O Google está com a cabeça nas nuvens?


Por Ednei Procópio

Google Books é uma plataforma excelente, muito boa, mas ainda tomando forma.

Forma de uma nuvem, pois, dependendo do vento que nela bate, uma hora ela é uma coisa, outra hora é pode ser outra coisa.

Quanto mais as plataformas móveis, os tablets e o sistema Android em especial avançam, mais a gente percebe que o mercado de eBooks no Brasil é realmente uma nuvem. Literalmente uma gigantesca e tempestuosa nuvem.

Se não, vejamos. Todos nós sabemos que a nuvem é a união de partículas em suspensão que se apresenta de diversas formas e que pode variar em suas dimensões, números, distribuição espacial, etc. Aliás, conforme descrito na Wikipédia, a forma da nuvem aparecer lá no céu depende também dos ventos atmosféricos.

A forma e cor da nuvem depende da intensidade e da cor da luz que a nuvem recebe, bem como das posições relativas ocupadas pelo observador e da fonte de luz [sol, lua, raios] em relação à nuvem.

Entendeu?

Eu penso que, essencialmente, este é o verdadeiro problema do Google quando ele chega ao Brasil, de novo, dizendo as mesmas coisas sobre a sua solução para eBooks. Me parece que as editoras talvez ainda não tenham entendido a forma.

Agora, o Google nos trás o conceito da tal da nuvem, em sua solução para a circulação de eBooks, que não nasceu dentro da empresa e que portanto não faz dela uma pioneira na área.

Com a cabeça nas nuvens

O conceito da cloud computing começou lá atrás, com alguma coisa na área da telefonia. Se eu não estiver enganado, o termo foi criado na década de 1960 por um cientista da computação chamado John McCarthy [falecido recentemente]. Amazon, Apple, AT&T, HP, IBM, Microsoft e Yahoo são apenas alguns exemplos que me lembro, de cabeça, de empresas que entraram nesta onda de “tentar convencer o mercado a utilizar os meus serviços usando um termo da moda”.

Eu chamo isto de “vapoware”, ou seja, uma novidade tão efêmera que se desmancha com uma leve brisa, tal a sua força em comparação às tentativas de convencimentos anteriores.

O programa de parceiros do Google foi lançado em 2004. Portanto, já faz algum tempo que o Google vem tentando convencer o mercado editorial a utilizar a sua ferramenta como forma de comunicar livros.

Ou o mercado editorial brasileiro ainda não entendeu qual é a do Google [não é possível!] ou me parece que, depois de estar presente em mais de 100 países, com 40 mil editoras parceiras e com 2 milhões de títulos, o Google já deveria ter aprendido que, no Brasil, as coisas são bem diferentes. Cafezinho e tapinha nas costas não resolve a questão.

Às vezes brinco com meu filho de ver formas nas nuvens. Aí eu digo pra ele: “Olha, estou vendo um chapéu”. E ele me responde: “Não, ‘c’ tá maluco. Aquilo não é um chapéu, aquilo é uma jiboia engolindo um elefante. Então talvez o problema do Google seja este: pra uns o Google Books tem a forma de um chapéu, customizado dependendo do tamanho do seu catálogo, pra outros talvez seja uma jiboia engolindo um elefante.

“As jiboias engolem, sem mastigar, a presa inteira. Em seguida, não podem mover-se e dormem os seis meses da digestão.

Eu sou nuvem passageira

Aqui, no Brasil, a expressão “céu de brigadeiro” quer dizer um céu sem nuvens. E eu penso que isto de certo modo reflete nos números do Google no país: são apenas 200 editoras e 30 mil livros presentes na plataforma.

No Brasil, não é a primeira vez que o Google reúne o mercado para tentar vender o projeto Google Books e para tentar esclarecer as inúmeras dúvidas que norteiam não a plataforma, mas que norteiam a quase histórica descrença de um mercado cercado de vícios.

