Para editoras e livreiros


Por Camila Cabete | Texto publicado originalmente em PublishNews | 31/05/2012

Esta não é uma declaração, nem carta aos queridos colegas de trabalho. Mas só um brainstorm… Resolvi listar, em dois tópicos, tudo o que cada um deve ou pode [depende de seu ponto de vista] fazer com sua “carga” digital. Vamos falar em linguagem metadática, ok? [Acabei de inventar isso…] Quis dizer que não vou me aprofundar, só jogar no ar muitas coisas que venho estudando, falando e vivenciando.

Para as editoras:

– Distribuir livros em seu próprio site com DRM social.
– Distribuir um livro de graça com patrocínio de alguma empresa privada.
– Distribuir de graça um livro com subsídio de uma empresa parceira.
– Transformar a pré-venda em um aplicativo com três capítulos de graça [depois dá para vender espaços dentro do aplicativo – as empresas já separam orçamento de marketing para isso, sabia?].
– Fazer de um livro infantil um minigame em formato aplicativo.
– Fazer vendas institucionais. Sabia que o governo compra? Sabia que empresas privadas compram?
– Enviar os exemplares para imprensa e professores em formato digital [muito mais barato!].
– Vender o e-book com um tweet [procure no Google “compre com um tweet”].
– Melhorar seus contratos de edição, já prevendo várias possibilidades de comercialização, aluguel, e o que o mais for possível.
– Usar agregadores para centralizar o controle e distribuir com eficiência seu acervo.
– Fechar ações de marketing com os lojistas ebookeiros.
– Conhecer seus lojistas, ter o Skype deles, conhecer pelo nome.
– Não restringir a venda de seus e-books. Se um blog está sob a chancela de um agregador, o que o impediria de vender? Elitização de acervo é coisa do impresso, gente!
– Coloque seu frontlist em digital!

Para os ebookeiros [lojistas de e-books]

– Estude o mercado.
– Saiba quem é seu público.
– Paguem por marketing, vocês vivem disso!
– Fechem parcerias com blogs, formadores de opinião.
– Premie.
– Fechem vendas corporativas. As editoras precisam de loja que entregue o conteúdo.
– Trabalhem as mídias sociais, façam promoções, sorteios, competições…
– Procurem instituições de ensino, fechem convênios.
– Façam cartões com códigos para os clientes presentearem com e-book, ou façam lançamentos de autores com cartões, com espaço para o autógrafo. Aluguem um bom espaço cultural para isso.
– Façam lançamentos on-line, via stream.
– Tenham um bom atendimento, sempre!
– Ofereçam serviços! Usem a criatividade!
– Trabalhem pensando em soluções para dispositivos móveis.

O mais importante disso tudo é quebrar paradigmas, conhecer seu produto, consumir [pelo amor dos deuses! Consuma para saber do que estamos falando!]. Use a mente para rentabilizar seu negócio. Aproveitem para serem pioneiros. Ainda há chance.

Por Camila Cabete | Texto publicado originalmente em PublishNews | 31/05/2012

Camila Cabete [@camilacabete] tem formação clássica em História, mas foi responsável pelo setor editorial de uma tradicional editora técnica por alguns anos [Ciência Moderna]. Hoje, é responsável pelo setor editorial da primeira livraria digital do Brasil, a Gato Sabido [@gatosabido]. É ainda consultora comercial da Xeriph, a primeira distribuidora de conteúdo digital do Brasil e sócia fundadora da Caki Books [@cakibooks], uma editora cross-mídia que publica livros em todos os formatos possíveis e imagináveis. Vive em Copacabana e tem uma gata preta chamada Lilica.

A coluna Ensaios digitais é um diário de bordo de quem vive 100% do digital no mercado editorial brasileiro. Quinzenalmente, às quintas-feiras, serão publicadas novidades, explicações e informações sobre tecnologias ligadas a área literária.

O interesse público e o interesse das publicadoras


Quem costumava acessar o site Livros de Humanas para baixar livros [na grande maioria, ensaios acadêmicos], passou a encontrar lá somente a mensagem: “estamos fora do ar porque recebemos notificação judicial da abdr.” A Associação Brasileira de Direitos Reprográficos achou por bem exigir o encerramento do site, cumprindo suas funções de “combate e punição à pirataria editorial, que constitui crime contra os autores, tradutores, revisores e outros profissionais […] do livro, além de ofender a noção de cidadania”.

A medida, que se revestia de “defesa do direito do autor”, também recebeu pesadas críticas de… autores, que se juntaram à multidão de leitores, quase todos estudantes universitários, indignados com o que chamaram de “barreira no acesso à informação”. No momento em que este artigo é escrito, o site que reúne o protesto contra o fechamento passa de mil subscritores, quase todos “graduandos” e “mestrandos”.

O discurso dos autores a favor do site é que, ao fim e ao cabo, o interesse do escritor é ser lido, e o livrosdehumanas.org cumpria de modo mais eficiente a função de “publicar” do que as próprias editoras. Também foi questionada a autoridade da ABDR para falar em nome dos autores [entre seus 102 afiliados, apenas a UBE, representa a classe] e sua ingerência sobre textos de domínio público e de ensaios disponibilizados pelos próprios autores. Também argumentou-se que, se não havia cobrança, não havia crime, já que a ABDR define que “a reprodução ilegal de livros, com intuito de lucro direto ou indireto, que constitui crime”. Com o site, as editoras talvez deixem de ganhar dinheiro, mas estão certamente perdendo uma oportunidade.

Ronaldo Lemos, que é membro do Conselho Nacional de Combate à Pirataria e diretor do Creative Commons no Brasil mostra que o caso do livrosdehumanas é apenas um sintoma do momento de descompasso entre o que a tecnologia permite e o que os membros da cadeia produtiva oferecem aos leitores.

O conflito principal ocorre pela ausência de possibilidades de acesso eletrônico legal. Esses mesmos livros que a ABDR tirou do ar, as pessoas não têm como acessar. Um dos aspectos a ser discutidos é se a existência desses serviços de venda digitalmente também não desestimularia a necessidade de existência de sites como esses. Se o preço fosse bom e fácil, o site não teria razão de ser.

Essa é a questão. Ao dar as costas para os canais digitais, as editoras estão indo contra sua função de “publicadoras”. O acesso livre e gratuito ao livro sempre existiu, e atende pelo nome de “biblioteca”. Foi encontrada uma solução econômica [entre autores, editores, governos e universidades] que viabilizou o acesso gratuito [ou quase] ao leitor. É preciso encontrar uma solução equivalente na era da publicação digital.

Essa solução tem que ser baseada na inversão da lógica atual do livro. Não dá mais para esperar grandes margens de pequenas tiragens, é preciso pensar em margens infinitesimais sobre tiragens infinitas.

Como bem diz Felipe Lindoso,

A multiplicação das possibilidades de acesso deve contribuir para a diminuição do preço para cada acesso individual. Os conteúdos podem e devem ser disponibilizados a um preço condizente para que todos os interessados possam acessá-los. Se isso não for feito dessa maneira, o espaço para a pirataria, a reprodução ilegal, estará definitivamente aberto. Não vai adiantar ter mecanismos de tranca [DRM] ou instituições ‘caça pirata’ que nem a ABDR. Essa é uma luta inútil, destinada à derrota.

A resposta “digital” da ABDR à anarquia seria a Pasta do Professor, um portal no qual “as editoras disponibilizam os seus conteúdos de forma fracionada e os professores criam pastas-do-professor virtuais”. Assim, quem precisar ler o único capítulo que importa em A ética protestante e o espírito do capitalismo não precisará comprar o livro todo [entre R$ 14,90 e R$ 48 na Livraria Cultura], e pagará meros R$ 2,50. O preço é justo, mas o método é obtuso: o leitor pode consultar a ficha do texto pela internet, mas, para lê-lo, tem de se dirigir a uma copiadora cadastrada [no meu caso, fica a meia hora, com bom trânsito, da minha casa]. Se eu me dispuser a ir lá buscar as 14 páginas, estarei, segundo o projeto, quitando o que devo de direitos autorais — ainda que Max Weber tenha entrado em domínio público em 1990. Posso até considerar que estou salvaguardando os direitos do tradutor, se alguém me mostrar algum tradutor brasileiro que ganha por exemplar vendido. Assim, a “pasta do professor” da ABDR é uma solução que não soluciona, criando barreiras entre o leitor e o texto ao tentar manter um status quo que não funciona. É preciso mudar tudo para que tudo continue como está.

Mais próximas de uma “solução” são iniciativas como a empregada nas faculdades Estácio de Sá, onde o aluno “ganha” um tablet com o conteúdo didático, previamente licenciado pela instituição junto às editoras. Ou o projeto Nuvem de Livros, onde, por uma módica tarifa semanal, têm-se acesso a um amplo acervo, e que remunera as editoras na medida em que os livros de seu catálogo são lidos. Ambos os projetos têm o que melhorar [no primeiro, os textos vêm no inflexível formato PDF e, no segundo, os livros só podem ser “folheados” on-line], mas já representam avanços na relação entre editoras e leitores empregando os recursos digitais.

No exterior, tivemos há pouco um caso semelhante ao do livrodehumanas: a library.nu, baseada na Alemanha e de alcance mundial. Neste site, estudantes também compartilhavam textos acadêmicos, entre livros escaneados e e-books “destravados”. Nada era vendido, mas o site aceitava doações — o que, ironicamente, decretou seu fim, já que as autoridades conseguiram rastrear a conta do PayPal e encerraram a festa.

Na opinião de Christopher Kelty, que compara o fechamento da library.nu com um duelo entre leitores e editores, as empresas “legacy” que perdem seu tempo tentando fechar canais “alternativos” em vez de desenvolver novas maneiras de lidar com os leitores estão alienadas da nova realidade: “a demanda global por aprendizado e escolaridade não está sendo atendida pela indústria editorial contemporânea. E não pode ser atendida, com os atuais modelos de negócios e preços. Os usuários da library.nu — esses bárbaros aos portões da indústria editorial e da universidade — são a legião.”

Agora, quem acessar o site library.nu achará um campo de busca do Google Books e um anúncio da Amazon. A multidão de leitores solidários foi substituída por duas megacorporações.

