Livrarias reforçam operações


Caso desembarque no Brasil até o fim do ano, como é esperado, a Amazon vai encontrar as concorrentes brasileiras prontas para disputar o mercado de livros digitais. Na Saraiva, se os e-books fossem reunidos em uma só livraria, as vendas seriam maiores do que as de outras 42 lojas da rede, individualmente. A rede SBS, que tem 40 livrarias no país e 30 no exterior, criou uma divisão só para produtos digitais e vai reestruturar suas lojas para vender esse tipo de conteúdo.

Valor Econômico | 06/07/2012

Download grátis de livros pedidos em vestibulares no Universia Brasil


Além dos livros cobrados em 20 universidades, portal oferece resumo das obras

Os estudantes que estão se preparando para prestar os mais diferentes vestibulares do Brasil ganharam uma mãozinha da Universia Brasil. O portal da rede de colaboração universitária está oferecendo gratuitamente para 2013 as obras [e os resumos delas] de 20 processos seletivos importantes no país.

O acesso grátis a livros, que vão dos clássicos da literatura aos de conteúdo acadêmico específico, não é novidade no portal. Já são mais de 600 obras disponíveis. Mas passam a fazer parte da lista os textos pedidos em mais vestibulares do Brasil, como as federais de Paraná, Pernambuco e Rio Grande do Sul, além das universidades mais concorridas de São Paulo, como USP e Unicamp.

De acordo com Alexsandra Bentemuller, gerente de conteúdo do portal Universia Brasil, o processo de escolha dos livros disponibilizados envolve o interesse do leitor e pedidos por meio de enquetes e redes sociais. Os resumos das obras que caem no vestibular são elaborados por um grupo de professores de cursinhos e universidades parceiras. Segundo ela, o download grátis dos livros pedidos nas provas de literatura deve continuar pelos próximos anos, sendo atualizado à medida que os processos seletivos forem mudando.

“A proposta é dar chance de conhecer o livro a quem nao tinha essa oportunidade, democratizar o acesso ao conhecimento. A Universia quer impactar alunos de todo o país oferecendo livros de graça num mesmo endereço”, diz Alexsandra. Até o final do ano, o portal tem a meta de disponibilizar o download livre de pelo menos 1000 livros.

Veja a lista dos livros e de seus respectivos vestibulares:

  • Auto da barca do inferno – Gil Vicente [USP, UNICAMP]
  • A cidade e as serras – Eça de Queirós [USP, UNICAMP]
  • Memórias de um Sargento de Milícias – Manuel Antônio de Almeida [USP, UNICAMP]
  • Iracema – José de Alencar [USP, UNICAMP]
  • Dom Casmurro – Machado de Assis [USP, UNICAMP, UFPE, UFPR]
  • O Cortiço – Aluísio Azevedo [USP, UNICAMP]
  • Inocência – Visconde de Taunay [Alfredo d’Escragnolle Taunay] [UFPR]
  • O Primo Basílio – Eça de Queirós [UFPE, UFRGS]
  • Memórias Póstumas de Brás Cubas – Machado de Assis [UFRGS, UEG]
  • Mestre, Meu Mestre Querido!; Ao Volante do Chevrolet pela Estrada de Sintra; Grandes São os Desertos, e Tudo é Deserto; Lisboa com suas Casas; Todas as Cartas de Amor São; Ode Triunfal; Lisbon Revisited [1923]; Tabacaria; Aniversário; Poema em linha reta – Poemas de Álvaro de Campos – Fernando Pessoa. [UFRGS]
  • Espumas Flutuantes – Castro Alves [UEL]
  • O Bom-Crioulo – Adolfo Caminha [UEL]
  • A Capital Federal – Artur Azevedo [UEL]
  • A Confissão de Lúcio – Mario de Sá-Carneiro [UEL]
  • Contos Gauchescos – João Simões Lopes Neto [UEL]
  • Helena – Machado de Assis [UFJF]
  • Lira dos Vinte Anos – Álvares de Azevedo [UFJF]
  • Civilização e Singularidades de uma rapariga loira – Eça de Queirós [UFJF]
  • Poesias Selecionadas – Gregório de Matos

O Estado de S. Paulo | 06/07/2012

Editoras mobilizam equipes para ajustes internos


Grande parte do trabalho de conversão de livros em e-books tem sido terceirizada pelas editoras, mas essas companhias também têm mobilizado equipes internas para cuidar da tarefa. “Nossa capacidade é limitada, mas temos profissionais de arte e finalização de texto treinados para fazer pequenos ajustes nos livros em formato digital“, disse Breno Lerner, superintendente da editora Melhoramentos.

