Venda de eBooks nos EUA cresce 117%


Livros impressos de massa, por outro lado, tiveram redução de 36%

A Associação dos Editores Americanos [AAP] divulgou as vendas do mercado de livros em 2011 nos Estados Unidos. Como em outros meses, houve queda na venda de impressos de quase todas as categorias, na comparação com 2010. O mercado adulto de paperback caiu 15,6%, enquanto os livros de capa dura tiveram queda de 17,5%. O mercado adulto de massa foi o que registrou maior redução: 35,9%. Já e-books e audiobooks tiveram crescimento expressivo: 117% e 25,5%, respectivamente. O segmento religioso, que inclui todos os formatos, também cresceu: 8,4%. Incluídos todos os segmentos, o faturamento do setor caiu 4,1%, para US$ 5,86 bilhões.

Por Stella Dauer para o Revolução E-Book | 29/02/2012

Preço de tablet feito no país cai menos que o esperado


Galaxy Tab 10.1 produzido no Brasil custa quase o mesmo que iPad importado

Ao conceder isenção fiscal, governo contava com valor até 40% menor em relação a modelos vindos de fora

Tablets “top de linha” produzidos no Brasil ainda não tiveram a queda de preço anunciada pelo governo federal ao conceder benefícios fiscais para a fabricação dos aparelhos no país, em maio do ano passado.

À época, o governo federal dizia estimar, com a produção nacional, uma queda de 30% a 40% no preço dos tablets na comparação com similares importados.

Mas quem compra, por exemplo, um Samsung Galaxy Tab 10.1, produzido no Brasil com incentivos fiscais paga quase o mesmo preço do importado iPad 2, da Apple.

A economia com o produto nacional é de apenas R$ 20 a R$ 30 [1% a 2%], dependendo do modelo.

Outro concorrente do iPad produzido no Brasil, o Motorola Xoom, custa até 21% a menos que o iPad 2, que paga impostos de importação.

A comparação feita pela Folha verificou produtos com tela, memória e opções de conexão semelhantes.

A concessão de benefícios fiscais para tablets ocorreu para estimular a produção no Brasil de iPads pela taiwanesa Foxconn.

No entanto, ainda não há previsão de início da produção nem de preços.

No Brasil, o modelo de tablet mais barato da Apple -16 GB e conexão Wi-Fi- é vendido por R$ 1.629. Nos Estados Unidos, o mesmo modelo sai por US$ 499 -cerca de R$ 848.

ESCALA DE PRODUÇÃO

O secretário de Política de Informática do Ministério da Ciência e Tecnologia, Virgílio Almeida, afirmou que os tablets irão atingir os percentuais estimados de queda de preços à medida que cresçam a escala de produção -o que dilui custos- e o emprego de peças nacionais.

O secretário afirmou, contudo, que a formação de preços é decisão das empresas.

O diretor de produto da Samsung, Roberto Soboll, diz que produzir no Brasil envolve custos maiores com mão de obra e impostos para importar peças.

De acordo com Soboll, é provável que a popularização dos tablets provoque queda nos preços, assim como aconteceu com os smartphones.

A Motorola afirmou que a empresa repassou ao consumidor parte do desconto que obteve com as isenções fiscais. Lopo após o benefício, segundo a empresa, o Xoom 3G teve redução de 13% no preço, e o modelo com Wi-Fi, de 15%.

Até agora, 28 empresas pediram autorização para produzir tablets no país -11 já conseguiram e oito já estão produzindo, de acordo com o governo.

POR LUIZA BANDEIRA e SÍLVIA FREIRE | Folha de S. Paulo | 29/02/2012

Congresso do Livro Digital abre inscrições


Programação já está no site; interessados em apresentar trabalhos acadêmicos podem se inscrever até 10 de abril

Já está no ar o site do 3º Congresso Internacional CBL do Livro Digital, que este ano acontece nos dias 10 e 11 de maio, em São Paulo. O evento organizado pela Câmara Brasileira do Livro já tem programação definida – embora ainda sujeita a alterações – e inclui palestras como “O poder das plataformas de distribuição”, “O livro digital na sala de aula”, “Proteção de conteúdo e a questão dos metadados” e “Finalmente, o leitor: a experiência de leituras de várias gerações”, entre outras.

As inscrições já estão abertas. Até 15 de março, os preços são menores: R$ 940 para associados da CBL, R$ 1.090 para associados de entidades congêneres, bibliotecários, professores e estudantes e R$ 1.320 para não associados. Grupos também têm desconto.

Novamente, haverá espaço para a apresentação de trabalhos científicos e acadêmicos sobre temas ligados ao livro digital. Até seis trabalhos serão selecionados por uma comissão da CBL para serem apresentados no Congresso. Também haverá uma premiação dos dois primeiros colocados, que receberão prêmio em dinheiro [R$ 1.000 e R$ 500, respectivamente, para o primeiro e segundo lugares], além de publicação na Revista de Gestão [Rege] da USP. As inscrições dos trabalhos começaram no dia 23 de fevereiro e vão até 10 de abril, disponíveis exclusivamente pelo site do congresso.

Por Roberta Campassi | PublishNews | 29/02/2012

44% dos internautas brasileiros nunca compraram eBooks


POR Stella Dauer | Publicado originalmente em Revolução E-book | 29/02/2012

Editoras correm para digitalizar seus catálogos, invadir as redes sociais e se adaptar à chegada de grandes concorrentes internacionais. Lançam impressos e digitais simultaneamente, investem milhares de reais em aplicativos para iPad. Nesta correria, muitas editoras parecem perder o fio da meada, esquecem de uma figura fundamental: o leitor. O leitor brasileiro, conhecido por ler pouco, compra livros digitais? Já estão familiarizados com formatos, esquemas de compra e leitura? Possuem os aparelhos para ler eBooks?

Para esclarecer estas questões, o Revolução eBook conduziu uma pesquisa no mês de fevereiro, entrevistando pela Internet 330 pessoas. Divulgamos a pesquisa não só na nossa lista de discussão e newsletter, mas também nas redes sociais, para diversificar o público. Foram feitas apenas quatro perguntas, para obtermos um panorama de como o brasileiro se relaciona com as tecnologias do livro digital e seu consumo. Nas perguntas, sempre foi possível marcar mais de uma alternativa, de modo que os totais contabilizados ultrapassam 100%.

Constatamos, entre outros números, que 44% dos brasileiros nunca adquiriu um livro digital, nacional ou estrangeiro, entre outros números.

O brasileiro tem eReader?

Como podemos observar, mais da metade dos pesquisados não possui um eReader, aparelho dedicado à leitura. Quando possuem, 28% afirma ter o Kindle da Amazon, seguido bem de longe pelo nook da B&N com 6% e pelo Positivo Alfa, com 4%. Bem próximos ao eReader da Positivo estão o Cool-ER, um dos primeiros aparelhos de eInk a chegar ao Brasil e a categoria Outros, sinalizando que alguns consumidores adquiriram marcas bem menos populares.

O gráfico no geral mostra algumas coisas. Primeiro, o marketing da Amazon é bom o suficiente para conseguir um share maior de aparelhos, mesmo sem uma presença oficial. Vemos também que os aparelhos vendidos em lojas brasileiras, combinados, representam menos de 10% das respostas. Para cada um destes, outros 4 possuem um Kindle. A amostragem reforça a ideia de que eReaders são caros e pouco divulgados no Brasil.

Metade dos entrevistados não possui tablet.

Quando vemos a baixa popularidade do eReader, esperamos que isso se deva ao sucesso do tablet que, dizem por aí, deve acabar com o aparelho de apenas um uso e tela de tinta eletrônica. Porém, mais uma vez, os números mostram que não é exatamente assim. Embora a pesquisa tenha sido realizada exclusivamente na internet, apenas 49% dos entrevistados dizem possuir um tablet. Entre os que não possuem, os motivos são diversos, como desconhecimento da tecnologia e, claro, o preço.

Como esperado, o iPad – tanto o 1 como o 2 – é o mais popular entre os modelos, com 33% de respostas. Muito, muito atrás, com 6% de votos, está a categoria Outros, dispensando todas as marcas mais populares que colocamos para escolha. Com 4%, 3% e 2% estão o já antigo Galaxy Tab, o caro Galaxy Tab 10.1 e o Xoom, respectivamente.

Há uma interessante participação de 1% tanto para o Kindle Fire como para o nook tablet, que não são oficialmente vendidos no Brasil e nem funcionam completamente por aqui, mas que ainda assim são uma escolha em lugar de produtos vendidos no país.

Nunca comprei um eBook

Aqui chegamos ao ponto do título desse artigo. Nossa pesquisa indicou que 44% dos entrevistados nunca adquiriu um livro digital, seja em loja brasileira ou estrangeira. Aqui fica uma boa pergunta para as editoras: por quê? Qual a razão de os brasileiros ainda não terem feito compras?

O problema são os aparelhos caros? São difíceis de usar? O brasileiro acha difícil ou caro comprar eBooks? Acho que essas são as perguntas a serem questionadas e respondidas ao longo de 2012, para o mercado editorial entender seu novo “público digital”. É interessante observar que 34% já adquiriram eBooks em lojas nacionais e 39% em lojas estrangeiras. Ou seja, o número de pessoas que já comprou livros digitais em ambas as lojas é quase o mesmo. Quem consome livros digitais está fazendo isso tanto no Brasil, como lá fora.

Pirataria, a gente vê por aqui

A última pergunta tratou de pirataria, um assunto delicado, porém bem presente no Brasil. Apenas 12% dos que responderam disseram nunca ter baixado um eBook pirata. E 55% afirmou já ter baixado um eBook ilegal em português e 34% em inglês. Ou seja, os entrevistados pirateiam mais, e compram menos livros digitais. Fica aí mais uma pergunta para as editoras responderem e solucionarem: por que os brasileiros preferem piratear um livro do que comprá-lo?

Os números também mostram que, para entrar nessa nova tecnologia, muitos recorrem a livros gratuitos ou de domínio público para experimentarem o livro digital. Do total, 74% afirmou ter feito isso.

POR Stella Dauer | Publicado originalmente em Revolução E-book | 29/02/2012

Stella Dauer

Stella Dauer é designer e eBook evangelist da Simplíssimo, além de editora do Revolução E-book. Stella é especialista em gadgets, trabalha com livros desde 2006 e pesquisa e divulga o livro digital desde 2009.

A guerra de eletrodomésticos


Por Pedro Almeida | Publicado originalmente em PublishNews | 29/02/2012

O filme de hoje narra a tentativa de recriar rapidamente um sistema complexo a partir de um novo arsenal tecnológico. O desfecho aponta para a parte raramente considerada nessa equação: o ser humano está na origem e é também o fim.

“Minority report – A nova lei” se passa em Washington no ano de 2054. A divisão pré-crime conseguiu acabar com os assassinatos, pois descobriu uma forma de punir o culpado antes que o crime seja cometido. Como? Por meio de três videntes, os precogs, que conseguem saber o nome da vítima, do criminoso e a hora do crime. As informações são fornecidas para uma elite de policiais que tentam descobrir onde será o assassinato. O líder da equipe de policiais é John Anderton [Tom Cruise], que teve o filho sequestrado aos seis anos. O desaparecimento da criança fez ele se viciar em drogas e, embora ainda continue dependente, isto não o impede de ser o policial mais atuante na divisão. Porém, sua vida muda totalmente quando vê, através dos precogs, que ele matará um desconhecido em menos de trinta e seis horas. A confiança que Anderton tinha em toda a tecnologia para resolver os problemas de criminalidade rapidamente fica abalada. Ele passa a buscar uma pista que pode ser a chave da sua inocência: um estranho caso que não foi solucionado. Mas apurar não é uma tarefa fácil, pois a divisão pré-crime já descobriu que Anderton cometerá um assassinato e todos os policiais começam a tentar capturá-lo.

Trago esse filme hoje porque tenho lido muita coisa com um tom de terrorismo, decretando quase o fim da produção editorial da forma como a conhecemos. Como o espaço é curto, vou simplificar o que tenho lido sobre mitos e verdades nesse sentindo. A impressão que tenho é que há muitas vozes para falar sobre esse fim, sugerindo que vamos todos parar num limbo.

Fato: o e-book elimina o papel impresso. Nem posso dizer que há um componente de preservação da natureza aqui, pois teria de haver um estudo sério para afirmar que o impacto de produção de um tablet ou um iPad [ e especialmente o seu descarte, com suas baterias poluentes] é menor do que a produção de 20 exemplares de livros.

Isso quer dizer objetivamente que as gráficas terão de encontrar formas alternativas de utilizar a sua força produtora de livros comuns: investindo em técnicas de produção mais elaboradas, para diferenciar seus produtos, e investindo em impressos para outros segmentos. As livrarias por sua vez passam a focar também em outros produtos [como já fazem] e a fortalecer seu braço virtual.

No entanto fala-se como se o surgimento do e-book fosse acabar com o livro impresso e também com a cadeia de produção. Ora, a grande diferença é o suporte. Sai o papel e entra o tablet. O conteúdo basico do livro é quase o mesmo. E ainda que o e-book acabasse com o livro impresso, toda a cadeia produtora precisaria ser mantida: autores com grandes adiantamentos, corporações que investem pesadamente neles, tradutores, agencias de marketing, estúdios de Hollywood, revisores, designers etc.

Alguém imagina que uma série como Guerra dos tronos, Crepúsculo ou a biografia do Steve Jobs poderia ser publicada sem essa rede de colaboradores?

O e-book vai fazer as pessoas lerem mais. Stop! O fato de eu conseguir colocar 1.000 títulos em meu iPad vai me dar chances de ler mais livros? Meu HD cerebral e meu tempo de leitura vai aumentar porque agora consigo carregar 1.000 livros em minha pasta?

Não conheço ninguém que lê mais de três livros ao mesmo tempo. Quem o faz deve fazer por exercício profissional ou para provar alguma teoria. Por que, então, isso é tomado como se a revolução eletrônica fosse fazer todo mundo se tornar um viciado em livros?

