Microsoft e Barnes & Noble juntas na batalha pelo mercado digital


Por Carlo Carrenho | Publicado originalmente em Tipos Digitais | 30/04/2012

Canso de ouvir no Brasil que a Barnes & Noble está falindo e indo pelo mesmo caminho que a falecida Borders. E isto está longe da verdade, como já expliquei em Não Confunda Barnes & Noble com Borders. É claro que a revolução digital que vem se impondo ao mercado editorial tem afetado a maior rede livreira do mundo e sua situação está longe de ser confortável. Mas a verdade é que a Barnes & Noble tem reagido com dignidade e sucesso, tendo, por exemplo conquistado um market share de 22% do mercado de eReaders com seu Nook, avançando sobre a até então intocável fatia da Amazon [dados da pesquisa The Rising of E-reading, da Pew Internet].

Hoje, um anúncio conjunto da megalivraria e de outra gigante de Seattle, a Microsoft, deve ter calado os mais catastróficos: “Barnes & Noble e Microsoft formam parceria estratégica para desenvolver experiências de leitura digital de nível mundial para consumidores“.

Sob o anúncio pomposo, o que vai acontecer de fato é a formação de uma nova empresa, subsidiária da Barnes & Noble, onde a Microsoft terá uma participação de 17,6% após uma ingestão de US$ 300 milhões. A nova empresa vai acolher sob suas asas não apenas a divisão do Nook, mas também os negócios ligados à educação e ao mercado universitário da livraria. O efeito mais imediato da parceria será o desenvolvimento de um aplicativo Nook para o Windows 8, próxima versão do sistema operacional da Microsoft  que funcionará em tablets e PCs. Um efeito menos imediato, mas extremamente relevante, está ligado à inclusão do negócio educacional na parceria, pois trata-se do desenvolvimento de uma plataforma tecnológica top de linha para a distribuição e gerenciamento de materiais educacionais digitais para alunos e professores.

William Lynch, CEO da Barnes & Noble, enfatizou durante o anúncio por webcast esta manhã, que graças ao apoio da Microsoft será possível “desenvolver uma plataforma robusta para materiais didáticos”. Fica claro então que, a princípio, o papel da Microsoft será o de desenvolvimento tecnológico e de disseminação global da plataforma do Nook.

Na prática, o anúncio de hoje muda muita coisa no mundo dos livros digitais. Em primeiro lugar, marca a entrada da Microsoft em um jogo que ela parecia ignorar. A grande verdade é que toda a tecnologia de e-reading até agora foi desenvolvida praticamente sem nenhuma participação da empresa de Bill Gates. A chegada da outra gigante de Seattle desequilibra bastante as forças no mercado de e-books. Se antes tínhamos as megaempresas Amazon, Apple e Google, seguida pelos menores Barnes & Noble e Kobo, agora a rede de livrarias passa a brincar de igual para igual com os três maiores. É interessante observar também que, se antes a Barnes & Noble tinha uma briga mais direta com a Amazon, por serem ambos varejistas de livros, agora surge outra briga mais direta, desta vez com a Apple, na medida em que o Nook passa a andar de mãos dadas com o Windows.

Perguntado no webcast como a parceria afetaria a plataforma Android do Nook, Lynch explicou que não mudaria nada neste momento, uma vez que “o foco do acordo está  na liberação de experiências de leitura para centenas de milhões de estudantes e leitores que usam Windows”, e não na tecnologia dos atuais aplicativos.

Espere um pouco. Centenas de milhões? Os EUA têm apenas 300 milhões de habitantes e o Nook só está presente por lá [apesar dos boatos, nem na Inglaterra a plataforma foi lançada ainda]. Ou seja, uma grande internacionalização do Nook faz parte da estratégia que está criando a nova subsidiária da Barnes & Noble. E isto faz todo o sentido. Enquanto Google, Apple e Amazon possuem atuação global, e até a Kobo promulga suas aspirações mundiais a todo o momento, a Barnes & Noble era a única ainda presa a um único mercado consumidor. E apesar de ter tido um grande sucesso na obtenção de conteúdo internacional, especialmente graças ao excepcional trabalho de Patricia Arancibia, sua diretora de conteúdo internacional, a verdade é que a loja da Barnes & Noble só existe nos EUA.

Com a Microsoft, a Barnes & Noble tem a possibilidade de globalizar sua plataforma de forma rápida e descomplicada. Para o mercado brasileiro e mundial, portanto, mais importante do que a separação do negócio digital da Barnes & Noble em uma subsidiária, mais importante do que ter o negócio educacional sob este mesmo guarda-chuva e mais importante do que a força da tecnologia da Microsoft, está a internacionalização da plataforma Nook, que agora poderá chegar a todos os pontos do planeta onde a empresa de Bill Gates esteja presente.

Por Carlo Carrenho | Publicado originalmente em Tipos Digitais | 30/04/2012

Lucro da Amazon cai menos do que previam os analistas


SÃO PAULO | Apesar do aumento de 35% na receita, a varejista virtual americana Amazon teve uma queda no lucro no primeiro trimestre. O ganho caiu de US$ 201 milhões nos primeiros três meses de 2011 para US$ 130 milhões no mesmo período deste ano. O resultado foi melhor do que o esperado por analistas. Às 18h05, as ações da companhia subiam 13,35% no after market.

Segundo a companhia, o leitor de livros eletrônicos Kindle continua sendo o produto mais vendido. A companhia não revela números sobre o produto. “No primeiro trimestre, 9 dos 10 produtos mais vendidos foram digitais – Kindle, livros eletrônicos, filmes, músicas e aplicativos”, informou a companhia em comunicado. Dos 100 produtos mais vendidos, 16 são itens exclusivos da companhia, escreveu na nota Jeff Bezos, fundador e executivo-chefe da Amazon.

As vendas líquidas totais da companhia foram de US$ 13,18 bilhões. Os Estados Unidos representaram 56% — um ponto percentual a mais do que no primeiro trimestre de 2011.

Para o segundo trimestre, a Amazon estima vendas entre US$ 11,9 bilhões e US$ 13,3 bilhões, uma variação entre 20% e 34% na comparação com o mesmo período de 2011. O resultado operacional poderá variar entre uma perda de US$ 260 milhões e um lucro de US$ 40 milhões.

Por Gustavo Brigatto | Valor Econômico | 27/04/2012 ÀS 18H47

Vendas de serviços digitais podem impulsionar margens da Amazon


Os ótimos resultados trimestrais da Amazon.com estão ajudando a convencer os céticos nos mercados americanos de que vale a pena comprar papeis da varejista da internet, que está tentando se transformar em uma empresa de tecnologia.

As ações da Amazon saltaram 15% nesta sexta-feira depois que a empresa apresentou os resultados do primeiro trimestre e margens bem acima das expectativas, adicionando US$ 10 bilhões em valor de mercado e marcando a maior alta diária desde outubro de 2009.

O presidente-executivo, Jeff Bezos, tentou convencer investidores a ficarem na companhia no longo prazo quando flertava com prejuízos nos trimestres recentes. Ele está tentando transformar a Amazon de uma versão online de uma grande varejista, como o Wal-Mart, em um provedora de serviços de tecnologia.

Alguns investidores argumentam que sua valorização de mais de 70 vezes acima dos lucros – superando empresas como a Apple Inc e Google Inc que produzem resultados recordes – se justifica porque a Amazon está a caminho de uma enorme expansão de margem. A companhia se expande para serviços mais lucrativos como a hospedagem de websites em nuvem para fornecer um ambiente online conectando compradores e vendedores.

Estes serviços vão se tornar uma parte crescentemente importante dos negócios totais da Amazon e será um guia para a lucratividade futura“, disse o analista Carlos Kirjner, da Bernstein Research, em relatório.

A Amazon está tentando ser “nem uma livraria ou uma varejista, mas uma companhia que usa tecnologia e sua escala para transformar cadeias de valores” do varejo à distribuição editorial e de vídeo.

DA REUTERS | Copyright Folha.com | 27/04/2012 – 17h37

Kindle Fire tem mais da metade do mercado de tablets com Android nos EUA


Um novo estudo, lançado nesta quinta-feira [26], revela que o Kindle Fire, da Amazon, tem mais da metade do mercado de tablets com Android nos EUA.

A pesquisa, que foi realizada pela comScore, revela que a presença do Kindle Fire saltou de 29,4% em dezembro de 2011 para 54,4% em fevereiro de 2012 no país.

Kindle Fire, tablet da Amazon, exibido em evento em Nova York | Mark Lennihan - 28.set.2011/Associated Press

Kindle Fire, tablet da Amazon, exibido em evento em Nova York | Mark Lennihan - 28.set.2011/Associated Press

No mesmo período em que o tablet da Amazon popularizou-se nos EUA, seus principais concorrentes perderam espaço. O Samsung Galaxy Tab, que ocupa o segundo lugar entre os tablets mais populares com Android do país, teve uma queda de 23,8% para 15,4% em sua participação no mercado. O Motorola Xoom, no terceiro lugar, caiu de 11,8% para 7%.

O estudo ainda revela que usuários de tablets com telas maiores consomem mais conteúdo do que donos de aparelhos com pequenas telas.

FOLHA.COM | 27/04/2012 – 15h07

As últimas do mercado


Por Camila Cabete | Texto publicado originalmente em PublishNews | 26/04/2012

Escrevi este texto no avião, na ida para Bogotá, onde participei, representando a Xeriph, de um debate na feira internacional do livro. Na próxima coluna, poderei falar sobre o mercado editorial digital na América Latina. Por ora, comento os últimos acontecimentos e notícias em nosso mercado. Como já escrevi antes, parece que três meses equivalem a um ano de desenvolvimento. Continuo com a sensação de já estar nisso tudo há décadas. Lá vão então as pílulas:

• Notícia de que as editoras dobraram a Amazon: não vejo isso ainda como uma grande verdade. Não acreditarei até que veja o contrato assinado. E vamos ser realistas, acredito que mesmo conseguindo bons descontos agora, na entrada deles em nosso mercado, em pouco tempo os livros vendidos na Kindle Store representarão mais de 50% das vendas de e-books das editoras. A partir desse momento, a Amazon começará a barganhar por cada vez melhores descontos… Não acham que é um pensamento lógico? Agora, que eles pensaram que seria muito mais fácil, ah, isso eles pensaram.

