Iba registra 500 mil downloads grátis nas primeiras semanas


Loja on-line de conteúdo digital também promete a inclusão de novas editoras de livros

O Iba, loja on-line do grupo Abril que vende livros, revistas e jornais digitais, divulgou os números das primeiras semanas de operação. Segundo a loja, lançada no dia 6 de março, foram realizados até agora mais de meio milhão de downloads gratuitos de publicações – para promover o site, novos usuários têm direito a baixar conteúdo grátis até o dia 16 de abril. O site não revelou o número de clientes cadastrados, mas diz ter recebido 345 mil visitantes. O Iba promete a inclusão de novas editoras de livros – por ora, são 190, que oferecem 7,3 mil títulos de e-books. Na data da inauguração da loja, eram 170 editoras e 6 mil títulos.

PublishNews | 30/03/2012

Concurso para teses científicas sobre livro digital


Interessado em apresentar trabalhos no 3º Congresso Internacional CBL do Livro Digital podem inscrevê-los até 10 de abril

Os pesquisadores interessados em mostrar seus trabalhos sobre publicação digital no 3º Congresso Internacional CBL do Livro Digital, que acontecerá nos dias 10 e 11 de maio, podem participar do concurso que escolherá as melhores teses científicas relacionadas à temática do evento: “A nova cadeia produtiva de conteúdo – do autor ao leitor”. As inscrições estão abertas e vão até 10 de abril.

Para ver o regulamento completo e realizar as inscrições, acesse o site. Os dois melhores trabalhos serão anunciados durante o congresso e os pesquisadores poderão apresentar suas teses, além de receberem prêmios em dinheiro e publicar seus textos na Revista de Gestão da USP [REGE].

PublishNews | 29/03/2012

TOC América Latina define a programação


A conferência acontece no dia 20 de abril

Debates sobre as tendências e o futuro do mercado editorial dividirão espaço com palestras sobre as experiências atuais de muitas empresas com publicações digitais dentro do programa do TOC América Latina divulgado hoje.

A conferência, que acontece no dia 20 de abril, em Buenos Aires, durante a feira do livro da capital argentina, terá, por exemplo, uma mesa sobre casos bem-sucedidos de integração digital, com diretores da Lonely Planet e Santillana; palestra sobre o espanhol como língua global, com Patrícia Aranciba, da Barnes & Noble, e a apresentação de previsões e tendências da publicação digital em diferentes mercados.

Os brazucas terão participação especial na palestra sobre venda de conteúdo digital, que contará com Frederico Indiani, da Saraiva, Newton Neto, do Google, Marcelo Gioia, da Copia Brasil, e Eugenia Bascarán, da BajaLibros.

Já o debate final do TOC vai focar nas empresas inovadoras da América Latina. O período para fazer inscrições com 20% de desconto [US$ 399, contra US$ 499] foi prorrogado e vai do dia 2 a 12 de abril.

Por Roberta Campassi | PublishNews | 29/03/2012

Kindle Touch 3G agora é vendido para o Brasil


Amazon também iniciou a comercialização do leitor para 174 países

A partir desta semana, o Kindle Touch 3G, o modelo mais completo da linha de leitores com tela de tinta eletrônica da Amazon, foi colocado à venda para o Brasil e mais 174 países. A companhia também informou em comunicado que o aparelho agora está disponível em “português brasileiro”, alemão, francês, italiano, espanhol e inglês [americano e britânico].

Para os brasileiros, enquanto a Amazon não abre sua operação própria aqui, continua sendo possível adquirir o Kindle somente no site americano da empresa, com cartão de crédito internacional. De acordo com Stella Dauer, do site Revolução eBook, o valor do Touch 3G para o Brasil fica em R$ 750, com o dólar a R$1,82. Frete e impostos representam metade desse total – nos Estados Unidos, o Kindle Touch 3G fica em R$345.

PublishNews | 29/03/2012

Amazon expande eBooks na França


Jeff Bezos, PDG d'Amazon, présente la tablette Kindle Fire, le 28 septembre 2011 à New York. | AFP

Jeff Bezos, PDG d'Amazon, présente la tablette Kindle Fire, le 28 septembre 2011 à New York. | AFP

A Amazon France lançou hoje, 28, dois novos modelos de livros eletrônicos Kindle: um com Wi-Fi e, o outro, 3G. Com esses lançamentos, a empresa americana espera dominar um mercado ainda embrionário na França. “O e-book ainda não decolou no país [representa 1% das vendas], sendo que o mesmo representa 15% das vendas de livros nos EUA e 10% na Grã-Bretanha”, enfatizou uma nota recente publicada pelo Centro de Análise Estratégica [CAS]. Segundo o CAS, “a Amazon tem na França cerca de 60% do mercado de venda de livros pela internet, a Fnac.com tem 30% e os outros, 10%”. “As diferenças de preço entre o livro físico e o livro eletrônico tendem a se acentuar”, relevou Xavier Garambois, diretor geral do site amazon.fr, principalmente devido ao imposto sobre os e-books ter baixado de 19,6 % para 7 %.

Le Monde | França | 28/03/2012

Mais sobre eBooks, editoras e bibliotecas


Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em Publishnews | 28/03/2012

Mike Shatzkin

A relutância da maioria das grandes editoras em tornar os e-books disponíveis para empréstimos em bibliotecas é um tópico de atenção e preocupação. A Associação de Editores Americanos [Association of American Publishers, AAP] dedicou uma parte de seu encontro anual ao tema e o Dr. Anthony Marx, presidente e principal executivo da New York Public Library, usou seu tempo para colocar sua instituição à disposição como voluntária para experimentos, a fim de encontrar um modelo para empréstimos de e-books que funcionaria para as editoras.

Tive a oportunidade de conversar com vários editores das chamadas Big Six no meio do ano passado sobre sua posição em relação a vendas para bibliotecas. Quando eles contaram suas preocupações para mim, muito do que tinham a dizer fazia muito sentido.

O principal foi o medo de que os consumidores num emergente ecossistema de e-books “aprendessem” que consegui-los “grátis” é tão fácil quanto comprar e-books de livrarias. Como só é necessário apontar seu browser numa direção diferente, para muitos editores parecia ser complicado permitir o empréstimo de e-books por bibliotecas. As vendas de livros digitais para bibliotecas não são um grande mercado, então os lucros são limitados. E, com muitas livrarias de e-book lutando para ganhar força num mercado dominado pela Amazon, as consequências de uma perda nas vendas, mesmo que pequena, poderia tirar algumas delas da corrida.

Negar ou limitar as vendas dos e-books a bibliotecas compartilha uma característica importante com os preços do modelo de agenciamento. Nos dois casos, as editoras estão implementando políticas que eles sabem que vão resultar numa redução de seu rendimento no curto prazo para desenvolver o que, acreditam, será uma rede de distribuição mais forte e mais diversificada para e-books no longo prazo.

Vale a pena pensarmos em outra questão aqui. É razoável argumentar que as editoras estão erradas nos dois casos. Essas políticas têm a ver com influenciar o futuro desenvolvimento do canal e prever o impacto de várias políticas com o tempo, então ainda não existem dados para provar que estão certas ou erradas. Tudo que temos são palpites baseados em nosso conhecimento limitado e sem projeção.

Mas as editoras estão mais enfaticamente não se engajando em “ideias de curto prazo”. Estão sacrificando os lucros imediatos pelo que acreditam serão lucros em longo prazo. Nesse sentido, são como a Amazon, que – já sabemos – prefere dar descontos profundos e ter perdas nas vendas atuais para construir um relacionamento no longo prazo com seus clientes. Mas a Amazon consegue crédito por pensar no longo prazo; as editoras, geralmente, não.

Como a maioria das pessoas que acompanham as tribulações de bibliotecas tentando estocar e-books sabe, quatro das Big Six não estão vendendo nenhum e-book disponível [exceto títulos que já eram vendidos no passado]. A Random House continua fornecendo todos os seus títulos para bibliotecas como e-books com a limitação de “um empréstimo por vez por cópia comprada”, mas ela simplesmente aumentou os preços para bibliotecas substancialmente. A HarperCollins foi muito atacada há um ano quando introduziu uma limitação de 26 empréstimos por cópia comprada, mas isto é aparentemente visto agora de forma mais geral como uma limitação aceitável. [Os preços da Random House e a recusa total das outras de entrar no mercado estão fazendo com que a limitação de 26 empréstimos pareça algo bom!]

Eu aceito a premissa maior. Se fosse tão fácil conseguir e-books das bibliotecas como é de livrarias, com o tempo mais clientes migrariam para as bibliotecas. Mas, quanto mais penso nisso, menos aceito a noção de que a recusa total a participar no mercado de bibliotecas seja necessária para criar uma clara vantagem para a livraria como destino de leitores de e-books. Na verdade, é possível que disponibilizar e-books nas bibliotecas, da forma certa, poderia aumentar as vendas nas livrarias. E a única forma de as editoras descobrirem isso é fazer algumas experimentações controladas nesse mercado. Até onde sei, isso não está acontecendo.

Tenho duas histórias que podem jogar alguma luz no assunto.