Vamos comparar: o que aconteceu com os computadores dados às pessoas nas escolas? Elas os usam prioritariamente para investigações científicas, estudos? Não. Em geral as pessoas se mantêm nas redes sociais; os adolescentes ficam copiando trabalhos de universidade; adultos vão para sites de encontro, pechinchas e notícias de sua área de interesse. No entanto, acreditava-se, na época em que começamos a ter acesso a computadores pessoais, que nos tornaríamos programadores, revoluciorários do novo mundo. Isso não aconteceu. O computador virou um eletroeletrônico como tantos outros que utilizamos na mais variada das vezes para nos comunicar e para entretenimento. Porque com o tablet esse conceito seria diferente? Estudos já apontam que os tablets se tornaram principalmente um computador pessoal. Ler livros neles é uma função mais que secundária. Então, se alguém corre riscos, é a empresa de computadores que não produz tablets.

O e-book é mais barato? Sim. O livro eletrônico no Brasil é, em média, 30% mais barato. Mas quantos livros você precisará ler para essa conta fechar incluindo o preço do aparelho e o tempo de trocá-lo por um novo e mais avançado? Se você lê dois livros por mês [o que é uma média ótima], pagando R$ 30 por exemplar, terá gasto ao longo de dois anos R$ 1.440,00.

Num tablet você gasta cerca de R$ 1.400,00 hoje, e depois R$ 1.008,00 para ter acesso aos 48 livros. Então é mais caro. E há o risco de perder, quebrar ou ser roubado. Além de muita gente não se sentir segura em utilizá-lo para ler num local público como ônibus, praça, parque ou metrô. Portanto nem é mais barato, você paga os 48 livros antecipadamente e não é mais seguro.

Essa conversa já aconteceu com processos mais desenvolvidos no restante do mundo – para uso de energia elétrica nos carros, energia solar nas casas – e as tecnologias só foram adotadas pela população quando o custo passou a ser subsidiado por uma política pública. Então, acredito que precisaria haver uma larga subvenção estatal para o e-book assumir o lugar do livro impresso. Mas se isso näo ocorreu no Brasil com processos que põem em risco a saúde do planeta, como energia solar e elétrica, não deve acontecer com o livro.

O e-book eliminará a figura da editora do centro do negócio. O mercado é sempre um balizador da melhor qualidade da produção editorial nacional e estrangeira. Quando digo o melhor, quero dizer o melhor de todas as áreas publicadas, seja terror trash, piada para crianças ou ficção literária. O livro que merece ser publicado é aquele que tem público interessado em lê-lo. E as editoras concorrem para selecionar os melhores autores e temas. Se não houvesse editores fazendo essa seleção, cada leitor teria de se pautar pelos comentários de gente que leu antes, sem nenhuma expertise como crítico e que pode ter um gosto bem duvidoso. Com a universalização da produção e acesso a conteúdo, o segredo estaria em filtrar o lixo e ver o que importa. Há uma corrente que acha que isso pode ser feito computacionalmente [inteligência artificial] e/ou pode emergir através de crowd wisdom [recomendações, ratings etc]. É preciso dizer que esse processo é falho. Muita gente convoca amigos para postar em sites recomendaçoes para livros [acontece direto na Amazon]. E já se descobriu inclusive que autores encontraram meios de criar números falsos de seguidores em redes sociais no Brasil.

Lembro de um passado recente, quando dirigi a área editorial de uma fundação nos anos de 1990 e falava-se do programa de revisão ortográfica. Ele iria resolver o problema dos erros nos jornais, revistas e livros. Passados mais de 15 anos esse programa não avançou muito. Ele corrige grafia, algumas concordâncias e trabalha com uma pontuação mais clássica. Nada que elimine a figura do editor de textos e revisores. Para ser capaz de se criar um programa que eliminasse a figura da revisão de textos e do tradutor, por exemplo, teria de se desenvolver um software capaz de criar idéias. Algo muito distante ainda.

Não consigo imaginar que um homem de tecnologia possa dar conta de criar um sistema capaz de repetir ações humanas num sistema que não é matemático, como a escrita. Taí o fato de a calculadora ser um instrumento quase perfeito e ter sido criada há 4.400 anos e o nosso simples revisor de textos ser tão falho ainda hoje – e, sobretudo, tirar a leveza e a arte de qualquer texto.

Por que essa ideia central de que a tecnologia vai resolver nosso “problema humano” tem muito para não funcionar? Haveria muitos pontos para citar, mas como estou na coluna de filmes, baseio-me neles. Todos nós já assistimos disparates tecnológicos e inovações que pareciam impossíveis saírem de filmes futuristas e parar na vida real. Foi assim com o celular, com a TV, e daqui a pouco vão criar a transmissão telepática. Mas e máquinas que substituem a criatividade e a coerência humanas? Os filmes, dezenas deles, que já produziram essa tentativa de vivermos sob adminstração de uma inteligência artificial, ou terminavam com a mensagem de que as máquinas destruiriam a vida ou entrariam em pane ou ainda nos escravizariam de uma forma a tornar a máquina, e não o homem, a finalidade de tudo. Vejam “Eu, robô”, “Resident evil”, “O dia em que a Terra parou”, “Wall-e”, entre tantos outros. Julio Verne escreveu: tudo o que um homem pode imaginar outros poderão realizar. Mas se as pessoas entendem que a substituição de nosso esforço intelectual e arbítrio por máquinas não funciona na ficção futurística será que há chances reais de se tornar realidade? Falando de outro jeito: se não pode ser imaginado, pode se tornar real?

Minha conclusão: mascarado como sistema perfeito, o desenvolvimento tecnológico continua a ser gerido pelo homem. Por que, então, essa coisa de dizer que vamos eliminar a figura dos editores como se fossem vilões e trocá-la por um editor de rafting, de score, de votos eletrônicos?

A nova tecnologia dará liberdade ao autor, que não precisará de editora para encontrar seus leitores. Essa ideia parece muito absurda. Quais são os jornais e revistas realmente lidos? Folha [portal Uol], O Globo [Globo.com], Veja, Exame, Carta Capital, Rascunho, Blog do Noblat, Glamurama, Dimenstein. E vários outros. Alguns são físicos, outros virtuais, mas o comum entre eles é a estrutura editorial. A internet não mudou nossa confiança neles. Se a pessoa quer ser lida sem passar pelo crivo de uma editora, basta colocar o livro num blog. Digam quantos leitores, fora do circulo pessoal, irão realmente ler aquele livro?

A liberdade de publicar na net já existe. O que não existe é uma demanda de investidores interessados em colocar dinheiro e marketing em produtos que não têm retorno garantido. E para o livro ser vendido em livrarias virtuais, diante da tamanha oferta de produtos, a livraria usa o crivo de apostar em editoras que já demonstraram capacidade de realizar um bom trabalho editorial. A liberdade de decidir o que fazer com o seu texto qualquer autor sempre teve, e aqueles que querem decidir sozinhos podem ter escolhido aí o caminho, e talvez o público. Mas se ele quer ser lido por muitos precisa contar com outras pessoas, e se tem gente investindo dinheiro essa “liberdade” deve ser dividida. Quem investe mais nesse pacote de ações decide como aquele investimento deve ser dirigido.

O autor vai receber mais por livro editado. Vamos às contas: Se um livro custa R$ 20, a editora recebe R$ 10 das livrarias [em geral R$ 9,50] e paga ao autor, portanto, R$ 2, algo como cerca de 22% da receita bruta do livro ao autor. No e-book, o livro custa R$ 12,00 e o autor recebe entre R$ 2,50 e R$ 3,00 por livro vendido na maioria das casas editoriais e 1/3, ou seja, R$ 4,00 nas pequenas editoras. Qual é a grande diferença? Receber mais por um trabalho realizado por uma pequena empresa, onde o autor precisa trabalhar na divulgação para vender livros ou receber menos de mais exemplares vendidos, onde o esforço de vendas está fortemente relacionado com a marca editorial? Não é assim toda regra de mercado? Baixamos os preços conforme a tiragem; reduzimos margens para ganhar menos por unidade, mas vendemos mais exemplares.

Vejam. Há mais de uma década, nós editores temos uma opção de pagar royalties 40% menores aos autores para fazer versões de livros em formato pocket. No entanto, a demanda por esse livro, cujo atrativo é o preço, não explodiu, porque a diferença de preço entre as versões pocket e brochura ainda não se tornou decisiva na compra de um livro com aspecto mais simples. E creio que isso permanecerá como regra entre os leitores que puderem comprar um tablet.

Há sim algo que não se fala sobre o e-book: ele precisa de mais gastos editoriais. Para o e-book ganhar mercado e atender à sua finalidade – que não é apenas ser a versão eletrônica do livro impresso –, ele tem de oferecer mais. E para isso precisará contar com programas e designers cada vez mais competentes. Com editores extras para criar conteúdo interativo virtual, ou seja, toda a cadeia de pessoas que se utiliza para o livro impresso, só que somada à do conteúdo virtual. Tudo isso para que faça sentido optar por uma versão eletronica. Não é barato e nem vai ser superacessível para todos. As redes virtuais deram aos leitores a qualificação de críticos literários, então reduzir custos na cadeia da produção editorial não é o caminho para uma editora que pretenda crescer.

Anos atrás li um livro que se não fosse religioso poderia ser tomado como excelente novela comercial. Era um livro psicografado por Chico Xavier e contava a história do cristianismo nascente, intitulado Paulo e Estêvão. Obra de fôlego, acho que com umas 600 páginas, e o que tirei dali foi o seguinte: se tudo o que se conta ali for verdade*, passados dois mil anos o ser humano não mudou nada em sua essência. Somos os mesmos: inveja, ciúmes, guerras, briga por poder, ganância, crimes… Continuamos os mesmos bárbaros, só sofisticamos nossas flechas e lanças. A evolução não mudou a humanidade. Só ganhamos eletrodomésticos. E eles servem para fazer a gente executar mais tarefas em menos tempo.

Fico desconfiado do discurso de assustar o mercado estabelecido. Essas profecias raramente acontecem, pois o mercado sempre encontra formas de recriar e aproveitar os recursos em novas atividades. Mas para “vender” essas propostas os futurólogos passam ao largo de pontos cruciais. E diminuir o valor da cadeia editorial como se ela impedisse que muitos escritores não tenham seus livros publicados é uma atitude que ignora que isso talvez seja bom.

* Não ponho em questão a veracidade do livro, mas utilizo-o como exemplo, baseando-me também nos livros de história que nos dizem a mesma coisa sobre os seres humanos de mil, dois mil anos atrás.

Por Pedro Almeida | Publicado originalmente em PublishNews | 29/02/2012

Pedro Almeida

Pedro Almeida é jornalista e professor de literatura, com curso de Marketing pela Universidade de Berkeley. Autor de diversos livros, dentre eles alguns ligados aos animais, uma de suas paixões, trabalha no mercado editorial há 17 anos. Atualmente, é publisher da Lua de Papel, do Grupo LeYa.

A coluna Leia antes de ver traz exemplos recolhidos do cinema que ajudam a entender como funciona o mercado editorial na prática. Como é o trabalho de um ghost writer? O que está em jogo na hora de contratar um original? Como transformar um autor em um best-seller? Muitas dessas questões tão corriqueiras para um editor são o pano de fundo de alguns filmes que já passaram pelas nossas vidas. Quem quer trabalhar no mercado editorial encontrará nesses filmes algumas lições importantes. Quem já trabalha terá com quem “dividir o isolamento”, um dos estigmas dos editores de livros. Pedro Almeida coleciona alguns exemplos e vai comentá-los uma vez por mês.

Venda de eBooks da Penguin cresce 106%


A Penguin registrou receita de 1,04 bilhão de libras em 2011, um aumento de 1% em relação ao ano anterior. As vendas de e-books, contudo, cresceram 106% no mesmo período, totalizando 126 milhões de libras, o que representa 12% da receita total. John Makinson, principal executivo da editora britânica, definiu o mercado de livros em 2011 como “o mais turbulento de que qualquer pessoa se lembra”, mas disse que o crescimento da empresa foi orientado por “publicações excelentes no mundo, atestadas pelo ganho de participação nos nossos três maiores mercados, e inovação em cada aspecto da edição digital”. A Pearson, companhia que abarca a Penguin, informou ter obtido receita total de 5,86 bilhões de libras no ano passado, com lucro antes de impostos de 1,15 bilhão de libras, 72% mais alto que em 2010.

Por Charlotte Williams | The Bookseller | 27/02/2012

As bibliotecas digitais: uma entrevista com Ednei Procópio


A experiência de leitura é, ao contrário do pensamento comum, uma experiência social. A integração entre regiões, culturas e indivíduos em um só ambiente, seja público ou privado, já faz parte da realidade literária há alguns séculos. Com o livro digital, tal coisa não vai mudar. Até mesmo o PC, está deixando de ser o único meio de acesso do futuro leitor. E como isso vai funcionar com o principal local de contato da literatura, a biblioteca?

Conversamos com Ednei Procópio, Coordenador Geral do Cadastro Nacional do Livro, membro da Comissão do Livro Digital da Câmara Brasileira do Livro – CBL e que está ministrando o curso O Livro na era Digital: edição e suportes neste mês.

Leia aqui:

Aletria: O governo é o maior comprador de livros no Brasil, através de editais. Durante um bom tempo, as editoras se adaptaram a esse modelo e prepararam seus livros para as compras governamentais. Com os programas do governo para baratear o livro e aberturas de biblioteca em todo país, você acredita que as editoras também tentarão produzir livros para atender a demanda das bibliotecas? De modo geral, que tipo de livro é favorecido nas novas bibliotecas e quais tipos existem demandas o mercado ainda não é capaz de suprir?

Ednei Procópio: O Governo ainda está quebrando a cabeça para um modelo de distribuição de livros digitais para as bibliotecas públicas digitais. Ou seja, embora o Governo possa iniciar a compra de eBooks para a bibliotecas, via edital, ainda não há um modelo de empréstimos que resolva tanto o acesso do usuário quanto a questão desta distribuição em si. Quando o Governo lançar um edital para a compra de livros digitais é claro que as editoras terão interesse em vender licenças de livros digitais para este cliente. Mas as editoras também ainda não sabem como atender a esta demanda. Porque elas não conseguem entender como os livros serão entregues aos leitores finais. O fato de o Governo permitir o acesso gratuito aos livros digitais não quer dizer que estes livros não tenham sido licenciados. E se foram licenciados, como seria o acesso? Via download, que depois expira, ou via leitura online controlada?

