Especialista prevê substituição do livro didático e do caderno por computadores e tablets


As mudanças tecnológicas tão aceleradas do mundo moderno vão chegar de vez à sala de aula e é bem possível que computadores, tablets e outras plataformas substituam o livro didático e o caderno. A previsão é do sociólogo e professor da Universidade de Ottawa [Canadá], especialista em internet. Ele participou do 5º Congresso Internacional da Rede Católica de Educação, que se encerra amanhã [1º], em Brasília.

É difícil dizer o que será a civilização no futuro. Aquilo que vamos construir não é imaginável agora. Nos estamos em um momento de grande transformação cultural”, avalia o especialista.

Ele não descarta, no entanto, que as crianças continuem aprendendo habilidades básicas do mundo pré-digital, como a escrita à mão. “A priori, eu diria que é importante ensinar a escrever a mão. É importante manter isso assim como fazer o cálculo mental, apesar de todo mundo ter calculadora”, defende.

Para Lévy, mudarão os materiais pedagógicos e mudarão as competências dos estudantes. “Os alunos do futuro serão pessoas criativas, abertas e colaborativas. Ao mesmo tempo, serão capazes de se concentrar com uma mente disciplinada. É necessário equilibrar os dois aspectos: a imensidão das informações disponíveis, colaborações e contatos; com [a capacidade de] planejamento, realização de projetos, disciplina mental e concentração”.

O sociólogo defende o uso das redes sociais para ensino e aprendizagem. Ele mesmo obriga os seus alunos a criarem grupos no Facebook, postarem textos ou vídeos e participarem de grupos de discussão. “O Facebook é apenas uma das mídias sociais em um contexto de participação. Não são as novas mídias que terão impacto negativo. São as pessoas que postam coisas negativas. É como se perguntar qual o impacto negativo da linguagem porque tem muita mentira. Não é a linguagem que tem impacto negativo, são os mentirosos!”, comparou.

Pierre Lévy acredita que a nova cultura baseada na informática e a economia do conhecimento impliquem novas formas de sociabilidade: ambientes mais colaborativos, em rede e autoorganizados formando uma memória coletiva.

Essas transformações exigirão habilidades que precisam ser ensinadas como a capacidade dos alunos em avaliar as fontes de informação, identificar orientações, ter atitude crítica quanto aos conteúdos.

Ao ser indagado pela Agência Brasil se o país, com baixo índice de aprendizagem generalizado e ainda com número elevado de adultos analfabetos, conseguirá formar seus estudantes com essas capacidades Pierre Lévy foi otimista: “Eu fico sempre surpreso ao ver até que ponto os brasileiros têm uma ideia negativa do seu próprio país. Primeiramente, vocês estão se transformando na quinta potência econômica do mundo, com uma taxa de crescimento muito elevada. Sim, tem analfabetismo, mas, apesar disso, há um esforço muito importante focado na educação, e o que eu vejo sempre que venho para cá é um monte de pessoas dedicadas para trabalhar na educação.

Para o sociólogo, o Brasil está ciente de que o futuro do país está no investimento na educação. “Não fiquem desesperados e continuem com esse entusiasmo extraordinário”, completou. Lévy reconhece que os problemas existem, mas ressalta que eles têm que ser resolvidas com “as ferramentas de hoje e com a visão do futuro”.

Por Gilberto Costa | Agência Brasil | 30/06/2012

Amazon deve chegar este ano ao País


Maior varejista virtual do mundo negocia para oferecer cerca de 10 mil livros eletrônicos brasileiros até o período de compras do Natal

A Amazon planeja abrir sua loja digital de livros no Brasil no quarto trimestre de 2012, buscando obter uma fatia no mercado online de rápido crescimento do País que inspirou o nome da empresa.

O grupo americano de comércio eletrônico, cujo nome é uma homenagem ao rio mais extenso da América Latina, quer conquistar um espaço na maior economia da região com seu tablet, o Kindle, e um catálogo de livros digitais em português, disseram representantes de editoras locais e uma fonte da indústria a par dos planos da empresa.

A abordagem digital permitirá que a Amazon minimize os riscos que uma estreia de maiores proporções implicaria num país com problemas notórios de infraestrutura e um sistema tributário complexo e custoso.

A empresa ainda terá de enfrentar uma desaceleração do crescimento econômico do País. “O Brasil seria o primeiro país em que a Amazon entra apenas com produtos digitais, e essa decisão foi tomada por motivos logísticos e dificuldades tributárias“, disse a fonte da indústria, que falou sob condição de anonimato. “Ter uma operação completa de varejo? Esse é o objetivo“, acrescentou.

Representantes de duas editoras locais disseram que suas empresas têm feito encontros e videoconferências recentemente para negociar contratos com o responsável por conteúdo do Kindle, Pedro Huerta. “Eles nos disseram que o plano é iniciar entre outubro e novembro“, disse um dos representantes. Craig Berman, porta-voz da Amazon, se recusou a comentar o tema.

Maior varejista online do mundo, a Amazon é a mais recente empresa americana a buscar uma fatia do comércio via internet brasileiro, que movimentou US$ 10,5 bilhões em 2011. Espera-se que o segmento cresça 25% neste ano. Outras companhias incluem a de serviços de filmes Netflix e a de aluguel de casas AirBnB. Essa seria a mais recente incursão da Amazon em mercados emergentes, após ingressar na China em 2004 e na Índia no começo do ano.

Para o diretor da empresa de pesquisa eBit, Pedro Guasti, o mercado brasileiro online só atingiu agora proporções suficientes para representar algum interesse à Amazon. “Neste ano, devemos atingir US$ 12 bilhões em vendas, um nível que justifica a sua entrada. Se eles esperarem mais, o custo se tornará muito alto“, disse.

Leitor. A Amazon acredita que conseguirá dominar o mercado de e-books do Brasil com seu dispositivo de leitura, o Kindle, impulsionando as vendas de livros virtuais para 15% do mercado editorial no primeiro ano de operações, ante 0,5% atualmente, disse a fonte com conhecimento dos planos da empresa.

A Amazon espera controlar 90% do mercado de e-books no Brasil, adicionou a fonte, parcialmente porque muitos brasileiros já baixam conteúdo de seu site utilizando dispositivos de leitura comprados no exterior.

Brasileiros respondem por 1% do tráfego mundial aos sites da Amazon. Isso se compara a 2,3% no Reino Unido e 1,3% na Alemanha, onde a empresa já opera.

Para adquirir fatia de mercado rapidamente no Brasil, a Amazon provavelmente venderá o Kindle a um preço subsidiado de R$ 500 [US$ 239] – três vezes mais caro que nos Estados Unidos, mas abaixo de produtos rivais no mercado brasileiro.

A estratégia de priorizar participação de mercado e não lucro tem sido adotada pela Amazon em outros mercados, levantando críticas à habilidade de a companhia obter retorno de seus investimentos no longo prazo.

A Amazon já assinou contrato com cerca de 30 editoras brasileiras e corre para estabelecer um portfólio de cera de 10 mil e-books até o Natal.

Uma editora envolvida nas negociações disse que a Amazon planeja vender seus e-books a cerca de 70% do preço de capa, com uma margem de lucro de 40% a 50%. “As receitas para nós serão insignificantes, mas vemos essa possibilidade como um canal importante para promover nossos produtos e vender mais livros físicos“, disse um representante da editora.

Mas editoras e varejistas alertam que, quando expandir suas ofertas, a Amazon terá dificuldade de replicar seu modelo de negócios no Brasil, onde os custos trabalhistas são altos, os impostos complexos e menos de 20% das estradas são pavimentadas. “Eles terão de enfrentar os problemas que sempre tivemos“, disse o diretor da Livraria Cultura, Sérgio Herz. “Até agora, eles estavam no paraíso e nós no inferno. Venha ao inferno conosco, Amazon.

POR ESTEBAN ISRAEL / REUTERS | O Estado de S. Paulo | 30 de junho de 2012, 3h08

Ferramenta digital só funciona se professor conhecê-la, diz filósofo


O filósofo Pierre Lévy, uma das maiores referências em cibercultura no mundo, refutou ontem a ideia de que o uso de ferramentas digitais e da internet em sala de aula possa prejudicar o desempenho do aluno.

