Os donos do fogo


A biblioteca de empréstimos do Kindle incomodou o mercado ao relativizar a propriedade do e-book

Para o lançamento de seu mais recente tablet, o Fire, a Amazon encontrou um inesperado porta-voz na figura de Voltaire. Um anúncio de televisão, que resumia seiscentos anos de evolução do processo de publicação de forma a culminar com o Kindle Fire, foi embalado pela seguinte frase do escritor francês: “A instrução que encontramos nos livros é como o fogo [“Fire”]. Nós o buscamos nos vizinhos, o atiçamos [“Kindle”] em casa, o comunicamos com os outros, e ele torna-se propriedade de todos.

É talvez com propósito, ou com ironia, que a Amazon tenha escolhido uma citação que prega que os livros são “propriedade de todos”. Afinal, desde que o livro se tornou uma mercadoria física e estocável [mais ou menos no período de Voltaire], sabe-se que a “propriedade” de um livro divide-se entre quem o escreveu [propriedade intelectual, que seja], quem o comprou na livraria e, principalmente, quem o produziu, o detentor do copyright, a editora.

O lançamento da biblioteca de empréstimo do Kindle [Kindle Lending Library] conseguiu incomodar a todos os envolvidos — autores, agentes, editores, livrarias — ao relativizar a propriedade do livro eletrônico. Em resumo, é um sistema de assinatura, em que o leitor paga U$ 79 por ano e tem direito de baixar um livro por mês. Quando tiver lido, [ou desistir da leitura], o assinante pode baixar outro livro, e o anterior será apagado de seu Kindle. Os livros ficam brevemente em posse do leitor [no Kindle] — mas não são sua propriedade.

Um dos argumentos a favor da empreitada é a comparação com a bem-sucedida Netflix, empresa de assinatura de filmes que funciona nos mesmos moldes. Há de se considerar, porém, que o hábito de comprar filmes é bem recente. Começou com as fitas VHS nos anos 1980, passou para o DVD, e sempre conviveu com as locadoras. Já os leitores têm o peso da tradição de seis séculos de livros comprados e enfileirados nas estantes.

Assim, o que foi de fácil acepção pelo cinéfilo pode ser um choque para o leitor. A Amazon tenta anular ceticismos ao dizer que pagará às editoras, por livro “emprestado”, exatamente o que paga por livro vendido. Em resumo, ela “comprará” o livro da editora a cada vez que ele for “emprestado”. Na ponta do lápis, isso faz sentido, uma vez que uma assinatura anual de U$ 79 representa, no máximo, a venda de 12 livros ao custo unitário de U$ 6,58, o que, por sua vez, no modelo de distribuição com margem de 35%, significa preços de capa em torno de U$ 10 — não muito longe do patamar atual.

Mesmo com essa conta, as editoras continuam desconfiadas. Das grandes, somente a Houghton Mifflin Harcourt aceitou participar, porém “com oito títulos, para fazer um teste”. As Big Six, ainda ressabiadas com a pressão para abandonar o sistema de agenciamento, não querem nem ouvir falar em empréstimos.

Mais enfáticos são os agentes e escritores, que acusam a Amazon de “emprestar” livros sem a devida autorização, já que a prática não está prevista nos contratos com as editoras. A Guilda de Autores[organização de escritores] e a Associação dos Representantes de Autores [que reúne os agentes] querem que seja acordado, antes de tudo, um novo mecanismo de royalties — ou que sejam eles a negociar com a Amazon, não as editoras. [A fórmula de pagamento de direitos autorais também é uma questão a ser resolvida no projeto Nuvem de Livros, da Gol editora, como se viu em recente debate na Primavera dos Livros].

Negociação direta com os autores talvez seja exatamente o que quer a gigante de Jeff Bezos. Afinal, boa parte do que está disponível para empréstimo foi autopublicado, através das plataformas da Amazon para o escritor individual, Kindle Direct Publishing e Create Space. Outra parte veio dos selos próprios da Amazon, onde o acordo entre escritores foi fechado sem a intermediação de editoras tradicionais.

A estratégia de atrair o autor individual, no entanto, foi o que suscitou a reação mais colérica. E não foi entre as editoras tradicionais, mas entre plataformas de publicação, como a SmashWords. Tudo porque a Amazon acaba de lançar o KDP Select, um fundo de pelo menos U$ 6 milhões de dólares anuais para distribuir entre os autores que publicarem diretamente [leia-se: sem editoras ou agentes] na Amazon e liberarem seus livros na Lending Library. Pela regra, o bolo vai ser dividido entre os escritores na proporção que seus livros obtiverem no número total de empréstimos.

Considerando que, no momento, há cerca de cinco mil títulos, cada autor começa, potencialmente, com um quinhão de U$ 1.200. Segundo o próprio exemplo da Amazon, quem mantiver ao longo do ano meros 1,5% do número de empréstimos levará respeitáveis U$ 90 mil.

Mark Coker, em artigo inflamado no Huffington Post, alerta para graves riscos na iniciativa do KDP Select, e faz insinuações sombrias sobre as reais intenções da Amazon.

Aqui está a pegadinha. Na verdade, há muitos ardis no lista de Termos e Condições do programa. Alguns deles trazem implicações anticoncorrência e práticas anticomerciais. Assim que o autor inscreve seus livros no programa, ele não pode distribuir ou vender seu livro em qualquer outro lugar. Nem na Apple iBookstore, nem na Barnes & Noble, nem na Smashwords, nem na Kobo, nem na Sony — e sequer em seu blog ou site pessoal. O livro tem que ser 100% exclusivo da Amazon.

Segundo Coker, a intenção da Amazon é, em última análise, reduzir todos os papéis da indústria editorial para apenas três: os autores, os leitores e, entre eles, a Amazon. Nada de livrarias concorrentes, nada de editoras ou agentes, nada de sites de autopublicação. É o fim daquilo que ele chama de editoras e livrarias indie [independentes]. Dramático, o criador do Smashwords alerta que podemos estar nos encaminhando para uma versão editorial da Grande Fome da Irlanda, que, no século 19, matou um quarto da população morreu desnutrida depois que o país inteiro apostou em uma única fonte de alimentação: a batata.

Muitas páginas serão escritas, impressas e baixadas sobre o assunto, até que se estabeleçam as novas práticas comerciais e novos papéis. Iniciativas como a Amazon Lending Library e a Nuvem de Livros parecem indicar que o livro deixará de ser uma mercadoria para tornar-se um serviço, como a água ou a eletricidade. Pode-se apostar, porém, que, ao contrário do livro-fogo de Voltaire, o livro-Fire não será “propriedade de todos”.

Por Julio Silveira | Publicado originalmente em PublishNews | 22/12/

Julio Silveira é editor, fundador da Ímã Editorial e autor do blog AUTOR 2.0.

Editoras apostam em lançamentos simultâneos


Mais empresas lançam versão física e digital de livros ao mesmo tempo, para aproveitar o buzz da novidade e alavancar a venda de e-books

Se antes as editoras concentravam seus esforços de lançamento na edição de papel e deixavam o e-book para depois, agora já se pode dizer que elas dão atenção especial ao lançamento simultâneo das versões impressa e digital.

LeYa e Intrínseca, que anunciaram recentemente a entrada no mercado de e-books, começam a fazer os primeiros lançamentos simultâneos no início de 2012. Já a Companhia das Letras conseguiu vendas expressivas dos e-books de Steve Jobs e de As esganadas ao lançá-los junto com a versão física das obras. Editoras como Zahar e L&PM também vem experimentando a estratégia.

A iniciativa é muito bem recebida por varejistas que comercializam conteúdo digital e está embasada principalmente no raciocínio de que a venda dos e-books é impulsionada pelo buzz gerado pelo lançamento da versão impressa – por exemplo o destaque nas livrarias, as resenhas na imprensa, os eventos de lançamento etc. Como essas vendas ainda são pequenas, não há canibalização do mercado de livros físicos.

É no lançamento do título que conseguimos a maior visibilidade, então a ideia é aproveitar essa onda e ganhar exposição, tanto no ponto de venda quanto nos e-commerces”, afirma Pascoal Soto, diretor editorial da LeYa. “O lançamento simultâneo é uma tendência mundial e nós vamos começar a fazer em breve.” A editora anunciou em novembro o lançamento dos primeiros 40 e-books e acordo para vendê-los na Livraria Cultura. O plano é iniciar 2012 com 80% do catálogo digitalizado e mais parcerias comerciais.

A Intrínseca, que na semana passada começou a vender seus primeiros 20 e-books, faz em janeiro dois lançamentos simultâneos: A visita cruel do tempo, de Jennifer Egan, e Silêncio Para Jorge Oakim, editor da Intrínseca, essa é uma forma de dar mais opções aos leitores. “O nosso objetivo é facilitar a vida do leitor permitindo que ele escolha entre e-book e papel já no lançamento do livro”, afirma. , continuação da série Hush, Hush de Becca Fitzpatrick.

Para José Henrique Guimarães, presidente da distribuidora Acaiaca, que dá os primeiros passos no mercado digital, o lançamento conjunto das versões impressa e eletrônica é “um tremendo incentivo para o mercado de e-books”. Segundo ele, 25% das vendas em livraria são de títulos novos. “Oferecer as novidades em e-book dá um impulso muito grande a esse negócio”, afirma.

Duda Ernanny, presidente da Gato Sabido, plataforma de venda de livros eletrônicos e games, concorda. Na opinião do executivo, e-books de obras como Cleopatra [Zahar] e Steve Jobs foram muito beneficiados pelos lançamentos simultâneos.

No caso de Steve Jobs, o sucesso da versão eletrônica é incontestável. Com 4.834 cópias vendidas nesse formado, ele é o e-book best-seller no Brasil até agora. As esganadas, de Jô Soares, que também teve o e-book lançado junto com as cópias em papel, registra venda de 1.726. Os dois são editados pela Companhia das Letras e encabeçam a lista de mais vendidos do PublishNews há oito semanas.

Matinas Suzuki, diretor executivo da editora, afirma que o leitor de e-books quer ser o primeiro a ler e, por isso, a publicação simultânea tende a impulsionar as vendas eletrônicas. “As vendas de e-books são muito fortes das primeiras 72 horas do lançamento”, conta. É essa avidez do leitor que também favorece estratégias de pré-venda dos títulos.

Segundo Ernanny, da Gato Sabido, as pré-vendas de e-books muito aguardados costumam gerar vendas bem mais altas do que a média de transações. “O Jobs e o Jô nos ensinaram que há imensa oportunidade nesse tipo de estratégia”, afirma Suzuki.

Mariana Zahar, editora da Zahar, também aposta nos lançamentos simultâneos, algo que a empresa já faz há algum tempo e que não pretende parar. “Já temos cerca de 600 e-books, um dos maiores catálogos do país”, diz. “Mas, mesmo com lançamento simultâneo, as vendas ainda representam muito pouco, menos de 0,5%”. Ela destaca os livros Andar de bêbado e Cleópatra entre os e-books que registraram boas vendas. Estima-se que os livros eletrônicos gerem entre 0,3% e 1% da receita total de vendas de livros no Brasil.

Ivan Pinheiro Machado, editor da L&PM, conta que a editora realiza lançamentos simultâneos com frequência – fez isso, por exemplo, com Feliz por nada, best-seller de Martha Medeiros. Mas o sucesso da versão impressa, nesse caso, não ajudou muito. “E-book ainda não tem nenhum valor comercial, não passa de 0,5%. Quem fala que é mais tá mentindo”, provoca. “Nós temos 600 e-books e já investimentos uma fortuna! Só que até agora só perdemos dinheiro.” Apesar de tudo, Machado afirma que vai continuar lançando e-books, à espera do momento em que esse mercado decole.