• Notícia sobre a queda dos servidores da Livraria Cultura: verdade verdadeira. Aconteceu e num momento de lucidez resolveram deixar tecnologia nas mãos de quem entende. Fecharam com provedores e acredito muito na melhora dos sistemas da Cultura. Afinal, alguém consegue buscar um e-book e comprar sem ter que cavar bem fundo? Agora, eles poderão se concentrar na melhoria do marketing digital que vêm fazendo, melhoria do aplicativo de leitura e de seu site. E vão se concentrar em fazer o que conseguem com louvor, que é vender livros.

• Notícia sobre a Apple: numa entrevista ao Brasil Econômico, comentei que seria bem mais fácil ela entrar no Brasil com a iBooks do que os outros players internacionais. Falei isso não com provas concretas, mas também com raciocínio lógico. Ora bolas… Eles já estão vendendo músicas aqui no Brasil. Já possuem a faca e o queijo nas mãos… Se não chegarem antes, estarão sendo cavalheiros em deixar Amazon e Google passar na frente. No melhor estilo “ladies first”.

As livrarias brasileiras vão ter mesmo que se mexer. Acredito demais na coexistência de todos esses atores em palco, ao mesmo tempo. O mercado brasileiro é vastíssimo e vejo a oportunidade real da democratização da leitura. Quero mais é ter a leitura banalizada. As amarras geográficas não existem mais. Quem diria que eu estaria escrevendo num tablet do tamanho de um caderno leve este artigo, que em poucos minutos enviarei via internet? Meu celular está sendo carregado numa entrada usb na poltrona na minha frente e tenho, dentro deste tablet, mais de 50 livros para ler e minhas músicas para ouvir. Santa tecnologia!

Por Camila Cabete | Texto publicado originalmente em PublishNews | 26/04/2012

Camila Cabete [@camilacabete] tem formação clássica em História, mas foi responsável pelo setor editorial de uma tradicional editora técnica por alguns anos [Ciência Moderna]. Hoje, é responsável pelo setor editorial da primeira livraria digital do Brasil, a Gato Sabido [@gatosabido]. É ainda consultora comercial da Xeriph, a primeira distribuidora de conteúdo digital do Brasil e sócia fundadora da Caki Books [@cakibooks], uma editora cross-mídia que publica livros em todos os formatos possíveis e imagináveis. Vive em Copacabana e tem uma gata preta chamada Lilica.

A coluna Ensaios digitais é um diário de bordo de quem vive 100% do digital no mercado editorial brasileiro. Quinzenalmente, às quintas-feiras, serão publicadas novidades, explicações e informações sobre tecnologias ligadas a área literária.

O iRiver Story HD chega oficialmente ao fim


E-reader não consegue competir com outros dispositivos e deixará de ser vendido em lojas americanas

Conforme contou Michael Kozlowski no site especializado Goodereader.com, o iRiver Story HD foi o primeiro e-reader da empresa sul-coreana iRiver a ganhar projeção no mercado mundial. Quando o equipamento foi lançado, a empresa estabeleceu uma parceria com a cadeia de lojas norte-americana Target, para distribuí-lo em todas as suas lojas físicas e na internet. Com isso a iRiver esperava que sua sorte mudasse no competitivo mercado de e-readers. Evidentemente, isso não aconteceu e sua produção chegou ao fim. No mercado atual, observa Kozlowski, o iRiver Story HD simplesmente não consegue competir com os dispositivos de Barnes & Noble, Kobo e Amazon. Várias lojas da Target confirmaram que a partir de hoje todas as suas unidades deixam oficialmente de vender o aparelho.

Quando foi lançado, em 2011, o Story HD tinha duas trunfos que o diferenciavam no mercado: foi o primeiro e-reader do mundo a ter acesso direto ao ecossistema de livros digitais do Google Books. O problema com isso veio quando o Google Books foi integrado à plataforma Google Play e o firmware do equipamento não recebeu atualização e não pode mais ter acesso aos e-books. A outra vantagem era ter a melhor resolução de tela do mercado – o Kindle tem resolução de 600 x 800, enquanto o iRiver tem 1024 x 768.

PublishNews | 26/04/2012

Mais duas na Amazon


Dublinense e Manole fazem acordo com a varejista americana

A Dublinense e a Manole esperam ver em breve seus e-books à venda no site da Amazon. Elas acabam de fechar contrato com a gigante americana e se juntam a outras empresas brasileiras que já fizeram o mesmo – como a KBR, a Callis e a distribuidora Acaiaca, conforme informou a coluna Painel das Letras no fim de semana. A negociação já é válida para quando a loja virtual brasileira da Amazon for inaugurada no Brasil, ação projetada pela própria empresa para o segundo semestre.

Segundo Gustavo Faraon, publisher da Dublinense, que engloba também a Não Editora, as condições da Amazon – especialmente a questão de quanto da venda fica com a varejista e quanto com a editora – “são razoáveis, não são as piores do mercado brasileiro”. “Eles foram mais flexíveis do que eu esperava”, observa. A editora já vende e-books na Saraiva e por meio da distribuidora Xeriph – que desde a semana passada fornece livros digitais para a Cultura, entre outras lojas. A dúvida, segundo ele, é se a loja brasileira da Amazon abre mesmo no segundo semestre, já que a companhia americana se deparou com a resistência de grandes editoras brasileiras nas negociações.

Por Roberta Campassi | PublishNews | 26/04/2012

Vamos usar a cabeça, pessoal


Por Greg Bateman | Publicado originalmente em Publishnews | 25/04/2012

A semana retrasada foi uma novela melodramática para as editoras e as lojas de livros. Li muitos artigos carregados de emoção, incluindo:

“Apple Wanted to Break Amazon’s Monopolistic Grip”
“Did Apple Rob Your Library?”
“Amazon’s Greed May Provide its Undoing in the e-Book Price War”

e pessoalmente o meu favorito:

“The Justice Department Just made Jeff Bezos Dictator for Life”

[Desculpem pelos títulos em inglês, mas eles são um pouco mais pitorescos do que em português.]

Talvez eu esteja sendo muito radical, mas eu acho que todos nós queremos a mesma coisa.

Leitores querem comprar mais conteúdo bom.
Editoras querem criar conteúdo bom que venda.
As lojas querem vender conteúdo bom aos leitores.

Vamos voltar aos fundamentos da economia.

Preço x Unidades vendidas = Receita

Num caso extremo,

Caro demais: Preço muito alto x nenhuma venda = 0 de receita
Barato demais: Grátis x grande volume = 0 de receita

Tem que existir um preço mágico. É R$ 20. Na verdade, R$ 30. Com certeza, R$ 40. Será que é realmente tão simples assim? Não. Há outras considerações.

1. Mercadorias alternativas
“Seu livro impresso é mais barato, vou comprá-lo.”
“Seus livros são muito caros, melhor eu comprar o livro de outra editora.”
“Todos esses livros são muito caros, vou ao cinema.”

2. Efeitos psicológicos
“Seu livro é ridiculamente barato, não deve ser bom.”
“Seu livro é caro, mas centenas de pessoas compraram, então deve ser bom.”
“Faltam só dois dias pro Natal e eu não comprei nada pra minha namorada, então vou pagar quanto você cobrar.”

Adivinha quem entende melhor disso tudo do que qualquer outra loja? A Amazon. Eles gastaram centenas de milhões, se não bilhões de dólares, em algoritmos de alta tecnologia que otimizam os preços a cada MINUTO.

O que quer a Amazon? Maximizar a receita.
O que quer o sr. Editor? Maximizar a receita.

“Ótimo, então vou deixar que eles cuidem disso por mim. Fácil!” Calma, não tão rápido.

“A Amazon fica com uma parte enorme da minha receita em troca dos seus algaritmos de alta tecnologia. Eu quero mais!”

“Estou fazendo um monte de campanhas especiais offline. Preciso controlar meu preço!”

“Tenho uma tonelada de seguidores no twitter/facebook/blog. Eu deveria ganhar algo pela minha audiência!”

O que uma editora deve fazer? Usar a cabeça. Existem respostas para suas perguntas.

Vamos começar olhando para os relatórios de vendas. “Qual o efeito de um preço diferente sobre minhas vendas?” “Quais canais de venda estão funcionando melhor para mim.” [Se eu publico livros de negócios, a Apple é uma ótima amiga; se sou um escritor de romances, é a Amazon.] Sou um grande fã da abordagem da Metricly para juntar todos esses dados juntos.

Vamos entender o que minha audiência faz por mim. “As pessoas estão me escutando? Quantos “retweets” / visitas ao site / “likes” no facebook eu tenho?” “As pessoas estão falando sobre mim? Quantas vezes eu apareço nas redes sociais?”

Eu adoro o Hootsuite para checar tudo o que é social. Grátis e poderoso. E oferece um milhão de outras ferramentas!

Vamos checar o que os rankings de mais vendidos fazem com minhas vendas.“Se eu chegar ao top 100, as minhas vendas vão ficar exponencialmente maiores?” “Estou escolhendo a categoria certa?” Talvez seja melhor ser um peixe grande em aquário pequeno. O Booklr registra os rankings ao longo do tempo. Legal! Mas só na Amazon e na B&N por enquanto.

Vejam só, eu não estou escolhendo lados na batalha do Agenciamento x Distribuição. A Apple e a Amazon são duas empresas incríveis que fornecem ótimo conteúdo para pessoas no mundo todo. Não vamos morder a mão que nos alimenta. Mas se quisermos ter controle sobre nossos próprios destinos precisamos saber o que está acontecendo com nosso conteúdo e com nossa audiência.

Hora de usar a cabeça.

Greg Bateman

Greg Bateman

Por Greg Bateman | Publicado originalmente em Publishnews | 25/04/2012

Greg Bateman, expert em tecnologia e empreendedor do negócio de e-books, é conhecido pelo seu envolvimento na criação de produtos extremamente bem-sucedidos, como os smartphones da Samsung e o Kindle, da Amazon. Na Vook, ele desenvolveu uma eficiente cadeia de produção de centenas de e-books por semana. Greg, que nasceu nos Estados Unidos, viveu nove anos no exterior, onde intermediou várias parcerias envolvendo Coreia, China, Japão e EUA. Hoje mora no Brasil, em São Paulo. Ele é pesquisador visitante da Universidade de Tóquio, tem duas graduações pela Universidade da Califórnia em Berkeley [engenharia elétrica/ciência da computação e literatura japonesa] e um MBA pela Columbia Business School.