Numa conferência que organizei alguns anos atrás, ouvimos falar de um brinde que a editora Spiegel & Grau fez para o livro de Suze Orman, por meio da Oprah. Eles disponibilizaram 1,1 milhão de PDFs desprotegidos por 33 horas através. As vendas dos livros aumentaram imediatamente na Amazon, é claro. Mas o mais impressionante, e mais importante, é que o livro conseguiu ficar muitos meses na lista de mais vendidos do New York Times. Em outras palavras, o substancial número de cópias distribuídas reanimou o interesse por um livro de muito sucesso que parecia ter concluído sua vida alguns meses antes. [Claro, aparecer na Oprah tem um efeito próprio, com distribuição gratuita ou não. Acho que o 1,1 milhão de cópias ajudou a estimular as vendas, ou pelo menos não impediu que acontecesse o efeito Oprah. A editora não esperava nada parecido com o resultado comercial que conseguiu.]

E aqui está a outra história. Uns dois ou três anos atrás, eu estava olhando para uns dados que me contariam se as vendas de e-books estavam canibalizando os impressos ou incrementando vendas. Nosso amigo Rick Joyce da Perseus disse que “elas acrescentam unidades” e que ele poderia provar. Eu estava cético, mas ele me convenceu.

O que Rick disse foi que a Perseus tinha convertido em e-books certo número de livros de catálogo que tinham um padrão estabelecido de vendas de impressos. Observaram então o que acontecia nas vendas da “cesta de títulos” geral. As vendas de impressos cresceram, apesar das vendas de e-books. A Perseus atribuiu isso ao aumento do conhecimento sobre os livros gerado por sua presença no mercado de e-books.

Mas talvez ainda mais significativo tenha sido o efeito benéfico do aumento das vendas de títulos que já haviam entrado na cauda longa. Quanto mais fundo no catálogo, maior a ascensão criada pela publicação do e-book.

É forçado fazer a analogia do efeito de um e-book disponível numa biblioteca hoje com o que a publicação de um e-book fez às vendas de impressos há dois anos, mas não é uma hipótese ridícula de se testar. E se um impacto similar resultou de uma disponibilidade na biblioteca? Poderia haver alguns títulos que você quer colocar nas vitrines, mas outros que faria mais sentido vendê-los a bibliotecas mais barato por causa de um efeito de marketing? Poderia haver até alguns livros que valeria a pena dar a algumas bibliotecas de graça?

Estes dois exemplos, apesar de terem mais de dois anos [e, num caso, tratando de PDFs, que é uma forma bem limitada de conseguir um arquivo de e-book], não pode simplesmente ser usado como evidência do que aconteceria hoje. As pessoas que fizeram o download do arquivo de Orman e gostaram, querendo ler todo o livro, acabariam comprando um livro mais fácil de ler. Em 2008, isso teria significado “impresso” para a vasta maioria das pessoas. A Perseus fez sua análise de catálogo na época quando tinham muitos bons livros ainda não disponíveis como e-book e poucos consumidores liam daquela forma. Nenhuma dessas coisas continua sendo verdade. A migração das vendas de impresso para digital é muito rápida agora para que a taxa de vendas de impressos se mantenha. [As vendas no geral poderiam aumentar, mas não o impresso sozinho.]

Mesmo assim, essas duas histórias juntas sugerem pelo menos a possibilidade de que as vendas que as editoras estão perdendo ao deixarem de vender para as bibliotecas é um número maior do que apenas os e-books que não estão sendo emprestados. Eles podem também estar perdendo outras vendas fruto da capacidade de descoberta e do boca-a-boca gerado por leitores de bibliotecas.

Eu acho agora que deixar e-books disponíveis através de bibliotecas quando os títulos estão em trajetória descendente de vendas nas livrarias poderia gerar nova vida para eles, assim como a distribuição gratuita na Oprah fez com Suze Orman. Sim, isso é colocar na vitrine. Se as editoras fizessem isso com seus grandes títulos de e-books, eles copiariam o que Hollywood está fazendo com DVDs de grandes filmes, que é também impedir a distribuição por bibliotecas até ganharem nos cinemas e nas vendas de DVDs.

As grandes editoras com quem falei parecem mais focadas em manter o “atrito” na experiência dos e-books nas bibliotecas para aproximá-la da inconveniência do empréstimo de livros impressos onde você tem de ir à biblioteca para pegar o livro e depois devolvê-lo. Na verdade, a interface imperfeita da OverDrive já faz uma boa parte disso [exceto para os empréstimos do Kindle, que vão para a Amazon e funcionam muito bem]. A ausência de qualquer título novo de quatro das Big Six pode não fornecer “atrito”, mas certamente levaria muitos leitores a um canal de vendas. [Na verdade, sem algumas grandes mudanças na forma em que biblioteca-editora operam, haverá sempre um número maior de títulos disponíveis nas livrarias do que em qualquer biblioteca.]

O que as editoras estão corretas em se preocupar é na forma em que o mercado poderia mudar com o tempo. Com a maioria dos leitores de livros ainda lendo no formato impresso, não sabemos realmente como será o mercado em cinco ou dez anos, quando eu acho que a maioria estará lendo em telas. Isso é parte do que estava por trás dos limites de 26 empréstimos da Harper. Também é um princípio por trás doprograma “Public Library Online” da Bloomsbury [funcionando no Reino Unido há um tempo e recentemente introduzido nos EUA], no qual uma “prateleira” de livros é licenciada a bibliotecas uma vez por ano. [Public Library Online permite múltiplos usuários através de qualquer browser com flash, mas não tem nem a ferramenta mais básica de “marcar página”; cada vez que você voltar a um livro teria de se lembrar onde estava.]

Em geral, limitação de tempo parece uma estratégia muito melhor para mim do que limitação de empréstimo, apesar de que poderia não produzir o mesmo nível de vendas adicionais sobre best-sellers como o limite de empréstimos.

Se qualquer grande editora me pedisse uma opinião sobre políticas em relação a bibliotecas [e nenhuma pediu], isso é o que eu falaria hoje.

1. Comece imediatamente a experimentar com “cestas” de títulos, porque os dados de tendências de vendas para um grupo de títulos será bem mais confiável do que qualquer título isolado. Se títulos são colocados em grupos conjuntos [ficção num gênero, não-ficção em outro, grandes autores], você aumentaria suas chances de conseguir dados que possam ser interpretados e permitem ajustes úteis nas táticas.

2. Um conjunto de experimentos que deveria ser produtivo estaria em títulos que já tiveram grandes vendas. Coloque uns 10 ou 20 destes títulos distribuídos em bibliotecas e olhe para os resultados de vendas dos impressos e dos e-books semana a semana pelo período antes e depois do lançamento nas bibliotecas. [E promova o lançamento na biblioteca para maximizar o impacto potencial.]

3. Olhe os livros na lista a seguir: aqueles que não são de grandes nomes, mas que já garantiram que vendem bem. Divida-os pela metade. Coloque uma metade em bibliotecas e a outra, não. Veja se pode detectar um efeito biblioteca, positivo ou negativo.

4. Licencie títulos por dois ou três anos em vez de limitar o número de empréstimos. Isso vai permitir que a editora os retire de circulação em bibliotecas no futuro se o mercado mudar. Esta é uma pergunta separada em relação a permitir empréstimos simultâneos múltiplos. Esta limitação provavelmente precisa continuar [apesar de que com um limite de número de empréstimos como a HarperCollins aplicou, não vejo por que isso é necessário.]

5. Explore formas de permitir que as bibliotecas vendam e-books para patrocinadores que descubram os títulos através delas, e que, por qualquer motivo, queiram adquiri-los. Indicação de livrarias existentes, com bibliotecas ganhando uma comissão, parece ser a melhor forma de fazer isso. As bibliotecas poderiam vender os e-books diretamente, mas esta postura poderia exacerbar a preocupação que os patronos das bibliotecas poderiam estar “perdidos” para a rede de livrarias.

As preocupações das editoras sobre o impacto dos empréstimos das bibliotecas são razoáveis. Mas responder a esta preocupação simplesmente “congelando” não ajuda ninguém e pode, na verdade, ser ruim para as vendas dos livros que as editoras estão tentando proteger. Não sei, nem as bibliotecas sabem, qual será o impacto no mercado de e-books disponíveis através de bibliotecas, mas as editoras tampouco sabem. É hora de todos começarmos a descobrir.

Acho que as grandes editoras aceitaram no geral uma perspectiva também errada sobre o impacto da pirataria. É provável que a pirataria, como os empréstimos das bibliotecas, tenham um efeito geral de canibalizar alguns títulos e um efeito promocional nos outros. Se você aceita a verdade desta declaração, então deveria entender que saber quais títulos estão em cada um desses casos é o ponto de partida mais importante para criar políticas para cada um deles. Quantas editoras hoje estão consultando seu departamento de marketing quando criam suas políticas antipirataria? Poderia ser uma boa ideia.

Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em Publishnews | 28/03/2012 | Tradução: Marcelo Barbão

Mike Shatzkin tem mais de 40 anos de experiência no mercado editorial. É fundador e diretor-presidente da consultoria editorial The Idea Logical Co., com sede em Nova York, e acompanha e analisa diariamente os desafios e as oportunidades da indústria editorial nesta nova realidade digital. Oraganiza anualmente a Digital Book World, uma conferência em Nova York sobre o futuro digital do livro.

Nos Arquivos de Shatzkin, o consultor novaiorquino aborda os desafios e oportunidades apresentados pela nova era digital. O texto de sua coluna é publicado originalmente em seu blog, The Shatzkin Files [www.idealog.com/blog].