Aletria: Como funcionaria o empréstimo de e-books em bibliotecas? O que seria necessário para implementar o empréstimo de e-books em todo Brasil?

Ednei Procópio: Não existe ainda um modelo padrão e eficiente para o empréstimo de livros digitais via e-bibliotecas. O que existem são pilotos na França, Estados Unidos, etc. E não sabemos se estas soluções seriam eficientes para o leitor brasileiro. A solução técnica para esta demanda seria a instalação do que eu chamo de um eBook Content Server, baseado em Social DRM, que faria o tunelamento desde o servidor até o hardware do usuário. Se um dia houver uma central distribuidora de livros digitais para as bibliotecas públicas digitais seguindo este modelo, haverá um ganho não só para as editoras e autores, como também para as próprias bibliotecas e usuários.

Aletria: O governo brasileiro adquiriu equipamentos para a leitura de e-book, mas você acha que esta é a prioridade da nossa sociedade para que a leitura de e-books possa crescer no Brasil?

Ednei Procópio: O hardware é o item mais supérfluo e inútil que o Governo possa adquirir neste estágio em que estamos. A prioridade sem sombra de dúvidas ainda é o conteúdo. O conteúdo é a alma do negócio, tanto dentro da iniciativa privada quanto para o poder público. O segredo do livro digital não está no hardware, que são mutáveis e praticamente descartáveis, mas naquele outro item primeiro: o conteúdo. E quem realmente irá definir aonde o livro será acessado e lido é o usuário, o consumidor, o leitor. Portanto é preciso voltar aos verdadeiros valores iniciais que compete ao poder público perceber.

Aletria: Em geral, o uso de computadores é relacionado com o conforto do acesso domiciliar e do espaço digital. Na Europa o fechamento de livrarias e bibliotecas tornou-se uma tendência. No Brasil, país onde não existem ainda leitores o suficiente, a existência das bibliotecas é importante para o trabalho direto com a população. Há o risco de repetirmos a tendência Européia? Seria melhor evitá-la ou segui-la? Por quê?

Ednei Procópio: As livrarias estão fechando por falta de um modelo de negócios eficiente na era digital, e não por causa dos eBooks. O mesmo ocorre com as bibliotecas físicas. É preciso antes de tudo de um modelo de sustentação. Frente às novas demandas criadas pela tecnologia da informação, as bibliotecas físicas têm um grande desafio no horizonte. A pergunta que às vezes eu me faço é: “Qual poderia ser um novo modelo para as bibliotecas físicas, dentro de um eventual cenário onde imperaria a digitalidade da informação automática?”.

Não dá para pensar na biblioteca apenas como repositório de livros impressos, inacessíveis, em áudio ou eletrônicos. Há outras questões envolvidas com relação ao modelo de manutenção das bibliotecas que passa pela questão financeira e de sua própria sustentabilidade.

Sendo físicas [feitas de átomos], e não digitais [feitas de bits], me parece que as bibliotecas estão se tornando talvez mais ‘pesadas’ e caras [principalmente se comparadas com a portabilidade permitida pelas novas tecnologias]. Nesse sentido, a criação e a manutenção de bibliotecas com livros impressos em hardware papel, estariam cada vez mais ligadas aos novos modelos sociais sustentáveis, àqueles que se assemelham aos grandes centros culturais, como os museus que atraem público através de eventos com uma agenda cultural ativa.

O que eu tenho certeza é de que o futuro do livro não é somente o digital não. O futuro do livro é o híbrido, ou seja, o livro terá o seu conteúdo trafegando em diversos suportes ou mídias. Seja em hardware papel ou em dispositivos móveis, e até em versão áudio.

Mas, o importante é que, independente do suporte, formato ou mídia que o livro trafegará, as bibliotecas físicas precisam reinventar o seu ‘negócio’ urgente para continuarem existindo.

Aletria: Você oferece um curso, O Livro na era Digital: edição e suportes, e um dos tópicos é Números do mercado e entraves. Pode nos falar um pouco desses números e desses entraves?

Ednei Procópio: O hardware, ou seja, o suporte físico da leitura não me parece mais um entrave, pois a base instalada dos equipamentos vem num crescente. O principal entrave é ainda é a questão da conexão, que é baixa, cara e lenta. E o conteúdo, claro. Pois sem o conteúdo não existem os livros. Do mesmo modo que existe um fetiche pelo papel, existe também um fetiche pelas pranchetas eletrônicas. É preciso concentrar em questões mais prioritárias estrategicamente falando, como o conteúdo e a conexão.

Publicado originalmente em Aletria

CURSO | O Livro como Mídia Digital


Ednei Procópio

As emergentes mídias digitais estão influenciando diretamente no concorrido tempo dos consumidores modernos e transformando o hábito de leitura em todo o mundo. O livro não é mais lido apenas no papel. Ele está também onipresente em uma miríade de suportes suspensos e em uma diversidade de aparelhos tecnológicos, móveis e de comunicação.

E uma série de meios é o que está transformando definitivamente a realidade dos livros, jornais e revistas através de uma convergência digital e cultural sem precedentes.

O objetivo do curso “O Livro como Mídia Digital” é fazer um review de todo o mercado editorial convencional presente, frente às transformações das mídias digitais, do ponto de vista exclusivamente dos negócios ou da atualização enquanto profissional.

CONTEÚDO DO CURSO

  • O que é um livro digital
  • A questão os dos hardwares | Smartphones, netbooks, tablets [iPad, Xoom, Galaxy, etc.] e e-reader devices [Sony Reader, Kindle, Nook, etc.].
  • A questão os dos softwares | Sistemas Android, iOS, etc. | Digital Rights Management | Aplicativos
  • A questão do conteúdo | Formatos: PDF, ePub e HTML5 | Conversão, digitalização e produção
  • Plataformas e eBookStores | Modelos de negócios
  • Números do mercado e entraves
  • A cadeia produtiva do livro antes e depois dos eBooks

A QUEM SE DESTINA O CURSO

O curso se destina a todos os interessados em livros digitais; profissionais da cadeira produtiva da indústria editorial brasileira, desde os que atuam na produção e na área editorial quanto os profissionais que atuam nas vendas, comercialização e marketing dos livros. Isto inclui os profissionais que atuam dentro das editoras, das livrarias, distribuidoras, bibliotecas etc.

ANOTE NA SUA AGENDA A DATA DO CURSO

Dia: 3 de março de 2012, sábado.
Horário: 9h00 às 13h00
Valor único: R$ 130,00
Docente: Ednei Procópio, especialista em livros digitais.

ONDE

Escola do Escritor
Rua Mourato Coelho, 393 conjunto 1 |esquina com Rua Teodoro Sampaio
CEP 05417-010 – Bairro de Pinheiros, São Paulo, SP.
Telefone: [11] 3034.2981
www.escoladoescritor.com.br

Concurso de teses científicas dá a largada para o 3º Congresso Internacional CBL do Livro Digital


Vencedores poderão expor seus trabalhos para os participantes do evento, que acontece em São Paulo nos dias 10 e 11 de maio

A Câmara Brasileira do Livro [CBL] dá o pontapé inicial para a terceira edição do Congresso Internacional CBL do Livro Digital nesta quinta-feira, 23, com a abertura de inscrições para trabalhos científicos sobre a temática do evento. Os vencedores do concurso terão a oportunidade de expor suas produções para os congressistas. Interessados têm até o dia 10 de abril para se inscrever.

Realizado pela CBL desde 2010, o Congresso chega à sua terceira edição como principal fórum brasileiro para a discussão das tendências do mercado editorial de conteúdo digital. Como nos anos anteriores, serão dois dias de análises e discussões sobre os temas mais relevantes relativos a este novo business, com a participação de acadêmicos, profissionais e executivos que são referência para o setor no Brasil e no mundo.

Nesse contexto, o concurso de teses científicas tem como objetivo estimular a divulgação de pesquisas e trabalhos empíricos e conceituais sobre o tema, estimulando a contribuição da academia na definição dos rumos desse novo segmento do mercado editorial no Brasil.A comissão julgadora escolherá seis finalistas, que irão compor uma mostra durante os dias de Congresso. Os trabalhos serão publicados no site, e receberão uma inscrição cada para os dois dias de evento.
Os dois primeiros colocados serão anunciados durante o Congresso, e terão espaço para apresentar suas teses para os congressistas. Os vencedores receberão ainda prêmios em dinheiro e poderão ter seus trabalhos publicados na REGE – Revista de Gestão da USP.

Os trabalhos deverão versar sobre os seguintes temas:

1. Novos Modelos de Negócios relacionados aos livros digitais;
2. Aspectos de usabilidade de leitores digitais [e-readers];
3. Bibliotecas Digitais;
4. Aspectos educacionais dos livros digitais;
5. Direitos autorais e Copyright;
6. Marketing do livro digital;
7. Redes sociais e livros digitais;
8. O novo papel do editor.

O regulamento completo do concurso e as regras para a inscrição dos trabalhos estão disponíveis no endereço: www.congressodolivrodigital.com.br/site/trabalhos-cientificos.

Mais sobre o Congresso

O Congresso Internacional CBL do Livro Digital foi idealizado pela Câmara Brasileira do Livro, com o objetivo de suprir as necessidades de desenvolvimento do mercado editorial, a partir das profundas mudanças nos padrões de comportamento e consumoprovocadas pelo avanço das tecnologias digitais. Desta forma, a CBL espera dar subsídios para que os diversos segmentos envolvidos no negócio do livro possam alinhar expectativas, antecipar soluções e buscar alternativas para um mercado cada vez mais dinâmico e exigente.

Nesta 3ª edição, o Congresso terá como tema central A nova cadeia produtiva de conteúdo – do autor ao leitor. Os modelos de negócios, os aspectos tecnológicos, os direitos autorais e o comportamento do leitor são algumas das questões que serão abordadas por palestrantes brasileiros e estrangeiros na seguinte grade:

• Perspectiva para o Livro: hoje e amanhã.
• O Autor: peça chave para um mundo de leitores.
• O Direito Autoral aplicado ao Livro Digital.
• O Editor em um cenário de desafios.
• Proteção de Conteúdo e a questão dos Metadados.
• Inovando suas publicações com aplicativos.
• As implicações do padrão EPUB.
• O poder das Plataformas de Distribuição.
• A Livraria como modelo de negócio.
• O Livro Digital na sala de aula.
• Biblioteca Digital: o case da BibliothèqueInteruniversitaire de Santé Paris.
• A força das Mídias Digitais na Divulgação do Livro.
• Finalmente, o leitor: a experiência de leitura de várias gerações.

SERVIÇO

Congresso Internacional CBL do Livro Digital
Quando: dias 10 e 11 de maio de 2012
Onde: Centro Fecomercio de Eventos – Rua Dr. Plínio Barreto, 285, Bela Vista, São Paulo – SP.
Inscrições: http://www.congressodolivrodigital.com.br/site/inscricoes
Twitter: http://www.twitter.com/CLivroDigital
Mais informações: http://www.congressodolivrodigital.com.br

Os metadados dos livros


Por Karine Pansa

Karine Pansa

O Brasil conquistou posição relevante entre os primeiros países do mundo no ranking econômico mundial. E o mercado editorial brasileiro precisa beneficiar-se deste novo contexto. Afinal, não lhe faltam bons profissionais em toda a cadeia produtiva do livro.

Mas, para tanto, é indispensável que os próprios brasileiros leiam mais livros, que o mercado interno seja uma realidade na proporção do seu verdadeiro potencial. Para que isso aconteça, é necessário que os livros “existam”, “apareçam”, sejam encontrados e estejam a disposição do consumidor em qualquer hora e lugar.

Sem dúvida, avançamos muito na distribuição e em livrarias como, também, em bibliotecas. Mas, ainda há muito o que ser feito nesse sentido. Na era das mídias digitais, um dos modos mais eficientes de comunicar a existência de um título é pela divulgação precisa dos dados das obras [título, autor, editora, resenha, preço, capa etc] para que os robôs de buscas, os blogs, aplicativos e outras modernas e úteis ferramentas ajudem no processo.

Informações precisas, corretas e ricas sobre livros, seus autores e editoras, são hoje denominadas “metadados”.

Enfrentando os desafios

O mercado editorial brasileiro experimenta uma positiva transformação, algo sem precedentes em sua história. Neste oportuno cenário, a Câmara Brasileira do Livro acompanha de perto as mudanças, atua permanentemente para o aperfeiçoamento do mercado. São muitos e distintos os desafios da modernidade, e a CBL fortaleceu-se ainda mais ao criar a Comissão do Livro Digital. Seus grupos de trabalho têm apresentado discussões interessantes sobre temas como tributação e padrões. Além disso, são concretos e crescentes os resultados obtidos com o Congresso Internacional do Livro Digital, já em sua terceira edição, que acontecerá em maio próximo.

Mas, a CBL quer continuar avançando em outras frentes e, neste mês de fevereiro, a entidade inicia os testes do Cadastro Nacional do Livro [CANAL], com cerca de cinco editoras associadas. O Cadastro Nacional do Livro entra, portanto, em um efetivo processo de consolidação.

Um novo canal para os livros

O sistema CANAL, que já está hospedado e customizado para a realidade do Brasil, será inicialmente validado pelo que consideramos um dos mais importantes elos da corrente que integra a cadeia produtiva do livro: a editora.

As editoras convidadas poderão usar o CANAL, para que possamos atestar a eficácia do sistema. Assim, elas poderão organizar seus catálogos como nunca antes lhes foi possível.

Não é necessário instalar nenhum software ou plug-in. Basta o cadastro no CANAL para, imediatamente, iniciar a organização dos catálogos e a sua divulgação. Não é necessário qualquer conhecimento técnico. Basta preencher os dados das obras nos campos respectivos, sob regras muito bem definidas e padronizadas.

