com álbum de fotos, que pode ser adquirido por R$ 39,90. A mesma obra, na versão impressa, sai por R$ 59,90.

PublishNews | 21/08/2012

Barnes & Noble lança Nook no Reino Unido


Aparelhos lançados serão o Nook Simple Touch e o Nook Simple Touch com GlowLight

O site Publishers Weekly informou ontem que a Barnes & Noble começa finalmente sua expansão internacional. O e-reader Nook será lançado no Reino Unido e comercializado pelo site www.nook.co.uk. Ainda não foram anunciadas parcerias com varejistas, mas devem incluir vendas de livros digitais e impressos. O site afirma também que os aparelhos lançados serão o Nook Simple Touch e o Nook Simple Touch com GlowLight e contarão com o vasto acervo de mais de 2.5 milhões de títulos, incluindo livros, jornais, revistas e aplicativos. Com a quantidade de títulos de livros digitais crescendo exponencialmente e com os planos de chegada dos e-readers Kobo e Kindle por aqui, esperamos que o próximo passo da ampliação internacional da Barnes & Noble seja o Brasil.

Por Iona Teixeira Stevens | PublishNews | 21/08/2012

Em 6 meses, catálogo de eBooks em português salta de 11 para 16 mil títulos


Em fevereiro de 2012, publicamos no Revolução eBook os resultados da pesquisa realizada pela Simplíssimo, analisando a situação dos eBooks no Brasil até então – quantos estavam à venda, em quais livrarias, publicados por quais editoras, etc. Seis meses depois, a pesquisa foi refeita, para avaliar o ritmo da evolução do mercado digital no Brasil. Para isso, foram pesquisados metodicamente todos os eBooks publicamente oferecidos nos sites das 3 principais livrarias de eBooks em português [em ordem alfabética, Amazon, Gato Sabido e Saraiva], nos dias 02 e 03 de agosto de 2012. O que verificamos? Uma aceleração consistente da oferta de livros digitais no Brasil.

Algumas previsões do início do ano ainda não se confirmaram – por exemplo, Amazon e Apple ainda não iniciaram oficialmente a venda de eBooks para o Brasil. Aparentemente, isso não impediu editoras e autores brasileiros de apostarem no formato digital. Pelo contrário, eles pisaram no acelerador, e para valer. A oferta total de eBooks em português [títulos únicos, sem repetições] já ultrapassa a marca dos 16 mil títulos. Parece pouco, mas é um grande progresso: em apenas seis meses, foram colocados à venda mais de 5 mil novos eBooks, quase 50% de tudo o que era oferecido até fevereiro de 2012.

Persistindo este ritmo de crescimento da oferta de eBooks, até o início de 2013 a marca dos 20 mil títulos únicos em português será ultrapassada. Este aumento na oferta já deu início a um círculo virtuoso para o formato digital. Semana passada, o presidente da Saraiva, Marcilio Pousada, informou que 30% das vendas online de 50 Tons de Cinza, foram da versão eBook do livro. É um best-seller que saiu em todos os jornais, mas existem outros exemplos, bem opostos. O mais destacado é o estrondoso sucesso de Bel Pesce, a jovem autora estreante que registrou mais de 350 mil downloads em 20 dias do seu eBook sobre empreendedorismo. São exemplos que demonstram o potencial de aceitação [e vendas] dos eBooks no Brasil. Se em 2011 as vendas de eBooks foram frustrantes, isso se deveu em boa parte à pífia oferta de títulos – até fevereiro de 2012, nenhuma livraria oferecia mais que 7 mil eBooks em seus sites.

Se por um lado o número total de eBooks aumentou, de forma rápida e consistente, por outro, nenhuma livraria foi capaz de concentrar sozinha esse crescimento, persistindo a situação verificada no início de 2012. No caso da Amazon, é ainda mais surpreendente, porque ela segue muito atrás das concorrentes brasileiras, mesmo estando em negociação com as editoras desde fins de 2011. Ao longo da semana, vamos aprofundar esta e outras questões aqui no Revolução eBook:

Terça: Amazon tem apenas 6 mil eBooks em português e segue atrás das livrarias brasileiras
Quarta: eBooks de Domínio Público são mais de 20% da oferta da Amazon
Quinta: 10 editoras oferecem 50% de todos os eBooks; 160 editoras vendem só 6%
Sexta: Conclusões: para onde caminhará o mercado nos próximos 6 meses

Para continuar por dentro das principais notícias do mercado de eBooks, assine o Boletim diário Revolução eBook.

