Assista o filme, ganhe o eBook


A Weinstein Books aproveitou o lançamento da nova versão de “The Intouchables” para promover seu novo livro “You Changed My Life: A Memoir”, texto que inspira o filme. Em troca da compra de um ingresso para o filme, os cinéfilos recebem um código para resgatar uma cópia grátis do eBook, disponível em várias livrarias.

É o tipo de ideia que vale a pena imitar.

Por Eduardo Melo | Revolução eBook | 31/07/2012 | The Weinstein Company Is Giving eBook For Movie Ticket Purchase – AppNewser.

Trailer de filme coloca livro nas nuvens


Livro passa do 2.509º lugar a 7º no ranking da Amazon após divulgação de trailer

Na última segunda-feira, o livro de David Mitchell, de oito anos atrás, Cloud Atlas estava em 2.509º lugar no ranking de best-sellers da Amazon.com. Na sexta-feira, estava em 7º.” Assim abre a matéria o jornal americano Wall Street Journal, no último domingo.

O motivo do boom de interesse por Cloud Atlas, livro publicado em 2004 pela editora americana Random House, foi o lançamento do trailer do filme que será produzido pelo estúdio de cinema Warner Bros.

Tom Hanks, Halle Berry e outras estrelas participam desse filme que junta seis histórias numa trama complexa. O trailer, de quase seis minutos, foi lançado no site da Apple, e o efeito nas vendas foi imediato. “Assim que o trailer subiu, vimos conversas no Twitter e as vendas da Amazon realmente deram um pulo” disse a publisher de paperback da Random House, Jane Von Mehren, ao diário financeiro. O jornal afirma ainda que não é incomum aparecer interesse em obras antigas que serão lançadas em filmes, o incomum foi a velocidade do efeito do trailer.

A Random House não dormiu no ponto e já planeja uma reimpressão do livro – antes mesmo da nova edição que havia sido planejada para o lançamento do filme – de 25 mil cópias. Para fusionar ainda mais a interface livro/filme, o e-book que será lançado com a arte do filme trará também “extras” do filme – e será, obviamente, mais caro.

Por Iona Stevens | PublishNews | 31/07/2012

Modelo de assinatura de eBooks: bom para nichos, não para o mercado em geral


Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em Publishnews | 31/07/2012 | Tradução: Marcelo Barbão

Mike Shatzkin

Outro novo negócio de venda de ebooks apareceu em nosso escritório este mês, divulgando uma proposta de assinatura. Falei ao empreendedor: “Sou cético sobre o modelo de assinatura para ebooks”, e ele respondeu, “Eu sei”.

Tivemos uma grande conversa, mas eu ainda estou cético. Quando falo isso, quero dizer que sou cético de que um modelo de assinatura oferecendo ebooks em geral possa funcionar.

Certamente, há uma lógica no modelo de assinaturas, especialmente para aqueles que pensam que o mercado editorial deveria aprender com outros mercados de conteúdo. A TV a cabo realmente começou com assinaturas e só mais tarde passou a pay-per-view, que é mais como o modelo de vendas de ebooks [mas não exatamente]. Temos Netflix para filmes e programas de TV, Audible para audiobooks e uma série de serviços para música, sendo que o mais bem-sucedido parece ser o Spotify.

Tenho uma assinatura do Spotify, apesar de não usá-la muito. Talvez seja besteira, mas gosto de pagar $119,88 dólares ao ano [que significa $9,99 por mês] para ter acesso a simplesmente qualquer música que eu poderia querer ouvir instantaneamente quando surge a necessidade [ou sugestão] para ouvi-la. [Spotify raramente me desaponta por não ter a música.] E isso apesar de que a maioria das minhas necessidades é satisfeita com as mais de 6.000 músicas que tenho no meu repositório do iTunes, das quais as 1.000 melhores estão no meu celular.

Spotify foi citado pelo empreendedor que conheci como uma motivação para começar seu negócio de assinatura de ebooks. Como ele corretamente apontou, “compartilhar uma playlist” com um amigo assinante do Spotify permite que ele imediatamente – sem custos ou fricção adicional – “consuma” aquela música. Compartilhar uma playlist no iTunes com alguém o leva a ter de fazer as compras e, além do dinheiro, é preciso tempo e [um considerável] esforço entre receber a playlist desfrutá-la.

Então, foi colocado que esta lógica deveria se aplicar a livros. Com várias exceções compreensíveis, não tenho certeza se pode ser assim, pelo menos no futuro próximo.

Tenho bem fresco um discurso em Washington sobre o que o Departamento de Justiça entende sobre o mercado editorial. A resposta, se resumida a uma única palavra, seria “granularidade”.

De acordo com a associação de produtores, os lançamentos de filmes nos EUA em 2007, 2008 e 2009, foram 609, 633 e 558 respectivamente. Os filmes estrangeiros, e talvez alguns filmes independentes, não foram contabilizados e podem ser adicionados àqueles números para avaliar o que está disponível, mas a magnitude é essa.

As Seis Grandes Editoras lançam em média mais de 3.500 títulos por ano cada. E há muito mais produção de títulos, além das Grandes Seis, do que há produção de filmes fora dos estúdios de Hollywood. Seria muito conservador estimar que haja 100.000 novos títulos produzidos profissionalmente por ano, voltados para o consumo. [Muito mais é publicado para uso profissional ou como textos de escola ou faculdade, além dos e-books autopublicados, que às vezes atingem o grande público, o que multiplicaria várias vezes este número.]

Lançamentos comerciais de música ficariam entre filmes e livros em número, mas muito mais perto dos filmes.

Esta é a resposta curta a por que a maioria das pessoas compartilha música e experiências de filmes com muito mais amigos e conhecidos do que livros. Também é a resposta curta para o motivo pelo qual pessoas fora da indústria editorial simplesmente não entendem; cada um destes livros é um empreendimento criativo e comercial separado, cada um com seu próprio contrato, seu próprio caminho de desenvolvimento e sua própria exigência de marketing.

[Também ajuda explicar por que muitas pessoas que usam bibliotecas para algumas leituras não as usam para todos os tipos de livros. Nenhuma biblioteca terá todos os livros que um sócio voraz gostaria de ler.]

Nos dias anteriores à Amazon.com e aos livros digitais, havia dois tipos de serviços de assinatura que funcionavam para os livros comerciais.

Clubes de livros ofereciam acordos de preço e curadoria [ajuda com a seleção], mas era o acordo de preços que realmente atraía os membros. Antes das livrarias em todos os lugares [algo que chegou nos anos 80], Book-of-Month Club e The Literary Guild tinham os livros com melhor perfil distribuídos a consumidores que teriam dificuldades em consegui-los [assim como aqueles com livrarias próximas que só queriam a conveniência da entrega pelo correio.] Com o crescimento das livrarias, os Clubes descobriram que “clubes de nichos” [ao redor de mistério, ficção científica ou assuntos como jardinagem] aparentemente eram mais lucrativos do que os grandes clubes de interesse geral. [“Aparentemente” é uma palavra bastante operativa, mas a explicação dela vai ter de esperar outro post.]

O outro conceito de assinatura que funcionou foi o de “séries”. O líder de mercado foi a Time-Life Books. Estes livros tratavam de um assunto em especial [II Guerra Mundial, por exemplo] e eram “empacotados” especificamente para a série, não estando disponíveis em lojas. A continuidade se baseava no interesse intenso sobre o assunto e na mentalidade de “coleção”. Alguém que havia começado a colecionar a série não queria ter buracos em sua coleção.

Ambos os modelos foram derrotados pela compra de livros online que, de repente, fez com que todos os livros estivessem disponíveis para entrega em domicílio, para qualquer pessoa, em qualquer lugar.

Em nichos específicos, os modelos de assinatura podem funcionar muito bem. O avô deles no lado digital é Safari Books Online, originalmente concebido e construído pela O’Reilly em parceira com a Pearson. Safari serve uma comunidade de programadores e possui uma grande coleção de livros instrutivos e de referência voltados para uso profissional. A maioria dos usuários está sempre consultando os livros, e não lendo-os direto. E gostam da ideia de dar uma olhada em vários livros para tratar um problema que estão enfrentando.

Safari foi pioneiro no modelo de dividir a parte das editoras das taxas de assinatura através da métrica do uso. Quanto mais seu livro é visto, mas dinheiro você recebe do total. E como os usuários do Safari vão quase sempre encontrar as respostas que precisam dentro do serviço, deixar seus livros de fora significa que ele não será encontrado e usado. Como pelo menos uma parte do uso do Safari poderia levar à venda do livro em si [mesmo se isso não for muito frequente para a maioria dos livros], este elemento de descoberta é perdido junto com qualquer renda gerada se o livro não estiver incluído no banco de dados. Uma editora pode estar confiante de que não está perdendo muitas vendas se estiver dentro do Safari.

[O modelo que parece ser “tudo que você quiser por um preço único” para o comprador e do tipo “pague pelo uso” para o dono do conteúdo de uma forma ainda mais pura do que o Safari é o acordo oferecido pela Recorded Books e seu serviço de download digital para audiobooks para bibliotecas. Há outros modelos de assinatura no espaço da biblioteca; é uma distração tratá-los neste post, por isso não serão discutidos aqui.]

O’Reilly logo viu que seus livros, sozinhos, não seriam as melhores ofertas de assinatura, então abriram à participação de outros desde o início. Safari é excepcional em pelo menos três pontos: são maiores do que uma editora, são construídos sobre uma base de usuários profissionais, e geram valor principalmente através de trechos, não de leituras de cabo a rabo.

Mas se uma editora é forte num nicho, um serviço de assinatura pode funcionar para eles também: Baen Books [ficção científica] e Harlequin [romance] são duas editoras de nicho que venderam assinaturas com sucesso. [Na verdade, a Harlequin reconhece sub-nichos, segmentando ainda mais sua audiência para ter um alvo melhor.] A editora de ficção científica Angry Robot, da The Osprey, oferece assinaturas. eBooks por assinatura também são parte do modelo da Dzanc, que trabalha mais com livros literários [ficção e não-ficção; não são realmente de nichos, mais de “qualidade”] e será interessante se eles conseguirem fazer o paradigma de “qualidade” funcionar da mesma forma que “romance” e “ficção científica”.

Sourcebooks é uma editora geral, mas possui uma forte lista de romances. A editora está tentando estabelecer um clube e uma comunidade chamada “Discover a New Love” que opera de forma mais parecida com a velha BOMC: assinantes podem escolher um dos quatro títulos em promoção, além de conseguir outros benefícios de descontos em outros livros e a possibilidade de receber antes novos títulos.

Assinaturas são oferecidas na área de livros infantis também. A Disney Digital Books possui um sistema de assinatura mensal, assim como a Sesame Street eBooks. Nos dois casos, o modelo é de entrega baseada em browser em vez de downloads.

A F+W Media é uma editora que funciona em vários nichos verticais. Eles possuem duas grandes vantagens. Uma é simplesmente trabalharem de forma vertical. Possui público definido por seu interesse, o que é a chave para fazer uma oferta de assinatura funcionar no negócio de livros. A outra é que já foram editores de revistas e operadores de clubes de livros, então possuem experiência no contato direto com clientes e na administração destes relacionamentos. Também possuem vários nomes. E a F+W está administrando ofertas de assinaturas para muitas coisas além de ebooks.

A maioria das comunidades da F+W é de não-ficção [específica por assunto] e eles oferecem assinaturas para conteúdo em arte, redação, e design. Mas também estão se aventurando no mercado de romances agora e sua oferta Crimson Romance segue o modelo “tudo que você puder ler”. A Baen introduz o projeto de lançar uma novela em estágios para assinantes, como uma série.

E notamos recentemente que as conferências TED começaram a fazer ebooks [mais ou menos: só funciona em iOS] e um modelo de assinatura é parte do que pensam fazer também. Mais uma vez: num nicho. A app que permite ogerenciamento das assinaturas foi criada por The Atavist, que é outra tentativa de construir uma base para uma editora que se distingue por suas escolhas de conteúdo, como TED ou Dzanc, em vez de manter a divisão por consumidor já estabelecida [romance, ficção científica, ou um tópico como redação ou design.]

Vale a pena notar que há ofertas de assinaturas do tipo “buffet” e outras que são limitadas, mas que oferecem descontos quanto mais compras forem feitas. Essa variação existe em outras mídias também. Spotify é um preço único para tudo; Audible e Netflix medem seu uso e você pode pagar mais se consumir mais.

Há um forte padrão aqui para as ofertas de assinatura que estamos vendo.

Geralmente são feitas pelas editoras. [Safari não é uma editora, mas foi iniciada por editoras.] Isso significa que estão trabalhando com as margens das editoras [maiores do que as de um agregador]. Controlar o fluxo do produto significa que podem fazer bom uso da interação com sua audiência, aprendendo através de dados e conversas quais os próximos passos que deveriam dar. E, mais importante de tudo: do ponto de vista da oferta de um produto, estão focados.

