Os metadados dos livros


Por Karine Pansa

Karine Pansa

O Brasil conquistou posição relevante entre os primeiros países do mundo no ranking econômico mundial. E o mercado editorial brasileiro precisa beneficiar-se deste novo contexto. Afinal, não lhe faltam bons profissionais em toda a cadeia produtiva do livro.

Mas, para tanto, é indispensável que os próprios brasileiros leiam mais livros, que o mercado interno seja uma realidade na proporção do seu verdadeiro potencial. Para que isso aconteça, é necessário que os livros “existam”, “apareçam”, sejam encontrados e estejam a disposição do consumidor em qualquer hora e lugar.

Sem dúvida, avançamos muito na distribuição e em livrarias como, também, em bibliotecas. Mas, ainda há muito o que ser feito nesse sentido. Na era das mídias digitais, um dos modos mais eficientes de comunicar a existência de um título é pela divulgação precisa dos dados das obras [título, autor, editora, resenha, preço, capa etc] para que os robôs de buscas, os blogs, aplicativos e outras modernas e úteis ferramentas ajudem no processo.

Informações precisas, corretas e ricas sobre livros, seus autores e editoras, são hoje denominadas “metadados”.

Enfrentando os desafios

O mercado editorial brasileiro experimenta uma positiva transformação, algo sem precedentes em sua história. Neste oportuno cenário, a Câmara Brasileira do Livro acompanha de perto as mudanças, atua permanentemente para o aperfeiçoamento do mercado. São muitos e distintos os desafios da modernidade, e a CBL fortaleceu-se ainda mais ao criar a Comissão do Livro Digital. Seus grupos de trabalho têm apresentado discussões interessantes sobre temas como tributação e padrões. Além disso, são concretos e crescentes os resultados obtidos com o Congresso Internacional do Livro Digital, já em sua terceira edição, que acontecerá em maio próximo.

Mas, a CBL quer continuar avançando em outras frentes e, neste mês de fevereiro, a entidade inicia os testes do Cadastro Nacional do Livro [CANAL], com cerca de cinco editoras associadas. O Cadastro Nacional do Livro entra, portanto, em um efetivo processo de consolidação.

Um novo canal para os livros

O sistema CANAL, que já está hospedado e customizado para a realidade do Brasil, será inicialmente validado pelo que consideramos um dos mais importantes elos da corrente que integra a cadeia produtiva do livro: a editora.

As editoras convidadas poderão usar o CANAL, para que possamos atestar a eficácia do sistema. Assim, elas poderão organizar seus catálogos como nunca antes lhes foi possível.

Não é necessário instalar nenhum software ou plug-in. Basta o cadastro no CANAL para, imediatamente, iniciar a organização dos catálogos e a sua divulgação. Não é necessário qualquer conhecimento técnico. Basta preencher os dados das obras nos campos respectivos, sob regras muito bem definidas e padronizadas.

As editoras poderão extrair os dados, através de um arquivo Excel, e os enviar para os seus networks atuais. Elas também se beneficiarão do fato de que, em pouco tempo, distribuidores, livreiros, bibliotecários e outros usuários e desenvolvedores utilizarão estes mesmos dados para melhorar as suas bases em pontos de vendas, sites, blogs, aplicativos, redes sociais e uma infinidade de outros bancos de dados que já atuam na venda dos livros.

E tudo isto, graças à Onix for Books.

O padrão Onix for Books

Onix for Books é um padrão de intercâmbio de dados. Não se trata apenas de uma tecnologia, mas, acima de tudo, é uma iniciativa que pretende padronizar os dados sobre os livros no mundo. Isto implica em dizer que os livros em língua portuguesa podem circular em bancos de dados em todo o planeta, utilizando uma interface comum: o CANAL. Amazon e Apple já utilizam este padrão.

A CBL é membro ativa do Grupo de Trabalho de Metadados do Centro Regional para o Fomento do Livro na América Latina e Caribe [CERLALC], órgão intergovernamental ligado à UNESCO, que definiu os dados bibliográficos mais importantes para indústria internacional do livro.

O Grupo de Trabalho de Metadados CERLALC também definiu, em setembro de 2011, entre outras diretrizes, a adoção da iniciativa Onix for Books como padrão para o intercâmbio de metadados na Região. A iniciativa Onix for Books, desenvolvido pela EDITEUR [www.editeur.org], grupo de coordenação de infraestrutura para comércio eletrônico, está se estabelecendo como padrão internacional para representar e comunicar as informações eletrônicas sobre o produto livro.

Mas os benefícios do padrão de dados Onix for Books, adotado pela Câmara Brasileira do Livro, são, principalmente, para refletir no trabalho diário de centenas de distribuidores, livreiros e bibliotecários que necessitam das informações sobre os livros para melhorar, ainda mais, a circulação, venda e comercialização das obras.

