EUA vão investigar venda de eBooks


Assim como Europa, Departamento de Justiça dos EUA também vai investigar se Apple ajudou a elevar o preços dos livros digitais

WASHINGTON – O Departamento de Justiça dos EUA também está investigando possíveis práticas anticompetitivas envolvendo a venda de livros em formato digital [e-books].

Uma porta-voz do departamento disse que Sharis Pozen, diretora interina da divisão antitruste, confirmou a investigação em uma audiência em uma subcomissão do Comitê de Justiça da Câmara dos Deputados dos EUA.

Pozen disse que o departamento está trabalhando com a União Europeia e procuradores nos Estados Unidos.

A agência antitruste da União Europeia disse, na terça-feira, 6, que está investigação se a Apple ajudou as cinco maiores grupos editoriais a aumentar os preços dos livros digitais ilegalmente ao lançar o iPad e a loja de e-books da Apple iBookstore em 2010.

A Apple adotou um modelo em que as editoras ficariam livres para definir os preços dos livros, ao contrário do modelo do Kindle, da Amazon, cujo preço era definido pela livraria. Depois do lançamento do iPad, a Amazon mudou o seu modelo de negócios e adotou o mesmo da Apple.

Estadão | 7 de dezembro de 2011, 17h50

eBook é assunto de editor


Por Cindy Leopoldo | Publicado originalmente em Publishnews | 07/12/2011

É comum dizer que as editoras não sabem o que fazer com os e-books, que todos têm perguntas e ninguém tem as respostas. Mas, sinceramente, não é bem assim que eu vejo as coisas.

Acho que o que acontece é que as editoras não estão acostumadas a um mercado dinâmico, sem processos pré-definidos, e estão inseguras por não terem um padrão “certo” a seguir e, sim, vários [mesmo que quase todas sigam um só padrão…]. No geral, a produção de, por exemplo, um livro impresso de não ficção de autor estrangeiro segue uma receita de bolo:

– Editorial:

Tradução
Copi
Diagramação
Revisões
Indexação

– Produção gráfica:

14 x 21cm ou 16 x 23cm
Papel offset ou offwhite
Cadernos de 16 ou 32 páginas
Cores de miolo: 1/1
Cores para capa: 4/0
Acabamento de capa: Laminação fosca com verniz

O e-book destrói essa “regra” e oferece diversas possibilidades. Muitas editoras ainda estão no processo de migração de seu catálogo para o digital. Nesses casos, todo o processo editorial já está feito e só resta a produção gráfica. Mas esse “só resta” significa:

– Formato: Qualquer um, de forma que se adapte a qualquer tela de leitor.

– Papel: seu nome digital é “background” e pode ter qualquer cor, qualquer imagem.

– Não há número de página absoluto, ele muda de acordo com as alterações no tipo e no tamanho das fontes, na margem, no gadget usado na leitura. E, numa tacada só, acaba com as noções de sumário e índice remissivo, que se transformam, respectivamente, nos eficazes links e ferramenta de busca.

– Não há limites para cores, e, quando há, o limite é imposto pelo leitor digital, que pode ser preto e branco ou colorido. Além disso, pode haver inserção de som, vídeo, links [apesar de o Bluefire detestavelmente não abrir links externos]. O limite é o tempo, a competência técnica de quem está fazendo a conversão, a criatividade e/ou o peso do arquivo.

– Estou pensando no acabamento e o que me vem é “vídeo”. A capa pode ser um vídeo, um gif, slides etc.

Com esse mundo de possibilidades, tivemos que voltar ao básico para manter o foco: o leitor quer ler. E daí foi criada uma nova “receita de bolo”: o e-book deve ser igual ao impresso. Há editoras mais ou menos flexíveis em relação a isso, mas na verdade o que quase todo mundo tem feito é simplesmente imitar ao máximo a aparência do impresso. Então, tecnicamente, não há grande surpresa em boa parte dos e-books atuais. E, mesmo saindo da questão técnica, temos poucas surpresas: os contratos de aquisição, os contratos de distribuição e o processo de compra, por exemplo, seguem receitas de bolo.

Qual seria então a tal dúvida que o e-book traz? Se ele no futuro vai suplantar o livro impresso? Qual vai ser o sistema operacional dominante? Qual gadget vai ser o padrão? Qual aplicativo vai ser o padrão? Qual vai ser a empresa de venda de e-books mais lucrativa? Na verdade, para a produção de e-books, isso faz muito pouca diferença agora. Nesta fase de migração com base em receita de bolo, só o que nós podermos fazer é gerar ePubs que mantenham a identidade do impresso [dentro das limitações do formato, como, por exemplo, certas fontes, em especial com serifa], mas tentando sempre aproveitar as possibilidades que o digital oferece.

Revisão técnica: Antonio Hermida [Simplíssimo]

Por Cindy Leopoldo | Publicado originalmente em Publishnews | 07/12/2011

Cindy Leopoldo é graduada em Letras pela Universidade Federal do Rio de Janeiro [UFRJ] e pós-graduada em Gerenciamento de Projetos pela Universidade Federal Fluminense [UFF]. Trabalha em departamentos editoriais há 7 anos. Escreve quinzenalmente para o PublishNews, sempre às terças-feiras.

A coluna Making of trata do mundo que existe do lado de dentro das editoras. Mais especificamente, dentro de seus departamentos editoriais.