Por Eduardo Melo | Revolução eBook | 21/08/2012

Barnes & Noble venderá leitor digital Nook no Reino Unido


O leitor eletrônico Nook, da Barnes & Noble

O leitor eletrônico Nook, da Barnes & Noble

A Barnes & Noble disse nesta segunda-feira [20] que levará seu leitor digital Nook para o Reino Unido nos próximos meses, a sua primeira expansão internacional.

A companhia começará a vender seu Nook Simple Touch por meio de alguns varejistas britânicos em outubro. A companhia disse que indicará o nome das redes que venderão os produtos em breve.

Também será lançada uma loja on-line exclusiva para o Nook no país.

O Nook tem sido um produto popular nos EUA, ajudando a Barnes & Noble a mitigar a queda nas livrarias físicas.

A varejista disse ter conquistado 27% do mercado de leitores eletrônicos nos Estados Unidos, mas também tem cortado os preços do Nook na tentativa de concorrer com o leitor digital Kindle e o tablet Kindle Fire, ambos da Amazon.

DA REUTERS | Folha de S.Paulo | 20/08/2012 – 16h18

Lista dos eBooks mais vendidos nos EUA


A Digital Books World, newsletter especializada em livros eletrônicos dos EUA, divulgou várias listas de mais vendidos do setor naquele país. A DGB , associada com a Iobyte Solutions, preparou uma lista geral dos vinte e cinco mais vendidos e quatro listas segmentadas pelo preço.

A curiosidade a ser notada é que, dos vinte e cinco títulos mais vendidos, 21 foram publicados pelas “seis irmãs”, as maiores do setor, e praticamente a metade [12 títulos] foram publicados por editoras que aplicam o modelo de agenciamento, e com preços acima de US$ 10,00 [US 12,00 é o mais comum], e apenas quatro estão no segmento de preço mais baixo [de Us$ 0,00 a 2,99].

Outro detalhe significativo é que apenas dois títulos foram publicados por editoras fora do grupo das seis maiores editoras americanas [Random House, Penguin, Macmillan, Simon & Schuster, Hachette, HarperCollins]. A Scholastic – que não está entre as seis, mas é uma grande editora [publicou o Harry Potter nos EUA] emplacou dois títulos, e a Soho Press, essa sim, independente, um título.

Ao observar as listas divididas por categorias de preço, verifica-se que apenas no segmento de preço de US$ 3. a US$ 7,99 é que começam a aparecer as independentes, com três posições. E somente no segmento mais barato [de US$ 0,0 a Us$ 3] aparecem dois autores autopublicados, Sidney Landon e Lynda Chance. Esses dois, pelo título dos romances, aparentemente produzem “romance novels”, um segmento diferenciado nos EUA, por aqui representado pelos livros de banca tipo “Sabrina”. Etc.

Por Felipe Lindoso | Publicado originalmente em O Xis do Problema | 20 de agosto de 2012

Quatro capitais receberão workshop de produção de eBooks em ePub


Encontros ocorrerão em São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba e Porto Alegre

Para editoras e designers em busca de capacitação para a produção de e-book, em agosto e setembro a Simplíssimo promove o Workshop Produção de e-books em epub, com turmas em São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba e Porto Alegre. O curso acontece nos dias 27 e 28 de agosto [São Paulo], 30 e 31 de agosto [Rio de Janeiro], 03 e 04 de setembro [Curitiba] e 13 e 14 de setembro [Porto Alegre].

Ministrado por José Fernando Tavares, sócio e diretor técnico da Simplíssimo, o Workshop irá transmitir as melhores técnicas utilizadas para produção profissional de e-books em formato epub, como produzir o epub a partir do InDesign, além de dicas e truques de como otimizar a produção de e-books. O investimento é de R$ 950 e as inscrições podem ser feitas pelo email sac@simplissimo.com.br ou através do site da Simplíssimo. Para mais informações, clique aqui.