É precisamente o oposto de Spotify, Netflix ou Audible que querem todas as canções, filmes, programas de TV ou audiobooks que puderem.

Então, que tal um modelo de ebooks mais geral?

Ainda não existe e não acho que vai acontecer num futuro próximo, apesar das ambições do meu recente visitante. Os desafios de montar a base de títulos são desencorajadores e, como espero que este post deixe claro, também é fornecer e demonstrar valor persuasivo.

Só consigo ver um player que poderia ser capaz de criar uma oferta de assinaturas mais gerais no médio prazo. [Adivinhem quem é.] Os “por quês” disso serão o tópico de um post futuro.

Uma coisa que é bastante certa é que quando existem muitas editoras oferecendo assinaturas em seus nichos [e algum dia isso vai acontecer], elas usarão algum serviço com base na Nuvem de um tipo ou de outro. Ninguém vai pedir ao departamento de TI que crie o software para trabalhar com isso.

Vou admitir que não programei nada específico sobre “assinaturas” no programa “Book Publishing in the Cloud” que estamos realizando no dia 26 de julho, mas se isso é o que algum participante quiser saber, terá uma grande oportunidade nas sessões de

“Conversas com Especialistas” para conseguir as respostas. Quase todos os palestrantes estarão disponíveis durante um tempo estruturado para conversas, assim como representantes das grandes empresas que estão patrocinando o evento.

Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em Publishnews | 31/07/2012 | Tradução: Marcelo Barbão

Mike Shatzkin tem mais de 40 anos de experiência no mercado editorial. É fundador e diretor-presidente da consultoria editorial The Idea Logical Co., com sede em Nova York, e acompanha e analisa diariamente os desafios e as oportunidades da indústria editorial nesta nova realidade digital. Oraganiza anualmente a Digital Book World, uma conferência em Nova York sobre o futuro digital do livro.

Nos Arquivos de Shatzkin, o consultor novaiorquino aborda os desafios e oportunidades apresentados pela nova era digital. O texto de sua coluna é publicado originalmente em seu blog, The Shatzkin Files [www.idealog.com/blog].

Biblioteca virtual Nuvem de Livros é apresentada na Campus Party Recife


Um serviço que disponibiliza para consulta um acervo on-line de quase 6,5 mil publicações foi apresentado na Campus Party Recife, neste sábado [28]. O projeto se chama Nuvem de Livros. Foi lançado em março deste ano e, até agora, já conta com 800 mil assinantes. Para ter acesso a essa biblioteca virtual é preciso pagar uma assinatura de R$ 1,99 por semana ou R$ 4 por mês.

As obras armazenadas – livros, áudiolivros, vídeos e games educacionais – podem ser visualizadas nas plataformas Apple, Android, Windows 8 e Web, mas o download não é permitido. `A nuvem é uma nova forma de armazenar uma grande quantidade de informação, que pode ser acessada via internet. Assim, a gente distribui licenças e, por exemplo, duas pessoas podem ler o mesmo livro ao mesmo tempo`, explicou Jonas Suassuna, presidente do Grupo Gol, que desenvolveu o serviço.

A licença é vendida a pessoas e escolas, que são o maior foco do projeto. Há conteúdos para todas as idade. Tem clássicos da literatura Brasileira, domínio público e lançamento, obras infantis e enciclopédias, além de títulos em espanhol e inglês. A Nuvem já conta com 74 editoras nacionais e estrangeiras. Também há espaço para excursões virtuais a museus e bibliotecas temáticas. Cursos de idiomas ainda serão disponibilizados.

A licença é vendida a pessoas e escolas, que são o maior foco do projeto. Há conteúdos para todas as idade. Tem clássicos da literatura Brasileira, domínio público e lançamento, obras infantis e enciclopédias, além de títulos em espanhol e inglês. A Nuvem já conta com 74 editoras nacionais e estrangeiras. Também há espaço para excursões virtuais a museus e bibliotecas temáticas. Cursos de idiomas ainda serão disponibilizados.

O G1 pediu para algumas pessoas testarem a Nuvem de Livros. Todos acharam a navegação super simples. `Acho que todo mundo curte a ideia de pagar pouquinho para poder ler tanta coisa. Acho que vale a pena`, disse a estudante Cláudia Machado.

Na seção `Reforço Escolar`, o aluno informa qual a deficiência que ele tem e o próprio sistema aponta os assuntos que precisam de reforço. Estão disponíveis teleaulas produzidas pela Fundação Roberto Marinho com assuntos do ensino médio ao técnico, além de vídeos do canal Futura. Há, ainda, um espaço exclusivo para professores, que podem consultar cartilhas, vídeos e vários materiais multimídias para usar em sala de aula.

Suassuna conta que a ideia da Nuvem de Livros democratizar a leitura é para suprir uma carência: segundo o Grupo Gol, a falta de bibliotecas no Brasil atinge cerca de 65% das escolas, afetando 15 milhões de estudantes. `Esta é uma nova forma de ensinar para esta geração 2.0. Esse é um exemplo de tecnologia aplicada na educação de forma prática e econômica`, frisou o presidente.

A Nuvem de Livros foi lançada no Brasil e deve chegar a outros 25 países. Na próxima semana, o Espaço Criança Esperança de Jaboatão dos Guararapes, no Grande Recife, vai receber pontos de acesso à Nuvem de Livros. Os espaços do Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte também serão contemplados.

Luna Markman | Globo.com | 28/07/2012

Receita maior, lucro menor, e Amazon destaca self-publishing


Vinte dos cem livros mais vendidos para Kindle foram autopublicados em programa da gigante virtual

A Amazon anunciou ontem, 26/7, seus resultados para o segundo trimestre de 2012. A gigante de Seattle registrou forte crescimento de sua receita, mas seu lucro foi baixo. A receita da empresa alcançou 12,83 bilhões de dólares no período, uma alta de 29 por cento em relação ao mesmo período do ano passado. Já o lucro líquido no trimestre foi de 7 milhões de dólares, ou 0,01 dólar por ação, enquanto que no segundo trimestre de 2011 o lucro foi de 191 milhões de dólares, ou 0,41 dólar por ação.

Entre os destaques do anúncio dos resultados, que pode ser acessado em inglês, está o sucesso do Kindle Fire que, segundoa Amazon, é o produto mais vendidos da empresa entre todos os milhões de itens de seu catálogo Outro destaque é o projeto Kindle Owners’ Lending Library – que permite a proprietários de Kindle com conta Prime emprestarem e-books gratuitamente – tem agora um catálogo de mais de 170 mil títulos. A empresa ainda ressaltou que durante o segundo trimestre do ano, 20 dos 100 e-books mais vendidos para o Kindle eram de autoria de participantes do programa de autopublicação Kindle Direct Publishing.

Por Carlo Carrenho | PublishNews | 27/07/2012

Amazon no Brasil: o que esperar da chegada da gigante do varejo


Gigante norte-americana pretende chegar ao mercado nacional em 1º de setembro e deve causar frisson no setor de livros digitais. Concorrentes precisarão se adaptar

A chegada da Amazon ao Brasil, prevista para o dia 1º de setembro, promete ser apenas a ponta do iceberg na movimentação do e-commerce no país. Focada no primeiro momento no setor de livros, com destaque para os e-books, a marca terá como concorrentes diretos as livrarias Saraiva e Cultura e os grupos B2W, que inclui Submarino, Americanas.com e Shoptime, e Nova Pontocom, com Ponto Frio, Casas Bahia e Extra. As metas da norte-americana são ousadas: até o fim de 2012, a Amazon espera vender 1,1 milhão de produtos e, em 2013, chegar a 4,8 milhões.

A principal diferença da gigante do varejo mundial em relação às empresas atuantes no mercado brasileiro, indicam especialistas da área, é que a marca fundada por Jeff Bezos em 1994 assimilou desde sua origem a importância da experiência de compra dos consumidores. Com interação customizada, a Amazon proporciona uma loja ideal para cada tipo de perfil e dialoga bem com todos eles, o que parece estar ainda longe da realidade dos grupos brasileiros.

Entre as dificuldades, o consumidor encontra desrespeito no tratamento e justificativas desnecessárias. “Aqui se aceita baixo nível no atendimento ao cliente, com prazos ridículos, quebras de promessa constantes e problemas de reclamação e devolução. Nosso pós-venda ainda tem muita percepção de risco. A Amazon não discute, ela troca seu produto e pronto. No Brasil, as marcas exigem provas constantes da necessidade real de trocar qualquer coisa”, avalia Nino Carvalho, Coordenador dos Cursos de Marketing Digital da FGV no Brasil e Consultor em Estratégias de Marketing Digital, em entrevista ao Mundo do Marketing.

A boa política de relacionamento com o consumidor será uma das armas da norte-americana na hora de deixar as concorrentes para trás. Somado a isso, muitos brasileiros já realizam compras no site e a vinda da Amazon para o país reflete no estreitamento dos laços. Com força local, os analistas preveem uma aceleração no tempo de entrega dos produtos e, vencida as barreiras burocráticas, uma consolidação que levará entre 12 e 18 meses. “A distância em relação a outros players será folgada”, completa Carvalho.

Com um faturamento de US$ 48 bilhões em 2011, os livros digitais serão apenas o começo da estratégia da Amazon no Brasil. O objetivo é inserir no e-commerce nacional, aos poucos, 131 outras categorias em que atua nos Estados Unidos. A chegada da norte-americana deve alavancar ainda mais as vendas do varejo eletrônico brasileiro, que em 2011 registrou 31,9 milhões de e-consumidores e movimentou R$ 18,7 bilhões, um aumento de 26% comparado a 2010, segundo dados da e-bit.

Aprendizado e crescimento

As dificuldades das marcas brasileiras em concorrer com a Amazon em um primeiro momento podem se transformar em aprendizado e adaptação a médio prazo. O principal passo é a atualização nos sistemas de inteligência, banco de dados, sistema de estruturas e até mesmo novas contratações. “Isso vai imprimir nos players brasileiros conhecimento em tecnologia, estrutura, infraestrutura, pessoal, cultura organizacional e desenho do fluxo de processos”, indica Carvalho.

Outro ponto positivo é que a entrada de uma empresa de grande porte representa aumento de concorrência e, por consequência, disputa por melhores preços. A união dos fatores reflete nas escolhas dos consumidores do e-commerce, que passaram de 9,5 milhões em 2007 para 31,9 milhões no último ano, número que representa 53,7 milhões de pedidos pela internet.

Para a disputa acirrada não ficar só no papel, no entanto, um obstáculo da Amazon é na logística e distribuição dos produtos. Apesar de gigante, a companhia encontra dificuldades em reunir conteúdo para a venda de e-books. Com o objetivo de fechar acordos com 100 editoras até abril deste ano, em março, a Amazon havia assinado apenas 10 contratos, um provável reflexo da força dos concorrentes nacionais.

A plataforma para leitura dos livros digitais também é outro desafio. Para ter acesso às obras, é necessária a aquisição do leitor Kindle, aparelho que a Amazon quer vender na faixa de R$ 149,00 a R$ 199,00 no país. O preço seria tentador, já que produtos de outras marcas no Brasil, como o Alfa, da Positivo, e o Cool-er, importado pela primeira livraria virtual do país, a Gato Sabido, não saem por menos de R$ 600,00. Especialistas apontam, no entanto, que para ter um preço abaixo dos aparelhos disponíveis hoje no mercado brasileiro, a Amazon teria de fabricar o Kindle aqui ou importá-lo com isenção de impostos.

Esbarrando na lei

O momento considerado economicamente positivo para a inserção de uma empresa de grande porte como a Amazon, em um mercado emergente como o do Brasil, não impede que a marca encontre dificuldades com a legislação brasileira. O grande desafio é o despreparo do país, que não possui leis específicas para a internet e para o comércio eletrônico.

Os conteúdos digitais não têm tributação específica e a interpretação é vaga quanto ao item comprado ser serviço ou mercadoria. “Essa é uma barreira de entrada da Amazon e a empresa precisa olhar com atenção na hora de chegar a países assim. Ela precisará fazer um investimento e não sabe se calcula os ganhos, ou melhor, se tem lucro ou prejuízo, porque também desconhece quanto terá que pagar de imposto”, explica Mauricio Salvador, Sócio Diretor da GS&Virtual, braço da GS&MD, e especialista em Comércio Eletrônico e Cross Channel, em entrevista ao portal.

Na opinião de Salvador, a entrada da empresa no mercado brasileiro pode chamar a atenção do poder público e ser o empurrão necessário para discutir a criação de legislações tributárias no mundo digital. Com a definição de parâmetros, grupos internacionais poderiam definitivamente mirar no país sem receio de investir. “Temos três problemas graves: a burocracia, a corrupção e a tributação. Quando qualquer investidor estrangeiro olha para o Brasil e vê essas barreiras titubeiam. Temos confusão e deslealdade e a entrada de um grande player mostra ao mundo inteiro o que está acontecendo. A torcida é para que dê certo e que novos empreendimentos sejam abertos”, diz.