Uma vez que o Brasil chegou aos primeiros lugares entre os maiores países do mapa econômico mundial, e a globalização do uso das tecnologias bate em nossa porta, o mercado editorial precisa estar preparado para enfrentar a concorrência de players que podem segmentar o nosso mercado tornando a concorrência global ainda mais perturbadora.

Através dos inúmeros e precisos dados disponíveis no CANAL, os livros em língua portuguesa permanecerão vivos, em prateleiras físicas ou virtuais, para que sejam catalogados, acessados, comprados e, principalmente, lidos.

Quem desejar conhecer o status do Cadastro Nacional do Livro, acesse http://www.cbl.org.br/canal.

* Karine Pansa é editora e presidente da Câmara Brasileira do Livro [CBL].

Publicado originalmente em CBL | 23 de Fevereiro de 2012

Zamzar, serviço on-line de conversão de eBooks


Uma das situações mais incômodas que um usuário de computador pode encontrar é ter que abrir um arquivo num formato que não é compatível com nenhum programa instalado no equipamento que está sendo usado.

Nessas horas, se você tiver uma conexão com a internet, o site “Zamzar” pode ser sua salvação. Ele oferece serviço de conversão de arquivo que cobre os principais formatos existentes de vídeo, áudio e imagem.

O funcionamento do site é muito simples. Na tela inicial você pode escolher entre fazer o upload de um arquivo do seu PC para o site ou então informar a URL do documento na internet no campo Step1.

O campo Step 2 mostra quais são os formatos possíveis de serem gerados. São dezenas de formatos, incluindo e-books e arquivos compactados.

A terceira etapa pede o seu e-mail, pois o site irá enviar um aviso com um link para download. A quarta etapa consiste em clicar no botão Convert.

O serviço de conversão é gratuito e permite o envio de arquivos com até 100 Mbytes. Se fizer uma assinatura, o usuário passa a ter um espaço para gerenciar os arquivos. Nesse caso o tamanho máximo do arquivo aumenta para 1 Gbyte e o espaço de armazenamento é de 100 Gbytes.

É possível selecionar vários arquivos para conversão, mas eles precisam ser todos do mesmo tipo.

Os arquivos ficam disponíveis 24 horas a partir do momento que você receber o e-mail.

O site também é uma boa opção para baixar e converter vídeos que estão na internet. Nesse casso, basta informar na guia Download Videos o endereço completo do vídeo no campo Step 1. Depois é só escolher o formato desejado no campo “Step 2” e informar o e-mail. O tempo de conversão vai depender do tamanho do arquivo.

Por José Antonio Ramalho | Publicado originalmente em Folha.com | 23/02/2012 – 15h30

O bibliotecário e a leitura conectada


Independente dos formatos, livros sempre existirão, livros sempre serão fundamentais para o desenvolvimento de uma sociedade sadia.

Ultimamente só se falam nos muitos argumentos a favor dos e-books ou livros eletrônicos. Embora tenham surgido em 1971, pouco a pouco tem se tornado popular devido a proliferação dos dispositivos [tablets, smartphones, e-readers etc]. No entanto, em meio a este turbilhão existem os céticos que profetizam que tais dispositivos extinguirão os livros impressos e consequentemente as bibliotecas.

Toda esta revolução não deixa de ser interessante, porque como bibliotecário, a leitura de livros tem uma importância significativa em minha vida e tenho algumas centenas deles em meu apartamento. A princípio, depois de certa resistência – mesmo sendo um entusiasta da tecnologia – resolvi me enveredar neste mundo “desconhecido” e ter minha própria opinião sobre o assunto.

Lembro-me da primeira vez que ouvi falar de um tablet, foi em janeiro de 2010, com o anúncio de lançamento por Steve Jobs, de um tal iPad. Mal sabíamos, os pobres mortais, que aquilo era o início de mais uma revolução nos costumes.

Em novembro de 2011 adquiri meu primeiro tablet, um modelo econômico, entretanto, mesmo com seus inúmeros recursos, o que realmente me motivou a comprá-lo foi a opção de leitura de e-books. Como não poderia ser de outra forma, minha estreia se deu com a biografia de Steve Jobs, escrita por Walter Isaacson. Em um trecho tenso da obra, o autor relata uma conversa de Jobs com Barack Obama, onde Jobs declara “Todos os livros, o material didático e os sistemas de avaliação deveriam ser digitais e interativos, personalizados para cada aluno e com feedback em tempo real.” Seria este um prenúncio do fim, vindo de uma mente inquieta?