PublishNews | 17/08/2012

Sony anuncia nova linha de e-readers


E-reader tem tela sensível ao toque de 6 polegadas com tecnologia e-ink, memória interna de 2GB e vida útil da bateria de até dois meses

Nova linha traz processador mais veloz e adiciona funções de redes sociais como Facebook e Evernote

Nova linha traz processador mais veloz e adiciona funções de redes sociais como Facebook e Evernote

São Paulo | A Sony atualizou sua linha de leitores de livros digitais, com os novos modelos chamados de PRS-T2, que trazem um processador mais veloz e adiciona funções de redes sociais como Facebook e Evernote.

O e-reader tem tela sensível ao toque de 6 polegadas com tecnologia e-ink, memória interna de 2GB e, segundo a Sony, vida útil da bateria de até dois meses com o Wi-Fi desligado.

A nova integração com o Facebook permite aos leitores publicar uma pequena passagem do livro na rede social. Já a integração com o Evernote possibilita ao usuário salvar conteúdos da web para leitura póstuma.

Sobre os conteúdos, os usuários podem optar por ler livros de cerca de 15 mil livrarias públicas dos Estados Unidos, além de um grande acervo de livros, revistas e jornais disponíveis na loja Sony Reader Store ou por meio do app para desktop e dispositivos Android.

O e-reader Sony PRS-T2 já está disponível nas lojas virtuais da Sony por US$ 129. A empresa também venderá uma capa para o dispositivo por US$ 35 e outra com iluminação por US$ 50.

Por Monica Campi | Exame.com | 17/08/2012

O eBook da Carminha


Por Greg Bateman | Publicado originalmente em Publishnews| 17/08/2012

Você pode ter ouvido falar que a Google está entrando mais no mercado de venda de ebooks, mas sabia que a empresa também é uma editora? A coluna desta semana explica como grandes redes de TV, agências de notícias e marcas globais estão entrando no mercado editorial [DICA: não estão comprando gráficas].

Tive uma ótima conversa com uma ex-jornalista na Bienal outro dia – ela estava lamentando o aumento da pressão para que jornalistas de veículos impressos escrevam matérias cada vez mais curtas. São forçados a fazer isso tanto para reduzir a quantidade de papel impresso quanto para dar mais espaço para anúncios pagos. Seria um sonho, de acordo com ela, se houvesse uma forma para que estes talentosos redatores removessem os grilhões e produzissem artigos longos ou até livros. Bom, a empresa de notícias Reuters na verdade produziu um eBook sobre a sobrevalorização do Facebook 2 semanas antes do IPO. Exame, quando o seu livro sobre o Mensalão vai sair?

É muito frequente ficarmos tão envolvidos na natureza visual do programas de TV que esquecemos que os enredos foram criados por equipes de redatores talentosos. A NBC [que criou o famoso seriado “Friends”] teve tanto sucesso com seu primeiro projeto de eBook JFK: 50 days que decidiram criar toda uma empresa de e-publishing interna, do zero. Grimm é um dos melhores enhanced ebooks que já vi [como bônus, ele é gratuito]. Quantas cópias um eBook sobre a Avenida Brasil da Globo venderia? Globo, se estiver lendo isso, pode me contatar.

Tenho certeza que o valor das marcas Reuters e NBC também não atrapalhou as vendas do eBook. Mas o que tem mais valor de marca do que a própria marca? Foi o que a Google e a Wharton School of Businesssacaram. Ao ampliar seu imenso conhecimento de marketing digital e negócios, eles mostraram ao mundo que são líderes. O mais interessante é que, como a Apple e a Amazon distribuem o livro deles de graça, eles estão efetivamente tendo publicidade gratuita direto nas mãos da população louca por tecnologia e com grande poder aquisitivo, que são os donos de tablets/e-readers.

Uma marca que felizmente é tão popular no Brasil quanto nos EUA é a TED [um conjunto de conferências onde novas e inovadoras ideias são compartilhadas]. Em colaboração com meus bons amigos na Atavist [uma plataforma de autoração completa para livros narrativos de grande formato], eles lançaram um serviço de assinatura para uma crescente biblioteca de TED Books. O app é muito bonita e, como você já leu em meus outros artigos, sou um grande fã de assinaturas.