A coluna E-Gringo discute a fundo o negócio e o lado técnico dos e-books a partir de uma perspectiva global. Às quartas-feiras, quinzenalmente, ela vai apresentar plataformas e tendências do mundo todo e, claro, do Brasil. Para enviar comentários, escreva para greg@hondana.com.br .

Vaquinhas virtuais


Redes sociais podem ser usadas para arrecadar dinheiro para compras com ferramenta no site da Saraiva

Vaquinha. Essa velha forma de arrecadar dinheiro já ganhou versão virtual, que permite que o consumidor escolha um produto e arrecade dinheiro para a compra nas redes sociais. A loja virtual da Saraiva.com.br passa a fornecer essa ferramenta aos seus clientes em parceria com o site Vakinha. O serviço vale para todos os produtos vendidos pela companhia. Quando o usuário junta o valor necessário com os amigos, recebe em troca um vale presente da Saraiva.

PublishNews | 25/04/2012

Aparelhos de leitura em alta


Demanda aumenta e empresas movimentam-se para vender seus produtos

Uma nota no Publishers Lunch de hoje chama atenção para os resultados do primeiro trimestre divulgados pela Apple, ontem: 11,8 milhões de iPads vendidos, mais que o dobro do que os 4,7 milhões do mesmo período de 2011. O principal executivo Tim Cook chamou atenção para o crescimento da demanda pelo aparelho e para o preço de US$ 399 do iPad 2, que fomenta ainda mais a procura em certos países e o uso do mesmo para educação. Além disso, as unidades pré-encomendadas do novo Nook Glow Light, da B&N, único e-reader luminoso do mercado, começaram a ser enviadas e a empresa reporta forte demanda. O Kindle Touch 3G, da Amazon, também começou a ser enviado para 175 novos países antes da data prevista pela empresa. A nota ainda cita a notícia de que a Kobo pretende se instalar no Brasil e trazer seus e-readers para cá ainda este ano.

PublishNews | 25/04/2012

Rakuten inaugura shopping virtual no Brasil e traz plataforma aberta para eBooks


A Rakuten, maior varejista online do Japão e 3° maior varejista online do mundo em volume de vendas, lança o Rakuten Shopping no Brasil. A empresa traz um modelo de shopping virtual, que hoje reúne 38 mil lojas e 74 milhões de consumidores cadastrados no Japão. “Nosso cliente é o varejista e o consumidor é nosso ativo“, define Alessandro Gil, CMO da Rakuten Brasil.

A operação já conta com 94 lojas, com nomes como Le Postiche e Centauro. A expectativa é chegar a 800 lojas até o final deste ano. “No Brasil há necessidades específicas, como a nota fiscal eletrônica. Então, por menor que seja a loja, há algum trabalho de integração”, explica Alessandro Gil. “A logística também é mais complicada e perder o controle disso seria uma contradição a nosso diferencial de qualidade. Temos muito critério para inserir e apoiar os varejistas, para garantir a melhor experiência ao consumidor“, acrescenta.

Para o comerciante, a presença no Rakuten Shopping tem taxas mensais e um percentual sobre transação. Para os consumidores, a Rakuten terá um programa de fidelização. “No programa Super Points, o consumidor ganha pontos a cada compra, podendo gastá-los em quaisquer outros produtos do Shopping. Há ainda promoções especiais, como a que ocorreu na Sexta-feira 13, em que o consumidor ganhou 13 vezes mais Super Points em suas compras. Outro diferencial é o Compra Garantida, que assegura o reembolso em caso de problemas com a loja“, exemplifica.

O operador logístico das operações de comércio eletrônico fica a cargo do próprio varejista. “Um grande aprendizado que tivemos é que há uma grande oportunidade para bons provedores de logística“, menciona.

Nova alternativa para eBooks

Junto ao Rakuten Shopping, a empresa traz ao Brasil a plataforma para e-books Kobo, que também foi recentemente adquirida pela Rakuten. Todd Humphrey, vice-presidente de desenvolvimento de negócios, veio ao Brasil para conversar com editoras e livrarias, com o objetivo de lançar os e-readers e os títulos em português até o final deste ano.

Embora os preços não estejam definidos para o Brasil, Humphrey informa que o Kobo Touch – o mais popular modelo, com tela de 6 polegadas e tinta eletrônica – custa cerca de US$ 130 nos EUA. “Com o aumento de volume, esse preço tende a baixar“, diz.

Pelas estimativas de Humphrey, o preço dos e-books fica em torno da metade dos títulos em edição física. No entanto, a livraria virtual, uma das lojas do Rakuten Shopping, também terá um grande acervo de obras de domínio público. “As alternativas grátis são uma forma importante de colocar mais livros nas mãos dos leitores“, justifica.

Oferta de plataforma

Mesmo com o Rakuten Shopping, Alessandro Gil esclarece que a oferta de plataforma para lojas acontece com a Rakuten EC Service. Na prática, a conjugação de lojas em grandes portais, como o Rakuten Shopping, ou em domínio próprio é uma decisão semelhante a manter lojas de rua ou instaladas em shopping centers.

Publicado originalmente em Artigonal.com | 24/04/2012

3º Congresso Internacional CBL do Livro Digital terá Newton Neto do Google, Ronald Schild da Libreka! e Paul Petani da Ingram Content Group como palestrantes


A 3ª edição do Congresso Internacional CBL do Livro Digital contará com a presença de Newton Neto, responsável no Google por parcerias estratégicas com o ecossistema de mídia impressa na América Latina; Ronald Schild, CEO da MVB Marketing e Serviços Editoriais [Libreka!]; e Paul Petani, diretor de Vendas Internacionais da Ingram Content Group, entre outros.

Com vasta experiência no mercado de plataformas para a distribuição do livro digital, esses profissionais irão discorrer sobre suas experiências durante o congresso, no painel “O poder das plataformas de distribuição”, a se realizar no dia 11 de maio, às 16h30.

Idealizado e realizado pela CBL desde 2010, o Congresso e a própria entidade constituem o principal fórum brasileiro para a discussão e debate das tendências do mercado editorial de conteúdo digital. A 3ª edição tem como tema central “A nova cadeia produtiva de conteúdo – do autor ao leitor”.

As inscrições para o 3º Congresso internacional CBL do Livro Digital estão abertas. O fórum acontece nos dias 10 e 11 de maio, no Centro Fecomercio de Eventos, em São Paulo. A programação completa pode ser acessada pelo link: http://www.congressodolivrodigital.com.br.

CBL Informa | 24/04/2012

Kobo chega ao Brasil em 2012 com leitor de eBooks e tablet


Modelo com e-ink da foto se somará a versão Touch de 6 polegadas e tablet Vox de 7 polegadas | Foto: Henrique Martin/ZTOP

Modelo com e-ink da foto se somará a versão Touch de 6 polegadas e tablet Vox de 7 polegadas | Foto: Henrique Martin/ZTOP

A plataforma de e-books Kobo será lançada no Brasil no segundo semestre, de acordo com Todd Humphrey, vice-presidente de desenvolvimento de negócios da companhia. O executivo participou nesta terça-feira, em São Paulo, do Rakuten Super Expo, evento da varejista online japonesa que entrou oficialmente em operação no País.

O Kobo [também parte da Rakuten] é composto por uma família de leitores de e-books com tinta eletrônica e por uma loja de livros que funciona em diversas plataformas, incluindo iOS, BlackBerry e Android. “Pense no Kobo como o Kindle para o resto do mundo“, comparou Humphrey – que já trabalhou na concorrente Amazon.

Segundo o executivo, tanto a loja de livros com títulos em português quanto os dispositivos de leitura da marca serão lançados no final do terceiro trimestre, a tempo das compras de Natal. Preços, tanto de e-books quanto dos leitores, ainda não estão definidos.

Os e-readers serão importados e, diz Humphrey, uma nova linha que ainda será anunciada no exterior deve ser lançada por aqui, incluindo modelos com e-ink e tela sensível ao toque [Kobo Touch, com tela de 6 polegadas] e até mesmo um tablet [Kobo Vox, com tela de 7 polegadas]. Nos Estados Unidos, o modelo mais barato [Kobo Wi-Fi] custa em torno de US$ 129.

Estamos trabalhando com as editoras brasileiras e fechando acordos de venda com o varejo, assim com uma grande cadeia de livrarias para distribuir os leitores de e-book“, afirmou o executivo. A ideia é ter títulos brasileiros, incluindo gratuitos, com os aparelhos à venda no shopping online da Rakuten e em uma grande cadeia de livrarias, além do varejo convencional.

Humphrey não citou nomes, mas disse que “as editoras brasileiras têm que mudar rápido para uma estratégia de distribuição digital, já que a Amazon está vindo para cá“. Em comparação com a Amazon.com, Humphrey afirma que a plataforma Kobo se diferencia por usar uma “estratégia aberta”.

A Amazon tranca o consumidor na plataforma dela. No Kobo, o livro é seu, para ler nos aparelhos que quiser. A adoção de padrões abertos é boa para as editoras também, já que elas não querem que seu leitor fique preso“. A plataforma do Kobo também permite que autores independentes publiquem seus livros.

O desafio da Kobo agora é convencer os editores de livros no Brasil a partir para a estratégia digital. Humphrey compara o mercado brasileiro à situação que os Estados Unidos e Canadá estavam há três anos. “Em mais 5 anos, 50% dos livros serão digitais no Brasil“, prevê.

O site da Kobo, por enquanto, ainda está em inglês. A conferir no segundo semestre se eles conseguem chegar a tempo para concorrer com a Amazon [e Positivo e tantos outros que já se aventuraram no mar dos e-books brasileiros].