Na visão do francês, professor de ciências educacionais na Universidade de Paris-Nanterre, criticar esses recursos como fontes pedagógicas é como culpar a linguagem pela existência de mentiras.

O problema é a falta de disciplina [do usuário]. São as pessoas que conduzem mal [os recursos]“, disse, após palestra para educadores em Brasília.

Ele pondera, porém, que o uso de equipamentos digitais só será possível a partir do momento em que o professor estiver a par das novas ferramentas. “Não podemos ensinar o que não conhecemos.

Por isso, ele se mostrou favorável à medida do Ministério da Educação que prevê a aquisição de tablets para professores do ensino médio.

A presença dos tablets, aliás, será cada vez mais expressiva no dia a dia das escolas e universidades, avalia.

Ele acredita que o material escolar tradicional dará lugar a aparelhos como esses. “Isso já está em curso.

Folha de S.Paulo | 30/06/2012, 05h30

Google entra na guerra dos tablets


Empresa lançou ontem o Nexus 7, que usa a mais recente versão do Android e que tem como maior atrativo o preço, de US$ 199

Com o lançamento do Nexus 7, de apenas sete polegadas e um preço de US$ 199, o Google se tornou ontem o último gigante da tecnologia, depois da Microsoft e da Amazon, a entrar na “guerra” dos tablets para tentar bater de frente com o ainda soberano iPad, da Apple, que domina dois terços do mercado.

Além do Nexus 7, o Google também anunciou, em sua conferência I/O, em San Francisco, o aperfeiçoamento de seu sistema operacional Android, com uma nova plataforma denominada Jelly Bean. Entre as novidades do sistema estão uma secretária virtual similar à Siri, da Apple, e mecanismos para cegos e surdos usarem tablets e celulares.

De acordo com o Google, o Nexus 7 será fabricado em conjunto com a Asus, de Taiwan. Apesar da indagação de alguns investidores, o Google não explicou porque deixou de lado a recém-adquirida Motorola na produção do Nexus 7.

A principal aposta do novo tablet é o preço, equivalente a dois quintos da versão mais barata do iPad, de US$ 499. Custando apenas US$ 199, com memória de 8 GB [o aparelho com 16 GB sairá por US$ 249], o Nexus 7 passa a competir diretamente com o Kindle Fire, da Amazon, vendido pelo mesmo valor e que tem conquistado um mercado de consumidores não dispostos a pagar pelo produto da Apple.

O tamanho também será equivalente ao do tablet da Amazon e alguns da linha Galaxy, da Samsung. Com sete polegadas, o Nexus 7 fica quase em uma dimensão intermediária entre o iPhone e o iPad. Há a vantagem de ser mais fácil de manusear e transportar. Mas a tela menor pode ser um ponto negativo.

No Nexus 7, o uso de produtos do Google, como YouTube e o Google Tradutor também será simples. Um outro destaque do tablet é câmera frontal, com resolução de 1.200 x 800 pontos.

Segundo a empresa, o tablet, que deve chegar em julho, já está disponível para encomendas na loja virtual Google Play dos Estados Unidos, Canadá, Reino Unido e Austrália. Não há previsão de chegada a outros países.

Na semana passada, a Microsoft apresentou o Surface, com a novidade de ter um teclado acoplado à capa e o sistema operacional Windows 8. Mas o tablet da empresa fundada por Bill Gates ainda não tem preço definido e chegará às lojas apenas no Natal.

Antes do Nexus 7, o Google competia com a Apple apenas nos sistemas operacionais para tablets e celulares. Muitas empresas usam o Android, enquanto o iPad e o iPhone adotam o sistema iOS, da própria Apple. A Microsoft também tenta entrar na briga com o Windows 8. Mas essa disputa dos softwares, também existente nos celulares, será ampliada para os hardwares.

Analistas ainda acham improvável um tablet ameaçar a soberania do iPad, mesmo se tiver uma marca forte como a do Google ou d a Microsoft por trás. O aparelho da Apple continua registrando crescimento em suas vendas. Ao mesmo tempo, a acentuada elevação do mercado de tablets em todo o mundo deve abrir espaço para outras marcas. Neste ano, a previsão é de vendas de 107 milhões de aparelhos. Em 2016, esse número deve subir para 222 milhões.

POR GUSTAVO CHACRA, CORRESPONDENTE | NOVA YORK | O Estado de S.Paulo | 28 de junho de 2012, 3h 07

Biblioteca ganha espaço nas casas da era eletrônica


Hoje em dia, a ideia de sentar para ler um bom livro significa cada vez mais virar páginas em um leitor digital – e não folhear um romance encadernado em couro em um cômodo forrado de livros. Mesmo assim, a nova moda é ter biblioteca em casa, um símbolo de status intelectual. Muita gente com dinheiro está comprando bons livros aos montes para montar sua biblioteca particular. Esse espaço tem várias funções: é parte da decoração, é uma vitrine pública da cultura do dono e é, também, um lugar tranquilo para quem quer refletir e escapar do mundo lá fora. Tem gente que chega a contratar um profissional para ajudar a montar um acervo digno de respeito ou receber orientação sobre o visual, a atmosfera e o conteúdo de uma biblioteca doméstica.

Por Heidi Mitchell para o The Wall Street Journal | Valor Econômico | 28/06/2012

Ateliê Ciclope comemora 10 anos de obra-software


Comemoração será marcada com o lançamento do livro eletrônico de poesia Grão e o software livre Managana

Em comemoração aos dez anos da obra-software Sítio de Imaginação o Ateliê Ciclope de Arte e Publicação Digital lança o livro eletrônico de poesia Grão e o software livre Managana, além de realizar a oficina “Publicação digital na era dos tablets”.

Os lançamentos acontecem nesta quarta-feira, 27, às 19h, no café do Espaço TIM UFMG do Conhecimento [Praça da Liberdade, s/n – Belo Horizonte/MG], onde uma instalação exibirá o livro, resultado do trabalho de pesquisa do poeta e realizador de projetos multimídia, Álvaro Andrade Garcia. A exibição comemora também o lançamento do software, no qual o poema foi escrito. Para apresentá-lo à comunidade, o Ateliê Ciclope oferecerá oficina gratuita de 3 horas de duração nos dias 29 e 30 de junho no Espaço.

PublishNews | 27/06/2012

Quadrinhos da DC agora no Nook


Haverá mais de quatro mil graphic novels e histórias em quadrinhos disponíveis nos dispositivos da Barnes & Noble

A varejista de livros norte-americana Barnes & Noble anunciou uma parceria com a DC Comics para disponibilizar as graphic novels e histórias em quadrinhos de personagens como Batman, Mulher Maravilha, e Super-Homen no tablet Nook e também no e-reader colorido da marca. Haverá mais de quatro mil títulos disponíveis para leitores nos Estados Unidos. A Barnes & Noble também desenvolveu uma ferramenta de zoom para os dispositivos eletrônicos, que permite ver em detalhes os desenhos das histórias.

PublishNews | 27/06/2012

PwC faz previsão sobre mercado de eBooks


Mercado deve girar US$ 48 bilhões mundialmente em 2016

A PricewaterhouseCoopers projeta que a venda de e-books vai gerar US$ 21 bilhões em 2016 nos Estados Unidos, ante US$ 19 bilhões gerados em 2011. O valor, em cinco anos, representará metade dos gastos dos leitores com literatura, segundo a consultoria. No mercado global, os e-books e livros didáticos digitais devem responder por US$ 48 bilhões em vendas até lá. A PwC calcula que receita com livros digitais na América do Norte aumentará muito, enquanto em outras regiões, como América do Sul e África, pouco irá mudar.

PublishNews | 27/06/2012 | Com informações do Revolução eBook

10º Salão do Livro de Imperatriz recebe palestra sobre eBooks


Palestra O LIVRO NA ERA DIGITAL será ministrada durante o 10º SaLImp.

Ednei Procópio | Fonte: Maurício Burim/SE

Ednei Procópio | Fonte: Maurício Burim/SE

O livro não é mais lido apenas no papel. Está também onipresente em uma miríade de suportes suspensos e em uma diversidade de aparelhos tecnológicos, móveis e de comunicação. E uma série de meios é o que está transformando definitivamente a realidade dos livros através de uma convergência digital e cultural sem precedentes.