Por Isa Sousa | Publicado originalmente em Mundo do Marketing | 26/07/2012

Workshop Produção eBooks em ePub com inscrições abertas


Atividade ocorrerá nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba e Porto Alegre

As cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba e Porto Alegre receberão nos meses de agosto e setembro o Workshop Produção eBooks em ePub [Nível 1]. A atividade é direcionada para designers, profissionais e estudantes do mercado editorial. Para participar é necessário levar notebook com InDesign CS5 [pode ser versão Trial] e Adobe Digital Editions instalados. O curso tem por objetivo transmitir as técnicas utilizadas para produção profissional do formato ePub, além de dar dicas e truques de como otimizar a produção de eBooks, através de um método de trabalho prático. Para se inscrever e conferir informações sobre o programa, datas e locais do curso nas cidades, clique aqui.

PublishNews | 26/07/2012

Bienal de São Paulo promove concurso no Twitter


Twitteiros poderão ajudar a escrever o livro da Bienal no microblog

Até o dia 9 de agosto os twitteiros de plantão podem participar do Concurso Cultural #LivrodabienalSP. O curador da iniciativa, Marcelino Freire, deu início ao concurso postando um micro capítulo do livro da Bienal de São Paulo e os interessados em participar do desafio devem continuar a história em apenas um post do Twitter utilizando o hashtag: #LIVRODABIENALSP. A melhor continuação dá sequência ao livro. A cada dia será divulgado um microcapítulo. A história que está sendo escrita poderá ser acompanhada no link do concurso. Os autores dos microcapítulos publicados ganharão um par de ingressos para a Bienal.

PublishNews | 26/07/2012

Biblioteca Virtual Universitária 3.0 traz personalização e interatividade


A Pearson Brasil lança a terceira edição da Biblioteca Virtual com um acervo de mais de 1.800 livros, disponíveis para instituições de ensino de todo o País com acesso em tablets e compartilhamento em mídias sociais

Biblioteca Virtual Universitária

Biblioteca Virtual Universitária

A nova edição da Biblioteca Virtual Universitária [BVU], solução educacional exclusiva da Pearson Brasil – pertencente ao grupo britânico Pearson, com atuação em mais de 70 países e líder em soluções educacionais e editoriais – foi lançada para mais de 100 instituições educacionais.

A Biblioteca Virtual 3.0 traz novidades como a organização personalizada de obras em “estantes virtuais” e recursos de anotações eletrônicas que permitem gravar comentários no perfil do usuário, por meio de login e senha de acesso. Desta forma, cada um poderá selecionar e registrar separadamente os livros de interesse, e ainda fazer uso de uma ferramenta de anotações eletrônicas que permitem não só gravar comentários nos livros, como também compartilhar em redes sociais e email.

Além disso, tablets que utilizam os sistemas operacionais Android ou iOS poderão navegar na nova plataforma, que também contará  com a integração de recursos multimídia das editoras parceiras, trazendo mais interatividade e tornando o conteúdo mais rico, didático e completo, contando com melhorias no sistema de leitura que adotam diferentes níveis de zoom.

Considerada referência no mercado editorial, o conteúdo das 12 editoras parceiras, gerido pela Pearson Brasil, é formado por mais de 1.800 livros que cobrem mais de 40 áreas de conhecimento. Instituições de ensino superior, como Estácio de Sá, Universidade Norte do Paraná [Unopar], Universidade Federal de Juiz de Fora [UFJF], Universidade Federal de Santa Catarina [UFSC], Fundação Getúlio Vargas [FGV], ESPM, entre outras, disponibilizam acesso ao acervo digital da Biblioteca Virtual para seus alunos e professores.

A novidade também conta com a parceria da Digital Pages, empresa responsável pelo desenvolvimento tecnológico da Biblioteca Virtual Universitária desde sua segunda edição. Alinhada à preocupação da Pearson em atender as necessidades dos estudantes, a empresa desenvolveu diferentes recursos para aumentar a interatividade do estudante com a plataforma na versão 3.0.

Referência no Brasil e no exterior

De acordo com Laércio Dona, diretor de Negócios para Ensino Superior e Idiomas da Pearson Brasil, durante o ano de 2011, mais de 2 milhõesde usuários acessaram a Biblioteca Virtual da Pearson. “A solução foi desenvolvida para atender as necessidades da comunidade acadêmica brasileira, tornando-se referência com um know-how que já inspirou a criação de uma solução semelhante no México, além de ter despertado o interesse de outros países onde há atuação do grupo internacional Pearson”, explica o executivo.

Atualmente, a BVU oferece acesso a  livros de diversas áreas como Administração, Marketing, Engenharia, Economia, Direito, Letras, História, Geografia, Jornalismo, Computação, Educação, Medicina, Enfermagem, Psicologia, Psiquiatria, Gastronomia, Turismo e outras para os alunos e professores das instituições que adquirem o serviço diretamente da Pearson Brasil, que é responsável pelo desenvolvimento e gestão do acervo. Já as editoras parceiras, Casa do Psicólogo, Companhia das Letras, Editora Ática, Editora Contexto, Martins Fontes, Editora IBPEX, Editora Rideel, Editora Scipione, Jaypee Brothers, Manole, Papirus e UCS disponibilizam suas obras e, agora, conteúdos multimídia.

Benefícios

Com a Biblioteca Virtual, o estudante pode ler os livros indicados pela universidade de qualquer lugar em que esteja conectado à internet, imprimir até 50% das obras com valores de fotocópia e obter descontos de até 40% na compra dos títulos impressos.

Para a instituição, os benefícios estão na redução do valor investido na compra de acervo para a biblioteca física, aquisição de centenas de títulos das bibliografias básicas e complementares, segurança contra fotocópias ou replicações ilegais e oferecimento de número ilimitado de acessos simultâneos, já que o sistema é hospedado e gerido pela Pearson Brasil.

Sobre a Pearson Brasil – Pertencente ao Grupo Britânico Pearson, líder em soluções educacionais e editoriais e presente em 70 países, a Pearson Brasil integra os Sistemas de Ensino COC, Pueri Domus, Dom Bosco e NAME [Núcleo de Apoio à Municípios e Estados]; a Gráfica GEB, Logística e Distribuição e o portal educacional Klick Net – marcas que foram adquiridas em 2010, ampliando o portfólio do grupo internacional no Brasil. A unidade de Soluções de Ensino Superior e de Idiomas está em operação no País desde 1996 e reúne as marcas Longman, Prentice Hall, Addison Wesley, Penguin Readers e Biblioteca Virtual Universitária. Além de oferecer também Avaliações e Tecnologias educacionais; Capacitações e certificações profissionais e acadêmicas; Conteúdo digital e Livros customizados, que antes eram denominados como produtos da Pearson Education. A Pearson Brasil está totalmente alinhada com a missão do Grupo internacional de melhorar e mudar a vida das pessoas por meio da Educação. Consolidada para possibilitar a ascensão social por meio do saber, impacta 100 milhões de pessoas no mundo com seus produtos e serviços. No Brasil, a operação já atinge a mais de 6 milhões de pessoas.

Sobre a Digital Pages – Há mais de 10 anos no mercado, a Digital Pages é pioneira e líder brasileira especializada em publicações digitais em multiplataformas. A empresa é provedora das melhores soluções em editoração, organização, enriquecimento, comercialização, distribuição e leitura de publicações em meios digitais como desktop e tablets. A atuação consultiva no modelo de negócios com foco na rentabilidade de cada perfil de publicação, garante à Digital Pages grandes clientes como: Editora Abril, Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo, O Globo, Valor Econômico, Abril Educação, Pearson Brasil, Avon, entre outros. É responsável pelo desenvolvimento dos acervos das revistas Veja, Quatro Rodas e do jornal Folha de S. Paulo. Revistas, jornais, livros, catálogos e relatórios são perfis de publicações contemplados pela plataforma.

Amazon coloca limite de 50MB mensais no navegador do Kindle


Usuários do Kindle 3G, da Amazon, perceberam algo que não chega a ser o “fim do mundo” mas é, no mínimo, uma má notícia: parece que a empresa agora está limitando o uso do navegador experimental do eReader a apenas 50MB de dados por mês, em acessos via 3G.

O limite, porém, é apenas para navegar em sites externos, ou seja, a Wikipedia e o Amazon.com continuam acessíveis via 3G, mesmo após excedido o limite mensal [navegar pelo Wi-Fi é liberado]. O “corte” se aplica apenas aos modelos mais antigos do eReader, como o Kindle Keyboard e o Kindle DX.

O site eBook Reader lembra que a Amazon já mostrava cada vez mais que a possibilidade de navegar de graça via 3G no Kindle estava com os dias contados. Vale destacar que grande parte disso pode se deve também ao fato de que hackers haviam descoberto uma forma de utilizar o Kindle 3G como um hotspot, distribuindo esta internet gratuita para computadores e smartphones via Wi-Fi.

O limite parece ter entrado em vigor no início de julho e, segundo um comunicado não muito divulgado, se aplica apenas a Kindles de fora dos Estados Unidos.

Por Daniel Pavani | Revolução eBook | 25/07/2012

Sistemas na Nuvem são uma importante mudança


Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em Publishnews | 25/07/2012 | Tradução: Marcelo Barbão

Mike Shatzkin

Muitas das mudanças que estamos vivendo na indústria editorial são bastante evidentes a todos. A mudança de impresso a digital, assim como a de compras em livrarias para compras online são óbvias para todos nós, dentro e fora da indústria.

Mas há outro aspecto da mudança que não é tão visível e trata de sistemas e fluxos de trabalho. O mercado editorial, mesmo na era pré-digital, já era um negócio orientado a sistemas. As grandes editoras produzem entre 3 e 5 mil títulos por ano: cada um com seu próprio contrato original, metadados, exigências de edição e [na maioria dos casos] mercado. Gosto de lembrar que “cada livro publicado apresenta a oportunidade de tomar um número ilimitado de decisões, às quais se deve resistir”. Na maioria das vezes os sistemas não ajudam muito a tomar essas decisões, mas é preciso muito apoio só para acompanhar todas elas e informá-las a cada pessoa que precisa saber!

Com o passar do tempo, as empresas com sistemas mais fortes acabaram adquirindo as empresas com sistemas mais fracos. Nem sempre funciona desta forma, mas na maioria das vezes é assim. E com o passar dos anos há várias histórias sobre quando os editores quase perderam suas empresas porque os sistemas tiveram problemas. A Macmillan original [agora uma divisão da Simon & Schuster] quase morreu nos anos 60 quando ficaram tão atrás nos processos de devoluções que não conseguiam cobrar direito as livrarias. No final dos anos 80 ou começo dos 90, a Penguin teve uma crise de estoque que também foi uma ameaça existencial. Um amigo meu com prática em consultoria orientada a processos ganhou o ano trabalhando neste problema.

Na era digital, sistemas ganham importância novamente. Cada editora está enfrentando novas exigências e vendo mudanças de parâmetros dos sistemas antigos. A maioria da renda das editoras, pelo menos por mais um tempo, vem dos livros impressos, mas o lado digital é onde está o crescimento. Os sistemas precisam funcionar para os dois.

Até recentemente, as editoras rodavam sistemas que estavam, no geral, instalados em seus próprios computadores, tendo sido criados ou bastante adaptados por seus próprios departamentos de TI, e os operadores na editora [editorial, produção, marketing, vendas] estavam à mercê deles. Se quisessem fazer algo, teriam de entrar na fila para conseguir o apoio técnico.

E as editoras menores, que faziam 50, 100 ou 200 títulos por ano, tinham de trabalhar com algo menos robusto, menos customizado e geralmente menos capaz, apesar também tomarem milhares de decisões que deviam ser acompanhadas e não terem sido menos afetadas pela mudança de impresso a digital.

Mas isso está mudando. Ou talvez deveríamos dizer que já mudou. Os novos sistemas editoriais são baseados na Nuvem. São frequentemente chamados de SaaS: software as a service. Não estão instalados nos computadores de uma empresa, mas nas máquinas do fornecedor do serviço. Geralmente não precisam de um departamento de TI para adaptá-los e certamente não exigem um departamento de TI para mantê-los atualizados E a melhor notícia de todas é que são mais baratos para adquirir e mais rápidos para instalar no fluxo de trabalho de uma empresa do que os sistemas do passado.

Dentro desta mudança há enormes oportunidades. As grandes editoras podem evitar a questão complicada de escalar para baixo seus sistemas de impressos e escalar para cima os digitais. As editoras pequenas agora podem usar sistemas e fluxos de trabalho que fornecem capacidades equivalentes às de seus concorrentes muito maiores.
Mas nada vem sem dor ou dificuldades, nem os sistemas na Nuvem. Executivos em grandes empresas descobrem que o departamento de TI responsável pela configuração de seus sistemas sente-se desafiado. Quando um operador no departamento de produção decide que precisam de um serviço na Nuvem como o Dropbox para mover os arquivos, ele não precisa do apoio da TI para fazer isso funcionar. Mas os departamentos de TI ainda são os responsáveis por fornecer apoio e integrar toda a tecnologia da editora. Ou seja, “tecnologia sem aprovação” começa a aparecer e os departamentos de TI não gostam disso.

