Amazon corre para aumentar oferta de títulos em português


Empresa quer estrear no Brasil com pelo menos o mesmo número de livros eletrônicos que a concorrência

Quando abrir sua loja no Brasil, a Amazon quer ter pelo menos a mesma quantidade de títulos de e-books ofertados pela concorrência, segundo o PublishNews apurou. Por ora, a companhia tem 3,8 mil títulos em português. Isso é pouco mais da metade do que tem a Gato Sabido, hoje a loja brasileira com mais variedade, e cerca de um terço do total de 11 mil e-books oferecidos no país – veja a pesquisa realizada pela Simplíssimo.

O objetivo da Amazon é ampliar o catálogo o mais rápido possível e, para isso, ela não apenas está buscando as editoras que já vendem e-books como também vai correr atrás daquelas que ainda não oferecem conteúdo digital. Isso porque a Amazon oferece o serviço de conversão para criar livros eletrônicos – mas apenas em formato .mobi, que só é lido pelo Kindle, o dispositivo de leitura da empresa.

O catálogo de 11 mil títulos em português disponível no Brasil é considerado pequeno. Em dezembro, as lojas de e-books [Kindle Store] que a Amazon abriu na Itália e na Espanha, por exemplo, foram inauguradas com mais títulos: 16 mil e 22 mil, respectivamente. E, para comparação com o mundo físico, uma livraria grande dentro de um shopping brasileiro é considerada bem servida quando tem 20 mil títulos nas prateleiras.

Por Roberta Campassi | PublishNews | 10/02/2012

Pesquisa mostra situação dos eBooks no Brasil


As 30 editoras que mais oferecem títulos respondem por metade da oferta no país

Desde que a venda comercial de e-books começou no Brasil, em fins de 2009, o número de livros digitais em português sempre foi escasso – nunca passando de alguns milhares. Ao que parece, a situação está mudando.

Simplíssimo realizou uma pesquisa no mês de janeiro para apurar dados atuais sobre a oferta de e-books em português, a composição dos catálogos, os formatos disponibilizados, principais gêneros disponíveis, entre outras informações. Foram consultados os sites das principais livrarias que oferecem e-books em português [Gato Sabido, Saraiva, Cultura e Amazon], no dia 20 de janeiro, e relacionados os títulos efetivamente disponíveis aos consumidores. As informações são públicas e podem ser verificadas de forma independente por qualquer pessoa interessada.

Como contexto para esta pesquisa, convém recordar rapidamente a trajetória da venda de e-books no Brasil. Em dezembro de 2009, havia cerca de 300 e-books em português à venda na livraria Gato Sabido, à época da sua estreia. A Gato abriu as portas logo após o Kindle passar a ser vendido internacionalmente pela Amazon, em outubro de 2009. Logo depois, entre março e abril de 2010, Saraiva e Cultura aderiram à venda de e-books, mas as editoras não sentiram pressa em aderir aos livros digitais. O reflexo disso se verificou no ano seguinte, em abril de 2011, quando havia somente de dois e três mil e-books em português, segundo os números fornecidos pelas livrarias.

Passados agora dois anos da “chegada” do e-book ao Brasil, a situação mudou definitivamente. O volume de livros digitais em português mais que triplicou nos últimos meses.

Os dados obtidos mostram o cenário real sobre os e-books no Brasil. Em 20 de janeiro de 2012, a livraria brasileira com a maior oferta de e-books era a Gato Sabido, com 7.292 títulos em português. A Xeriph [distribuidora de e-books e empresa “irmã” da Gato Sabido] reúne mais títulos que a Saraiva, a maior rede de livrarias do país. O leitor irá notar que a Livraria Cultura não aparece no gráfico. Muitos títulos em português apareciam misturados aos estrangeiros, e essa segmentação incorreta não permitiu contar com precisão a oferta em português.

É importante ressaltar que a maioria dos títulos disponíveis na Amazon não está disponível nas demais livrarias. Ao que parece, ainda são bem poucas as editoras que oferecem conteúdo na Amazon, e os títulos em geral são de domínio público ou publicados diretamente por autores.

Analisando a oferta de e-books pelas dez editoras que mais publicam em formato digital e comparando a distribuição entre as livrarias, salta aos olhos a discrepância. Os catálogos diferem, às vezes radicalmente, de livraria para livraria. Algumas editoras aparentam dar exclusividade a uma livraria, outras até estão presentes em todas, mas restringem a oferta de títulos nesta ou naquela.

Considerando que a Amazon possui um catálogo de e-books diferenciado das outras livrarias, e que as livrarias brasileiras não oferecem as mesmas obras entre si [haja visto os desvios na oferta de títulos das editoras em cada livraria], é possível afirmar que há pelo menos 11 mil e-books em português disponíveis. Talvez um pouco mais, mas seguramente 11 mil e-books.

As dez maiores editoras brasileiras em oferta de e-books somam, juntas, 4.086 e-books. Representam, portanto, mais de 1/3 dos e-books em português disponíveis. Se ampliarmos o quadro e considerarmos as 30 editoras que mais oferecem e-books, elas respondem por metade dos títulos em português.

Por Eduardo Melo | Publicado originalmente em PublishNews | 10/02/2012

Eduardo Melo é diretor do site Revolução Ebook e fundador da Simplíssimo Livros. Trabalha com e-books desde 2007, quando fundou a ONG Editora Plus. Também é graduado em História e mestre em Letras. E-mail: eduardo@simplissimo.com.br

Avaliação: Brasil atingirá massa crítica em 2012


Editoras aderem e aumentam a oferta de conteúdo digital

Ao que tudo indica, estamos próximos da massa crítica para o mercado de e-books.

A primeira “onda” de adesão ao livro digital começou logo após o início das vendas do Kindle, internacionalmente, e colocou as livrarias em preparação para o novo mercado. Dois anos se passaram e agora viveremos uma nova onda, em que as editoras aderem e aumentam a oferta de conteúdo digital.

É um processo em andamento e ainda no início. Esta segunda onda terá como catalisador, em alguns meses (ou semanas), a influência da Amazon, desta vez com a abertura da loja de e-books [Kindle Store] brasileira – e, quem sabe, até inaugurando uma operação com livros impressos. A influência e as repercussões da Amazon no Brasil serão muito intensas, certamente mais do que teriam sido dois anos atrás.

Diferentemente daquele momento, o país agora conta com uma base mínima de aparelhos para ler e-books. Estima-se que existam algumas centenas de milhares de iPads, mais um milhão de iPhones, e, embora os números de e-readers no Brasil ainda sejam incertos, são pelo menos algumas dezenas de milhares – levando em conta que vários modelos estão à venda no país desde 2010/2011, além do Kindle. Quantos deles são Kindles, ainda não se sabe.

Estamos na iminência de mais uma mudança no mercado, no balanço de forças entre as empresas locais e no comportamento dos consumidores de livros. Este poderá ser o último ano de tranquilidade para muitas editoras, assim como o início da história de sucesso de tantas outras.

Por Eduardo Melo | Publicado originalmente em PublishNews | 10/02/2012

Eduardo Melo é diretor do site Revolução Ebook e fundador da Simplíssimo Livros. Trabalha com e-books desde 2007, quando fundou a ONG Editora Plus. Também é graduado em História e mestre em Letras. E-mail: eduardo@simplissimo.com.br