UE investiga Apple e editoras em suposto cartel de eBooks


Empresas são acusadas de conspirar para limitar a concorrência no mercado de livros digitais

BRUXELAS – O órgão regulador antitruste da União Europeia está investigando se a Apple e cinco grandes editoras estão conspirando para limitar a concorrência no mercado de livros digitais. A Apple é acusada de, ilegalmente, ter ajudado as editoras a elevar os preços dos e-books quando lançou seu tablet iPad e a loja iBookstore, em 2010.

A Apple foi a primeira grande varejista a fechar com as editoras contratos sob o chamado modelo de agência, pelo qual os editores determinam o preço dos e-books vendidos nas lojas virtuais. É diferente do que fazia a Amazon, que preferia ela própria determinar o preço final dos títulos que vende, modelo conhecido como de distribuição. A questão é que a Amazon, pelo seu tamanho, exigia grandes descontos das editoras para poder cobrar pouco dos leitores e se manter competitiva. E e isso desagradava há tempos os executivos da indústria do livro, que acabavam lucrando menos com o negócio.

Mas a chegada da Steve Jobs a esse mercado mostrou às editoras que havia um jeito de elevar suas margens. Desde que o iPad foi lançado e elas firmaram o acordo com a Apple, diversos outros varejistas on-line se viram obrigados a adotar o modelo de agência para assegurar o direito de vender os grandes lançamentos, inclusive a Amazon. Não é à toa que o preço dos e-books de best sellers das editoras envolvidas subiram, na Amazon, do agressivo patamar dos US$ 9,99 para até US$ 17 em alguns casos.

As editoras investigadas pela Comissão Europeia são a francesa Hachette Livre; a Harper Collins, que pertence à News Corp do magnata Rupert Murdoch; a Simon & Schuster, do grupo CBS; a Penguin, que integra o grupo editorial britânico Pearson; e a alemã Verlagsgruppe Georg von Holtzbrinck.

A comissão enfatizou que a investigação está em estágio inicial e que ainda não é possível afirmar que as empresas realmente violaram as leis europeias da livre concorrência. A iniciativa da União Europeia surge após uma investigação similar realizada pelo órgão britânico que regula questões de competição e uma ação coletiva movida no meio deste ano contra a Apple e as mesmas cinco editoras em um tribunal da Califórnia.

Os advogados que entraram com o processo coletivo nos Estados Unidos, da firma Hagens Berman, argumentaram nos autos que o movimento de elevação dos preços foi mesmo orquestrado pela Apple com o objetivo de destruir a Amazon.

“Quando entrou no mercado de e-books com o iPad, a Apple acreditava que era preciso neutralizar o Kindle, pois temia que o aparelho da Amazon pudesse um dia desafiar o iPad na distribuição de outros tipos de conteúdo, como música e filmes”, disseram os advogados, antes mesmo de a Amazon revelar o Kindle Fire, tablet cujo objetivo, segundo analistas, é combater o iPad com preço arrasador e um sistema exclusivamente voltado para consumo de conteúdo.

A agência britânica suspendeu sua investigação, já que a Comissão Europeia assumiu o caso, mas os dois órgãos estão trabalhando juntos.

A Apple não quis comentar a investigação. O grupo Pearson disse que o fato de a Comissão Europeia abrir um inquérito não prejudica seu desempenho.

A Pearson não acredita que tenha violado qualquer lei e continuará cooperando plena e abertamente com a Comissão“, disse a companhia em um comunicado.

A alemã Holtzbrinck também afirmou que a investigação não tinha fundamentos. A HarperCollins e Simon & Schuster informaram que estão cooperando com o órgão regulador. A Hachette Livre não quis se pronunciar.

O Globo | 07/12/2011 | © 1996 – 2011. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A.

E-book sobre 200 anos da BN disponível para download grátis


Já está disponível para download na página da Biblioteca Nacional Digital na internet o livro que marca as comemorações dos 200 anos da Biblioteca Nacional. A obra Biblioteca Nacional 200 anos: uma defesa do infinito cataloga as cerca de 200 peças que integraram a exposição, que abriu os festejos, iniciados no ano passado e que se encerrarão no próximo 29 de outubro [quando a Biblioteca Nacional completará 201 anos]. O texto de abertura é assinado pelo acadêmico Marco Lucchesi, curador da mostra.

Ascom FBN | 07/10/2011

Aplicativo de livro eletrônico da Apple permite ler livros no escuro


A Apple atualizou seu aplicativo que dá acesso a livros eletrônicos com funções como a que facilita a leitura no escuro e a que acrescenta um novo design da área de anotações, informou a companhia nesta quarta-feira.

Com novas fontes como Athelas, Charter, Iowan e Seravek e a possibilidade de visualização da tela cheia, que permite que o leitor se concentre no texto sem distrações, a versão 1.5 do iBooks melhora a estabilidade e o rendimento do programa, destaca a Apple em uma nota.

A área de anotações incorpora uma novidade bastante útil, já que permite selecionar uma cor para ressaltar certos fragmentos do texto.

O aplicativo iBooks para iPad, iPhone e iPod Touch recria uma biblioteca virtual que permite ao usuário colocar sua coleção de livros eletrônicos em uma estante, virar as páginas dos exemplares deslizando o dedo e acrescentar notas à medida que avança na leitura.

EFE | 07/12/2011