Eles tampouco gostam do fato de que sistemas na Nuvem poderiam levar a cortes no orçamento e demissões. Os executivos não-técnicos podem ter certeza de que seus departamentos de TI vão olhar para sistemas de Nuvem mais baratos da mesma forma que o CEO ou o CFO?

Em empresas menores, sistemas na Nuvem possuem benefícios muito menos ambíguos pois fornecem, como geralmente é o caso, capacidades que uma editora menor nunca seria capaz de conseguir em sistemas stand-alone. Mas sem um departamento de TI, como você sabe qual oferta da Nuvem é a melhor? E como uma empresa sem muito conhecimento interno de tecnologia e quase nenhum excedente de trabalho lida com as implementações?

Foram essas perguntas que nos levaram a montar nossa primeira Publishers Launch Conference centrada em tecnologia. Demos o nome de “Publishing in the Cloud” e ocorrerá no Baruch College em Nova York em 26 de julho.

Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em Publishnews | 25/07/2012 | Tradução: Marcelo Barbão

Mike Shatzkin tem mais de 40 anos de experiência no mercado editorial. É fundador e diretor-presidente da consultoria editorial The Idea Logical Co., com sede em Nova York, e acompanha e analisa diariamente os desafios e as oportunidades da indústria editorial nesta nova realidade digital. Oraganiza anualmente a Digital Book World, uma conferência em Nova York sobre o futuro digital do livro.

Nos Arquivos de Shatzkin, o consultor novaiorquino aborda os desafios e oportunidades apresentados pela nova era digital. O texto de sua coluna é publicado originalmente em seu blog, The Shatzkin Files [www.idealog.com/blog].

Amazon.com chega ao Brasil em setembro


Era inevitável e até demorou demais, mas em setembro a gigante de comércio Amazon.com chega ao Brasil.

A empresa prepara seu escritório e centro de distribuição em São Paulo e está contratando talentos brasileiros para cargos técnicos e de negócios.

O impacto no mercado brasileiro será incrível, e os concorrentes diretos como B2W [Americanas, Submarino, Shoptime] e Walmart terão que rebolar para resolver a insatisfação de seus clientes e renovar seus sites obsoletos.

Para o setor de conteúdo digital, como livros, jogos e afins, mais uma porta se abre para escoar a produção nacional, seja de grandes editoras ou autores independentes, incluindo o lançamento do leitor digital Kindle no Brasil.

O desafio da Amazon de Jeff Bezos será superar a burocracia brasileira.

Por Alex Moura | O Globo | 23/07/2012

Empresas apostam na evolução de quadrinhos digitais para tablet


O mundo dos quadrinhos é uma constante revolução. Um personagem está vendendo mal? Mandam matar. O substituto parou de chamar atenção? Criam uma desculpa e trazem o original de volta.

No mundo real, contudo, a indústria dos gibis é retrógrada. Mudanças são tratadas com desconfiança e o mercado está estagnado em torno de US$ 650 milhões [R$ 1,3 bilhão] há seis anos. Mas há uma luz no fim do túnel, ou melhor, na tela dos tablets.

Com a popularização dos iPads e similares, abriu-se um terreno fértil para os quadrinhos digitais nos Estados Unidos. Ficou muito mais fácil ler um gibi no tablet, sem precisar se locomover até uma loja especializada.

O ComiXology é o líder entre aplicativos para distribuição e leitura de gibis em tablets no mundo. Em 2009, dois anos depois de sua criação, rendeu US$ 1 milhão. Em 2011, o faturamento pulou para US$ 25 milhões. Em 2012, a previsão é de que o negócio bata nos US$ 70 milhões.

Enquanto o impresso cresce um pouco, o digital cresce muito“, diz David Steinberger, presidente da empresa.

No primeiro semestre de 2012, os quadrinhos impressos nos EUA cresceram 18% em relação a 2011, de acordo com o site The Comics Chronicles.

É incomum. Geralmente, o mercado físico encolhe. O que fizemos foi abrir as vendas para o público. Hoje, você está no Brasil e pode ler uma revista em segundos“, lembra Steinberger.

O sucesso dos quadrinhos para tablets está atraindo projetos que pretendem revolucionar a mídia. Enquanto no ComiXology o leitor toca na tela para passar a “página”, o recém-lançado aplicativo Madefire esquece qualquer tradicionalismo em HQs batizadas de “motion books”.

Esses gibis pós-modernos têm trilha sonora, onomatopeias sonorizadas e desenhos em 360 graus, mas ainda precisam do leitor para passar os quadros, os balões de diálogos e controlar a mudança de foco. “A interação ainda existe”, conta Dave Gibbons [“Watchmen”], um dos gurus artísticos da Madefire.

Há oportunidades maiores do que escanear as revistas e vendê-las. Disponibilizamos as ferramentas para os artistas criarem novas histórias“, afirma Ben Wolstenholme, presidente do Madefire, alfinetando o ComiXology.

Quem baixa o aplicativo no iTunes tem seis opções grátis de títulos que exploram bem os recursos, mas engatinham em qualidade narrativa.

A iniciativa de elevar a arte para o futuro não é só de investidores independentes. A gigante Marvel, ao lançar “Avengers vs. X-Men”, aproveitou para estrear a linha digital Infinite, de graça. Nela, a cada toque na tela do tablet, quadros se modificam e balões surgem. “É a primeira vez que criamos uma revista em quadrinhos para aparelhos portáteis“, disse o editor da Marvel, Axel Alonso, ao “New York Times”. Primeira, mas longe de ser a última.

Por Rodrigo Salem | Folha de S.Paulo | 23/07/2012

Aplicativo da Livraria da Vila para iPhone está no ar


App Imaginaria permite fazer check-in em locais citados em livros

O aplicativo Imaginaria, produzido pela Livraria da Vila em parceria com a agência JWT, já está no ar há alguns dias. Ele permite ao usuário fazer check-in em lugares citados em livros, compartilhar o que está lendo e publicar comentários e opiniões a respeito. O aplicativo conecta automaticamente os amigos do Facebook e Twitter que o utilizam, possibilitando a troca de informações e experiências de leitura em rede.

A cada local visitado, o usuário ganha pontos que são acumulados conforme a quantidade de livros lidos e de check-ins. Esta pontuação é exibida como um ranking e indica o nível do leitor e de seus amigos dentro de Imaginaria. O usuário também pode liberar badges, consultar lugares nunca antes visitados, quais os mais acessados, etc. Os lugares descritos nos livros podem ser adicionados pelos próprios leitores, garantindo a constante atualização do aplicativo.

PublishNews – 20/07/2012

Vendas de eBooks superaram as de livros de capa dura em 2011


Os livros eletrônicos mais que dobraram sua popularidade em 2011, e superaram as vendas dos livros de capa dura na categoria ficção para adultos pela primeira vez, de acordo com uma pesquisa divulgada na quarta-feira.

As vendas de livros eletrônicos passaram a responder por 15 por cento do mercado em 2011, ante 6 por cento em 2010, de acordo com um relatório da Association of American Publishers e Book Industry Study Group. As organizações compilaram dados fornecidos por quase duas mil editoras.

As vendas gerais de livros caíram 2,5 por cento nos Estados Unidos, para 27,2 bilhões de dólares em 2011 ante 27,9 bilhões de dólares em 2010, de acordo com relatório.

Embora os livros eletrônicos tenham ganhado força, com faturamento superior a 2 bilhões de dólares em 2011, a maior parte da receita das editoras continua a vir dos livros em papel, atingindo 11,1 bilhões de dólares em 2011.

“”Estamos felizes pelo relatório confirmar que o setor se manteve firme, e até mesmo cresceu em determinadas áreas, em meio a um período econômico que continua difícil e a transformações tão significativas“, afirmou Len Vlahos, diretor executivo do Book Industry Study Group, em mensagem de e-mail.

O setor editorial está mais otimista nos últimos meses quanto ao crescimento dos livros eletrônicos, mas teme o impacto da liquidação da cadeia de livrarias Borders, a segunda maior dos Estados Unidos, que fechou as portas em setembro depois de 40 anos no mercado, e o processo que o Departamento da Justiça norte-americano abriu contra a Apple e um grupo de grandes editoras de livros em abril, por manipulação de preços de livros eletrônicos.

Os e-books vêm ganhando popularidade nos últimos anos, mesmo que as grandes editoras tenham hesitado inicialmente em adotar os formatos digitais.

De acordo com o relatório, na categoria de ficção para adultos, os livros eletrônicos responderam por 30 por cento das vendas das editoras, ante 13 por cento no ano anterior.

Os e-books venderam mais que os livros de capa dura pela primeira vez, na categoria ficção para adultos, mas os formatos combinados de livros em papel –capa dura, capa mole especial e paperback – ainda apresentam faturamento superior ao dos livros eletrônicos.

Reuters | 19/07/2012 | Por Christine Kearney | © Thomson Reuters 2012 All rights reserved

Leitura na nuvem sem mistérios


Por Greg Bateman | Publicado originalmente em Publishnews| 18/07/2012

O que é a nuvem?

Até pouco tempo atrás, todos os nossos arquivos estiveram fisicamente armazenados em hard-drives, CDs e outros dispositivos de memória. Se quaisquer desses suportes fossem perdidos, danificados ou roubados, azar – e provavelmente você sentirria saudades da perenidade do papel e dos livros. Mas, graças à inventividade da tecnologia, já existe um jeito melhor de armazenagem. Ao manter seus conteúdo e arquivos na nuvem, você pode acessá-los em qualquer lugar.

Por que isso interessa aos leitores?

No contexto dos e-books, a nuvem é ainda mais importante. Enquanto alguns formatos de arquivos vêm e vão, com a nuvem um e-book comprado hoje vai durar para sempre. Você deixou uma cópia do seu e-book no seu PC, em casa? Nenhum problema, você pode lê-lo pelo browser do seu telefone Android onde quer que você esteja. Deixou o seu precioso iPhone 4S cair numa poça na Avenida Faria Lima? Em apenas alguns segundos você pode refazer o download de graça pelo iBooks no seu novo celular.

A leitura na nuvem desmistificada

Certamente uma área de crescimento em 2012, a leitura em nuvem de fato começou a decolar. Mas, para tornar a situação um pouco mais “nebulosa”, há várias formas de nuvem. Farei o melhor que puder para clarear tudo isso.

Sincronização

Compre uma única vez e sincronize todo o conteúdo em qualquer lugar fazendo o download de uma cópia “local” em cada dispositivo que você usa. Não é surpresa nenhuma que a Amazon foi pioneira nisso com sua tecnologia Cloud Reader, por meio da qual os livros Kindle podem ser sincronizados não apenas no aparelho Kindle, mas também no iPad e no PC, por meio de aplicações para cada um desses dispositivos. A O’Reilly Media, editora norte-americana que adora inovações tecnológicas, uniu-se à Dropbox, empresa de armazenagem em nuvem, para que todo o conteúdo da O’Reilly comprado possa ser guardado de forma segura gratuitamente em nuvem.

Leitura no celular

Leia livros no seu aparelho conectado à internet, aonde quer que você vá. Enquanto há diversas empresas internacionais tentando fazer isso, eu considero as soluções propostas pela Xeriph e pela Gol Mobile, duas empresas do Rio de Janeiro, particularmente interessantes. E qual a inovação aqui? A Nuvem de Livros, da Gol, dá aos leitores acesso a toda uma biblioteca no estilo “coma quanto puder” por R$ 0,99 mais impostos por semana, em parceria com a Vivo. Já a Xeriph, por meio de uma parceria com a Claro, permite aos assinantes da Claro Leitura que eles leiam até três livros por semana por R$ 3,99.

Fim da dependência em relação aos dispositivos

O próximo capítulo na história da leitura em nuvem é uma solução que permite verdadeiramente uma independência em relação a plataformas e provê uma experiência de fato consistente em qualquer aparelho conectado à internet. Sem entrar em detalhes, empresas de tecnologia podem tornar esse sonho realidade usando a linguagem de programação HTML5, que permite em qualquer navegador de internet uma experiência semelhante à do uso de um “app”. A Google Play Books é um ótimo exemplo, vendendo e-books que podem ser comprados e lidos em vários aparelhos. A Vook, empresa de tecnologia de e-books, deu um passo além. Ela oferece às editoras um leitor e loja próprios e elegantes, bem como experiências de leitura enriquecidas por áudio e vídeo, por exemplo.

Com a leitura em nuvem, a promessa do conteúdo universalmente acessível finalmente chegou.