Este é o tema da palestra O LIVRO NA ERA DIGITAL que será ministrada por Ednei Procópio, especialista em eBooks desde 1998, durante o 10º Salão do Livro de Imperatriz. A palestra tratará das emergentes mídias digitais que estão influenciando diretamente no concorrido tempo dos consumidores modernos e transformando o hábito de leitura em todo o mundo.

A palestra O LIVRO NA ERA DIGITAL promete também um review de todo o mercado editorial convencional presente, frente às transformações das mídias digitais, do ponto de vista exclusivamente dos negócios ou da atualização enquanto profissional.

ANOTE NA AGENDA

Dia: 29 de junho de 2012, sexta-feira
Horário: 14h30
Entrada gratuita
Docente: Ednei Procópio, especialista em livros eletrônicos.

ONDE

10º Salão do Livro de Imperatriz
Centro de Convenções de Imperatriz
Imperatriz | MA

Tools of Change Frankfurt Conference 2012


A Feira de Frankfurt e O’Reilly Media trazem oportunidades de networking, com palestras e assuntos envolventes. O TOC Frankfurt acontece pelo quarto ano para aprofundar questões sobre a mudança contínua da indústria de publicações, avaliação de novos modelos para produtos digitais, e assim ajudar os profissionais a melhorarem seu negócio. Com o tema “De transição para a transformação – o ecossistema nas novas edições”, mais de 30 sessões irão abranger os recentes debates sobre e-books padrões, preços, metadados e inovações da cadeia de suprimentos.

Anote na agenda: dia 9 de outubro, no Frankfurt Marriott Hotel, das 8h30 às 18h00. Faça sua inscrição até 31 de julho. Acompanhe a programação completa do TOC no site: http://tocfrankfurt.com.

CBL Informa

FBN tem mais 140 itens na Biblioteca Digital Mundial


A Fundação Biblioteca Nacional teve mais 140 itens de seu acervo digitalizados e incorporados à Biblioteca Digital Mundial, a World Digital Library, maior e mais ambiciosa biblioteca virtual do mundo. Todos os itens – fotografias de uma expedição científica e comercial russa à China, entre 1874 e 1875 – fazem parte de um álbum que integra a Coleção Thereza Christina Maia, doada à Biblioteca Nacional pelo imperador D. Pedro II. A Biblioteca Digital Mundial é formada por raridades de várias partes do mundo, englobando quase todas as civilizações e culturas. A FBN é uma das parceiras mais importantes do projeto, lançado em 2009. As fotos podem ser acessadas aqui.

Ascom FBN | 26/06/2012

O que vem pela frente: globalização e digitalização


Varejistas vão ditar as regras muito mais do que os grandes grupos editoriais, conclui estudo

Dentro do grupo das 54 maiores editoras do mundo, a renda ainda é bastante concentrada: as dez primeiras do ranking detêm mais da metade das receitas. Ano após ano, contudo, a fatia vem diminuindo. Há cinco anos, as dez maiores ficavam com 58,16% da receita total, agora têm 54,02%.

Para os organizadores do estudo conduzido pela Rüdiger Wischenbart Content and Consulting, essa queda pode ser atribuída a dois fatores. De um lado, o desmembramento dos negócios de educação e ciências por parte de algumas grandes editoras. De outro, o crescimento de empresas provenientes dos mercados emergentes. O aumento da receita consolidada dos 30 grupos que ficam entre a 21ª e a 50ª posições reflete isso: ela saltou de 9,9 bilhões de euros em 2007 para 12,9 bilhões em 2011.

Nos últimos dois anos, editoras do Brasil à Coreia, passando pela Rússia e outros países, foram incluídas no ranking. “Elas têm em comum não apenas o fato de que crescem em seus mercados domésticos, como também começam a ser ativas internacionalmente, fazendo parcerias com grupos europeus e norte-americanos, com uma clara ênfase em educação, enquanto o mercado de livros gerais têm um papel menor – talvez com exceção dos livros para crianças e jovens adultos”, afirma o estudo. O levantamento destaca os investimentos em novas tecnologias feitos por grupos emergentes e, ainda, o papel do governo na compra e distribuição de material escolar – com destaque para o Brasil – e também no estabelecimento de metas digitais – o Brasil é citado novamente neste ponto, mas a ênfase é na Coreia, que prevê a digitalização de todos os livros didáticos até 2015.

O Ranking Global destaca ainda que a globalização ainda segue um padrão hierárquico “de centro e periferias”, com grandes grupos europeus e norte-americanos, como Pearson e Hachette, ampliando seus negócios em países como Brasil, China, Índia, Rússia, “e logo, provavelmente, na região do Golfo” e em lugares como México e Indonésia. “Até agora, no entanto, quase não surgiram parcerias horizontais, por exemplo entre empresas chinesas e brasileiras.

O estudo conclui que, diante de tantas novas oportunidades, não se pode camuflar o quão desafiador é criar negócios em economias emergentes, onde as empresas enfrentam “múltiplas ameaças, de infraestrutura precária a pirataria altíssima e turbulências econômicas em geral”.

Quem vai ditar as regras?

Em 2012 e além, a globalização e a digitalização não serão definidas exclusivamente, ou mesmo de forma predominante, pelos grupos editoriais listados neste ranking, mas pela expansão das plataformas que, tradicionalmente, seriam chamadas de varejistas”, afirma o estudo. O exemplo mais claro dessa direção é dado pela Amazon, que assume todos os papeis – publica, vende, aluga, presta serviços para autores, editoras e terceiros, e, claro, aos leitores.

Outras empresas seguem nessa linha, vide Google e Apple abrindo lojas digitais em várias partes do mundo, e também a Barnes& Noble e a Kobo, que estão expandindo sua presença global. Além disso, em mercados tão díspares como a Suécia ou a Índia, há uma série de iniciativas locais investindo para criar uma base de usuários antes que os grandes concorrentes globais entrem no mercado.

Com as ambições dos grupos editoriais líderes do mundo de ampliar sua presença global e não permitir que os varejistas e suas plataformas multifacetadas tomem os mercados internacionais todos para si, e com a digitalização pronta para redefinir o segmento de educação numa escala global, e logo também o de segmento de livros trade, a agitação no mercado editorial e livreiro está apenas começando”, conclui o levantamento.

PublishNews | 26/06/2012

Poetfreak


Haiku é um tipo de poesia japonesa. Mínima, simples e significativa, exatamente como Poetfreak [poetfreak.com], um site responsivo que carrega este tipo de criação poética. O objetivo principal do site é reunir pensamentos e expressões do seu poeta interior, em um lugar seguro e amigável. E parece que deu certo. Com uma comunidade vibrante e ativa, poemas são bom bardeados quase em escala industrial.

Composto por dois pontos de vista principais – uma lista de poemas, e um quadro das ferramentas de criação, comentários ou textos relacionados em celulares e desktops, a página mantém o ar calmo da simplicidade. No iPhone, a leitura fica bem legível, e a função de leitura do Safari minimiza o conteúdo na tela de uma forma eficaz.

O legal é que você pode até começar a escrever um poema sobre como se cadastrar para o app. há apenas dois campos: uma para o título e uma área para o próprio poema. Poetfreak é uma amostra incrível e elegante de experiência multiplataforma.

Por Antony Ribot | Revista W – Ano 12 – N 143

Unglue.it “Liberta” Primeiro Livro do Copyright, após Arrecadar US$ 7.500


Por  | Publicado originalmente em Revolução eBook | 22/jun/2012 | Com informações do Digital Book World e TeleRead.

Um tempo atrás falamos aqui sobre o Unglue.it, startup cujo objetivo é juntar fundos para “liberar” livros de seus direitos autorais, podendo ser distribuídos livremente. Em sua inauguração, o serviço oferecia cinco obras para serem “patrocinadas”.

A empresa anunciou agora que o primeiro livro conseguiu ser bancado. Oral Literature in Africa, um livro de Ruth Finnegan escrito em 1970 será distribuído digitalmente sob a licença Creative Commons e sem DRM.