Hoje, quinta-feira, dia 8 de dezembro, na parte da manhã, o Google reuniu, mais uma vez, o mercado editorial brasileiro para [puts, como é que eu explico isto?] reapresentar a plataforma Google Books, agora em formato de nuvem.

Mas onde está a novidade? Usando uma frase que li hoje num newsletter, o que o Google disse aos livreiros e editores brasileiros?

Porra nenhuma. Sejamos francos, e não precisamos ‘fazer média’. Nada do que nós já não sabíamos.

Já não era óbvio que a ideia do Google era digitalizar os livros para, somente depois, lá na frente, bem lá no futuro, começar a comercializá-los? Então porque é que o Google já não disse isto lá atrás pra economizar o tempo de todo mundo?

Apesar de que, se não me falha a memória, o Google afirmou, categoriamente, que não, que não iria comercializar os livros eletrônicos, que a digitalização ia apenas ajudar na busca pelas obras impressas.

Parece-me que o conceito de nuvem se aplica bem aos negócios que ainda não estão bem, digamos, condensados, só para usar um termo da Física. Pois vejamos: a ideia original do Google Books era digitalizar o conteúdo offline de livros e, através das ótimas ferramentas do próprio Google, ajudar o usuário a encontrar um livro, em versão impressa, em uma estante em uma biblioteca ou livraria [físicas].

Só que vem um vento, soprando, que batizo de iCloud, e muda a direção das nuvens. Aí o Google muda de ideia também. E aí o Google passa a querer distribuir e comercializar o que já estava digitalizado.

Que com o vento se vai

Todos nós sabemos que a missão original do Google era “organizar as informações do mundo e torná-las mundialmente acessíveis e úteis”. Depois, o Google queria ser um indexador. O Google queria ser um buscador. Depois, o Google queria ser um digitalizador de coisas offline. Depois o Google queria ser uma biblioteca digital mundial, queria ser a única. E aí um distribuidor de eBooks comercializáveis. Depois uma plataforma para autores. E, por fim, bem, seria interessante se o Google fosse o seu próprio criador de conteúdos. Sugiro que o Google seja também o seu próprio consumidor e usuário. Já que ele agora pelo que me parece quer fazer de um tudo.

Mas do que eu estava falando mesmo? Ah, sim, do mercado editorial lá reunido, a cúpula, talvez a elite, digamos assim, reunida para que o Google pudesse mais uma vez tentar convencê-los de algo que nem o próprio Google em 2004, nem a Gato Sabido, nem a Xeriph, nem a Minha Biblioteca, nem a Nuvem de Livros, etc., etc., etc., conseguiu. E antes de todos eles a eBooksBrasil, a VirtualBooks, e muitos outros.

Os números

O Google nos diz, em uma das suas telas apresentadas no evento de hoje de manhã, que somos 80 milhões de internautas. Número que eu, mais uma vez, pela enésima vez, aliás, discordo em gênero, número e grau. Na minha percepção, o número é muito menor do que este. Mas tudo bem, eles são o Google, né?

Depois, o Google diz que as pessoas passam 28 horas por semana online. OK, perfeito, legal. Mas quanto deste tempo, as pessoas passam lendo livros?

Segundo a Anatel, nos números apresentados pelo Google, somos 232 milhões de celulares. De novo. OK, perfeito, legal. Mas quantos celulares são pós-pagos e quantos celulares são pré-pagos? E, mais do que isto, quantos têm a conta do tipo 3G? Afinal, para consumir livros digitais é preciso estar conectado. E quantos são smarts com telas pra leitura?

Alguns outros números apresentados, no entanto, foram muito interessantes.

A plataforma Google Books, integrada ao Android, já foi lançada no EUA, Canadá, Austrália, Inglaterra e países da Europa. No total, são mais de 7 mil editoras mantendo seus livros na plataforma.

Mais de 300 livreiros nos EUA e Reino Unido.

Mais de 600 varejistas nos EUA, Reino Unido, Canadá e Austrália.

Os números mostram 112 milhões de eBooks vendidos em 2010. O que soma $ 3,38 bilhões. E são 3,5 milhões de instalações do aplicativo do Google eBooks.