Greg Bateman

Greg Bateman

Por Greg Bateman | Publicado originalmente em Publishnews| 18/07/2012

Greg Bateman, expert em tecnologia e empreendedor do negócio de e-books, é conhecido pelo seu envolvimento na criação de produtos extremamente bem-sucedidos, como os smartphones da Samsung e o Kindle, da Amazon. Na Vook, ele desenvolveu uma eficiente cadeia de produção de centenas de e-books por semana. Greg, que nasceu nos Estados Unidos, viveu nove anos no exterior, onde intermediou várias parcerias envolvendo Coreia, China, Japão e EUA. Hoje mora no Brasil, em São Paulo. Ele é pesquisador visitante da Universidade de Tóquio, tem duas graduações pela Universidade da Califórnia em Berkeley [engenharia elétrica/ciência da computação e literatura japonesa] e um MBA pela Columbia Business School.

A coluna E-Gringo discute a fundo o negócio e o lado técnico dos e-books a partir de uma perspectiva global. Às quartas-feiras, quinzenalmente, ela vai apresentar plataformas e tendências do mundo todo e, claro, do Brasil. Para enviar comentários, escreva para greg@hondana.com.br .

Barnes & Noble lança NOOK® for Web


Plataforma competirá com o Kindle Cloud Reader da Amazon

A Barnes & Noble, maior rede de livrarias do mundo e proprietária da plataforma Nook de livros digitais, acaba de lançar o NOOK for Web, que permite que os e-books que comercializa sejam lidos online no próprio navegador do computador, sem necessidade de aplicativos ou leitores digitais. A iniciativa não é inédita, uma vez que a própria Amazon lançou uma plataforma para leitura na web ainda em agosto de 2011, chamada Kindle Could Reader. As vantagens do NOOK for Web em relação à concorrência são a compatibilidade com o Explorer e a não necessidade de se fazer um login para acessar os recursos oferecidos, ao contrário do que acontece no amabiente “amazônico”.

Como ação de marketing, a megalivraria norte-americana está oferecendo seis livros gratuitos para que os leitores possam experimentar a nova plataforma baseada na web. Entre os livros da promoção, está Sex and the City, de Candace Bushnell. Para conhecer a nova plataforma, basta acessar www.nook.com/NOOKforWeb.

Por Carlo Carrenho | PublishNews | 18/07/2012

Literatura Móvel


Além do livro físico, a literatura pode ser acessada também nos suportes portáteis como tablets e celulares. Atendendo a esses leitores móveis, 20 autores, dentre os quais Andrea Del Fuego, Arnaldo Antunes, Bráulio Tavares, Bruna Beber, Fernando Bonassi, José Paes de Lira [Lirinha], Luiz Bras e Milton Hatoum escreveram microcontos em 140 caracteres, que serão disponibilizados via bluetooth em algumas das maiores estações de metrô de São Paulo. Curadoria de textos: Marcelino Freire. Comunicação Visual: Valéria Marchesoni. Apoio: Metrô de São Paulo. Consulte as estações participantes em www.sescsp.org.br/mostrasesc.

QR CONTOS


QR Codes [Quick Response Codes], códigos de barras bidimensionais que podem ser facilmente escaneados usando celulares equipados com câmera, serão disponibilizados nas comedorias e cafés do SESC, remetendo a microcontos de escritores como Andrea Del Fuego, Arnaldo Antunes, Bráulio Tavares, Bruna Beber, Fernando Bonassi, José Paes de Lira [Lirinha], Luciana Miranda Pena, Luiz Bras e Milton Hatoum. Serão oferecidas oficinas de criação literária de microcontos, posteriormente convertidos em QR Codes, ministradas por escritores participantes. Curadoria dos textos: Marcelino Freire. Identidade visual: Valéria Marchesoni.

Impressão digital, impressão sob demanda. Perspectivas e impasses


Por Felipe Lindoso | Publicado originalmente em PublishNews | 17/07/2012

Assisti mês passado à II Conferência Internacional de Impressão Digital, promovida pelo Grupo Empresarial de Impressão Digital – GEDIGI, da ABIGRAF, para entender um pouco mais dessas questões, que há muito me chamam atenção.

E me chamam atenção por várias razões. A impressão sob demanda [POD, na sigla em inglês] vem sendo utilizada já há tempos pela indústria editorial dos EUA, como meio de reduzir estoques e melhorar as condições de logística. Os processos de editoração eletrônica permitem que a transição entre a impressão tradicional e a impressão digital sejam extremamente facilitada. E mais, esses processos de editoração são fundamentais para o aumento rápido da oferta de e-books naquele mercado.

A Amazon, por sua vez, impulsionou ainda mais esse processo com sua parceria com a Lightning Source, divisão da Ingram, que é uma das maiores distribuidoras de livros impressos dos EUA. Quando se faz um pedido à Amazon, o sistema informatizado automaticamente busca o livro no estoque da livraria, no estoque da Ingram, no estoque da editora e como POD, se o livro estiver disponível nesse sistema. O meio mais rápido é o usado para garantir a entrega do livro ao cliente no prazo mais curto.

Por sua vez, a impressão digital – combinada com o livro eletrônico – deu um extraordinário impulso à autopublicação. Editoras como a Lulu permitiram a autopublicação de simplesmente centenas de milhares de títulos, com tiragens entre alguns exemplares a vários milhares. Alguns autores viraram sucesso e foram contratados pelas editoras mainstream [evidentemente esses são divulgados, os que não conseguem sucesso permanecem no anonimato de sempre].

No Brasil, entretanto, percebo que esse processo se dá a uma velocidade muito menor. A minha ida ao congresso, portanto, era a busca de algumas respostas para a razão pela qual isso acontece aqui.

Não consegui todas as respostas que queria. Mas algumas foram proporcionadas pela palestra do Hamilton Terni Costa que reproduzo integralmente aqui. Hamilton é um dos profissionais mais qualificados do setor gráfico, com uma carreira que inclui experiências com a Melhoramentos [gráfica], com a Donelly e outras importantes empresas da área. Hoje é sócio de uma consultoria. Depois do Congresso troquei alguns e-mails com o Hamilton, complementando informações.

Hamilton informou, em sua palestra, que a impressão de livros é a que teve maior expansão entre as dez maiores aplicações de impressão digital nos EUA, com mais de 48,8 bilhões de páginas impressas a mais entre 2010 e 2011, alcançando um total de perto de cem bilhões de páginas impressas. Como aplicação da impressão digital, só perde para a mala direta, que passa dos cem bilhões. O segmento “conteúdo” – majoritariamente livros, do mercado de impressão digital brasileiro – corresponde a 19% de um total de R$ 1,7 bilhão, ou aproximadamente R$ 323 milhões em 2010. Nada insignificante, mas bem longe do que poderia ser.

Uma parcela bem significativa da produção de livros POD no Brasil [assim como nos EUA] é proveniente da autopublicação. As grandes gráficas já incorporaram equipamentos de impressão digital em suas linhas de produção, mas o uso desses equipamentos para produtos editoriais ainda é relativamente pequeno.

O aumento da autopublicação é medido principalmente pelo número de ISBNs solicitados. A Bowker, que administra o ISBN dos EUA, registrou quase 1,2 milhão de solicitações para ISBN de títulos autopublicados nos EUA em 2011. Isso corresponde a quase quatro vezes o número de registros para publicações “tradicionais”, incluindo reedições.

Esse é um mercado em rápido crescimento também aqui no Brasil. A Alpha Graphics, uma multinacional do setor, através da AGBook em associação com uma empresa chamada Clube de Autores já tem um catálogo de quase vinte mil títulos publicados, com esquema de comercialização através dos dois sites [têm conteúdo praticamente idênticos]. O Clube dos Autores é uma iniciativa do i-Group, especializada em planejamento estratégico digital, com a A2C, uma agência de publicidade. É um modelo idêntico ao da Lulu.com e similares.

Scortecci, uma editora de publicação de autores independentes, já editou cerca de sete mil títulos em primeira edição e mostra um catálogo de 2.750 títulos em seus vários selos, e sua Fábrica de Livros este ano já publicou 316 títulos, projetando 632 títulos até o final do ano. Ao contrário do Clube de Autores, a Scortecci define tiragens mínimas com preços preestabelecidos de produção e preço de capa.

Esses são apenas dois exemplos de empresas que atuam no mercado brasileiro. Existem muitas outras editoras que produzem livros pelo sistema POD, acoplados ou não a versões digitais [epub, mobi ou pdf], como se pode comprovar pelo Google. A maioria absoluta, entretanto, está localizada nos estados do sudeste e sul.

O que me intrigava e continua intrigando, entretanto, é o baixo índice de aproveitamento de impressões por demanda como modo de diminuir as questões de logística da distribuição. Como mencionei no começo do artigo, esse sistema já é amplamente usado nos EUA, não apenas para atender à demanda da Amazon, mas também para suprir o mercado de livrarias tradicionais. Não é à toa que a Ingram e a Lightning Source se expandem com rapidez, assim como outros sistemas gráficos. E sabemos que os custos e a infraestrutura de transporte são muitíssimo mais eficientes por lá do que aqui.

Entretanto, é mais fácil ver algumas editoras de grande porte [especialmente as do setor didático] anunciando a criação de centros de distribuição no Nordeste que notícias sobre o uso de POD para ajudar nesse processo.

Note-se que nos principais modelos de aquisição de livros pelo governo [PNLD, PNLEM, PNBE], o custo maior de logística fica por conta do governo. As editoras entregam em bloco para os Correios, em lotes devidamente etiquetados e separados por um programa desenvolvido pelo FNDE, e é essa instituição que negocia e paga os custos do transporte para todas as escolas públicas do país. Talvez por aí se encontre um indício de explicação: o maior custo, que seria o da distribuição de livros escolares para a rede pública, não afeta as editoras. E esse é uma parcela muito grande do negócio dessas editoras.

Na troca de e-mails com Hamilton, depois do Congresso de Impressão Digital, ele me informou que, depois de sua palestra, foi procurado por uma empresa que estava interessada na formação de uma rede de gráficas em nível nacional para fazer esse atendimento. “Achei interessante encontrar empresários já pensando nessa viabilização, algo essencial em um país continental como o nosso”, disse Hamilton.

A questão da responsabilidade de baixar o custo da distribuição do livro sob demanda é tanto do editor quanto da gráfica, mas primordialmente das gráficas. E nisso reside uma excelente oportunidade de mercado para elas”, afirmou Hamilton, em outro trecho.

A próxima chegada da Amazon ao mercado brasileiro, e a possibilidade de que entre também no negócio da venda de livros impressos, pode ser um fator que provoque uma evolução rápida desse quadro. Com sua experiência, a gigante americana pode se esforçar para induzir editoras e gráficas a usarem de modo mais amplo a impressão sob demanda.

O fato da maior produção e o maior consumo de livros do Brasil se concentrarem principalmente nas regiões sudeste e sul ajuda também a explicar essa situação. Mas, ao desconsiderar a possibilidade de diminuir os custos de logística, as editoras desprezam meios para efetivamente reduzir custos e, consequentemente, diminuir o preço dos livros ou melhorar sua rentabilidade.

Por Felipe Lindoso | Publicado originalmente em PublishNews | 17/07/2012

Felipe Lindoso

Felipe Lindoso é jornalista, tradutor, editor e consultor de políticas públicas para o livro e leitura. Foi sócio da Editora Marco Zero, diretor da Câmara Brasileira do Livro e consultor do CERLALC – Centro Regional para o Livro na América Latina e Caribe, órgão da UNESCO. Publicou, em 2004, O Brasil pode ser um país de leitores? Política para a cultura, política para o livro, pela Summus Editorial.

A coluna O X da questão traz reflexões sobre as peculiaridades e dificuldades da vida editorial nesse nosso país de dimensões continentais, sem bibliotecas e com uma rede de livrarias muito precária. Sob uma visão sociológica, este espaço analisa, entre outras coisas, as razões que impedem belos e substanciosos livros de chegarem às mãos dos leitores brasileiros na quantidade e preço que merecem.

Brasileiros adiam planos por culpa de distrações da internet, revela pesquisa


Segunda-feira é dia de começar a dieta, de começar a fazer exercícios, de começar a mudar a vida. Mas uma pesquisa confirmou o que muita gente diz: o brasileiro deixa mesmo muita coisa para depois. Quais são os compromissos que mais deixamos para depois? O Bom Dia Brasil tem a resposta. Mais de quatro mil pessoas responderam oito questões pela internet.

Todo mundo reclama que não tem tempo hoje, mas porque você não tem tempo para fazer o que é importante para você? Acho que isso é uma coisa importante de se questionar para poder entender e mudar esse padrão”, aponta Christian Barbosa, consultor especialista em produtividade,

O levantamento constatou que os brasileiros adiam tanto compromissos profissionais quanto pessoais: 68% costumam adiar os exercícios físicos; mais de 64% dizem adiar a leitura de um livro; mais de 52% deixam para mais tarde compromissos relativos a própria saúde e quase 47% costumam adiar um planejamento financeiro.