Após juntarem a quantia de US$7500 através de 259 colaboradores, a editora Open Book Publishers irá produzir e publicar o eBook, que ficar hospedado no site Internet Archive. Do dinheiro, 6% fica para o Unglue [US$450], 3% vai para as companhias de pagamentos via cartão de crédito [US$225].

Desde o final de maio, quando inaugurou com as cinco obras, apenas Oral Literature in Africaalcançou um bom número de contribuidores. O outro livro mais patrocinado está com apenas 6% da cota preenchida. As outras obras precisam de pelo menos US$11 mil para terem seus direitos comprados.

Boa parte do sucesso de patrocínio da obra que será publicada gratuitamente veio logo nos primeiros dias do lançamento, quando a banda Weezer tweetou a respeito do projeto. Os últimos 20% do patrocínio vieram nas últimas 24 horas, quando uma nova campanha surgiu na internet para que o livro fosse liberto.

Por  | Publicado originalmente em Revolução eBook | 22/jun/2012 | Com informações do Digital Book World e TeleRead.

Loja de eBooks do Google chega à Alemanha e Espanha


A França seria o próximo país a receber o Google Play Books

De acordo com diferentes fontes de informação, a loja de livros do Google, Google Play Books, foi aberta na Alemanha e na Espanha nesta semana. Agora, são sete os países em que ela está presente [incluindo Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, Austrália e Itália]. Segundo o Publishers Lunch, a França é o próximo lugar que receberá a loja de e-books do Google. Um porta-voz da empresa disse ao site do Digital Book World que ela está “trabalhando duro para levar mais conteúdo a mais lugares”.

Em diferentes ocasiões, o Google disse que pretendia abrir sua loja de e-books no Brasil ainda em 2012, mas, por ora, não há sinais de que a abertura por aqui é iminente.

PublishNews | 22/06/2012

Agora a cadeia produtiva do livro está integrada à mais rica fonte de metadados


Após finalizar os testes, a CBL já oferece para todas as editoras associadas o sistema CANAL.

O CANAL – Cadastro Nacional do Livro é uma plataforma on–line que disponibiliza a maior base de dados dos títulos publicados e comercializados no Brasil. Alinhando aos padrões internacionais, o modelo de fornecimento e tratamento de dados do CANAL irá definir o modelo de cadastro de livros no País. Editores associados, acessem o canal e cadastrem os títulos de seus catálogos na fonte de metadados acessando o site: http://www.canal.org.br.

“Bibliotecas digitais são tesouros escondidos”


Digitalizadas, as bibliotecas no Brasil e no mundo estão deixando os muros físicos para também se hospedarem na internet. Mas isso não significa que elas estão ficando mais acessíveis. Apesar dos milhares de acervos disponíveis on-line, as bibliotecas digitais ainda são consideradas “tesouros escondidos”.

Segundo Moreno Barros, professor de biblioteconomia da UniRio e mestre em ciência da informação, embora o Brasil esteja investindo alto em projetos de digitalizações, esses acervos ainda não estão ao alcance de todos. “Existe uma excessiva preocupação com imagens em alta resolução, por exemplo, um formato que só atende grandes pesquisadores, pessoas que de uma forma ou outra já estariam dispostas a frequentar o acervo localmente. Isso não é algo ruim, mas é fato que o público leigo tem mais facilidade de acesso quando as imagens estão em menor qualidade”.

O processo de digitalização, segundo Barros, implica na necessidade de uma abordagem diferente, com foco em uma escala maior de usuários para “atingir virtualmente uma audiência diferente daquela que já se atinge fisicamente”.

Milhares de pessoas poderiam estar navegando pela Biblioteca Nacional Digital, pela França no Brasil ou pela Brasiliana, algumas das principais bibliotecas digitais do país, que permitem aos usuários acessar de forma virtual e gratuita seus arquivos. “Quase ninguém conhece esses acervos, ou somente uma pequena parcela da comunidade de pesquisa acadêmica”, garante Barros.

Outros bons exemplos de biblioteca digitais seriam a Biblioteca Digital Universidade Gama Filho e a Biblioteca Nacional Digital. A primeira, lançada em 2011 e considerada uma das maiores do Brasil. Seu acervo aberto contém teses e dissertações de quase 1.500 universidades, bibliotecas unificadas de 62 países e artigos de 48 mil revistas científicas disponíveis on-line para qualquer pessoa, gratuitamente. Já a segunda, pertence a Biblioteca Nacional e é tida como uma das precursoras no processo de digitalização de publicações e acesso a obras via internet.

A digitalização de acervos bibliográficos tem sido um método utilizado, principalmente, como forma de preservar os registros históricos, seja de um grande jornal – como é o caso do Jornal do Brasil, impresso até 2010, e que digitalizou todas as suas publicações; de um periódico local – o centenário jornal Federação, em Itu [SP], que, no ano passado, colocou todo seu acervo na internet –, ou até mesmo a criação de um site para abarcar os cerca 80 mil documentos do cientista Albert Einstein.

Os esconderijos das bibliotecas

Ao pesquisar por uma determinada obra no Google, o sistema de busca tem dificuldade de rastrear as publicações dessas bibliotecas virtuais. Escondidos na internet, os sites das instituições que abrigam grande parte desses acervos virtuais ainda têm navegação precária e softwares não muito amigáveis.

Uma das soluções apontadas por Barros para que usuários encontrem não apenas obras nos acervos digitais, como também nas bibliotecas físicas mais próximas de suas casas, é fazer com que os registros bibliográficos utilizem sistemas de busca mais trabalhados, indexando melhor suas informações na internet. “Se as bibliotecas abrirem seus dados, o Google vai ranquear não apenas os sites de livrarias famosas, mas vai indicar já na primeira página também as bibliotecas físicas mais próximas as casas dos usuários.

Segundo levantamento realizado pelo 1º Censo Nacional das Bibliotecas Públicas Municipais, divulgado em 2010, no país existem em funcionamento, uma média de 2,67 bibliotecas municipais por cada 100 mil habitantes no país. Todas elas poderiam ser mais facilmente encontradas se melhor ranqueadas nos buscadores.

Para isso, o especialista afirma que será necessário, por exemplo, abolir sistemas que dificultem o rastreamento, como é o caso do javascript, uma espécie de página HTML que não possibilita interação dinâmica com o usuário, e funciona como se fosse uma imagem, muito utilizado nos softwares de biblioteca.

Outra alternativa apontada por Barros, que facilitaria a vida do usuário que busca por um ranking de bibliotecas, é a criação da versão brasileira do WorldCat, uma das principais redes de bibliotecas do mundo, que indica ao usuário onde encontrar livros, CDs, vídeos, resumos de artigos e versões digitais de itens raros nas bibliotecas mais próximas de suas casas.

Para conhecer as principais bibliotecas digitais brasileiras e internacionais, veja a lista indicada por Barros. O especialista, inclusive, tem um projeto para ajudar pessoas a redescobrir e reaprender o significado das bibliotecas na era do Google e do iPad. Para começar, ele propõe um encontro para ensinar as pessoas a economizar dinheiro usando essas bibliotecas. A proposta está em busca de financiamento, via crowdfunding, na plataforma no Nós.vc.

Portal Porvir | O Estado de S. Paulo | 21/06/2012

Entenda o Livro Digital & Questões Práticas do Mercado


Eduardo Melo ministra curso no Rio de Janeiro no mês de julho

A Simplíssimo organiza para 17 de julho o curso “Entenda o Livro Digital & Questões Práticas do Mercado”, que vai ser ministrado por Eduardo Melo, diretor-executivo da Simplíssimo e editor-chefe do Revolução eBook. A atividade acontecerá das 9h30 às 18h, na Informaker [Rua da Candelária, 83, Centro – Rio de Janeiro/RJ]. Quem fizer inscrições até amanhã, 22, paga 40% menos do que o preço normal: R$ 290, ao invés de R$ 490. Para quem se inscrever até 6 se julho, o preço também é menor: R$ 390. Inscrições podem ser feitas pelo email sac@simplissimo.com.br ou pelo site da Simplíssimo, onde você também confere a programação completa.