As editoras poderão extrair os dados, através de um arquivo Excel, e os enviar para os seus networks atuais. Elas também se beneficiarão do fato de que, em pouco tempo, distribuidores, livreiros, bibliotecários e outros usuários e desenvolvedores utilizarão estes mesmos dados para melhorar as suas bases em pontos de vendas, sites, blogs, aplicativos, redes sociais e uma infinidade de outros bancos de dados que já atuam na venda dos livros.

E tudo isto, graças à Onix for Books.

O padrão Onix for Books

Onix for Books é um padrão de intercâmbio de dados. Não se trata apenas de uma tecnologia, mas, acima de tudo, é uma iniciativa que pretende padronizar os dados sobre os livros no mundo. Isto implica em dizer que os livros em língua portuguesa podem circular em bancos de dados em todo o planeta, utilizando uma interface comum: o CANAL. Amazon e Apple já utilizam este padrão.

A CBL é membro ativa do Grupo de Trabalho de Metadados do Centro Regional para o Fomento do Livro na América Latina e Caribe [CERLALC], órgão intergovernamental ligado à UNESCO, que definiu os dados bibliográficos mais importantes para indústria internacional do livro.

O Grupo de Trabalho de Metadados CERLALC também definiu, em setembro de 2011, entre outras diretrizes, a adoção da iniciativa Onix for Books como padrão para o intercâmbio de metadados na Região. A iniciativa Onix for Books, desenvolvido pela EDITEUR [www.editeur.org], grupo de coordenação de infraestrutura para comércio eletrônico, está se estabelecendo como padrão internacional para representar e comunicar as informações eletrônicas sobre o produto livro.

Mas os benefícios do padrão de dados Onix for Books, adotado pela Câmara Brasileira do Livro, são, principalmente, para refletir no trabalho diário de centenas de distribuidores, livreiros e bibliotecários que necessitam das informações sobre os livros para melhorar, ainda mais, a circulação, venda e comercialização das obras.

Uma vez que o Brasil chegou aos primeiros lugares entre os maiores países do mapa econômico mundial, e a globalização do uso das tecnologias bate em nossa porta, o mercado editorial precisa estar preparado para enfrentar a concorrência de players que podem segmentar o nosso mercado tornando a concorrência global ainda mais perturbadora.

Através dos inúmeros e precisos dados disponíveis no CANAL, os livros em língua portuguesa permanecerão vivos, em prateleiras físicas ou virtuais, para que sejam catalogados, acessados, comprados e, principalmente, lidos.

Quem desejar conhecer o status do Cadastro Nacional do Livro, acesse http://www.cbl.org.br/canal.

* Karine Pansa é editora e presidente da Câmara Brasileira do Livro [CBL].

Publicado originalmente em CBL | 23 de Fevereiro de 2012

Zamzar, serviço on-line de conversão de eBooks


Uma das situações mais incômodas que um usuário de computador pode encontrar é ter que abrir um arquivo num formato que não é compatível com nenhum programa instalado no equipamento que está sendo usado.

Nessas horas, se você tiver uma conexão com a internet, o site “Zamzar” pode ser sua salvação. Ele oferece serviço de conversão de arquivo que cobre os principais formatos existentes de vídeo, áudio e imagem.

O funcionamento do site é muito simples. Na tela inicial você pode escolher entre fazer o upload de um arquivo do seu PC para o site ou então informar a URL do documento na internet no campo Step1.

O campo Step 2 mostra quais são os formatos possíveis de serem gerados. São dezenas de formatos, incluindo e-books e arquivos compactados.

A terceira etapa pede o seu e-mail, pois o site irá enviar um aviso com um link para download. A quarta etapa consiste em clicar no botão Convert.

O serviço de conversão é gratuito e permite o envio de arquivos com até 100 Mbytes. Se fizer uma assinatura, o usuário passa a ter um espaço para gerenciar os arquivos. Nesse caso o tamanho máximo do arquivo aumenta para 1 Gbyte e o espaço de armazenamento é de 100 Gbytes.

É possível selecionar vários arquivos para conversão, mas eles precisam ser todos do mesmo tipo.

Os arquivos ficam disponíveis 24 horas a partir do momento que você receber o e-mail.

O site também é uma boa opção para baixar e converter vídeos que estão na internet. Nesse casso, basta informar na guia Download Videos o endereço completo do vídeo no campo Step 1. Depois é só escolher o formato desejado no campo “Step 2” e informar o e-mail. O tempo de conversão vai depender do tamanho do arquivo.

Por José Antonio Ramalho | Publicado originalmente em Folha.com | 23/02/2012 – 15h30

O bibliotecário e a leitura conectada


Independente dos formatos, livros sempre existirão, livros sempre serão fundamentais para o desenvolvimento de uma sociedade sadia.

Ultimamente só se falam nos muitos argumentos a favor dos e-books ou livros eletrônicos. Embora tenham surgido em 1971, pouco a pouco tem se tornado popular devido a proliferação dos dispositivos [tablets, smartphones, e-readers etc]. No entanto, em meio a este turbilhão existem os céticos que profetizam que tais dispositivos extinguirão os livros impressos e consequentemente as bibliotecas.

Toda esta revolução não deixa de ser interessante, porque como bibliotecário, a leitura de livros tem uma importância significativa em minha vida e tenho algumas centenas deles em meu apartamento. A princípio, depois de certa resistência – mesmo sendo um entusiasta da tecnologia – resolvi me enveredar neste mundo “desconhecido” e ter minha própria opinião sobre o assunto.

Lembro-me da primeira vez que ouvi falar de um tablet, foi em janeiro de 2010, com o anúncio de lançamento por Steve Jobs, de um tal iPad. Mal sabíamos, os pobres mortais, que aquilo era o início de mais uma revolução nos costumes.

Em novembro de 2011 adquiri meu primeiro tablet, um modelo econômico, entretanto, mesmo com seus inúmeros recursos, o que realmente me motivou a comprá-lo foi a opção de leitura de e-books. Como não poderia ser de outra forma, minha estreia se deu com a biografia de Steve Jobs, escrita por Walter Isaacson. Em um trecho tenso da obra, o autor relata uma conversa de Jobs com Barack Obama, onde Jobs declara “Todos os livros, o material didático e os sistemas de avaliação deveriam ser digitais e interativos, personalizados para cada aluno e com feedback em tempo real.” Seria este um prenúncio do fim, vindo de uma mente inquieta?

Ainda não conhecemos totalmente até onde estes sistemas nos levarão, o que posso adiantar é que a leitura no tablet tem suas peculiaridades, a primeira, é que não tive de transportar 1 kg das 607 páginas do livro em papel de Isaacson, além disso tem as opções de adequar o tamanho da letra, ler no escuro, controlar o brilho da tela, fazer anotações e marcar páginas, exemplos simples entre tantos, mas que demonstram a praticidade da leitura com os citados recursos. Não me julguem antecipadamente, adorei a experiência e recomendo a todos, mas em tudo existem prós e contras, vantagens e desvantagens. Continuarei lendo livros em papel? Claro que sim, nada substituirá a experiência estética, lúdica, espiritual da leitura em livros impressos. E-books são um item a mais, no imenso ecossistema da leitura. Eu e minha esposa adoramos viajar, oportunamente, eu levo meu livro impresso, ela, o de sua preferência, o tablet também, como um complemento tecnológico e lado a lado, sem superior ou inferior, sem anular um ao outro, ambos distintos, coexistindo e prosperando pacificamente, porém essenciais nos dias de hoje. E mais, acredito que cada leitor deve saber o que é melhor para si e o que pode se adequar em seu contexto. Na área acadêmica, por exemplo, alunos de arquitetura poderiam evitar o peso em suas mochilas dos “Benevolos“, “Neuferts“, “Gombrichs” etc

A medida que vemos a tecnologia avançando, em contrapartida, a resistência ainda é grande, mas a história parece se repetir, pois já no século XV, Johannes Gutenberg sofria fortes criticas por parte dos copistas que eram contra seus tipos móveis. Ironicamente, o maior catálogo de e-books gratuitos do mundo chama-se Projeto Gutenberg, que inclusive disponibiliza inúmeras obras em português.

Grandes personalidades literárias deixaram a resistência de lado, como Ray Bradbury, que aos 91 anos, permitiu que seu clássico “Fahrenheit 451” fosse publicado na versão e-book. Aos 79 anos, Umberto Eco ao invés de carregar 20 livros em uma turnê pelos Estados Unidos, comprou um iPad e está adorando a experiência, não poupando elogios.

Nos Estados Unidos, uma nação com tecnologia em seu DNA, a dinâmica é outra. Existem escolas sem bibliotecas físicas, porém com bibliotecários digitais, “bibliotecas antenadas” – especialmente públicas – que já emprestam milhares de obras eletrônicas normalmente. É comum encontrar leitores com seus e-readers em transportes públicos, praças, praias etc.

No Brasil, a aquisição e utilização deste tipo de tecnologia ainda são bem discretos, porém a Amazon já tem planos de comercializar o seu maravilhoso aparelhinho e-reader por terras tupiniquins, trata-se do Kindle. Por considerar as taxas de importação exorbitantes, prefiro por enquanto esperar o início das vendas por aqui.

Portanto, vem a questão, os dispositivos eletrônicos substituirão os bibliotecários e bibliotecas? Uma das funções dos bibliotecários é organizar informação, independente dos suportes em que se encontram. As bibliotecas precisam se adaptar a este caminho sem volta e ir ao encontro das preferências dos novos leitores. Os livros impressos vão acabar? Não sei, talvez. Existe um lobby forte de ecochatos, que estão por aí, remodelando a sociedade já faz um bom tempo.

Por fim, independente dos formatos, livros sempre existirão, livros sempre serão fundamentais para o desenvolvimento de uma sociedade, devemos pensar na integração dessa transmidialidade dos livros. A magra estatística de livros lidos por ano em nosso país indica uma subnutrição cultural aguda, e isto sim, é um problemaço a ser resolvido, pois como “tuítaria” Monteiro Lobato se estivesse vivo, em ser perfil no microblog: “Um país se faz com homens, mulheres e livros eletrônicos.”

Rendam-se! A festa nunca é tão divertida quanto parece do lado de fora. A história dos livros continua a ser escrita. É só ligar e ler!

Por Rodney Eloy | Publicado originalmente em PESQUISA MUNDI

Linguee e eu


O Linguee quer criar um vídeo com depoimentos de usuários do mundo todo.

A campanha tem como objetivo criar um espaço para que os usuários possam expressar a sua criatividade e participar de maneira dinâmica do Linguee. É também uma forma de agradecimento pelas inúmeras e crescentes visitas que o site tem recebido diariamente.

Os melhores depoimentos farão parte do vídeo “Linguee e eu” que será promovido pelo Linguee e aparecerá na página oficial.

Mais informações sobre a campanha “Linguee e eu” podem ser encontradas na página: http://www.linguee.com.br/portugues-ingles/page/videoFeedback.php

Autores contestam a digitalização de obras indisponíveis


Uma “verdadeira violação do direito do autor”. Foi nesses termos que escritores denunciaram, na segunda-feira, dia 20 de fevereiro, em um documento aos deputados e senadores, a lei sobre a digitalização de obras do século XX que estão indisponíveis. Essa lei permite deixar acessível – em formato digital – o conjunto da produção literária francesa do século passado, desde que as obras não estejam mais sendo comercializadas. Segundo a proposta, de 500 mil a 700 mil títulos indisponíveis serão digitalizados. A medida prevê também a criação de um banco de dados público dessas obras e confia a gestão coletiva de direitos digitais sobre as obras indisponíveis a uma sociedade de percepção e de distribuição de direitos, assegurando, com isso, de maneira paritária, uma remuneração aos editores e aos autores.

Le Monde [França] | 20/02/2012

eBooksBrasil.org


POR EDNEI PROCÓPIO

Visite a página da eBooksBrasil.org, [com certeza absoluta o melhor conteúdo de livros digitais do País]. Logo na homepage do site há uma barra de busca no Google. Esta ‘barrinha’ foi direcionada pela eBooksBrasil para que o leitor possa acessar os livros digitais em formatos PDF e HTML conforme a sua vontade nas estantes virtuais do eBooksBrasil.org.

Embora o Google só permita o preview dos arquivos em PDF e HTML, depois de escolher o formato desejado, por exemplo PRC para ser baixado e lido no Kindle, clique em buscar.

Nas páginas do Google, clique nas setinhas à direita, para ver as capas ou um vislumbre da página referenciada. Em alguns livros o leitor verá menção de “visualização rápida”.

Se você estiver navegando em um tablet, e o arquivo for em formato PDF ou HTML, clique e tenha uma surpresa!

O leitor pode substituir na busca interna do Google pelo que quiser. Por exemplo livros em “HTML”. Ou “shakespeare”, para obter os livros de Shakespeare e os locais em outros livros no eBooksBrasil.org em que ‘Shakespeare’ é mencionado.

Com a simples substituição de ‘PDF’, na barrinha de busca, por qualquer palavra ou frase na barrinha do eBooksBrasil.org, o Google se encarrega de achar a menção em qualquer livro nas estantes virtuais.

Os resultados nos PDF´s e, principalmente, nos arquivos em HTML, são mais confiávels. Nos demais formatos, mesmo não tendo DRM, a coisa fica um pouco mais complicada.

Experimente à vontade e, não se acanhe, espalhe. Os livros da eBooksBrasil.org são todos free, não são piratas, e respeitam o Direito Autoral.

Mais open impossível!

A eBooksBrasil é o site mais antigo de livros digitais do nosso país. E o bacana na eBooksBrasil é que não há perda de tempo com discussões sobre o sexo dos anjos. Desde 1998, enquanto muitos ficam perdendo tempo discutindo o óbvio, a eBooksBrasil.org testa, produz e libera centenas de eBooks para os usuário no Brasil e no mundo.

Se você gosta de acompanhar a revolução que a mídia digital está empregando aos livros, você não pode deixar de conhecer a eBooksBrasil. Segundo Teotonio Simões, seu fundador, “este é mais um passo no longo caminho de distribuir livros e poupar árvores!