Terra | 24/04/2012

Os eBooks estão chegando


O desembarque da Amazon e da livraria digital da Apple no Brasil agita as editoras nacionais e promete mudar o hábito de leitura de milhões de brasileiros

Thalita Rebouças vendeu mais de um milhão de livros de papel, mas é fã da leitura nos e-readers

Thalita Rebouças vendeu mais de um milhão de livros de papel, mas é fã da leitura nos e-readers

A constante reclamação de que o brasileiro lê pouco não incomoda os executivos da Amazon e da Apple, os dois gigantes globais dos livros eletrônicos. Esse “pouco” foi suficiente para fazer com que pelo menos um deles chegue ao País em breve, segundo rumores do mercado editorial. Aproveitando os entraves que tomaram conta das já avançadas negociações entre a Amazon – maior livraria online do mundo – e as editoras nacionais, a Apple mandou executivos para o Brasil, que já teriam firmado acordos para começar nas próximas semanas as vendas de títulos em português pelo aplicativo iBooks, disponível para iPad.

Apesar de planejar o início das operações no Brasil para o segundo semestre, a Amazon pretendia ter em seu portfólio pelo menos 100 editoras nacionais, mas fechou acordo com apenas dez, sendo só uma de grande porte. Está claro, portanto, que o grande obstáculo para a implantação da loja virtual criada pelo americano Jeff Bezos, presente em nove países e criadora do leitor Kindle, é vencer a resistência das editoras brasileiras. Segundo fontes ouvidas por ISTOÉ, elas temem sofrer represálias das livrarias físicas presentes no País, caso fechem um acordo com a Amazon.
Outro entrave é o contrato-padrão da livraria eletrônica, com cláusulas que incluem o acesso a todo o catálogo da editora para a digitalização, pedidos de exclusividade e comissões em torno de 50% do preço. No Brasil, esse percentual para as edições em papel é, em média, de 35%. A demora nas negociações e a chegada da Apple podem fazer com que a Amazon flexibilize suas regras. Mas Bezos é conhecido pela agressividade nos negócios. Uma das alternativas que ele tem na manga é entrar de sola também no mercado tradicional de livros de papel, tranquilizando as editoras que temem um boicote das livrarias. Cabe lembrar que a Amazon surgiu na era anterior aos e-books, vendendo obras de papel na internet.

Marcelo Duarte, da Panda Books, já digitalizou parte do seu catálogo

Marcelo Duarte, da Panda Books, já digitalizou parte do seu catálogo

É uma questão de mercado. Alguém vai acabar cedendo”, diz Karine Pansa, presidente da Câmara Brasileira do Livro [CBL], que promove um congresso sobre obras digitais em maio. Se apenas a Apple firmar um acordo com as maiores editoras brasileiras, nada muda para a publicitária Alana Della Nina, que comprou um Kindle nos EUA há dois anos e adquire ao menos quatro e-books [em inglês] por mês na Amazon americana. “O Kindle é quase prosaico. Essa é a grande sacada dele. O iPad não serve para ler textos grandes. A leitura se torna desconfortável em pouco tempo”, diz.

A mesma opinião tem a escritora Thalita Rebouças, que já vendeu mais de um milhão de livros de papel. “Tenho iPad e Kindle e adoro os dois”, diz. “Mas o primeiro é bom para assistir a vídeos e ler, no máximo, uma revista. Já o outro é leve e tem uma tela tão confortável para os olhos quanto o papel”, compara. Dos 13 títulos publicados pela autora, nove estão disponíveis no formato e-book nos sites de livrarias como Saraiva, Cultura, Submarino e Positivo, entre outras.

Alana Della Nina, publicitária e dona de um e-reader Kindle, da Amazon

Alana Della Nina, publicitária e dona de um e-reader Kindle, da Amazon

Para ter mais poder de barganha nas negociações das versões eletrônicas de seus títulos, a editora que publica as obras de Thalita, a Rocco, se uniu à Record, Sextante, L&PM, Planeta e Objetiva – as maiores do País – para formar a DLD [Distribuidora de Livros Digitais]. “É muito bom para o autor que o trabalho esteja disponível em vários formatos”, diz Thalita. “Mas o papel ainda tem uma longa vida pela frente.

Os defensores do e-book argumentam que ele sempre será mais barato [em torno de R$ 20] por não ter o custo de impressão. Mas nem todos concordam. “O livro digital é barato porque parte do preço é dividido com o título impresso”, diz Marcelo Duarte, jornalista e diretor-editorial da editora Panda Books, que tem 42 de seus 380 títulos em versão para iPad. Ele acredita que versões exclusivas para e-readers serão mais salgadas. “A impressão é apenas parte do custo. Há outros processos, como diagramação, tradução e edição”, afirma Duarte.

Uma coisa é certa: não dá mais para desprezar o mercado brasileiro. Mesmo não havendo dados sobre as vendas por aqui, o enorme potencial é consenso. O segmento educacional é prova disso. O Ministério da Educação e Cultura [MEC] realizou recentemente um pregão para adquirir 900 mil tablets. Os equipamentos serão repassados aos professores do ensino médio das escolas públicas ainda este ano. Não por acaso, a Apple estaria apostando no segmento de livros eletrônicos didáticos.

Independentemente de a Apple ou a Amazon virem para o Brasil, as empresas daqui estão estabelecidas e são bem-sucedidas”, defende Karine, da CBL. Recém-chegada de um dos maiores eventos do setor, a London Book Fair, na Inglaterra, ocorrido na semana passada, Karine ficou impressionada com o interesse dos estrangeiros pelo País. “Quando eu dizia que era brasileira, invariavelmente ouvia: ‘O Brasil está bombando!’”, conta. De fato, o País atrai quem domina o segmento como uma mina de ouro.

Quando a Amazon lançou o Kindle nos EUA, em 2007, o mercado de e-books americano praticamente não existia. Hoje, no entanto, a empresa vende mais livros digitais do que em papel. Segundo a Associação Americana de Livros, as vendas de e-books naquele país cresceram 117% em 2011. Com cada vez mais brasileiros tendo acesso a bens de consumo e à cultura, não é de admirar a ferocidade com que os gigantes da tecnologia estão travando a guerra pelo nosso mercado.

Por André Julião | Publicado originalmente por Isto É | 24/04/2012

Harry Potter poliglota


Loja de e-books da saga começa a vender edições digitais em quatro idiomas, além do inglês

As edições em francês, italiano, alemão e castelhano dos e-books de Harry Potter foram colocadas à venda na Pottermore. A loja havia sido lançada no dia 27 de março apenas com as versões dos sete livros da saga em inglês e informou ter vendido um milhão de libras em e-books para clientes em mais de 100 países nos primeiros três dias de operação. Ainda não há data certa para o início da venda dos livros em outras línguas, mas, no caso do Brasil, por exemplo, a Pottermore já fechou acordo com a Rocco para comercializar em formato digital as edições feitas pela editora.

PublishNews | 24/04/2012

Leitura aumenta com eBooks


Por Silvio Meira | Publicado originalmentem em Terra Magazine

Nos estados unidos, pesquisa do pew internet project mostra que donos de leitores de ebooks [como nook, da barnes & noble e kindle, da amazon] estão lendo mais do que que a turma do velho livro de papel. quanto mais? Quem tem um ebook reader leu 24 livros [em média] nos últimos 12 meses, contra 15 de quem não tem. Q mediana de leitura é 13 livros por ano para quem lê ebooks e 6 para quem não lê. não 10 ou 30% a mais de leitura nos ebooks, mas mais de 100%.

Nos EUA, até fevereiro de 2012, 21% dos leitores já leu pelo menos um ebook. E este número vem crescendo muito rapidamente: o número de dezembro de 2011 era 17%. A literatura é claramente uma economia em transição, um processo que começou há cinco anos, com o lançamento do kindle [ou há dez, se você quiser, com iTunes, como mostra a lista abaixo].

Tech timelina of eReaders & Tablets

Tech timelina of eReaders & Tablets

Parece óbvio que o livro está virando serviço, de forma muito rápida nos EUA e, breve, no resto do mundo, inclusive no Brasil, onde a Amazon deve lançar o Kindle ainda em 2012 e onde atores locais estão montando suas ofertas de leitores e serviços. Se vai haver serviços abertos e interoperáveis ainda é um problema em aberto. Imagine que seus dois autores prediletos estão disponíveis, cada um, em apenas uma plataforma de serviços digitais. Será que você terá – em último caso – que ter dois leitores de ebooks para ler os dois autores? Ou, talvez, num ambiente de ubiquidade e pervasividade de redes,

E os problemas não param por aí: com a mudança de plataforma de literatura do papel encadernado [e editoras, distribuidores, livrarias, bibliotecas] para a rede, os direitos do leitor podem mudar radicalmente e alguns dos muito antigos [como emprestar um livro, pra citar o mais básico] são afetados. É preciso, pois, rediscutir e restabelecer os direitos do leitor digital, o que envolve propriedade e privacidade, entre muitos outros. Os direitos do autor também estarão na pauta, pois pirataria literária, digital, não vai ser assunto menor nos próximos anos. junto com os problemas, é sempre bom lembrar, virão as oportunidades. Neste caso, bilionárias, inclusive aqui, no .BR.

Por Silvio Meira | Publicado originalmentem em Terra Magazine | Silvio Meira é professor titular de engª de software do http://www.cin.ufpe.br, chief scientist do http://www.cesar.org.br, presidente do conselho do http://www.portodigital.org além de fundador e batuqueiro do maracatu “a cabra alada”

Brasil defende regulação dos direitos de propriedade intelectual na internet


A ministra da Cultura do Brasil, Ana de Hollanda, defendeu na quarta-feira [18] a regulação dos direitos de propriedade intelectual na internet, uma política radicalmente diferente da de seus antecessores, que advogavam pela liberdade na rede na época em que Luiz Inácio Lula da Silva era o presidente.

Em entrevista à Agência Efe, Ana de Hollanda expressou sua “enorme preocupação” com a problemática que geram os downloads livres e defendeu a regulação dos direitos de propriedade intelectual, e dotando-os de garantias jurídicas, à semelhança do que fizeram outros países.

A ministra fez essas afirmações em Bogotá, onde esteve presente na abertura ao público da Feira Internacional do Livro de Bogotá [Filbo], que nesta edição tem o Brasil como convidado de honra.

