Sistemas na Nuvem são uma importante mudança


Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em Publishnews | 25/07/2012 | Tradução: Marcelo Barbão

Mike Shatzkin

Muitas das mudanças que estamos vivendo na indústria editorial são bastante evidentes a todos. A mudança de impresso a digital, assim como a de compras em livrarias para compras online são óbvias para todos nós, dentro e fora da indústria.

Mas há outro aspecto da mudança que não é tão visível e trata de sistemas e fluxos de trabalho. O mercado editorial, mesmo na era pré-digital, já era um negócio orientado a sistemas. As grandes editoras produzem entre 3 e 5 mil títulos por ano: cada um com seu próprio contrato original, metadados, exigências de edição e [na maioria dos casos] mercado. Gosto de lembrar que “cada livro publicado apresenta a oportunidade de tomar um número ilimitado de decisões, às quais se deve resistir”. Na maioria das vezes os sistemas não ajudam muito a tomar essas decisões, mas é preciso muito apoio só para acompanhar todas elas e informá-las a cada pessoa que precisa saber!

Com o passar do tempo, as empresas com sistemas mais fortes acabaram adquirindo as empresas com sistemas mais fracos. Nem sempre funciona desta forma, mas na maioria das vezes é assim. E com o passar dos anos há várias histórias sobre quando os editores quase perderam suas empresas porque os sistemas tiveram problemas. A Macmillan original [agora uma divisão da Simon & Schuster] quase morreu nos anos 60 quando ficaram tão atrás nos processos de devoluções que não conseguiam cobrar direito as livrarias. No final dos anos 80 ou começo dos 90, a Penguin teve uma crise de estoque que também foi uma ameaça existencial. Um amigo meu com prática em consultoria orientada a processos ganhou o ano trabalhando neste problema.

Na era digital, sistemas ganham importância novamente. Cada editora está enfrentando novas exigências e vendo mudanças de parâmetros dos sistemas antigos. A maioria da renda das editoras, pelo menos por mais um tempo, vem dos livros impressos, mas o lado digital é onde está o crescimento. Os sistemas precisam funcionar para os dois.

Até recentemente, as editoras rodavam sistemas que estavam, no geral, instalados em seus próprios computadores, tendo sido criados ou bastante adaptados por seus próprios departamentos de TI, e os operadores na editora [editorial, produção, marketing, vendas] estavam à mercê deles. Se quisessem fazer algo, teriam de entrar na fila para conseguir o apoio técnico.

E as editoras menores, que faziam 50, 100 ou 200 títulos por ano, tinham de trabalhar com algo menos robusto, menos customizado e geralmente menos capaz, apesar também tomarem milhares de decisões que deviam ser acompanhadas e não terem sido menos afetadas pela mudança de impresso a digital.

Mas isso está mudando. Ou talvez deveríamos dizer que já mudou. Os novos sistemas editoriais são baseados na Nuvem. São frequentemente chamados de SaaS: software as a service. Não estão instalados nos computadores de uma empresa, mas nas máquinas do fornecedor do serviço. Geralmente não precisam de um departamento de TI para adaptá-los e certamente não exigem um departamento de TI para mantê-los atualizados E a melhor notícia de todas é que são mais baratos para adquirir e mais rápidos para instalar no fluxo de trabalho de uma empresa do que os sistemas do passado.

Dentro desta mudança há enormes oportunidades. As grandes editoras podem evitar a questão complicada de escalar para baixo seus sistemas de impressos e escalar para cima os digitais. As editoras pequenas agora podem usar sistemas e fluxos de trabalho que fornecem capacidades equivalentes às de seus concorrentes muito maiores.
Mas nada vem sem dor ou dificuldades, nem os sistemas na Nuvem. Executivos em grandes empresas descobrem que o departamento de TI responsável pela configuração de seus sistemas sente-se desafiado. Quando um operador no departamento de produção decide que precisam de um serviço na Nuvem como o Dropbox para mover os arquivos, ele não precisa do apoio da TI para fazer isso funcionar. Mas os departamentos de TI ainda são os responsáveis por fornecer apoio e integrar toda a tecnologia da editora. Ou seja, “tecnologia sem aprovação” começa a aparecer e os departamentos de TI não gostam disso.

Eles tampouco gostam do fato de que sistemas na Nuvem poderiam levar a cortes no orçamento e demissões. Os executivos não-técnicos podem ter certeza de que seus departamentos de TI vão olhar para sistemas de Nuvem mais baratos da mesma forma que o CEO ou o CFO?

Em empresas menores, sistemas na Nuvem possuem benefícios muito menos ambíguos pois fornecem, como geralmente é o caso, capacidades que uma editora menor nunca seria capaz de conseguir em sistemas stand-alone. Mas sem um departamento de TI, como você sabe qual oferta da Nuvem é a melhor? E como uma empresa sem muito conhecimento interno de tecnologia e quase nenhum excedente de trabalho lida com as implementações?

Foram essas perguntas que nos levaram a montar nossa primeira Publishers Launch Conference centrada em tecnologia. Demos o nome de “Publishing in the Cloud” e ocorrerá no Baruch College em Nova York em 26 de julho.

Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em Publishnews | 25/07/2012 | Tradução: Marcelo Barbão

Mike Shatzkin tem mais de 40 anos de experiência no mercado editorial. É fundador e diretor-presidente da consultoria editorial The Idea Logical Co., com sede em Nova York, e acompanha e analisa diariamente os desafios e as oportunidades da indústria editorial nesta nova realidade digital. Oraganiza anualmente a Digital Book World, uma conferência em Nova York sobre o futuro digital do livro.

Nos Arquivos de Shatzkin, o consultor novaiorquino aborda os desafios e oportunidades apresentados pela nova era digital. O texto de sua coluna é publicado originalmente em seu blog, The Shatzkin Files [www.idealog.com/blog].

Um pensamento sobre “Sistemas na Nuvem são uma importante mudança

  1. Uma das maiores e mais tradicionais universidades de Londres, a London South Bank University (LSBU), oferece educação relevante e reconhecida a seus alunos desde 1892. Mesmo mantendo suas tradicionais raízes, a instituição tem visão de futuro e só nos últimos cinco anos já investiu mais de 50 milhões de Libras em instalações que incluíram os mais modernos e automatizados sistemas de comunicação digital.

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