Amazon.com chega ao Brasil em setembro


Era inevitável e até demorou demais, mas em setembro a gigante de comércio Amazon.com chega ao Brasil.

A empresa prepara seu escritório e centro de distribuição em São Paulo e está contratando talentos brasileiros para cargos técnicos e de negócios.

O impacto no mercado brasileiro será incrível, e os concorrentes diretos como B2W [Americanas, Submarino, Shoptime] e Walmart terão que rebolar para resolver a insatisfação de seus clientes e renovar seus sites obsoletos.

Para o setor de conteúdo digital, como livros, jogos e afins, mais uma porta se abre para escoar a produção nacional, seja de grandes editoras ou autores independentes, incluindo o lançamento do leitor digital Kindle no Brasil.

O desafio da Amazon de Jeff Bezos será superar a burocracia brasileira.

Por Alex Moura | O Globo | 23/07/2012

Empresas apostam na evolução de quadrinhos digitais para tablet


O mundo dos quadrinhos é uma constante revolução. Um personagem está vendendo mal? Mandam matar. O substituto parou de chamar atenção? Criam uma desculpa e trazem o original de volta.

No mundo real, contudo, a indústria dos gibis é retrógrada. Mudanças são tratadas com desconfiança e o mercado está estagnado em torno de US$ 650 milhões [R$ 1,3 bilhão] há seis anos. Mas há uma luz no fim do túnel, ou melhor, na tela dos tablets.

Com a popularização dos iPads e similares, abriu-se um terreno fértil para os quadrinhos digitais nos Estados Unidos. Ficou muito mais fácil ler um gibi no tablet, sem precisar se locomover até uma loja especializada.

O ComiXology é o líder entre aplicativos para distribuição e leitura de gibis em tablets no mundo. Em 2009, dois anos depois de sua criação, rendeu US$ 1 milhão. Em 2011, o faturamento pulou para US$ 25 milhões. Em 2012, a previsão é de que o negócio bata nos US$ 70 milhões.

Enquanto o impresso cresce um pouco, o digital cresce muito“, diz David Steinberger, presidente da empresa.

No primeiro semestre de 2012, os quadrinhos impressos nos EUA cresceram 18% em relação a 2011, de acordo com o site The Comics Chronicles.

É incomum. Geralmente, o mercado físico encolhe. O que fizemos foi abrir as vendas para o público. Hoje, você está no Brasil e pode ler uma revista em segundos“, lembra Steinberger.

O sucesso dos quadrinhos para tablets está atraindo projetos que pretendem revolucionar a mídia. Enquanto no ComiXology o leitor toca na tela para passar a “página”, o recém-lançado aplicativo Madefire esquece qualquer tradicionalismo em HQs batizadas de “motion books”.

Esses gibis pós-modernos têm trilha sonora, onomatopeias sonorizadas e desenhos em 360 graus, mas ainda precisam do leitor para passar os quadros, os balões de diálogos e controlar a mudança de foco. “A interação ainda existe”, conta Dave Gibbons [“Watchmen”], um dos gurus artísticos da Madefire.

Há oportunidades maiores do que escanear as revistas e vendê-las. Disponibilizamos as ferramentas para os artistas criarem novas histórias“, afirma Ben Wolstenholme, presidente do Madefire, alfinetando o ComiXology.

Quem baixa o aplicativo no iTunes tem seis opções grátis de títulos que exploram bem os recursos, mas engatinham em qualidade narrativa.

A iniciativa de elevar a arte para o futuro não é só de investidores independentes. A gigante Marvel, ao lançar “Avengers vs. X-Men”, aproveitou para estrear a linha digital Infinite, de graça. Nela, a cada toque na tela do tablet, quadros se modificam e balões surgem. “É a primeira vez que criamos uma revista em quadrinhos para aparelhos portáteis“, disse o editor da Marvel, Axel Alonso, ao “New York Times”. Primeira, mas longe de ser a última.

Por Rodrigo Salem | Folha de S.Paulo | 23/07/2012