Por Roberta Campassi | PublishNews | 22/12/2011

A cabeça por trás da Amazon


Livro explora a figura de Jeff Bezos para explicar o sucesso da varejista

Qual a razão de a Amazon ser bem sucedida? Isso muito tem a ver com Jeff Bezos, presidente e fundador da empresa. Com inúmeras entrevistas com funcionários da varejista, mais seus concorrentes e observadores, o jornalista Richard Brandt decifrou como Bezos pensa, o que dirige suas ações e como ele toma decisões. O resultado está em Nos bastidores da Amazon – O jeito Jeff Bezos de revolucionar mercados com apenas um clique [Saraiva, 176 pp., R$ 44,90]. O livro mostra como Bezos teve a visão de investir no inexplorado mercado on-line para vender livros e continuou a descobrir novas oportunidades de mercado, de alimentos a peças de automóveis.

PublishNews | 21/12/2011

Números do novo e-commerce da Laselva


Rede soma 220 mil clientes cadastrados após reformular seu portal

A Laselva, rede de livrarias conhecida por sua presença nos aeroportos brasileiros, colhe os resultados após dois meses da reformulação de seu e-commerce. “Já são 220 mil clientes cadastrados e uma projeção de 5% do faturamento via vendas online até 2013 [Número atualizado em 21/12]”, afirma Andrea Arajaki, diretora de novos negócios da rede. O portal http://www.laselva.com.br, que antes oferecia uma seleção restrita de livros dentre aqueles disponíveis nas lojas físicas da rede, passou a vender 120 mil títulos, além de uma lista variada com DVDs, produtos de informática, eletrônicos e telefonia, entre outros. Em breve, segundo Andrea, a Laselva também lancará um portal dedicado aos viajantes. O novo comércio eletrônico da empresa faz parte de uma estratégia de expansão que pretende aumentar em 45% o número de lojas para os próximos anos. “Queremos atender de forma assertiva todas as necessidades de consumo dos nossos clientes”, conclui a executiva.

PublishNews | 21/12/2011

Site lança campanha pela popularização do eBook


A iniciativa é da Simplíssimo, empresa especializada em livros digitais

O site Revolução E-book, que publica notícias e artigos sobre o mercado de livros digitais, lançou na semana passada uma campanha para popularizar os e-books. O objetivo é esclarecer as vantagens e possibilidades geradas pelo formato eletrônico, e também fomentar a oferta de títulos, bem como a qualidade dos produtos e dos processos de compra on-line. O site e a campanha são uma iniciativa da Simplíssimo, que faz e-books, oferece cursos e treinamentos sobre o mercado de livros digitais e tem um serviço de autopublicação. Segundo Eduardo Melo, fundador da empresa, a campanha deve ganhar força no início de 2012. Já está programada a criação de vídeos para a internet que mostrarão as vantagens dos e-books em comparação aos livros físicos. Quem quiser aderir, pode usar o selo da campanha que diz “Eu leio livros digitais” e também participar de um fórum coletivo para compartilhar ideias, dúvidas e reivindicações acerca desse novo mundo. Saiba mais aqui.

Para Melo, embora ainda existam barreiras para o crescimento do mercado de e-books, como os preços altos de tablets e e-readers, já existe no Brasil um número de dispositivos que justificaria um índice de leitura maior dos livros digitais. “Há pelo menos 400 mil iPads e 1,5 milhão de iPhones no país. Mas a leitura nesses aparelhos ainda não é muito comum“, avalia.

Por Roberta Campassi | PublishNews | 21/12/2011

Submarino coloca Digital Club no ar


Iniciativa em parceria com o Copia une e-commerce e mídia social

Está no ar desde segunda, dia 19, o Submarino Digital Club, “social-commerce” da varejista virtual que utiliza a tecnologia do Copia. A plataforma permite que os usuários comprem conteúdo digital – primeiro e-books e, mais para frente, revistas, jornais, música, jogos e filmes – e usem ferramentas típicas de mídias sociais. Entre os recursos oferecidos pela plataforma estão a possibilidade de fazer anotações e compartilhá-las, recomendar livros, criar grupos de discussão e sincronizar a leitura em dispositivos móveis. A operação da plataforma em versão beta começou em setembro, sem divulgação em mídia, e, desde que ela foi lançada oficialmente, há dois dias, vem atraindo um “número surpreendente de usuários”, segundo Marcelo Gioia, diretor executivo do Copia Brasil. O download da plataforma é gratuito e está disponível para diferentes sistemas operacionais e dispositivos. Antes da parceria com o Copia, a loja de e-books do Submarino era operada pela Gato Sabido.

Por Roberta Campassi | PublishNews | 21/12/2011

Afastamento por pirataria


Autora espanhola anuncia que vai parar de escrever por um tempo devido a cópias ilegais

Autorretrato de Lucía em sua página no Facebook. Foto: Reprodução

SÃO PAULO – Lucía Etxebarria, premiada autora espanhola, em um momento de desabafo em seu Facebook deu início a uma extensa discussão. A autora escreveu: “Como hoje eu descobri que mais cópias ilegais do meu livro foram baixadas do que cópias legais foram vendidas, estou anunciado oficialmente que não vou publicar livros em um bom tempo”.

O texto foi rapidamente interpretado como: escritora desiste da profissão por causa da pirataria. O que gerou grande reação no mural dela.

A autora afirmou ao jornal inglês Guardian que cogita aceitar uma proposta de emprego e que os criadores [escritores, músicos, cineastas] enfrentam uma grande dificuldade por conta da pirataria. Ela ressaltou a posição da Espanha no ranking mundial de downloads ilegais: “Estamos atrás apenas da China e da Rússia em total de downloads ilegais, mas ganhamos de todos em downloads ilegais per capita.” E defendeu a lei francesa, tida como uma das mais duras do mundo.

Na ocasião da publicação de seu último livro ‘El contenido del silencio’, a autora e sua editora decidiram por não lançar o romance em formato ebook, por temor da pirataria. O livro vendeu abaixo das marcas dos livros anteriores e pode ser baixado de graça em formato PDF com facilidade na internet.

Por Redação Link | 21 de dezembro de 2011, 9h00

Kindle Fire: números indicam sucesso


Impressões publicitárias registradas no aparelho crescem a uma taxa diária superior a do primeiro iPad

SÃO PAULO – Números publicitários parecem confirmar os bons resultados divulgados pela Amazon a respeito das vendas de seu novo tablet Kindle Fire.

A Millenial Media, empresa especializada em propaganda para dispositivos móveis, reportou que impressões publicitárias registradas no Kindle Fire têm crescido a uma taxa diária de 19% desde o lançamento do produto, em meados de novembro. As impressões, uma medida de audiência usada pelo mercado publicitário, já estariam na casa das centenas de milhões.

Com isso, o Kindle Fire pode ser considerado um produto-líder no mercado. A Millenial observa que o seu crescimento de impressões é maior que o do primeiro iPad. Para a empresa, o Kindle é um produto desejável a um preço acessível. Ele não deve substituir o iPad, mas ser a segunda opção no setor.

Segundo a consultoria americana IHS, a Amazon deve vender 3,9 milhões de Kindle Fires até o fim do ano. A Amazon anunciou em meados de dezembro que tinha vendido um milhão de KFs em uma semana.

No seu informe sobre o mercado americano MobileMix, a Millenial Media, informa que os smartphones são responsáveis por 70% das impressões em aparelhos conectados, à frente dos celulares normais [14%] e conectados diversos como TVs e tablets [16%].

Por Redação Link | 20 de dezembro de 2011, 17h29

Brasil é a bola da vez, aposta Google


O clima na saída da apresentação que o Google fez sobre a e-bookstore que quer inaugurar no Brasil em 2012, e que reuniu editores e livreiros em São Paulo na última quinta-feira, reflete bem o momento vivido pelo País na área de livros digitais. Do lado de quem ainda só assiste às mudanças, o sentimento era de animação pelas possibilidades que se abrem com a chegada da gigante americana, que promete até dar um empurrão para que pequenas livrarias também vendam e-books – coisa que já faz com cerca de 300 independentes nos EUA e algumas grandes na Austrália.

Aqui, todas estão na mira, e o fato de a Saraiva e a Cultura já terem feito investimentos nesse sentido não será um obstáculo para futuras parcerias, disse James Crawford, diretor de engenharia da empresa, em entrevista exclusiva ao Estado. “Elas ainda estão muito no início: não têm uma solução em nuvem nem o esquema que possibilita ler em qualquer aparelho.” Representantes das duas redes estavam lá. Na outra ponta, entre os que, de algum modo, já começaram seus catálogos digitais, a sensação foi de nada novo no front. Mas o Google veio para ficar.

O que faz de nós um mercado interessante para a empresa? “O Brasil é o sexto maior mercado do Google e isso é grande. O sistema operacional Androide está se popularizando. E em dois anos os e-books vão decolar no País. Enfim, é um ótimo momento.”

O Estado de S. Paulo | Coluna Babel| 10/12/2011

São Paulo conclui informatização dos acervos de bibliotecas


Agora é possível consultar na internet itens disponíveis e ter cadastro único

A cidade de São Paulo concluiu a informatização de todos os acervos das bibliotecas públicas da capital, que havia começado em 2005. Isto significa que, agora, a população pode consultar o acervo completo – 2,5 milhões de exemplares – pela internet e verificar a disponibilidade dos livros. A busca pode ser feita neste site por meio do título, autor, assunto ou editora, nas bibliotecas que fazem parte do sistema, que é o maior do Brasil. Os cidadãos também passam a usar um cadastro único para emprestar livros de qualquer biblioteca. São, ao todo, 52 bibliotecas de bairro, mais a Mário de Andrade, a segunda maior do país, quatro bibliotecas do Centro Cultural São Paulo, 10 ônibus-biblioteca, uma biblioteca do Centro Cultural da Juventude Ruth Cardoso e 14 Pontos de Leitura. A cerimônia que marcou o encerramento da informatização dos acervos ocorreu ontem, na Biblioteca Alceu Amoroso, no bairro de Pinheiros.

PublishNews | 20/12/2011

Simon & Schuster terá 17% da receita com eBooks


Carolyn Reidy | Simon & Schuster president and c.e.o.

Segundo a principal executiva e presidente da Simon & Schuster, Carolyn Reidy, a empresa espera que os e-books representem 17% do faturamento total da editora em 2011, o dobro do que foi em 2010. Em uma mensagem de Natal aos funcionários, Reidy reiterou que está “particularmente entusiasmada quanto ao potencial do livro digital para remodelar os nossos negócios internacionais.” Ela também disse: “A transição para a leitura digital está acontecendo rapidamente… em 2012 as vendas de conteúdo digital sem dúvida alguma terão um crescimento similar.” A publicação digital permitirá que a editora “aumente a audiência para os seus autores nos lugares mais distantes do planeta, em mercados que, atualmente, são pouco atendidos pela distribuição de livros físicos”, comentou Reidy. Ela descreve o mercado internacional de e-book como “decolando neste momento, à medida que varejistas introduzem e-readers e colocam no ar seus sites dedicados à venda de e-books no Canadá, Austrália e Reino Unido, e abrem os mercados em países como Alemanha, França e Brasil”, acrescentando que “a resposta inicial dos consumidores nesses mercados tem sido de entusiasmo.” Reidy acrescentou que as editoras, como a S&S, precisam “fazer da experiência de publicação o melhor que ela pode ser”, uma vez que há mais alternativas para os autores diante do mundo de autopublicações.

