O que o lançamento da Apple significa para as editoras


O tablet deverá elevar a expectativa dos leitores e a linha que define um e-book de qualidade

As mudanças feitas no novo iPad são principalmente no hardware – um processador A5X e uma tela “Retina”, com resolução de 2048 x 1536 pixels, o que efetivamente duplica a resolução do iPad 2 e que suporta vídeos Full HD [1080p] – veja uma comparação entre as telas.

Essas características, junto com uma câmera melhor e os aplicativos iLife, significam que o novo iPad traz impressionantes e rápidas experiências interativas de alta definição para os seus usuários.

Os consumidores de conteúdo e de mídia continuarão sendo o maior público do novo iPad. A combinação da nova tela retina com maior velocidade de processamento vai melhorar e enriquecer a experiência de leitura de livros, jornais, revistas e catálogos.

Implicações na produção

O que o novo iPad significa para a indústria editorial? E qual impacto ele vai ter na evolução do e-book?

As editoras podem usar o poder do hardware do novo iPad para criar e-books mais impactantes, com recursos interativos melhores, recursos visuais esplêndidos, gráficos 3D aperfeiçoados, e tudo isso com uma banda larga o suficiente para que todos esses componentes fluam sem interrupção por meio de redes 4G. [Note que a produção desses novos recursos melhorados têm custo maior perto dos tradicionais.]

A Apple garantiu que o novo iPad seja compatível com todos os iBooks existentes e também com os iBooks 2, lançados em janeiro.

Para as editoras, isso significa que as equipes de produção editorial vão precisar tomar decisões cuidadosas em relação a projetos de livros em andamento que têm layouts aprimorados e fixos.

Se uma editora quiser oferecer um livro com algum recurso interativo em HD, para venda exclusiva na iBook Store da Apple, então o caminho para a produção dentro do ecossistema da Apple é claro: use o aplicativo iBooks Author para produzir um arquivo em formato ibook, e mande o e-book para que a Apple o aprove e o coloque à venda na loja.

Se, no entanto, uma editora quiser distribuir e-books com recursos interativos para uma grande gama de lojas, além da iBook Store da Apple, então o planejamento do produto deve ser feito com base em tipos de arquivos que podem ser facilmente convertidos ou transformados para o formato de cada loja.

Um processo de trabalho ótimo inclui o uso de padrões abertos como o EPUB do IDPF [International Digital Publishing Forum]. A adoção do padrão EPUB como formato de e-book dá às editoras uma base para a produção de outros formatos – que podem incluir o KF8 para o Kindle Fire, da Amazon, ou algumas adaptações para os aparelhos Nook Tablet, da Barnes & Noble, ou o Kobo Vox.

As editoras devem assegurar tempo na sua grade de produção para acrescentar recursos aos e-books e para testar seus títulos em todas as plataformas para as quais estão sendo criados.

Um novo padrão para a indústria

Mais pixels e maior velocidade de processamento oferecem oportunidades únicas para criar novas experiências de uso e abrem uma gama de possibilidades para o e-book e, especialmente, para os “enhanced e-books”.

O novo iPad vai sem dúvida elevar as expectativas dos consumidores e, portanto, a linha que define um e-book de qualidade.

Enquanto os editores começam a explorar o potencial do novo iPad, a Apple pode descansar [embora rapidamente], sabendo que ultrapassou a concorrência e fez com que o resto da indústria de tablets tenha que correr atrás, mais uma vez.

Por Jean Kaplansky | Digital Book World | 07/03/2012 | Publicado originalmente em PublishNews