PublishNews | 21/06/2012

Unesp lança biblioteca digital


Arquivo contempla livros, jornais, coleções e reproduções de obras de arte

Já está em funcionamento a Biblioteca Digital da Unesp, que disponibiliza gratuitamente, em formato digital, acervos que pertencem ao sistema de bibliotecas e aos centros de documentação da universidade. O acervo está dividido em quatro grandes núcleos, com materiais de naturezas diversas: a Hemeroteca reúne periódicos; a área de Livros tem obras selecionadas dos acervos e coleções especiais da universidade, incluindo títulos de diversas áreas anteriores a 1900; o núcleo História de São Paulo reúne documentos da trajetória paulista, entre eles uma coleção de 95 manuscritos; já em Artes Visuais, os usuários encontram imagens digitais de obras de arte públicas – arquitetura, escultura, pintura – para uso didático, sem fins lucrativos. A iniciativa, realizada em parceria com a Biblioteca Nacional, o Arquivo Público do Estado de São Paulo e a Biblioteca Mário de Andrade, possibilitou também a reprodução de material pertencente a essas instituições públicas.

PublishNews | 21/06/2012

76% das bibliotecas nos EUA alugam eBooks


Quase 40% também fazem aluguel de dispositivos de leitura

Mais bibliotecas estão alugando material digital nos Estados Unidos, segundo informação divulgada pela American Library Association e reproduzida pelo site The Digital Reader. De acordo com a pesquisa anual da entidade, 76% das bibliotecas alugavam e-books e audiobooks em 2011, contra 67% no ano anterior. Uma parte maior das instituições também está fornecendo aluguel de dispositivos de leituras [os e-readers] para usuários: 39%, contra 28% anteriormente. A pesquisa foi conduzida em outubro de 2011.

PublishNews | 21/06/2012

Penguin volta a oferecer eBooks em bibliotecas


Editora vai disponibilizar títulos novos seis meses após terem sido lançados

Mais de quatro meses após ter retirado seus lançamentos digitais das bibliotecas americanas, a Penguin vai voltar a oferecê-los em agosto em duas instituições: a Biblioteca Pública de Nova York e a Biblioteca Pública do Brooklyn, por meio de um programa piloto de um ano, que poderá ser renovado. O acordo com as bibliotecas diz que elas poderão alugar 15 mil títulos do “frontlist” da Penguin, mas apenas seis meses depois de eles terem sido lançados. Tim McCall, vice-presidente de marketing e vendas on-line da companhia, disse ao Wall Street Journal que esse embargo tem o objetivo de “evitar que os e-books nas bibliotecas diminuam outras vendas”. Já o prazo de validade de um ano foi “planejado para imitar a vida útil de um livro impresso na prateleira”. As informações são do Publishers Lunch. Outras editoras já reviram suas políticas de venda de e-books a bibliotecas, como a Random House, que aumentou significativamente seus preços, e a HarperCollins, que limitou o número de alugueis a 26 por cópia.

PublishNews | 21/06/2012

Os bárbaros à nossa porta


Por Greg Bateman | Publicado originalmente em Publishnews | 20/06/2012

Estou sentado dentro de um Starbucks na Avenida Paulista, escrevendo no meu MacBook e bebendo meio litro de café. Super gringo, não?

Ao ver que a venda de e-books acaba de ultrapassar a venda de livros de capa dura nos Estados Unidos, alguém poderia dizer que e-books são tão americanos quanto o baseball, o hambúrguer e o Starbucks. Mas, afinal, eles são um movimento global ou apenas um passatempo de gringo?

Depois de conversas com dezenas de editoras no Brasil, poderia ser dito que elas estão fadadas ao fracasso. Poucas incluíram os e-books em sua linha de produtos e têm direitos para publicação digital acertados com autores, e a simples menção da Amazon evoca a imagem de bárbaros empunhando tochas às portas da cidade prestes a incendiá-la.

Mas, do ponto de vista do consumidor, o Brasil parece ser o próximo mercado de e-books que vai decolar. De todos os principais mercados no mundo, os brasileiros são os mais interessados em comprar um e-book. Veja os resultados de uma pesquisa recente da RR Bowker:

Fonte da imagem: Arawass

*Em azul: porcentagem de consumidores que muito provavelmente comprarão e-books

*Em vermelho: porcentagem de pessoas que provavelmente comprarão e-books

Uma ressalva que ouço com frequência é que os e-readers são muito caros no Brasil. Leitores, editoras e varejistas, todos citam a inexistência de uma plataforma de leitura a um preço acessível como sendo o grande obstáculo ao mercado de e-books. Quando chega mesmo aquele Kindle de R$ 199?

Talvez ainda não tenhamos nos dado conta de que, na verdade, estamos carregando um e-reader aonde quer que a gente vá. E que temos um à nossa frente cada vez que sentamos à mesa no escritório. Um deles até vai para a cama com a gente. Com tantos smartphones, PCs e tablets de baixo custo, temos uma plataforma de leitura em qualquer lugar e sempre que queremos acessar [ou, melhor ainda, compra] literatura. A utilização da internet está chegando a 50% e, diante de tantas soluções de leitura baseada em HTML, céticas quanto ao uso de aparelhos específicos, eu diria que mais brasileiros “poderiam” acessar livros digitais do que livros impressos.

Agora que já existe um público faminto por e-books e acesso a plataformas de leitura digital, o que falta? Conteúdo.

Talvez a gente descubra que, ao invés de construir muros mais altos em volta da cidade, o melhor jeito de impedir os bárbaros de destruí-la seja deixá-los entrar, com bom conteúdo e um pedido gentil para que deixem as tochas do lado de fora da porta.

Greg Bateman

Greg Bateman

Por Greg Bateman | Publicado originalmente em Publishnews | 20/06/2012

Greg Bateman, expert em tecnologia e empreendedor do negócio de e-books, é conhecido pelo seu envolvimento na criação de produtos extremamente bem-sucedidos, como os smartphones da Samsung e o Kindle, da Amazon. Na Vook, ele desenvolveu uma eficiente cadeia de produção de centenas de e-books por semana. Greg, que nasceu nos Estados Unidos, viveu nove anos no exterior, onde intermediou várias parcerias envolvendo Coreia, China, Japão e EUA. Hoje mora no Brasil, em São Paulo. Ele é pesquisador visitante da Universidade de Tóquio, tem duas graduações pela Universidade da Califórnia em Berkeley [engenharia elétrica/ciência da computação e literatura japonesa] e um MBA pela Columbia Business School.

A coluna E-Gringo discute a fundo o negócio e o lado técnico dos e-books a partir de uma perspectiva global. Às quartas-feiras, quinzenalmente, ela vai apresentar plataformas e tendências do mundo todo e, claro, do Brasil. Para enviar comentários, escreva para greg@hondana.com.br .

eBooks e apps para mercado editorial


Aulas ocorrerão na Estação das Letras no mês de agosto

A Estação das Letras está com inscrições abertas para o curso “E-books e aplicativos para mercado editorial”. As aulas ocorrerão nos dias 4 e 11 de agosto, aos sábados, das 10h às 16h, e terão como professor o especialista em mercado audiovisual e facilitador de treinamentos de softwares de vídeo Apple, Bruno Valente. No curso será abordada uma breve história dos e-books e dos apps, erros e acertos na produção de ePubs e aspectos financeiros dessas publicações. O investimento é de R$ 650. As reservas podem ser feitas através do telefone 21 3237-3947. A Estação das Letras fica na Rua Marquês de Abrantes, 177, Flamengo – Rio de Janeiro/RJ.

PublishNews | 20/06/2012

No primeiro trimestre, eBooks subiram 28%


Dado vale para os meses de janeiro, fevereiro e março nos EUA

Só em março, as vendas de todos os segmentos de livros impressos – menos o de livros infantis – caíram nos Estados Unidos, segundo informações da American Association of Publishers divulgada na sexta-passada. As vendas de e-books adultos subiram 33% no mês, para US$ 86,3 milhões. No geral, as vendas de livros adultos caíram 11,6%, devido à queda dos impressos. Já no primeiro trimestre deste ano, de janeiro a março, os e-books cresceram 28% e suas vendas chegaram a US$ 282,3 milhões.

