Venda de eBooks da Penguin cresce 106%


A Penguin registrou receita de 1,04 bilhão de libras em 2011, um aumento de 1% em relação ao ano anterior. As vendas de e-books, contudo, cresceram 106% no mesmo período, totalizando 126 milhões de libras, o que representa 12% da receita total. John Makinson, principal executivo da editora britânica, definiu o mercado de livros em 2011 como “o mais turbulento de que qualquer pessoa se lembra”, mas disse que o crescimento da empresa foi orientado por “publicações excelentes no mundo, atestadas pelo ganho de participação nos nossos três maiores mercados, e inovação em cada aspecto da edição digital”. A Pearson, companhia que abarca a Penguin, informou ter obtido receita total de 5,86 bilhões de libras no ano passado, com lucro antes de impostos de 1,15 bilhão de libras, 72% mais alto que em 2010.

Por Charlotte Williams | The Bookseller | 27/02/2012

As bibliotecas digitais: uma entrevista com Ednei Procópio


A experiência de leitura é, ao contrário do pensamento comum, uma experiência social. A integração entre regiões, culturas e indivíduos em um só ambiente, seja público ou privado, já faz parte da realidade literária há alguns séculos. Com o livro digital, tal coisa não vai mudar. Até mesmo o PC, está deixando de ser o único meio de acesso do futuro leitor. E como isso vai funcionar com o principal local de contato da literatura, a biblioteca?

Conversamos com Ednei Procópio, Coordenador Geral do Cadastro Nacional do Livro, membro da Comissão do Livro Digital da Câmara Brasileira do Livro – CBL e que está ministrando o curso O Livro na era Digital: edição e suportes neste mês.

Leia aqui:

Aletria: O governo é o maior comprador de livros no Brasil, através de editais. Durante um bom tempo, as editoras se adaptaram a esse modelo e prepararam seus livros para as compras governamentais. Com os programas do governo para baratear o livro e aberturas de biblioteca em todo país, você acredita que as editoras também tentarão produzir livros para atender a demanda das bibliotecas? De modo geral, que tipo de livro é favorecido nas novas bibliotecas e quais tipos existem demandas o mercado ainda não é capaz de suprir?

Ednei Procópio: O Governo ainda está quebrando a cabeça para um modelo de distribuição de livros digitais para as bibliotecas públicas digitais. Ou seja, embora o Governo possa iniciar a compra de eBooks para a bibliotecas, via edital, ainda não há um modelo de empréstimos que resolva tanto o acesso do usuário quanto a questão desta distribuição em si. Quando o Governo lançar um edital para a compra de livros digitais é claro que as editoras terão interesse em vender licenças de livros digitais para este cliente. Mas as editoras também ainda não sabem como atender a esta demanda. Porque elas não conseguem entender como os livros serão entregues aos leitores finais. O fato de o Governo permitir o acesso gratuito aos livros digitais não quer dizer que estes livros não tenham sido licenciados. E se foram licenciados, como seria o acesso? Via download, que depois expira, ou via leitura online controlada?

Aletria: Como funcionaria o empréstimo de e-books em bibliotecas? O que seria necessário para implementar o empréstimo de e-books em todo Brasil?

Ednei Procópio: Não existe ainda um modelo padrão e eficiente para o empréstimo de livros digitais via e-bibliotecas. O que existem são pilotos na França, Estados Unidos, etc. E não sabemos se estas soluções seriam eficientes para o leitor brasileiro. A solução técnica para esta demanda seria a instalação do que eu chamo de um eBook Content Server, baseado em Social DRM, que faria o tunelamento desde o servidor até o hardware do usuário. Se um dia houver uma central distribuidora de livros digitais para as bibliotecas públicas digitais seguindo este modelo, haverá um ganho não só para as editoras e autores, como também para as próprias bibliotecas e usuários.

Aletria: O governo brasileiro adquiriu equipamentos para a leitura de e-book, mas você acha que esta é a prioridade da nossa sociedade para que a leitura de e-books possa crescer no Brasil?

Ednei Procópio: O hardware é o item mais supérfluo e inútil que o Governo possa adquirir neste estágio em que estamos. A prioridade sem sombra de dúvidas ainda é o conteúdo. O conteúdo é a alma do negócio, tanto dentro da iniciativa privada quanto para o poder público. O segredo do livro digital não está no hardware, que são mutáveis e praticamente descartáveis, mas naquele outro item primeiro: o conteúdo. E quem realmente irá definir aonde o livro será acessado e lido é o usuário, o consumidor, o leitor. Portanto é preciso voltar aos verdadeiros valores iniciais que compete ao poder público perceber.