Os principais motivos para tantos adiamentos são dois: falta de energia para começar a atividade [60%] e o que é mais comum – a pessoa entra na internet para trabalhar, mas se perde no e-mail, nos blogs, nas notícias, nas redes sociais [62%].

Eu perco aí umas 2 ou 3 horas a toa, cutucando e-mail, internet, até estudar, trabalhar eu perco tempo. Eu fico mexendo na internet”, admite a analista financeira Jaqueline Silveira Silva.

O brasileiro e a brasileira, em função até da nossa colonização ibérica-luso-espanhola, com uma formação católica, que a eternidade nos dá todo tempo do mundo e da história nos leva a não ter tanto senso de urgência. Isto é, para vários povos, a ideia é agora, já, imediatamente. Para nós, espera um pouco, vamos ver, isso ai quem sabe resolve sozinha”, comenta o filósofo Mario Sergio Cortella.

Sabe qual é o compromisso menos adiado, de acordo com a pesquisa? O casamento. Mas, isso deve ser depois que a data já está marcada.

Nota da redação: A pesquisa foi realizada pela empresa Triad PS.

Por Neide Duarte | Bom Dia Brasil | 16/07/2012

Japão se prepara para a era dos eBooks


Japão: O Japão está preparado para entrar de cabeça na era dos e-books, uma vez que quatro dispositivos de leitura serão lançados nos país nos próximos meses. A canadente Kobo, controlada pela japonesa Rakuten, lançará seu aparelho no dia 19 de julho, conforme já anunciado, com 30 mil títulos em japonês e mais de um milhão em inglês. Na semana passada, a Toppan, empresa japonesa, apresentou o seu próprio dispositivo que simula a leitura em papel. Também na semana passada, a Amazon.jp colocou no ar a página em que anuncia que o Kindle chegará ao país “em breve”. Já a Sony revisou os preços de seus aparelhos e apresentou o PRS-T2, nova geração do Sony reader. Os livros digitais têm demorado para decolar no Japão. Mas, de acordo com o Instituto de Pesquisa Yano, de Tóquio, o mercado de e-books está entrando em fase de grande mudança. Até 2015, as vendas no país devem dobrar, segundo o instituto – em 2011, livros digitais representaram 3% do mercado japonês de livros.

Por Michael Fitzpatrick | The Bookseller | 16/07/2012

Japão se prepara para a era dos eBooks


O Japão está preparado para entrar de cabeça na era dos e-books, uma vez que quatro dispositivos de leitura serão lançados nos país nos próximos meses. A canadente Kobo, controlada pela japonesa Rakuten, lançará seu aparelho no dia 19 de julho, conforme já anunciado, com 30 mil títulos em japonês e mais de um milhão em inglês. Na semana passada, a Toppan, empresa japonesa, apresentou o seu próprio dispositivo que simula a leitura em papel. Também na semana passada, a Amazon.jp colocou no ar a página em que anuncia que o Kindle chegará ao país “em breve”. Já a Sony revisou os preços de seus aparelhos e apresentou o PRS-T2, nova geração do Sony reader. Os livros digitais têm demorado para decolar no Japão. Mas, de acordo com o Instituto de Pesquisa Yano, de Tóquio, o mercado de e-books está entrando em fase de grande mudança. Até 2015, as vendas no país devem dobrar, segundo o instituto – em 2011, livros digitais representaram 3% do mercado japonês de livros.

Por Michael Fitzpatrick | The Bookseller | 16/07/2012

Em defesa dos eBooks!


Por Camila Cabete | Texto publicado originalmente em PublishNews | 12/07/2012

Fui bombardeada com informações sobre o fiasco das vendas dos e-books. Vamos colocar uma lente de aumento nisso? Acho que o pior dessas comparações é quando colocam lado a lado mercado brasileiro e o internacional. Hello! Nosso país está aprendendo a ler e a consumir livros agora… Nossa classe C não tinha dinheiro para isso. Para conferir, basta fazer as contas: quantos por cento é o preço de um livro se comparado à cesta básica de uma família brasileira? Muito, não? O maior cliente individual dos livros impressos, no nosso país, ainda é o governo.

Me nego a ser a “Dona estatística”. Fujo disso. Primeiro porque sou péssima em matemática, depois porque sou operária do e-book. Escrevo sobre meu dia-a-dia. E meu dia a dia diz: os e-books vendem muito mais do que diz a pesquisa da Fipe divulgada ontem. Mas não vou me aprofundar na informação, até porque teria que ter números claros e não me disponho a isso.

Vamos analisar em termos de proporção e antes de compararmos vendas, vamos comparar conteúdo. Pelo que vejo, não podemos comparar a quantidade de acervo em papel com a quantidade de acervo digital. O mercado editorial inicialmente só se dispunha a lançar em e-book o backlist [como já escrevi antes, backlist não vende em papel e obviamente não venderá em e-book]. Depois, por medo de encalhe do livro físico no estoque, os editores deixam o calor do lançamento esfriar para, então, lançar o livro em digital. Isso é um horror! Fora do país [pessoal esperto!] a tática é completamente diferente – agora, sendo irônica: por que será que vendem mais e-books do que nós?!

Analisemos o conteúdo, as opções que nossos consumidores têm. Não é muita coisa… Pelo meu chutômetro, calculo que no Brasil temos no máximo dos máximos, forçando muito, uns 20.000 e-books. Queridos do mercado… Quantos livros, em papel, temos nos estoques brasileiros? Quantos são lançados todos os dias? Qual é a atenção dispensada em cada formato? Seu marketing é consumidor de e-books?

Quando é que o mercado perceberá que é muito mais fácil alcançar os leitores, divulgar, distribuir, vender, promover pelo formato digital? Quando começarão a lançar primeiro o digital e depois o impresso? Quando é que teremos um acervo como os dos livros digitais em inglês? Aí, sim, os números vão agradar. Mas por favor, parem de culpar o formato! O problema das vendas [e do e-book ainda não se pagar] é erro da estratégia do mercado.

Por Camila Cabete | Texto publicado originalmente em PublishNews | 12/07/2012

Camila Cabete [@camilacabete] tem formação clássica em História, mas foi responsável pelo setor editorial de uma tradicional editora técnica por alguns anos [Ciência Moderna]. Hoje, é responsável pelo setor editorial da primeira livraria digital do Brasil, a Gato Sabido [@gatosabido]. É ainda consultora comercial da Xeriph, a primeira distribuidora de conteúdo digital do Brasil e sócia fundadora da Caki Books [@cakibooks], uma editora cross-mídia que publica livros em todos os formatos possíveis e imagináveis. Vive em Copacabana e tem uma gata preta chamada Lilica.

A coluna Ensaios digitais é um diário de bordo de quem vive 100% do digital no mercado editorial brasileiro. Quinzenalmente, às quintas-feiras, serão publicadas novidades, explicações e informações sobre tecnologias ligadas a área literária.

O fim do livro, qual é?


Por Julio Silveira | Publicado originalmente em PublishNews | 12/07/2012

Livros imateriais e a matéria da qual são feitos os livros

Este colunista pede licença para não falar hoje de mercado, marcas, formatos. Vou divagar. E talvez me desdizer. Culpe a radiação de Angra 1 ou de Paraty 10, de onde acabo de chegar e onde fui conversar, na Off [mas não em off], ideias sobre o escrever, o publicar e o ler no digital.

Falar sobre livros imateriais [e-books e quetais] em uma cidade habitada por livros, como é Paraty durante a Flip, é como pregar para os peixes. Há livros impressos por toda a parte, há leitores por todos os lados. Tropeça-se [até literalmente] em escritores. Uma festa, que, como todas, é um pouco a negação da realidade — um lugar e um momento que se extrai do mundo normal e se dedica aos livros e a quem os ama. Já a razão de ser do livro digital é justamente estar em todos os lugares — sem existir em nenhum deles, propriamente. Há uma Flip em potencial ao alcance de qualquer banda larga: narrativas, autores, ideias, outros leitores, debates. Porém não pode haver festa… não há como pedir que um autor autografe um e-book.

Passei por essa frustração — a de ter lido uma obra genial em um formato sobre o qual o autor não poderia autografar — justamente após a palestra do ansioso escritor Jonathan Franzen, logo ele que andou atacando, em outros festivais, a literatura digital. Para o autor de Liberdade, a falta de livros físicos causará uma ruptura na cultura literária, capaz de destruir o mundo como conhecemos. E até o escritor mais querido do Brasil abriu a Flip especulando sobre o livro ser “vítima das novas tecnologias”.

Afinal, o que tem livro, pobre “vítima”, a temer em relação às tais “novas tecnologias”? Que mal pode fazer um formato — o e-book — que não ocupa prateleiras? Um livro que não precisa ser guardado, protegido ou mesmo carregado e que, por isso mesmo, não pode ser censurado, limitado, restrito? Franzen e outros e-ludistas acham que um eventual fim dos livros físicos [ou sua substituição por livros eletrônicos] implicará no fim do Livro em si.

Um mundo sem livros é um mundo vazio de ideias. Este é um medo palpável. Pode-se ter uma mostra dessa angústia na biblioteca subterrânea, de prateleiras vazias, no local onde os nazistas queimaram livros. Ou no trabalho de Raïssa de Góes, “apagando” laboriosamente um livro. Mas será que esse vazio não poderia ser preenchido por um livro que não ocupa espaço? A materialidade do livro, o fato dele ser impresso e estocado, seria mesmo condição para sua relevância?

É a angústia do vazio que fez o lançamento da editora argentina Eterna Cadencia ser tão discutido nas mesas de Paraty. Ela lançou um livro que, assim que é aberto, começa a desaparecer, suas palavras desbotam no contato com o ar. Um livro efêmero. “Após aberto, consumir em 30 dias”. O argumento por trás de “O livro que não pode esperar” é que um livro comprado, empilhado e não lido é um livro morto. O autor não quer ser livro; quer ser lido. E tem urgência.

O que seria uma negação maior ao autor? Um livro impresso confinado em uma mesa de cabeceira ou um e-book lançado no emaranhado de elétrons da grande rede? Qual destes desonra mais o leitor?

[Contra o argumento de que a materialidade é indispensável para a existência do livro, levantei uma bibliografia de obras que jamais foram impressas, compiladas ou mesmo escritas — e que nem por isso são menos influentes.]

Cambaleando por Paraty sem concluir se o livro é a matéria ou o material, o corpo ou a alma, fiquei pensando sobre o Bóson de Higgs, descoberto ou comprovado na véspera da Flip, e em como uma partícula que mal existe teria o poder de dar massa e sentido a todas as outras. Com um pouco mais de conhecimento em física [e um pouco menos de cachaça], sei que elaboraria uma bela metáfora, e detectaria talvez uma partícula divina, que confere aos livros — aos que seguramos, aos que lemos e aos que imaginamos — existência, relevância, afeto.

Por Julio Silveira | Publicado originalmente em PublishNews | 12/07/2012

Julio Silveira é editor, formado em Administração, com extensão em Economia da Cultura. Foi cofundador da Casa da Palavra em 1996, gerente editorial da Agir/Nova Fronteira e publisher da Thomas Nelson. Desde julho de 2011, vem se dedicando à Ímã Editorial, explorando novos modelos de publicação propiciados pelo digital. Tem textos publicados em, entre outros, 10 livros que abalaram meu mundo e Paixão pelos livros[Casa da Palavra], O futuro do livro [Olhares, 2007] e LivroLivre [Ímã]. Coordena o fórum Autor 2.0, onde escritores e editores investigam as oportunidades e os riscos da publicação pós-digital.

A coluna LivroLivre aborda o impacto das novas tecnologias na indústria editorial e as novas formas de relacionamento entre seus componentes — autores, agentes, editores, livrarias e leitores. Ela é publicada quinzenalmente às quintas-feiras.

Kobo une-se à Mondadori na Itália


A canadense Kobo se prepara para desembarcar na Itália, ajudada por uma parceria com o grupo Mondadori, que reúne a maior editora e a maior varejista de livros do país. As lojas da Mondadori vão começar a vender o dispositivo de leitura Kobo Touch em 400 de suas unidades e também on-line, por 99 euros. A editora, por sua vez, vai disponibilizar quatro mil títulos de e-books, dentre os 30 mil existentes hoje no país. “A adoção dos livros digitais na Itália tem sido tremendamente bem-sucedida com um mercado avaliado em 10 milhões de euros”, disse Mike Serbinis, principal executivo da Kobo. A companhia canadense já tem operações no Reino Unido, Estados Unidos, Austrália, França, Alemanha e Japão.