Por Charlotte Williams | The Bookseller | 20/12/2011

WMF Martins Fontes lançará eBooks em 2012


Os primeiros serão títulos de J.R.R. Tolkien, seguidos de outras três obras

A editora paulista WMF Martins Fontes publicará seus primeiros e-books nos primeiros meses de 2012 para testar como seu catálogo funcionará no mundo digital. As primeiras obras em formato eletrônico serão do autor best-seller J.R.R. Tolkien: O Hobbit, O Silmarillion Os filhos de Húrin. Em seguida, serão lançados os e-books de As crônicas de Nárnia, de C. S. Lewis, em um único volume; Economia levada a sério, de Dean Baker, e Cavalo de guerra, de Michael Morpurgo, livro que inspirou o filme homônimo dirigido por Steven Spielberg e que estreia no Brasil dia 6 de janeiro. Segundo Jaime Carneiro, diretor comercial da WMF Martins Fontes, os títulos em formato digital custarão cerca de 30% menos do que as versões impressas. Na semana passada, a Intrínseca também anunciou o lançamento de seus 30 primeiros e-books e planos para digitalizar 95% do seu catálogo até marco do ano que vem. Em novembro, a LeYa informou divulgou que havia dado início à publicação de 40 títulos em formato eletrônico e que planejava ter 80% de seus livros transformados em e-book até o fim do ano. A Editora 34 também deu início à experiência de publicar obras digitais com o lançamento de contos separados ou 20 contos juntos, todos em e-book, do livro Nova antologia do conto russo.

Por Roberta Campassi | PublishNews | 20/12/2011 

Com vendas modestas, tablet não brilhará no Natal


Ainda não será neste Natal que as vendas de tablets vão estourar no mercado brasileiro, o que contraria as previsões otimistas do governo. Em relação a 2010, as vendas desses equipamentos terão um crescimento significativo, porém aquém do previsto. Em janeiro, a consultoria IDC Brasil projetou vendas de 300 mil unidades no ano, ante 100 mil em 2010. Do total, 64 mil foram vendidos pelo varejo e 36 mil foram adquiridos no exterior ou trazidos ilegalmente ao país [o chamado mercado cinza]. A Samsung, fabricante mais otimista do setor, estimava o mercado em até 800 mil tablets. Um estudo da consultoria GfK Retail and Technology Brasil aponta que as vendas no varejo somaram 67 mil unidades no período de janeiro a outubro, o que representa um aumento de 60% frente a 2010.

Por Cibelle Bouças e Moacir Drska | Valor Econômico | 19/12/2011

Literatura na tela


Como brinde de fim de ano, a TV Record foge à regra que tem guiado sua programação, na linha mais popular, para investir na oferta de produtos não vistos em sua tela no decorrer do ano. Assim como aconteceu em dezembros anteriores, é hora de adaptação literária em formato de especial de uma única edição. O primeiro exemplar do gênero, O madeireiro, da obra de Aluízio Azevedo, vai ao ar no dia 26, à 0h15. Em formato de telefilme, a obra, logo se verá, não é do staff da Record. Independente, a produção é assinada pela Contém Conteúdo. Ainda na linha literária na tela, a Record promete para esta temporada de férias o especial O menino grapiúna, outro telefilme produzido fora dos domínios da emissora, dessa vez pela Bossa Nova Filmes. Baseada no romance autobiográfico do escritor baiano, a edição traz histórias vividas por Jorge Amado quando menino. A Record aguarda a finalização da produção para definir sua data de exibição.

O Estado de S. Paulo | 18/12/2011

Leitura em rede


O clube do livro do Huffington Post, o maior jornal da internet, existe desde 2009, mas agora ressurge turbinado, segundo informou a coluna Painel das Letras. Começa no dia 3 de janeiro do ano que vem, com atividades on-line e off-line. A noiva do tigre, da sérvia Téa Obreht, vencedor do prêmio Orange deste ano, é o primeiro de dez livros a ser lido em 2012. Para fazer parte, há comunidades no Facebook, Twitter [@HPbookclub] e outras redes sociais. Clubes do livro são tradicionais nos Estados Unidos e um dos mais populares era o de Oprah Winfrey. Alguém já deu a ideia para Fátima Bernardes?

Por Josélia Aguiar | Folha de S. Paulo | 17/12/2011

Amazon vai aportar


Não há mais dúvida sobre a vinda da Amazon para cá, o que deve ocorrer até julho de 2012, estimam editores brasileiros que têm participado das negociações. A gigante de varejo on-line pediu descontos de mais de 50%, mas editoras daqui só querem 30%. A coluna Painel das Letras informou que a Amazon deve chegar mesmo que seja fechada apenas parte das parcerias previstas. Quando já tiver presença forte na praça, porém, o poder de barganha será muito maior: disso, editores também não têm dúvida.

Por Josélia Aguiar | Folha de S.Paulo | 17/12/2011

Kindle Fire, o produto de maior sucesso da Amazon


Varejista reporta que vendas do tablet e de outros modelos do Kindle ultrapassam um milhão de unidades por semana

A Amazon anunciou ontem que, pela terceira semana consecutiva, as vendas dos diferentes modelos do Kindle ultrapassam “bem mais” do que um milhão de unidades por semana. O produto continua sendo o mais procurado da temporada de compras do fim do ano. No site da varejista, o Kindle Fire permanece em primeiro lugar entre os itens mais vendidos, mais presenteados e mais desejados, desde que foi lançado há 11 semanas.

O Kindle Fire é o produto de maior sucesso que já lançamos – já vendemos milhões de unidades e estamos fabricando milhões mais para atender a demanda”, disse Dave Limp, vice-presidente da Amazon Kindle. “Na verdade, a demanda está acelerando – as vendas de Kindle Fire aumentaram semana após semana, nas últimas três semanas.” A Amazon não informou o total de unidades comercializadas do produto até agora.

O Fire é um tablet que custa US$ 199, enquanto outros modelos do Kindle são leitores eletrônicos, cujos preços variam entre US$ 79 e US$ 149.

Apenas como referência, aqui vão alguns números do tablet de maior sucesso até agora: o iPad, lançado pela Apple em abril do ano passado, vendeu três milhões de unidades em 80 dias; 15 milhões de unidades no primeiro ano e 11 milhões apenas no quarto trimestre fiscal deste ano – um aumento de 166% em relação ao mesmo período de 2010.

Alguns especialistas que já compararam o Kindle Fire com o iPad afirmam que quase não há o que comparar, uma vez que o produto da Amazon seria um dispositivo totalmente voltado para o consumo de conteúdo vendido pela empresa varejista, como livros, filmes e séries de TV, enquanto o tablet da Apple realiza muitas das funções de um computador. Bem, os preços do iPad, que está em sua segunda versão, também não são comparáveis com os da Amazon: variam entre US$ 499 e US$ 829.

Por Roberta Campassi | Publicado originalmente em PublishNews | 16/12/2011

Para o Google, editoras brasileiras estão no caminho certo


Confira a entrevista com Tom Turvey, diretor de parcerias da empresa

Tom Turvey

Há oito dias, alguns dos principais executivos do Google responsáveis pelas parcerias da unidade de livros da empresa – que inclui o Google Books e o Google eBooks – apresentaram seus serviços oficialmente às editoras e livreiros brasileiros, durante um evento em São Paulo.

A companhia americana pretende lançar sua loja de e-books no Brasil em 2012 – já foram abertas lojas nos Estados Unidos, Austrália, Canadá e Reino Unido e outras na Europa devem ser inauguradas em breve – e busca parceiros locais, tanto editoras que fornecerão os produtos, quanto varejistas que tenham interesse em usar a plataforma do Google para vender livros digitais.

Tom Turvey, diretor de parcerias estratégicas da companhia, que esteve no Brasil na semana passada, deu uma entrevista por telefone ao PublishNews da sede do Google, na Califórnia. Ele explicou um pouco sobre como a empresa pretende trabalhar com parceiros locais, suas vantagens competitivas e a integração entre Google Books e eBooks. Também comentou sua percepção sobre o mercado editorial brasileiro. “Toda a indústria parece estar pensando nas coisas certas e se preparando para a inevitabilidade do livro digital. Isso é parecido com o que aconteceu nos Estados Unidos há alguns anos”, disse o executivo.

Também não faltaram comparações veladas com a Amazon, no que diz respeito ao fato de que a varejista americana, que atualmente domina o mercado de livros digitais no mundo, vem criando operações próprias em vários países e concorrendo diretamente com as livrarias locais, além de vender e-books num sistema “fechado”. Só quem tem o seu dispositivo Kindle pode comprar os produtos da Amazon – e só dela.

Turvey também afirmou, sem entrar em detalhes, que a estratégia de venda de livros que será implantada no sistema operacional Android, nos próximos anos, “vai beneficiar os editores de uma maneira que eles nunca viram”. Leia os principais trechos da entrevista.

Google e editoras

“O Google vai vender os e-books de cada editora em condições aceitáveis para as duas partes. Vamos assegurar que esses e-books estejam disponíveis para o mercado local, na maior quantidade de formatos possível. Temos uma plataforma aberta e isso é importante para que os consumidores possam comprar e ler e-books em quaisquer dispositivos, de um jeito que é muito parecido com a forma de comprar livros físicos hoje. Quando você compra um livro impresso da Saraiva ou da Cultura, você não é obrigado a comprar o próximo livro só da Saraiva ou só da Cultura. Você pode comprar de qualquer lugar que você queira.”

O serviço de digitalização do Google

“Os editores que digitalizam seus próprios livros obviamente são livres para fornecer para qualquer canal de vendas. No caso dos livros que o Google digitaliza de graça, nós mantemos esse arquivo conosco, para vender pelo próprio Google ou pelo site de nossos parceiros.

O que aconteceu com algumas de nossas editoras parceiras foi que elas investiram primeiro na digitalização dos seus best-sellers, e permitiram que nós digitalizássemos, de graça, a parte do catálogo que elas tinham dúvidas se venderia bem ou não. Ou seja, elas não precisaram digitalizar tudo de uma vez e puderam ver o que estava vendendo, para então investir recursos próprios na criação dos e-books. Normalmente, depois que elas fazem isso, distribuem os livros para todos os varejistas.”

Google e varejistas

Diferente de outras empresas, queremos ter parcerias locais com fornecedores locais de livros. Não queremos entrar num mercado e forçar os consumidores a comprar do Google. Queremos assegurar que quem já está no mercado possa ganhar com a transição do impresso para o digital. Por isso incluímos os varejistas que querem vender e-books, mas não têm uma plataforma para fazer isso.

Como qualquer empresa, queremos fechar parcerias com as grandes varejistas. Nos Estados Unidos, Canadá e Reino Unido, pudemos fechar negócios com as livrarias independentes. Em ambos os casos, queremos ter certeza de que o esforço vai recompensar os dois lados (varejistas e Google). No Brasil, já há muitos anos temos uma parceria com a Livraria Cultura, que usa o Google Preview em seu site. Podemos estender essa relação para a venda de e-books – não estou afirmando que vamos fazer, mas apenas citando um exemplo do nosso interesse por parceiros locais.