A indústria fonográfica saiu dos escombros para descobrir que a força dominante não é mais a que produz [Sony, EMI, Warner etc], mas a que distribui [Apple]. O mesmo processo — de transferência de poder das produtoras para a distribuidora — está ocorrendo na indústria editorial, mas as editoras [algumas delas, pelo menos] estão mais atentas. Ao mesmo tempo, está se desenhando uma força dominante no negócio de “biblioteca virtual”, e talvez seja aquela que será dirigida por Robert Darnton, aquele mesmo que defendeu “A causa dos livros”.

Para ele, o futuro das bibliotecas com a digitalização é “o acesso aberto. Abrir os tesouros intelectuais guardados nas nossas grandes bibliotecas de pesquisa, como a de Harvard, para o mundo. Recebi a incumbência de criar a Biblioteca Pública Digital da América, e há dois anos estamos trabalhando para criar um novo tipo de biblioteca. Vamos pegar coleções digitais de todas as grandes bibliotecas do país e usá-las como base de uma grande coleção de livros que ficará disponível de graça para todo mundo no mundo. Vamos estrear em abril do ano que vem. Será uma versão preliminar, mas vai crescer até um dia, eu acho, superar a Biblioteca do Congresso, a maior do mundo”.

As editoras podem se dedicar a criminalizar a leitura digital, e isso vai ser tão eficiente quanto a criminalização da maconha: os estudantes sempre dão um jeito de conseguir, e serão estimulados pelo desafio da “proibição”. A demanda cria a oferta. Se essa oferta não vier das editoras, empregando os recursos digitais de uma maneira economicamente viável, virá de “alternativas” como o livrosdehumanas, ou nos restringiremos a só ler o que grandes corporações estrangeiras, como a Google, a Amazon ou a “Biblioteca da América” de Darnton decidirem.

Por Julio Silveira | Publicado originalmente em Publushnews | 31/05/2012

Julio Silveira é editor, formado em Administração, com extensão em Economia da Cultura. Foi cofundador da Casa da Palavra em 1996, gerente editorial da Agir/Nova Fronteira e publisher da Thomas Nelson. Desde julho de 2011, vem se dedicando à Ímã Editorial, explorando novos modelos de publicação propiciados pelo digital. Tem textos publicados em, entre outros, 10 livros que abalaram meu mundo e Paixão pelos livros[Casa da Palavra], O futuro do livro [Olhares, 2007] e LivroLivre [Ímã]. Coordena o fórum Autor 2.0, onde escritores e editores investigam as oportunidades e os riscos da publicação pós-digital.

A coluna LivroLivre aborda o impacto das novas tecnologias na indústria editorial e as novas formas de relacionamento entre seus componentes — autores, agentes, editores, livrarias e leitores. Ela é publicada quinzenalmente às quintas-feiras.

A Amazon é “predatória”, diz a Penguin


Editoras se defendem das acusações de cartel para fixar preços de e-books

A Penguin e a Macmillan, as únicas editoras que resolveram enfrentar nos tribunais as acusações do Departamento de Justiça dos Estados Unidos de que, junto com a HarperCollins, Simon & Schuster, Hachette e Apple, fizeram um conluio ao adotar o modelo de agenciamento e fixar os valores dos e-books, impedindo a redução de preços praticada especialmente pela Amazon, enviaram documentos com suas defesas na terça-feira, 29 – as outras editoras fizeram acordos com a Justiça americana.

Nos documentos, a Penguin acusou a Amazon de ter um comportamento “predatório” e “monopolista”, que poderia vir a prejudicar a indústria editorial no longo prazo. A editora argumentou ainda que a maior parte das conversas entre as editoras, usadas pela Justiça americana como prova de que elas fizeram um cartel, eram na verdade discussões sobre o “Projeto Z” – agora revelado como o aNobii – e o “Projeto Muse”, que é o Bookish.

A Macmillan também negou qualquer comportamento anticoncorrencial e afirmou que não há “nenhuma prova direta de conspiração”. Na semana passada, a Apple, que também não fez acordo e foi para os tribunais, argumentou em sua defesa que o governo estava se aliando ao “monopólio, e não à concorrência”. Com informações do site da The Bookseller.

PublishNews | 31/05/2012

E-book, ebook ou eBook?


Como você prefere? Responda a pesquisa e ajude a gente a resolver essa dúvida cruel!

Uma redação de jornal cheia de editores pode ser detalhista demais quando se trata de padrões e estilos. No PublishNews, a gente procura ser mais tranquilo nesse aspecto, mas é importante ter uma padronização. E aí tem um ponto que me incomoda (meu lado editor): e-book, ebook ou eBook! Ontem, nosso amigo Jeremy Greenfield, editor de conteúdo do site do Digital Book World, postou uma pesquisa para saber como as pessoas preferem escrever essa bendita palavrinha. Jeremy pesquisou como o Wall Street Journal e o The New York Times escrevem: é “e-book”. O Chicago Manual of Style indica o mesmo uso. Mas quando perguntamos ao Google – “a higher power”, nas palavras de Jeremy –, o Google Adwords keyword tool revela que há, globalmente, 13,6 milhões de buscas mensais por “ebooks”, enquanto apenas 4,1 milhões por “e-books”. Também a ferramenta Google Insights for Search indicou nas pesquisas de Jeremy que o número de buscas por “ebooks” em relação ao total de buscas realizadas, comparado com as buscas por “e-books”, é muito maior. Bom, nós também queremos saber como você acha que devemos escrever e-books – por ora, esse é o nosso padrão. Neste link você pode votar e também ler o post original de Jeremy Greenfield. Ah! Eu prefiro eBook.

Por Ricardo Costa | PublishNews | 30/05/2012

Diretor de Harvard apresenta biblioteca digital gratuita


Em seminário na Folha, o historiador Robert Darnton criticou o Google e falou sobre jornalismo e livro impresso na era da internet

O historiador americano Robert Darnton, 73, professor da Universidade Harvard [EUA] e diretor da biblioteca da universidade, participou ontem de seminário para jornalistas naFolha.

No encontro, Darnton -que veio ao Brasil para o 4º Congresso Internacional Cult de Jornalismo Cultural- falou sobre o projeto de criação de uma biblioteca digital americana, com acesso mundial e gratuito, que deve entrar no ar em abril de 2013.

“É uma oportunidade inédita de compartilhar nossa riqueza de conhecimento.”

Filho de jornalistas e graduado em Oxford, no Reino Unido, ele é especialista em Revolução Francesa e na história do livro e da imprensa.

Entre seus trabalhos mais conhecidos estão “O Iluminismo como Negócio” [1987] e “Os Best-Sellers Proibidos da França Pré-Revolucionária” [1996], lançados no país pela Companhia das Letras.

Leia, a seguir, trechos de sua conversa com os jornalistas da Folha.

JORNALISMO IMPRESSO

Venho de uma família de jornalistas. Meu pai, minha mãe, eu e meu irmão trabalhamos no “New York Times”. Meu pai morreu no Pacífico cobrindo a Segunda Guerra. Eu não o conheci, tinha três anos.

Comecei minha carreira cobrindo crimes. Na época se dizia: “Se você consegue cobrir assuntos policiais, pode cobrir [os da] Casa Branca“.

A grande questão na vida de um repórter é como narrar uma história em 500 palavras. Ele acaba transmitindo sua experiência. Não vejo notícias como realidade, mas como histórias sobre a realidade.

INTERNET

Nos EUA a mudança é profunda. Quase toda semana um jornal morre. A maior parte da receita publicitária do “The New York Times”, por exemplo, vinha dos classificados. Quase todos esses anúncios estão on-line. Mas acho que os grandes sobreviverão. A questão é descobrir um modelo de financiamento.

O trabalho do repórter também mudou. Continuo achando que o contato pessoal de um repórter com a fonte ou o acontecimento faz uma diferença enorme. Não adianta reproduzir o que está no Twitter ou nos blogs.

BIBLIOTECA DIGITAL

Quando o Google decidiu que queria digitalizar livros, procurou Harvard primeiro, pois é a maior biblioteca universitária do mundo. O Google fez lobby com outras universidades. Eles queriam digitaliza qualquer livro, não só os de domínio público. Criaram uma base de dados gigante de livros cobertos por direitos autorais. A ideia era vender acesso às obras, a um preço que eles próprios estipulariam. Não era algo legal.

No final, o acordo foi vetado pela Justiça, que o viu como uma tentativa de monopólio.

Nesse meio tempo, convidei os dirigentes de bibliotecas para criarmos uma versão digital com milhões de livros, como o Google, mas gratuita.

Acabamos conseguindo financiamento de fundações privadas americanas -muitas vezes elas funcionam melhor do que o governo. Em abril, entra no ar uma enorme biblioteca digital que qualquer um no mundo poderá acessar sem gastar um tostão. Criar essa plataforma para partilhar conhecimento, sem empresas, está sendo a maior oportunidade da minha vida.

Os direitos autorais são um tema sensível. Teoricamente só poderemos disponibilizar obras anteriores a 1923, pois estas estão em domínio público. São 2 milhões, o que não é pouco. As demais precisam ser negociadas com os detentores dos direitos, e estamos estudando alternativas.

AMÉRICA LATINA

Hoje os olhos dos americanos estão voltados para a América do Sul e a Ásia. A nova geração está aprendendo espanhol e mandarim. Não acho que a cultura europeia tenha se exaurido de vez, mas há ventos de mudança, e a vitalidade dos dois continentes tende a ganhar influência.

FUTURO DO LIVRO

As pessoas dizem que os livros e as bibliotecas estão obsoletos. É loucura: temos mais pessoas hoje nas nossas bibliotecas do que nunca. Se o aluno tem que escrever um trabalho e fazer uma pesquisa, claro que ele usa o Google e a Wikipedia. Mas não basta. Ele procura um bibliotecário. Os bibliotecários desenvolveram uma nova função, que é guiar pelo ciberespaço.

As estatísticas contrariam aqueles que dizem que o livro impresso está acabando. Na China, a produção dobrou em dez anos. Em 2009 o planeta atingiu uma marca histórica de 1 milhão de novos títulos impressos no ano. Acho que os livros impressos e on-line não estão em guerra, são suplementares.