Segundo números reproduzidos em sites [veja aqui], a partir dos dados da AAP, esse segmento ultrapassou a venda de livros de capa dura nos Estados Unidos, que vendeu US$ 229,6 milhões nos primeiros três meses do ano, com alta de pouco mais de 2%. Já as vendas de paperbacks tiveram redução acima de dois dígitos. Audiobooks, acessíveis por download, cresceram 32% no trimestre, para US$ 25 milhões. Veja mais detalhes no site da Publishers Weekly.

PublishNews | 20/06/2012

Amazon lança portal de apps internacional


Desenvolvedores de diferentes países podem enviar aplicativos a partir de hoje

A Amazon anunciou que desenvolvedores de aplicativos de diferentes países podem enviar, a partir de hoje, seus produtos à empresa, por meio do Amazon Mobile App Distribution Portal. Neste primeiro momento, segundo a companhia, podem participar desenvolvedores do Reino Unido, Alemanha, França, Itália e Espanha, “com planos de uma maior expansão global no futuro próximo”. No seu portal de aplicativos dos Estados Unidos, a Amazon diz ter reunido dezenas de milhares de produtos em apenas um ano. É um esforço voltado para fornecer conteúdo aos usuários de seus tablets Kindle Fire.

PublishNews | 20/06/2012

Receita da B&N cresce 2%; digital sobe 45%


Empresa divulgou resultados da área digital separadamente

A Barnes & Noble, maior rede de livrarias dos Estados Unidos, divulgou ontem os resultados de seu ano fiscal, que terminou em 28 de abril. A receita total da empresa subiu 2%, para US$ 7,1 bilhões, em relação ao ano anterior. A receita do Nook, divisão de negócios digitais que engloba a venda dos aparelhos, subiu 45%, para US$ 933 milhões. Só a venda de conteúdo digital saltou 119%, para US$ 483 milhões. No segmento de varejo, que inclui as lojas físicas da B&N e o site BN.com, a receita foi de US$ 4,9 bilhões, com queda de 1,5%. Em comunicado divulgado ontem, a companhia informou que a parceria estratégica anunciada com a Microsoft para criar a nova subsidiária Newco está “em processo de implantação do trabalho necessário para completar a separação e fechar a transação com a Microsoft”.

PublishNews | 20/06/2012

Ciência Hoje disponibiliza acervo gratuito


Ação comemora os 30 anos da publicação e do Instituto Ciência Hoje

O Instituto Ciência Hoje, em comemoração aos seus 30 anos e ao aniversário da Revista Ciência Hoje, lança um acervo digital gratuito com todas as suas publicações. O arquivo ficará aberto por três meses. O conteúdo da revista tem registros de fatos científicos importantes que ocorreram no Brasil e no mundo de 1982 a 2012. Por meio do site, os leitores vão encontrar matérias sobre meio ambiente, biologia, história, física, sociologia, antropologia, química, astronomia, entre outros.

PublishNews | 19/06/2012

Microsoft lança o tablet Surface e tenta fazer frente ao iPad, da Apple


Microsoft Surface Tablet

Microsoft Surface Tablet

Desafio. Lançamento da empresa de software traz novidades que não estão presentes nem mesmo no iPad, como uma capa que também funciona como teclado, além de marcar um distanciamento da Microsoft da estratégia que costuma usar no mercado de PCs

Com dois anos de atraso, a Microsoft, conhecida por seu domínio no desenvolvimento de softwares para PCs, apresentou ontem o Surface, um tablet com o objetivo de competir com o iPad, da Apple, ou pelo menos conquistar uma fatia do mercado em um dos setores de maior crescimento na tecnologia.

Diferentemente de outros tablets, o Surface traz inovações ausentes mesmo do iPad. A principal delas é uma capa que funciona como teclado. Há também um minitripé de suporte que, ao ser montado, praticamente transforma o aparelho em um laptop ainda mais leve do que o Macbook Air.

Quando o sistema operacional Windows 8 for lançado no fim do ano, a expectativa é de que o tablet rode o pacote de aplicativos Office. Se esse objetivo for atingido, o tablet terá uma enorme vantagem comparativa em relação ao iPad, especialmente para pessoas que queiram usar o aparelho para trabalhar.

Por enquanto, não há definição de preço ou data exata para o lançamento. O mais provável é que o custo seja similar ao dos concorrentes e as lojas comecem a vender duas versões, no outono do Hemisfério Norte, com 32 e 64 gigabytes [GB] usando o Windows RT. O Surface de 128 GB viria mais tarde, apenas depois de o Windows 8 ser implementado. Uma das versões terá o chip da Intel. Outra virá com processador de tecnologia ARM. Sua tela tem 10,6 polegadas.

“Nós acreditamos que qualquer interação entre os seres humanos e as maquinas podem ser feitas apenas quando toda a experiência – hardware e software – trabalham juntas”, disse o presidente da empresa, Steve Ballmer, ao apresentar o produto em Los Angeles. A declaração é irônica pois foi sempre a Apple, e não a Microsoft, que manteve a tradição de fabricar ambos.

O lançamento é do Surface é um divisor de águas para a empresa fundada por Bill Gates. A Microsoft historicamente se concentrou no desenvolvimento de software, deixando a parte do hardware para outras empresas como a Dell, a Sony e a HP. Um dos poucos aparelhos de sucesso da empresa é o videogame Xbox.

O anúncio gerou otimismo entre os investidores. Analistas, porém, ainda não têm condições de avaliar o Surface, porque apenas um protótipo do hardware foi apresentado.

Há pouco mais de um mês, a Microsoft também havia decidido entrar no mercado de e-readers ao anunciar uma joint venture com a Barnes & Noble, fabricante do Nook, segundo colocado no setor, atrás apenas do Kindle, da Amazon.

O evento de lançamento do Surface foi cercado de mistério, com “fontes” revelando informações seletivamente para a imprensa nos dias anteriores, como acontece com os anúncios da Apple. A Microsoft buscou mostrar que já tem tradição em hardware, lembrando que fabrica teclados e mouses.

Mercado. Atualmente, a Apple domina o mercado dos tablets com 62,5% das vendas. Os aparelhos que usam o sistema Android, do Google, têm 36,5%. O mercado deve crescer 54,4% neste ano, com 107 milhões e unidades vendidas. Já no setor de PCs, haverá uma alta de 5% para 383 milhões de unidades.

Estadão.com.br | 19 de junho de 2012 | 3h 05

Google e editoras francesas têm acordo sobre digitalização de livros na Internet


Gigante norte-americana quer digitalizar todos os livros do mundo até ao final da década apesar das queixas recorrentes em tribunais. Fotografia: AFP

Gigante norte-americana quer digitalizar todos os livros do mundo até ao final da década apesar das queixas recorrentes em tribunais. Fotografia: AFP

A Google conseguiu finalmente chegar a um acordo com o Sindicato Nacional da Edição [SNE] francês, para a digitalização de obras de autores franceses e a sua disponibilização no serviço de livros Google Books, informou ontem a Reuters.

De acordo com a agência, até aqui a França opunha-se à passagem dos livros para o universo online da Google e levou a tribunal, em diversas ocasiões, a empresa norte-americana.

Nos últimos anos, a Google digitalizou diversos livros franceses disponíveis em bibliotecas norte-americanas sem autorização dos autores nem das editoras, o que levou a um braço de ferro nos tribunais ente as editoras francesas e a gigante norte-americana. Em 2009, a Google acabou mesmo por ser condenada ao pagamento de uma multa por violação dos direitos de autor.  Este é o segundo acordo que acontece em França, um dos países europeus que mais tem batalhado para proteger os direitos dos seus autores e editores, depois de no ano passado a Hachette Livre ter permitido a digitalização e venda online de mais de 40 mil livros, dos quais milhares não estão comercialmente disponíveis, mas estão abrangidos pelos direitos de autor.

Muitas das obras digitalizadas, por serem antigas, já se encontravam esgotadas, estando a partir de então disponíveis para venda na plataforma da Google.

Com este novo acordo, assinado na segunda-feira e que, segundo a SNE, “respeita os direitos de autor”, a França passa a ter mais autores e editoras representados no serviço da Google.

Este anúncio marca um avanço positivo para actualizar a herança impressa de França no âmbito dos direitos de autor e contribui para alargar a disponibilidade de livros digitais”, escreveu o Sindicato Nacional da Edição, que representa cerca de 600 editoras e seis mil autores franceses e francófonos.