Aletria: Em geral, o uso de computadores é relacionado com o conforto do acesso domiciliar e do espaço digital. Na Europa o fechamento de livrarias e bibliotecas tornou-se uma tendência. No Brasil, país onde não existem ainda leitores o suficiente, a existência das bibliotecas é importante para o trabalho direto com a população. Há o risco de repetirmos a tendência Européia? Seria melhor evitá-la ou segui-la? Por quê?

Ednei Procópio: As livrarias estão fechando por falta de um modelo de negócios eficiente na era digital, e não por causa dos eBooks. O mesmo ocorre com as bibliotecas físicas. É preciso antes de tudo de um modelo de sustentação. Frente às novas demandas criadas pela tecnologia da informação, as bibliotecas físicas têm um grande desafio no horizonte. A pergunta que às vezes eu me faço é: “Qual poderia ser um novo modelo para as bibliotecas físicas, dentro de um eventual cenário onde imperaria a digitalidade da informação automática?”.

Não dá para pensar na biblioteca apenas como repositório de livros impressos, inacessíveis, em áudio ou eletrônicos. Há outras questões envolvidas com relação ao modelo de manutenção das bibliotecas que passa pela questão financeira e de sua própria sustentabilidade.

Sendo físicas [feitas de átomos], e não digitais [feitas de bits], me parece que as bibliotecas estão se tornando talvez mais ‘pesadas’ e caras [principalmente se comparadas com a portabilidade permitida pelas novas tecnologias]. Nesse sentido, a criação e a manutenção de bibliotecas com livros impressos em hardware papel, estariam cada vez mais ligadas aos novos modelos sociais sustentáveis, àqueles que se assemelham aos grandes centros culturais, como os museus que atraem público através de eventos com uma agenda cultural ativa.

O que eu tenho certeza é de que o futuro do livro não é somente o digital não. O futuro do livro é o híbrido, ou seja, o livro terá o seu conteúdo trafegando em diversos suportes ou mídias. Seja em hardware papel ou em dispositivos móveis, e até em versão áudio.

Mas, o importante é que, independente do suporte, formato ou mídia que o livro trafegará, as bibliotecas físicas precisam reinventar o seu ‘negócio’ urgente para continuarem existindo.

Aletria: Você oferece um curso, O Livro na era Digital: edição e suportes, e um dos tópicos é Números do mercado e entraves. Pode nos falar um pouco desses números e desses entraves?

Ednei Procópio: O hardware, ou seja, o suporte físico da leitura não me parece mais um entrave, pois a base instalada dos equipamentos vem num crescente. O principal entrave é ainda é a questão da conexão, que é baixa, cara e lenta. E o conteúdo, claro. Pois sem o conteúdo não existem os livros. Do mesmo modo que existe um fetiche pelo papel, existe também um fetiche pelas pranchetas eletrônicas. É preciso concentrar em questões mais prioritárias estrategicamente falando, como o conteúdo e a conexão.

Publicado originalmente em Aletria

CURSO | O Livro como Mídia Digital


Ednei Procópio

As emergentes mídias digitais estão influenciando diretamente no concorrido tempo dos consumidores modernos e transformando o hábito de leitura em todo o mundo. O livro não é mais lido apenas no papel. Ele está também onipresente em uma miríade de suportes suspensos e em uma diversidade de aparelhos tecnológicos, móveis e de comunicação.

E uma série de meios é o que está transformando definitivamente a realidade dos livros, jornais e revistas através de uma convergência digital e cultural sem precedentes.

O objetivo do curso “O Livro como Mídia Digital” é fazer um review de todo o mercado editorial convencional presente, frente às transformações das mídias digitais, do ponto de vista exclusivamente dos negócios ou da atualização enquanto profissional.

CONTEÚDO DO CURSO

  • O que é um livro digital
  • A questão os dos hardwares | Smartphones, netbooks, tablets [iPad, Xoom, Galaxy, etc.] e e-reader devices [Sony Reader, Kindle, Nook, etc.].
  • A questão os dos softwares | Sistemas Android, iOS, etc. | Digital Rights Management | Aplicativos
  • A questão do conteúdo | Formatos: PDF, ePub e HTML5 | Conversão, digitalização e produção
  • Plataformas e eBookStores | Modelos de negócios
  • Números do mercado e entraves
  • A cadeia produtiva do livro antes e depois dos eBooks

A QUEM SE DESTINA O CURSO

O curso se destina a todos os interessados em livros digitais; profissionais da cadeira produtiva da indústria editorial brasileira, desde os que atuam na produção e na área editorial quanto os profissionais que atuam nas vendas, comercialização e marketing dos livros. Isto inclui os profissionais que atuam dentro das editoras, das livrarias, distribuidoras, bibliotecas etc.