Folha de S.Paulo | 30/05/2012

Guardian terá mapa interativo de livrarias


Grã-Bretanha: O jornal inglês The Guardian vai lançar em junho um mapa interativo com as livrarias do Reino Unido e da Irlanda, em parceria com a associação National Book Tokens. O mapa ficará no site http://www.guardian.co.uk/books dedicado aos livros dentro do portal do jornal, e vai permitir que os livreiros coloquem informações sobre suas lojas, ao mesmo tempo em que os usuários poderão marcar suas livrarias preferidas e incluir informações sobre festivais e autores. Já a equipe multimídia do Guardian vai ligar ao mapa conteúdos como vídeos sobre as livrarias, podcasts, blogs e ações promocionais. Segundo Claire Armitsead, editora da área de livros do Guardian News and Media, a ideia é fazer do mapa uma referência para que as pessoas encontrem livros e recomendações, compartilhem experiências sobre suas livrarias preferidas e descubram novos locais para exercer sua paixão pela leitura.

PublishNews | 29/05/2012 | Com informações do site da The Bookseller.

Readlists transforma seus artigos preferidos da internet em eBooks


O site e plataforma de leitura Readability lançou recentemente um novo serviço chamado Readlists. O aplicativo online transforma páginas da internet em eBooks, ideal para quando você não tiver tempo para ler um artigo interessante, e gostaria de enviá-lo para o seu eReader e lê-lo mais tarde.

Há duas opções de armazenamento, e uma delas leva o “livro” diretamente para algum dispositivo móvel de leitura, como o Kindle. A outra opção é guardar o texto em apps para iPad, iPhone e/ou plataformas Android.

Os e-books criados são bem elementares e mas bastante legíveis, graças a “Iris Engine”, desenvolvida exclusivamente para essa plataforma de leitura. A Iris faz um bom trabalho eliminando conteúdos dispensáveis e mantendo só o essencial da página, deixando o texto com um aspecto bem limpo.
O programa oferece, ainda, algumas opções de personalização das fontes e cores de fundo, da largura da página e do tamanho da fonte. Também é possível a eliminação das imagens e transformar os links em notas de pé de página.

As opções de compartilhamento seguem o padrão: cada readlist tem uma URL pública para visualização e um link público para edição, que se pode ser enviado para pessoas que desejarem colaborar. Há, ainda, uma ferramenta de incorporação para adicionar listas de sites ou blogs.

Por Julio Monteiro | Publicado originalmente em TechTudo | 28/05/2012 | Via The Verge

Travessa tem debate sobre livros digitais


Hoje, no Rio, jornalista discute com convidados o papel das editoras

O CBN na Travessa, parceria entre a rádio CBN e a rede carioca de livrarias, reúne convidados para discutir o papel das editoras na era digital. A jornalista Simone Magno debate com a pesquisadora Cristiane Costa, o editor Carlo Carrenho e o escritor José Godoy temas como a atual facilidade para publicar na internet, de forma independente, e a função de curadoria das editoras. O evento é aberto ao público e a plateia pode fazer perguntas. Acontece hoje, às 20h, na Livraria da Travessa do Shopping Leblon [Avenida Afrânio de Melo Franco, 290 – Rio de Janeiro/RJ].

PublishNews | 28/05/2012

O futuro do livro já chegou e as editoras ainda não perceberam


Gutenberg construiu um dos mais fantásticos dispositivos da história, o livro impresso do famoso alemão recebeu e reproduziu nos últimos 500 anos, com poucas modificações, infinitos softwares: da Bíblia ao Alcorão, da Divina Comédia ao Almanaque do Biotônico Fontoura.

A revolução digital quebrou este paradigma, as “instruções” antes impressas nas páginas dos livros agora são binárias, podem ser lidas por qualquer dispositivo digital. O meio deixa de ser a mensagem, aliás, não importa mais o meio, a mensagem é ubíqua, multiforme, se adapta ou pelo menos busca desesperadamente adaptar-se ao meio. É a inversão do vetor de McLuhan, após séculos de escravidão, a mensagem libertou-se do meio.

Neste novo cenário, surgiram e continuam surgindo uma infinidade de dispositivos que agora são o suporte deste conteúdo flexível, fluído e não mais limitado por átomos, mas sim por bits: Computadores, notebooks, ereaders, tablets, smartphones e uma infinidade de outros aparelhos e neologismos como netbooks e phablets , sim, eu disse phablets !

Alguns deles, como por exemplo, os ereaders, já nascem com uma função claramente transitória, fazendo uma ponte entre velhas e novas soluções, assim como foram os saudosos palmtops !

Muitos estão maravilhados com o universo dos tablets, mas eles também são uma ponte para soluções que já estão chegando, telas flexíveis, dispositivos interativos de realidade aumentada e “the internet of things”

Em relação ao conteúdo ocorre também o mesmo “deslumbramento adolescente”. As pessoas estão impressionadas com livros e revistas para tablets que mais lembram um projetor de slides, onde a cada “toque mágico” um novo diapositivo é exibido ! Outro dia ouvi em uma grande editora : Mas nosso livro é interativo, o personagem “X” mexe os olhinhos [sic]. Sério que vocês acham que isto é o futuro ?

Slides de João e Maria - Coleção Disquinho

Slides de João e Maria – Coleção Disquinho

Desculpem, mas em 1974 meu pai já fazia isto comandando um velho projetor e sincronizando cada novo slide com o som que saia de um disquinho vermelho de vinil que contava a mim e a meus irmãos a história de João e Maria.

É neste contexto que o mercado editorial, temeroso em perder o bonde da história como ocorreu com o mercado fonográfico, se faz a pergunta mais importante e crucial desde Gutenberg: eBook ? Web ? Aplicativo ?

Vocês devem ter visto inúmeras soluções algumas boas, outras nem tanto, que tentam responder à estas perguntas. Algumas focam a solução nos dispositivos[iPad x Kindle], outras em sistemas operacionais [iOS x Android], em modelos de negócios [soluções fechadas x soluções abertas], em formatos [ePub x ePub3 x iBook x KF8] e outras são uma mistura de todas estas opções o que gera milhões de possibilidades…alguns autores já usam o termo BApp [ eBook + App] para classificar soluções híbridas que estão aparecendo no mercado.

Não sou o portador do Santo Graal e nem guru da pós-modernidade, mas a Web é a resposta para a maioria destas perguntas. A “Open Web Platform”, formada por tecnologias, serviços e formatos que orbitam ao redor do HTML5 permitem soluções que “dão nova vida” ao conteúdo: plasticidade, organicidade, modularidade e interatividade e o que é melhor, ubiquidade !

Leia o livro, ouça o livro, converse com o livro, rabisque o livro, brinque com o livro, estique o livro, amplie o livro, mergulhe no livro, compartilhe o livro, mude o livro, seja co-autor do livro, traduza o livro, projete o livro como um holograma, vista o livro ! Não são apenas metáforas, são ações reais que estão ao alcance do leitor no mundo digital e muitas delas já podem ser experimentadas hoje.

Ao contrário de alguns “neo-chatos” que clamam, proclamam e comemoram o fim do impresso, eu acredito que conviveremos com ele por bastante tempo, mas é inevitável atestar a velocidade exponencial com que as mudanças estão se anunciando.

Esta decisão rumo ao futuro  não é só uma questão de tecnologia é uma questão de posicionamento estratégico onde inovação, consolidação, diferencial competitivo, custos e eficiência são as palavras chave.

Open Your Mind,

Open Web Platform

POR Fábio Flatschart | Publicado originalmente no Blog Soyuz | 28/05/2012 às 14:17:55

Comissão libera cópia integral de livros, CDs e DVDs e criminaliza plágio


A comissão de juristas que discute a reforma do Código Penal no Senado aprovou nesta quinta-feira [24] a liberação de cópias integrais de livros, CDs e DVDs, desde que para uso próprio e sem fins comerciais. Hoje, a reprodução parcial já é autorizada, em porcentagens que variam conforme a mídia copiada.

Caso a sugestão dos juristas seja acatada pelo Congresso, as cópias completas serão liberadas sem que seja caracterizado crime.

Para isso, a cópia deve ser única, feita a partir de uma obra original e ser de uso privado e exclusivo de quem faz a reprodução, sem que exista o objetivo de lucro.

A proposta, com as demais votadas anteriormente e as que ainda serão debatidas, devem ser entregues para votação até o final de junho. Apenas após a aprovação no Senado e na Câmara e sanção presidencial o texto passa a valer.

PLÁGIO INTELECTUAL

A comissão aprovou ainda a criação de um crime específico que penaliza o plágio intelectual, cujo exemplo mais comum é a cópia de trabalhos acadêmicos.

Atualmente, esse tipo de plágio – em que uma pessoa se apropria da produção alheia como sua, sem fins comerciais – é considerado uma das violações ao direito autoral. A pena prevista é prisão de 6 meses a um ano, mas na prática é muito raro que isso aconteça.

Pelo texto aprovado pelos juristas, quem “apresentar, utilizar ou reivindicar publicamente como própria obra ou trabalho intelectual de outra pessoa, no todo ou em parte“, pode ter que cumprir pena de seis meses a dois anos de prisão.

Por Nádia Guerlenda | Folha de S.Paulo | 24/05/2012

Celulares, tablets, readers e a escola


Pesquisa feita por empresa americana mostra que mais de 40% de amostra de estudantes já usa dispositivos eletrônicos para ler textos

The Digital Reader reproduziu os números de uma pesquisa da Coursesmart, empresa americana que fornece material educacional digital, feita com 500 estudantes. Os dados mostram que apenas 2,8% deles não têm um aparelho móvel ou laptop, e somente 2,3% dos que têm um dispositivo não o utilizam para a escola. A nota do site chama atenção para o fato de que mais de 40% dizem usar seus aparelhos para ler livros escolares, o que é surpreendente, mas observa que é grande a chance de eles não estarem comprando o conteúdo – mas a pesquisa não mostra se eles compram, pirateiam ou acessam conteúdo gratuito. Quase 17% dos estudantes afirmam ter um e-reader como Kindle ou Nook. Veja os números levantados:

  • 92.9% têm laptops
  • 57.5% têm smartphones
  • 22.2% têm um iPad ou tablet
  • 16.9% têm um e-reader como o Kindle ou o Nook
  • 2.8% não têm nenhum desses aparelhos

Como usam seus dispositivos para a escola?