Mais do mesmo

Mas tirando os números acima citados, duvido que alguém ali tenha notado isto, a apresentação começou com algumas telas ensinando o que era o Google. O que demonstra o tom, um indício de com quem o Google achava que estava falando.

Aliás, eu achei sensacional esta parte inicial da apresentação porque eu já havia me esquecido como era o buscador do Google, de tanto usar o Bing.

Está bem, talvez eu não devesse escrever isto aqui, mas me parece que é sempre mais do mesmo, um blá, blá, blá sobre internet, redes sociais, compras online, um falatório sem fim, um viés de convencimento que simplesmente me pareceu desnecessário.

Ouvindo estas palestras sobre eBook me parece até que os profissionais do mercado ainda não se convenceram, ou realmente não estão preparados para o mundo digital. Então precisa de um café da manhã para, sei lá, dar um ultimato de quem não convence nem a si mesmo.

Raios e trovões

Uma coisa que o Google não conseguiu explicar direito, fora a questão dos percentuais das vendas para editores e livreiros, vamos dizer que talvez por causa do tempo curto, foi a questão da leitura offline dos eBooks ‘presos’ à nuvem. Me parece que a segurança do arquivo no caso da plataforma envolve um cash em pastas encripturadas. Algo que eu até já estava estudando para a nossa solução na Livrus.

Preciso ver isto mais de perto.

Mas mesmo com o bom crescimento do Android para smarts e tablets, o Google percebeu que existem outras plataformas de hardwares que ainda não utilizam o seu sistema. Com isto, o Google percebeu que haveria a necessidade de integração com outras plataformas. É o que aconteceu com o hardware iRiver Story HD, cuja integração foi necessária por conta desta leitura offline em e-readers. E aí, neste caso, a integração ficou perfeita, muito boa, bem diferente do casamento Adobe CS/Sony Reader.

Em resumo, para o a circulação de eBooks usando o conceito de nuvens, o desafio ainda é a segurança quando se quer ler a obra estando offline. E esta segurança é relativa quando se trata de conteúdo que veio lá da nuvem.

Enfim, creio que o que possam nascer desse cenário todo de nuvem pra cá, nuvem pra lá, sejam raios, relâmpagos e trovões.

Um raio, segundo a página digital do Sr. Jimmy Wales, “é um fenômeno em que para acontecer é preciso que existam cargas opostas entre nuvens”. É uma descarga elétrica que se produz pelo contato entre nuvens, pois “quando isso acontece, a atração é muito forte, então temos uma enorme descarga elétrica”. Disto isso, imaginemos, por exemplo, o que poderia acontecer com iniciativas como a  Nuvem de Livros quando se percebe que projetos como este concorrem diretamente com o Google eBooks?

Temos um mercado que se reúne várias vezes, sem rumo, como se um raio não caísse duas vezes num mesmo lugar.

Entro nessa?

Se vale à pena entrar no Google Books?

Mas é claro que sim. Vale muito à pena.

Ironias à parte, sei que exagero [ é que, às vezes, chega uma hora que é necessário], e levando em conta que o Google faz segredos sobre percentuais, mas assim que eu descobrir eu publico aqui, considero a plataforma do Google, de longe, a melhor de todas. Melhor que a plataforma da Apple. Melhor que a plataforma da Amazon. Não que as outras não sirvam, não é isto, mas levando em conta as nossas especificidades, sem sombra de dúvidas é uma das melhores opções para as editoras no Brasil.

Se o Google realmente trouxer, como prometeu, a plataforma Google eBooks integrada ao Android para 2012 creio que teremos finalmente uma solução inteligente para os nossos negócios.

É isto, testem a API do Google Preview. Que é maravilhoso. E, na boa, foi a única coisa bacana que eu gostei deles terem mostrado hoje.