Google Books e Google eBooks


O Google Books é o maior catálogo de livros do mundo. Nele, há mais de 20 milhões de obras, entre as que digitalizamos em bibliotecas, as que recebemos das editoras, por meio do Preview etc. Desses 20 milhões, entre dois milhões e três milhões são os livros que recebemos sob autorização das editoras por meio do Google Preview. Já fechamos acordos individuais com 40 mil editoras e estamos começando a vender os livros delas nos mercados em que já lançamos nossa loja de e-books (a Google eBooks): Estados Unidos, Reino Unido, Canadá e Austrália. Vamos vender esses livros diretamente e também por meio das parcerias com varejistas que querem vendê-los em seus próprios sites.

O mercado brasileiro de e-books


Mesmo que os e-books ainda representem menos de 1% do mercado no Brasil, parece que todos estão pensando seriamente na transição do impresso para o digital. As editoras, pelo menos as maiores, estão ativamente garantindo os direitos de publicação digital para suas obras. Os varejistas também parecem estar fazendo os investimentos certos em seus sites, e interessados em oferece algum aparelho de leitura.

Toda a indústria está pensando nas coisas certas e se preparando para a inevitabilidade do livro digital. Isso é parecido com o que aconteceu nos Estados Unidos. Há cinco anos, o mercado de livros digitais respondia por menos de 5% das receitas da indústria americana, e agora representa mais de 20% – é um intervalo de tempo relativamente curto. Aqueles que fizeram os investimentos certos e pensaram em como as coisas poderiam mudar, estão indo muito bem por aqui. Vejo evidências desse mesmo tipo de pensamento no Brasil, e saí daí muito encorajado.

O diferencial competitivo do Google


O que o Google está trazendo para esse mercado? Bem, há um par de vantagens que o Google usa para ajudar os editores a vender seus livros. Uma delas é a liderança e a popularidade da nossa ferramenta de busca. No caso do Google Books, por meio da nossa ferramenta de busca, as palavras buscadas podem ser encontradas em qualquer página de qualquer livro. Estamos permitindo que esses livros sejam encontrados de alguma forma, o que é realmente único. Os editores também estão vendo o tráfego aumentar na visualização de livros – e, consequentemente, estão vendo as vendas crescerem.

A outra vantagem é termos o Android, que nos próximos dois anos vai colocar em prática estratégias de varejo muito focadas e vai beneficiar os editores de uma maneira que eles nunca viram. Na medida em que os dispositivos equipados com o sistema operacional Android decolarem – smartphones, tablets – e que as pessoas começarem a comprar mais livros por meio de nosso aplicativo, haverá grandes mudanças.

E-readers


Embora no momento não descartemos nenhuma possibilidade, neste momento não estamos trabalhando para fabricar nenhum e-reader.

Perguntado se o Google busca parceiros para desenvolver esses aparelhos no Brasil, a resposta foi que a empresa não comenta especulações. No dia 8, o Google mencionou o iRiver, e-reader que, nos EUA, já vem com uma plataforma do Google eBooks.

Por Roberta Campassi e Ricardo Costa | Publicado originalmente em PublishNews | 16/12/2011

Feira encerra marcada por debate entre impresso e digital


Alemanha: A Feira do Livro de Frankfurt, a maior do mundo do setor, encerra neste domingo [16] sua edição de 2011, após cinco dias de discussões marcadas pela convergência midiática, digitalização e o futuro do negócio editorial tradicional.

A novidade deste ano foi a presença em massa de empresas que tradicionalmente pouco ou nada tiveram a ver com o mundo do livro, como alguns produtores de jogos de computador.

Tal é o caso da empresa Seal Media, que apareceu na Feira com um jogo de computador baseado em um livro intitulado ‘Colts of Glory’, que conta uma história de vingança após a Guerra Civil Americana.

O romance, e esse é o detalhe curioso, foi escrito em papel por um funcionário da empresa, pensando já de antemão no jogo de computador, um jogo de guerra. O acesso ao game em princípio é gratuito, mas o usuário pode ter acesso a armas melhores ao comprar bônus.

Na opinião do diretor da Feira, Jürgen Boos, expositores desvinculados do setor editorial participam da mostra não só para apresentar seus produtos mas, antes de tudo, para buscar os direitos de novos conteúdos que possam traduzir à linguagem de seus jogos.

Com isso, pode surgir uma nova relação do mundo editorial com outros meios, além de outros com os quais já existe uma troca há décadas, como o cinema e a internet.

No entanto, nisso ainda há muito futurismo, como também no tema da digitalização – retomado nesta edição da Feira, tal como se tinha feito nas cinco últimas. As previsões feitas no evento deste ano indicam que haverá, no mais tardar em dezembro, uma explosão do mercado do livro eletrônico na Europa.

O negócio central da Feira continua sendo a venda de direitos autorais para livros impressos. As demais abordagens de tais direitos são, na maioria dos casos, algo marginal.

O último dia da Feira contou com a entrega do Prêmio da Paz dos Livreiros Alemães ao escritor argelino Boualem Sansal. Ele assumiu a homenagem como uma responsabilidade para seguir trabalhando com mais consciência para que seu país supere a guerra civil na qual está imerso há décadas.

Trabalhei inconscientemente pela paz, agora trabalharei conscientemente por ela, e surgirão em mim novas qualidades“, disse Sansal durante seu discurso.

‘Não sei quais serão essas qualidades, talvez o sentido da estratégia e da precaução, que são tão necessários na paz como na guerra. O prêmio da paz é como o dedo de Deus ou como uma varinha mágica: quando nos toca, nos transforma em soldados da paz’, acrescentou o escritor.

A apresentação do país convidado de honra deste ano – a Islândia – foi menos marcada pelo tema político que nas edições anteriores. No entanto, a dimensão política do livro é algo que não abandona a Feira.

Durante a entrega do Prêmio da Paz dos Livreiros Alemães, um crítico suíço definiu essa dimensão citando uma frase de Heinrich von Kleist segundo a qual o livro ‘rompe a rigidez da época que o estreita lentamente, da mesma forma que as raízes só com lentidão podem romper uma rocha e não através de uma explosão’.

Essa eficácia da lentidão, no entanto, é algo que muitos começam a duvidar em tempos nos quais a obsessão da atualidade faz com que a maioria dos livros fiquem pouco tempo no mercado, para depois desaparecer nas prateleiras das livrarias.

EFE | 16/10/2011

Kyobo lançam e-reader com tecnologia Mirasol


Coreia do Sul: A maior livraria sul-coreana, a Kyobo, e uma subsidiária da Qualcomm lançaram no último dia 21 o Kyobo eReader, primeiro leitor de livros digitais com tela colorida baseada na tecnologia mirasol, também conhecida como IMOD [Interferometric MOdulator Display].

Diferentemente das telas comuns de tablets e de celulares, que têm luz própria, o display mirasol, tal como o do Kindle, da Amazon, não é luminoso, precisando de luz ambiente para ser lido. O e-reader Kyobo inclui acesso ao acervo de 90 mil e-books da livraria.

Boletim GIE | 16/12/2011

Editores apoiam criação de biblioteca global para cegos


Editores da França, Reino Unido, Estados Unidos e África do Sul assinaram em outubro acordos de licenciamento com o TIGAR, um projeto piloto criado pela International Publishers Association [IPA, na sigla em inglês] em colaboração com a Organização Mundial da Propriedade Intelectual [OMPI], entidade ligada à ONU, em prol da acessibilidade da leitura.

O TIGAR tem por objetivo estabelecer uma rede internacional de bibliotecas que permitam a cooperação entre editores interessados na conversão de arquivos digitais em formatos acessíveis para deficientes visuais. A iniciativa também permitirá o intercâmbio dos arquivos convertidos.

Desde setembro a IPA tem coletado assinaturas de editores interessados em participar do projeto
Mais informações podem ser obtidas no site: http://www.visionip.org/tigar/en/.

Boletim GIE | 16/12/2011

País lança web TV para incentivar a leitura


Espanha: O Ministério da Educação da Espanha lançou em outubro o “Canal Leer” [www.leer.es], um canal na internet para fomentar a leitura nos países iberoamericanos.

A emissora, baseada na plataforma de televisão online NCIwebtv [www.nciwebtv.tv] nasce da parceria do ministério espanhol com a Organização de Estados Iberoamericanos [OEI], o Programa de Cooperação de Televisão Educativa e Cultural Iberoamericana [TEIb] e da Associação de Emissoras Educativas e Culturais Iberoamericanas [ATEI].

O objetivo é contar com um instrumento audiovisual que acompanhe as estratégias governamentais, institucionais e acadêmicas, tanto educativas como culturais, para difundir a importância da leitura.

Boletim GIE | 16/12/2011

Mais de 1 milhão de Kindles por semana


Nas constas da Amzon estão inclusos os Kindles tradicionais e os tablets modelo Fire

A Amazon.com afirmou nesta quinta-feira, 15, que vendeu mais de 1 milhão de dispositivos Kindle em uma semana, em um anúncio incomum da maior varejista da internet, que vem na esteira de algumas resenhas negativas sobre seu novo tablet Kindle Fire.

A Amazon disse que os consumidores estão comprando “bem mais” de um milhão de Kindles por semana. Este nível de vendas ocorreu em três semana ininterruptas, adicionou em comunicado.

O número de vendas inclui o tablet Kindle Fire e todas as versões do leitor eletrônico Kindle. A companhia não revelou os números do tablet Kindle separadamente.

Entretanto, o executivo da Amazon, Dave Limp, afirmou que as vendas do Kindle Fire aumentaram semana após semana para cada uma das três semanas.

A Amazon afirmou anteriormente que nunca tinha alcançado este patamar de vendas, de acordo com uma porta-voz.

Link | Estadão | 15 de dezembro de 2011| 18h35 | REUTERS

Amazon diz ter vendido “mais de 1 milhão” de Kindles por semana


Em comunicado divulgado nesta quinta-feira [15], a Amazon afirmou que vendeu “mais de 1 milhão” de Kindles por semana.

Os números incluem o Kindle Fire e todas as versões do e-reader. A empresa não informou quanto cada um deles vendeu separadamente.

Da esquerda para a direita, os aparelhos Kindle Fire, Kindle Touch e Kindle, da Amazon

Segundo a companhia, o bom resultado nas vendas aconteceu em três semanas consecutivas, o que coincide com o lançamento da versão mais recente do dispositivo, o Kindle Fire.

O aparelho vinha recebendo resenhas negativas na mídia especializada e há rumores de que não estaria vendendo bem. Apesar do burburinho, o executivo da Amazon Dave Limp disse que as vendas do Kindle Fire subiram semana a semana desde que chegou às lojas.

Folha.com | Com REUTERS | 15/12/2011 – 17h02

Amazon dá primeiros passos no Brasil


Andy Jassy, da Amazon Web Services: disposição para enfrentar os concorrentes nacionais com escritório em São Paulo

Depois de anos de especulações, a varejista virtual americana Amazon chegou ao Brasil. O desembarque da companhia não acontece, no entanto, com o lançamento de uma loja on-line, sua atividade mais conhecida.

O trabalho da empresa no país começará com a venda de serviços para empresas no modelo de computação em nuvem – no qual softwares e equipamentos são acessados pela internet, sem a necessidade de uma grande infraestrutura de tecnologia da informação [TI]. Entre as ofertas estão a venda de capacidade de processamento e armazenagem de dados, e de sistemas completos.

Mas os investimentos da companhia no país não param aí. Especialistas acreditam que a Amazon trará para o Brasil até meados do ano que vem a loja de livros eletrônicos e o leitor Kindle. Ainda não há previsão para lançamento da versão nacional da Amazon.com.