Graças à tecnologia de publicação digital – ferramentas de autoração, plataformas de distribuição – a barreira financeira para entrar no mercado é quase zero. Não só todo autor, mas toda empresa está se tornando uma e-publisher para compartilhar seu conhecimento, aumentar o valor da sua franquia e expandir sua marca.

Greg Bateman

Greg Bateman

Por Greg Bateman | Publicado originalmente em Publishnews| 17/08/2012

Greg Bateman, expert em tecnologia e empreendedor do negócio de e-books, é conhecido pelo seu envolvimento na criação de produtos extremamente bem-sucedidos, como os smartphones da Samsung e o Kindle, da Amazon. Na Vook, ele desenvolveu uma eficiente cadeia de produção de centenas de e-books por semana. Greg, que nasceu nos Estados Unidos, viveu nove anos no exterior, onde intermediou várias parcerias envolvendo Coreia, China, Japão e EUA. Hoje mora no Brasil, em São Paulo. Ele é pesquisador visitante da Universidade de Tóquio, tem duas graduações pela Universidade da Califórnia em Berkeley [engenharia elétrica/ciência da computação e literatura japonesa] e um MBA pela Columbia Business School.

A coluna E-Gringo discute a fundo o negócio e o lado técnico dos e-books a partir de uma perspectiva global. Às quartas-feiras, quinzenalmente, ela vai apresentar plataformas e tendências do mundo todo e, claro, do Brasil. Para enviar comentários, escreva para greg@hondana.com.br .

PALESTRA NA BIENAL | O livro em um mundo de metadados


Palestra gratuita na Bienal do Livro abordará o tema
“a cadeia produtiva do livro integrada à mais rica fonte de metadados”

Ednei Procópio | Fonte: Maurício Burim/SE

Ednei Procópio | Fonte: Maurício Burim/SE

Durante a 22ª edição da Bienal do Livro de São Paulo, o especialista em eBooks Ednei Procópio, ministrará a palestra “O livro em um mundo de metadados“.

O objetivo da palestra é demonstrar de que modo o controle eficiente dos dados sobre os livros pode ser usado para divulgar e comunicar obras em benefício de todo o mercado editorial brasileiro.

A palestra demonstrará também de que modo a Câmara Brasileira do Livro [CBL] pretende reunir e disponibilizar a maior base de dados dos títulos publicados e comercializados em língua portuguesa. E qual é o papel do projeto Cadastro Nacional do Livro [Canal] na nova cadeia produtiva do livro [incluindo autores, editoras, distribuidoras e livrarias] frente às transformações tecnológicas e sociais.

ANOTE NA SUA AGENDA

Onde: 22ª edição da Bienal do Livro de São Paulo
Quando: dia 17/08/2012, sexta-fera
Horário: das 15h às 16h00
Local: Livros & Cia.

ENTRADA FRANCA: SERÃO DISTRIBUÍDAS SENHAS DUAS HORAS ANTES DA PALESTRA

Hachette continuará agarrada ao DRM


Hachette pede a seus autores para entrar na briga pelo DRM

A Hachette, uma das Big Six do mundo editorial, se envolveu em uma polêmica essa semana, ao colocar um de seus autores no meio de uma briga sobre DRM em territórios onde ela não possui os respectivos direitos autorais.

Um colunista do site Publishers Weekly afirmou ter visto uma carta, assinada por Ursula Mackenzie, CEO da Little, Brown U.K. [que pertence à Hachette] a um de seus autores explicando que, como a editora Tor, da MacMillan, publica o título dele sem DRM em outros países, seria difícil os direitos acordados à Hachette serem devidamente protegidos, e pede ainda que o autor insista para que a Tor volte a usar DRM. “A Hachette tem bolas do tamanho de Marte se ela acha que pode ditar o que outros publishers fazem em territórios onde ela não tem direitos” disse o colunista Cory Doctorow. Em resposta, a Hachette U.K. declarou que o DRM está funcionando muito bem e que mudará os contraltos autorais para deixar mais claro a posição do autor em relação ao DRM.

Por Iona Teixeira Stevens | PublishNews | 16/08/2012