Mas enfim

Eu saí da apresentação de hoje de manhã com a sensação de que o Google está querendo dizer o seguinte: “Venha para minha plataforma porque afinal eu sou o Google”. Então eu não deveria ter ido lá, eu teria ficado com aquela imagem sóbria que eu tinha do Google, de uma empresa com um motor de inovação sem igual, que não precisa convencer nenhuma empresa editorial brasileira do óbvio.

Mas já que eu fui, eu poderia agora mesmo acessar o buscador Google, que pretende um dia a tudo responder, e perguntar: Porque um usuário compraria um livro digital no Google eBooks se no Google Preview o acesso é gratuito?

Hoje, na apresentação, o Google citou uma música do Red Hot Chili Peppers, mas fico com a canção de Bob Dylan:

The answer, my friend, is blowin’ in the wind. The answer is blowin’ in the wind”.

Por Ednei Procópio

Digital Book World com desconto especial para assinantes do PublishNews


De hoje até 2 de janeiro, quem fizer a inscrição paga US$ 400 menos para participar do congresso sobre livros digitais

Acontece pela segunda vez em Nova York, entre os dias 23 e 25 de janeiro de 2012, o congresso Digital Book World. O evento sobre livros digitais que teve a sua primeira edição em janeiro deste ano (2011), tem como principal proposta ser um evento prático, com participação de muitos profissionais compartilhando as suas experiências e resultados. O DBW mantém atividades durante todo o ano atualizando os seus congressitas, através de newsletters, webcasts e alguns encontros presenciais, com os últimos acontecimentos, ideias e novidades do mundo do livro digital. Repetindo 2011, o PublishNews apoia agora o Digital Book World 2012 e oferece para os seus assinantes uma promoção. De hoje até 2 de janeiro de 2012, quem se inscrever aqui, usando o código promocional PUBSAVE, terá direito a US$ 400 de desconto no valor da inscrição. Atenção: o período do desconto não será prorrogado.

PublishNews | 08/12/2011

Livros ilustrados viram eBooks?


Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em Publishnews | 08/12/2011

Mike Shatzkin

Quero deixar claro desde o começo que este texto não tem a ver com “enhanced e-books”, ou seja, com fazer algo multimídia a partir de um livro que começou como sendo apenas texto. Esse problema sempre me deixou cético e acredito que muitos editores, se não a maioria, estão abandonando a ideia como “não comercialmente viável neste momento”. As ruminações de hoje são sobre a passagem dos livros ilustrados de impresso a digital, algo que muitos dos editores atuais sabem que é um problema “que precisa ser resolvido” já que os canais para levar os livros ilustrados aos consumidores – as livrarias – estão diminuindo em número e poder por causa da mudança digital.

A Amazon e a Barnes & Noble estão disputando qual tablet parecido com o iPad é melhor do que o outro. O Vox da Kobo está se juntando à festa, agora que a Kobo foi comprada pela japonesa Rakuten. Podemos ter certeza de que os tablets que podem distribuir livros ilustrados estarão em muitas mãos logo [somados às dezenas de milhões de iPads e muitos milhões de aparelhos Nook Color que já foram vendidos].

Isto apresenta aos editores de livros ilustrados uma oportunidade aparentemente enorme. Mas também apresenta alguns desafios igualmente gigantescos.

Muito trabalho está sendo feito para criar novos padrões chamados HTML5 e ePub 3 e permitir criações mais fiéis às intenções de um editor através de um web browser ou um e-book, diferente do que podemos fazer agora. Mas há dois grandes problemas que persistem independentemente da tecnologia.

Um: livros ilustrados são consideravelmente mais complexos e caros de produzir para aparelhos digitais do que livros somente de texto. [Mesmo se o HTML5 e o ePub 3 conseguirem realizar tudo que seus criadores quiserem e funcionarem com fluxos de XML, converter o catálogo vai custar muito mais por título do que livros só de texto.]

Dois: realmente não sabemos se os usuários de tablet ou dispositivos semelhantes vão preferir consumir livros ilustrados nesses aparelhos. [Eu diria que nós realmente sabemos que as pessoas querem ler e-books de texto em aparelhos; o que parece ser verdade, de acordo com minha experiência, hoje em dia, é que a maioria das pessoas que dizem que “preferem livros impressos” nem tentaram um e-reader ainda.]