A venda de serviços para empresas será feita pela Amazon Web Services [AWS], subsidiária da companhia que há cinco anos atua nesse mercado. As empresas locais já podiam contratar a AWS pela internet, ou por meio de revendas como Ci&T e Dedalus, mas o sistema apresentava problemas de velocidade e de atendimento. Com a presença local, esse cenário tende a mudar, diz Andy Jassy, vice-presidente sênior da companhia, em entrevista ao Valor.

De acordo com Jassy, a operação da AWS começa hoje com um escritório na cidade de São Paulo e centros de dados instalados em vários pontos do Estado. A operação brasileira, que está sob a gerência de Nilo Martins, ex-executivo do Google, será responsável por atender também os países da América do Sul. “Já temos mais de mil clientes na região e temos certeza de que ela será uma de nossas principais fontes de receita“, diz o executivo. Entre as marcas atendidas, ele cita a Gol e o site Peixe Urbano.

Com os centros de dados instalados no Brasil, Jassy afirma que a velocidade de acesso às informações será 70% maior em relação à infraestrutura da AWS nos Estados Unidos, ou na Europa.

Sobre parcerias, o executivo afirma que com um escritório na região a Amazon poderá atender de forma rápida e individualizada as revendas.

A chegada da AWS acirra ainda mais a disputa por um mercado que ficou muito aquecido no Brasil desde o ano passado. “Eles vão mexer com o mercado por conta dos preços baixos e por trazerem serviços novos, que não são ofertados pelos fornecedores locais”, diz Fernando Belfort, analista da companhia de pesquisa de mercado Frost & Sullivan. A estimativa da Frost é de que o mercado brasileiro de serviços de centros de dados tenha um crescimento de 13% em 2011, chegando a um faturamento de US$ 1,4 bilhão. Até 2016, a expectativa é de que o valor chegará a US$ 2,2 bilhões.

Criada em 2006, a AWS funciona como uma empresa separada da Amazon. Jassy, que foi o responsável por escrever o plano de negócios do serviço, a partir de 2003, conta que o objetivo era transformar em produto o conhecimento que a companhia desenvolveu durante uma década para fazer seus próprios sistemas funcionarem.

Segundo ele, a expectativa inicial era que as mais interessadas pelo serviço fossem empresas iniciantes, principalmente da área de TI. Com o passar do tempo, entretanto, outras companhias foram se interessando e o negócio ganhou um porte não imaginado anteriormente. “Achávamos que levaria o dobro do tempo para chegar onde estamos hoje“, diz.

Com centros de dados em 80 locais do mundo e atendimento a 190 países, a AWS não revela seu faturamento, nem o número de funcionários. Seu resultado está descrito na linha ‘Outros’ do balanço da Amazon, que inclui receitas não relacionadas ao varejo. Além dos serviços na nuvem, a categoria inclui receitas com atividades promocionais e de marketing, receitas vindas de outros sites e de cartões de crédito emitidos com o logo da Amazon. Tudo isso representou 3% da receita total de US$ 953 milhões da empresa em 2010.

De acordo com Jassy, nos próximos anos os serviços na nuvem podem virar a maior fonte de receita da Amazon. “Se você olhar dez, ou 20 anos no futuro, a ideia de ter infraestrutura de TI dentro das empresas vai parecer totalmente arcaica. As companhias querem deixar esse custo e se preocupar com os seus negócios“.

A AWS terá que enfrentar pelo caminho a concorrência de empresas do setor de centro de dados, como as brasileiras UOL Host, Locaweb e Tivit, além de outros gigantes do mundo da TI, como IBM, Microsoft e Hewlett-Packard [HP], que têm investido pesado na computação em nuvem. Na avaliação de Jassy, as companhias de TI terão mais dificuldade para competir. Segundo o executivo, elas estão acostumadas a atuar em segmentos com altas margens de resultado. O mundo da computação em nuvem, no entanto, é semelhante ao varejo, que tem alto volume de vendas e baixas margens.

Por Gustavo Brigatto | Valor Econômico | 15/12/2011

Editoras brasileiras avançam nas negociações com Amazon


Ao contrário do que aconteceu no mercado americano, a gigante Amazon está cedendo na ‘queda de braço’ com as editoras brasileiras. Inicialmente, a varejista americana queria vender os livros digitais com um desconto de 70% sobre o preço de capa do livro impresso. Depois, baixou para 50% e, ainda assim, as casas editoriais não aceitaram a proposta. As editoras querem que o abatimento seja de 30%, segundo o Valor apurou.

Ainda de acordo com fontes da área editorial, a varejista americana inicia sua operação de venda de livros no Brasil até meados do próximo ano. A Agência Nacional de Telecomunicações [Anatel] já liberou duas versões do leitor Kindle para venda no Brasil. Nos Estados Unidos, os modelos homologados são vendidos por US$ 79 e US$ 149, respectivamente. Procurada, a Amazon não respondeu aos contatos do Valor.

A última reunião entre a companhia e as editoras aconteceu na semana passada. Nesse encontro, as brasileiras reivindicaram também que o preço dos livros continue sendo definido pelas editoras. Nos Estados Unidos, a Amazon é quem determina o valor. Porém, no mercado americano houve uma quebradeira de importantes livrarias, como a rede Borders, em parte por conta dos descontos praticados pela varejista on-line. “Tivemos uma discussão muito produtiva e, no momento, estamos aguardando o envio de contrato para examinarmos as condições. Mas já deixamos bem claro que não queremos guerra de preço“, diz Marcos Pereira, sócio da Sextante, destacando que não pode dar mais detalhes por conta de sigilo na negociação.

As casas editoriais brasileiras mostraram-se unidas com a entrada da Amazon no país. Seis grupos editoriais (LPM, Objetiva, Planeta, Record, Rocco e Sextante) criaram uma distribuidora que atuará como um acervo de títulos digitais. A nova empresa, batizada de DLD, terminará o ano com mil títulos. “A distribuidora é uma espécie de portal em que temos controle dos downloads. Seria um risco alto dar nosso acervo digital aos lojistas sem esse controle“, diz Sonia Jardim, vice-presidente da Record.

A Ediouro também tem atuado fortemente no mundo digital. No fim de 2009, a editora carioca criou uma nova empresa, chamada Singular, para digitalização de livros. Hoje, a Singular conta com um acervo digital de 150 títulos.

Um fator que tem dado poder às brasileiras é que a varejista americana ainda não atua no país. “Nos Estados Unidos, a Amazon já vendia livros em papel antes de começar a vender no on-line. Então, havia mais poder de barganha com as editoras locais. Aqui, é diferente porque a Amazon não existe e as nossas vendas continuam mesmo sem eles“, diz Mauro Palermo, diretor da Globo Livros.

A questão do direito autoral também está gerando debates. Com a redução do preço do livro no varejo on-line, o percentual a ser pago para o autor da obra sobe dos atuais 10% [papel] para 20% em livros digitais. O mercado brasileiro ainda é tímido. Há cerca de 6 mil títulos disponíveis para leitores digitais, segundo a Câmara Brasileira do Livro [CBL]. A Companhia das Letras, uma das maiores do mercado, por exemplo, vai encerrar o ano com 200 e-books, menos de 10% do catálogo.

Por Beth Koike | Valor Econômico | 15/12/2011

Intrínseca começa a publicar eBooks


Nesta quinta-feira, editora lança 20% do catálogo em formato digital e espera chegar a 95% até março de 2012

A Intrínseca começa a vender seus primeiros e-books na quinta-feira, dia 15, por meio das livrarias Cultura, Saraiva e Gato Sabido. Serão 30 títulos na primeira leva, que representam 20% do catálogo e que já venderam, segundo informações da própria editora, 17,5 milhões de exemplares. Até o fim do ano, a Intrínseca lança mais dez e-books e, até março de 2012, o plano é oferecer 95% do catálogo digitalizado.

Entre os primeiros e-books que serão lançados estão os livros das séries best-seller Crepúsculo ePercy Jackson e os olimpianos, e outros títulos de sucesso como Um diaA menina que roubava livros eBilionários por acaso: a criação do Facebook.

A editora começará a fazer lançamento simultâneo das versões impressa e digital, em formato ePub, em janeiro. Serão publicados A visita cruel do tempo, romance de Jennifer Egan vencedor do Pulitzer de ficção em 2011, e Silêncio, continuação da série Hush, Hush de Becca Fitzpatrick.

Segundo a Intrínseca, os e-books terão mais de 30% de desconto em relação ao preço de capa dos exemplares físicos e custarão, em média, entre R$ 19,90 e R$ 24,90. As obras digitais são compatíveis com os sistemas operacionais iOS [para produtos da Apple] e Android [presente em dispositivos de várias fabricantes, como a Samsung], além de poderem ser lidos nos e-readers da Sony e da Positivo.

Neste semestre, outras editoras, como a LeYa e a Editora 34, também lançaram seus primeiros e-books.

E-books da Intrínseca disponíveis a partir de 15/12:
 
Saga Crepúsculo, de Stephenie Meyer
– Crepúsculo

– Lua nova
– Eclipse
– Amanhecer
– A breve segunda vida de Bree Tanner

Série Percy Jackson e os olimpianos, de Rick Riordan
– O ladrão de raios
– O Mar de monstros
– A maldição do Titã
– A batalha do Labirinto
– O último olimpiano
– Os arquivos do semideus

Série As crônicas dos Kane,de Rick Riordan
– A pirâmide vermelha
– O trono de fogo

Série Os heróis do Olimpo, de Rick Riordan
– O herói perdido

Série Os imortais, de Alyson Noël
– Para sempre
– Lua azul
– Terra das sombras

– Chama negra
– Estrela da noite
– Infinito

Série Riley Bloom, de Alyson Noël
– Radiante

Série Os Legados de Lorien
– Eu sou o Número Quatro, de Pittacus Lore

Outros títulos
– A hospedeira, de Stephenie Meyer
– A menina que roubava livros, Markus Zusak
– Bilionários por acaso, de Ben Mezrich
– Hell, de Lolita Pille
– O efeito Facebook, de David Kirkpatrick
– Pequena Abelha, de Chris Cleave
– Precisamos falar sobre o Kevin, de Lionel Shriver
– Um dia, de  David Nicholls

E-books disponíveis até o fim de 2011:
– A lebre com olhos de âmbar, de Edmund de Waal
– Como Proust pode mudar sua vida, de Alain de Botton
– Crescendo, de Becca Fitzpatrick [Série Hush, Hush]
– Dupla falta, de Lionel Shriver
– Nuvem da morte, de Andrew Lane [Série O jovem Sherlock Holmes]
– O hipnotista, de Lars Kepler
– O mundo pós-aniversário, de Lionel Shriver
– O poder dos seis, de Pittacus Lore [Série Os Legados de Lorien]
– Religião para ateus, de Alain de Botton
– Silêncio, de Becca Fitzpatrick [Série Hush, Hush]

PublishNews | 13/12/2011

Preço fixo, agenciamento e direitos autorais. E as livrarias no meio.


Por Felipe Lindoso | Publicado originalmente em PublishNews | 13/12/2011

Recentemente foi publicada a notícia de que a Comissão Europeia estaria iniciando um procedimento investigativo para verificar se o modelo de “agenciamento” na venda de e-books estaria ou não infringindo a legislação comunitária que protege a livre concorrência. A investigação da CE abrangeria inclusive a possibilidade de um “conluio” entre a Apple a as grandes editoras americanas [algumas das quais, hoje, pertencem a conglomerados europeus] para controlar o preço dos livros. Em resumo, a acusação era de cartelização.

