Editoras brasileiras avançam nas negociações com Amazon


Ao contrário do que aconteceu no mercado americano, a gigante Amazon está cedendo na ‘queda de braço’ com as editoras brasileiras. Inicialmente, a varejista americana queria vender os livros digitais com um desconto de 70% sobre o preço de capa do livro impresso. Depois, baixou para 50% e, ainda assim, as casas editoriais não aceitaram a proposta. As editoras querem que o abatimento seja de 30%, segundo o Valor apurou.

Ainda de acordo com fontes da área editorial, a varejista americana inicia sua operação de venda de livros no Brasil até meados do próximo ano. A Agência Nacional de Telecomunicações [Anatel] já liberou duas versões do leitor Kindle para venda no Brasil. Nos Estados Unidos, os modelos homologados são vendidos por US$ 79 e US$ 149, respectivamente. Procurada, a Amazon não respondeu aos contatos do Valor.

A última reunião entre a companhia e as editoras aconteceu na semana passada. Nesse encontro, as brasileiras reivindicaram também que o preço dos livros continue sendo definido pelas editoras. Nos Estados Unidos, a Amazon é quem determina o valor. Porém, no mercado americano houve uma quebradeira de importantes livrarias, como a rede Borders, em parte por conta dos descontos praticados pela varejista on-line. “Tivemos uma discussão muito produtiva e, no momento, estamos aguardando o envio de contrato para examinarmos as condições. Mas já deixamos bem claro que não queremos guerra de preço“, diz Marcos Pereira, sócio da Sextante, destacando que não pode dar mais detalhes por conta de sigilo na negociação.

As casas editoriais brasileiras mostraram-se unidas com a entrada da Amazon no país. Seis grupos editoriais (LPM, Objetiva, Planeta, Record, Rocco e Sextante) criaram uma distribuidora que atuará como um acervo de títulos digitais. A nova empresa, batizada de DLD, terminará o ano com mil títulos. “A distribuidora é uma espécie de portal em que temos controle dos downloads. Seria um risco alto dar nosso acervo digital aos lojistas sem esse controle“, diz Sonia Jardim, vice-presidente da Record.

A Ediouro também tem atuado fortemente no mundo digital. No fim de 2009, a editora carioca criou uma nova empresa, chamada Singular, para digitalização de livros. Hoje, a Singular conta com um acervo digital de 150 títulos.

Um fator que tem dado poder às brasileiras é que a varejista americana ainda não atua no país. “Nos Estados Unidos, a Amazon já vendia livros em papel antes de começar a vender no on-line. Então, havia mais poder de barganha com as editoras locais. Aqui, é diferente porque a Amazon não existe e as nossas vendas continuam mesmo sem eles“, diz Mauro Palermo, diretor da Globo Livros.

A questão do direito autoral também está gerando debates. Com a redução do preço do livro no varejo on-line, o percentual a ser pago para o autor da obra sobe dos atuais 10% [papel] para 20% em livros digitais. O mercado brasileiro ainda é tímido. Há cerca de 6 mil títulos disponíveis para leitores digitais, segundo a Câmara Brasileira do Livro [CBL]. A Companhia das Letras, uma das maiores do mercado, por exemplo, vai encerrar o ano com 200 e-books, menos de 10% do catálogo.

Por Beth Koike | Valor Econômico | 15/12/2011

Um pensamento sobre “Editoras brasileiras avançam nas negociações com Amazon

  1. Só espero que isso não seja um tiro no pé das editoras e crie um cenário propício à pirataria no Brasil. Muitos livros não são nada atrativos ao público com um desconto de 30%. Mesmo porque a grande maioria dos livros acaba sendo vendido por valores inferiores ao do catálogo como encalhe nas livrarias e como livros de segunda mão nos sebos, sem falar no tradicional pedido de desconto que todo comprador faz. Eu mesmo faço várias buscas antes de comprar um ebook ou um livro novo. Um exemplo é “A Menina que Roubava Livros” que tem seu preço de catálogo em R$ 39,90, mas comprei em um encalhe ainda na embalagem plástica por R$ 15,00. A editora lançou o ebook na quinta-feira por R$ 24,90.

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