Parabéns, Téo! Desculpe a puxação de saco. Mas é que projetos como a eBooksBrasil merecem!

POR EDNEI PROCÓPIO

Atores locais e plataformas locais


Por Octavio Kulesz | Publicado originalmente em PublishNews | 17/02/2012

Em 2011, a Aliança Internacional de Editores Independentes e a Fundação Prince Claus patrocinaram uma pesquisa sobre a edição digital nos países em desenvolvimento, com um duplo objetivo: por um lado, avaliar o impacto das tecnologias sobre a indústria do livro nessas regiões e, por outro, estabelecer propostas de ação pensadas para os editores locais.

Os resultados do trabalho podem ser conhecidos aqui. Como fruto desse estudo, desde janeiro de 2012 funciona o Lab, uma unidade de experimentação e formação que tem o apoio da Aliança, da Fundação Prince Claus e da Organização Internacional da Francofonia. Entre as diversas iniciativas do Lab está a atualização da conta @digisouth no Twitter, criada para difundir as principais notícias referentes à edição digital nos países em desenvolvimento: fusões, movimentos sigilosos e tantas outras novidades que sugerem que a edição eletrônica no Sul constitui um cenário de extraordinário dinamismo.

Mês a mês, o Lab oferece entrevistas, artigos e resumos das principias informações divulgadas pela conta @digisouth. Todos os leitores estão convidados a entrar em contato por e-mail ou pelo Twitter para contribuir com novos dados e perspectivas.

Continuemos, então, com nosso panorama sobre janeiro de 2012, um mês marcado tanto pelo crescimento de atores locais quanto por uma nova tática por parte de jogadores internacionais. Talvez ainda seja cedo para avaliar o alcance de tal mudança estratégica, mas vale a pena questionar suas possíveis consequências.

Panoramas locais

Janeiro foi um mês cheio de novidades no Brasil. À informação de que hoje seis em cada dez brasileiros fazem parte da classe média, somam-se as notícias que indicam que existe no país uma grande propensão a comprar pela internet. Os e-books mostram um desempenho interessante, conforme reconhecem as editoras e os agregadores locais. No que diz respeito aos hardwares, alguns tablets nacionais, como o Ypy, da Positivo, estão se tornando verdadeiros concorrentes dos modelos estrangeiros, graças ao seu preço e adaptabilidade. O Estado brasileiro, por sua vez, continua mostrando interesse em transformar o país em um centro mundial de produção de tablets – fabricadas tanto por empresas nacionais como por companhias globais –, o que permite supor que as notícias neste campo continuarão se multiplicando. Finalmente, a Câmara Brasileira do Livro [CBL] anunciou a intenção de realizar o terceiro congresso internacional do livro digital e outras iniciativas de capacitação, mais um indício de que o gigante latino-americano aspira ser um hub da edição eletrônica regional.

Em relação à África subsariana, as notícias mais produtivas giram em torno dos celulares, em sintonia comalgumas tendências que já havíamos apontado no estudo 2011. Graças a uma elevada penetração da rede de telefonia celular ao longo do continente, estão surgindo atores que pulam a etapa da internet fixa e alcançam um grau notável de aceitação entre os clientes. Um exemplo é a rede social móvel Eskimi, originária da Lituânia, que na Nigéria conta com mais de dois milhões de usuários. Além disso, a operadora Orange anunciou seu projeto de distribuir verbetes da Wikipédia por meio de telefones celulares. Por sua vez, o dinheiro móvel – sistema que permite pagamentos via dispositivos móveis e que em nossa visão é fundamental para a formação de mercados digitais nos países em desenvolvimento – acelera sua expansão na África e segue um caminho bastante atípico. Talvez sejam estas singularidades da região que expliquem o fato de que a banda larga móvel da África do Sul é mais rápida do que a dos Estados Unidos. Os empreendimentos no continente dão a impressão de que alcançam um maior dinamismo quando abandonam soluções do tipo deux ex machina e passam a tomar seu contexto concreto como ponto de partida. Julgamos que isto pode explicar o êxito dos projetos centrados nos telefones celulares e em outras ferramentas informais ou low tech.

No mundo árabe, continua chamando atenção a falta de conteúdo em idioma local. No entanto, alguns atores relativamente novos começam a se consolidar no terreno da edição e distribuição de publicações eletrônicas. Já existem várias empresas que produzem aplicativos para iPhones e iPads, como a Flagship, de Dubai, com sua loja Rufoof. Vale a pena esclarecer que, no mundo árabe, os dispositivos da Apple são caros demais para as massas, o que talvez explique por que os principais produtores de apps se concentram na zona do Golfo, de maior poder aquisitivo. Além disso, na região encontramos iniciativas relacionadas à leitura do Corão e de textos tradicionais, como é o caso do tablet eAlim EL 1000, conhecido como o “iPad do Islã”. Será necessário continuar prestando atenção a esses jogadores hi tech, mas também àqueles que – como na África subsariana – apostam em inovações low tech, especialmente nesta época de efervescência cultural e política.

Tal como observávamos no relatório de 2011, as dimensões extraordinárias do mercado indiano estimularam o surgimento de gigantes da venda on-line; nos últimos meses, a concorrência entre os jogadores locais como Flipkart ou Infibeam desencadeou uma feroz guerra de preços que faz cambalear o circuito de livrarias históricas. Da mesma forma que na África subsaariana, os telefones celulares são na Índia uma plataforma crucial, ao ponto de o governo subsidiar as conexões nas zonas rurais. Mas são talvez os tablets os que vão dominar a atenção nos próximos meses, dado o grande interesse manifestado pelo Estado indiano pela possibilidade de distribuir dispositivos de leitura aos estudantes de todo o país. O aparelho vencedor se chama Aakash, que significa “céu” em híndi; custa apenas US$ 35 e é fabricado pela Datawind, uma empresa anglocanadense fundada pelos irmãos Raja e Suneet Singh Tuli,  oriundos do Punjab. Para além das idas e vindas que caracterizaram o projeto, a tendência parece ser irreversível: o Estado indiano está disposto a massificar os tablets projetados para a população nativa, o que resultará numa poderosa plataforma de distribuição de conteúdos – claro que os modelos de negócios para autores e editores ainda estão para ser inventados. Se a experiência decolar, seguramente será exportada a outros países em desenvolvimento.

Na China também assistimos a transformações de grande alcance. O mercado de aplicativos móveis, buscas on-line, redes sociais e conteúdos digitais cresce num ritmo vertiginoso e está se transformando num campo de batalha entre colossos – como Tencent, Sina, 360Buy, DangDang, Baidu, Shanda, entre tantos outros – que chegam a apequenar até os principais jogadores do Norte. Vale recordar que a plataforma de mensagens Weibo – da Sina – recentemente superou o Twitter em seu recorde de mensagens escritas por segundo. Em breve, as empresas e o próprio setor público – sob a égide do GAPP e de outros organismos – se preparam para ultrapassar as fronteiras chinesas. A Baidu não esconde suas intenções de incluir conteúdos em outras línguas, e também são conhecidas as pressões que o conglomerado Alibaba exerce para apossar-se do Yahoo!

Plataformas globais: uma mudança de estratégia?

Até relativamente pouco tempo atrás, a estratégia de jogadores como Amazon ou Apple nos países em desenvolvimento dava a impressão de ser inflexível. Essas empresas não pareciam estar muito interessadas em adaptar seus formatos, idiomas, conteúdos, políticas de preços, de cobrança ou de pagamentos em função das realidades locais. Dessa forma, para um usuário latino-americano, um Kindle era um Kindle, vendido a um preço determinado em dólares, a partir da Amazon nos Estados Unidos. O resto dos problemas – como pagar com cartão de crédito internacional, retirar a mercadoria da alfândega, solucionar a questão dos impostos, obter material em idioma próprio etc. – cabia ao usuário resolver. Ao invés de seguirem a célebre máxima “pensar globalmente, atuar localmente”, essas plataformas tendiam a guiar-se muito mais pelo inverso: “pensar localmente – isto é, exclusivamente nos termos de um usuário americano – e atuar globalmente”. Por isso, em nosso estudo de 2011, indicávamos que, ceteris paribusnão seria tão simples  para as empresas do Norte massificar seus produtos nos países do Sul, que davam sinais crescentes de autonomia.

Recentemente, contudo, talvez como consequência da acelerada crise financeira e do declínio da Europa como destino comercial, a diversificação dos mercados se transformou não apenas em uma opção, mas em uma necessidade para qualquer empresa global. Sendo assim, assistimos uma mudança dramática na estratégia das plataformas globais, que agora parecem estar mais dispostas a repensar seus modelos em função de cada contexto. Para começar, a Apple lançou com grande sucesso seu iPhone 4S na China, por meio da operadora China Unicom; a apresentação do aparelho foi tão multitudinária que acabou em distúrbios e no próprio cancelamento do evento. Também foi significativo o acordo de isenção firmado entre a Foxconn e o governo brasileiro para a fabricação de iPads em território local, dentro do quadro da política tecnológica brasileira que destacávamos anteriormente.

Merecem ser ressaltados os avanços realizados pela Amazon, que deixou claro seu plano de criar centros de operações em Nanning, na China, e em Bombay,  isto é, sua primeira incursão relevante na Índia. Da mesma forma, logo após o fracasso da primeira rodada de negociações com editores brasileiros em 2011, a Amazon contratou um ex-funcionário da Livraria Cultura para acelerar o lançamento do Kindle na América do Sul.

Finalmente, o Yahoo! anunciou a oferta de conteúdo em 8 idiomas da Índia, o Twitter aceitou adaptar sua plataforma aos “requerimentos” de diferentes Estados nacionais e o Google, depois de incontáveis choques com o governo chinês, já avalia a possibilidade de “flexibilizar” as condições de seu serviço para se adaptar às regras do país.

Desafios e oportunidades

Sendo assim, é especialmente interessante nos perguntarmos sobre o que se ganha e o que se perde com essa mudança de estratégia levada a cabo por companhias que – como Amazon, Apple ou Twitter – até há pouco tempo não haviam feito muitas concessões aos contextos próprios de cada lugar. Na nossa opinião, essa virada acarreta inúmeros riscos para essas empresas, que tendem a subestimar as complexidades locais, e em certo sentido abre-se uma boa oportunidade para os empreendedores locais.

Em primeiro lugar, há a questão das línguas próprias de cada lugar, que constituem uma mediação irredutível, mas frequentemente deixada de lado. A Apple pôde apresentar o iPhone 4S na China, mas para isso deveria ter se assegurado de que seus aplicativos funcionariam tão bem em chinês como em inglês. Lamentavelmente, não foi esse o caso, como podemos ver na paródia “Siri não entende chinês” – ou nasdesventuras de um usuário japonês que por causa do seu sotaque não consegue fazer com que a Siri lhe obedeça.

Também surgem obstáculos toda vez que se minimizam as diferenças culturais e políticas. Comentávamos que o lançamento do iPhone 4S na China teve que ser suspenso por ter sido tão disputado: a Apple tentou mostrar o episódio como um indicador de sua popularidade – dado que havia tanta gente –, ainda que devido aos resultados haveria de tomá-lo como sinal de grande imperícia. Nos Estados Unidos ou na Europa, um bando de gente amontoada na frente de uma loja pode se passar por um grupo ocioso de fãs, mas na China – não só por causa das condições atuais do governo, mas também por uma tradição milenar de harmonia social – essa multidão inquieta é interpretada como princípio de revolta. Aliás, assim foi como o evento terminou, com pancadaria, gritos e ovadas em direção à loja, algo que dificilmente poderia ser considerado um sucesso de marca.

Por outro lado, existem problemas referentes ao que poderíamos chamar de a “perda do efeito de rede”. Originalmente, uma plataforma como o Twitter pôde ser pensada como uma forma de comunicação direta e horizontal entre usuários heterogêneos – um estudante tunisiano podia seguir as mensagens publicadas por um professor egípcio, por exemplo. E, certamente, se o Twitter se sobrepôs a outras ferramentas foi devido ao número crescente de usuários que aderiram a ele, graças a um efeito de rede internacional que se retroalimenta permanentemente. Não obstante, toda plataforma precisa ser rentável em algum momento e é aí que as variáveis locais começam a se manifestar – idiomas, preços, formas de cobranças e pagamentos, governos etc. –, o que obriga a fazer concessões que ameaçam jogar por terra o efeito de rede inicial. Por certo, que utilidade teria, para um internauta egípcio, continuar usando uma plataforma em que ele não poderá ter um contato fluido com colegas de Tunes, se sabe que devido a acordos entre o Twitter e os governos dos dois países suas mensagens poderiam ser bloqueadas e manipuladas? Neste ponto, já não se vê qual vantagem o Twitter poderia ter em relação a outras iniciativas locais vernáculas.

Finalmente, a respeito dos diferentes “convites” que as empresas internacionais recebem para produzir seus dispositivos localmente, longe de eles serem um indício de passividade dos países do Sul podem significar, ao contrário, que várias dessas nações – de tradição industrialista, como o Brasil – se preparam para um contexto de maior protecionismo global e querem garantir a tecnologia e o know how necessários para abastecer tanto o seu mercado interno quanto o de seus parceiros regionais. Vale a pena salientar que o governo brasileiro não se contenta com a fabricação local de iPads por parte da Apple e da Foxconn, mas, sim, exige que as empresas invistam 4% da receita líquida em projetos de pesquisa e desenvolvimento, o que representa, direta ou indiretamente, uma transferência tecnológica de peso.

Tempos interessantes

Se os países em desenvolvimento abrigam atores locais cada vez mais relevantes e se as empresas do Norte enxergam a necessidade de adaptar seus modelos de acordo com os diferentes mercados, o futuro da edição digital no Sul anuncia-se tão fascinante quanto imprevisível. As plataformas internacionais contam com alta tecnologia, poder econômico e marcas reconhecidas. Os empreendimentos locais, por sua vez, têm ao seu alcance a possibilidade de fortalecer ecossistemas digitais em conjunto com outros atores domésticos, têm conhecimento muito mais apurado de seu próprio contexto e podem unir forças com um setor público poderoso que precisa urgentemente reduzir a lacuna digital.