Por Joshua Farrington | The Bookseller | 11/07/2012

Quase todos alunos da rede estadual do Rio têm acesso à internet, mas apenas 10% têm hábito da leitura


Pesquisa efetuada pelo Instituto Mapear para a Secretaria Estadual de Educação do Rio de Janeiro indica a necessidade de se reforçar os programas governamentais para estimular o hábito da leitura entre alunos da rede pública de ensino no estado. Para o governo fluminense, o histórico familiar explica, em boa parte, o baixo interesse pela leitura entre alunos do ensino médio.

A pesquisa Escolas Estaduais do Rio do Janeiro – Percepções e Expectativas de Alunos revela que 92% dos estudantes do ensino médio da rede estadual estão conectados à internet, mas o hábito de ler não faz parte da vida deles. De modo geral: 14% dos 4 mil alunos consultados disseram não ter lido nenhum livro nos últimos cinco anos. Um livro foi lido no período por 11% dos estudantes; dois ou três livros por 26% e quatro ou cinco livros por 17%.

Entre os alunos que leram mais que um livro em média nos últimos cinco anos, a pesquisa registrou que 14% leram entre seis e dez livros, 8% entre 11 e 20 e 10% leram mais que 20 livros em cinco anos.

A pesquisa Retrato da Leitura no Brasil, divulgada em março deste ano pelo Instituto Pró-Livro, registra que, na faixa etária entre 5 e 10 anos, as crianças brasileiras leram 5,4 livros, no ano passado. Entre os pré-adolescentes, de 11 a 13 anos, a taxa de leitura ficou em 6,9 livros por ano e entre adolescentes de 14 a 17 anos [mesma faixa etária da pesquisa realizada no estado do Rio de Janeiro] foram lidos 5,9 livros em 2011.

Os números são menores do que os registrados na pesquisa Retratos da Leitura no Brasil realizada em 2007, mas, segundo o Instituto Pró-Livro, a queda se deve a uma diferença de metodologia em relação ao estudo deste ano, não necessariamente à uma queda no número de leitores no país.

O baixo índice de leitura entre os alunos do ensino médio da rede pública estadual fluminense pode ser atribuído a um fator histórico, disse hoje [10] à Agência Brasil o subsecretário de Gestão do Ensino, Antonio Neto. O subsecretario informou que 70% dos pais de alunos não têm o ensino fundamental completo. “No ambiente familiar o aluno não encontra estímulo para a leitura”, disse.

Nas famílias de classe média, que costumam assinar jornais e periódicos, os estudantes conseguem ter mais acesso a algum tipo de leitura. “No caso das famílias mais pobres, nós não vemos isso. Vemos grandes dificuldades. O papel da escola passa a ser mais importante, porque é um quadro que tem que ser revertido desde os anos iniciais da educação”, disse Neto. A pesquisa foi pautada no ensino médio e mostra que a leitura tem que ser fortalecida desde os anos iniciais do ensino fundamental, “para que no ensino médio, o aluno tenha uma convivência com o livro muito maior”.

Incentivo à Leitura – Antonio Neto observou que, “como o mundo ideal não existe”, é preciso trabalhar com a realidade. Para fomentar ações que incentivem o gosto pela leitura entre os alunos, a Secretaria Estadual de Educação do Rio utiliza várias ferramentas. Uma delas, iniciada este ano, foi a Semana de Artes das escolas públicas estaduais, encerrada no último dia 6, no Píer Mauá.

A Semana de Artes foi resultado de trabalhos efetuados por escolas da rede estadual que envolveram várias linguagens, entre as quais música, dança, pintura, literatura, vídeo e teatro. “Essa ação de fomento à arte está necessariamente ligada à leitura”, disse. Foram cinco dias de ações escolares, o que levou a secretaria a decidir ampliar o evento no próximo ano.

Outra ação de incentivo ao hábito de ler entre os estudantes é o Salão do Livro das Escolas Estaduais,. O evento é anual e constitui uma oportunidade de as unidades escolares adquirirem novos livros para os estudantes. Cerca de 141 unidades participaram da última edição, que teve uma verba de R$ 8 milhões.

É uma espécie de feira de livros, só voltada para nossas escolas estaduais, onde elas, por meio dos seus programas de leitura, vão a essa feira para melhorar o seu acervo de livros”. Os professores fazem a seleção dos títulos, bem como os alunos dão sugestões, porque são eles quem vão conviver com esse ambiente de leitura, explicou o subsecretário.

Futuro – Novas ações estão sendo formatadas com o objetivo de serem introduzidas na rede de ensino em 2013. Antonio Neto esclarece que a secretaria não trabalha com o conceito de bibliotecas, mas de salas de leitura nas escolas. O acervo dessas unidades considera uma proporção média de três livros, “pelo menos”, por aluno, conforme determina a legislação atual para bibliotecas.

O subsecretário disse que só o livro na escola não resulta em uma ação de leitura. Para reverter esse quadro, a secretaria criou, no ano passado, a função de “professor agente de leitura”. Esse profissional começará a ser colocado nas escolas ainda neste semestre com a função de fomentar a leitura. Ele terá também a atribuição de criar estratégias para que o aluno “utilize e trabalhe com esses livros”.

Essa função se dará por adesão entre os professores e não existia anteriormente na secretaria. Antonio Neto explicou que o governo teve o cuidado de preservar a característica de regência, de trabalho pedagógico, ao contrário do que ocorre em alguns estados, em que o professor, ao exercer uma função fora da sala de aula, perde o benefício.

A ideia é levar a figura do professor agente de leitura, de forma gradual, a todas as 1.437 escolas públicas dos 92 municípios fluminenses. Todas elas têm algum tipo de sala de leitura ou espaço dedicado a livros, como bibliotecas inclusive. “Nós queremos atingir todas elas. Mas esse é um passo gradual, porque nós temos uma deficiência de pessoal na rede ainda grande”, disse Antonio Neto.

Por Alana Gandra | Agência Brasil | 10/07/2012 | Edição: Fábio Massalli

“Para aumentar leitores é preciso fazer ligação entre internet e literatura”


A ampliação do hábito da leitura entre estudantes brasileiros requer a existência de mediadores preparados que entendam as novas ferramentas tecnológicas para levá-los a fazer a ligação com o mundo em que vivem por meio da literatura. “Nós temos poucos mediadores aptos a entrar neste diálogo, nestes suportes, nestas novas linguagens e que tragam uma herança cultural vastíssima”, disse a diretora adjunta da cátedra Unesco de Leitura da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro [PUC-RJ], Eliana Yunes.

Na avaliação de Eliana, que criou a cátedra de Leitura na PUC-RJ em parceria com a Unesco, os estudantes, mesmo no uso da internet, podem dedicar mais tempo à escrita e à leitura do que teriam as pessoas há cerca de 20 anos. “Eles são obrigados a ler, a escrever, a se comunicar”, declarou à Agência Brasil.

Eliane admitiu, contudo, que sem uma mediação adequada, “existe uma simplificação do uso da língua”. A leitura dos estudantes que estão conectados às redes sociais acaba circunscrita a um universo muito estreito ao qual eles têm acesso com facilidade. “Está na onda, está na moda. Tem a coisa da tribo, do grupo”, disse. A professora disse que essa leitura, porém, não têm a densidade necessária para levar os alunos à formação de um pensamento crítico.

Segundo Eliana Yunes, falta a esses estudantes um trabalho de ligação com a leitura criativa [presente na literatura, por exemplo], algo que pode ser feito pelas escolas e até pelas famílias. “Falta uma mediação que permita que esses meninos tenham acesso, mesmo via internet, a sites muito bons de poesia, de blogs, pequenas histórias, de museus, que discutem música, história”. Sites que, segundo Eliana, permitem que os alunos saiam desse “chão raso” e possam ser levados para uma experiência criativa da linguagem.

Quem não lê tem muita dificuldade de escrever, de ampliar o seu universo de escrita, de virar efetivamente um escritor”. Como eles têm pouca familiaridade com a língua viva, seria necessário que os adultos se preparassem melhor, buscando conhecer esta nova tecnologia para que a mediação, tanto pela escola como pela família, pudesse ser exercida de forma a partilhar com os alunos leituras de boa qualidade.

A professora disse que a mediação restaura o fio que liga o passado ao futuro no presente destes estudantes. Ela reiterou que a falta de conhecimento de professores e pais desses suportes modernos de comunicação e a falta de habilidade de envolver alunos em uma discussão de um universo mais rico impedem meninos e meninas de desfrutarem uma herança cultural, “da qual eles são legítimos herdeiros”.

Acho que a questão da escola passa pelo problema da mediação. Se nós não formos leitores de várias linguagens, de vários suportes, nós perderemos realmente o passo com esta geração, que está velozmente à nossa frente, buscando outras linguagens, outras formas de comunicação”. É preciso, sustentou, que os estudantes percebam que a literatura não é um peso ou uma obrigação. “Literatura é vida”.

Para Eliana, a literatura faz falta porque desloca o olhar das pessoas de uma coisa “líquida e certa”, para um lugar de reflexão, de discussão sobre o mundo e a vida humana. Isso pode ser encontrado não só no livro impresso, em papel, como também no livro digital. “Este jogo contemporâneo é muito rico”, disse. “Quanto mais suportes a gente tiver para a palavra escrita e para abrigar a reflexão sobre a condição do ser humano, melhor a gente vai poder abraçar as várias modalidades, que estão vivas, da palavra”.

Pesquisa – De acordo com pesquisa efetuada pelo Instituto Mapear para a Secretaria Estadual de Educação do Rio de Janeiro com 4 mil estudantes e 1,2 mil responsáveis, 93% dos alunos do ensino médio da rede pública do estado tinham celulares em dezembro de 2011 e 78% possuíam computador, sendo que 92% tinham acesso frequente à internet.

Em contrapartida, 14% dos alunos declararam não ter lido nenhum livro nos últimos cinco anos. Entre os que não leram nada, 17% residiam no interior e 12% na região metropolitana. Um livro foi lido no período por 11% dos estudantes; dois ou três livros por 26% e quatro ou cinco livros por 17%.

Entre os alunos que leram mais que um livro em média nos últimos cinco anos, a pesquisa registrou que 14% leram entre seis e dez livros, 8% entre 11 e 20 e 10% leram mais que 20 livros em cinco anos.

Por Alana Gandra | Agência Brasil | 10/07/2012

eBooks: concorrentes reagem a Amazon, Apple e Google no país


Fabricante do Kindle enfrentará ainda dificuldade para impor modelo de negócios

Kindle Fire, tablet Android com 7", da Amazon | AP

Kindle Fire, tablet Android com 7″, da Amazon | AP

SÃO PAULO — O mercado brasileiro de livros digitais deve ser chacoalhado pela chegada de três grandes livrarias on-line internacionais até o fim do ano. O destaque fica para a Amazon, maior varejista do mundo, que já anunciou seu site brasileiro para o quarto trimestre deste ano. Mas gigantes da tecnologia como Google e Apple também estão no páreo e devem passar a vender títulos de editoras brasileiras até dezembro. É o que prevê o cronograma dado pelo mercado editorial brasileiro, já que oficialmente as empresas não se pronunciam sobre o assunto.

Há um ano, a Amazon começou a prospecção de parceiros para desembarcar no Brasil. De acordo com uma fonte do setor, a empresa olha com atenção para pequenas empresas de distribuição.

Nove meses atrás, a companhia contratou uma empresa de seleção de executivos para encontrar o gestor da operação brasileira. Três brasileiros estariam no páreo. A escolha do nome deve acontecer até 1º de agosto. Segundo a fonte, o escritório brasileiro deve começar com estrutura enxuta. Com o tempo, pode comprar uma empresa brasileira que tenha de 30 a 40 pessoas, já de olho não só em livros digitais, mas no e-commerce de maneira geral.

A negociação para a entrada no país envolve a oferta de conteúdo local. Hoje, a empresa tem 5,5 mil livros em português [edições brasileiras e de Portugal], mas poucas editoras brasileiras vendem pela loja americana.

A Câmara Brasileira do Livro [CBL] estima que as editoras brasileiras ofertem hoje 10 mil títulos diferentes de e-books. Trata-se de um mercado pequeno se comparado ao americano, onde existem 950 mil títulos disponíveis. As editoras brasileiras lançaram, ano passado, 5.235 títulos no formato digital, que renderam R$ 862 mil em vendas, um valor ainda pequeno em relação ao faturamento de R$ 4 bilhões da venda de livros físicos, segundo pesquisa da CBL e Sindicato Nacional dos Editores de Livros.

Na Livraria Cultura, as vendas de e-book equivalem a 1% do total. Segundo a empresa, nos últimos 12 meses foram vendidos 2,5 mil títulos de 307,5 mil disponibilizados [300 mil internacionais]. Segundo Joaquim Garcia, diretor de TI da livraria, o faturamento com a venda de e-books este ano está 250% maior que no ano passado. Já a Saraiva diz que se a venda de e-books fosse considerada uma loja, teria o 42º maior faturamento entre as outras cem livrarias.