  • 87.9% usam para mandar e-mails
  • 85.2% usam para pesquisar assuntos
  • 82.8% usam para escrever textos ou trabalhos
  • 63.4% usam para fazer apresentações em sala
  • 61.2% usam para tomar notas
  • 45.0% usam para ler um livro educacional eletrônico
  • 16.7% usam para outras atividades
  • 2.3% não usam por nenhuma das razões acima

PublishNews | 24/05/2012

Biblioteca da Unicamp no celular


Ferramenta permite que dispositivos móveis realizem pesquisas nos acervos

Uma versão “mobile” do software SophiA, ferramenta que gerencia os dados da Base Bibliográfica Acervus, acaba de ser disponibilizada pelo Sistema de Bibliotecas [SBU] da Unicamp para a comunidade. O novo serviço permite que as pessoas usem dispositivos móveis como celulares, smartphones e tablets, que operam com sistemas iOS, Android e Windows Phone, entre outros, para realizar pesquisas nos acervos de livros, e-books [textos completos], dissertações e teses da Biblioteca Digital da Unicamp. Além disso, a versão mobile do SophiA permite renovações e reservas on-line. A criação é da empresa Prima Informática.

PublishNews | 24/05/2012

Ibama lança biblioteca digital


Órgão começa a disponibilizar teses, artigos, imagens e material de referência pela internet

A sede do Ibama, em Brasília, possui uma biblioteca aberta ao público com 130 mil itens entre livros, teses, periódicos, imagens e vídeos. Mas só quem vai à capital federal pode consultá-los fisicamente. Aos poucos, porém, esse material começa a ser digitalizado e incluído na internet, dentro da biblioteca digital do órgão. Segundo Jorditânea Souto, coordenadora do Centro Nacional de Informação Ambiental [CNIA], o objetivo é disponibilizar na rede todo o material devidamente autorizado para que qualquer pessoa no país possa consultá-lo livremente. “Pela primeira vez, vamos dar acesso sem fronteiras ao acervo”, diz Jorditânea. “A digitalização é uma demanda da sociedade e uma tendência sem volta.

Por enquanto, a biblioteca [acesse http://www.ibama.gov.br/sophia] está sendo alimentada com artigos e teses científicas de servidores do Ibama e de pesquisadores interessados em divulgar seus trabalhos. Também já estão disponíveis imagens do acervo do órgão, periódicos e materiais de referência, como relatórios de impacto ambiental e a legislação de meio ambiente.

A coordenadora não soube dizer quantos itens já estão digitalizados e on-line. “Estamos incluindo muita coisa neste momento, por isso ainda não tenho um balanço”, explica Jorditânea. Segundo ela, nos próximos meses serão incluídos vídeos feitos com apoio do Ibama e os livros que são lançados pelo próprio órgão.

O objetivo também é integrar à biblioteca digital do Ibama as bases de bibliotecas de todo o país que fazem parte da Rede Nacional de Informação sobre o Meio Ambiente [Renima]. “Serão ao todo 32 bibliotecas conectadas”, diz Jorditânea. Também há planos para integrar conteúdo de instituições internacionais no futuro.

Por Roberta Campassi | PublishNews | 24/05/2012

Prêmio James Beard incluirá eBooks


Livros digitais e impressos concorrerão juntos nas 12 categorias

O mercado de livros de cozinha acaba de ficar um pouco mais digital. Pela primeira vez em 26 anos, a Fundação James Beard vai permitir inscrições de livros digitais em seu prestigiado prêmio para livros de cozinha. Para a edição 2013 da premiação, os juízes vão considerar livros de receitas impressos e digitais em cada uma das 12 categorias incluídas. Os dois formatos vão concorrer juntos, sem separação em categorias específicas – isto quer dizer que, embora não seja provável, poderia acontecer de todos os vencedores anuais serem e-books. Veja uma reportagem completa no site do Digital Book World.

PublishNews | 23/05/2012

600 mil livros em branco


Por Greg Bateman | Publicado originalmente em Publishnews| 23/05/2012

Alguns dias atrás, tive uma ótima conversa com Sriram Peruvemba [ou Sri], o principal executivo de marketing da E-Ink, um amigo antigo dos tempos pré-Kindle. Ele me contou uma ótima história sobre tecnologia educacional – a julgar pelo alvoroço no último Congresso do Livro Digital, um assunto muito quente.

Muito do rebuliço vem do plano [demasiadamente] ambicioso do Ministério da Educação [MEC] de comprar 600 mil tablets educacionais. O engenheiro dentro de mim fica animado com a iniciativa. Mas o e-publisher dentro de mim fica chocado: 600 mil tablets sem conteúdo? Você pode imaginar comprar 600 mil livros didáticos sem uma única linha impressa?

Sri iniciou nossa conversa me contando sobre o estado atual da leitura eletrônica no mundo. “Com a chegada dos e-readers, a sociedade como um todo está lendo mais, graças à conveniência desses aparelhos, a facilidade de acesso ao conteúdo, a portabilidade, a duração mais longa da bateria, o conteúdo mais barato [e às vezes grátis]. Livros, revistas e jornais, e mesmo documentos de trabalho, estão sendo lidos em tablets e e-readers.

Isto não é novidade para os assíduos leitores do PublishNews…mas então ele deu uma visão um pouco pessimista sobre o estado da leitura em geral.

Mas livros, revistas e jornais se tornaram secundários, muitos adultos não leem muito depois de sair da escola, e mesmo os periódicos têm estado em queda constante nos últimos anos. Não há sinais de que a tendência vai se reverter.

Ele considera, no entanto, que o conteúdo educacional é o pilar mais forte da indústria editorial. “Se você é um estudante em qualquer lugar do mundo, você está usando livros didáticos e isto não é uma opção, é obrigatório.

Nos últimos tempos, surgiram muitas empresas dispostas a inovar a experiência que se tem com o livro didático ou com os aplicativos de educação para tablets.

NearPod oferece uma solução completa para a sala de aula, onde o professor se torna ele/ela mesmo/a o criador de conteúdo – convertendo PDFs em materiais de aula interativos. Eles são uma empresa brasileira, com escritório na Vila Olímpia, em São Paulo.

Inkling, que se uniu à nata das editoras americanas, desenvolveu uma plataforma impressionante que reinventa a experiência do livro no iPad.

É claro que o “elefante na sala”, o competidor grande demais para ser ignorado, é a Apple e seu iBooks Author. Essa ferramenta permite que os autores criem conteúdos específicos para o iPad com recursos interessantes. Ela cria e-books? Ou ela cria Apps? Para o desapontamento de mais de 250 milhões de usuários de dispositivos equipados com o Android, o conteúdo gerado com o iBooks só funciona em uma plataforma, o iPad.

Enquanto os Apps são chamativos, potentes e legais, eu não tenho dúvidas de que eles não são o futuro da indústria editorial. Eu reforcei minha convicção de que os padrões como o ePub vão se mostrar os mais resistentes depois que, ao atualizar o sistema iOS, a Apple “quebrou” mais de 300 de nossos aplicativos de livros eletrônicos na Vook.

E Sri me confirma: “você precisa de um suporte [para o conteúdo educacional] e esse suporte é um dispositivo portátil como um e-reader [com tecnologia E-Ink].

Espera aí, você vai dizer, você não pode ensinar sem cor, e os leitores E-Ink são preto e branco. Não mais.

A Ectaco, cliente da E-Ink, já produz um aparelho em cores chamado Jetbook, que foi originalmente lançado na Rússia com sucesso na sala de aula”. Depois dessa primeira experiência, eles lançaram o dispositivo na prestigiada Brooklyn Technical High School em Nova York.

Os testes começaram em março, com o Jetbook que tem a tela em cores E Ink Triton. Os alunos aprenderam a manejá-lo em uma hora e desde então estão usando. Eles tomam notas, marcam o texto e salvam os trechos que vão usar no futuro para referência.

E corre o boato de que a Ectaco está olhando o Brasil.

Agora, com todas essas plataformas interessantes, voltemos à questão mais importante: “Quem vai criar conteúdo para encher esses 600 mil livros?”.

Greg Bateman

Greg Bateman

Por Greg Bateman | Publicado originalmente em Publishnews| 23/05/2012

O que é a nuvem?

Greg Bateman, expert em tecnologia e empreendedor do negócio de e-books, é conhecido pelo seu envolvimento na criação de produtos extremamente bem-sucedidos, como os smartphones da Samsung e o Kindle, da Amazon. Na Vook, ele desenvolveu uma eficiente cadeia de produção de centenas de e-books por semana. Greg, que nasceu nos Estados Unidos, viveu nove anos no exterior, onde intermediou várias parcerias envolvendo Coreia, China, Japão e EUA. Hoje mora no Brasil, em São Paulo. Ele é pesquisador visitante da Universidade de Tóquio, tem duas graduações pela Universidade da Califórnia em Berkeley [engenharia elétrica/ciência da computação e literatura japonesa] e um MBA pela Columbia Business School.

A coluna E-Gringo discute a fundo o negócio e o lado técnico dos e-books a partir de uma perspectiva global. Às quartas-feiras, quinzenalmente, ela vai apresentar plataformas e tendências do mundo todo e, claro, do Brasil. Para enviar comentários, escreva para greg@hondana.com.br .

Ensinamentos de ‘A Menina do Vale’: 100.000 downloads em 7 dias


Bel Pesce | Autora de "A Menina do Vale"

Bel Pesce | Autora de “A Menina do Vale”

Aos 24 anos, Bel Pesce acaba de colocar mais uma estrela em seu breve – porém brilhante – currículo, que inclui passagens pela Microsoft e Google e a criação da própria empresa, a Lemon, responsável por um aplicativo que controla gastos pessoais. Em apenas uma semana, o livro lançado por Bel, A Menina do Vale, alcançou a marca de 100.000 downloads.