O cenário está montado. Que comece a ação.

Por Octavio Kulesz | Publicado originalmente em PublishNews | 17/02/2012

Octavio Kulesz é formado em Filosofia pela Universidade de Buenos Aires e atualmente dirige a Teseo, uma das

Octavio Kulesz

principais editoras digitais acadêmicas da Argentina. Em 2010, criou a rede Digital Minds Network, junto com Ramy Habeeb [do Egito] e Arthur Attwell [da África do Sul], com o objetivo de estimular o surgimento de projetos eletrônicos em mercados emergentes. Em 2011, escreveu o renomado estudo La edición digital en los países en desarrollo, com apoio da Aliança Internacional de Editores Independentes e da Fundação Prince Claus.

Sua coluna Sul Digital busca apresentar um panorama dos principais avanços da edição eletrônica nos países em desenvolvimento. Tablets latino-americanos, leitura em celulares na África, revoluções de redes sociais no mundo árabe, titãs do hardware russos, softwares de última geração na Índia e colossos digitais chineses: a edição digital no Sul mostra um dinamismo tanto acelerado quanto surpreendente.

CBL investe R$ 197 mil no CANAL


Um projeto da Câmara Brasileira do Livro [CBL] que começou a ser desenhado há cerca de dois anos começa a sair do papel agora, com o objetivo de instituir um novo padrão de cadastramento para todos os livros publicados no Brasil, como já acontece em outros países. A promessa é que, a partir dessa iniciativa, as editoras passem a atualizar informações completas sobre seus catálogos seguindo as mesmas diretrizes e disponibilizando os dados de forma eletrônica e instantânea a todos os interessados: canais de venda, bibliotecas, leitores etc. Em resumo, a ideia é fazer com que o mercado editorial tenha acesso a informações atuais e precisas, de maneira mais prática e eficiente do que acontece hoje.

Batizada de Cadastro Nacional do Livro [CANAL], a plataforma recebeu até agora investimentos de R$ 197 mil por parte da CBL, de acordo com Karine Pansa, presidente da entidade. Ela destaca que o aporte é significativo, comparável ao custo do Censo do Livro, que é realizado anualmente pela Fipe com recursos da CBL e do Snel, o sindicato dos editores.

Este mês, o CANAL entra em período de testes com a participação de cinco editoras selecionadas pela CBL – entre elas a Saraiva, Gente e Loyola –, que começam a experimentar a plataforma. A expectativa da entidade é que a fase “beta” do projeto aponte o que precisa ser corrigido, para que o lançamento oficial do mesmo aconteça no segundo semestre do ano.

De forma simplificada, o CANAL é um software que estabelece uma série de campos que devem ser alimentados com os dados de cada livro – os “metadados”, em linguagem técnica. As editoras deverão preencher no mínimo 17 campos obrigatórios [como título e ISBN], mas há até 170 que elas podem utilizar, o que permite montar um banco de dados bastante refinado – há a possibilidade de incluir a capa e trechos da obra, por exemplo. As informações também seguem uma ordem definida.

Todo esse modelo é dado pelo Onix for Books, um padrão de intercâmbio de dados que surgiu em 2000 e, hoje, em sua terceira versão, é considerado o padrão internacional de informação eletrônica para a indústria do livro. Os mercados editoriais dos Estados Unidos, Inglaterra, Espanha e Alemanha já utilizam o Ônix de forma corrente, segundo Karine Pansa. A adoção do Ônix foi definida dentro do grupo de trabalho de metadados do Cerlalc, órgão de fomento do livro na América Latina ligado à Unesco, do qual a CBL participa.

De acordo com a presidente da entidade, a utilização do CANAL por parte das editoras oferecerá uma série de vantagens. “O editor poderá gerir todo o seu catálogo por meio dessa plataforma, atualizando as informações e indicando, por exemplo, quais livros estão disponíveis ou esgotados”, afirma. “Essas informações estarão acessíveis ao mesmo tempo às livrarias, sites de comércio eletrônico, bibliotecas, enfim, a todos os interessados.” Segundo Karine, hoje, no país, esse processo acontece “manualmente”. “As livrarias têm equipes de funcionários só para receber relatórios mensais das editoras e atualizar os sistemas com as informações atualizadas.” Com o CANAL, a editora poderá atualizar as informações e as mesmas estarão disponíveis, ao mesmo tempo, para todo o mercado.

Karine destaca que a Biblioteca Nacional também vai ser beneficiada pelo uso da plataforma, pois poderá receber de volta, com mais facilidade, as informações corretas sobre os livros publicados – isso porque muitos dos dados informados pelas editoras ao pedir o ISBN dos livros ainda não são os definitivos.

O CANAL deverá ir ao ar com 450 mil títulos já cadastrados, cujos dados são provenientes da BN. Mas caberá às editoras atualizar todo esse mar de informações. A partir do lançamento oficial do projeto, a CBL informa que iniciará uma programação de cursos e palestras para ensinar e conscientizar o mercado sobre o uso da plataforma.

Para conhecer melhor o projeto, você pode acessar dois sites: o http://www.cbl.org.br/canal e o http://www.canal.org.br.

Por Roberta Campassi | PublishNews | 16/02/2012

Livrus experimenta novo formato digital


Empresa desenvolve projeto em HTML5, que pode ser acessado pelos navegadores de internet

Em meio à profusão de formatos e possibilidades no caldo digital, a Livrus Negócios Editoriais, empresa paulistana, vai lançar em março um livro desenvolvido em HTML5, a versão atualizada da linguagem de programação mais usada na internet. Segundo Ednei Procópio, editor da Livrus, O jogo dos papeletes coloridos deverá ser o primeiro título brasileiro desenvolvido nesse formato, e está mais para um aplicativo do que para um e-book tradicional [confeccionado e distribuído em ePub], pois incluirá animações, músicas e vídeos – os aplicativos também são vendidos e distribuídos sem DRM [proteção usada nos e-books].

A opção de criar a obra em HTML5 tem alguns motivos. Um deles é poder desenvolver, com a mesma linguagem, todos os recursos utilizados, desde o próprio texto até vídeos e conteúdos interativos. Isso não acontecia antes do desenvolvimento do HTML5, quando vídeos, por exemplo, só podiam ser criados a partir de outras linguagens, como o Flash, da Adobe.

A outra vantagem é permitir que a obra seja acessada e vendida pelos navegadores de internet, e não somente pelas lojas da Apple ou do Google, por exemplo, que cobram a sua fatia na venda de cada produto disponível em suas prateleiras. No caso da Livrus, O jogo dos papeletes coloridos poderá ser comprado e acessado pelo site da empresa, com o preço de R$ 29,90, basta que o leitor faça o seu login.

Um exemplo curioso do uso do HTML5 é o da Playboy americana, que criou seu aplicativo para leitura da revista no iPad nesse formato, como se ele fosse um site otimizado. Isso porque, se fosse um aplicativo tradicional, o iPlayboy estaria sujeito às políticas de restrição de pornografia da Apple, e ainda teria que ser oferecido pela loja da mesma.

Segundo Camila Cabete, consultora de assuntos digitais editoriais, o uso do HTML5 deverá crescer bastante. “Daqui a um ano, ele deverá ser bem mais usado na produção de aplicativos de livros e também de jogos”, afirma. O formato também deve ser cada vez mais aproveitado como aplicativo de loja, o que possibilitará escapar das Apple e do Google, por exemplo. A distribuição dos produtos em HTML5, contudo, ao não passar pelas mãos das empresas que dominam o mercado mundial de tablets e smartphones, pode ficar restrita.

Por Roberta Campassi | PublishNews | 15/02/2012

80 links para amantes de livros


Blog divulga sites com diversas ferramentas de pesquisa para leitores

O blog de Kevin Bondelli divulgou uma lista com 80 sites para amantes de livros. São várias indicações de endereços eletrônicos para todo tipo de leitor da web, com dicas de redes sociais, lojas de livrarias on-line, onde achar os melhores preços de livros, links para pesquisas de bibliografia, como encontrar documentos na internet, entre outros. Algumas das sugestões mais interessantes são: a rede LibraryThing, onde é possível catalogar uma biblioteca pessoal e encontrar pessoas com interesses semelhantes para discutir sobre livros; o WikiBooks, que possui livros que qualquer pessoa pode editar; o WhichBook, que funciona como uma ferramenta para ajudar o internauta a escolher qual livro ler, por meio de classificações das obras; e o BooksLut, revista on-line de publicação mensal sobre livros, leitura e escritores. Vale a pena conferir e navegar pela lista completa criada pelo blog!

PublishNews | 15/02/2012

Brasil ganha destaque em apresentação no TOC


EUA: E não mais que de repente um gráfico sobre o Brasil surge nas telas do principal auditório da conferência TOC em Nova Iorque. O palestrante da vez era Joe Karaganis, pesquisador da American Assembly, ligada à Universidade de Columbia, e editor de trabalhos como Media Piracy in Emerging Economies [2011]. Especialista em pirataria, Karaganis comentava os resultados da luta contra esta prática em países emergentes e usava o Brasil como exemplo. O gráfico mostrava que apesar de buscas e apreensões contra piratas acontecerem no Brasil, o número de casos julgados, de condenações e de sentenças cumpridas era próximo de zero. Segundo o especialista isto acontece em diversos países, não sendo uma exclusividade tupiniquim. “Preços altos, baixa renda e tecnologias digitais de baixo custo são os principais ingredientes da pirataria”, explicou Karaganis. “E as tentativas de repressão têm sido irrelevantes”, continuou. Por meio de outros gráficos de seus estudos, o pesquisador provou que a maior parte da população não enxerga a pirataria como um crime sério e que a grande maioria das ações piratas é de pessoas compartilhando arquivos com amigos e conhecidos e não atos de maior escala econômica e criminal.

Para Karaganis, a luta contra a pirataria está mais próxima de uma concorrência comercial, de negócios, do que de uma questão criminal. “Sempre haverá acesso, a questão é quem vai conseguir oferecê-lo de forma conveniente e barata”, explicou. “E a cultura da cópia somada a dispositivos digitais mais baratos será um desafio perturbador”, continuou. Para o acadêmico, a solução está no desenvolvimento de uma agenda positiva coletivamente. Como exemplo disto, ele citou a Declaração de Washington, que pode ser acessada aqui em português.

Algumas horas depois, o tema da pirataria surgiria outra vez em uma mesa redonda que contou com a presença de vários palestrantes. O divertido autor de The Information Diet, Clay Johnson, fez declarações um tanto liberais quanto à pirataria. “Fico feliz que as pessoas roubem meu livro. Façam isso e me mandem 5 dólares via Paypal se gostarem do livro – é mais do que recebo da editora”, declarou. Para Johnson, seu livro possui uma missão social que acaba sendo mais importante do que a remuneração em si. “Faça o que você tiver de fazer para ler meu livro, vá em frente.

PublishNews | 15/02/2012

Amazon planeja lançar Kindle no Brasil por R$ 200


A Amazon tem planos de lançar o leitor digital Kindle no Brasil, vendendo o aparelho por R$ 200, de acordo com reportagem do site “The Next Web”. O Japão seria outro país em que a empresa tem interesse de investir após o recente lançamento do aparelho na Itália e na Espanha.

A empresa não confirmou a informação nem o modelo que pode ser vendido no país. O site, no entanto, afirma que o leitor digital seria vendido com suporte ao idioma português falado no Brasil. Os brasileiros podem comprar o Kindle pelo site da Amazon, pagando cerca de R$ 550 pelo modelo apenas com Wi-Fi. Nos EUA, o aparelho é vendido por US$ 80.

O “The Next Web” afirma que a Amazon negocia com editoras brasileiras desde 2011 para lançar livros no serviço.

O modelo do Kindle comercializado no Brasil seria apenas com Wi-Fi .O preço do aparelho seria de R$ 200, cerca de US$ 116. A Amazon estaria planejando lançar o Kindle entre março ou abril, dependendo das negociações, podendo estender a dara para junho ou julho.

No Japão, o leitor digital seria vendido por 20 mil ienes [US$ 260], segundo o jornal “Nikkei”. A Amazon também não confirmou data de lançamento do Kindle no território japonês.

G1 | 15/02/2012

Buqui Livros Digitais


A Buqui Livros Digitais [www.buqui.com.br] chega com a proposta de ser referência em e-books e facilitar o acesso aos livros digitais.

Com ampla experiência no mercado de livros, Gustavo Lima desenvolveu uma plataforma que promete promover o encontro da tecnologia com os livros de forma acessível. “Queremos facilitar a compra de livros digitais, descomplicar o uso dos aparelhos leitores e, inclusive, possibilitar que as pessoas publiquem suas próprias criações“, ressalta o fundador da Buqui.

Além de loja de livros – o acervo conta com mais de 4 mil títulos em português que podem ser acessados de qualquer aparelho -, a Buqui oferece um canal ampliado para os escritores, iniciantes ou já com carreira no mercado, que queiram ter suas obras publicadas no formato digital.

Na Buqui Self, o selo de autopublicação da Buqui, autores poderão cadastrar suas obras e receber uma proposta para publicar seus trabalhos, com a facilidade de custos muito abaixo do mercado tradicional de livros físicos, mas sem abrir mão da curadoria e da tradição de avaliação de originais de um grande selo, e contando com todo suporte do departamento editoral da Buqui para que sua obra chegue ao mercado com qualidade de best seller. “A Buqui Self é o canal para que escritores que nunca tiveram a oportunidade de serem lançados marquem presença no mundo digital com conteúdos relevantes a sua área profissional ou de lazer.” diz Lima.

Já a Buqui Colection foi criada com o objetivo de possibilitar a publicação de obras de autores filiados a instituições ou empresas, criando selos específicos para estes, chancelando a publicação do autor.