Segundo o acordo, as editoras é que decidem que livros são digitalizáveis e se são para venda ou não, ficando salvaguardado que se as editoras quiserem podem solicitar a retirada de uma obra já digitalizada.  “Cabe agora a cada editora decidir se quer ou não estabelecer um acordo com a Google sobre os direitos de autor”, disse à BBC Antoine Gallimard, presidente da SNE, explicando que as receitas das vendas das obras vão ser divididas entre a Google, as editoras e os autores. Nos Estados Unidos têm sido recorrentes as queixas em tribunais contra a empresa norte-americana, que quer digitalizar todos os livros do mundo até ao final da década. Até agora, a empresa Google conta já com mais de 20 milhões de obras digitalizadas.

Publicado originalmente em Jornal de Angola |  16/06/2012

Contexto se desliga da ABDR após o caso do Livros de Humanas


Em nota no blog da Contexto, o diretor e fundador da editora Jaime Pinsky informou que a casa não é mais filiada à Associação Brasileira de Direitos Reprográficos [ABDR]. O desligamento, segundo o texto de Pinsky, foi uma reação à forma como foi conduzida a ação judicial da ABDR que determinou o fechamento do site Livros de Humanas, que disponibilizava mais de dois mil títulos para download gratuito incluindo obras protegidas pela Lei de Direitos Autorais. A ação explicitava o nome da Forense e da Contexto, o que acabou provocando protestos na internet a favor do site e contra as editoras. Pinsky afirma que “nossa preocupação sempre foi ‘promover a circulação do saber’ – não por acaso o próprio lema da Editora Contexto”. Segundo ele, “1- em nenhum momento pedi que o site fosse tirado do ar; e 2 – solicitei, por escrito, a desfiliação de nossa editora da ABDR”. Leia o texto na íntegra. Nesta semana, Ivana Jinkings, editora da Boitempo, também se manifestou contra o fechamento do Livros de Humanas no blog da editora. Leia aqui.

PublishNews | 15/06/2012

Projeto Escritores do Bem vira livro digital


Primavera Editorial incentivou escritores a produzir textos inéditos sobre organizações não governamentais

O projeto Escritores do Bem, desenvolvido pela Primavera Editorial, ganhou uma versão em e-book que está disponível para download gratuito. Com ilustrações de Lolla Angelucci e coordenação editorial da Printec, o livro tem textos inéditos dos escritores Léa Michaan, Núria Torrents, Gilberto Abrão, Luis Eduardo Matta e Stella Kochen Susskind sobre organizações não governamentais que atuam nos quatro cantos do país. A obra está associada ao movimento colaborativo A Corrente do Bem [Pay it Forward Day], cuja proposta é motivar as pessoas a incluir práticas de gentileza e generosidade no cotidiano. Para concretizar a iniciativa no Brasil, houve mobilização para criar uma rede colaborativa de profissionais e empresas de várias áreas, que atuam como voluntários.

PublishNews | 15/06/2012

Tá “craude” na prateleira


Por Julio Silveira | Publicado originalmente em PublishNews | 14/06/2012

Para se destacar da multidão, autores estão usando o poder das massas

A internet, com as ferramentas de publicação digital, resolveu [ou promete resolver] muitos dos problemas enfrentados por quem escreve. Primeiro, ela “furou” o bloqueio das editoras, permitindo a qualquer um publicar e distribuir um livro, não requerendo prática ou habilidade, por meio de um variado cardápio de autopublicação [Amazon, Smashwords, Lulu, Per Se etc]. Segundo, ela proveu um serviço muito mais eficiente e muito mais barato do que a divulgação tradicional [propaganda e publicidade]: as redes sociais. O problema que ela não resolveu — e que talvez tenha justamente agravado – é o da visibilidade. “A obscuridade é a maior ameaça aos autores e aos criadores”, disse Tim O’Reilly, diretor da editora que leva seu sobrenome, na vanguarda dos recursos digitais na publicação.

“Mais de 100 mil livros são publicados a cada ano [só nos EUA], com milhões de exemplares impressos, porém menos de 10 mil entre esses novos livros terão alguma venda significativa, e somente uns 100 mil livros impressos chegarão a uma livraria. […] O autor acha que conseguir ser publicado é a realização de um sonho, mas, para tantos, é só o começo de uma longa decepção.

Como não descobriram a fórmula para o “boca a boca”, a obscuridade continuará a ser um problema sem resposta. Mas uma ferramenta criada para atender outra necessidade está conseguindo “desobscurecer” alguns livros e autores: o crowdfunding. Basicamente, a “verba da multidão” é um sistema pelo qual se vendem cotas de um produto que ainda não foi lançado, em troca de “recompensas” que vão desde um “obrigado” até um jantar íntimo com o criador. É um esforço coletivo e social, conectando diretamente quem cria a quem consome a criação. Sites de Crowdfunding, como Kickstarter e, no Brasil, o Catarse, já vêm viabilizando livros, como este [que eu apoio e para o qual, a propósito, peço seu apoio]. O sistema já se sofisticou a ponto de existirem sites para levantar fundos exclusivamente para livros, como o Unbound, e ainda mais específicos, como o Crowdbooks, voltado a livros de fotografia. [Ou ainda o idealista Unglue, que quer levantar dinheiro para “alforriar” livros já publicados, isto é, pagar aos autores para trocar o copyright por licenças Creative Commons não comerciais].

O que os escritores mais espertos já notaram é que o Crowdfunding vai muito além do papel de financiador. O que se obtém ao fim de uma campanha é visibilidade. O processo de “viabilizar” o livro através de contribuições é semelhante a uma guerra de trincheiras. O autor vai alastrando seu projeto por sua rede de amigos virtuais, e daí para os amigos dos amigos, recorrendo a todas as armas da mídia social para engajar “apoiadores”. Quem compra um produto que corre o risco de não chegar a existir [se não atingir o valor mínimo] sente-se ainda mais compelido a promovê-lo em sua própria rede social. O processo é rizomático e o efeito é exponencial. Antes mesmo de o livro ser lançado, o público já ouviu falar [bem] dele.

O sistema não é muito diferente da antiga prática de assinatura, onde as editoras coletavam assinantes que pré-compravam uma obra, viabilizando sua impressão — e criando expectativa no público leitor. Foi assim, por exemplo, que Ulisses de Joyce foi editado. [Quando a livreira Sylvia Beach mandou um folheto de pré-venda para Bernard Shaw, recebeu uma resposta desaforada: “se você acha que um velho irlandês gastaria 150 francos em um livro, você não conhece meus compatriotas”. Joyce, deliciado, mandou imprimir a resposta, mas acrescentou: “se você acha que um velho irlandês não gastou — anonimamente — 150 francos em um livro, você não conhece meus compatriotas”].

Fora do Crowdfunding, alguns serviços prometem aquele empurrãozinho que falta para o escritor tirar seu romance da gaveta, por meio da vitrine da comunidade leitora. É o caso do Wattpad, que se autointitula o “YouTube da escrita” e que captou este mês US$ 17 milhões com investidores. Seu único serviço oferecido é a possibilidade de colocar a obra à vista de leitores virtuais. Uma série de estímulos, como concursos, medalhas e resenhas em vídeo, é empregada para mobilizar a comunidade, e estatísticas de leitura fazem a alegria do escritor compulsivo obsessivo.

Contudo, sites como o Wattpad não permitem ainda ao escritor social a efetiva publicação de seu futuro best-seller. Esse hiato entre escrever socialmente e publicar talvez seja preenchido em breve pela Kobo. A loja de e-books que corre, com agilidade, por fora do confronto titânico Amazon e Apple, está para lançar uma plataforma de autopublicação, que promete não ser “só mais uma”. A ideia é “fazer da escrita um jogo”, e imbricar todo o processo de escrita, publicação e divulgação com as redes sociais, dando visibilidade e aumentando um pouco as chances de o livro não mofar nas estantes digitais.

Alguém precisa criar logo um site que integre exposição, financiamento e publicação, onde o escritor entre com o manuscrito — ou só uma ideia! — e saia com um livro bem divulgado e já rendendo — tudo por meio do crowdfunding. Aliás, acho que eu mesmo vou fazer esse site. E abrir um crowdfunding para custear o desenvolvimento. Quem aí quer uma cota?