Já tratei algumas vezes de certos aspectos da comercialização de livros físicos, notando como os descontos cada vez maiores [além de vantagens adicionais] exigidos pelas grandes cadeias tendem a puxar o preço dos livros para cima, disfarçando esse fenômeno com os descontos oferecidos no varejo – pelas grandes cadeias – e efetivamente jogando para fora da competição as livrarias independentes, incapazes de competir nesse jogo, particularmente no caso dos livros que entram na lista dos best-sellers [ou que já são “desenhados” para a lista].

Com a entrada dos e-books na equação, a decisão da Comissão Europeia pode permitir uma revisão geral do assunto.

Rápido repasse da situação aqui, no que diz respeito a preço e direitos autorais.

O autor e a editora negociam o percentual de direitos autorais. Embora eu diga “negociam”, essa relação se dá em bases mais ou menos preestabelecidas. Para os livros vendidos em livrarias, a porcentagem geralmente é de 10% sobre o preço de capa, o “preço oficial do livro”. Para edições especiais, o que geralmente significa vendas governamentais, os direitos autorais oscilam entre 6% e 10% do valor bruto recebido pela editora. Às vezes existem escalas progressivas relacionadas com a quantidade de exemplares vendidos.

A relação entre editora e livrarias se dá através do desconto sobre o “preço de capa”. Digamos que em média esse desconto seja de 50% sobre o preço de capa. A livraria pode vender o exemplar pelo preço que desejar, repassando ou não parte desse desconto para o consumidor final. O jogo entre editoras e grandes cadeias é outro caso, sobre o qual falei em outras ocasiões e não vou voltar aqui.

Sobre esse desconto de 50% a editora deve cobrir todos seus custos fixos e variáveis e eventualmente ter seu lucro. É bom lembrar que desses 50% recebidos por cada exemplar vendido, 40% correspondem aos direitos autorais [10% de 100 correspondem a 20% de 50, ou seja, 40% do bruto recebido pela editora]. O resto inclui os custos de editoração [que inclui tradução, se for o caso], impressão e acabamento, logística [armazenamento e distribuição], e custos administrativos. Nem vou tratar aqui da questão eventual de adiantamentos, sempre presentes nas traduções, e cada vez mais presentes [mas ainda não como regra geral] na edição de autores nacionais.

Ou seja, no mercado brasileiro, autores e editores lidam basicamente com duas faixas de preços e porcentagens diferentes de direitos autorais, a saber, nas vendas para o mercado em geral e vendas para o governo. Evidentemente, no caso dos livros didáticos, a segunda equação é predominante.

Na Europa a nos Estados Unidos [principalmente neste último], a equação é mais complicada por uma segmentação do mercado muito mais complexa. Os títulos geralmente são lançados como hardcovers [capa dura], em edições que se destinam ao público em geral e também para o mercado de bibliotecas públicas, por lá muito mais significativo que aqui. Depois de certo tempo, o editor produz nova edição empaperpack, os livros de bolso, com preço inferior. Finalmente, existe a possibilidade de lançamento de um terceiro formato, o mass market, com papel inferior, mancha maior e corpo eventualmente menor. E preço menor, é claro. Eventualmente os três tipos de edição podem coexistir, principalmente no caso de grandes best-sellers e aqueles que se transformaram em filmes de sucesso.

O esquema de comercialização é muito semelhante ao daqui: as editoras vendem com desconto para as livrarias e outros pontos de venda, que decidem qual o preço que cobrarão dos clientes finais. A grande diferença está nos tipos de pontos de venda: hardcovers são vendidos nas livrarias tradicionais, físicas, e pelo comércio eletrônico; paperbacks, além de vendidos em algumas livrarias, são comercializados em livrarias de aeroporto, supermercados e discount stores. O último segmento é vendido essencialmente em quiosques de jornais e supermercados e grandes lojas.

O escalonamento no tempo dos lançamentos de diferentes formatos é acompanhado pela diminuição do preço de capa. De certa forma pode-se dizer que o leitor de hardcover paga, além do livro de qualidade melhor, também um prêmio por ter acesso mais rápido ao título lançado. Quem não tem pressa espera o livro de bolso.

Existem outros fatores na composição do preço e nas expectativas dos editores que não vou levar em consideração aqui, em prol da simplificação, embora sejam importantes: custos de marketing diferenciados, índice de devolução dos livros etc.

Chegam os e-books.

O sistema de comercialização de e-books, no início, se deu de modo muito semelhante aos dos livros físicos. Os editores obviamente estabeleciam o preço dos e-books levando em consideração a diminuição dos custos de impressão e armazenamento, devolução de exemplares, logística de distribuição, entre outros itens. Mas entregavam os livros do mesmo modo: a partir do seu preço de capa [geralmente mais próximo da versão paperback que da versão hardcover] e o vendedor vendia pelo preço que desejasse.

Mas a expansão dos e-books, nos Estados Unidos principalmente, se deu com a intervenção de uma empresa gigantesca, a Amazon. Esta já era a maior vendedora de livros de papel dos EUA. Quando lançou seu e-reader, o Kindle, é que o fenômeno do livro eletrônico efetivamente começou a deslanchar.

E a Amazon usou o Kindle com uma visão estratégica em duas direções: a] queria que seu “leitor” fosse o meio predominante de acesso aos livros eletrônicos; b] queria que o comércio de livros eletrônicos fosse feito predominantemente através da própria Amazon. O Kindle, com um formato proprietário, levava necessariamente a que as compras fossem feitas na Amazon. O resultado foi a decisão de vender e-books com preços muito baixos [em alguns casos até com prejuízo], para alavancar a venda do Kindle e, circularmente, aumentar a fatia da Amazon no comércio de e-books.

A estratégia foi estrondosamente vitoriosa durante mais de um ano, e só começou a ser contestada com a entrada da Apple – i.e., do iPad – no mercado.

Mas voltemos um pouco atrás, para ver o que aconteceu nesse período com a questão dos direitos autorais.

Assim como as editoras eliminaram vários custos – e diminuíram o preço de venda dos e-books – os autores começaram a se inquietar e a exigir modificações nas porcentagens de direitos autorais das vendas de livros eletrônicos. Uma disputa pesada, que teve no meio a tentativa do Google de digitalizar todos os livros anteriormente impressos, com uma proposta de acordo coletivo com a Associação dos Autores dos EUA, que sofreu muitas críticas e acabou rejeitada e bloqueada pela justiça americana. O Google continua digitalizando e se prepara para entrar com força no mercado de e-books [por enquanto é só um ensaio].

O resultado que parece estar se cristalizando é o de fixar os direitos autorais devidos em torno de 25%. Mas, vinte e cinco por cento de quê? A ideia original era manter o mesmo esquema do livro impresso: 25% do “preço de capa” definido pela editora, seja lá qual fosse o preço ao consumidor oferecido pelo varejista. Logo depois os editores foram forçando as condições para que fossem 25% do bruto recebido por eles. Com grande parte dos novos contratos assim negociados, abriu-se o espaço para contra-atacar a Amazon: o “modelo de licenciamento”.

Como já escrevi aqui, esse modelo é, na verdade, uma volta à noção de preço fixo, usada em vários países europeus e nunca aplicada efetivamente nos Estados Unidos. As semelhanças entre o preço fixo e o modelo de agenciamento se dão principalmente na limitação da capacidade do varejista determinar o preço. No primeiro caso, por exigência legal [na França, por exemplo, o máximo de 5% sobre o preço de capa no primeiro ano depois do lançamento] e, no segundo, por exigência contratual. Na prática o sistema do preço fixo mantém o desconto das editoras para o canal seguinte por volta de 40% do preço de capa. No preço fixo, o varejista recebe uma “comissão” de 30% sobre o preço de venda fixado pelo editor.

Quanto aos direitos autorais, o modelo de agenciamento aparentemente melhorou a posição dos autores. Para um e-book de US$ 10, a comissão é de US$ 3 para o varejista e os direitos autorais, de US$ 1,75. Se fosse mantida a porcentagem de 25% sobre o líquido recebido com 50% de desconto para o varejista, o autor receberia apenas US $ 1 por livro eletrônico vendido.

Mas o grande objetivo das editoras, conforme foi explicitado por John Sargent, CEO da Macmillan, é o de manter nas mãos dos editores a escala de preços. Assim, para evitar a “janela” entre o lançamento dohardcover e o e-book, o preço de lançamento, ou preço inicial dos e-books, é mais alto do que os livros do fundo de catálogo, e diminui na medida em que seja lançado o formato paperback. Segundo Sargent, o outro objetivo dessa política de preços é manter a possibilidade de vida das livrarias e das edições em papel. Se houvesse uma “canibalização” do preço no momento do lançamento, o declínio das vendas de livros em papel seria mais acentuado, e a extinção das livrarias físicas seria mais rápida. Os editores acreditam que, a curto e médio prazo, poderão desenvolver modelos de negócios com e-books que envolvam as livrarias, livrando-os assim do fantasma do monopólio virtual da Amazon.

Só foi possível estabelecer esse modelo com a força da Apple. De passagem, ele deu vida também à possibilidade de novos modelos de e-readers entrarem no mercado, como o Nook, da Barnes & Noble, e o Kobo, além da manutenção do Sony Reader. E, talvez, de outros modelos desenvolvidos por livrarias ou cadeias de livrarias em outros países.

É uma discussão que está longe de terminar. Os modelos de comercialização de livros eletrônicos também estão ainda muito longe de se estabilizar. A modelação econômica é mais complicada do que parece à primeira vista, como pode ser visto em um artigo no The New York Times, Math of Publishing Meets the E-Book, por Motoko Rich, publicado em fevereiro do ano passado.

Essa movimentação toda se deu em reação ao movimento da Amazon, pelas chamadas “Seis Grandes” do mercado editorial norte-americano. Ou, melhor dito, que atuam nos Estados Unidos, já que a maioria é de conglomerados internacionais com capitais europeus, a saber: Hachette Book Group [controlado pelo grupo Lagardère, que entre outras coisas é dono também de fábricas de aviões e armamentos]; HaperCollins, que é controlada pelo News Corp, do gente finíssima Robert Murdoch; Macmillan Publishers, controlada pela alemã Holtzbrink; Penguin Group, controlada pela inglesa Pearson, que é o maior grupo editorial do mundo, graças aos livros didáticos e técnico-científicos; Random House, que é controlada pela alemã Bertelsmann; Simon & Schuster, a única que é controlada por outra empresa americana, a CBS.

Eu não tenho dúvidas de que o “modelo de agenciamento” foi inspirado pelo “preço fixo” europeu. E, no Velho Continente, apesar de quase todos os países terem abandonado o sistema do preço fixo, inclusive por pressão da Comissão Europeia, os dois gigantes do mercado editorial, Alemanha e França, mantêm o sistema firme, forte e funcionando.

Quem vai levar essa cana de braço é algo completamente em aberto.

Por Felipe Lindoso | Publicado originalmente em PublishNews | 13/12/2011

Felipe Lindoso

Felipe Lindoso é jornalista, tradutor, editor e consultor de políticas públicas para o livro e leitura. Foi sócio da Editora Marco Zero, diretor da Câmara Brasileira do Livro e consultor do CERLALC – Centro Regional para o Livro na América Latina e Caribe, órgão da UNESCO. Publicou, em 2004, O Brasil pode ser um país de leitores? Política para a cultura, política para o livro, pela Summus Editorial.

A coluna O X da questão traz reflexões sobre as peculiaridades e dificuldades da vida editorial nesse nosso país de dimensões continentais, sem bibliotecas e com uma rede de livrarias muito precária. Sob uma visão sociológica, este espaço analisa, entre outras coisas, as razões que impedem belos e substanciosos livros de chegarem às mãos dos leitores brasileiros na quantidade e preço que merecem.