Então, enquanto muitas editoras estão vendo a queda das vendas de livros impressos que são apenas texto, mais do que compensada pelas vendas dos e-books, não há nenhuma garantia de que o mesmo será verdade com livros ilustrados.

Os varejistas vendendo tablets e as editoras de livros ilustrados estão animados com as possibilidades. O desenvolvimento do HTML5 e seu primo próximo, o ePub 3, promete recursos e capacidades até agora só disponíveis em apps distribuídos como e-books. Isso é importante porque o mercado de apps possui duas grandes falhas: não permite muito bem a descoberta de livros e está carregada de produtos baratos. Muitas editoras chegaram à conclusão de que vender apps não é uma estratégia comercialmente viável..

Para ser justo, outros [como Callaway Digital Media] acham que as apps funcionam bem comercialmente [apesar de que eu acrescentaria que a Callaway faz principalmente conteúdo infantil, e isso é bem diferente] e há mais e mais ferramentas sendo criadas para fazer apps, cada vez mais baratas e econômicas do que antes. Mas eu ainda concordo com aqueles que duvidam.

Preparando-me para a Digital Book World, tive uma conversa com um editor que faz quase exclusivamente livros ilustrados. Ele confirmou o que acreditamos: ninguém sabe se o cliente vai comprar estes e-books. E depois apontou outro ponto complicado: o tamanho das telas.

A atual solução recomendada para livros ilustrados funcionarem nos aparelhos é “layout de página fixo”, ao contrário do “reflow”, que permite mudar o número de palavras na página para se adaptar ao tamanho da tela e da letra.

O tablet colorido dominante é o iPad, que possui uma tela de dez polegadas [estou falando da medida diagonal]. Mas os aparelhos parecidos possuem telas de sete polegadas. Isso diminui a área de visualização pela metade. E não há realmente nenhuma forma de apresentar uma página que combina texto e imagens e que funcione nos dois tamanhos de tela.

E eu nem mencionei o fato de que o iPhone possui uma tela de 3,5 polegadas. Imaginem a página fixa para um iPad de dez polegadas no iPhone!

Apesar de existirem ferramentas que fazem com que seja relativamente fácil e rápido para um designer ver o tamanho certo da tela e mudar as coisas um pouco, isso não resolve o problema, pois uma editora de livros ilustrados realmente teria de desenhar e fazer o layout de cada livro pelo menos duas vezes e possivelmente três vezes (para se adaptar às telas do iPhone também). Aí estariam os três arquivos diferentes, e não daria para movê-los por seus aparelhos e auto-sincronizar da forma como o Kindle, Nook, Kobo e Apple permitem que você faça com e-books só de texto. Você receberia os arquivos para os três tamanhos quando fizesse a compra?

Há uma forma de criar o livro para telas de tamanho diferente com o mesmo número de páginas, que seria usar mais área para a página do que caberia na tela verticalmente, e depois criar o “scroll down” para conseguir mais espaço. Mesmo assim seria necessário redesenhar cada página para o aparelho específico e, de toda forma, sou um leitor que descobriu que não gosta de e-books que exigem girar e dar “scroll”.

Um conhecido executivo de e-books, me disse que havia uns mil e-books ilustrados disponíveis até um ou dois meses atrás, mas que as empresas de conversão na Índia recentemente começaram a trabalhar cada vez mais para preparar arquivos para os vários tablets e aparelhos que estão chegando ao mercado. Agora, estão fazendo aproximadamente mil e-books ilustrados por semana. Até o fim do ano, poderíamos ter 10 mil e-books ilustrados para escolher entre as muitas plataformas.

Esse ainda é um número desprezível, comparado ao mais de milhão e-books de texto, mas o repentino aumento tanto de títulos dos ilustrados disponíveis quanto de telas para lê-los deve, alguém assume, gerar um verdadeiro aumento nas vendas. Talvez possamos começar descobrindo o que funciona e o que não funciona.