Dividida em 18 capítulos, a obra oferece conselhos a futuros empreendedores. As orientações foram lapidadas pela experiência de Bel no Vale do Silício, o pulmão californiano da tecnologia, e também no Massachusetts Institute of Technology [MIT], onde a brasileira se graduou em engenharia elétrica, ciências da computação, administração, economia e matemática.

Até agora, diz a autora, o que mais impressiona nos downloads de A Menina do Vale é a diversidade dos interessados no assunto. “Recebi mensagens de jovens que estão no ensino médio e também de pessoas com 50 ou 60, que querem mudar de vida. Todos procuram conselhos”, diz.

O livro A Menina do Vale pode ser baixado no site oficial da brasileira ou no Iba, loja on-line de livros, jornais e revistas da Abril Mídia, divisão da Editora Abril, que publica VEJA.

Veja On Line | 23/05/2012, às 7:00

Bibliotecas no meio de duas polêmicas


Por Felipe Lindoso | Publicado originalmente em PublishNews | 22/05/2012

As bibliotecas estiveram presentes em duas polêmicas que correram na internet semana passada.

A primeira foi provocada por um artigo do jornalista Luís Antônio Giron, publicado em seu blog da Revista Época no qual relatava uma experiência que considerou desastrosa ao visitar a biblioteca pública de seu bairro [não disse qual era], onde não encontrou o que buscava. O trecho que provocou dezenas de comentários, muitos irados, de bibliotecárias, foi o seguinte:

“Cheguei de mansinho, talvez pensando em reencontrar nas prateleiras os livros que mais me influenciaram e emocionaram. Topei com prateleiras de metal com volumes empoeirados à espera de um leitor que nunca mais apareceu. O lugar estava oco. A bibliotecária me atendeu com aquela suave descortesia típica dessa categoria profissional, como se o visitante fosse um intruso a ser tolerado, mas não absolvido. Eu sei que as bibliotecárias, entre suas muitas funções hoje em dia, sentem-se na obrigação de ocultar os volumes mais raros de suas respectivas bibliotecas. Bibliotecas mais escondem do que mostram. Há depósitos ou estantes secretas vedadas aos visitantes. São as melhores – e, graças às bibliotecárias, você jamais chegará a elas.”

A segunda polêmica foi a do fechamento do site www.livrosdehumanas.org por iniciativa da ABDR – Associação Brasileira de Direitos Autorais, sob a acusação de violação de direitos de autores e editores. É a terceira vez que o site é fechado por problemas semelhantes. Josélia Aguiar publicou em seu blog Livros Etc. uma entrevista com Thiago [sem sobrenome], apresentado como coordenador do site. O entrevistado responde a uma das perguntas:

“Sou estudante, recém-formado e me preparando para o mestrado da Letras-USP. Em 2009 a xerox do curso – ilegal para a ABDR, mas sem a qual ninguém consegue estudar na USP ou em qualquer outra universidade brasileira – aumentou o valor da página fotocopiada para R$ 0,15, acréscimo de 50%. Isto motivou um grupo de estudantes a compartilhar o conteúdo de suas disciplinas em sites como 4shared e mediafire. O blog funcionava como um indexador destes links.”

Ele não informa a razão pela qual “ninguém consegue estudar na USP ou em qualquer outra universidade” sem apelar para as reprografias. Eu afirmo aqui, com todas as letras: porque as bibliotecas universitárias são MUITO ruins, perdendo apenas para as bibliotecas públicas em geral na qualidade.

Antes que bibliotecárias e defensores da reprografia me ataquem, vou logo dizendo: a questão do acesso público aos livros é uma bandeira que defendo há muitos anos, e as bibliotecárias [os] NÃO SÃO responsáveis pela situação precária das bibliotecas brasileiras. E os fatos que discuto aqui também têm exceções, as sempre bem-vindas e necessárias exceções que confirmam a regra. Não quero incorrer no principal “pecado” do Giron, segundo suas atacantes, que é o da generalização indiscriminada.

Vou tentar esmiuçar um pouco as questões.

Quem primeiro reconhece a situação precária do sistema de bibliotecas públicas brasileira é o próprio Ministério da Cultura, que encomendou uma ampla pesquisa, feita pela FGV, sobre a situação. O link para os dados da pesquisa é http://migre.me/9ajHC. Os dados são, literalmente, estarrecedores. No que diz respeito à crítica do Giron, vale ressaltar os seguintes dados sobre o perfil dos “dirigentes” [responsáveis] pelas bibliotecas públicas: 1% deles completaram apenas o ensino fundamental 1 [antigo primário]; 2%, o ensino fundamental II [antigo ginásio]; 40%, o ensino médio; e 57% completaram o ensino superior. Entretanto, apenas 11% desses dirigentes são bibliotecários [ou bibliotecônomos, ou “cientistas da informação”, como recentemente andam sendo chamados]; 18% são pedagogos; 7% formados em letras; 4% em história e o resto em outras graduações.

A possibilidade de que quem o atendeu com a tal “suave descortesia” seja uma bibliotecária é bem remota. Mas isso não importa. O fato é que o nível de capacitação do pessoal de bibliotecas deixa a desejar. Não por serem bibliotecários [as]. Muito pelo contrário. Trata-se simplesmente de parte do problema de qualificação geral do pessoal para o sistema. A sensação de descaso descrita pelo Giron, infelizmente, é verdade para muitas bibliotecas, e também não é verdadeira para outras. Há experiências comprovando todas. Assim como há bons e maus funcionários públicos em geral [e acredito que a maioria seja competente e interessada em bem desempenhar seu serviço ao público], existem bons e maus atendentes de bibliotecas. C’est la vie.

Dito seja que não concordo com a posição antiga defendida pelo Conselho Federal de Biblioteconomia de que o responsável por cada biblioteca deva necessariamente ter graduação na área. Considero essa posição corporativista e irreal [se o CFB mudou ou matizou sua posição, alvíssaras]. Com a aprovação da lei que dá prazo para que as escolas tenham bibliotecas, não há condições de que isso seja cumprido. A solução está no desenvolvimento de sistemas nos quais profissionais bibliotecários supervisionem o funcionamento de várias bibliotecas e que o atendimento de frente seja feito por técnicos de ensino médio e VOLUNTÁRIOS. Devidamente capacitados.

Quem já visitou o magnífico prédio da Rua 42, em Nova York, principal sede da Biblioteca Pública da metrópole, sabe que praticamente todo o atendimento de frente é feito por voluntários. A maioria é de senhoras que se dispõem a doar algumas horas por semana para ajudar a Biblioteca, e só se chega a consultar um bibliotecário[a] quando se trata de questões técnicas relevantes. A Biblioteca organiza e capacita esses voluntários, de modo que haja sempre um atendimento correto, eficiente e simpaticíssimo por parte dessas senhoras voluntárias. E isso tudo diz muito também sobre a integração da biblioteca com a comunidade a que serve.

O importante é salientar que, desde antes do Censo, os responsáveis pelas políticas públicas de bibliotecas do Brasil vêm desenvolvendo esforços enormes para melhorar essa situação. Ainda existem municípios que não têm nenhuma BP, e a situação da maioria é lamentável, sem dúvida nenhuma.

Não vou aqui listar as medidas que vêm sendo tomadas pela administração do Galeno Amorim na Biblioteca Nacional, onde o Sistema Nacional de Bibliotecas conta com a colaboração de uma profissional competentíssima, Elisa Machado. Tampouco vou assumir aqui o papel de defensor do sistema de bibliotecas públicas de São Paulo, dirigido por Maria Zenita Monteiro. O sistema, sob a administração do Carlos Augusto Calil na Secretaria de Cultura, tem melhorado muito nos últimos anos, inclusive com consulta via Internet do acervo. E não é justo confundir a readequação de bibliotecas [com sua transformação em bibliotecas temáticas] com a extinção de bibliotecas. E uma boa reportagem com as duas profissionais mencionadas pode dar luz à dimensão dos problemas e dos esforços que estão sendo feitos.

Porque também tem outra coisa. Políticas públicas não resolvem os problemas [no caso, de acesso aos livros e à leitura] da noite para o dia. Sua maturação é lenta e depende também de ações na área da educação e das políticas sociais em geral. O importante é que o problema está sendo enfrentado não apenas pelos mencionados, como também por muitos outros administradores públicos Brasil a fora. O que não justifica, obviamente, que uma grande maioria pouco se importe com o problema. Na verdade, esses administradores que não colocam as bibliotecas como prioridade são parte do problema.

E o fechamento do site?

São vários pontos envolvidos nisso. Em primeiro lugar, e como questão mais importante, é que as bibliotecas universitárias são, no meu entender, esquizofrênicas. Há um enorme esforço para atualização de acervos e atenção aos usuários dos programas de pós-graduação, particularmente na área das ciências naturais. As aquisições de acervos eletrônicos, de revistas técnico científicas, é muito significativa.

Mas, na área da graduação, a situação é lamentável. Não existem exemplares em quantidade suficiente para o atendimento minimamente decente para os alunos. As malfadadas “pastas dos professores” e a reprografia foram a resposta capenga para isso. Sem falar em “universidades” particulares de pequenas cidades das quais se diz que alugam bibliotecas para passar pela avaliação do MEC e receber licença de funcionamento, e que depois são devidamente devolvidas aos “empreendedores” [e põe empreendedorismo nisso!] que as alugaram. Não conheço nenhum caso concreto, mas os rumores abundam.

A ABDR foi originalmente concebida como uma instituição de licenciamento de reproduções, medida que corre paralela à defesa dos direitos autorais [que são originalmente dos AUTORES, e subsidiariamente das editoras, note-se]. Essa proposta inicial foi desvirtuada aqui no Brasil, e a ABDR se transformou em uma agência basicamente repressiva, promovendo o fechamento de copiadoras e de sites como o mencionado.

O resultado dessa política equivocada é a mobilização dos estudantes contra as ações da ABDR. Pior ainda, identificando a questão do Direito Autoral como algo de interesse simplesmente das editoras, quando diz respeito fundamentalmente aos autores, que merecem e devem receber remuneração por seu trabalho. Daí que, em vez de pressionar por melhores bibliotecas, apela-se para o “jeitinho”: pastas de professores, sites de compartilhamento. A questão de fundo se perde, e as bibliotecas continuam sendo péssimas [a vontade é a de usar outro adjetivo, mas o decoro o impede].