Receita da Random House cai 4%


Vendas com digital, por outro lado, têm crescimento ‘recorde’

A Bertelsmann divulgou seus resultados de 2011 e destacou que a receita da Random House, editora do grupo, caiu 4,2%, para 1,75 bilhão de euros, em relação ao ano anterior. O lucro antes de impostos subiu 6,9%, para 185 milhões de euros.

A editora também informou ter registrado crescimento “recorde de três dígitos” em suas vendas com digital, graças a uma demanda crescente por eBooks impulsionada pela oferta de tablets e e-readers mais baratos. De acordo com uma carta do principal executivo Markus Dohle aos funcionários, livros físicos respondem por 85% da receita da editora.

PublishNews | 28/03/2012

DRM x marca d’água


E-books de ‘Harry Potter’ levam marca d’água ao invés do sistema de segurança mais difundido

Chamou atenção a o fato de que os e-books da saga Harry Potter foram lançados, ontem, sem DRM, o sistema de segurança que inibe cópias ilegais de conteúdo, hoje o mais usado por boa parte do mercado de e-books no mundo todo.

Os livros digitais da série literária de maior sucesso dos últimos anos, que compõem o ambicioso projeto daPottermore, controlado de perto pela autora JK Rowling, levam, ao invés de DRM, uma marca d’água. “Marca d’água” é outro nome, mais usado hoje em dia, para o chamado “DRM social”.

A ideia é bastante simples e nada hi-tech: cada e-book vendido contém uma marca com informações sobre o comprador. Se a cópia adquirida for distribuída ilegalmente e identificada, a marca d’água revelará o provável “pirata” por trás da ação. Explica a Pottermore: “a Loja Pottermore personaliza e-books com uma combinação de técnicas de marca d’água que se referem ao livro, ao comprador a ao horário da compra. Isto permite rastrear e responder a possíveis infrações de copyright”. No caso de e-books adquiridos para dar de presente, as cópias conterão as informações da pessoa presenteada.

Para Eduardo Melo, fundador da Simplíssimo, o fato de os e-books da série Harry Potter conterem a marca d’água pode indicar uma tendência. “Todo mundo sabe que a JK Rowling toma conta de todos os detalhes envolvendo a série, e certamente houve muito estudo para concluir que esse sistema é melhor do que o DRM”, diz. “O DRM é muito fácil de ser quebrado e também dificulta a compra.

Camila Cabete, consultora de eBooks e colunista do PublishNews, também acredita que a decisão da Pottermore deve influenciar o mercado de eBooks no sentido da adoção mais frequente do DRM social. Segundo ela, o sistema de marca d’água ainda não é usado no Brasil.

O uso do DRM divide opiniões. Se, por um lado, ele é apontado como tecnologia necessária para evitar cópias ilegais, de outro argumenta-se que, não apenas o sistema pode ser burlado, como ele gera várias inconveniências ao comprador do conteúdo – dificulta, por exemplo, a leitura de e-books em diferentes aparelhos. Há quem argumente, ainda, que o uso do DRM é antipático: pressupõe que o leitor é um potencial pirata.

Por Roberta Campassi e Flávia Leal | PublishNews | 28/03/2012

Livros digitais ainda são desconhecidos pela maioria dos brasileiros


A leitura de livros digitais, também conhecidos como e-books, ainda é pouco disseminada no país. Dados da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, divulgada hoje [28] pelo Instituto Pró-Livro mostram que 70% dos entrevistados nunca ouviram falar dos livros eletrônicos que podem ser lidos em equipamentos como tablets [computadores de prancheta] e e-readers [livros digitais].

Dos 30% que já ouviram falar em e-books, 82% nunca leram um livro eletrônico. De acordo com o levantamento, as pessoas que têm acesso aos livros digitais ou leram pelo computador [17%] ou pelo celular [1%]. A maioria dos leitores [87%] baixou o livro gratuitamente pela internet, e desses, 38% piratearam os livros digitais. Apenas 13% das pessoas pagaram pelo download.

Os leitores aprovam o formato eletrônico dos livros digitais, segundo a pesquisa. A maior parte dos entrevistados lê de dois a cinco livros por ano. No entanto, mesmo que muitos sejam adeptos dos livros digitais, a maioria dos leitores acha difícil a extinção do livro de papel.

Os livros digitais são mais populares entre o público de 18 a 24 anos. A maioria dos leitores de e-books pertence à classe A e tem nível superior completo. De acordo com a pesquisa, 52% dos leitores são mulheres e 48% homens.

O levantamento avaliou que a leitura de livros digitais no Brasil é considerada uma tendência. Nos Estados Unidos, a venda de e-books supera a de livros impressos. De acordo com a Associação Americana de Editores, as vendas dos livros digitais cresceram 117,3%, em 2011. Ainda segundo a associação, o mercado cresceu mais de 100% em três anos.

Por Daniella Jinkings | Agência Brasil | 28/03/2012

O brasileiro não conhece o livro digital


Uma pesquisa inédita que será divulgada hoje pelo Instituto Pró-Livro comprova que o e-book ainda não caiu nas graças do brasileiro. O Ibope foi às ruas e ouviu 5 012 pessoas em 315 municípios.

O levantamento Retratos da Leitura no Brasil mostra que entre as centenas de pessoas ouvidas, 82% nunca leram um livro em formato digital. Dos que leram, 17% o fizeram em um computador e 1% no celular.

A propósito, fracassaram os modelos de leitores digitais produzidos no Brasil. Tanto o Cooler da Gato Sabido quanto o Alfa da Positivo encalharam e as empresas praticamente pararam de produzir os aparelhos por aqui.

Por Lauro Jardim | 28/03/2012, 09:07 | http://veja.abril.com.br

Livros da série “Harry Potter” são lançados em formato de e-book


J. K. Rowling, autora da série de livros Harry Potter

J. K. Rowling, autora da série de livros Harry Potter

Os livros da saga “Harry Potter”, da escritora J.K. Rowling, estão disponíveis pela primeira vez no formato de e-book.

Os sete volumes, que venderam aproximadamente 450 milhões de cópias no mundo e foram transformados em oito filmes, começaram a ser vendidos no site oficial da saga, “Pottermore”.

Os livros podem ser comprados – tanto no formato de e-book quanto na versão em áudio – somente na loja virtual do site [shop.pottermore.com].

Por enquanto, os textos só estão disponíveis em inglês. As versões em francês, italiano, alemão e espanhol devem sair nas próximas semanas. Depois disso, serão feitas traduções para outros idiomas.

Folha.com | Com agências internacionais | 27/03/2012 – 10h42

Vook lança plataforma para produção de eBooks


Depois de quatro meses em teste, a Vook lançou para o público a versão de seu software de distribuição e produção de e-books. A plataforma da Vook propõe-se a ser fácil suficiente para que autores independentes publiquem seus e-books diretamente, e robusta o bastante para o uso corporativo. O serviço foi desenvolvido para permitir criar e automaticamente distribuir para as lojas da Amazon, da Barnes & Noble e da Apple tanto e-books que contêm apenas texto, como aqueles que possuem recursos multimídia. Outras plataformas de publicação que prometem ser fáceis de usar e gerar resultados impressionantes foram lançadas recentemente, como o iBooks Author, da Apple, e o Habitat, da Inkling

Por Jeremy Greenfield | Digital Book World | 26/03/2012

Como saber quais eBooks os leitores querem adquirir?


Depois de algum tempo sem conseguir postar, voltamos.

É que eu estive cuidando pessoalmente dos detalhes do funcionamento e implementação de duas novas plataformas voltadas 100% aos livros na era digital.

A primeira é a plataforma CANAL, Cadastro Nacional do Livro, projeto que eu coordeno dentro da Câmara Brasileira do Livro. O projeto está na fase de testes com cerca de umas oito editoras selecionadas pela entidade. Aliás, eu irei fazer a primeira demostração pública da plataforma CANAL durante a próxima Feira de Bogotá, na Colômbia, a convite da Cerlalc, quando o Brasil será o País homenageado.

Mas este tema é para outro post. A novidade que eu gostaria de compartilhar vem da outra plataforma, a da Livrus.net, da startup que toco aqui mesmo em São Paulo.

Criei um modo de ajudar as editoras a tomar a decisão sobre qual título de seu catálogo ativo deve ser convertido para o formato eletrônico.

É uma tela, uma planilha, que mede a tiragem de livros conforme a demanda dos leitores e ajuda o departamento comercial a decidir quando um determinado título deve migrar para a versão eletrônica, uma vez que todos sabemos que a versão impressa, aqui no Brasil, é a que ainda nos traz os verdadeiros lucros.

Apresentei a abordagem nos cursos que ministrei mas até hoje ninguém pareceu interessado em testar. Não estou reclamando, isso é até normal por aqui. Então eu resolvi uma nova abordagem. Menos teórica e mais prática. Vamos ver se agora funciona. A ideia é simples.

A editora se cadastra na plataforma Livrus.net.

Tela de cadastro da Livrus.net

Tela de cadastro da Livrus.net

Após inserir informações sobre a editora, endereço do site da empresa, logotipo, etc., a editora então monta, atualiza e divulga o seu próprio catálogo. Não importa se os livros estão no formato eletrônico, impresso ou em áudio. Clique na imagem abaixo para conhecer como funciona.