Com a diminuição do espaço nas prateleiras das livrarias, cresce a urgência para resolver este problema. As vendas de livros ilustrados estão crescendo nas livrarias, o que é um bom sinal enquanto isso durar. Mas eu ficaria preocupado de que mesmo as vendas dos livros ilustrados sofrerão, já que cada vez mais os consumidores de livros de texto encontram o que querem sem visitar uma livraria. E uma livraria fechada não vende nenhum livro ilustrado.

Acho que a conversão de livros “how to” [como fazer] para o digital será uma experiência muito frustrante. O e-book não terá a mesma qualidade do impresso, a menos que o mesmo cuidado seja exercido na otimização do conteúdo para cada tela digital diferente, como é feito na criação de um livro. E há tantas coisas que o e-book poderia fazer com vídeo, áudio, animação e interatividade, coisas que fariam sentido na maioria dos casos, que “converter” um livro vai acabar deixando muitas oportunidades passarem.

Mas as editoras precisam tentar. Com milhões de aparelhos nas mãos dos consumidores, alguns ebooks ilustrados vão vender números impressionantes. Vimos o que aconteceu com The elements quando o iPad saiu [mesmo que não tenhamos visto nenhum sucesso comparável com qualquer outro app de conteúdo desde então].

Criar uma experiência digital interativa estilo livro tem sido o objetivo de milhares de horas e de pessoas com muito conhecimento nas últimas duas décadas, desde antes da era do CD-Rom. Ninguém ainda conseguiu acertar, o que quer dizer que ninguém encontrou a fórmula que vai satisfazer de forma repetida os consumidores para que as editoras possam colocar no mercado de conteúdo digital algo que se aproxime da confiança que o consumidor tem nos livros de texto. Como indústria, estamos a ponto de colocar mais tempo e dinheiro na resolução deste problema. Talvez consigamos encontrar uma resposta. Ou talvez não exista uma.

Tradução: Marcelo Barbão

Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em Publishnews | 08/12/2011

Mike Shatzkin tem mais de 40 anos de experiência no mercado editorial. É fundador e diretor-presidente da consultoria editorial The Idea Logical Co., com sede em Nova York, e acompanha e analisa diariamente os desafios e as oportunidades da indústria editorial nesta nova realidade digital. Oraganiza anualmente a Digital Book World, uma conferência em Nova York sobre o futuro digital do livro.

Nos Arquivos de Shatzkin, o consultor novaiorquino aborda os desafios e oportunidades apresentados pela nova era digital. O texto de sua coluna é publicado originalmente em seu blog, The Shatzkin Files [www.idealog.com/blog].

O que o Google disse aos livreiros e editores


Em apresentação oficial, empresa chamou atenção para o mercado de e-books, divulgou serviços e abriu as portas para negociações – mas não deu detalhes sobre modelo de negócios

Já faz algum tempo que o Google vem conversando com editores e livreiros brasileiros, mas hoje de manhã a empresa marcou sua presença oficialmente, ao reunir, em São Paulo, potenciais parceiros para apresentar suas ferramentas e loja digital voltadas ao mercado de livros. Num momento em que gigantes como a Amazon e a Apple têm interesse declarado pelo Brasil, o Google acelera a busca por editores e varejistas para conseguir colocar seu modelo de negócios em pé no país.

Num evento que reuniu cerca de 150 pessoas, o Google apresentou seus serviços em linhas gerais e respondeu perguntas dos participantes. Mas manteve-se calado, pelo menos publicamente, sobre os detalhes do modelo de negócios e de remuneração. “Todas essas informações serão discutidas individualmente, caso a caso” repetiu algumas vezes Newton Neto, responsável no Brasil por desenvolver as parcerias no mercado de livros. Já se sabe, porém, que o padrão usado pelo Google nos Estados Unidos determina que ele retenha 65% do valor das transações quando atua como distribuidor, e depois divida essa fatia com os varejistas, em proporções que não foram mencionadas.