Por Julio Silveira | Publicado originalmente em PublishNews | 14/06/2012

Julio Silveira é editor, formado em Administração, com extensão em Economia da Cultura. Foi cofundador da Casa da Palavra em 1996, gerente editorial da Agir/Nova Fronteira e publisher da Thomas Nelson. Desde julho de 2011, vem se dedicando à Ímã Editorial, explorando novos modelos de publicação propiciados pelo digital. Tem textos publicados em, entre outros, 10 livros que abalaram meu mundo e Paixão pelos livros[Casa da Palavra], O futuro do livro [Olhares, 2007] e LivroLivre [Ímã]. Coordena o fórum Autor 2.0, onde escritores e editores investigam as oportunidades e os riscos da publicação pós-digital.

A coluna LivroLivre aborda o impacto das novas tecnologias na indústria editorial e as novas formas de relacionamento entre seus componentes — autores, agentes, editores, livrarias e leitores. Ela é publicada quinzenalmente às quintas-feiras.

Claro lança biblioteca virtual


A Claro lançou oficialmente o serviço de biblioteca virtual que permite aos clientes ler até três livros por semana ao custo de R$ 3,99. Há, por enquanto, 1.500 títulos subdivididos em 11 categorias: artes, autoajuda, biografia, direito, literatura brasileira, medicina e saúde, infantojuvenil, religião, filosofia, obras gerais e ciências sociais. “Em uma pesquisa realizada com usuários de smartphone, foi identificado que 57% dos usuários utilizam o aparelho para leitura e o lançamento desse serviço vem atender esse público”, disse Fiamma Zarife, diretora de serviço de valor agregado da operadora, segundo um comunicado divulgado hoje.

A Xeriph é a agregadora digital que fornece os títulos. Por enquanto são dez editoras envolvidas, mas o objetivo é “aumentar bastante esse número”, segundo Duda Ernanny, diretor executivo da Xeriph. “É algo muito, muito novo para as editoras, então resolvemos iniciar com dez. Mas nosso objetivo é disponibilizar o máximo de conteúdo possível e incluir duas ou três editoras novas por mês”, diz o executivo. A Xeriph congrega hoje, no total, 200 editoras e dez mil títulos.

A assinatura do Claro Leitura custa R$ 3,99 por semana. Já a assinatura dos conteúdos literários via SMS e MMS sai por R$0,29 e R$0,50 por mensagem, informou a empresa. A Claro tem 61 milhões de clientes no país.

O aplicativo do serviço é compatível com aparelhos e tablets com sistema operacional Android. Em breve, outros sistemas operacionais também estarão disponíveis, segundo a Claro. Depois que os usuários baixam os arquivos dos livros, é possível ler mesmo sem acesso à internet.

Batizado de Claro Leitura, o serviço rivaliza com a Nuvem de Livros, do grupo Gol, que oferece acesso à sua biblioteca aos clientes da Vivo pelo preço de R$ 0,99 por semana. A diferença entre os dois é que o primeiro permite baixar arquivos e ler mesmo sem conexão com a internet, enquanto o segundo exige a conexão.

Editoras que participam do Claro Leitura:

– Zahar
– Caki
– Dracaena
– Dublinense
– Não Editora
– Outras Letras
– Grupo Oxigênio
– KBR
– Todo Livro
– Revan

Por Roberta Campassi | PublishNews | 14/06/2012

Smartphones e tablets ajudam a alfabetizar jovens e adultos


Usados para a comunicação e a troca de informações por pessoas de todas as idades, aparelhos como smartphones e tablets também podem ser ferramentas educativas. Os aparelhos são úteis em atividades de alfabetização, no ensino de matemática ou de uma língua estrangeira.

Cofundador da Anhanguera Educacional, o matemático José Luis Poli constatou, em visitas a escolas voltadas para o público jovem e adulto, que muitos alunos de faixa etária avançada, embora analfabetos, possuíam celulares e dominavam bem os mecanismos do aparelho. A observação deu início a elaboração do que hoje é chamado de Palma [Programa de Alfabetização na Língua Materna].

Em 2009, o professor de matemática se desvinculou da Anhanguera para se dedicar ao projeto que prevê aos participantes a alfabetização, o ensino básico de matemática e de ciência – que envolve lições de higiene, saúde e qualidade de vida -, por meio do smartphone. Em abril do ano passado, 160 alunos começaram a testar o software desenvolvido para os celulares, que usa a combinação de sons, letras, números e imagens como método de ensino.

O projeto piloto está sendo implantado em colégios públicos de São Paulo, localizados em cidades como Araras, Campinas e Franca. Os participantes do Palma são na sua maioria trabalhadores, na faixa etária entre os 20 e 30 anos e do sexo feminino. “São pessoas com uma dura jornada de trabalho que têm pouco tempo disponível para o estudo. O objetivo de promover educação por um smartphone é também na facilidade que ele oferece aos alunos em realizarem exercícios em suas horas vagas como nas refeições ou deslocamentos durante o dia“, explica o mentor do programa.

Os alunos recebem gratuitamente os smartphones, por onde acessam o programa diariamente. O desempenho deles é medido ao final de cada atividade, através de um sistema de monitoramento instantâneo, via mensagem SMS. Com isso, o professor tem o mapa individualizado de sua aprendizagem. O educador recebe um treinamento sobre como funciona a metodologia do Palma antes de iniciar seus trabalhos. Durante as aulas, eles deixam, no primeiro momento, os participantes interagirem individualmente com o sistema do celular, para depois passar as lições programadas para o dia.

Acredito no potencial das tecnologias como um instrumento de educação por oferecerem grandes facilidades de aprendizado, serem capazes de motivar o estudante, uma vez que o aluno se identifica com o aparelho e, portanto, deixarem as aulas dos professores mais atrativas“, defende Poli.

O professor de Metodologia do Ensino de Língua Portuguesa e de Alfabetização da USP Claudemir Belintane também acredita que os recursos desses meios podem contribuir para a formação de um aluno, mas ressalta a necessidade de cuidados especiais. “Abraçar as tecnologias sem cuidados pode significar a desestruturação de uma escola, de um curso ou de um programa”, alerta.

A introdução de aparelhos tecnológicos nas salas de aula é um fenômeno estudado por Belintane há cerca de 15 anos. Seus estudos são aplicados a alunos do ensino fundamental e passados a estudantes de graduação. Em pesquisa recente, constatou que os tablets podem servir como uma ferramenta facilitadora a crianças com dificuldades de aprendizagem na escrita. Conforme a análise, o touchscreen, que permite arrastar objetos, estende o potencial de expressão e memória, exercícios que ajudam nesse aprendizado.

Estudos como esse fazem o professor da USP defender o uso de tecnologias nas instituições de ensino, desde que elas sejam aplicadas de forma a expandir as capacidades preexistentes dos estudantes e não como uma fórmula mágica do conhecimento. “É preciso lembrar que um recurso potente como o computador não substitui e nem diminui a necessidade de esforços na aprendizagem. Para aprender, é necessário primeiro de esforço e dedicação“, conclui.

Língua estrangeira é ensinada no celular

A Ezlearn, empresa de tecnologia educacional fundada em 2009, iniciou há cerca de dois meses um curso de inglês e espanhol pelo celular. O conteúdo é passado por SMS, e o tempo do treinamento é de quatro meses. Durante esse período, o aluno responde a perguntas, também por SMS, para avaliar o seu desempenho e possibilitar a adequação do curso conforme o seu nível de aprendizado.

A ideia do projeto surgiu da constatação da crescente aquisição de dispositivos móveis, sendo que um dos públicos que mais consome esses aparelhos no Brasil é a classe C. Com o custo de R$ 0,99 por semana, a capacitação foi desenvolvida justamente para essa parcela da população brasileira. “Há uma demanda muito grande da classe média em se profissionalizar ainda mais com a aproximação de eventos que ocorrerão no país como a Copa do Mundo e as Olimpíadas“, afirma a presidente da Ezlearn, Ana Gabriela Pessoa.

Portal Terra | 14/06/2012