Hábito de leitura cresce e está cada vez mais eletrônico


EUA: O momento pode estar difícil para livrarias de bairro nos Estados Unidos, mas as pessoas estão lendo mais do que nunca, e os livros eletrônicos estão atendendo os amantes de livros que buscam de biografias de famosos a livros de ficção.

Só temos tido notícias boas este ano. Em geral, a leitura tem se tornado mais popular“, disse Chris Schluep, editor-sênior de livros da Amazon, maior vendedora de livros na internet dos EUA.

Agora é muito fácil comprar um livro“, disse Schluep. “Vemos que o hábito da leitura tem crescido em meio à população“.

Em maio, a Amazon anunciou que, entre 1º de abril e 19 de maio, vendeu 105 livros eletrônicos para o Kindle para cada 100 livros impressos.

Schluep afirmou que 2011 é um ótimo ano para a literatura e que vê uma tendência de aumento na quantidade de livros literários, notando fortes ofertas de romancistas conhecidos ou novatos.

Ele também espera que mais pessoas publiquem seus próprios livros.

Isso é uma linha direta entre autor e leitor“, disse. “O mundo editorial está mudando, e eu não tenho controle sobre a direção para onde ele está indo. A tendência é que as pessoas tenham um maior controle.

Da Agência Reuters | Publicado pela Folha de S. Paulo | 13/12/2011

Livro eletrônico ainda engatinha no País, mas já mobiliza mercado editorial


Crescente consumo de conteúdo digital está transformando a indústria de dispositivos móveis, livrarias, editoras e distribuidoras

Prever se o iPad será mesmo o aparelho queridinho nos próximos dez anos ou se um e-reader [aparelho para leitura digital] tem condições de desbancar os tablets parece dúvida sem resposta no terreno da tecnologia. Mas o crescente consumo de conteúdo digital, ao contrário, é consenso. O e-book [livro eletrônico], especialmente, está transformando tanto a indústria de dispositivos móveis como livrarias, editoras e distribuidoras brasileiras.

A Xeriph, espécie de depósito virtual de 5,5 mil e-books que conecta editoras a livrarias, recebia 1 ou 2 títulos virtuais por semana em dezembro de 2010, ano de sua criação. Hoje, são mais de 100. As editoras parceiras, no mesmo período de comparação, saltaram de 20 para 170 – aproximadamente 90% do total de editoras envolvidas na produção de e-books no Brasil.

Esse avanço pode ser visto com nitidez nas livrarias, que agora incorporam em seu quadro de funcionários equipe dedicada apenas aos livros digitais. Na Cultura, o volume de e-books vendidos dobra a cada três meses e a receita desse setor chega a 1% do faturamento total da companhia, R$ 300 milhões no ano passado.

Como caminhamos, a participação dos e-books nas vendas totais será de 5% em 2013“, diz o coordenador da equipe de e-books da Livraria Cultura, Mauro Widman. A concorrente Saraiva, sem revelar valores, também mostra progresso. Sua loja de livros virtuais ocupa a 60.ª posição entre as 103 lojas físicas no quesito vendas, acima até da loja da Rua Augusta, endereço movimentado em São Paulo.

Apesar do crescimento constatado, estimar quanto a venda de e-books movimenta no País, no momento, é difícil. Na maior parte das livrarias e editoras, a participação marginal do e-book em relação ao faturamento total do negócio cria a política de não abrir os valores. Isso deve mudar quando o Brasil chegar perto dos Estados Unidos. Em 2010, a receita do setor editorial com livros virtuais foi de US$ 878 milhões no país, segundo a Associação de Editoras Americanas.

Milagre. O acervo brasileiro de e-books tem cerca de 7 mil títulos, incluindo produções nacionais e estrangeiras, apontam estimativas do mercado. O da Amazon, pioneira no segmento, tem 950 mil títulos. Seria medíocre a posição do Brasil, se não analisadas as particularidades do setor.

Duda Ernanny, presidente da Xeriph e da primeira livraria digital do País, a Gato Sabido, diz ser um milagre a empresa ter uma pequena margem de lucro. “Ainda não há uma boa base de leitores digitais no País, nosso acervo é pequeno, os direitos autorais para obras virtuais não estão inclusos em antigos contratos com escritores e os aparelhos são caros.

O iPad, lançado há um ano a R$ 1.650 na versão mais simples, foi o responsável pelo estímulo dos e-books no Brasil. Mas e-readers, como o Kindle, não pegaram por aqui. Afinal, o que compensa mais: um aparelho de R$ 800 que serve para ler livro ou um de R$ 1.700, para também navegar na internet, tirar foto, gravar vídeo e muito mais?

Esse fator colabora com a projeção de mais de 400 mil tablets vendidos em 2011, de acordo com a empresa de pesquisa IDC. Para a indústria, seriam 400 mil bibliotecas em potencial. O problema, por ora, continua sendo o pequeno acervo. “Em vez de muitas obras para poucas prateleiras, hoje temos muitas prateleiras para poucas obras“, diz Hernanny.

Pouco a pouco. O movimento nas editoras mostra que as prateleiras vagas no ciberespaço serão preenchidas pouco a pouco. A Zahar, uma das primeiras a produzir livros digitais no Brasil, hoje tem 450 e-books em seu catálogo, o equivalente a 1% de seu faturamento. Sextante, Objetiva, Record, Rocco, L&PM e Planeta devem terminar este ano com 1,2 mil livros digitais, distribuídos pela empresa que criaram em conjunto, a Distribuidora de Livro Digital. Sua previsão de faturamento é de R$ 1,5 milhão.

Na Campus Elsevier – braço da secular editora holandesa Elsevier, que já publicou teses do físico Galileu Galilei -, a atenção se volta para os livros virtuais. São 500 e-books, com a expectativa de mil para o fim do ano que vem. O presidente da empresa, Igdal Parnes, garante ser o maior acervo do Brasil.

O processo de inserção dos e-books no mercado é lento, diz o executivo. “Em termos de produção editorial, ele não é necessariamente mais barato. O e-book não demanda impressão, mas exige infraestrutura tecnológica para armazená-lo. E a parcela de dinheiro referente ao direito autoral é maior quando o livro é digital.

Nesse caso, o autor fica com 25% do dinheiro recebido pela editora com o valor de capa. Quando o livro é físico, 20% vai para o autor.

Além disso, não é simples transformar o arquivo do livro [o encaminhado à gráfica] em e-book. O melhor formato para leitura de livros em aparelhos eletrônicos é o e-pub, cujo custo é de R$ 209 por conversão.

Ou seja, isso pesa para editoras que querem milhares de livros em e-pub. Essa seria a principal razão para a predominância de livros em pdfs no acervo brasileiro.

POR NAYARA FRAGA | O Estado de S.Paulo | 10 de dezembro de 2011, às 3h10

Comissão Europeia poderia aplicar multas milionárias a editoras


As cinco editoras que estão sendo investigadas a respeito do preço de seus e-books poderiam receber multas de muitos milhões de euros se for descoberto pela Comissão Europeia que elas implementaram práticas anticoncorrenciais. Hachette Livre, HarperCollins, Simon & Schuster, Penguin and Macmillan — as cinco editoras que criaram o modelo de “agência” – foram nomeadas pela Comissão Europeia na semana passada, quando o órgão formalmente iniciou uma investigação acerca da criação de preços fixos digitais com a ajuda da Apple. Muitas editoras suspeitam que a Amazon, que tanto de forma pública e privada rejeitou os acordos no modelo de agência, fez lobby com as autoridades responsáveis pela concorrência para que a investigação fosse aberta. Há casos antitruste similares que estão pendentes nos Estados Unidos, incluindo vários processos privados abertos por indivíduos que acreditam que pagaram demais pela compra de e-books.

Por M J Deschamps e Keith Nuthall | The Bookseller | 09/12/2011

Hábito de leitura cresce nos EUA e está cada vez mais eletrônico


O momento pode estar difícil para livrarias de bairro nos Estados Unidos, mas as pessoas estão lendo mais do que nunca, e os livros eletrônicos estão atendendo os amantes de livros que buscam de biografias de famosos a livros de ficção.

Só temos tido notícias boas este ano. Em geral, a leitura tem se tornado mais popular“, disse Chris Schluep, editor-sênior de livros da Amazon, maior vendedora de livros na internet dos EUA.

Agora é muito fácil comprar um livro“, disse Schluep. “Vemos que o hábito da leitura tem crescido em meio à população“.

Em maio, a Amazon anunciou que, entre 1º de abril e 19 de maio, vendeu 105 livros eletrônicos para o Kindle para cada 100 livros impressos.

O livro de não ficção mais vendido da temporada, tanto em papel quanto no formato eletrônico, é a biografia “Steve Jobs”, de Walter Isaacson, lançada em outubro.

Outro livro popular foi “Then Again”, da atriz Diane Keaton, no qual ela conta sua própria história vinculada aos diários de sua mãe.

"Steve Jobs", de Walter Isaacson, livro de não ficção mais vendido da temporada na Amazon

Schluep afirmou que 2011 é um ótimo ano para a literatura e que vê uma tendência de aumento na quantidade de livros literários, notando fortes ofertas de romancistas conhecidos ou novatos.

Ele também espera que mais pessoas publiquem seus próprios livros.

Isso é uma linha direta entre autor e leitor“, disse. “O mundo editorial está mudando, e eu não tenho controle sobre a direção para onde ele está indo. A tendência é que as pessoas tenham um maior controle.

Folha.com | TEC | DA REUTERS | 09/12/2011 – 18h44

Comissão aprova distribuição de didáticos em formato digital


A Comissão de Educação e Cultura aprovou na ultima quinta-feira, 8,  proposta que obriga o Ministério da Educação [MEC] a oferecer suas coleções de livros didáticos e paradidáticos, destinados a alunos e professores, também em formato digital.
A medida está prevista no Projeto de Lei 965/11, do deputado Romero Rodrigues [PSDB-PB].

A relatora, deputada Alice Portugal [PCdoB-BA], argumentou que a medida deverá permitir que os docentes e estudantes tenham acesso ao material distribuído pelo MEC a qualquer tempo e em qualquer lugar.

Hoje, com o advento de novos suportes de informação, os alunos podem ter acesso aos mais diferentes recursos multimídia e de informática. Nesse sentido, os programas de distribuição de livros didáticos podem e devem se adaptar a essa nova realidade”, argumentou.

Tramitação

A proposta, que tramita em caráter conclusivo, será analisada ainda pelas comissões de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Leia a íntegra da proposta PL-965/2011.

Agência Câmara | 09/12/2011

O Google está com a cabeça nas nuvens?


Por Ednei Procópio

Google Books é uma plataforma excelente, muito boa, mas ainda tomando forma.

Forma de uma nuvem, pois, dependendo do vento que nela bate, uma hora ela é uma coisa, outra hora é pode ser outra coisa.

Quanto mais as plataformas móveis, os tablets e o sistema Android em especial avançam, mais a gente percebe que o mercado de eBooks no Brasil é realmente uma nuvem. Literalmente uma gigantesca e tempestuosa nuvem.

Se não, vejamos. Todos nós sabemos que a nuvem é a união de partículas em suspensão que se apresenta de diversas formas e que pode variar em suas dimensões, números, distribuição espacial, etc. Aliás, conforme descrito na Wikipédia, a forma da nuvem aparecer lá no céu depende também dos ventos atmosféricos.

A forma e cor da nuvem depende da intensidade e da cor da luz que a nuvem recebe, bem como das posições relativas ocupadas pelo observador e da fonte de luz [sol, lua, raios] em relação à nuvem.

