Livrus experimenta novo formato digital


Empresa desenvolve projeto em HTML5, que pode ser acessado pelos navegadores de internet

Em meio à profusão de formatos e possibilidades no caldo digital, a Livrus Negócios Editoriais, empresa paulistana, vai lançar em março um livro desenvolvido em HTML5, a versão atualizada da linguagem de programação mais usada na internet. Segundo Ednei Procópio, editor da Livrus, O jogo dos papeletes coloridos deverá ser o primeiro título brasileiro desenvolvido nesse formato, e está mais para um aplicativo do que para um e-book tradicional [confeccionado e distribuído em ePub], pois incluirá animações, músicas e vídeos – os aplicativos também são vendidos e distribuídos sem DRM [proteção usada nos e-books].

A opção de criar a obra em HTML5 tem alguns motivos. Um deles é poder desenvolver, com a mesma linguagem, todos os recursos utilizados, desde o próprio texto até vídeos e conteúdos interativos. Isso não acontecia antes do desenvolvimento do HTML5, quando vídeos, por exemplo, só podiam ser criados a partir de outras linguagens, como o Flash, da Adobe.

A outra vantagem é permitir que a obra seja acessada e vendida pelos navegadores de internet, e não somente pelas lojas da Apple ou do Google, por exemplo, que cobram a sua fatia na venda de cada produto disponível em suas prateleiras. No caso da Livrus, O jogo dos papeletes coloridos poderá ser comprado e acessado pelo site da empresa, com o preço de R$ 29,90, basta que o leitor faça o seu login.

Um exemplo curioso do uso do HTML5 é o da Playboy americana, que criou seu aplicativo para leitura da revista no iPad nesse formato, como se ele fosse um site otimizado. Isso porque, se fosse um aplicativo tradicional, o iPlayboy estaria sujeito às políticas de restrição de pornografia da Apple, e ainda teria que ser oferecido pela loja da mesma.

Segundo Camila Cabete, consultora de assuntos digitais editoriais, o uso do HTML5 deverá crescer bastante. “Daqui a um ano, ele deverá ser bem mais usado na produção de aplicativos de livros e também de jogos”, afirma. O formato também deve ser cada vez mais aproveitado como aplicativo de loja, o que possibilitará escapar das Apple e do Google, por exemplo. A distribuição dos produtos em HTML5, contudo, ao não passar pelas mãos das empresas que dominam o mercado mundial de tablets e smartphones, pode ficar restrita.

Por Roberta Campassi | PublishNews | 15/02/2012

2 pensamentos sobre “Livrus experimenta novo formato digital

  1. Agradeço muito ao amigos da PublishNews pela matéria, ajuda bastante na divulgação do nosso trabalho.

    Mas eu discordo da afirmação de que “a distribuição dos produtos em HTML5, contudo, ao não passar pelas mãos das empresas que dominam o mercado mundial de tablets e smartphones, pode ficar restrita”. Acredito que seja exatamente o contrário, o usuário não precisa ficar preso aos aplicativos de restrições das tais empresas.

    E também não é verdade que “os aplicativos [em HTML5] são vendidos e distribuídos sem DRM [proteção usada nos eBbooks]”. Na verdade, o que ocorre é uma questão realmente técnica. Um problema, e eu quero me livrar dele o mais rápido possível. Para você restringir o acesso do usuário ao livro para que ele não possa piratear o conteúdo, você precisa criar um aplicativo que faça o ‘tunelamento’ entre o servidor de conteúdo e o hardware do usuário. Quando você faz isto, você coloca o livro dentro de uma caixa e aí para cada hardware se faz necessária a construção e o desenvolvimento de aplicativos específicos para cada sistema operacional [Android, iOS, Windows Phone, etc.].

    Ou seja, não é que o livro em formato HTML5 não tem DRM, ele pode ter sim, isto depende do modelo de negócios adotado pelas empresas. No nosso caso, iremos adotar o Social DRM.

    O que precisa ficar mais claro também é o HTML5 não roda apenas no navegador. O livro digital em formato HTML5 pode também rodar em diversos outros aplicativos instaláveis ou não.

    A pergunta que tem de ser feita e não respondida com tendências apenas ecônomicas, porque depende muito de cada modelo de negócio adotado, e a bem da verdade o mundo não roda em torno somente destas grandes empresas é: quais as vantagens de um DRM dito seguro em comparação a uma alternativa que permita a leitura do livro em qualquer hardware ou software?

    Vamos perguntar aos usuários. Eles são a nova commodity.

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