Como gerir uma biblioteca digital?


BN promove curso com abordagens teórica e prática do tema

Estão abertas as inscrições para o 1º curso de gestão de Bibliotecas Digitais, que a Biblioteca Nacional realiza entre 2 e 6 de julho, em período integral. Além de embasamento teórico, o curso oferece abordagem prática. O uso de ferramentas de software livre na criação de bibliotecas digitais e a capacitação para gerenciamento de informações em meio digital também estão entre os objetivos do evento. Acesse o site da Biblioteca Nacional Digital para conferir a programação e baixar ficha de inscrição. Dúvidas podem ser esclarecidas através do e-mail bndigital@bn.br e pelos telefones 21 2220-4281 e 21 3095-3954. O valor do curso é R$ 500.

PublishNews | 04/04/2012

O que a Amazon sacou


Por Greg Bateman | Publicado originalmente em Publishnews| 04/04/2012

Sede da E-Ink em Cambridge, Massachusetts, EUA, ano de 2006 – a alguns minutos de caminhada da Universidade de Harvard e do MIT. Russ Wilcox, fundador da empresa, faz um discurso já familiar. Ele diz que o iPod e o mp3 revolucionaram a indústria da música. Para o vídeo, foi o DVD e o streaming na internet. Por que, ele pergunta, a indústria editorial não passou por uma revolução desde a criação da imprensa?

Certamente, não foi por falta de tentativas. Outro dia, Ednei Procópio, fundador da Livrus, em São Paulo, me mostrou com orgulho sua coleção de leitores de livros eletrônicos desde 1998. Minha aventura com os e-books começou em 2006, quando trabalhei no lançamento do Sony Reader, na sede da Sony, em Tóquio. Juntos, engenheiros e executivos da empresa havíamos refletido sobre as lições aprendidas com o fracassado lançamento do Sony Librie em 2004. Excelente aparelho, nenhum conteúdo. O novo Sony Reader era um produto bonito – uma obra de arte eletrônica – e confortável para segurar tanto com a mão direita quanto com a esquerda. Ele ostentava uma tela nítida e legível sob a luz do sol. Dezenas de milhares de e-books estavam prontos na ocasião do lançamento. Mas, embora estivesse tão à frente em vários sentidos, o Sony Reader não impressionou os leitores. O que estava faltando?

No fim de 2006, depois de comer uma tigela de noodles apimentado e bolinhos chineses fritos, eu me encontrava na tão [mal] falada linha de produção da Foxconn China. Saindo fresquinho da fábrica estava o protótipo da Lab126 do Kindle. Era grande, pesado e, francamente, não tinha uma aparência muito legal. O aparelho nos lembrava o Commodore 64 com um estojo de couro que parecia ser o resultado do trabalho manual de um escoteiro mirim. Eu não saquei a ideia. Como é que a primeira incursão própria da Amazon no mercado de eletrônicos poderia ter sucesso com essa criança feia?

Tudo fez sentido quando eu liguei o aparelho pela primeira vez algumas semanas mais tarde no laboratório da E-Ink. Após 30 segundos, o aparelho acorda e diz “Oi, Greg. Nós recomendamos estes 3 livros para você”. Um click e outros poucos 30 segundos depois, O código da Vinci magicamente aparece na tela. Tamanhos de fonte ajustáveis, marcador de página. Nenhum cadastro maluco, nem complicações com DRM, nem a necessidade de configurar a rede sem fio. Somente a pura experiência de leitura, sem interrupções. Aha!

O resto, claro, é história. Porque a Amazon “sacou” – uma experiência que vai da descoberta de conteúdo à compra do livro sem obstáculos –, leitores de todo o mundo estão lendo 40% mais títulos do que antes. Com o Kindle, aconteceu a primeira revolução real na indústria desde a criação de Gutenberg. Quem escreverá o próximo capítulo da nossa saga editorial digital?

Greg Bateman

Greg Bateman

Por Greg Bateman | Publicado originalmente em Publishnews| 04/04/2012

Greg Bateman, expert em tecnologia e empreendedor do negócio de e-books, é conhecido pelo seu envolvimento na criação de produtos extremamente bem-sucedidos, como os smartphones da Samsung e o Kindle, da Amazon. Na Vook, ele desenvolveu uma eficiente cadeia de produção de centenas de e-books por semana. Greg, que nasceu nos Estados Unidos, viveu nove anos no exterior, onde intermediou várias parcerias envolvendo Coreia, China, Japão e EUA. Hoje mora no Brasil, em São Paulo. Ele é pesquisador visitante da Universidade de Tóquio, tem duas graduações pela Universidade da Califórnia em Berkeley [engenharia elétrica/ciência da computação e literatura japonesa] e um MBA pela Columbia Business School.

A coluna E-Gringo discute a fundo o negócio e o lado técnico dos e-books a partir de uma perspectiva global. Às quartas-feiras, quinzenalmente, ela vai apresentar plataformas e tendências do mundo todo e, claro, do Brasil. Para enviar comentários, escreva para greg@hondana.com.br .

O homem por trás do Kindle no PublishNews


Greg Bateman, que trabalhou no desenvolvimento do leitor da Amazon, estreia coluna quinzenal

Quem conversa com Greg Bateman certamente se impressiona com a trajetória profissional desse americano. As paixões pela engenharia e pela cultura japonesa levaram-no a morar no Japão, onde ele trabalhou, entre outras coisas, com o desenvolvimento de telas para produtos eletrônicos. Com essa experiência na bagagem, foi para a China em 2006 trabalhar na E Ink, empresa que está por trás da tecnologia usada nos leitores eletrônicos, cujas telas reproduzem a sensação de ler no papel. E foi lá que ele integrou a equipe envolvida na criação do Kindle, da Amazon. Greg mal sabia de início, mas, por uma incrível confluência de acontecimentos, estava ajudando a escrever um capítulo-chave na história do mundo editorial. Agora, vivendo no Brasil, de onde ele cuida dos negócios internacionais da Vook, passará a escrever quinzenalmente sobre e-books e tecnologia para o PublishNews. O nome de sua coluna não poderia ser mais bem-humorado: E-Gringo.

PublishNews | 04/04/2012