Outro problema diz respeito às obras “órfãs”, livros que possivelmente ainda estão sob proteção da lei de direitos autorais, mas não disponíveis no mercado. É um problema sério, objeto de discussão em vários foros, inclusive internacionais.

O triste disso tudo é que, pela ineficiência e insuficiência das bibliotecas – públicas e universitárias – todos são prejudicados: alunos e o público em geral pelas dificuldades de acesso; autores e editores pela perda de renda decorrente da reprodução não autorizada.

Finalmente, uma última palavra sobre os editores. Independentemente da questão das bibliotecas, Ed Nawotka, o editor do site Publishing Perspectives, uma vez publicou um aforismo que gosto de repetir: livro pirateado é o que não foi colocado no mercado com preços e condições aceitáveis para os consumidores/leitores.

Por Felipe Lindoso | Publicado originalmente em PublishNews | 22/05/2012

Felipe Lindoso

Felipe Lindoso é jornalista, tradutor, editor e consultor de políticas públicas para o livro e leitura. Foi sócio da Editora Marco Zero, diretor da Câmara Brasileira do Livro e consultor do CERLALC – Centro Regional para o Livro na América Latina e Caribe, órgão da UNESCO. Publicou, em 2004, O Brasil pode ser um país de leitores? Política para a cultura, política para o livro, pela Summus Editorial.

A coluna O X da questão traz reflexões sobre as peculiaridades e dificuldades da vida editorial nesse nosso país de dimensões continentais, sem bibliotecas e com uma rede de livrarias muito precária. Sob uma visão sociológica, este espaço analisa, entre outras coisas, as razões que impedem belos e substanciosos livros de chegarem às mãos dos leitores brasileiros na quantidade e preço que merecem.

Livrosdehumanas.org se defende


O blog Livros Etc., de Josélia Aguiar, entrevistou Thiago, moderador dolivrosdehumanas.org, que saiu do ar na quarta-feira passada depois de ser notificado pela Justiça, como efeito da ação movida pela Associação Brasileira de Direitos Reprográficos [ABDR]. O endereço reunia cerca de 2,3 mil PDFs de livros e, segundo a ABDR, sua atividade gerou prejuízo de R$ 200 milhões. Uma série de manifestações em defesa do site aconteceu nas redes sociais. Na entrevista ao blog, Thiago afirma, entre outras coisas, que o número médio de visitantes únicos do site era de 3.500, público majoritariamente formado por estudantes universitários. “Muitos escreviam para o site falando que nas bibliotecas de suas universidades não encontravam a quantidade de títulos que indexávamos no livrosdehumanas.org. Os maiores pedidos eram livros de filosofia e dos mais diversos campos das ciências humanas.” Ele também disse que “nem todas as obras são possíveis de processo pela ABDR”. Há, segundo ele, títulos em domínio público, e-books gratuitos, livros com autorização dos autores, entre outros casos. “É tudo mais complexo do que a gritaria da ABDR faz parecer“, afirmou.

Por Josélia Aguiar | Folha Online | 21/05/2012

Waterstones fecha com a Amazon


Notícia pegou o mercado editorial do Reino Unido de surpresa

A rede de livrarias Waterstones surpreendeu o mercado editorial britânico hoje de manhã ao anunciar um acordo comercial com a Amazon, quando se imaginava que a empresa estava negociando com a Barnes & Noble. De acordo com o comunicado da Waterstones, foi firmada uma parceria para que a rede venda os e-readers Kindle em suas lojas dentro do Reino Unido – são, ao todo, quase 300 unidades. A empresa também mencionou que oferecerá “serviços novos de leitura digital” por meio da parceria, mas não revelou muitos detalhes.

O diretor executivo da Waterstones, James Daunt, disse em entrevista ao site da The Bookseller que os clientes da Amazon “querem o Kindle”. “Nós nos perguntamos, ‘o que nossos clientes querem?’: a resposta foi o Kindle. E, uma vez feito isso, ficou evidente para nós que era o melhor negócio”, disse. Ele admitiu que a Waterstones sondou outras opções, mas recusou-as. Segundo ele, também já era tarde para desenvolver um aparelho próprio. “O melhor dispositivo no mercado é o Kindle“, completou.

A Waterstones vai reformular lojas e criar “inovações” que incluem áreas digitais, internet sem fio gratuita e novos cafés ainda neste ano, segundo o comunicado da empresa. Daunt disse à The Bookseller que, cada vez que um usuário do Kindle comprar um e-book dentro do ambiente da Waterstones, a rede ficará com uma parte da venda. “O futuro da Waterstones está em suas lojas físicas, vendendo livros físicos, mas fazendo outras coisas em torno disso, como café e leitores digitais”, disse ele.

O anúncio acontece depois de a Barnes & Noble, principal concorrente da Amazon, ter anunciado uma sociedade com a Microsoft, em que a empresa de software fará um investimento de US$ 300 milhões no Nook, unidade de livros digitais da B&N. É mais uma demonstração de que esse mercado está em pleno processo de configuração.

Segundo Daunt, a parceria deve começar na prática no outono do hemisfério norte, ou seja, entre o fim de setembro e dezembro. A Waterstones já tem sua plataforma de e-books e vai continuar com ela. As editoras também continuarão negociando seu catálogo de e-books com Amazon e Waterstones separadamente.

Por Roberta Campassi | PublishNews | 21/05/2012

Outro conceito


A coluna Painel das Letras informou que a Novo Conceito se prepara para entrar no mercado digital em agosto, durante a Bienal, mas quer fazer diferente: pretende lançar plataforma própria, onde ficarão seus arquivos, e não entregá-lo às lojas. Ainda não há contrato assinado com nenhuma livraria.

Uma das editoras que mais vendem no país, a Novo Conceito chegou a entrar no leilão da série erótica “50 Shades”, mas agora o dono da editora, Fernando Neumayer, não quer saber do gênero -aposta de várias editoras para o segundo semestre. “O livro virou best-seller como e-book, que você baixa e ninguém vê, mas será que a brasileira entra numa livraria para comprar literatura erótica? Não estou certo.

Por Raquel Cozer | Folha de S. Paulo | 19/05/2012

Empurrão para os eBooks


Grupo de estudos da Associação Nacional de Livrarias, que se reúne desde março para analisar formas de facilitar a acesso de livreiros independentes ao livro digital, começa a dar resultado. No último encontro, quarta-feira, a Via Logos, empresa de software para o mercado editorial, contou que vai apresentar o case de sua primeira parceria com uma livraria de bairro durante a Convenção Nacional de Livrarias, em agosto. Ela acaba de assinar com a Casa Cultural Saber e Ler, de Campinas, que até lá estará vendendo e-books aos seus clientes pelo seu site, que se comunicará com o catálogo da Xeriph, distribuidora de livro digital.

Por Maria Fernanda Rodrigues | O Estado de S. Paulo | 19/05/2012

Difusão vs. pirataria


O site livrosdehumanas.org saiu do ar anteontem após ser notificado de ação judicial movida pela Associação Brasileira de Direitos Reprográficos. Com 2.322 livros em PDF gratuitos, o blog que se descreve como “difusor de conhecimento produzido pelas humanidades” representa, para a ABDR, “o maior caso de pirataria de livros digitais em dez anos“. Na quinta, iniciou-se no Twitter campanha em defesa do blog e contra as editoras Forense e Contexto, destacadas na notificação. A ABDR afirma que a ação partiu dela própria e que só usou títulos das casas como exemplos. Pelo número de livros, o site poderia ter de pagar mais de R$ 200 milhões, mas em geral chega-se a acordo. A instituição destaca o prejuízo ao autor e diz usar o dinheiro arrecadado em campanhas antipirataria -o valor arrecadado no ano passado não foi divulgado. A coluna tentou contato com o blog, sem resposta.

Por Raquel Cozer | Folha de S. Paulo | 19/05/2012

EUA exportam 333% mais eBooks


Ao mesmo tempo, a exportação de exemplares físicos cresceu 2,3%

As vendas de e-books americanos para outros países cresceram 333% em 2011, de acordo com um relatório da Associação de Editores Americanos divulgado hoje. As vendas passaram de US$ 4,9 milhões em 2010 para US$ 21,5 milhões – cerca de um terço foi exportado para o Reino Unido. Ao mesmo tempo, a venda de livros físicos dos Estados Unidos para o exterior subiu apenas 2,3% no período, para US$ 335,9 milhões. Os dados ajudam a compor um cenário onde os e-books podem “viajar” rapidamente e alcançar leitores no mundo todo. Em apresentação no dia 11, em São Paulo, durante o Congresso CBL do Livro Digital, o diretor de conteúdo do Kindle, Pedro Huerta, disse que a Amazon vendeu em todo o ano de 2011 cinco milhões de unidades de e-books em inglês – não necessariamente produzidos nos EUA – para países que não são de língua inglesa. E, só nos primeiros três meses de 2012, a Amazon já tinha vendido metade desse volume.

Por Roberta Campassi | PublishNews | 18/05/2012

Mais uma vez, o ePub


Escola do Livro promove curso que ensina a explorar os recursos do formato

Nas próximas segunda e terça-feira, 21 e 22 de maio, a Escola do Livro [Rua Cristiano Viana, 91, Pinheiros – São Paulo/SP. Tel: XX11 3069-1300] promove um curso avançado em ePub. As atividades ocorrerão das 9h30 às 18h30, e pretendem capacitar os participantes para explorar os recursos do ePub e do ePub 3. Serão abordados assuntos como o mercado de produção, o futuro e a atualidade do ePub3 e o uso do iBooks Author, da Apple. O palestrante será José Fernando Tavares, fundador e diretor técnico da Simplíssimo. O investimento é de R$ 580 para associados da CBL, R$ 920 para associados de entidades congêneres, professores e estudantes, e R$ 1.160 para não associados. Para se inscrever,clique aqui.