A ministra da Cultura, Ana de Hollanda, durante coletiva de imprensa no Rio de Janeiro | Marcos Michael - 28.dez.10/Folhapress

A ministra da Cultura, Ana de Hollanda, durante coletiva de imprensa no Rio de Janeiro | Marcos Michael - 28.dez.10/Folhapress

Sua opinião contrasta com a dos dois governos de Lula e vai de encontro à gestão dos ex-ministros da Cultura Gilberto Gil e Juca Ferreira.

Gilberto Gil trabalhava muito por uma internet livre, e eu também trabalho por uma internet livre para aquele que quer depositar sua obra livremente“, explicou Ana de Hollanda, em referência aos artistas que voluntariamente usam a rede como meio de difusão.

Ministro da Cultura entre 2003 e 2008, o cantor Gilberto Gil chegou a declarar-se admirador da “cultura hacker”, e essa foi a herança deixada para Ana de Hollanda, que se mostrou crítica a algumas ações de seu antecessor.

A atual ministra lembrou que Gilberto Gil “tem sua obra protegida e recebe os pagamentos correspondentes“.

O certo é que, desde a chegada de Ana de Hollanda ao governo da presidente Dilma Rousseff, foi promovida uma mudança de rumo nas políticas do ministério.

O tema está sendo polêmico no mundo inteiro, não só em meu país”, explicou a ministra, que se mostrou preocupada com a forma como “está sendo levada a discussão sobre como divulgar a cultura através da internet“.

A questão é que são muitas as indústrias envolvidas. “Isso vale para a literatura, a música, o cinema, tudo“, indicou, antes de dar ênfase ao cinema.

A indústria cinematográfica é caríssima e necessita de uma proteção; se se dispõe gratuitamente dela, é pirataria, e com pirataria não se paga ninguém“, explicou a ministra, justificando a mudança de rumo de seu ministério.

Com essa mudança de políticas quanto à liberdade na internet, a ministra busca “garantir os direitos de quem cria“, garantiu nesta quarta-feira, antes de inaugurar o pavilhão do Brasil na Filbo 2012.

Brasil defende regulação dos direitos de propriedade intelectual na internet

DA EFE, EM BOGOTÁ | 19/04/2012 – 21h04

Começa o TOC de Buenos Aires


Conferência sobre mercado digital acontece em uma feira onde as editoras não sentem urgência para criar e-books

Em meio a uma feira onde as editoras participantes demonstram pouca preocupação com o e-book, teve início a conferência focada em publicações digitais Tools of Change for Publishing (TOC), hoje pela manhã, na cidade de Buenos Aires, como parte das atividades da Feira do Livro da capital argentina.

O evento, realizado pela primeira vez na América Latina, começou com o alerta de George Slowik Jr., sócio da Publishers Weekly: “se vocês não fizerem [e-books], alguém vai fazer”. E seguiu com a fala de Rüdiger Wischenbart, consultor de produtos culturais, que deu um panorama sobre o mercado de livros na Europa: queda de um dígito nas vendas de livros físicos nos principais mercados [Reino Unido, Alemanha e França] e muita dúvida sobre como encarar diferentes assuntos: e-readers que não funcionam em certos territórios, livros que na internet concorrem com itens dos mais diversos, de livros a roupas, e as plataformas de venda que fazem de tudo – de vender ou emprestar e-books até publicá-los, como faz a Amazon – e provocam “uma grande confusão”.

Sediado no centro La Rural, o mesmo local onde a feira do livro ocupa 45 mil m2, o TOC reúne cerca de 120 participantes pagantes, que até o fim do dia vão assistir a palestras e mesas sobre questões latentes do mundo digital.

O curioso é que, fora do salão onde acontece o TOC, boa parte das editoras que estão expondo seus livros para o público no La Rural, majoritariamente sediadas na Argentina, parecem não sentir nenhuma urgência para digitalizar suas publicações. No mercado argentino, além da inexistência de uma base de dispositivos de leitura e da pouca oferta de e-books, prevalece uma barreira importante, que são os baixos índices de comércio eletrônico.

O TOC é realizado pela O’Reilly e pela Feira do Livro de Frankfurt e pela Feira do Livro de Buenos Aires. O PublishNews apoia a conferência.

Por Roberta Campassi | PublishNews | 20/04/2012

Problema com eBooks será resolvido até amanhã, diz Cultura


Empresa informa que vai trabalhar com a distribuidora digital Xeriph

A Livraria Cultura, cujas vendas de parte dos e-books estão indisponíveis desde a semana passada, informou hoje que o problema deverá estar resolvido até amanhã, dia 21. A empresa comunica que, a partir deste fim de semana, incluirá em seu catálogo títulos da distribuidora digital Xeriph, com quem a Cultura não trabalhava até agora.

A livraria teria enfrentado problemas com um de seus servidores e, pela falta de back up dos títulos, estes teriam sido perdidos. A empresa não confirma os detalhes, mas informou pela manhã que teve “um problema tecnológico que indisponibilizou 1,3% do acervo de e-books”, sendo que o acervo atual da rede inclui 283.926 mil títulos digitais, entre nacionais e importados. A falha, portanto, atingiu quase três mil livros.

Em março, a Cultura tinha cinco mil e-books nacionais no catálogo. A partir deste sábado, por meio do acordo com a Xeriph, a empresa restituirá os e-books perdidos e também aumentará a base em mais mil livros novos, segundo informou.

Por Roberta Campassi | PublishNews | 20/04/2012

3º Congresso Internacional CBL do Livro Digital terá a presença de mais 4 palestrantes


A 3ª edição do Congresso Internacional CBL do Livro Digital terá a presença do vice – presidente do Kindle/Amazon Pedro Huerta, que participará da palestra A Evolução das Livrarias pontocom. Outros importantes nomes do mercado editorial nacional e internacional que estarão presentes no Congresso são: Fábio Hayashi, presidente da Deal Group particiárá da mesa Inovando suas publicações com aplicativos; Mônica Franco, diretora de formação de conteúdos educacionais do MEC com o tema O livro digital na sala de aula; Sueli Ferreira, diretora técnica do sistema integrado de bibliotecas da USP, irá falar sobre a Biblioteca digital; Kelly Gallagher, vice – presidente da RR Bowker, abordará o tema Finalmente, o leitor: a experiência de leituras de várias gerações.

Idealizado e realizado pela CBL desde 2010, o Congresso tornou-se o principal fórum brasileiro para a discussão e debate das tendências do mercado editorial de conteúdo digital. A 3ª edição tem como tema central A nova cadeia produtiva de conteúdo – do autor ao leitor. As inscrições para o 3º Congresso internacional CBL do Livro Digital estão abertas no site http://www.congressodolivrodigital.com.br/site/home. O Congresso acontece dias 10 e 11 de maio, no Centro Fecomercio de Eventos, em São Paulo.

Congresso terá área de exposição de produtos e serviços  

O 3º Congresso Internacional CBL do Livro Digital oferece uma área de exposição para as empresas interessadas em divulgar seus produtos e serviços. O Congresso é hoje um evento consolidado como o grande fórum de discussão sobre o presente e futuro do livro no Brasil. O público esperando é de 500 participantes entre proprietários, diretores e gerentes das principais editoras, livrarias e distribuidoras do país.

Para esta edição, contamos com uma rica programação que já tem confirmadas as presenças de 13 renomados palestrantes internacionais.Confira a programação completa no site www.congressodolivrodigital.com.br.

Na área destinada à exposição [piso térreo do Centro Fecomercio de Eventos], cada espaço disporá de:

  • 10m² demarcados com carpete
  • 1 balcão de atendimento
  • 1 mesa para reuniões
  • 3 cadeiras
  • 1 porta banner

O valor de cada espaço de exposição é de R$ 10.000,00 [dez mil reais]. Mais informações, entre em contato com patronio@cbl.org.br.

CBL Informa | 19/Abril/2012

Autêntica investe em tecnologia digital


Editoras do grupo estudam novos modelos de negócio para o mercado do livro

Próximo de completar 15 anos de atividades, o Grupo Editorial Autêntica decidiu investir em e-book. Integrado pelas editoras Autêntica, Gutenberg e Nemo, o grupo atua em diferentes áreas, como Ciências Humanas e de literatura infantil e juvenil, títulos diversificados e plurais, além de quadrinhos. Os primeiros passos foram ainda experimentais, ao disponibilizar títulos esgotados no formato e-book para download gratuito em seu site. Foram 13 títulos, que contabilizaram mais de 15 mil downloads em pouco mais de 24 meses. Também em caráter experimental, o grupo lançou livros infantis como aplicativo para iPhone, iTouch e iPad na AppStore, nos idiomas inglês, francês e espanhol, além do português.

Nessa busca por novos modelos de negócios, já está programada para este ano a conversão de pelo menos 50% do catálogo no formato PDF e EPUB, mais apropriado para leitores como celulares, tablets e outros. A expectativa é que o preço seja por volta de 20% menor que a versão impressa. Também está sendo estudado o desmembramento de livros para venda por capítulos, o que torna o livro mais acessível a estudantes e pesquisadores.

Mas a prioridade do grupo mesmo é a internacionalização do catálogo de autores nacionais, para comercialização em outros idiomas. Para tanto, estão sendo negociados e fechados contratos com os principais players que operam no Brasil, incluindo outros que ainda devem iniciar suas operações no país. Outros projetos incluem o enriquecimento do conteúdo de livros com vídeos e games, ou crossmedia, como é designado o processo de distribuição de serviços, produtos e experiências por meio das diversas mídias e plataformas de comunicação existentes no mundo digital e offline.

PublishNews | 18/04/2012

Apple e editoras negociam acordo para encerrar investigação antitruste


RIO – O vice-presidente da Comissão Europeia e comissário europeu para Concorrência, Joaquín Almunia, informou que a Apple e quatro grandes editoras – Simon & Schuster, Harper Collins, HachetteLivre e Verlagsgruppe Georg von Holtzbrinck – apresentaram à Comissão Europeia proposta de acordo que pode encerrar nas próximas semanas a investigação antitruste tocada pela autoridade executiva da União Europeia.

As empresas são investigadas por formação de cartel na Europa e nos Estados Unidos. Na semana passada, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos anunciou a abertura de um processo contra a Apple e mais cinco grandes editoras. As empresas são acusadas de tomar medidas para fixar o preço dos e-books e impedir a Amazon de vender os livros eletrônicos a US$ 9,99.

