As novidades da Apple


Companhia avança no mercado de didáticos e de autopublicação

A Apple anunciou novidades, ontem, para o mundo dos livros e da educação. A companhia americana lançou a segunda versão do aplicativo iBooks, que permite o uso de livros didáticos multimídia no iPad, de olho no aumento do uso de tablets para ensino.

A empresa também deu um passo importante para disputar o segmento autopublicação ao anunciar o iBooks Author, um app com o qual autores podem criar seus próprios e-books e colocá-los à venda na iBookstore, de forma independente.

Por fim, a Apple anunciou um novo iTunes U, que permite a educadores criar e distribuir cursos completos, com recursos de áudio e vídeo, entre outros.

O iBooks 2 foi anunciado em conjunto com uma primeira leva de e-books didáticos criados em parceria com Pearson, McGraw-Hill e Houghton Mifflin Harcourt, grandes grupos de publicações educacionais. A Apple disse que o aplicativo vai, em algum momento, incluir obras de todas as disciplinas para todos os níveis de ensino.

Os livros didáticos disponíveis para compra no iPad custarão US$ 14,99 ou menos, segundo a companhia, e oferecem diversos recursos, incluindo animação. Os estudantes também podem responder perguntas interativas sobre o conteúdo e usar o dedo para ressaltar parte dos textos.

Já o iBooks Author foi descrito como “a mais avançada, a mais poderosa e a mais divertida ferramenta para a autoria de e-books já criada”, de acordo com Phil Schiller, vice-presidente de marketing global da Apple.

O lançamento significa que a companhia passa a brigar de frente com serviços como o Kindle Direct Publishing, da Amazon, que permite que os autores publiquem seus e-books diretamente, sem o intermédio de uma editora. Segundo a Apple, o novo app permite criar um e-book atrativo, com diferentes recursos, a partir de um simples arquivo de Word. Embora o lançamento tenha sido associado ao segmento de obras educacionais, nada impede que seja usado por autores de qualquer tipo de livro.

Em entrevista ao site da The Bookseller, o agente literário Peter Cox observou que a Apple tornou mais fácil do que nunca produzir um “enhanced e-book”. “Eles [a Apple] eliminaram os obstáculos técnicos que existiam. Isso vai ter grandes implicações no crescente mercado de autopublicação – e não só nos livros didáticos.

Já a venda de livros educacionais no iPad por “14,99 ou menos” vai significar, para o agente, uma nova corrida por preços mais baixos, com impactos significativos para o mercado.

Para Gabriela Dias, gerente no Brasil de pesquisa e desenvolvimento de conteúdos digitais na Edições SM, grupo espanhol de publicações educacionais, os lançamentos da Apple abrem uma porta importante para a autopublicação, permitindo que mais autores e escolas que não usam sistemas de ensino desenvolvam e disponibilizem conteúdos próprios, a custos baixos. Por outro lado, o conteúdo serva apenas para o iPad, o que coloca a questão de quão relevante será a mudança proporcionada pela Apple. “Pelo menos no Brasil, o iPad alcança um público muito restrito, por ser muito caro. Ainda não há uma escola que faça uso massivo dele”, avalia.

Para Dias, as editoras brasileiras, que já vêm sendo pressionadas pelas escolas particulares e também pelo governo [veja a coluna escrita por ela no PublishNews], devem produzir conteúdo multiplataforma – podendo utilizar as ferramentas da Apple para produzir conteúdo para iPad, mas sem ficarem restritas a esse sistema. “A Apple sem dúvida está facilitando a produção de livros didáticos, mas ainda há barreiras para a inserção desse conteúdo na sala de aula”, diz.

Por Roberta Campassi | Publicado originalmente em PublishNews | 20/01/2012