PublishNews | 17/05/2012

Summus lança eBooks


Grupo planeja ter 50% do catálogo em formato eletrônico até 2013

A Summus lançou 50 e-books e quer ter pelo menos 50% do catálogo – hoje formado por mil títulos, divididos em sete selos –, em formato eletrônico até o fim de 2013. Desde o início deste ano, segundo a editora, os títulos nacionais já estão sendo lançados em formato físico e digital ao mesmo tempo. Os primeiros e-books foram do psicoterapeuta Flávio Gikovate, entre eles Deixar de ser gordo [MG, 144pp. R$ 38,40 / e-book R$ 26,80]. Nesta semana, a edição revista e atualizada de Triângulo rosa – Um homossexual no campo de concentração nazista [Mescla Editorial, 184 pp., R$ 48,90 / e-book R$ 35,70], sai primeiro em e-book. O grupo afirma que espera elevar em 10% o faturamento deste ano com a venda dos títulos eletrônicos.

PublishNews | 17/05/2012

3º Congresso Internacional CBL do Livro Digital, A cadeia produtiva de conteúdo do autor ao leitor


Karine Pansa

Nos dias 10 e 11 de maio fechamos mais um ciclo do consistente processo de amadurecimento do setor editorial brasileiro, com a conclusão do 3º Congresso Internacional CBL do Livro Digital – que nesta edição teve por título “A nova cadeia produtiva de conteúdo – do autor ao leitor”.

Realizado menos de um ano após a última edição, o evento mostrou os rápidos avanços obtidos na área, em termos teóricos e práticos, o que pôde ser identificado nas apresentações proferidas por nossos palestrantes, bem como pela qualidade das discussões que ocorreram.

Como muitos constataram, vivemos um momento de quebra de paradigmas. Diferentes visões, porém complementares, foram apresentadas nas mais de vinte horas de palestras desenvolvidas por 22 convidados, em sua maioria personalidades internacionais.

Como era de se esperar, nem todas apontaram para uma mesma direção. E é bom e natural que seja assim. Essa é, inclusive, uma das características do momento de incertezas e de incontáveis oportunidades em que vivemos.

A começar por um fato simples, mas muito relevante. Embora muito se fale sobre as mudanças provocadas pelo advento do livro digital, a essência que caracteriza a produção editorial continua a mesma: seja no físico ou no eletrônico. Não há bons livros sem boas ideias, criatividade e, principalmente, conteúdo consistente.

Isso não significa, é claro, que o formato digital não irá acrescentar novas experiências ao leitor. As possibilidades criadas pela tecnologia são instigantes e pensar em um formato mais interativo, intertextual e multimídia para o livro não nos parece um absurdo. Pelo contrário, esta é uma tendência que, cada vez mais, transformará o livro e o deixará em um formato mais interessante para as novas gerações.

Presenciamos um momento de “disruption”, termo que poderia ser traduzido para o português como “desmoronamento de paradigmas”. Como aconteceu no passado, o surgimento dos e-mails reforçando a correspondência impressa e outros avanços tecnológicos como o DVD e BluRay no lugar dos vídeos cassetes e, agora, os tablets e e-readers. Com a chegada dos livros digitais, apresenta-se uma nova opção de relacionamento com o livro, que passa a adotar uma roupagem a mais: a digital.

Como todas essas mudanças, que causam a princípio incertezas e dúvidas, devemos enxergar os novos conceitos como oportunidades de crescimento e resgate de valores, por mais inovadores e revolucionários que aparentam ser em um primeiro momento.

Cabe ao setor livreiro aproveitar tais possibilidades, desenvolvendo vertente mercadológica com imenso potencial. E não podemos deixar de destacar que o futuro do País está na Educação. Para que esta Educação seja efetiva, é preciso que esteja embasada em conteúdo edificante, seja absorvida por meio de livros impressos ou digitais, pois o importante é o seu conteúdo enriquecedor, aquele que abre as mentes e desenvolve o ser humano.

Para o Brasil se apropriar desta nova tecnologia, precisa evitar soluções mágicas ou populistas. O País deve aprender com os erros cometidos por outros países e adquirir conteúdo acreditando na capacidade do nosso mercado editorial em fornecer bons produtos, nos moldes do que faz com o bem-sucedido Programa de compra e distribuição do livro didático [PNLD].

Para que isso seja possível, a ideia de que o digital deva ser gratuito precisa ser combatida e os direitos autorais garantidos. Nesse sentido, é função dos autores, editores, livreiros e representantes dos demais elos da cadeia produtiva do livro valorizarem e defenderem as regras que regem esse novo mercado, pois, como sabemos, sem respeito à propriedade intelectual, a economia criativa não existe.

Para que haja qualidade é preciso qualificação. E, para que haja qualificação, é necessário investimento. É necessário aproveitarmos esse momento de definição de novos conceitos para arriscar, errar e construir, paulatinamente, o novo caminho que se abre. Como ninguém tem a fórmula para o sucesso, o primeiro a descobri-la será muito bem recompensado, pois sempre haverá leitores dispostos a assimilar ricos conteúdos.

Todo esse processo, obviamente, muda por completo o “negócio do livro”, desde a concepção do conteúdo até a forma como vendemos cada exemplar, passando pela distribuição, precificação e estratégias de marketing e divulgação.

No entanto, mais uma vez, não há regra ou lição a ser seguida. Por isso, a mensagem que queremos deixar aqui é a de que cada um deverá, a partir de agora, construir sua própria história. Ou, como bem definiu Washington Olivetto em sua palestra, “o Brasil parece não ter sido descoberto, mas sim escrito. E, já que estamos escrevendo esse País, vamos escrevê-lo com criatividade, qualidade e educação”.

Agradeço a colaboração de todos os envolvidos com a criação, organização e realização deste Congresso, que mostrou ao que veio, tanto pelo rico conteúdo como pelo brilhantismo de seus participantes.

Gostaria de destacar o profissionalismo e empenho de toda a equipe da Câmara Brasileira do Livro e de seus colaboradores diretos e indiretos, que permitiram a realização bem-sucedida de mais esta edição do Congresso Internacional CBL do Livro Digital. E também a demanda de nossos associados e entidades do setor que mais uma vez prestigiaram nosso encontro e ratificaram esse sucesso.

Já estamos ansiosos pela quarta edição, que, com certeza, estará cheia de novidades e experiências.

Por Karine Pansa, Presidente da Câmara Brasileira do Livro | Publicado originalmente em CBL Informa | 15/05/2012

Editora de Stanford cria selo digital


Serão publicados originais curtos sobre vários tópicos acadêmicos

A Standford University Press criou um selo chamado Stanford Briefs para publicar originais curtos sobre uma variedade de tópicos acadêmicos, segundo informação divulgada no site da Publishers Weekly. Os e-books estarão disponíveis para compra nas principais lojas de e-books dos Estados Unidos e no site da editora. Paperbacks impressos sob demanda também poderão ser adquiridos. O primeiro título será The physics of business growth e custará US$ 9,99. Segundo Alan Harvey, que assumirá a direção da editora em julho, o gosto dos leitores da casa pelo formato digital é o principal motivo para fornecer conteúdo em novos formatos.

PublishNews | 15/05/2012

Brasil e Índia no caminho da rápida adoção dos livros eletrônicos


Por Felipe Lindoso | Publicado originalmente em PublishNews | 15/05/2012

O 3º Congresso do Livro Digital, organizado pela CBL, revelou-se melhor que os dois primeiros em um ponto fundamental: um número menor de vendedores de apps e programinhas, que compareciam menos para demonstrar tendências e mais para propor a venda de serviços para os tupiniquins embasbacados pelas novidades, o que geralmente não conseguiam, porque o pessoal daqui é desconfiado e muquirana.

Ainda assim, a mesa “Inovando suas publicações com aplicativos” foi um exemplo lamentável desse tipo de coisa. O único interessante, que apresentou a Nuvem de Livros, poderia ter servido de pano de fundo para um debate importante: o interesse por “conteúdo grátis”, que é turbinado pelas telefônicas e pelos provedores de serviços da internet, para os quais quanto mais tráfego O 3º Congresso do Livro Digital, organizado pela CBL, revelou-se melhor que os dois primeiros em um ponto fundamental: um número menor de vendedores de apps e programinhas, que compareciam menos para demonstrar tendências e mais para propor a venda de serviços para os tupiniquins embasbacados pelas novidades, o que geralmente não conseguiam, porque o pessoal daqui é desconfiado e muquirana.

Provocado pelo “grátis” ou pelo menos “baratinho” é importantíssimo. Eles cobram pelo tráfego de informação através de seus sistemas, e quanto mais nós contribuirmos com conteúdo grátis, melhor para eles. Isso merecia uma discussão. Mas os outros dois “palestrantes” dessa mesa, que foi o ponto mais baixo do evento, eram apenas patéticos vendedores que pareciam nem saber que tipo de pessoas compunha a plateia.

As duas palestras mais interessantes do Congresso foram, na minha opinião, as de Jonathan Novell, da Nielsen, e a de Kelly Gallagher, da R.R. Bowker. Foi uma fantástica oportunidade de ver, na prática, como os metadados constituem, hoje, um elemento essencial para que a indústria editorial possa cumprir seu papel de entregar os livros a seus leitores.

Jonathan Lowell, da Nielsen, foi o primeiro. A Nielsen é uma empresa internacional de coleta e análise de dados de mercado. Há alguns meses, Roberto Feith, do SNEL, anunciou que havia tratativas para que a empresa instalasse no Brasil o seu sistema de rastreio de vendas on-line de livros, o BookScan [eles têm sistemas semelhantes para outros produtos de varejo], e nossa colega Roberta Campassi, depois da palestra, soube que ele confirmou que isso acontecerá até o fim do ano.

Alvíssaras. Poderemos ter dados confiáveis, pelo menos sobre as vendas de varejo, já que pesquisa de produção editorial da CBL/SNEL ficou comprometida com a apresentação de dados diferentes para o mesmo ano. Ao que tudo indica, pelo menos no que concerne às vendas no varejo, poderemos ter dados confiáveis.

O BookScan registra em tempo real as vendas nas empresas de varejo [e bibliotecas, para empréstimo], que aceitem instalar o sistema. Permite aos editores saber, em tempo real, onde foi vendido cada um dos livros, a que horas, qual o cartão de crédito usado, as condições de venda, se o comprador faz parte de programas de fidelização e coisas do estilo. Mas, como Lowell chamou atenção, esses dados por si só ainda fornecem “poucas” informações. A análise se enriquece geometricamente se os livros contiverem metadados enriquecidos, de modo que as tendências na compra de cada exemplar possam ser agrupadas de maneira efetiva por gêneros, e cruzadas com outras variáveis. Para informações mais abrangentes sobre o BookScan, veja http://migre.me/956Sm .