O representante europeu destacou, porém, que os procedimentos e prazos de uma investigação antitruste não são iguais dos dois lados do Atlântico.

Queremos que haja concorrência. A existência de um competidor tão importante como a Amazon não pode ser um argumento para eliminar a concorrência e para realizar acordos contrários à norma da concorrência”, afirmou Almunia.

Segundo Almunia, a Comissão Europeia e o Departamento de Justiça dos Estados Unidos vêm cooperando estreitamente desde que a Comissão Europeia abriu, em novembro passado, investigação paralela à das autoridades americanas para investigar as mesmas empresas.

Três das editoras – Simon & Schuster, Harper Collins e Hachette- já chegaram a um acordo com o Departamento de Justiça dos EUA.

Por Guilherme Serodio | Valor Econômico | 17/04/2012, às 19H07

eBooks em alta


O mercado global de e-books cresceu mais de 200% em 2010, ultrapassando os 90 milhões de unidades pagas. Isto representa um volume de negócio na ordem de 900 milhões de dólares. Uma tendência alimentada pelas vendas nos Estados Unidos – puxada pelo público infanto-juvenil – que representa 80% de um mercado no qual a Europa detém 10% de participação e, o restante do mundo, outros 10%. No Brasil, o grande temor das editoras e de autores em relação ao livros digitais diz respeito à pirataria. Talvez seja esse, atualmente, o grande inibidor de ummelhor desempenho do segmento no País.

Essas constatações fazem parte de uma pesquisa encomendada pela Câmara Brasileira do Livro e que será amplamente discutida durante o 3o. Congresso Internacional do Livro Digital, organizado pela Câmara, que neste ano tem por tema “A nova cadeia produtiva de conteúdo – do autor ao leitor”. O congresso acontece nos dias 10 e 11 de maio no Centro de Eventos da Fecomercio, em São Paulo. Acompanhe a programação completa e faça já sua inscrição: https://www.congressodolivrodigital.com.br/site/inscricoes.

CBL Informa | 17/04/2012

Apagão de eBooks na Cultura


Rede perde títulos devido a problemas no servidor e falta de backup

A Livraria Cultura enfrenta um “apagão” de e-books desde quarta-feira passada, 11, devido a um problema em um servidor da empresa onde ficam hospedados os títulos digitais das editoras brasileiras. Segundo o site Revolução eBook, que noticiou o problema, a falta de backup teria feito com que inúmeros títulos fossem perdidos e não pudessem ser restaurados, de forma que vários e-books ficaram indisponíveis para venda nos últimos dias. Apenas os títulos fornecidos pela DLD [agregadora das editoras Sextante, Objetiva, Planeta, Record, L&PM e Rocco] e os e-books da editora Leya, que também tem distribuição própria, não teriam sido afetados. Procurada pelo PublishNews, a Cultura informou que de fato teve problemas com seu servidor e que estes “estarão resolvidos nos próximos dias”, mas não deu detalhes, nem confirmou ou negou as informações veiculadas.

A estimativa divulgada pelo Revolução eBook é que cerca de 3,5 mil livros digitais tenham sido perdidos – em março, a Cultura informou ter cinco mil e-books brasileiros em seu catálogo, número relevante no mercado nacional, embora menor que os catálogos de Saraiva, Gato Sabido e Iba, por exemplo. O site informou ainda que a Cultura estaria se preparando para começar a trabalhar com a Xeriph, distribuidora que tem um dos maiores catálogos do país e que é do mesmo grupo que a Gato Sabido, para restaurar o mais rapidamente possível a venda de livros digitais. A rede não confirma.

Por Roberta Campassi | PublishNews | 17/04/2012

Livro auxilia pessoas a encontrar soluções práticas na nuvem


A internet tem uma infinidade de ferramentas para auxiliar as tarefas do dia a dia, mas o excesso de opções pode acabar se transformando em um problema. Diante de tantas e tão variadas opções, qual solução escolher?

Foi pensando nessa questão – e nos desafios encontrados por aqueles que vasculham a internet atrás da resposta– que o professor de comunicação digital da Escola de Comunicação e Artes da USP e colunista da Folha, Luli Radfahrer, decidiu lançar seu mais novo livro.

“Enciclopédia da Nuvem: Cem Oportunidades e 550 Ferramentas On-line para Inspirar e Expandir Seus Negócios” é fruto da meticulosidade do autor de querer catalogar ferramentas e serviços disponíveis na internet e classificá-los em categorias.

“Comecei a perceber que a quantidade de opções era infinita”, diz o professor. “Vi que tinha na mão uma ferramenta de negócios, não só um catálogo pessoal.”

Radfahrer diz que o livro foi pensado para quem sabe que a internet pode ajudar a expandir seu negócio ou projeto, mas não sabe como nem quais as melhores opções. “Você pode usar ferramentas a um custo muito baixo”, diz. “E, por estarem na nuvem, elas são muito mais seguras.

Como se trata de um livro de tecnologia, a dinâmica da internet pode torná-lo obsoleto em pouco tempo. Pensando nesse problema, Radfahrer criou um “obituário” on-line para o livro. “O site de apoio serve porque as ferramentas ‘morrem’. Ali, eu posso falar de coisas novas.

ENCICLOPÉDIA DA NUVEM
AUTOR Luli Radfahrer
EDITORA Campus
QUANTO R$ 59,90

POR LUCAS SAMPAIO | COLABORAÇÃO PARA A FOLHA | 13/04/2012 – 20h07

Acusação “não é verdadeira”, diz Apple


Empresa diz que iBookstore quebrou o controle monopolista da Amazon

Depois de ser alvo de um processo aberto na quarta-feira pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos junto com cinco das maiores editoras do mundo, a Apple se defendeu das acusações de que o grupo de empresas fez um conluio para evitar a redução do preço dos e-books por meio da adoção do modelo de agenciamento na venda dos livros. A empresa foi a última entre as acusadas a se pronunciar.

Em comunicado assinado pelo porta-voz Tom Neumayr, a Apple afirmou que as acusações “simplesmente não são verdadeiras”. “O lançamento da iBookstore em 2010 estimulou inovação e concorrência, quebrando o controle monopolista da Amazon sobre a indústria editorial. Desde então os consumidores se beneficiam de e-books que são mais interativos e atrativos. Da mesma forma como permitimos que os desenvolvedores definam os preços na App Store, as editoras definem os preços na iBookstore”, diz a companhia.

Estima-se que a Amazon tenha 60% do mercado norte-americano de e-books, enquanto a Barnes & Noble fica com cerca de 30%. Acredita-se que a participação da Apple não passe de 5%.

Enquanto as editoras HarperCollins, Simon & Schuster e Hachette fizeram acordo com a Justiça americana para encerrar o caso, a Apple, junto com as editoras Penguin e Macmillan, vão enfrentar o tribunal.

Por Roberta Campassi | PublishNews | 13/04/2012

Um e-reader que brilha no escuro


Barnes & Noble lança dispositivo com tela que acende e permite ler em locais com pouca luz

A rede livreira americana Barnes & Noble anunciou ontem uma nova versão do e-reader Nook, que parece resolver o embate entre o leitor eletrônico tradicional, que tem tecnologia E-ink e permite uma leitura semelhante àquela feita no papel, mas não pode ser lido no escuro, e o tablet, que, por emitir luz, pode ser lido perfeitamente no escuro, mas não ao sol. O Nook Simple Touch com GlowLight foi lançado como o primeiro e-reader que “acende” a tela e que pode ser lido em qualquer ambiente. É também touchscreen e custa US$ 139 nos Estados Unidos. O Nook é o principal concorrente do Kindle, da Amazon, que domina o mercado de e-readers. A graça da campanha do novo produto da B&N fica por conta de uma pesquisa que a empresa fez com 1.358 adultos americanos: dois terços deles leem na cama, e metade leria mais se não atrapalhasse o sono de quem está do lado com uma luz acesa no quarto. Aliás, 42% das pessoas ouvidas disseram que já dormiram incomodadas com a luz de leitura do parceiro. Com o novo Nook, a empresa espera resolver o “problema número um que os casais têm na cama“.

Por Roberta Campassi | PublishNews | 13/04/2012

Apple rejeita acusação de fixação de preço em eBooks


A Apple rejeitou acusações do Departamento de Justiça dos EUA de que a empresa agiu com editoras na fixação de preços de e-books (livros eletrônicos). A companhia afirmou que as acusações “simplesmente não são verdadeiras“.

O governo americano processou a Apple e cinco editoras, afirmando que as empresas conspiraram para fixar preços dos e-books. O governo acertou acordos com três das editoras que podem levar a edições mais baratas para os consumidores.

Em email enviado à Reuters, o porta-voz da Apple Tom Neumayr confirmou a posição da companhia, publicada inicialmente pelo “Wall Street Journal”.

O lançamento da iBookstore em 2010 incentivou a inovação e a competição, quebrando o monopólio da Amazon sobre a indústria editorial“, disse Natalie Kerris, porta-voz da Apple, ao jornal.

Kerris defendeu a atual estrutura de definição de preços como um paralelo à lojas de software da Apple.

Assim como permitimos que os desenvolvedores definam preços na App Store, as editoras definiram seus preços na iBookstore“, afirmou.

DA REUTERS | 13/04/2012 – 10h48

O cheiro do livro


AbeBooks publica vídeo explicando o processo químico que dá cheiro ao livro

Uma pesquisa liderada pela University College London, em Londres, afirmou que o livro tem cheiro. Baseada nessa afirmação, a AbeBooks publicou em seu canal no YouTube um vídeo que explica a química do cheiro do livro. Conforme a produção, os livros são feitos de matéria orgânica, que reage ao calor, à luz, à umidade e aos produtos químicos utilizados na sua produção. O cheiro, portanto, é resultado da reação do material orgânico com esses fatores. A AbeBooks é um site que promove comércio eletrônico de livros através de milhares de sebos espalhados pelo mundo. O site tem a mesma proposta do portal brasileiro Estante Virtual.

PublishNews | 12/04/2012

Fim do modelo de agenciamento?