Catálogo da Editora

Catálogo da Editora

Até aqui, no entanto, não temos ainda a decisão sobre a conversão de um determinado conteúdo para o formato eletrônico. Ou seja, o que temos é apenas os metadados dos livros. Clique na imagem abaixo para conhecer.

Página do Livro

Página do Livro

Botão desejo comprar

Botão desejo comprar

Aí vem a mágica: 0 leitor passa ater a possibilidade de acessar a página do livro clicar no botão “DESEJO COMPRAR“. Deste modo o livro entra automaticamente em sua biblioteca virtual e na sua lista de interesse.

Com isso a editora tem a possibilidade não só de saber quantos leitores tem o interesse em ler aquele determinado livro em versão eletrônica, como também saber quem são os leitores interessados na aquisição da obra digital.

O botão que criamos, “DESEJO COMPRAR“, serviria também para que as editoras soubessem quantos leitores estariam interessados em comprar a versão impressa sob demanda, caso o livro estivesse fora do catálogo, mas preferimos iniciar os testes com o botão disponível somente para a versão eletrônica mesmo. Aliás, à partir de agora, se você vir este botão em outros sites já sabe quem o criou.

A informação sobre quais eBooks o leitor quer adquir, ficam armazenados na tags dos livros. E também há um histórico que pode ser acompanhado nas bibliotecas virtuais pessoais.

Este sistema já está no ar, embora esteja também em fase de testes. Na verdade, poderíamos dizer que a plataforma Livrus.net está em beta desde que nasceu, né (!), mas não gostaríamos que acontece com o nosso projeto o que ocorreu com o Orkut, que morreu antes mesmo de sair da versão beta. Por isso a gente prefere criar as ferramentas e já colocar no ar, mesmo cientes de que muitos vão copiar a ideia.

O resultado por enquanto é o seguinte: cerca de aproximadamente 100 leitores estão se cadastrando diariamente na Livrus para criar as suas bibliotecas e testar a ferramenta.

Espero que as editoras também gostem e usem. A criação da página e do catálogo são gratuitos para as editoras. Sabemos dos desafios tanto de tirar os contratos da gaveta quanto de investir em conversões. Mas pelo menos agora a editora pode tentar medir o interesse do seu público leitor antes, e depois tomar melhor as suas decisões.

No próximo post, explico como funcionará o botão “EMPRESTAR” um livro eletrônico.

Emprestar um livro eletrônico? Isso mesmo o que você leu. Criamos uma ferramenta para o leitor emprestar um livro eletrônico sem infringir os Direitos Autorais.

Duvida?

Sigam-me os bons!

EDNEI PROCÓPIO

Grupo de escritores chineses processa Apple, diz mídia estatal


Um grupo de 22 autores chineses registrou um processo contra a Apple, alegando que sua loja on-line de aplicativos vende cópias não licenciadas de seus livros, disse a mídia estatal chinesa neste domingo.

O grupo, a União dos Direitos de Autores, exigiu no ano passado que a Apple abandonasse a distribuição eletrônica dos livros dos escritores e havia antes persuadido a Baidu, maior ferramenta de busca da China, a parar de publicar o material em seu produto Baidu Library.

iBooks, plataforma de eBooks da Apple; escritores chineses pedem indenização por violação de direitos autorais | Kimberly White - 27.jan.10/Reuters

iBooks, plataforma de eBooks da Apple; escritores chineses pedem indenização por violação de direitos autorais | Kimberly White - 27.jan.10/Reuters

Os escritores buscam uma compensação de 50 milhões de iuanes [US$ 8 milhões] da Apple, dizendo que a empresa vendia versões pirateadas de 95 livros por meio de sua loja on-line, reportou a Xinhua, sem dizer onde a reclamação foi registrada.

Como donos de propriedade intelectual, entendemos a importância de protegê-la, e quando recebemos reclamações, respondemos de maneira rápida e apropriada“, disse uma porta-voz da Apple, Carolyn Wu.

A União dos Direitos de Autores não pôde ser contatada para comentar. Empresas estrangeiras reclamam há anos sobre a má fiscalização de regras de propriedade intelectual na China, e um número crescente de titulares de direitos autorais chineses estão agora pressionado por mais proteção.

O processo se soma à lista de problemas da Apple na China.

A empresa de tecnologia mais valiosa do mundo está envolvida em um processo duradouro com a empresa chinesa Proview Technology, que está lutando pelo controle da marca registrada do iPad no país.

Além disso, a Apple tenta negar as alegações de más condições de trabalho entre seus fornecedores a baixo custo na China.

DA REUTERS, EM PEQUIM | 19/03/2012, 12h04 | Publicado por Folha.com

Próximos astros da literatura talvez sejam descobertos on-line


Para os romancistas, o tempo em que costumavam enviar manuscritos a dezenas de editoras e aguardavam ansiosamente por respostas podem em breve se tornar coisa do passado.

Milhares de escritores que utilizam redes on-line de literatura como a Movella, que atrai grande público adolescente, e a Book Country, da editora Penguin, já vêm recebendo reações instantâneas, e podem alterar textos de imediato e oferecê-los ao público para leitura, não importa o que as editoras possam pensar.

A internet derrubou os muros de um setor antes fechado, porque agora qualquer pessoa pode publicar textos com apenas alguns cliques – uma mudança que também cria demanda por novos talentos.

As editoras não querem que aconteça com elas a mesma coisa que aconteceu com a indústria da música“, disse Per Larsen, o presidente-executivo da companhia iniciante dinamarquesa Movellas. “Sabem que o modelo de negócios do mercado editorial foi destruído“.

A indústria de gravação musical passou por numa explosão de pirataria on-line que tirou montantes enormes de seus bolsos, dado o download ilegal generalizado de canções que antes só estariam disponíveis em CDs, fitas e discos.

Ao mesmo tempo, a indústria musical está vendo bandas que gravam sua própria música e a oferecem diretamente via Internet, contornando a intermediação das grandes gravadoras.

O objetivo do Movellas é se destacar entre os rivais em função de sua abordagem mundial e do foco em adolescentes, que estão ingressando no mundo da escrita criativa por meio de sua rede.

Queremos ser a comunidade líder mundial na identificação de novos talentos“, disse Larsen.

Já existem dezenas de milhares de texto publicados no site a cada mês, por jovens escritores como a britânica Ebonie Maher, 19, que posta principalmente poemas no Movellas.

Eu adoraria me tornar escritora“, diz, acrescentando que as críticas construtivas que recebe ajudam em seu desenvolvimento.

A crítica também é parte crucial do Book Country, o serviço online criado pela editora Penguin no ano passado a fim de identificar novos talentos on-line.

Isso nos permite lançar a rede de forma mais ampla“, diz Molly Barton, diretora digital mundial da Penguin.

Em janeiro, a Berkley, uma das divisões do grupo Penguin, assinou contrato para dois livros com Kerry Schafer, especialista norte-americana em saúde mental, depois que um editor leu textos dela no site.

DA REUTERS | 15/03/2012, 12h23 | Publicado por Folha.com

‘Enciclopédia Britannica’ acaba com edição impressa e se torna 100% digital


Em mais um sinal do crescente domínio do mercado editorial digital, a mais antiga enciclopédia em língua inglesa que ainda é impressa está se movendo plenamente para a era digital.

A “Enciclopédia Britannica”, que é impressa desde que foi publicada pela primeira vez, em Edimburgo [Escócia], em 1768, afirmou nesta terça-feira [13] que vai acabar com a publicação de suas edições impressas e continuar com as versões digitais disponíveis on-line.

Site da "Enciclopédia Britannica", que acabou com a edição impressa para se tornar 100% digital

O carro-chefe, a edição impressa com 32 volumes, disponível a cada dois anos, era vendido por US$ 1.400. Uma assinatura on-line custa cerca de US$ 70 por ano, e a empresa lançou recentemente aplicativos que variam de US$ 1,99 a US$ 4,99 por mês.

A empresa disse que vai manter a venda de edições impressas até que o estoque atual de cerca de 4.000 conjuntos se esgote.

A edição impressa tornou-se mais difícil de manter e não era o melhor elemento físico para oferecer a qualidade do nosso banco de dados e a qualidade do nosso editorial,” disse Jorge Cauz, presidente da Encyclopaedia Britannica Inc., à Reuters.

DA REUTERS, EM NOVA YORK | 14/03/2012, 6h42 | Publicado em Folha.com

União Europeia pode fazer acordo com editoras em caso que envolve Apple


Os órgãos reguladores da União Europeia estão abertos a um acordo com editoras de e-books detidas pela Lagardère, News Corp e três outras companhias se forem oferecidas concessões que resolvam preocupações sobre a competição, disse nesta segunda-feira o diretor do órgão antitruste do bloco econômico.

Desde dezembro passado, a Comissão Europeia vem investigando se as editoras fixaram preços com a Apple para produtos eletrônicos, uma ação que pode ter bloqueado concorrentes como Amazon e afetado consumidores.

A Lagardère, unidade da Hachette Livre, e a Harper Collins, da News Corp, estão sendo investigadas. As outras três editoras são a Simon & Schuster, que pertence à CBS, a Penguin, da Pearson e a alemã Macmillan, unidade da Verlagsgruppe Georg von Holzbrinck.

Essa possibilidade de um acordo só está aberta caso as editoras estejam dispostas a remover todas nossas objeções“, disse o Comissário Europeu para Competição Joaquin Almunia a repórteres.