Os instrumentos proporcionados pelo BookScan só serão úteis se os editores aprenderem a “mastigá-los”, de modo a permitir uma tomada de decisão bem fundamentada. Os dados não decidem o que fazer, mas permitem que sua análise informe quais as opções que melhor se adequam a cada editora, a cada momento. As livrarias, por sua vez, passam a dispor não apenas dos dados provenientes de suas vendas, mas podem comparar desempenhos de títulos e gêneros em outras regiões, em outros tipos de varejo etc.

São todas informações que devem ser trabalhadas. O que, infelizmente, nem editores nem livreiros andam muito habituados a fazer, salvo as famosas e honradas exceções.

No âmbito da análise de dados a partir do comportamento dos consumidores, a palestra de Kelly Gallagher abriu outras perspectivas.

Gallagher trabalhou com um conjunto de dados proveniente da uma pesquisa recém terminada em abril passado, o Global eBook monitor all country comparison – Final report. Usou também, como exemplo, um relatório do PubTrack, o sistema que analisa casos específicos.

O primeiro relatório terá sua versão sintética, referida a dez países [Austrália, Brasil, França, Alemanha, Índia, Japão, Coreia do Sul, Espanha, Reino Unido e EUA] disponível gratuitamente para download em breve aqui. Mas avisou: o relatório específico sobre o Brasil, só vendido. Lição para os editores: informação aparentemente custa caro, mas vale muito quando se aprende a usá-la.

O relatório sobre tendências globais para o consumo de livros eletrônicos mostrou as razões do interesse da Amazon no mercado brasileiro, e que são as mesmas pelas quais eventualmente teremos mais editoras internacionais querendo pescar uma fatia desse mercado. A pesquisa mostra que 18% dos consumidores já haviam adquirido pelo menos um livro eletrônico nos seis meses anteriores à pesquisa, e que esse índice tenderia a triplicar em curto prazo. Outro ponto interessante mostra que, nos mercados mais “maduros” [Reino Unido e EUA, por exemplo], as mulheres, e mais velhas, compram mais e compram mais ficção. Nos mercados “emergentes”, como no Brasil e na Índia, são os homens, e de uma faixa etária mais baixa, e há grande interesse pelos livros da área técnico-científica e profissional. É mais fácil se atualizar na área técnica via livros eletrônicos.

Segundo o relatório, os Estados Unidos, Austrália e Reino Unido são os países com os maiores índices de adoção de e-books, mas a Índia e o Brasil são os que apresentam as melhores condições para um rápido crescimento. A combinação da análise das porcentagens com o tamanho da população [e o ambiente econômico geral] é que coloca o Brasil e a Índia na ponta de lança do crescimento numérico de e-books a curto prazo.

O outro componente dessa equação será a disponibilidade de e-readers mais baratos, se a Amazon e a Kobo conseguirem colocar seus aparelhos por volta de R$ 200.

Vale mencionar um aforismo do Ed Nawotka, o editor da Publishing Perpectives há alguns meses: livro pirateado é o que não foi lançado em condições adequadas. Eduardo Melo, da Simplíssimo, que participou em outra mesa no Congresso, também afirmou que, se os editores não ocuparem o espaço, os livros pirateados irão atender a essa demanda.

No segundo relatório Gallagher mostra um dos trabalhos feito sobre encomenda, no caso sobre livros de cozinha. A pesquisa parte do fato de que as vendas de livros de cozinhas [nos EUA] estavam em queda. Mas a análise dos dados desagregados por grupos geracionais mostrava que uma determinada faixa etária se comportava de maneira diferente, comprando cada vez mais livros de cozinha. Resultado: produção de material para aquela faixa etária pelo editorial; marketing voltado para o grupo; comercialização em pontos de venda frequentados pelo grupo etário. Essa análise foi possível combinando informações de diferentes fontes, desde as pesquisas da própria R. R. Bowker sobre comportamento de consumidores, até os dados do BookScan.

Editar é uma arte, mas é uma arte que pode e deve ser informada pelo conhecimento científico. Saber quem são e onde estão os consumidores é algo que se torna cada vez mais crucial para que os leitores achem os livros que querem, e o editor possa lhes oferecer esses produtos. Mas recuperar essas informações de modo inteligível, de modo a poder analisá-las e tomar decisões informadas exige um pré-requisito: que os livros que circulam na web – não apenas os livros eletrônicos, mas todos os livros, cujas operações de compra e venda acabam registradas na Internet – estejam acompanhados desse “recheio” fundamental: os metadados.

Por Felipe Lindoso | Publicado originalmente em PublishNews | 15/05/2012

Felipe Lindoso

Felipe Lindoso é jornalista, tradutor, editor e consultor de políticas públicas para o livro e leitura. Foi sócio da Editora Marco Zero, diretor da Câmara Brasileira do Livro e consultor do CERLALC – Centro Regional para o Livro na América Latina e Caribe, órgão da UNESCO. Publicou, em 2004, O Brasil pode ser um país de leitores? Política para a cultura, política para o livro, pela Summus Editorial.

A coluna O X da questão traz reflexões sobre as peculiaridades e dificuldades da vida editorial nesse nosso país de dimensões continentais, sem bibliotecas e com uma rede de livrarias muito precária. Sob uma visão sociológica, este espaço analisa, entre outras coisas, as razões que impedem belos e substanciosos livros de chegarem às mãos dos leitores brasileiros na quantidade e preço que merecem.

A vez dos didáticos


Na primeira edição Congresso do Livro Digital da CBL, eram os diretores de editoras e livrarias que formavam a plateia. No ano passado, participaram os profissionais que botam a mão na massa. Eles voltaram este ano, mas o que mais chamou a atenção foi a presença das editoras didáticas. Só da Moderna participaram 23 funcionários.

Por Maria Fernanda Rodrigues | O Estado de S. Paulo | 12/05/2012

Na era digital, escrever um livro por ano é muita folga


Ryan Collerd for The New York Times | The author Lisa Scottoline, who writes thrillers, has increased her yearly output from one book to two because, she said, “the culture is a great big hungry maw, and you have to feed it.”

Ryan Collerd for The New York Times | The author Lisa Scottoline, who writes thrillers, has increased her yearly output from one book to two because, she said, “the culture is a great big hungry maw, and you have to feed it.

Por muito tempo, escritores que se especializaram em escrever romances, thrillers e suspenses escreviam um livro por ano, o que era considerado não apenas suficiente, mas produtivo. Uma reportagem do New York Times mostra que isso mudou na era do e-book. O metabolismo da indústria editorial está acelerado, e os autores agora têm que publicar o “equivalente literário a uma dupla jornada”, lançando contos, novelas ou mesmo um livro inteiro a mais por ano. “Eles estão tentando satisfazer os leitores impacientes que se acostumaram a fazer o download de qualquer livro ao toque de um botão”, afirma a reportagem. Além disso, as editoras também pressionam os autores, a partir da crença de que, quanto mais os nomes deles aparecem, maiores estrelas eles se tornam.

Por Julie Bosman | The New York Times | 12/05/2012

O conselho de YoungSuk Chi


Presidente da International Publishers Association, YoungSuk Chi falou ao Sabático

Presidente da International Publishers Association, YoungSuk Chi falou ao Sabático

Presidente da International Publishers Association, YoungSuk Chi falou ao Sabático depois de sua apresentação no Congresso do Livro Digital e deixou um conselho aos editores brasileiros neste tenso momento de negociação com Amazon, Google e Apple. “Dado que não há certeza de qual será o modelo de venda de e-book no futuro, não tente adivinhar como ele será, mas experimente diferentes modelos. Você pode ter informações sobre o que estão fazendo em outros mercados, e são informações úteis, mas elas não são do Brasil. E quem sabe como isso vai se desenvolver aqui? Meu conselho é: não coloque todos os ovos na mesma cesta.

Por Maria Fernanda Rodrigues | O Estado de S. Paulo | 12/05/2012

Independentes querem o eBook


Venda de e-book não é um assunto exclusivo das grandes redes de livrarias. Embora as pequenas e médias ainda não tenham dado o primeiro passo nesse sentido, já fazem planos para subir, o quanto antes, no bonde da história. O Levantamento do Setor Livreiro que será apresentado na próxima terça-feira mostrará que apenas 11% das livrarias que não comercializam livros eletrônicos estão confortáveis nessa situação e não pretendem ampliar o negócio. Dos 89% que acreditam que o e-book ainda vai pegar, 62,5% dos entrevistados disseram que o pontapé inicial será dado ainda em 2012. Para 37,5% dos livreiros, o projeto é para até três anos. O restante, 4%, não fixou prazo para inaugurar a sua e-bookstore. Para outros formatos não tradicionais, a adesão é mais avançada: 81,82% das livrarias já trabalham com audiolivro e 63,64% vendem obras impressas sob demanda. A pesquisa vai mostrar também que as vendas de livros pela internet aumentaram quase 10% de 2010 para 2011. O levantamento foi feito pela Associação Nacional de Livrarias [ANL] com seus associados entre março e abril e inclui outras questões como os investimentos para o ano, número de livrarias existentes no Brasil e segmentos de livros em alta no País.

Por Maria Fernanda Rodrigues | O Estado de S. Paulo | 12/05/2012

Livros via celular


Ainda em fase de testes, a biblioteca virtual Claro Leitura entrou no ar na quinta, sem nenhuma divulgação, no portal da operadora de celular.

O serviço de empréstimo de livros por download tem custo de R$ 3,99 por semana. O portal não permite ver os títulos disponíveis antes da assinatura, gratuita na primeira semana – a pequena KBR é uma das dez editoras participantes, via distribuidora Xeriph.

A Vivo investe em serviço similar, a R$ 0,99 por semana. Mas, como diz o nome – Nuvem de Livros -, só se pode ler on-line. Se cai a internet, é preciso parar a leitura.

Por Raquel Cozer | Folha de S. Paulo | 12/05/2012