Ação judicial americana deixa dúvidas sobre como outras editoras e varejistas que usam o modelo vão reagir

Depois do processo iniciado nos EUA contra cinco das maiores editoras do mundo, paira no ar, agora, qual será o futuro do modelo de agenciamento na venda de e-books. É preciso lembrar que o alvo da Justiça americana, e também da europeia, não é o modelo de venda em si, mas o fato de as empresas terem atuado conjuntamente para chegar até ele, constituindo uma espécie de cartel.

Não está claro ainda como vão reagir outras editoras que usam o sistema de agenciamento, mas que não estão no grupo investigado. Um exemplo é a Random House, a única do grupo das chamadas Big Six que se negou a adotar o modelo em 2010 e só o fez no ano passado. Também não se sabe ainda como ficarão os contratos das cinco editoras processadas com outras varejistas, como a Barnes & Noble, uma vez que a ação judicial nos EUA só atinge a Apple.

No Brasil, o modelo de agenciamento não é usado por nenhuma editora, mas a possibilidade de adoção desse modelo vem sendo debatida nos últimos meses, nos bastidores. Segundo diferentes fontes ouvidas pelo PublishNews, tanto de editoras quanto de varejistas, a iminente chegada da Amazon no país fez com que o sistema de agenciamento passasse a ser estudado por executivos do mercado, como forma de tentar limitar o poder da empresa americana de jogar os preços dos e-books para baixo.

O modelo, contudo, implica mais mudanças do que apenas permitir que a editora defina o preço ao consumidor final. Uma das alterações que ele promove é que quem passa a emitir a nota ao consumidor é a editora. Já a livraria passa a atuar como intermediadora da venda. Nessa relação, ela deixa de ser um comércio e se transforma em uma prestadora de serviço, o que significa mudanças de ordem tributária, por exemplo.

Por Roberta Campassi | PublishNews | 12/04/2012

Processo contra editoras muda o jogo do preço do eBook


Justiça dos EUA conclui que adoção conjunta do modelo de agenciamento por grandes editoras foi concorrência desleal; Amazon sai fortalecida

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos indiciou a Apple e cinco das maiores editoras do mundo, ontem, sob a acusação de que as empresas fizeram um conluio para evitar a redução no preço dos e-books quando passaram a usar o “modelo de agenciamento”, em 2010, que visou especialmente impedir que a Amazon vendesse livros a preços reduzidos. A ação judicial é um revés para as editoras envolvidas, que podem vir a pagar milhões de dólares em ressarcimento aos consumidores, e uma vitória para o modelo comercial defendido pela Amazon, empresa que domina o mercado de livros nos EUA.

A Justiça americana concluiu que a Apple junto com a HarperCollins, Hachette, Simon & Schuster, Macmillan e Penguin praticaram concorrência desleal ao adotar um sistema em que são as próprias editoras que definem os preços dos e-books e que de fato realizam a venda, enquanto o varejista atua apenas como um “agente” da venda. É diferente do modelo tradicional de distribuição, em que quem define o preço final e faz a venda é a empresa varejista. Na prática, livros que poderiam ter custado US$ 9,99 por decisão da Amazon, por exemplo, com o modelo de agência ficavam entre US$ 12,99 e US$ 14,99, os preços impostos pelas editoras. Você pode ver a íntegra do processo e seus detalhes [em inglês] aqui.

Como resultado da alegada conspiração, acreditamos que os consumidores pagaram milhões de dólares a mais por alguns dos títulos mais populares“, disse Eric Holder, promotor geral dos EUA, durante uma entrevista coletiva em Washington onde ele anunciou o processo.

Acordos

As editoras Hachette [do grupo Lagardère], Simon & Schuster [da CBS] e HarperCollins [da News Corp.], já fecharam acordos com o Departamento de Justiça para não enfrentar o processo judicial. Ontem, as duas primeiras soltaram comunicados rebatendo as acusações e afirmaram não ter agido ilegalmente, mas de qualquer forma já se comprometem a encerrar os contratos nos moldes do agenciamento com a Apple. Pelo acordo, elas também ficam proibidas de impor pelo prazo de dois anos quaisquer restrições aos preços dos e-books definidos por varejistas.

Já a Penguin [grupo Pearson], a Macmillan [grupo Georg von Holtzbrinck]e a Apple não fizeram acordos e vão enfrentar a ação na Justiça – o principal executivo da Macmillan, John Sargent, escreveu uma carta em que faz veemente defesa da empresa, e o principal executivo da Peguin, John Mackinson, também assinou comunicado afirmando que a empresa não fez “nada errado”. Segundo ele, a ação americana “contém uma série de distorções e omissões materiais, que nós esperamos ter a oportunidade de corrigir no tribunal“.

As editoras que fizeram o acordo conseguiram garantir pelo menos uma limitação contra as agressivas políticas de descontos da Amazon: a de que a gigante varejista não possa vender todo o catálogo de uma editora a preços abaixo do que custa o e-book para ela. No entanto, de acordo com uma reportagem do The Wall Street Journal, se a Amazon vender um best-seller abaixo do custo e compensar com o lucro de outra venda, as editoras não poderão fazer nada.

Restituição milionária

Embora os acordos fechados pela Harper, S&S e Hachette não incluam compensação financeira, duas dessas editoras podem vir a ter que pagar restituições milionárias devido a uma ação aberta ontem por um grupo de 16 estados americanos, liderados por Connecticut e Texas, contra a Apple, a HarperCollins e a Hachette.

Segundo informações do The Wall Street Journal, já há tentativa de acordo em andamento com as duas últimas empresas. Elas já teriam concordado, a princípio, em pagar nada menos do que US$ 51 milhões em ressarcimento a consumidores, também segundo o jornal.

Investigação na Europa

Na Europa, as investigações contra as empresas, que começaram antes do que nos Estados Unidos, continuam em andamento pela Comissão Europeia. O The Wall Street Journal informou que, segundo o comissário de concorrência do órgão, Joaquin Almunia, a Apple já propôs mudanças e que quatro editoras internacionais propuseram acordos para encerrar a questão.

Por Roberta Campassi | PublishNews | 12/04/2012

eBooks são alternativas para burlar censura na China


E-publishing é um grande negócio no país e tornou-se meio popular entre novos escritores

RIO – A internet é responsável por um novo fenômeno na China: a publicação de livros de ficção exclusivamente online. O “e-publishing” é um grande negócio no país e tornou-se um meio muito popular entre novos escritores. De acordo com o jornal britânico “The Guardian”, a maioria desses e-books são “puro entretenimento; escritos, lidos e deletados em alta velocidade”, mas a publicação virtual tem atraído cada vez mais escritores sérios, ao oferecer uma pitada de liberdade da censura regulamentada que amarra as editoras convencionais no país.

Um dos autores de maior sucesso na internet na China é Murong Xuecun. Em 2002, ele disponibilizou online seu primeiro livro “Leave me alone: A novel of Chengdu” [algo como “Deixe-me em paz: Um romance de Chengdu”, em tradução livre], que gerou repercussão suficiente para ser comprado por uma editora e, em seguida, ganhou prêmios e traduções para outras línguas. Murong sempre contestou abertamente o sistema chinês, que ele chama de “podre” e “corrupto”, e continua a publicar suas críticas online.

Apesar de tudo, os autores sérios dificilmente se limitarão aos e-books. Livros impressos pagam melhor, ou pelo menos têm mais confiabilidade, e não perderam nada do seu prestígio. Quase todos os prêmios literários são dados apenas a livros impressos, exceto o prestigioso Mao Dun Literature, que admitiu e-books pela primeira vez em 2011, mas de um total de 178 concorrentes, nenhum dos oito e-books foi premiado. Murong é um exemplo que circula com sucesso entre os dois mundos: ele publica a versão na íntegra na internet e sua editora coloca nas prateleiras uma edição dentro dos regulamentos do país.

Para o “Guardian”, a censura não é uma preocupação frequente entre escritores ocidentais, mas a experiência recente da China com e-books pode dar sinais sobre o futuro dos livros. Livrarias e editoras vêm o movimento com desconfiança, mas talvez o entusiasmo pelos e-books entre os jovens na China ofereça um fio de esperança, uma indicação de que a publicação online pode gerar nos jovens um hábito de leitura que dure a vida inteira.

Globo Online | 12/04/2012 | © 1996 – 2012. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A.

Apple é processada nos EUA por preços de livros eletrônicos


O Departamento da Justiça dos Estados Unidos abriu processo contra a Apple e cinco das maiores editoras de livros do planeta, na quarta-feira, alegando conluio para elevar os preços dos livros eletrônicos, o que pode ter custado “dezenas de milhões de dólares” aos consumidores.

A queixa, apresentada no distrito sul da Justiça federal em Nova York, alega que executivos da Apple e das editoras chegaram a um acordo para adotar resposta comum à política de preços da Amazon, por meio de conversas telefônicas, troca de e-mails e refeições em “salas privativas de restaurantes finos de Manhattan“. A Amazon, que vinha desafiando o setor com um preço máximo de US$ 9,99 para os livros eletrônicos, não foi citada entre os acusados.

As editoras acusadas no processo são o Hachette Book Group, parte do grupó Lagardère; a HarperCollins, da News Corp; a Holtzbrinck, controladora da Macmillan; a Simon & Schuster, subsidiária da CBS; e a Penguin, controlada pelo grupo Pearson, também controlador do “Financial Times”.

O Departamento da Justiça alegou que a Apple e as editoras elevaram os preços dos best sellers em entre US$ 2 e US$ 5 ao introduzir um modelo de negócios de “agência”, simultaneamente ao lançamento do tablet Apple iPad, sob o qual os preços de varejo são determinados pelas editoras. A insistência da Apple em uma cláusula de proteção sob a qual as editoras se comprometem a não vender seus livros a preço mais baixo para outros grupos de varejo – e a pagar 30% de comissão à Apple sobre cada venda – forçou outros grupos de varejo a adotar termos semelhantes, de acordo com o departamento.

Executivos dos escalões mais elevados das empresas citadas nos processos de hoje, preocupados com a redução de preços promovida pelo varejo de livros eletrônicos, agiram de modo coordenado para eliminar a concorrência entre as lojas que vendem livros eletrônicos, o que resulta em aumento do preço final para os consumidores“, afirmou o secretário federal da Justiça norte-americano, Eric Holter, ao anunciar o processo em Washington.