Ele disse que os órgãos reguladores da UE estavam agindo conjuntamente a seus equivalentes dos Estados Unidos, que também estão investigando acordos de preços como esses sob um modelo empresarial adotado em 2010 em que as editoras definem o preço em varejo.

Sob os procedimentos de resolução da Comissão, as empresas podem oferecer concessões para evitar uma multa de até 10% do total de suas vendas globais. Os órgãos reguladores abandonariam então sua investigação sem que as empresas assumissem terem participado em atos ilegais.

Os órgãos reguladores dos Estados Unidos alertaram a Apple e as cinco editoras que planejam entrar em processo contra as empresas, disse uma fonte próxima ao assunto à Reuters na semana passada. A fonte também disse que várias das empresas estavam organizando reuniões para entrar em acordo com os reguladores.

O modelo de atacado utilizado pela Amazon permite aos vendedores pagar pelo produto e cobrar o quanto decidirem.

DA REUTERS, EM BRUXELAS | 13/03/2012, 17h24 | Publicado em Folha.com

Vida equilibrada na era digital


O autor buscou referências em grandes nomes da filosofia e da literatura para viver bem

Livro best-seller nos Estados Unidos mostra quais são os fatores para se viver bem na era digital. BlackBerry de Hamlet – Filosofia prática para viver bem na era digital [Alaúde, 228 pp., R$ 34,90 – Trad. Daniel Abrão], de William Powers, ex-redator do jornal Washington Post, inspira-se em grandes nomes da filosofia e da literatura, como Sócrates, Shakespeare, Sêneca e Thoreau, para defender a tese de que as pessoas do século XXI devem buscar a qualidade de vida no equilíbrio e saber em quais momentos é preciso se desconectar dos meios eletrônicos, investindo em situações e pessoas reais. A obra esteve na presente na lista de mais vendidos do The New York Times.

PublishNews | 08/03/2012

O Futuro do Livro é o Híbrido


Vem aí o primeiro catálogo universal e padrão de obras, disponível para todo o mercado editorial brasileiro.

A Câmara Brasileira do Livro [CBL] já começa a liberar, oficialmente, informações detalhadas sobre o projeto Cadastro Nacional do Livro, da qual sou o Coordenador Geral, mas creio que esta novidade será tão importante para apontar e delimitar novos horizontes do mercado de livros, quanto será a próxima edição do Congresso Internacional CBL do Livro Digital.

É, sem dúvida alguma, a grande sacada em 2012 para o mundo dos livros. E que era uma antiga aspiração da categoria, mas que, só agora, graças ao aprimoramento da tecnologia, está se tornando possível.

A ideia central do Cadastro Nacional do Livro [CANAL] é criar uma plataforma distribuidora de informações claras e precisas sobre o cadastro de todos os livros publicados em língua portuguesa.

Uma plataforma de normalização de metadados digitais [baseada em um padrão para o mercado brasileiro] traria uma evolução criativa na transmissão de informações sobre livros para as editoras, distribuidoras, livrarias físicas e virtuais [no caso das vendas], blogs e redes sociais [divulgação], bibliotecas [circulação], etc.

Na prática, isso quer dizer que o leitor, o bibliotecário e ou até o Governo, irá encontrar aquele livro que precisa, através da Internet ou dos terminais de buscas nas livrarias e bibliotecas, pois as informações sobre os livros, se o mercado livreiro aderir à iniciativa, estarão sendo armazenadas e transmitidas de modo mais preciso que atualmente. Principalmente, por exemplo, no que diz respeito à disponibilidade de um determinado título nos estoques físicos.

Se o mercado editorial brasileiro juntar a tecnologia de uma normalização de cadastrado único padrão para livros, com os modernos processos de impressão digital sob demanda, a mágica estará feita.

Há discussões técnicas bem interessantes, nas entidades de classe como CBL e ANL [Associação Nacional de Livrarias], com relação ao padrão adotado. Existiam alguns caminhos, mas a Onix for Books [que atualmente está em sua versão 3.0], que de longe parecia ser a melhor escolha.

Além de permitir uma melhor segurança na transmissão de dados, O ONIX [acrônimo para ONline Information EXchange] é um dos padrões, internacional, para representar e comunicar informações de produtos nas indústrias de bens culturais, ou seja, no nosso caso, para a cadeia produtiva do livro.

O mais interessante é que o padrão Onix não nasceu para criar o intercâmbio de trafego de dados para livros digitais, mas sim para livros impressos. Mas o conceito do Onix é tão amplo e tão rico que caiu como luva nos demais formatos ou suportes mais modernos do livro, como é o caso do eBook e também do Áudio Book. O Onix for Books 3.0 é baseado na tecnologia XML, assim como o formato padrão para publicações eletrônicas, o ePub, e o formato de acessibilidade conhecido como DAISY. Creio que se juntarmos o Onix [para metadados de livros em geral] e o ePub [para o conteúdo especificamente] teremos um cenário muito interessante pela frente.

O Cadastro Nacional do Livro fortalecerá toda a cadeia produtiva do livro, desde o livreiro independente, assim como também melhoraria a comunicação de cadastro de obras das pequenas editoras junto às grandes livrarias. O cadastro do livro se dará de modo uniforme, graças aos metadados, independente se o livro estaria circulando em formato eletrônico, impresso ou em áudio. E independente também dos diversos players e canais de vendas hoje disponíveis no mercado.

Como vemos, o futuro do livro é o híbrido. O mercado deverá oferecer o conteúdo das obras em formatos diversos [impresso sob demanda, eletrônico ou em áudio], e o consumidor final é quem escolherá em qual suporte deseja consumir os livros. E o segredo desse consumo está no acesso irrestrito às informações sobre as obras.

Artigo escrito por Ednei Procópio | Publicado originalmente Revista ANL, órgão oficial da Associação Nacional de Livrarias | Dezembro 2010 | Ano 10 | Edição 42

Twitter como fonte para trabalhos acadêmicos


Foi definido um padrão para citar tuites em trabalhos acadêmicos nos Estados Unidos

Segundo informou o BlueBus, a Modern Language Association of America definiu um formato padrão para citar tuites em trabalhos acadêmicos nos Estados Unidos. A forma correta é a seguinte: primeiro, devem ser citados o sobrenome e o nome do autor, seguidos de seu nome de usuário, que deverá aparecer entre parênteses. Em seguida, vem o tuite na íntegra, entre aspas. Por fim, é preciso informar a data e a hora da mensagem.

PublishNews | 07/03/2012

Iba é lançada com seis mil eBooks


O mercado de publicações digitais ganhou ontem um concorrente de peso com o lançamento da Iba, loja do grupo Abril para jornais, revistas e livros. A plataforma, que desde o ano passado funcionava em versão experimental, foi ao ar oficialmente com oferta de 25 títulos de revista do grupo, 19 jornais e seis mil e-books de 170 editoras brasileiras, o que a coloca entre as três maiores lojas de livros eletrônicos do país – a Gato Sabido tinha cerca de 7,3 mil títulos em janeiro e a Saraiva, em torno de seis mil.

A estreia acontece num momento em que a concorrência promete se acirrar – e muito – com os desembarques da Amazon e do Google eBooks no Brasil, previstos para este ano, e do surgimento de outras plataformas nacionais – Mundo Positivo, Buqui e Travessa são alguns dos concorrentes que surgiram nos últimos meses. “Queremos estar entre as grandes do mercado de e-books”, diz Ricardo Garrido, diretor de operações da Iba. A loja recebeu até agora investimento de R$ 10 milhões e, nos próximos cinco anos, deve consumir um total de R$ 60 milhões, segundo o executivo.

Estão disponíveis os aplicativos de leitura da Iba para PC e iPad e, em breve, será lançado um para Android. “Estamos apostando no crescimento dos tablets e também na base já instalada de PCs no Brasil”, afirma Garrido. Segundo ele, a Iba estima que haverá nove milhões de tablets em uso no país nos próximos cinco anos, contra menos de um milhão existente hoje. Foi fechada parceria para que os tablets da Motorola e da Samsung – o Xoom e o Galaxy Tab – já cheguem às mãos do consumidor brasileiro com o aplicativo da Iba instalado. O mesmo acordo com feito com a HP para PCs.

Para atrair usuários, a Iba oferece gratuitamente cinco revistas, um jornal diário e mais dez livros – todos em domínio público – para quem se cadastrar até o dia 16 de abril. Ontem, segundo Garrido, três mil usuários haviam se cadastrado em menos de 24 horas. Hoje pela manhã, o aplicativo da loja para iPad era o terceiro mais baixado na App Store. A Iba permite, além da compra avulsa de exemplares, a assinatura dos jornais e revistas.

Garrido afirma esperar para os próximos meses um forte crescimento na base de e-books nacionais. “As editoras aceleraram muito a produção de e-books e acreditamos que haverá um aumento gigantesco na oferta nos próximos meses”, afirma. A Iba também deve fechar em breve acordos para a venda de títulos estrangeiros, segundo ele.

Em relação aos acordos comerciais com as editoras, Garrido afirma que os contratos variam conforme o porte e o tipo de publicação das editoras. Eles também preveem certos níveis de desconto nos preços dos livros para o consumidor final. “Mas nossa postura não é de pressionar as editoras, acreditamos numa boa convivência, como sempre foi no mundo impresso”, diz o executivo.