Em resumo, o Google apresentou suas principais ferramentas e citou vários números para convencer os participantes de que o crescimento do mercado de e-books é um caminho sem volta. De acordo com Tom Turvey, diretor de parcerias estratégicas para serviços de busca do Google, as receitas de editoras americanas com livros digitais, que eram de apenas 0,5% e 6,2% em 2010, já chegam a 23% em 2011. “A migração é inevitável. Vocês podem lutar contra ou investir para fazer parte. É o que falamos no Google: você pode ficar na frente do ônibus ou dentro dele.

Uma das ferramentas apresentadas, já mais conhecida por editoras e livreiros, é o Google Preview, onde as editoras parceiras disponibilizam trechos digitalizados de seus livros. Por meio dessa ferramenta, os livros passam a fazer parte dos resultados da busca tradicional do Google [sem que as editoras tenham que pagar por isso] além de poderem ser visualizados no site de varejistas e também no Google Books.

O Google Books é um serviço de busca para livros, em que o internauta digita um termo e encontra as obras que têm ligação relevante com a palavra. A ferramenta permite a compra do exemplar do livro físico redirecionando o usuário para o site de um varejista parceiro. No mundo, o serviço está disponível em cem países e tem 40 mil editoras participantes com dois milhões de livros cadastrados. No Brasil, são 200 editoras e 30 mil livros no total.

Mas o Google Books também passará a incluir e-books, e esse é o grande interesse da companhia e de onde virá a maior parte de suas receitas no negócio de livros. A aba “e-books” ainda não está disponível no Brasil, mas à medida que as parcerias forem fechadas ela será criada.

No esquema do Google eBooks, as editoras deverão entregar os arquivos dos seus livros digitalizados – em PDF ou ePub – ou então entregarão os livros físicos ao Google, que vai digitalizá-los gratuitamente “de forma mais rápida e com mais qualidade do que qualquer outra empresa”, afirma Chris Palma, responsável pelo desenvolvimento de parceiros estratégicos do Google. Os livros digitalizados ficarão na nuvem do Google, ou seja, não haverá “download” de arquivos, e sim acesso a eles.

Uma vantagem? A editora pode passar a ter seu acervo digitalizado sem custo nenhum. Uma desvantagem? O arquivo digitalizado não é entregue à editora e fica exclusivamente na nuvem do Google.

É a editora quem decidirá, ao se juntar à empresa americana, em quais territórios os e-books podem ser vendidos, os aparelhos em que podem ser acessados e quanto do livro pode ser “copiado e colado” ou impresso.

O Google não terá apenas editoras como parcerias, mas também livrarias, que poderão passar a utilizar a ferramenta do Google para fazer a venda de e-books. Vale para os varejistas que ainda não têm uma plataforma de venda do produto, e também para quem já tem. “Uma das vantagens da plataforma do Google é que ela tem recursos tecnológicos que a nossa ainda não oferece”, afirmou Mauro Widman, responsável pela área de e-books da Livraria Cultura, ao PublishNews.

No mundo, o Google tem 600 livrarias parcerias, praticamente todas independentes. “Mas não vemos isso acontecendo no Brasil. Gostaríamos de trabalhar com os líderes de mercado aqui, funcionando como distribuidores para eles”, afirmou Neto.

Um dos itens que o Google oferece é a sincronização de leitura dos títulos comprados em diferentes dispositivos – seja tablet, smartphone, e-reader, PC etc. Por outro lado, uma das desvantagens para a livraria, segundo Widman, é que a proposta do Google prevê que a compra seja finalizada em seu ambiente. Para simplificar, o carrinho de comprar não é da livraria, e sim do Google, o que reduz o controle que a varejista tem sobre o que o cliente está comprando. É algo a ser observado na medida em que o Google avança nas conversas aqui no Brasil.

O Google também pretende lançar a sua Google Store no país, acessível pela web ou por aplicativos, que funcionam no sistema operacional Android e outros, inclusive o iOS da Apple.