A Companhia das Letras tem dois funcionários dedicados aos e-books. “Eles ficam responsáveis por fazer pequenas atualizações e ajustes nos arquivos“, disse Fabio Uehara, diretor do departamento digital da editora. De um catálogo de 3,5 mil livros, 358 estão disponíveis em e-book e outros 116 encontram-se em fase de produção.

Por Bruna Cortez | Valor Econômico | 06/07/2012

Recursos multimídia são desafio


A ideia de um livro digital traz à tona uma série de possibilidades inimagináveis em uma publicação impressa. Animações e recursos de áudio e vídeo são apenas algumas dessas novidades. Mas a despeito da oferta crescente de livros digitais – e do interesse dos leitores pelos recursos interativos -, a aplicação desse tipo de tecnologia ainda está longe de se tornar maciça, disseram especialistas ouvidos pelo Valor.

A principal maneira de usar esses recursos atualmente é desenvolver o livro no formato de aplicativo. Mas nem sempre as editoras estão dispostas a arcar com os custos necessários para criar esse tipo de software. Os formatos próprios para livros digitais, por sua vez, de modo geral ainda não estão preparados para esse tipo de recurso. E há ainda um terceiro impeditivo. “‘Rodar’ essas aplicações requer uma capacidade de processamento alta, que muitos dispositivos ainda não têm”, disse Eduardo Melo, fundador e diretor executivo da Simplíssimo, empresa especializada na criação de e-books.

A expectativa é que o formato digital mais recentemente criado pela IDPF, organização internacional de publicações digitais, resolva parte desses problemas. Irmão mais velho do Epub, que não tem proprietário, e batizado de Epub 3, o formato foi feito para “rodar” recursos multimídia e de interatividade, disse Bill McCoy, diretor executivo da IDPF. “Durante esse ano, vamos ver um aumento do número de dispositivos que aceitam o Epub 3“, afirmou o executivo.

Apesar disso, os desenvolvedores ainda precisarão de algum tempo para conhecer melhor o Epub 3 e aproveitar as vantagens desse novo padrão.

Por Bruna Cortez | Valor Econômico | 06/07/2012 | © 2000 – 2012. Todos os direitos reservados ao Valor Econômico S.A.

Converter livro em eBook cria novo mercado


Uma tradução bem feita não garante, por si só, o sucesso de um livro estrangeiro, mas é um elemento fundamental para que isso aconteça. As editoras sabem dessa importância e dedicam-se com afinco à escolha de bons tradutores. Agora, porém, com a disseminação do livro digital, as editoras estão tendo de lidar com um novo tipo de tradução: a tecnológica. Verter os textos para os formatos dos livros eletrônicos – que podem ser lidos em computadores, tablets, celulares ou dispositivos específicos para leitura digital – é um processo meticuloso e que requer habilidades específicas. O resultado é que essa demanda deu origem a um mercado nascente no Brasil: o de empresas de tecnologia especializadas em transformar livros em e-books.

A Simplíssimo, com sede em Porto Alegre, e a Kolekto, de São Paulo, são exemplos dessa tendência. Para dar conta da tarefa, parte do trabalho é feita com softwares de conversão, que automatizam o processo. A segunda etapa, mais complexa, requer o trabalho de um programador de sistemas. Esse profissional altera o código principal do programa de acordo com as características do livro. Se a obra é repleta de gráficos ou ilustrações, por exemplo, mais ajustes ele terá de fazer.