É uma referência sutil à Amazon, conhecida por sua prática agressiva de descontos [especialmente nos Estados Unidos], que ao longo do tempo passou a ser vista como vilã pelo mercado editorial – mas, certamente, não pelos leitores, que conseguem comprar livros por preços menores. A companhia americana planeja iniciar operações no Brasil ainda neste primeiro semestre.

Ao contrário do que se imagina, a distribuição digital não é tão barata, porque os volumes de venda são baixos no Brasil”, diz Garrido. “À medida que o volume crescer, haverá espaço para reduções maiores de preço, mas não é algo que vai acontecer no curto prazo”, avalia.

Em tempo: iba, em tupi-guarani, significa árvore, uma referência ao símbolo da Abril.

Por Roberta Campassi | PublishNews | 07/03/2012

O que o lançamento da Apple significa para as editoras


O tablet deverá elevar a expectativa dos leitores e a linha que define um e-book de qualidade

As mudanças feitas no novo iPad são principalmente no hardware – um processador A5X e uma tela “Retina”, com resolução de 2048 x 1536 pixels, o que efetivamente duplica a resolução do iPad 2 e que suporta vídeos Full HD [1080p] – veja uma comparação entre as telas.

Essas características, junto com uma câmera melhor e os aplicativos iLife, significam que o novo iPad traz impressionantes e rápidas experiências interativas de alta definição para os seus usuários.

Os consumidores de conteúdo e de mídia continuarão sendo o maior público do novo iPad. A combinação da nova tela retina com maior velocidade de processamento vai melhorar e enriquecer a experiência de leitura de livros, jornais, revistas e catálogos.

Implicações na produção

O que o novo iPad significa para a indústria editorial? E qual impacto ele vai ter na evolução do e-book?

As editoras podem usar o poder do hardware do novo iPad para criar e-books mais impactantes, com recursos interativos melhores, recursos visuais esplêndidos, gráficos 3D aperfeiçoados, e tudo isso com uma banda larga o suficiente para que todos esses componentes fluam sem interrupção por meio de redes 4G. [Note que a produção desses novos recursos melhorados têm custo maior perto dos tradicionais.]

A Apple garantiu que o novo iPad seja compatível com todos os iBooks existentes e também com os iBooks 2, lançados em janeiro.

Para as editoras, isso significa que as equipes de produção editorial vão precisar tomar decisões cuidadosas em relação a projetos de livros em andamento que têm layouts aprimorados e fixos.

Se uma editora quiser oferecer um livro com algum recurso interativo em HD, para venda exclusiva na iBook Store da Apple, então o caminho para a produção dentro do ecossistema da Apple é claro: use o aplicativo iBooks Author para produzir um arquivo em formato ibook, e mande o e-book para que a Apple o aprove e o coloque à venda na loja.

Se, no entanto, uma editora quiser distribuir e-books com recursos interativos para uma grande gama de lojas, além da iBook Store da Apple, então o planejamento do produto deve ser feito com base em tipos de arquivos que podem ser facilmente convertidos ou transformados para o formato de cada loja.

Um processo de trabalho ótimo inclui o uso de padrões abertos como o EPUB do IDPF [International Digital Publishing Forum]. A adoção do padrão EPUB como formato de e-book dá às editoras uma base para a produção de outros formatos – que podem incluir o KF8 para o Kindle Fire, da Amazon, ou algumas adaptações para os aparelhos Nook Tablet, da Barnes & Noble, ou o Kobo Vox.

As editoras devem assegurar tempo na sua grade de produção para acrescentar recursos aos e-books e para testar seus títulos em todas as plataformas para as quais estão sendo criados.

Um novo padrão para a indústria

Mais pixels e maior velocidade de processamento oferecem oportunidades únicas para criar novas experiências de uso e abrem uma gama de possibilidades para o e-book e, especialmente, para os “enhanced e-books”.

O novo iPad vai sem dúvida elevar as expectativas dos consumidores e, portanto, a linha que define um e-book de qualidade.

Enquanto os editores começam a explorar o potencial do novo iPad, a Apple pode descansar [embora rapidamente], sabendo que ultrapassou a concorrência e fez com que o resto da indústria de tablets tenha que correr atrás, mais uma vez.

Por Jean Kaplansky | Digital Book World | 07/03/2012 | Publicado originalmente em PublishNews

Wikipédia evita política depois de vitória por direitos autorais


A Wikipedia não tem intenção de se tornar uma organização de campanha política, após desempenhar papel chave ao derrotar propostas norte-americanas de leis de combate à pirataria por meio de um blecaute de 24 horas realizado em janeiro, disse o fundador da enciclopédia online, Jimmy Wales.

Companhias de internet e consumidores, preocupados com a possibilidade de que o projeto de lei prejudicasse a liberdade na rede, venceram uma batalha e conseguiram o adiamento dos projetos em questão por prazo indefinido, depois de realizarem um protesto on-line sem precedentes.

Wales afirmou acreditar que os atuais modelos de negócios das companhias de mídia, que dependem de imposição rigorosa de direitos vendidos para regiões determinadas, terminarão derrubados.

Mas ele não prevê que sua enciclopédia on-line – escrita e editada por voluntários, com total mundial de leitores estimado em 365 milhões de pessoas– volte a se envolver em campanhas políticas.

Realmente não queremos nos tornar uma força de lobby, de qualquer natureza, e nossa esperança é de que não precisemos voltar a fazê-lo“, disse Wales em uma conferência do jornal Financial Times sobre mídia digital, em Londres.

Porque temos essa opinião forte sobre neutralidade… realmente não queremos nos envolver em ativismo político, de modo geral. Não seria a coisa certa a fazer, para nós“, disse.

A vitória sobre os projetos de lei de combate à pirataria, Sopa e Pipa, foi comemorada como um triunfo do poder popular e do Vale do Silício, quando dezenas de milhares de pessoas postaram protestos contra eles no Twitter e Facebook e assinaram petições on-line.

Hoje vivemos uma era em que o público mais amplo tem uma voz que jamais teve no passado“, disse Wales.

DA REUTERS | 07/03/2012, 11h18 | Publicado em Folha.com

Bibliotecas e editoras têm interesses diferentes


Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em Publishnews | 07/03/2012

Mike Shatzkin

Uma vez que as bibliotecas representam 5% do negócio de uma editora comercial e uma porcentagem bem menor do negócio de e-books, que o mercado está mudando muito rapidamente e, ainda, que toda livraria, exceto a Amazon, está lutando para manter uma posição sustentável no mercado global de e-books, acredito que há muitas razões legítimas para que as grandes editoras tomem uma posição de “esperar para ver” na questão bibliotecas e e-books. O medo é a criação de uma experiência de “compra e consumo” nas bibliotecas que seja comparável ao que as livrarias podem oferecer. Esse potencial é atenuado agora porque a maioria dos livros importantes não está nas bibliotecas. Mas, se entrarem, as editoras temem que o consumidor deixe de “frequentar” livrarias.

Este medo não tem a ver só com as “perdas das vendas”. Está relacionado também com um “canal perdido” de venda ou uma conexão com o consumidor que passa inteiramente pela Amazon.

Claro, as bibliotecas veem isso de forma diferente porque os principais livros das grandes editoras são bem mais do que 5% do interesse de seus associados. Este é um desequilíbrio que explicaria a diferença na atitude das partes em jogo, para qualquer um que aceite esta realidade. Quer dizer, o eterno “instinto de autopreservação” leva as bibliotecas e as editoras a conclusões um tanto quanto diferentes sobre qual é o melhor futuro e com que rapidez a indústria deveria ir nessa direção.

Quando falei isso numa lista de discussão, provoquei uma pergunta de alguém que defende o ponto de vista das bibliotecas: “Eu estava dizendo que o medo principal é que a Amazon poderia ‘dominar’ a experiência de empréstimo, e que o canal tradicional da biblioteca e qualquer venda que essa experiência pudesse gerar estaria perdido? Ou eu estava falando outra coisa?”.

Bom, eu realmente não tinha pensado nisso, apesar de que a forma como as bibliotecas colaboraram com a OverDrive para estruturar o acordo para os empréstimos da Amazon fez com que essa possibilidade ficasse mais forte do que antes.

O que eu dizia era que já existe a possibilidade de estarmos a caminho de ter uma única livraria para e-books e impressos vendidos on-line, chamada Amazon. Todo canal para o consumidor, tanto bibliotecas quanto livrarias [independente de saberem disso ou não] estão na verdade lutando por suas vidas digitais. As editoras não querem fazer nada que enfraqueça Kobo, Google, Barnes & Noble, ou qualquer um oferecendo algum canal comercial aos clientes. É percebido [intuitivamente, sem dados, apesar de que eu argumentaria na verdade que há grandes limitações ao valor dos dados porque estamos falando sobre as consequências já que o ecosistema muda com o tempo] que dar formas para os consumidores conseguirem o que querem sem pagar por isso enfraquece as outras livrarias.

E não poderíamos dizer, pelo comportamento da Amazon de encorajar os empréstimos através de bibliotecas e fora delas, que talvez eles estejam vendo esta possibilidade também?