ANOTE NA SUA AGENDA A DATA DO CURSO

Dia: 3 de março de 2012, sábado.
Horário: 9h00 às 13h00
Valor único: R$ 130,00
Docente: Ednei Procópio, especialista em livros digitais.

ONDE

Escola do Escritor
Rua Mourato Coelho, 393 conjunto 1 |esquina com Rua Teodoro Sampaio
CEP 05417-010 – Bairro de Pinheiros, São Paulo, SP.
Telefone: [11] 3034.2981
www.escoladoescritor.com.br

Concurso de teses científicas dá a largada para o 3º Congresso Internacional CBL do Livro Digital


Vencedores poderão expor seus trabalhos para os participantes do evento, que acontece em São Paulo nos dias 10 e 11 de maio

A Câmara Brasileira do Livro [CBL] dá o pontapé inicial para a terceira edição do Congresso Internacional CBL do Livro Digital nesta quinta-feira, 23, com a abertura de inscrições para trabalhos científicos sobre a temática do evento. Os vencedores do concurso terão a oportunidade de expor suas produções para os congressistas. Interessados têm até o dia 10 de abril para se inscrever.

Realizado pela CBL desde 2010, o Congresso chega à sua terceira edição como principal fórum brasileiro para a discussão das tendências do mercado editorial de conteúdo digital. Como nos anos anteriores, serão dois dias de análises e discussões sobre os temas mais relevantes relativos a este novo business, com a participação de acadêmicos, profissionais e executivos que são referência para o setor no Brasil e no mundo.

Nesse contexto, o concurso de teses científicas tem como objetivo estimular a divulgação de pesquisas e trabalhos empíricos e conceituais sobre o tema, estimulando a contribuição da academia na definição dos rumos desse novo segmento do mercado editorial no Brasil.A comissão julgadora escolherá seis finalistas, que irão compor uma mostra durante os dias de Congresso. Os trabalhos serão publicados no site, e receberão uma inscrição cada para os dois dias de evento.
Os dois primeiros colocados serão anunciados durante o Congresso, e terão espaço para apresentar suas teses para os congressistas. Os vencedores receberão ainda prêmios em dinheiro e poderão ter seus trabalhos publicados na REGE – Revista de Gestão da USP.

Os trabalhos deverão versar sobre os seguintes temas:

1. Novos Modelos de Negócios relacionados aos livros digitais;
2. Aspectos de usabilidade de leitores digitais [e-readers];
3. Bibliotecas Digitais;
4. Aspectos educacionais dos livros digitais;
5. Direitos autorais e Copyright;
6. Marketing do livro digital;
7. Redes sociais e livros digitais;
8. O novo papel do editor.

O regulamento completo do concurso e as regras para a inscrição dos trabalhos estão disponíveis no endereço: www.congressodolivrodigital.com.br/site/trabalhos-cientificos.

Mais sobre o Congresso

O Congresso Internacional CBL do Livro Digital foi idealizado pela Câmara Brasileira do Livro, com o objetivo de suprir as necessidades de desenvolvimento do mercado editorial, a partir das profundas mudanças nos padrões de comportamento e consumoprovocadas pelo avanço das tecnologias digitais. Desta forma, a CBL espera dar subsídios para que os diversos segmentos envolvidos no negócio do livro possam alinhar expectativas, antecipar soluções e buscar alternativas para um mercado cada vez mais dinâmico e exigente.

Nesta 3ª edição, o Congresso terá como tema central A nova cadeia produtiva de conteúdo – do autor ao leitor. Os modelos de negócios, os aspectos tecnológicos, os direitos autorais e o comportamento do leitor são algumas das questões que serão abordadas por palestrantes brasileiros e estrangeiros na seguinte grade:

• Perspectiva para o Livro: hoje e amanhã.
• O Autor: peça chave para um mundo de leitores.
• O Direito Autoral aplicado ao Livro Digital.
• O Editor em um cenário de desafios.
• Proteção de Conteúdo e a questão dos Metadados.
• Inovando suas publicações com aplicativos.
• As implicações do padrão EPUB.
• O poder das Plataformas de Distribuição.
• A Livraria como modelo de negócio.
• O Livro Digital na sala de aula.
• Biblioteca Digital: o case da BibliothèqueInteruniversitaire de Santé Paris.
• A força das Mídias Digitais na Divulgação do Livro.
• Finalmente, o leitor: a experiência de leitura de várias gerações.

SERVIÇO

Congresso Internacional CBL do Livro Digital
Quando: dias 10 e 11 de maio de 2012
Onde: Centro Fecomercio de Eventos – Rua Dr. Plínio Barreto, 285, Bela Vista, São Paulo – SP.
Inscrições: http://www.congressodolivrodigital.com.br/site/inscricoes
Twitter: http://www.twitter.com/CLivroDigital
Mais informações: http://www.congressodolivrodigital.com.br