Segundo Newton Neto, a loja no Brasil será lançada ainda em 2012 – já há lojas em funcionamento nos EUA, Canadá, Austrália, Inglaterra.

Quanto o Google vai ganhar com tudo isso? Vários participantes fizeram a pergunta e a resposta repetida foi que serão feitas negociações individuais – e elas começam já. Mas, segundo Chris Palma, em declaração ao PublishNews, o Google tem um padrão estabelecido nos Estados Unidos: fica com 65% do valor quando atua como uma distribuidora [e depois divide essa porção com a varejista parceira] e com 55% quando atua diretamente como varejista.

Por Roberta Campassi | PublishNews | 08/12/2011

Livraria serve de apoio a venda de livros on-line


Pesquisa confirma que, como livreiros suspeitavam, cliente examina obra desejada na loja física e adquire na rede

Setor também precisa se preocupar com crescente leitura eletrônica, e as editoras devem ajudar lojistas, diz especialista

Proprietários de livrarias nos Estados Unidos havia muito tinham a suspeita de que os clientes de suas lojas que digitam em seus celulares enquanto visitam as estantes, e saem sem efetuar nenhuma compra, na verdade planejam adquirir mais tarde os livros que já viram on-line.

E provavelmente farão isso no site Amazon.com, o grande rival das livrarias, que oferece livros com pesados descontos.

Agora, eis que uma pesquisa confirma que essa prática, que os livreiros descrevem como “teste de loja”, não é fruto de sua imaginação.

De acordo com a estudo, conduzido em grupo pelo Codex Group, uma empresa de pesquisa e consultoria sobre o mercado editorial, 24% das pessoas que disseram ter comprado livros no varejo on-line nos 30 dias anteriores ao levantamento disseram também ter visto o livro primeiro em uma loja física.

A pesquisa também informa que 39% dos respondentes que adquiriram livros da Amazon no período disseram ter primeiro olhado o título em uma loja física, antes de comprá-lo on-line.

Na interpretação dos livreiros frustrados, a prática permite que os compradores tirem vantagem da seleção cuidadosa de livros, das recomendações dos funcionários e da atmosfera calorosa da livraria enquanto gastam seu dinheiro em outro lugar.

Valerie Koehler, proprietária da Blue Willow Bookshop, em Houston, relata que apenas ocasionalmente vê consumidores aparentemente digitando títulos em seus celulares, em lugar de comprar livros na sua loja.

Mas ela também suspeita que o tamanho pequeno de sua loja ajude quanto a isso, porque o ambiente gera uma intimidade que desencoraja esse tipo de comportamento.

Não temos muito anonimato por aqui”, diz Koehler. “Creio que a maioria das pessoas venha porque deseja mesmo comprar algo aqui.

Mas Peter Hildick-Smith, presidente do Codex Group, diz que as editoras e as livrarias deveriam se preocupar com a prática, especialmente se for levado em conta o número crescente de leitores eletrônicos em circulação.

É uma preocupação real“, diz Hildick-Smith. “As duas forças combinadas vão colocar pressão ainda maior sobre as vendas das livrarias no ano que vem, a menos que as editoras façam mais para ajudar os livreiros, como os estúdios de cinema fazem, historicamente, para ajudar os exibidores.

POR JULIE BOSMAN | DO “NEW YORK TIMES” | Tradução de PAULO MIGLIACCI | Publicado em português em Folha de S.Paulo | 8/12/2011

Livro digital ganhará Ficha Catalográfica na CBL


Considerado o mais confiável Centro de Catalogação do mercado editorial, a Câmara Brasileira do Livro oferecerá também a catalogação para livros no formato digital [eBooks]. Para esta nova e crescente realidade que desponta no ramo de livros, a necessidade de implantação desse novo serviço vem agregar mais valor a missão da CBL em oferecer a melhor e mais completa catalogação do mercado. Para solicitar o novo serviço de catalogação para livros digitais, a editora deve acessar o site http://www.cbl.org.br, na opção Ficha Catalográfica.

O serviço estará disponível a partir de janeiro de 2012.

CBL Informa