Entendeu?

Eu penso que, essencialmente, este é o verdadeiro problema do Google quando ele chega ao Brasil, de novo, dizendo as mesmas coisas sobre a sua solução para eBooks. Me parece que as editoras talvez ainda não tenham entendido a forma.

Agora, o Google nos trás o conceito da tal da nuvem, em sua solução para a circulação de eBooks, que não nasceu dentro da empresa e que portanto não faz dela uma pioneira na área.

Com a cabeça nas nuvens

O conceito da cloud computing começou lá atrás, com alguma coisa na área da telefonia. Se eu não estiver enganado, o termo foi criado na década de 1960 por um cientista da computação chamado John McCarthy [falecido recentemente]. Amazon, Apple, AT&T, HP, IBM, Microsoft e Yahoo são apenas alguns exemplos que me lembro, de cabeça, de empresas que entraram nesta onda de “tentar convencer o mercado a utilizar os meus serviços usando um termo da moda”.

Eu chamo isto de “vapoware”, ou seja, uma novidade tão efêmera que se desmancha com uma leve brisa, tal a sua força em comparação às tentativas de convencimentos anteriores.

O programa de parceiros do Google foi lançado em 2004. Portanto, já faz algum tempo que o Google vem tentando convencer o mercado editorial a utilizar a sua ferramenta como forma de comunicar livros.

Ou o mercado editorial brasileiro ainda não entendeu qual é a do Google [não é possível!] ou me parece que, depois de estar presente em mais de 100 países, com 40 mil editoras parceiras e com 2 milhões de títulos, o Google já deveria ter aprendido que, no Brasil, as coisas são bem diferentes. Cafezinho e tapinha nas costas não resolve a questão.

Às vezes brinco com meu filho de ver formas nas nuvens. Aí eu digo pra ele: “Olha, estou vendo um chapéu”. E ele me responde: “Não, ‘c’ tá maluco. Aquilo não é um chapéu, aquilo é uma jiboia engolindo um elefante. Então talvez o problema do Google seja este: pra uns o Google Books tem a forma de um chapéu, customizado dependendo do tamanho do seu catálogo, pra outros talvez seja uma jiboia engolindo um elefante.

“As jiboias engolem, sem mastigar, a presa inteira. Em seguida, não podem mover-se e dormem os seis meses da digestão.

Eu sou nuvem passageira

Aqui, no Brasil, a expressão “céu de brigadeiro” quer dizer um céu sem nuvens. E eu penso que isto de certo modo reflete nos números do Google no país: são apenas 200 editoras e 30 mil livros presentes na plataforma.

No Brasil, não é a primeira vez que o Google reúne o mercado para tentar vender o projeto Google Books e para tentar esclarecer as inúmeras dúvidas que norteiam não a plataforma, mas que norteiam a quase histórica descrença de um mercado cercado de vícios.

Hoje, quinta-feira, dia 8 de dezembro, na parte da manhã, o Google reuniu, mais uma vez, o mercado editorial brasileiro para [puts, como é que eu explico isto?] reapresentar a plataforma Google Books, agora em formato de nuvem.

Mas onde está a novidade? Usando uma frase que li hoje num newsletter, o que o Google disse aos livreiros e editores brasileiros?

Porra nenhuma. Sejamos francos, e não precisamos ‘fazer média’. Nada do que nós já não sabíamos.

Já não era óbvio que a ideia do Google era digitalizar os livros para, somente depois, lá na frente, bem lá no futuro, começar a comercializá-los? Então porque é que o Google já não disse isto lá atrás pra economizar o tempo de todo mundo?

Apesar de que, se não me falha a memória, o Google afirmou, categoriamente, que não, que não iria comercializar os livros eletrônicos, que a digitalização ia apenas ajudar na busca pelas obras impressas.

Parece-me que o conceito de nuvem se aplica bem aos negócios que ainda não estão bem, digamos, condensados, só para usar um termo da Física. Pois vejamos: a ideia original do Google Books era digitalizar o conteúdo offline de livros e, através das ótimas ferramentas do próprio Google, ajudar o usuário a encontrar um livro, em versão impressa, em uma estante em uma biblioteca ou livraria [físicas].

Só que vem um vento, soprando, que batizo de iCloud, e muda a direção das nuvens. Aí o Google muda de ideia também. E aí o Google passa a querer distribuir e comercializar o que já estava digitalizado.

Que com o vento se vai

Todos nós sabemos que a missão original do Google era “organizar as informações do mundo e torná-las mundialmente acessíveis e úteis”. Depois, o Google queria ser um indexador. O Google queria ser um buscador. Depois, o Google queria ser um digitalizador de coisas offline. Depois o Google queria ser uma biblioteca digital mundial, queria ser a única. E aí um distribuidor de eBooks comercializáveis. Depois uma plataforma para autores. E, por fim, bem, seria interessante se o Google fosse o seu próprio criador de conteúdos. Sugiro que o Google seja também o seu próprio consumidor e usuário. Já que ele agora pelo que me parece quer fazer de um tudo.

Mas do que eu estava falando mesmo? Ah, sim, do mercado editorial lá reunido, a cúpula, talvez a elite, digamos assim, reunida para que o Google pudesse mais uma vez tentar convencê-los de algo que nem o próprio Google em 2004, nem a Gato Sabido, nem a Xeriph, nem a Minha Biblioteca, nem a Nuvem de Livros, etc., etc., etc., conseguiu. E antes de todos eles a eBooksBrasil, a VirtualBooks, e muitos outros.

Os números

O Google nos diz, em uma das suas telas apresentadas no evento de hoje de manhã, que somos 80 milhões de internautas. Número que eu, mais uma vez, pela enésima vez, aliás, discordo em gênero, número e grau. Na minha percepção, o número é muito menor do que este. Mas tudo bem, eles são o Google, né?

Depois, o Google diz que as pessoas passam 28 horas por semana online. OK, perfeito, legal. Mas quanto deste tempo, as pessoas passam lendo livros?

Segundo a Anatel, nos números apresentados pelo Google, somos 232 milhões de celulares. De novo. OK, perfeito, legal. Mas quantos celulares são pós-pagos e quantos celulares são pré-pagos? E, mais do que isto, quantos têm a conta do tipo 3G? Afinal, para consumir livros digitais é preciso estar conectado. E quantos são smarts com telas pra leitura?

Alguns outros números apresentados, no entanto, foram muito interessantes.

A plataforma Google Books, integrada ao Android, já foi lançada no EUA, Canadá, Austrália, Inglaterra e países da Europa. No total, são mais de 7 mil editoras mantendo seus livros na plataforma.

Mais de 300 livreiros nos EUA e Reino Unido.

Mais de 600 varejistas nos EUA, Reino Unido, Canadá e Austrália.

Os números mostram 112 milhões de eBooks vendidos em 2010. O que soma $ 3,38 bilhões. E são 3,5 milhões de instalações do aplicativo do Google eBooks.

Mais do mesmo

Mas tirando os números acima citados, duvido que alguém ali tenha notado isto, a apresentação começou com algumas telas ensinando o que era o Google. O que demonstra o tom, um indício de com quem o Google achava que estava falando.

Aliás, eu achei sensacional esta parte inicial da apresentação porque eu já havia me esquecido como era o buscador do Google, de tanto usar o Bing.

Está bem, talvez eu não devesse escrever isto aqui, mas me parece que é sempre mais do mesmo, um blá, blá, blá sobre internet, redes sociais, compras online, um falatório sem fim, um viés de convencimento que simplesmente me pareceu desnecessário.

Ouvindo estas palestras sobre eBook me parece até que os profissionais do mercado ainda não se convenceram, ou realmente não estão preparados para o mundo digital. Então precisa de um café da manhã para, sei lá, dar um ultimato de quem não convence nem a si mesmo.

Raios e trovões

Uma coisa que o Google não conseguiu explicar direito, fora a questão dos percentuais das vendas para editores e livreiros, vamos dizer que talvez por causa do tempo curto, foi a questão da leitura offline dos eBooks ‘presos’ à nuvem. Me parece que a segurança do arquivo no caso da plataforma envolve um cash em pastas encripturadas. Algo que eu até já estava estudando para a nossa solução na Livrus.

Preciso ver isto mais de perto.

Mas mesmo com o bom crescimento do Android para smarts e tablets, o Google percebeu que existem outras plataformas de hardwares que ainda não utilizam o seu sistema. Com isto, o Google percebeu que haveria a necessidade de integração com outras plataformas. É o que aconteceu com o hardware iRiver Story HD, cuja integração foi necessária por conta desta leitura offline em e-readers. E aí, neste caso, a integração ficou perfeita, muito boa, bem diferente do casamento Adobe CS/Sony Reader.

Em resumo, para o a circulação de eBooks usando o conceito de nuvens, o desafio ainda é a segurança quando se quer ler a obra estando offline. E esta segurança é relativa quando se trata de conteúdo que veio lá da nuvem.

Enfim, creio que o que possam nascer desse cenário todo de nuvem pra cá, nuvem pra lá, sejam raios, relâmpagos e trovões.

Um raio, segundo a página digital do Sr. Jimmy Wales, “é um fenômeno em que para acontecer é preciso que existam cargas opostas entre nuvens”. É uma descarga elétrica que se produz pelo contato entre nuvens, pois “quando isso acontece, a atração é muito forte, então temos uma enorme descarga elétrica”. Disto isso, imaginemos, por exemplo, o que poderia acontecer com iniciativas como a  Nuvem de Livros quando se percebe que projetos como este concorrem diretamente com o Google eBooks?

Temos um mercado que se reúne várias vezes, sem rumo, como se um raio não caísse duas vezes num mesmo lugar.

Entro nessa?

Se vale à pena entrar no Google Books?

Mas é claro que sim. Vale muito à pena.

Ironias à parte, sei que exagero [ é que, às vezes, chega uma hora que é necessário], e levando em conta que o Google faz segredos sobre percentuais, mas assim que eu descobrir eu publico aqui, considero a plataforma do Google, de longe, a melhor de todas. Melhor que a plataforma da Apple. Melhor que a plataforma da Amazon. Não que as outras não sirvam, não é isto, mas levando em conta as nossas especificidades, sem sombra de dúvidas é uma das melhores opções para as editoras no Brasil.

Se o Google realmente trouxer, como prometeu, a plataforma Google eBooks integrada ao Android para 2012 creio que teremos finalmente uma solução inteligente para os nossos negócios.

É isto, testem a API do Google Preview. Que é maravilhoso. E, na boa, foi a única coisa bacana que eu gostei deles terem mostrado hoje.

Mas enfim

Eu saí da apresentação de hoje de manhã com a sensação de que o Google está querendo dizer o seguinte: “Venha para minha plataforma porque afinal eu sou o Google”. Então eu não deveria ter ido lá, eu teria ficado com aquela imagem sóbria que eu tinha do Google, de uma empresa com um motor de inovação sem igual, que não precisa convencer nenhuma empresa editorial brasileira do óbvio.

Mas já que eu fui, eu poderia agora mesmo acessar o buscador Google, que pretende um dia a tudo responder, e perguntar: Porque um usuário compraria um livro digital no Google eBooks se no Google Preview o acesso é gratuito?

Hoje, na apresentação, o Google citou uma música do Red Hot Chili Peppers, mas fico com a canção de Bob Dylan:

The answer, my friend, is blowin’ in the wind. The answer is blowin’ in the wind”.

Por Ednei Procópio

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PublishNews | 08/12/2011