O iBooks, plataforma de e-books da Apple, foi anunciado no evento de lançamento do iPad, em janeiro de 2010 | Kimberly White - 27.jan.10/Reuters

O iBooks, plataforma de e-books da Apple, foi anunciado no evento de lançamento do iPad, em janeiro de 2010 | Kimberly White - 27.jan.10/Reuters

ACORDOS

A Hachette, HarperCollins e Simon & Schuster aceitaram acordo imediato para encerrar os processos contra elas, mas a Apple, MacMillan e Penguin pretendem contestar as acusações no tribunal.

Um processo separado envolvendo diversos Estados norte-americanos trouxe acusações semelhantes contra a Apple, Macmillan, Simon & Schuster e Penguin. A Hachette e a HarperCollins vão pagar US$ 52 milhões aos Estados para encerrar os processos contra elas.

Joaquin Almunia, vice-presidente de política de competição da União Europeia, acrescentou que a Apple, Simon & Schuster, HarperCollins, Hachette e Holtzbrinck haviam recomendado possíveis mudanças em suas operações de negócios, como parte de um esforço para concluir uma investigação paralela europeia sobre livros eletrônicos.

Nem todas as editoras envolvidas comentaram de imediato, mas já haviam negado anteriormente qualquer conluio para aumento de preços, e defenderam o modelo de “agência” como uma forma de promover maior competição ao desafiar o domínio da Amazon sobre o mercado de livros eletrônicos, que vem crescendo rapidamente.

O processo federal norte-americano alega que Steve Jobs, presidente-executivo da Apple morto no ano passado, havia se envolvido pessoalmente na adoção do modelo de agência. “A Apple claramente compreendia que sua participação no esquema resultaria em preços mais altos para os consumidores“, o processo alega. Também cita Jobs como tendo declarado que “o consumidor pagará um pouco mais, mas é isso que vocês [as editoras] querem, de qualquer modo“. Um porta-voz da Apple se recusou a comentar.

REUNIÕES

De setembro de 2008 até 2009, os presidentes-executivos das editoras supostamente realizaram reuniões trimestrais para discutir “assuntos confidenciais e mercados competitivos, o que incluía as práticas de varejo de livros eletrônicos da Amazon“, afirmou o Departamento da Justiça. O departamento menciona jantares executivos dos quais participaram John Makison, da Penguin, e John Sargent, da Macmillan, na “adega do chef”, uma sala privada no restaurante Picholine, em Nova York.

O acordo, que terá de ser aprovado pelo tribunal, requereria que a Hachette, HarperCollins e Simon & Schuster permitam que grupos de varejo como a Amazon e a Barnes & Noble determinem os preços que preferirem para os livros eletrônicos. Também requereria que suspendam sua preferência à Apple e que não troquem informações importantes sobre assuntos de competição por pelo menos cinco anos.

A HarperCollins anunciou o acordo sem admitir culpa, e o definiu como “decisão de negócios para encerrar a investigação do Departamento da Justiça e evitar uma batalha judicial potencialmente longa“.

POR DAVID GELLES & ANDREW EDGECLIFFE-JOHNSON | DO “FINANCIAL TIMES” | Tradução de PAULO MIGLIACCI | Publicado por Folha.com | 11/04/2012 – 12h19

Software livre aplicado aos eBooks


Por Octavio Kulesz | Publicado originalmente em PublishNews | 11/04/2012

Kovid Goyal, criador do Calibre

Kovid Goyal, criador do Calibre

Graças a sua interface atrativa e sua ampla gama de possibilidades, o Calibre conseguiu se posicionar como um dos programas de código aberto mais utilizados no mundo do e-book. Com ele, o usuário pode converter seus livros em diferentes formatos e administrar suas bibliotecas de títulos e metadados. Nesta entrevista, conversamos com o expert indiano Kovid Goyal, criador do Calibre, sobre diferentes aspectos da indústria do e-book, bem como sobre seus planos para o futuro.

OK: O Calibre foi desenvolvido como um programa que precisa ser instalado no computador. Existe demanda para uma versão em nuvem, agora que os e-readers têm mais conectividade?
KG: O Calibre inclui um servidor de conteúdo que permite compartilhar nossa biblioteca na internet. Também estamos trabalhando com diferentes soluções em nuvem que em breve vão estar prontas, mas se tratará de um serviço pago, já que esse tipo de sistema implica gastos de hospedagem.

OK: Você tem estatísticas sobre o uso do Calibre para telefones celulares?
KG: Na verdade, não. No momento estou compilando informação sobre quais dispositivos se conectam ao Calibre.

OK: Qual sua opinião sobre sistemas fechados como o Kindle, da Amazon, ou o Nook, da Barnes & Noble? Que futuro terá o DRM, em seu ponto de vista?
KG: Considero que os esforços empreendidos por essas empresas para dominar o mercado são tolos e de curto-prazo. Um dos meus principais objetivos com o Calibre foi proporcionar uma plataforma de administração de e-books o mais aberta e independente possível. Do meu ponto de vista, o DRM é ficção: de fato, não consegue evitar a pirataria. Seu único efeito é prender o cliente. Para combater o DRM, minha esposa e eu começamos a trabalhar na Open Books, uma base de livros que são vendidos sem DRM.

OK: Atualmente, a indústria do e-book se assemelha a uma torre de Babel, com vários jogadores tentando impor seus próprios formatos. Nesse contexto, o Calibre operaria como tradutor entre essas diferentes “linguagens”?
KG: Certamente essa é uma das funções mais importantes do Calibre. Na medida em que se usa material livre de DRM [ou que se elimina o DRM da cópia de um e-book], o Calibre te permite ler esse livro em qualquer formato e dispositivo.

OK: De acordo com alguns números apresentados no site do Calibre, a maioria dos downloads do programa é feita nos Estados Unidos [25%], Espanha [8,8%], Reino Unido [7,7%] e Alemanha [7,4%], isto é, em nações industrializadas, enquanto países em desenvolvimento ou emergentes como o Brasil, Índia ou África do Sul apenas representam pouco mais de 1%. Como você explica esse fenômeno?
KG: Os e-readers são caros. Se alguém não paga esse preço, não pode ler seu primeiro e-book. Por outro lado, a maioria dos e-readers requerem em algum momento uma conexão com um computador para funcionar. Essas duas exigências implicam certamente uma desvantagem comparativa nos mercados em desenvolvimento. No entanto, a situação vai mudar quando os e-readers se tornarem mais baratos [ou se transformarem em dispositivos multifuncionais] e os padrões de vida melhorarem nesses países.

OK: Apesar dos números relativamente baixos, você vê algum potencial em particular para o Calibre nas regiões em desenvolvimento, agora que vários governos – com o indiano – estão prontos para produzir massivamente tablets e outros dispositivos de leitura adaptados às necessidades do leitor local?
KG: Com certeza, o fato de o Calibre ser livre e de código aberto transforma-o em uma ferramenta muito útil para os orçamentos mais exíguos! Dito isto, pessoalmente prefiro não trabalhar com organizações muito grandes nem com governos. Embora os governos sejam bem-vindos a utilizar o Calibre se o considerarem útil, não é algo que eu esteja encorajando ativamente.

OK: Você voltou para a Índia no ano passado. Essa é uma decisão de longo prazo? Você continuará trabalhando em desenvolvimentos de código aberto em seu país?
KG: Mudei para os Estados Unidos unicamente para obter meu doutorado. Meu projeto sempre foi regressar à Índia assim que meus estudos estivassem terminados. A Índia é meu lar. Sobre o que farei no futuro, não dá para defini-lo completamente, já que o Calibre foi uma espécie de acidente, algo que ocorreu quando eu estava na universidade. Geralmente, tento não prever meu futuro, mas continuo trabalhando com software, e seguramente no terreno do código aberto.

OK: Logo em sua primeira versão, o Calibre recebeu uma generosa contribuição de um grande numero de pessoas – uma comunidade ativa de programadores, designers e tradutores. O que será que motivou essas pessoas a contribuir com o projeto? E no seu caso, qual foi sua motivação?
KG: A maioria das pessoas contribuiu com o Calibre por duas razões. 1] O colaborador agrega uma característica de que necessita e vê que ela é útil. 2] O colaborador o faz porque é divertido e o considera um desafio do ponto de vista técnico. Trabalhei incansavelmente para que qualquer pessoa pudesse contribuir com o código do Calibre de um modo muito simples. Implementar uma melhoria no Calibre pode levar literalmente cinco minutos. O programa conta com um sistema de extensões muito bem documentado que permite aos usuários conectar quase qualquer aspecto da sua funcionalidade com aplicativos externos. Esses esforços deram frutos e por isso existe uma comunidade tão ativa. Agora, do lado pessoal, criei o Calibre porque meu primeiro e-reader, o SONY PRS-500, não funcionava com o Linux, o sistema que eu uso. O Calibre, que começou com o nome de libprs500, não parou de crescer desde então!

Finalmente, eu diria que é essencial trabalhar em iniciativas como o Calibre, porque os livros e a leitura não podem depender de software proprietário nem de corporações motivadas unicamente pelo lucro.

Por Octavio Kulesz | Publicado originalmente em PublishNews | 11/04/2012

Octavio Kulesz

Octavio Kulesz

Octavio Kulesz é formado em Filosofia pela Universidade de Buenos Aires e atualmente dirige a Teseo, uma das principais editoras digitais acadêmicas da Argentina. Em 2010, criou a rede Digital Minds Network, junto com Ramy Habeeb [do Egito] e Arthur Attwell [da África do Sul], com o objetivo de estimular o surgimento de projetos eletrônicos em mercados emergentes. Em 2011, escreveu o renomado estudo La edición digital en los países en desarrollo, com apoio da Aliança Internacional de Editores Independentes e da Fundação Prince Claus.

Sua coluna Sul Digital busca apresentar um panorama dos principais avanços da edição eletrônica nos países em desenvolvimento. Tablets latino-americanos, leitura em celulares na África, revoluções de redes sociais no mundo árabe, titãs do hardware russos, softwares de última geração na Índia e colossos digitais chineses: a edição digital no Sul mostra um dinamismo tanto acelerado quanto surpreendente.