Ainda não conhecemos totalmente até onde estes sistemas nos levarão, o que posso adiantar é que a leitura no tablet tem suas peculiaridades, a primeira, é que não tive de transportar 1 kg das 607 páginas do livro em papel de Isaacson, além disso tem as opções de adequar o tamanho da letra, ler no escuro, controlar o brilho da tela, fazer anotações e marcar páginas, exemplos simples entre tantos, mas que demonstram a praticidade da leitura com os citados recursos. Não me julguem antecipadamente, adorei a experiência e recomendo a todos, mas em tudo existem prós e contras, vantagens e desvantagens. Continuarei lendo livros em papel? Claro que sim, nada substituirá a experiência estética, lúdica, espiritual da leitura em livros impressos. E-books são um item a mais, no imenso ecossistema da leitura. Eu e minha esposa adoramos viajar, oportunamente, eu levo meu livro impresso, ela, o de sua preferência, o tablet também, como um complemento tecnológico e lado a lado, sem superior ou inferior, sem anular um ao outro, ambos distintos, coexistindo e prosperando pacificamente, porém essenciais nos dias de hoje. E mais, acredito que cada leitor deve saber o que é melhor para si e o que pode se adequar em seu contexto. Na área acadêmica, por exemplo, alunos de arquitetura poderiam evitar o peso em suas mochilas dos “Benevolos“, “Neuferts“, “Gombrichs” etc

A medida que vemos a tecnologia avançando, em contrapartida, a resistência ainda é grande, mas a história parece se repetir, pois já no século XV, Johannes Gutenberg sofria fortes criticas por parte dos copistas que eram contra seus tipos móveis. Ironicamente, o maior catálogo de e-books gratuitos do mundo chama-se Projeto Gutenberg, que inclusive disponibiliza inúmeras obras em português.

Grandes personalidades literárias deixaram a resistência de lado, como Ray Bradbury, que aos 91 anos, permitiu que seu clássico “Fahrenheit 451” fosse publicado na versão e-book. Aos 79 anos, Umberto Eco ao invés de carregar 20 livros em uma turnê pelos Estados Unidos, comprou um iPad e está adorando a experiência, não poupando elogios.

Nos Estados Unidos, uma nação com tecnologia em seu DNA, a dinâmica é outra. Existem escolas sem bibliotecas físicas, porém com bibliotecários digitais, “bibliotecas antenadas” – especialmente públicas – que já emprestam milhares de obras eletrônicas normalmente. É comum encontrar leitores com seus e-readers em transportes públicos, praças, praias etc.

No Brasil, a aquisição e utilização deste tipo de tecnologia ainda são bem discretos, porém a Amazon já tem planos de comercializar o seu maravilhoso aparelhinho e-reader por terras tupiniquins, trata-se do Kindle. Por considerar as taxas de importação exorbitantes, prefiro por enquanto esperar o início das vendas por aqui.

Portanto, vem a questão, os dispositivos eletrônicos substituirão os bibliotecários e bibliotecas? Uma das funções dos bibliotecários é organizar informação, independente dos suportes em que se encontram. As bibliotecas precisam se adaptar a este caminho sem volta e ir ao encontro das preferências dos novos leitores. Os livros impressos vão acabar? Não sei, talvez. Existe um lobby forte de ecochatos, que estão por aí, remodelando a sociedade já faz um bom tempo.

Por fim, independente dos formatos, livros sempre existirão, livros sempre serão fundamentais para o desenvolvimento de uma sociedade, devemos pensar na integração dessa transmidialidade dos livros. A magra estatística de livros lidos por ano em nosso país indica uma subnutrição cultural aguda, e isto sim, é um problemaço a ser resolvido, pois como “tuítaria” Monteiro Lobato se estivesse vivo, em ser perfil no microblog: “Um país se faz com homens, mulheres e livros eletrônicos.”

Rendam-se! A festa nunca é tão divertida quanto parece do lado de fora. A história dos livros continua a ser escrita. É só ligar e ler!

Por Rodney Eloy | Publicado originalmente em PESQUISA MUNDI

Linguee e eu


O Linguee quer criar um vídeo com depoimentos de usuários do mundo todo.

A campanha tem como objetivo criar um espaço para que os usuários possam expressar a sua criatividade e participar de maneira dinâmica do Linguee. É também uma forma de agradecimento pelas inúmeras e crescentes visitas que o site tem recebido diariamente.

Os melhores depoimentos farão parte do vídeo “Linguee e eu” que será promovido pelo Linguee e aparecerá na página oficial.

Mais informações sobre a campanha “Linguee e eu” podem ser encontradas na página: http://www.linguee.com.br/portugues-ingles/page/videoFeedback.php