Apesar de pequeno, há potencial de crescimento neste mercado. Um dos motivos é a profusão de dispositivos de leitura. A consultoria IDC Brasil projeta a venda de 2,5 milhões de aparelhos este ano, 200% a mais que os 800 mil vendidos em 2011. Para 2013, a estimativa é que 4 milhões sejam comercializados.

Margem de 50% é considerada alta

A Amazon ainda não encontrou um meio termo no modelo de contrato para as editoras brasileiras, que consideram alta a margem estabelecida pela loja para os livros digitais — de 50%, contra uma média de 30% a 40% praticada por outras livrarias. Cláusulas que colocam nas mãos das editoras o custo de falha no processamento da transação, ou que exigem que promoções feitas na concorrência sejam replicadas na Amazon, também atravancam o fechamento de contratos.

— No começo, a gente entendia que a Amazon teria de chegar ao nosso mercado adaptando-se. Acredito que hoje o processo de negociação já tenha chegado num patamar diferente daquele que estava antes. Cada dia que passa eles conseguem fechar mais contratos — diz Karine Pansa, presidente da CBL.

Mesmo a Ediouro, uma das poucas editoras brasileiras que fornecem títulos em português para a Amazon, está em renegociação. A editora fornece cem de seus 500 títulos em formato digital.

— É um processo normal de negociação. Não temos crítica a eles — diz o diretor da Divisão de Livros, Antonio Araujo.

Enquanto as editoras negociam contratos, o mercado local já se prepara para a concorrência. Na média, o livro digital brasileiro é 30% mais barato que o impresso. Antecipando-se à chegada da rival, o Grupo Positivo abriu a livraria on-line Mundo Positivo. Há dois anos o grupo lançou o primeiro e-reader do mercado brasileiro [o Alfa, seguindo o exemplo da Amazon com o Kindle nos EUA].

— O que restringe o mercado local, no momento, é a oferta de títulos brasileiros, que ainda está pequena — diz André Molinari, vice-presidente de Negócios Digitais da Positivo.

A Livraria Cultura buscou ampliar o mix de produtos para se diferenciar. No fim de abril, lançou uma loja de games e objetos de colecionador, a Geek Etc Br.

— A estratégia é ampliar a oferta de produtos — afirma Joaquim Garcia, diretor de TI da Livraria Cultura.

Base de dispositivos já está formada aqui, diz Saraiva

A Livraria Saraiva, maior do setor no país, diz que a vinda da concorrente americana não altera planos de negócio a curto prazo. Isso porque a Amazon enfrentará no Brasil uma série de obstáculos que não encontrou no mercado americano, como a base de dispositivos já desenvolvida.

— Somos hoje o maior vendedor de livros no Brasil, como era a Amazon quando começou a sua loja on-line no mercado americano — diz Marcilio Pousada, presidente da Livraria Saraiva.

Os brasileiros que têm Kindle aguardam com ansiedade a chegada da Amazon. O assistente de conteúdo Felipe Ferreira, de 24 anos, usa o aparelho desde o ano passado e espera mais variedade de títulos e preços menores.

— Acho que é uma oportunidade de termos literatura com preços mais atrativos e com maiores facilidades — afirma.

Para especialistas, a entrada das estrangeiras atesta a importância que o país ganha no cenário global.

— Vai certamente estimular o crescimento do mercado brasileiro de livros digitais — diz Carolina Riedel, diretora Comercial da Editora Pensamento.

Por Paulo Justus | Publicado por O Globo | © 1996 – 2012. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. | 09/07/2012 | COLABOROU: Lino Rodrigues

Mundo digital: bem abaixo de 1%


Enquanto a Amazon não desembarca por aqui, ninguém ainda fatura como gente grande com as vendas de e-books. É o que atesta uma pesquisa inédita da Câmara Brasileira do Livro e do Sindicato Nacional dos Editores de Livros, segundo a coluna Radar, de Lauro Jardim. Em 2011, os 5.235 títulos lançados no formato digital levaram as editoras a arrecadar R$ 862.000. Um valor pífio: o setor fatura cerca de R$ 4 bilhões anuais com as vendas de livros físicos.

Por Lauro Jardim | Veja On Line | 08/07/2012

Tensão pré-Amazon


Chegada da loja ao Brasil mexe com mercado editorial, que se mostra reticente à concorrência. Mas livros são só o começo

SÃO PAULO – “A palavra é apreensivo. A Amazon deixou o mercado brasileiro apreensivo.” A visão de Guto Kater, um dos representantes da Associação Nacional das Livrarias [ANL], ilustra o sentimento da indústria editorial do País, que conta os meses que faltam para a chegada da gigante americana do varejo online, a Amazon.

A previsão era de que a empresa iniciaria as operações em setembro, o que por enquanto está descartado. Segundo um dos envolvidos ouvidos pelo Link, os contratos com quase 30 editoras e distribuidoras estão assinados ou em fase de conclusão. Questões de logística estão praticamente solucionadas.

Problemas relacionados a impostos seriam o fator de impedimento. A empresa teria dificuldades em conciliar o sistema usado internacionalmente com os daqui. Além disso, corre no Senado um projeto de lei que tenta incluir e-readers entre os produtos que recebem isenção total na importação, com livros e tablets.

Durante a Bienal Internacional do Livro de São Paulo, entre 9 e 19 de agosto, um grupo de executivos da Amazon vem de Seattle para “um grande anúncio”. Entre eles estão Pedro Huerta, que cuida das operações da Amazon na América Latina, e Russ Grandinetti, responsável pelo conteúdo do Kindle, o e-reader da empresa.

No anúncio, é provável que as dúvidas em torno da chegada da empresa sejam esclarecidas. Lá, os executivos devem dizer se, além de dar início à comercialização de e-books, a Amazon estreia também a venda nacional do e-reader e do tablet Kindle Fire e se venderá mais itens digitais e, em caso positivo, quando.

O que se sabe é que o primeiro passo no Brasil de fato será com livros digitais. Na verdade, seria o segundo passo, já que São Paulo já é endereço [o único na América do Sul] de um data center da empresa, utilizado para serviços de computação em nuvem que a Amazon também oferece.

A venda “completa”, de artigos que vão de games, a barracas de camping e pneus de carro, demandaria um trabalho infinitamente maior – de estoque e logística, por exemplo – e, por isso, demoraria mais.

Pressão. Logo que a Amazon deu início às negociações com as editoras por aqui, há um ano e meio, as livrarias começaram um jogo de pressão. Livrarias, pequenas, médias e grandes se posicionaram contra e começaram a pressionar editoras para que elas não fechassem acordos – ou pelo menos para retardar a chegada da loja ao País.

Para as editoras, o negócio é interessante. A Amazon seria mais um cliente, comprando todo o acervo de livro digital que oferecem. Porém, os mais conservadores têm medo de que o livro digital reduza as vendas dos exemplares de papel.

“Isso é medo do futuro”, diz Carlos Eduardo Ernnany, dono da primeira vendedora de livros digitais do País, a Gato Sabido, e da distribuidora Xeriph. “O editor, que lucra com os livros físicos, tem de sacrificar o que lhe dá dinheiro para investir num mercado que ainda é pequeno, mas que poderá ser importante no futuro. Mas o futuro é daqui 30 dias.”

O presidente da Livraria Saraiva, Marcílio Pousada, não vê necessidade de pressa e diz que ainda “tem muito livro físico para se vender no Brasil para podermos discutir se o digital vai ser mais importante”.

Apesar disso, ele reconhece que a chegada da Amazon é um momento importante para o mercado nacional e prevê disputas. “Ela vai ter de competir com todos nós, que já temos experiência com o Brasil. Vai ter de lidar com rua esburacada, tributos, deficiência dos Correios, malha logística insuficiente. Por isso digo que o serviço de entrega da Amazon não vai ser melhor do que o do resto do mercado.

Mas o dono de uma das maiores livrarias do País não é pessimista. “Vamos competir sem problemas. Estamos preparados. Que venham os concorrentes!

Kater, vice-presidente da ANL, acredita que a salvação das pequenas e médias livrarias está na oferta de serviços, de um melhor relacionamento com o cliente, atendimento personalizado e na aprovação da lei de um preço único para lançamento, evitando práticas anticompetitivas de mercado. “Se as livrarias entenderem que não venderemos mais só livros, mas serviço, pode deixar a Amazon vir”, diz.

Fábio Uehara, chefe do departamento digital e responsável por aplicativos e e-books da Companhia das Letras, diz ser difícil avaliar o impacto da Amazon, mas ele vê a chegada positivamente. “Eu acredito que sempre é importante ter vários players de peso no mercado. A concorrência é saudável”, diz.

A editora é dona de um catálogo de quase 4 mil livros, mas dispõe atualmente de um número dez vezes menor de e-books. Isso porque a conversão do formato PDF para o padrão de e-book [ePub] leva tempo e dinheiro. Mas Uehara garante que a tendência é que logo os títulos sejam lançados nos dois formatos – físico e digital – ao mesmo tempo.

Estamos comprometidos, convertendo tudo o que podemos. Lançamos nosso primeiro título em abril de 2010. No início deste ano, tínhamos 200. Agora temos 400. A meta é chegar no fim do ano com 800 e-books.

A conversão dos livros digitalizados pelas editoras é apontada como um desafios a serem superados para que esse mercado decole. Somando todo o catálogo nacional em português, é possível chegar a um número aproximado de 11 mil títulos. Em comparação, o acervo da Amazon tem quase 1 milhão.

Para Ernnany, a entrada da Amazon pode incentivar as editoras a acelerar esse processo, que diz ser bastante custoso. Para a conversão de cada livro gasta-se em média R$ 450. “O problema é a falta de capacidade de investimento das pequenas e médias editoras brasileiras em converter seu acervo para ePub.

Ele prevê que a Amazon ocupe de 50% a 60% do mercado e, apesar do abalo, isso deve impulsionar a profissionalização do setor e a popularização dos livros digitais, ainda restritos. “Essa história pode custar caro para algumas livrarias que não se prepararam até hoje. Não tem como ficar olhando para ver o que acontece. Se quiser manter os clientes, que faça isso agora”, diz.

O IMPACTO DA AMAZON NO BRASIL

Maior loja online do mundo deverá ser uma pedra no sapato para muita gente:

E-commerce | Sites de varejo online como Submarino [e todo o grupo B2W], Ricardo Eletro, Nova Pontocom e Casas Bahia poderão ter o novo concorrente em 2013.
E-reader | O Kindle não terá dificuldades contra leitores eletrônicos no Brasil; seus maiores rivais serão os tablets, presentes em apenas 1% dos domicílios brasileiros.
Livros | Livrarias físicas e vendedores online de livros ou e-books como Cultura, Saraiva, Submarino e Gato Sabido, serão os primeiros afetados pela gigante americana.
Música | Contra o iTunes da Apple, a Amazon tem lá fora um catálogo de 20 milhões de músicas à venda e um serviço de armazenamento na nuvem.
Filmes | Se a Amazon trouxer seu serviço de filmes por streaming, Netflix, NetMovies, Saraiva Digital, Terra TV Video Store e Net Now serão os mais afetados por aqui.

QUEM AINDA PODE VIR

Kobo | A empresa canadense fundada em 2009 é um dos gigantes neste mercado internacional. Após ser comprada pela japonesa Rakuten em 2011, começou sua expansão pelo mundo e deve chegar ao Brasil no segundo semestre deste ano, garantiu o vice-presidente da empresa, Todd Humphrey, durante um evento em São Paulo em abril.

Apple | A iBook Store, seção de livros digitais da loja virtual da Apple, está disponível no Brasil desde o ano passado quando o iTunes chegou por aqui. No entanto, o acervo disponível se resume a e-books gratuitos de domínio público, por exemplo, clássicos como Moby Dick e algumas obras de Jane Austen. Mas já fala-se que o acervo deve ser expandido em breve.

Google | Segundo o brasileiro Hugo Barra, diretor de produtos para a plataforma móvel Android, a loja de conteúdo digital do Google – Google Play – deve passar a comercializar livros no Brasil a partir dos próximos meses. Com isso, deve ser estreada uma forma de pagamento nova, que deverá incluir as compras do usuário na fatura do aparelho.

Por Murilo Roncolato | O Estado de S. Paulo | 08/07/2012

EUA: Barnes & Noble lança leitor digital Nook para navegadores da web


A livraria Barnes & Noble lançou uma versão do leitor digital Nook para os navegadores da web, permitindo que os usuários possam ler livros diretamente no computador, dispensando programas especiais. A empresa afirma que não é necessário ter uma conta para ler os livros. Alguns deles estão disponíveis gratuitamente. Para ler publicações ou ler amostras das publicações, é necessário clicar no botão “read instantly” na capa do livro.

Até o momento, o leitor digital para navegadores da web nos computadores. Uma versão para o navegador da web do iPad está em desenvolvimento. O Nook, no entanto, tem um aplicativo para o tablet da Apple.

A Barnes & Noble é dona do leitor digital Nook, que concorre com o Kindle, da Amazon.

G1 | 17/07/2012