 

Nook, e-reader da Barnes & Noble, é a esperança das editoras de livro nos EUA


A Barnes & Noble, gigante que ajudou a tirar do mercado tantas livrarias independentes, trava agora a luta da sua vida. E seu Nook, concebido em segredo numa antiga padaria, é a grande esperança eletrônica da rede e, na verdade, de muita gente do setor editorial.

O Nook – e, por extensão, a própria B&N – parece ser a única coisa que separa as editoras tradicionais da irrelevância.

Dentro das grandes editoras – nomes como Macmillan, Penguin e Random House – há inquietação com o futuro da B&N, que é a última grande rede de livrarias. Primeiro, as megalojas expulsaram as pequenas, depois as redes foram engolidas pela migração dos consumidores para a internet.

O leitor eletrônico Nook, da Barnes & Noble: grande esperança da rede de livrarias e do setor editorial

Ninguém acha que a B&N vai sumir da noite para o dia. A preocupação é que ela míngue lentamente, conforme mais leitores adotem os e-books. E se a B&N virar pouco mais do que um café com um ponto de conexão digital? Tais temores vieram à tona no começo de janeiro, quando a empresa previu que sofrerá neste ano um prejuízo ainda maior do que Wall Street esperava. Suas ações caíram 17% naquele dia.

À espreita por trás disso tudo está a Amazon, força dominante no comércio eletrônico de livros. Muitos profissionais do ramo editorial enxergam a Amazon como um inimigo que, se não for controlado, poderá ameaçar toda a indústria e o ganha-pão dessas pessoas.

As editoras estão cortando custos e demitindo funcionários. Os livros eletrônicos estão bombando, mas não são muitos os editores que desejam que eles substituam os livros impressos. Já o presidente da Amazon, Jeff Bezos, quer eliminar os intermediários – ou seja, os editores tradicionais- ao lançar e-books por conta própria.

Por isso, a B&N agora parece tão crucial para o futuro do setor. Em muitas localidades, suas lojas são as únicas com uma ampla seleção de títulos. Se algo acontecer com a B&N, a Amazon pode se tornar ainda mais poderosa.

Seria como ‘A Estrada'”, disse um executivo de editora, referindo-se, meio de brincadeira, ao romance de Cormac McCarthy. “O mundo editorial pós-apocalíptico, com editores empurrando carrinhos de compras pela Broadway.

Mas William Lynch, presidente da B&N, se diz preparado para a batalha. Com apenas três anos de experiência como livreiro, ele precisa encontrar um equilíbrio: preparar um futuro digital para a rede, mas sem abrir mão do seu passado com livros físicos – e tudo isso em meio às pressões sobre o valor das ações da empresa, com os clientes fugindo para a internet e com a Amazon rondando.

Lynch, que foi criado no Texas e tem a intensidade nervosa de um executivo de tecnologia, considera disparatada a ideia de que equipamentos como o Nook, o Kindle ou o iPad levarão as livrarias à obsolescência.

Nossas lojas não vão para lugar nenhum“, disse Lynch. Ele citou um faturamento surpreendentemente robusto no fim do ano passado. E, no segundo semestre de 2011, a B&N capturou uma grande fatia do negócio deixada por um concorrente quebrado, a rede Borders.

Mas, em 5 de janeiro, a B&N anunciou que deve ter um prejuízo de até US$ 1,40 por ação no ano fiscal de 2012. E Lynch disse que os acionistas parecem estar subestimando tanto o potencial do Nook que talvez a empresa estivesse melhor se abandonasse o negócio digital.

Wall Street chiou e as ações da B&N ainda não se recuperaram totalmente. Uma pequena boa notícia para a empresa é que ela agora detém cerca de 27% do mercado do livro eletrônico, segundo Lynch. A Amazon tem pelo menos 60%.

Em 20 de janeiro, a Amazon divulgou um comunicado dizendo que “as vendas unitárias do Kindle, tanto do Kindle Fire quanto de leitores de e-book, aumentaram 177% sobre o mesmo período do ano passado“.

William Lynch, executivo-chefe da Barnes & Noble, no estabelecimento da empresa no Vale do Silício

A B&N não tem exatamente o mesmo charme [nem o dinheiro] de um Google ou um Facebook. “Não vemos todas aquelas ações, o sushi bar gratuito e todo o resto que você encontra no Google, mas existe muita responsabilidade“, disse Bill Saperstein, 62, vice-presidente de engenharia de equipamentos digitais da Barnes & Noble. “Era algo em que eu acreditava fortemente, que é a leitura.

No mês passado, engenheiros nos laboratórios da empresa no Vale do Silício faziam os últimos acertos no quinto leitor de e-books da empresa. Paralelamente, Lynch trabalha para reformular as lojas B&N. No ano passado, a empresa ampliou as seções de jogos e de brinquedos e criou novas vitrines para promover o Nook. O executivo espera eliminar dentro de dois anos as seções dedicadas a CDs e a DVDs. E também pretende testar formato de lojas ligeiramente menores.

Alguns analistas se perguntam se Lynch não teve os olhos maiores do que a boca. No entanto, a B&N talvez tenha de se adaptar às novas realidades, ou morrer tentando.

Acho que eles percebem que não podem continuar no ritmo que estão indo“, disse o consultor editorial Jack Perry. “Eles precisam de mais dinheiro para investir, para poder brigar.

Desde 2002, os EUA perderam cerca de 500 livrarias independentes. Umas 650 sumiram quando a Borders deixou de funcionar no ano passado.

Alguns editores de Nova York já tentaram imaginar o setor sem a B&N, e a ideia não é nada boa: haveria menos lugares onde vender livros. Os independentes respondem por menos de 10%, e os grandes magazines têm seções de livros menores do que as livrarias tradicionais.

Sem a B&N, a proposta de marketing das editoras desmorona. A ideia de que as editoras são capazes de identificar, moldar e publicar novos talentos e, então, levar as pessoas a comprar livros a preços que façam sentido economicamente, de repente, parece forçada. Divulgar livros pelo Twitter, ou depender de críticas, propaganda e talvez uma aparição na TV não parece ser um plano vencedor.

O que as editoras esperam da livraria é o “efeito folheada”. As pesquisas indicam que, das pessoas que entram em uma livraria e saem com um livro, apenas um terço já chegou com o desejo específico de comprar algo.

O espaço de exposição que eles têm na loja é realmente um dos lugares mais valiosos que existem neste país para comunicar ao consumidor que um livro é um grande negócio“, disse Madeline McIntosh, presidente de vendas da Random House.

A venda de livros mais antigos, que tradicionalmente responde por algo entre 30% a 50% da receita das grandes editoras, sofreria terrivelmente.

Jeff Bezos, da Amazon, apresenta o Kindle Fire; empresa domina o mercado de livros eletrônicos nos EUA

Para todas as editoras, é importante que o varejo físico sobreviva”, disse David Shanks, presidente do Grupo Penguin nos EUA. “Quanto mais visibilidade um livro tem, mais inclinado o leitor fica [a comprá-lo].

Carolyn Reidy, presidente da Simon & Schuster, diz que o maior desafio é, em primeiro lugar, dar às pessoas uma razão para entrar nas lojas B&N. “Eles descobriram como usar a loja para vender e-books“, disse ela. “Agora, tomara que a gente descubra como fazer com que esse ciclo se complete, e ver como os e-books podem vender os livros impressos.

Bezos, por exemplo, não está esperando. A Amazon já criou sua própria editora. E a cada dia as Bolsas dão um soturno aviso de que Bezos tem os bolsos mais fornidos que Lynch.

John Sargent, presidente da Macmillan, disse que a questão não interessa apenas às editoras. “Qualquer um que seja um autor, um editor ou que ganhe a vida distribuindo propriedade intelectual em forma de livro fica seriamente prejudicado se a B&N não prosperar.

POR JULIE BOSMAN | DO “NEW YORK TIMES“, EM PALO ALTO, CALIFÓRNIA | 15/02/2012 – 07h51

A tecnologia e os eBooks no Brasil


Preço dos dispositivos e custo de produção são barreiras para a leitura digital, mas 2012 promete mudanças

O Brasil não é um exemplo mundial quando o assunto são os livros digitais. A estimativa é de que estamos três anos atrás de grandes mercados como o norte-americano. Entretanto, 2012 promete ser o ano em que as coisas realmente irão acontecer, e por isso apresentamos aqui um apanhado sobre a tecnologia – tanto de aparelhos como de formatos – utilizada no Brasil.

Formatos

Até o momento, o formato mais utilizado para e-books no Brasil é o PDF, o que é uma lástima. Como todos sabem, o PDF não é um formato de documento indicado para livros digitais, pois se lido em um dispositivo móvel nota-se grande desconforto, uma vez que não é possível redimensionar o texto, mudar a diagramação ou ainda trocar a cor do fundo.

Há também algumas lojas e editoras que oferecem outros formatos, como o Mobi e até o antigo PRC. Entretanto, o ePub vem crescendo exponencialmente nas livrarias on-line. As editoras começaram a perceber que o formato mais indicado para e-books é o ePub, tratado como um padrão nos EUA e na Europa.

Os “livros aplicativo”, geralmente desenvolvidos para iPad, são até o momento uma exceção no mercado. Além de o comércio de tablets não estar em seu auge no Brasil, o custo para a produção de um livro interativo ainda é muito alto no país. Com preços que variam de R$ 14 mil a R$ 30 mil [entre US$ 8 mil e US$ 17 mil], apenas grandes editoras se aventuram nesse caminho. É o caso da Globo Livros, comReinações de Narizinho, de Monteiro Lobato, e da Melhoramentos, com O menino da terra, de Ziraldo. Mesmo assim, esse acervo interativo deve crescer em 2012.

Aparelhos de leitura

Para que o livro digital se popularize, é necessário que existam dispositivos para a leitura digital de fácil acesso – tanto econômico quanto tecnológico. E esse, infelizmente, também não é o caso por aqui. A interface mais utilizada para a leitura de e-books no Brasil é o tradicional PC, seja desktop ou notebook. De acordo com dados da FGV, eram 60 milhões de computadores em uso em 2011, e serão 100 milhões em 2012. O principal local de acesso à internet é a lan house [31%], seguido da própria casa [27%] e da casa de parente de amigos, com 25%. Ao todo, 87% dos brasileiros já estão conectados.

Os smartphones são a segunda fonte de leitura digital, seguidos por tablets e, por último, os e-readers. Essa diferença em relação a outros países está no custo. O preço dos computadores caiu bastante nos últimos três anos e muitas famílias puderam adquirir um. Entretanto, tablets e e-readers possuem preços assustadoramente altos e ficam fora de alcance de grande parte da população.

Já encontramos vários modelos de tablets por aqui. Além do popular iPad, empresas como Motorola, Samsung, RIM, ZTE e Asus oferecem seus aparelhos para venda. Empresas brasileiras também possuem aparelhos próprios, como o Positivo Ypy e o Multilaser Elite, mas alguns deles são produtos importados da China que apenas levam a marca brasileira.

Quando falamos de e-readers, a situação fica péssima. São apenas alguns modelos disponíveis, que perdem feio em qualidade para os melhores e mais baratos disponíveis nos Estados Unidos. São aproximadamente seis aparelhos de tinta eletrônica, e alguns são tão fracos que não merecem a compra. Além do Positivo Alfa, brasileiro, temos oficialmente dois modelos da iRiver, o Story e o Cover Story. Um dos primeiros a chegar ao mercado foi o Cool-ER, da falecida Interead, que é vendido até hoje por aqui. A Amazon estuda vender o Kindle diretamente no Brasil por R$199 [US$ 115] quando abrir sua loja no país, o primeiro aparelho que seria vendido a menos de US$200 por aqui.

Muitos impostos

O grande vilão dos preços são os impostos. No Brasil, a taxa de importação para aparelhos eletrônicos chega a até 60%. E, mesmo quando os aparelhos são fabricados no Brasil, como é o caso da Samsung – e, futuramente, da Apple –, impostos sobre componentes e outros itens acabam encarecendo demais os aparelhos. Temos no Brasil os preços mais altos do mundo em relação aos produtos da Apple, por exemplo. Enquanto o modelo mais simples do iPad custa US$ 499 nos Estados Unidos, o mesmo é vendido no Brasil por R$ 1.629 [cerca de US$ 943].

A situação dos e-readers é ainda pior. A baixa demanda e os altos impostos fazem com que um aparelho de leitura fabricado no Brasil – o Positivo Alfa – seja disponibilizado a R$ 799 [aproximadamente US$ 462], enquanto um Kindle – de qualidade superior – pode ser adquirido por US$ 79 nos Estados Unidos. Uma diferença gritante.

A Lei 12.507, de 11 de outubro de 2011, prevê a desoneração fiscal sobre a fabricação de tablets no país. Mais de uma dezena de empresas já está habilitada para utilizar o benefício, embora os efeitos reais sobre os preços ao consumidor ainda não tenham sido sentidos.

Em 2012

Neste ano, é esperado que bons ventos tragam crescimento no mercado tecnológico em geral. Mais tablets serão adquiridos e a possível entrada de empresas como Amazon, Google e Kobo no segmento de livros digitais promete esquentar bastante o mercado.

Por Stella Dauer | Publicado originalmente em Revolução Ebook

Stella Dauer é designer e eBook evangelist da Simplíssimo, além de editora doRevolução E-book. Stella é especialista em gadgets, trabalha com livros desde 2006 e pesquisa e divulga o livro digital desde 2009 | stella@simplissimo.com.br – @stelladauer

Samsung anuncia Galaxy Tab 2


Ao mesmo tempo, rumores sobre lançamento do iPad 3 aumentam

A Samsung apresentou ontem, 13, o Galaxy Tab 2 de 7 polegadas, que conta com sistema Android 4.0 e terá, da mesma forma que a versão anterior do aparelho, acesso a internet via 3G e Wi-Fi. O produto deve ser lançado em março nos Estados Unidos, segundoinformações do IDG Now, e deve ter serviços da empresa integrados, como o Music Hub, que disponibiliza uma biblioteca de 17 milhões de músicas, o Reading Hub, para a aquisição de e-books, e também o Video Hub, que permite o aluguel de filmes. Informações sobre preços e o lançamento do produto no Brasil não foram divulgadas, segundo o site. Ao mesmo tempo, aumentam os rumores de que a Apple prepara o lançamento do iPad 3 para março. Fotos do suposto novo dispositivo da companhia americana vêm sendo divulgadas na internet e a expectativa é que ele chegue às lojas com uma tela de resolução maior do que suas versões anteriores.