À medida que cresce o interesse das editoras pela publicação de livros em formato digital, mais óbvias ficam as oportunidade de negócio na área. Criada em 2010, a Simplíssimo tem cerca de 50 editoras em sua carteira de clientes. O faturamento está por volta de R$ 500 mil por ano. “Nossa meta é conseguir atender mais editoras e ampliar a receita“, disse Eduardo Melo, fundador e diretor executivo da companhia. Desde sua fundação, a Simplíssimo transformou aproximadamente 1,1 mil livros em e-books.

A Kolekto, criada pelos sócios Alexandre Monti, Reginaldo Silva, Ayala Júnior e Carlos Vicente, iniciou as operações em maio. A companhia tem um plano de investimento de R$ 7,5 milhões, baseado integralmente em recursos próprios. A maior parte do investimento será dedicada à infraestrutura tecnológica, mas a empresa já usou uma parcela desse dinheiro para comprar a CodeClick, empresa especializada em aplicativos, como são chamados os softwares com finalidades específicas para tablets e smartphones.

De acordo com Carlos Vicente, diretor de marketing da Kolekto, a aquisição segue a estratégia da companhia de converter livros tanto em e-books como em aplicativos. “Alguns livros não se enquadram nos formatos digitais próprios para e-books porque demandam outro tipo de interatividade, como animações, vídeos e outros recursos“, diz Vicente. “É justamente nesses casos que o aplicativo é mais indicado”.

Por enquanto, ainda são poucas as companhias de tecnologia brasileiras especializadas na produção de e-books. Mas a expectativa é que isso mude rapidamente, com o desenvolvimento do mercado de livros digitais no país. “Há muitas companhias no exterior dedicadas à conversão de livros para formatos digitais ou aplicativos. Tenho certeza que grande parte delas vai se interessar por oferecer seus serviços no Brasil“, afirmou Bill McCoy, diretor executivo da organização internacional de publicações digitais, a IDPF.

Fundada no fim dos anos 90, quando ainda não se ouvia falar sobre livros digitais, a IPDF foi responsável pela criação do padrão tecnológico que hoje predomina no mercado de e-books. Batizado de Epub, o formato não tem proprietário, e é baseado em HTML5 – padrão apoiado pela Apple e seguido atualmente por diversas companhias e criadores de conteúdo.

Mas o Epub não está sozinho. Existem diversos outros formatos digitais para e-books, além dos aplicativos. A escolha desses padrões digitais pelas editoras é um aspecto que divide opiniões.

Esse, aliás, é um problema enfrentado há algum tempo pelos criadores de aplicativos. Para oferecer seu produto em uma das grandes lojas virtuais de “apps”, como esses programas são conhecidos, o programador precisa escrevê-lo com base no sistema operacional adotado pelo dono da loja, como a Apple ou o Google.

Entre os executivos da área editorial ouvidos pelo Valor, a principal preocupação é que transformar um livro em um aplicativo destinado a um único sistema operacional torne a editora refém desse canal de distribuição. Padrões abertos, como o Epub – que é aceito por um número maior de softwares e dispositivos – são uma saída, mas podem deixar a obra fora de lojas de aplicativos de grande movimento, que exigem programas próprios. Outra possibilidade é fazer como muitos criadores de aplicativos e criar versões diferentes do mesmo produto, um para cada sistema. De qualquer forma, há trabalho e custo adicionais envolvidos. As editoras já devem sentir saudades do tempo em que só tinham de se preocupar em traduzir livros para o português.

Por Bruna Cortez | Valor Econômico | 06/07/2012 | © 2000 – 2012. Todos os direitos reservados ao Valor Econômico S.A.

As entrevistas com os palestrantes do 3º congresso já estão disponíveis no site do Livro Digital


Em sua última edição, o Congresso Internacional CBL do Livro Digital recebeu grandes personalidades do mundo editorial discutindo temas atuais e de grande relevância para o setor. Os vídeos com as entrevistas dos palestrantes já estão disponíveis no site oficial; acompanhe e aprecie um resumo do que foi abordado pelo link: http://www.congressodolivrodigital.com.br/site/congressos-anteriores.

A 4ª edição do Congresso Internacional CBL do Livro Digital já tem data para acontecer, será realizada nos dias 13 e 14 de junho de 2013 na Fecomercio, em São Paulo.