Eu sempre espero que uma entidade aja em seu próprio interesse, especialmente quando sua sobrevivência está envolvida [e a Amazon, com o preço de suas ações e enfrentando a possibilidade de perder as vantagens nos impostos nos Estados Unidos, também deve pensar assim]. Acho que todos deveríamos entender que pessoas inteligentes de todos os lados sabem que estão lutando para sobreviver. Isso inclui a Amazon, as editoras, as livrarias concorrentes e as bibliotecas. Nosso problema é que os interesses não se alinham e acho que as pessoas, às vezes, têm problemas em aceitar que esse alinhamento talvez nunca aconteça.

O fã da biblioteca, ao tentar entender “meu argumento”, retrucou se eu estava sugerindo que cada empréstimo de biblioteca poderia se traduzir numa perda de venda; e mesmo se fossem divididas proporcionalmente, eu estava sugerindo que a concorrência da Amazon perderia mais do que ela?

Mas eu realmente não estava tentando escolher um lado ou apoiar qualquer posição particular nessa disputa. Não tenho claro pessoalmente se os empréstimos de bibliotecas estimulariam ou canibalizariam; e de qualquer forma não podemos assumir que a situação de hoje persistiria num futuro diferente. E não acho que as preocupadas editoras estão pensando na venda em si; o que estão pensando é no ecossistema geral que está se desenvolvendo.

Ainda bem que não sou uma grande editora que precisa tomar essas decisões. Só decido quando preciso e no momento, na verdade, estou deliberando sobre uns poucos livros que controlo; e sem ainda ter tomado uma posição. Mas independente do que eu fizer, não assumiria que a Simon & Schuster deveria fazer a mesma coisa [em algum momento da semana que vem terei de decidir sobre DRM e sobre empréstimos a bibliotecas em relação a alguns e-books que herdei os direitos e arquivos POD, do meu pai].

Há muitos caminhos, desde o que a OverDrive já está fazendo para a Bloomsbury até a ideia de “emprestar um aparelho” da 3M e o conceito de assinatura da Recorded Books e a negação total, todas táticas razoáveis no mercado atual. As pessoas não perdem muito ficando de fora nem se arriscam muito se entrarem neste momento [quando a tecnologia ainda está bastante antiquada e a maioria dos livros importantes não está disponível]. A Random House está ganhando alguma vantagem da situação de forma muito hábil e sem dúvida deixando a concorrência das Big Six muito brava, assim como fizeram quando demoraram a adotar o modelo de agência [continuam a suprir as bibliotecas sem limitação, mas subiram os preços das “edições de bibliotecas” de seus e-books].

Realmente não quero fazer julgamentos porque há muitas coisas que não sei sobre a situação de cada empresa, onde elas estão equilibrando o relacionamento com os agentes e, no caso das três editoras que estão investindo na Bookish nos EUA e as outras duas investindo na Anobii, no Reino Unido, quais os planos para desenvolver um canal próprio. Mas acho que a maioria de nós concorda que o valor recebido por leitura que as editoras grandes serão capazes de ganhar provavelmente vai cair [alguns otimistas argumentariam que o número de leituras vai subir, mas, claro, isso é um conforto questionável se o número de livros disponíveis também crescer, e isso vai acontecer]. Então, as editoras estão bem conscientes disso, de uma forma que elas nunca tiveram de pensar antes, quando o preço do que vendiam estava amarrado pelas realidades físicas.

Essas não são decisões morais, são comerciais [mesmo quando são feitas por entidades sem fins lucrativos]. Eu acho que as editoras menores conseguirão tirar mais vantagem desta situação em que as Big Six não estão nas bibliotecas, conseguindo mais vendas e maior facilidade em fazer com que seus livros sejam descobertos [talvez da mesma forma que a Random House, a preços premium!]. Se as vendas superarem os riscos ou as consequências negativas, então as Big Six voltarão e este pedaço do mercado vai mudar novamente em detrimento das editoras novas. Enquanto isso, alguns autores serão descobertos, algo que não aconteceria se as Big Six estivessem nesse mercado desde o começo.

Estamos falando de um jogo de xadrez multijogadores de longo prazo, não o final de um campeonato. Minha tendência é olhar e coçar a cabeça, sem torcer por nenhum time em especial.

Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em Publishnews | 07/03/2012

Mike Shatzkin tem mais de 40 anos de experiência no mercado editorial. É fundador e diretor-presidente da consultoria editorial The Idea Logical Co., com sede em Nova York, e acompanha e analisa diariamente os desafios e as oportunidades da indústria editorial nesta nova realidade digital. Oraganiza anualmente a Digital Book World, uma conferência em Nova York sobre o futuro digital do livro.

Nos Arquivos de Shatzkin, o consultor novaiorquino aborda os desafios e oportunidades apresentados pela nova era digital. O texto de sua coluna é publicado originalmente em seu blog, The Shatzkin Files [www.idealog.com/blog].

Google lança nova loja para músicas, vídeos, apps e livros


Google Play irá integrar a Android Market, a Google Music e a Google eBookstore

Nos Estados Unidos, os serviços para a compra de músicas, filmes, livros e aplicativos já estão disponíveis a partir de hoje

Nos Estados Unidos, os serviços para a compra de músicas, filmes, livros e aplicativos já estão disponíveis a partir de hoje

O Google anunciou uma nova plataforma para integrar a venda e a distribuição de músicas, vídeos, livros digitais e aplicativos.

Na prática, a Google Play irá integrar a Android Market, a Google Music e a Google eBookstore. Usuários de smartphones e tablets Android que acessarem a Android Market nos próximos dias serão direcionados para a Google Play.

Nos Estados Unidos, os serviços para a compra de músicas, filmes, livros e aplicativos já estão disponíveis a partir de hoje.

Canadá e Reino Unido irão receber os serviços de filmes livros e apps; a Austrália, apenas livros e apps; e o Japão, filmes e apps.

No restante dos países, a Google Play irá oferecer apenas os aplicativos, por enquanto. “Nossa meta é oferecer diferentes tipos de conteúdo assim que possível ao redor do mundo”, afirmou a empresa em seu blog.

Com a mudança, a Google Play fica mais parecida com a iTunes Store, que já oferece músicas, ebooks, apps e vídeos para a venda.

Por Vinicius Aguiari | Publicado originalmente em Exame | 06/03/2012

Random House eleva preços de eBooks para bibliotecas


Editora entende que a perpetuidade dos empréstimos aumenta o valor dos títulos

A editora americana Random House anunciou aumento significativo nos preços para distribuição de seus e-book para bibliotecas, que começaram a valer no dia 1° deste mês – alguns chegaram a triplicar, segundo informação divulgada no Publisher’s Lunch na última sexta-feira. Livros novos, lançados em versão impressa com capa dura, passaram a custar entre US$ 65 e US$ 85; no caso dos lançamentos infantis, o preço varia entre US$ 35 e US$ 85; já títulos mais antigos ficam entre US$ 25 e US$ 50, por exemplo. Para ter uma ideia, um livro como Catherine the Great, do autor Robert Massie, custará US$ 105 – até dez vezes mais do que é cobrado pelo e-book vendido ao consumidor final. Segundo a editora, a nova política de preços de e-books para bibliotecas reflete o valor pelo fato de que eles têm circulação ilimitada e perpétua.

PublishNews | 05/03/2012

TOC Argentina divulga os primeiros palestrantes


Palestras apresentarão tendências da edição digital global, estudos de caso e hábitos de consumo, entre outros temas

O Tools of Change for Publishing [TOC], conferência internacional sobre inovação no mercado editorial, confirmou os primeiros palestrantes para a edição do evento que acontece no dia 20 de abril, durante a Feira do Livro de Buenos Aires, pela primeira vez na América Latina. Segundo a organização do TOC, a programação incluirá palestras de Newton Neto, executivo do Google no Brasil; Patricia Arancibia, diretora da Barnes & Noble; Gus Balbontin, diretor de transformação da Lonely Planet; Elizabeth Castro, autora best-seller de livros em formato ePub e HTML; Laura Dawson, da Firebrand Technologies, e Julieta Lionetti, consultora do segmento digital para editoras acadêmicas da Libros en la Nube. As sessões tratarão de tendências da edição digital global, estudos de caso, editoras inovadoras, hábitos de consumo, entre outros temas. O evento é organizado pela Feira do Livro de Frankfurt e pela O’Reilly Media. As inscrições já podem ser feitas por meio do site e têm desconto até o dia 23 deste mês – US$ 349, contra o preço normal de US$ 499.

PublishNews | 05/03/2012

OverDrive compra Booki.sh


A OverDrive comprou a empresa australiana Booki.sh por um valor não divulgado, num movimento que, segundo a distribuidora digital, permitirá uma experiência de leitura “nova, direta e envolvente” para bibliotecas e escolas. A Booki.sh é uma plataforma para distribuição, venda e leitura de e-books que não requer a instalação de um app para ler os livros. A OverDrive planeja expandir a distribuição e as plataformas de livraria digital da empresa adquirida, bem como integrar a tecnologia de leitura de ePub e HTML5 da Book.ish aos seus próprios serviços para bibliotecas e escolas.

Por Lisa Campbell | The Bookseller | 05/03/2012

Mais de 50 milhões de quadrinhos digitais foram adquiridos legalmente


Não é surpresa para ninguém que, assim como música e filmes, é muito fácil encontrar e baixar quadrinhos pela internet disponibilizados em diversos sites, na maioria das vezes sem autorização das editoras.