PublishNews | 14/02/2012

Ciência Moderna cria distribuição digital própria


Há dois anos, a Ciência Moderna decidiu criar uma ferramenta própria para distribuir seus e-books, ao invés de usar o serviço dos chamados agregadores que já operam no Brasil – como a Xeriph ou, recentemente inaugurada, a Acaiaca Digital. Na semana passada, a editora carioca especializada em livros técnicos e científicos colocou no ar esse sistema, que permitirá disponibilizar os cerca de 110 livros eletrônicos que possui em catálogo para qualquer livraria que tenha uma operação de comércio eletrônico.

Já fechamos acordo com quatro pequenas redes para a venda de nossos e-books, e a ideia é negociar com vários outros nos próximos meses, grandes e pequenos”, afirma George Meireles, gerente da Ciência Moderna. Segundo ele, há por parte da editora uma preocupação em mostrar para os livreiros menores, especialmente, que a venda de livros digitais não é nenhum bicho de sete cabeças. “Muitos nos ligavam insistentemente querendo saber se o negócio de e-books estava restrito às empresas que dispõem de tecnologia. Queremos desmistificar a operação digital e mostrar que ela é muito simples.” Para isso, a casa elaborou um manual com as instruções para que os e-commerces consigam oferecer seus títulos.

A Ciência Moderna começou a vender e-books em março do ano passado em seu próprio site. Meireles explica que é uma característica da empresa ter o controle direto sobre as várias etapas do negócio do livro, por isso o investimento em gráficas próprias e, agora, num agregador.

No Brasil, há outros exemplos de editoras que controlam diretamente a distribuição de seus livros digitais. A multinacional Leya é uma delas. A multinacional Leya é uma delas. Já Objetiva, Record, Sextante, Rocco, Planeta e L&PM fazem o mesmo por meio da distribuidora DLD, da qual são sócias.

Por Roberta Campassi | PublishNews | 14/02/2012

TOC começa em Nova York


Quem esteve na noite de abertura do evento, ontem, encontrou grandes nomes da literatura, como Ernest Hemingway, Emily Dickinson e até Sherlock Holmes

Começou hoje e vai até amanhã, em Nova York, o Tools of Change for Publishing [TOC], uma das mais importantes conferências para a discussão de novas tecnologias, oportunidades e modelos de negócios na indústria editorial. Com dezenas de apresentações e workshops, o evento atrai profissionais de diversos lugares do mundo e oferece várias possibilidades para a troca de experiências e ideias. As conversas nos corredores são, inclusive, muito estimuladas!

Várias apresentações podem ser acompanhadas ao vivo, por meio do site [até onde foi possível ver, a qualidade das transmissões é ótima]. Na página você também encontra a lista de tudo o que será transmitido nos dois dias do TOC.

Ontem, segunda-feira, o dia já havia sido preenchido por workshops. E o ponta pé da conferência foi dado à noite, quando a Biblioteca Pública de Nova Iorque abriu suas portas para receber os participantes do evento. Enquanto conversavam sobre as últimas novidades do mercado editorial digital, os convivas puderam tomar drinques com nomes como Emily Dickinson, Ernest Hemingway e F. Scott Fitzgerald. Além dos convidados, o hall de entrada da megabiblioteca foi ocupado por grandes personagens da literatura anglo-saxã, entre eles um convincente Sherlock Holmes. A literatura de qualidade, portanto, está presente no evento que busca discutir e descobrir o futuro do livro.

O TOC é organizado pela O’Reilly Media e tem apoio do PublishNews. Além de Nova York, Frankfurt e Bolonha recebem edições anuais da conferência. E este ano, pela primeira vez, o evento estreia na América do Sul. Ele acontecerá no dia 20 de abril em Buenos Aires, como parte da jornada profissional da feira de livros da capital argentina.

PublishNews | 14/02/2012

Novo projeto antipirataria conserta falhas do Sopa


Texto não prevê punição para quem reproduz material sem lucro nem escala

Apesar do aplauso de especialistas e de lados opostos do debate, proposta ainda não é vista como solução

Deputados e senadores americanos pedem a colaboração do público para editar uma nova lei contra a pirataria on-line, após o Sopa ser engavetado em meio a dúvidas sobre sua eficácia e seu efeito na liberdade na internet.

O Open [abreviatura de Lei para Proteger e Policiar o Comércio Digital On-Line, mas também “abertura”], apresentado em janeiro pelo deputado Darrell Issa e pelo senador Ron Wyden, ganhou elogios dos dois lados do debate sobre direitos autorais.

Desde terça, a proposta está no site www.keepthewebopen.com para edição do público antes do debate no Congresso, ainda sem data.

Apesar do aplauso [em contraste com o Sopa, Lei para Parar com a Pirataria On-line, em inglês], o Open não é visto como solução final.

Conserta, porém, as principais falhas e lacunas do antecessor, que permitiria punir quem dividisse arquivos com amigos e sites com links para endereços com pirataria [mesmo que desconhecessem seu conteúdo].

Acaba também com o processo sumário que tiraria do ar e cortaria o canal financeiro de qualquer site acusado de usar material pirata, imediatamente após a queixa.

Os alvos do projeto são muito mais bem definidos, e ele prevê um processo antes de tirar sites suspeitos do ar“, disse à FolhaDavid Weinberger, filósofo e autor de livros sobre a internet do Centro Berkman para Internet e Sociedade, em Harvard.

LOBBY DE GIGANTES

Um especialista apontou ambiguidades que podem levar a driblar a aplicação [da lei]. Mas ao menos o Open serve de base para algo“, escreveu no “New York Times” Bill Keller, ex-editor-executivo do jornal e hoje colunista.

Keller lamenta a falta de menção a mecanismos de busca e sites hospedeiros, que a seu ver deveriam evitar listar domínios piratas.

No Sopa, esses sites recebiam igual tratamento aos infratores em si. Mas sua eliminação total do texto resulta do lobby do Google e de outros gigantes da internet.

Já Weinberger afirma que, além de reformar a lei que policia a proteção dos direitos autorais, é preciso reformar a lei que define esses direitos. Ambas precedem o imediatismo da internet.

Seu colega Jonathan Zittrain, professor de direitos autorais de Harvard, elogiou em artigo o fato de o texto não expor qualquer um que reproduza material sem ser dono do copyright, mesmo que seja de própria lavra.

Mas questionou se a Comissão de Comércio Internacional, um órgão burocrático e esquecido, tem meios para fazer valer as regras e lamentou que não tenha sido feito um levantamento sobre o alcance da pirataria.

Weinberger concorda: “Qualquer lei está sujeita a abuso. Se vamos nos submeter ao risco, vale saber o tamanho real do problema“.

Longe do fim, o debate parece ao menos ter chegado a um consenso entre produtores de conteúdo, que se sentem roubados, e quem defende que a criatividade na rede depende de um modelo mais flexível, que não puna quem reproduza material sem lucro nem escala. Nisso, o Open é claro: põe “lucro” na base da definição de pirataria.

Por Luciana Coelho | DE WASHINGTON | Folha de S. Paulo | 13/02/2012

Guerra fiscal: procurador quer fim de isenção de ICMS a tablets em SP


Para o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, benefício fiscal do governo paulista a tablets configura guerra fiscal

BRASÍLIA – O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, concluiu que a isenção de ICMS para tablets em São Paulo pode gerar guerra fiscal e, portanto, deve ser suspensa. Ele enviou um parecer ao Supremo Tribunal Federal [STF] para suspender o benefício fiscal.

No parecer, Gurgel pede a concessão de medida cautelar na ação direta de inconstitucionalidade proposta pelo governo do Amazonas contra o Estado de São Paulo. Na ação, o governo amazonense afirma que o benefício de São Paulo está causando impactos prejudiciais aos demais Estados e ao Distrito Federal. De acordo com o processo, os tablets produzidos em São Paulo tiveram alíquota reduzida a zero, enquanto o mesmo produto fabricado na zona franca de Manaus estaria sendo taxado em 12% ao entrar em São Paulo.

Não é possível a edição de atos normativos que concedam benefícios fiscais relativos ao ICMS sem a prévia celebração de convênio no âmbito do Conselho Nacional de Política Fazendária [Confaz]”, afirmou Gurgel. Para ele, apesar de o ICMS ser um imposto estadual, as isenções só poderiam ser aprovadas por lei complementar aprovada no Congresso Nacional. “Trata-se de exigência que tem por objetivo evitar a pra´tica de guerra fiscal”, completou o procurador-geral.

A ação será julgada pelos ministros do STF. O relator do processo é o ministro Celso de Mello. Ainda não há data prevista para o julgamento.

Por Juliano Basile | Valor Econômico | 13/02/2012

Kindlean


POR EDNEI PROCÓPIO

Crie uma linda e-biblioteca Kindle

Anotem aí, a próxima revolução dos livros se dará com certeza na área dos metadados.

Como Coordenador Geral do Cadastro Nacional do Livro e integrandte do Grupo de Trabalho sobre Metadados do CERLALC [Centro Regional para o Livro na América Latina e Caribe], um organismo intergovernamental sob os auspícios da UNESCO, pretendo muito em breve publicar um artigo sobre o assunto, tanto aqui quanto no site do pessoal da Revolução eBook.

Até lá, é fácil observar a importância dos metadados com este novo software lançado pela Amazon.

Kindlean é um aplicativo para o seu Kindle. Roda no desktop e permite visualizar e gerenciar livros e coleções no Kindle.

Segundo o site oficial do software, quando o leitor inicia o Kindlean, o software verifica o seu Kindle, analisa os metadados dos livro e exibe uma bela biblioteca digital. O leitor pode selecionar entre layouts diferentes: exibição de tabela, adequados para o gerenciamento de livros, exibição de lista, adequados para a visualização de classificações e descrições de livros, vista ‘Polegar’, perfeito para a exibição de capas de livros.

O aplicativo Kindlean pode ajudar o leitor não apenas para adicionar e excluir livros do Kindle, mas também para editar os metadados do livro. Graças a integração do Google Imagens o leitor pode atualizar facilmente capas de livros a partir da Internet. O leitor também pode adicionar e editar títulos de livros, autores, editores e descrições. Assim, as listas de livros no Kindle será exibido e classificados corretamente.

Gerencie sua coleção com o Kindlean

Com o Kindlean o leitor pode criar coleções por qualquer parâmetro: autor, gênero, extensão de arquivo, editora, série, etc O leitor também pode facilmente mover e copiar livros entre coleções com arrastar e soltar do mouse. Estrutura de coleções serão sincronizados de volta para o Kindle, com isso os livros no Kindle vai ser bem organizado.

POR EDNEI PROCÓPIO

Aplicativo da Folha ganha ferramenta de leitura off-line


O assinante da Folha agora pode ler o aplicativo para tablets e celulares sem estar conectado à internet.

Basta acessar app.folha.com a partir do navegador de internet do aparelho e, quando solicitado, autorizar o aumento de espaço na memória dedicado ao aplicativo.

Os textos são baixados automaticamente. O processo é indicado no alto da tela, no canto direito. Completado o download, o leitor pode se desconectar e ler a edição.

Nesse aplicativo, o leitor encontra os textos da edição impressa do jornal e as principais atualizações do noticiário ao longo do dia.

O programa está preparado para vários dos principais tablets e smartphones disponíveis no mercado.

Se o assinante tiver um iPad e quiser baixar a réplica da edição impressa, ele pode utilizar um outro aplicativo, chamado Folha Tablet, que pode ser encontrado na loja da Apple. Quem baixou a versão anterior do aplicativo para iPad deve apagá-la e baixar o novo programa.

O usuário e a senha são os mesmos em todos os serviços digitais da Folha.

Em breve, a réplica da edição impressa estará disponível para leitura off-line também no aplicativo app.folha.com, que é baseado em tecnologia HTML5.

Folha.com | 12/02/2012 – 09h39

Kindle no Brasil por R$ 199


Amazon vai iniciar a venda do dispositivo de leitura assim que abrir sua loja no país; empresa estuda seriamente mercado de livros físicos

Da esquerda para a direita, os aparelhos Kindle Fire, Kindle Touch e Kindle, da Amazon

A Amazon tem como objetivo vender o modelo mais simples do Kindle no Brasil por R$ 199, assim que abrir sua loja virtual no país, podendo num segundo passo baixar o valor para R$ 149, de acordo com pessoas próximas às negociações que vêm sendo feitas com a varejista americana. A definição do preço, contudo, ainda depende de estudos sobre a distribuição do dispositivo de leitura no país.

Com o preço de R$ 199, a Amazon ofertaria o e-reader mais barato no mercado brasileiro – menos da metade do que um dispositivo compacto da Sony, que ainda é possível encontrar na internet por cerca de R$ 430, e bem abaixo dos R$ 799 que custa o Positivo Alfa, por exemplo, que é montado no Brasil. O preço também é menor do que o Kindle que o consumidor brasileiro consegue comprar pela loja on-line da Amazon nos Estados Unidos, onde a versão mais simples do aparelho desembarca aqui por no mínimo US$ 255 [R$ 438] – o preço inclui taxas de importação estimadas pela companhia.

A Amazon quer inaugurar sua loja virtual brasileira ainda no primeiro semestre deste ano. A varejista vem negociando com editoras brasileiras a venda de e-books. A expectativa é de que os primeiros acordos com grandes editoras em torno do livro eletrônico sejam fechados entre março e abril, para início da operação da Amazon entre junho e julho.

A companhia também se debruça sobre estudos aprofundados que está fazendo sobre a distribuição de livros físicos no Brasil, sinal de que poderá investir nesse mercado também. A grande questão em território nacional é estruturar um sistema de entrega de livros aos consumidores que esteja dentro dos padrões de prazo e custo da gigante ianque.

Por Roberta Campassi | PublishNews | 08/02/2012