Um dos principais sites que vendem quadrinhos pelo meio digital é o comiXology, lançado em 2009 e, de acordo com o ICv2, apenas por este sistema já foram baixados mais de 50 milhões de revistas, sendo 5 milhões (10% do total) em dezembro de 2011. No mesmo período, foram vendidas 6,5 milhões de revistas impressas nos Estados Unidos.

Entretanto, não é uma comparação direta porque boa parte desse número foram títulos oferecidos gratuitamente. Além disso, usuários de qualquer parte do mundo podem cadastrar no site e se tornar clientes. Não foram apresentados dados mais concretos sobre a porcentagem de títulos vendidos, e a comiXology não costuma divulgar número de suas vendas.

Como divulgado anteriormente, estima-se que o mercado digital de quadrinhos tenha faturado aproximadamente 25 milhões de dólares em 2011, e a expectativa é que o mercado continue crescendo nos próximos anos.

Por Samir Naliato | Universo HQ | 05/03/2012

Editora Livrus lança primeiro eBook do país em HTML5


Os e-books vieram para ficar e a cada dia novas tecnologias surgem para enriquecer esse formato.

O segmento dos e-books, hoje em franca expansão, acaba de receber nova evolução: o lançamento de “O Jogo dos Papeletes Coloridos”, de Paulo Santoro Almeida, primeiro livro multimídia digital integrado composto na linguagem HTML5. Publicado pela Editora Livrus, de São Paulo, e destinado a princípio ao público adulto, mas provavelmente atraindo também os jovens pelo conteúdo musical, esta história de ficção traz dois importantes avanços:

– diversamente dos e-books que são baixados para um aparelho determinado, ficando lá residentes, essa linguagem permite ao livro ficar hospedado em “nuvem”, permitindo através de login e senha junto ao portal da Editora, acesso de qualquer lugar, por qualquer dispositivo;

– o HTML5 permite a integração de vídeos, músicas, animações no corpo do livro, trazendo junto ao texto inovadora experiência de leitura, mais envolvente e interativa – até então só havia no mercado livros animados dirigidos ao público infantil, baseado em softwares construídos para uso como aplicativos dedicados.

Quanto ao livro, traz quatro histórias simultâneas, levadas a um interessante desfecho. Como pano de fundo, O Jogo dos Papeletes Coloridos traz em futuro indistinto a disputa de dois líderes pela direção mundial, num mundo sem violência, mas arruinado pela devastação ambiental. De personalidades opostas, embatem-se intelectualmente com fúria e maestria, motivados sem o saber a esses papéis em sua juventude, quando expostos a um Jogo do qual desconhecem o significado. Entre outros personagens, temos Gablas, que tem como profissão ser mágico de palco, em busca de sua realização pessoal, em face de decisões e caminhos que todos tomamos na vida; e Mina, a mais nova da Família Benjamim, que, à medida que agoniza em praça pública, recorda emocionada sua vida, permitindo ir-se descobrindo sua identidade e de suas irmãs, levando o livro convergir a um final inesperado.

O lançamento tem ainda outra característica particular: todas ilustrações, pinturas, os doze vídeos relacionadas aos capítulos, bem como todas as músicas compostas, são do autor do livro, Paulo Santoro, resultando numa obra bastante coesa. Natural de São Paulo e engenheiro por formação, atuou como executivo nas áreas de finanças, em bancos e no varejo, mas sem deixar de cultivar aquelas habilidades ao longo dos anos. Agora, estas novas tecnologias permitiram convergir todas essas manifestações artísticas, materializado-as num produto digital.

A responsável pelo lançamento é a Editora Livrus, que visualizou na linguagem HTML5 o suporte tecnológico mais adequada para o livro digital. O leitor ao adquirir sua edição através do portal Livrus.net, plataforma digital de conteúdo editorial, recebe ao invés de um link para download, dados de login e senha, para acesso de seu livro através deste site. Passa a ter, então, acesso de qualquer lugar, por qualquer dispositivo, a qualquer hora, seja um notebook, tablet, smartphone ou ultrabook, consolidando de fato o conceito de plena mobilidade.

Dados Completos da Obra:

Título: O Jogo dos Papeletes Coloridos
Autor: Paulo Santoro
Editora: Livrus
Caracteres: 189.170
ISBN: 978-85-64855-18-2
Assunto: Literatura
Edição: 1º edição [2012]
Formato: HTML5
Preço: R$ 29,90

Links:

a] O trailer do livro

b] A página do livro na editora

c] Página do livro no facebook

d] Entrevista do autor sobre e-books em “Pequenas Empresas Grandes Negócios” [TV Globo]

Por Tatiane Cunha | WEBINSIDER | 5 de março de 2012

Sua leitura interrompida…pelo tablet em que você lê


Reading a book on a tablet like the Kindle Fire is “like trying to cook when there are little children around,” David Myers said. | By Tami Chappell for The New York Times

Reading a book on a tablet like the Kindle Fire is “like trying to cook when there are little children around,” David Myers said. | By Tami Chappell for The New York Times

Você se concentra em Flaubert quando o Facebook está a um toque de distância, ou devota-se verdadeiramente ao Sr. Darcy quando o Twitter pisca? Pessoas que leem e-books em tablets como o iPad estão se dando conta de que, enquanto a leitura de um livro impresso ou num Kindle preto e branco é direta e envolvente, um tablet oferece um menu de distrações que podem fragmentar a experiência de leitura, ou interrompê-la. “É como tentar cozinhar com crianças pequenas em volta”, disse David Myers, 53, administrador de sistemas de Atlanta, que comprou um Kindle Fire em dezembro. “Uma criança pode fazer uma besteira e você tem que parar de cozinhar pra resolver o problema e então voltar a cozinhar.” Será que os leitores vão gradualmente deixar os livros, permitindo que filmes e a internet ocupem todo o seu tempo de lazer?

Por Julie Bosman e Matt Richtel | The New York Times | 04/03/2012

Livro digital ainda ‘patina’ em catálogo de editoras


Um mês após o governo anunciar que comprará até 900 mil tablets para docentes e alunos da rede pública, as principais editoras de livros didáticos se preparam para entrar em um novo mercado milionário: o digital.

A compra de tablets pela União tem um custo previsto de R$ 330 milhões.

Algumas editoras até já possuem versões do material para a plataforma tablet. Porém, organização e conteúdo são bem similares aos dos livros “tradicionais”, em papel.

Das seis grandes editoras ouvidas pela reportagem, duas ainda não têm versões digitais do material didático e, das que possuem, apenas três trazem recursos digitais complementares, como áudios, vídeos e animações.

As editoras afirmam, porém, que até 2013 vão acelerar as mudanças digitais.

NOVIDADES

Para o ano que vem, a Edições SM pretende trazer ferramentas que personalizem o conteúdo didático conforme a necessidade do aluno.

A FTD disse que desenvolve versões digitais do material para “inovar e criar novas perspectivas educacionais”.

Ática e a Scipione afirmam que em 2013, em todas as versões digitais, o estudante poderá responder os exercícios no próprio livro.

Desde 1985, essa característica foi desaparecendo das obras em papel porque o Programa Nacional do Livro Didático instituiu o término da compra pelo governo de livros que não poderiam ser reutilizados.

Editoras como a Moderna e Edições SM só disponibilizam, gratuitamente, a versão digital para quem compra o livro em papel. A utilização do recurso vale durante o período do ano letivo.

O mesmo não acontece com a Ática e a Scipione, que permitem a compra da edição eletrônica por 80% do valor de capa do livro “tradicional”. Nesse caso, o acesso à versão digital não caduca.

O recurso de leitores de tela, utilizados por deficientes visuais, ainda não foi adotado por nenhuma das editoras. Por enquanto, existe apenas a possibilidade de aumento da letra e das imagens exibidas no aparelho.

ENSINO NOVO?

Pelo que vemos hoje, o aluno continua lendo o material no tablet como se estivesse lendo no papel“, diz Sérgio Amaral, coordenador do Laboratório de Novas Tecnologias Educacionais da Unicamp.

Para ele, falta às editoras usar “toda a potencialidade do aparelho, como a convergência com as lousas digitais”.

No mês passado, o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, defendeu o papel da escola como agente de inclusão digital.

Por Luisa Pessoa | Folha de S. Paulo | 04/03/2012

Versão digital do dicionário Houaiss suprime termo ‘cigano’


O Houaiss não tem mais “cigano” na sua versão eletrônica. O sumiço ocorreu após ação do Ministério Público Federal para retirar do dicionário “referências preconceituosas” e “racistas” contra ciganos. Ontem, quem digitasse “cigano” na versão eletrônica do Houaiss, disponível no UOL, empresa controlada pelo Grupo Folha, que edita a Folha, encontrava aviso de que a “palavra não foi encontrada”.

Até terça, quando a imprensa noticiou a ação, a palavra estava disponível. O mesmo aviso aparecia quando a palavra “negro” [que não foi alvo de ação] era digitada na procura. Entre os significados para “cigano” estavam “esperto ao negociar” e “apegado ao dinheiro, agiota, sovina”. Segundo a Procuradoria, violam a lei que tipifica o crime de racismo.

O diretor do Instituto Antonio Houaiss, Mauro Villar, afirma que não partiu dele a ordem para a retirada. Villar diz que nunca teria suprimido as definições porque elas são “espelhos que refletem ocorrências” na língua.

Folha de S. Paulo | 03/03/2012