Só preço salva o Kindle Fire, tablet da Amazon


A princípio, ele lembra o popular slogan de eletrodomésticos brasileiros. Afinal, o Kindle Fire não é, assim, nenhum iPad. Quando se vê o preço, porém, o novo tablet da Amazon vira uma opção deveras interessante para quem cobiça o aparelhinho, mas hesita quanto a seu uso.

O Fire, encarnação de tela colorida e sensível ao toque do leitor eletrônico que a Amazon lançou em 2007, serve para bem mais do que ler [e comprar] livros: navega na internet, roda jogos e vídeo, tem aplicativos de toda sorte e lê documentos com extensões PDF, DOC e outras.

Sem câmera, sem GPS e com tela menor, precisa evoluir para se comparar ao iPad. Mas como reclamar diante do preço de US$ 200, 60% menor que o do rival?

O ponto mais frágil está na oferta de apps, mais limitada. Os aplicativos dos jornais são basicamente versões coloridas do que havia no Kindle original, sem interatividade [revistas, como a “Wired”, já têm versões próprias]. Além disso, a loja criada pela empresa não funciona fora dos EUA [leia mais ao lado].

Também faltava o YouTube. Em seu lugar, um player pouco amigável para o site de vídeos, o FREEdi, não rodou no teste da Folha.

A julgar pelo que ocorreu com o Android, entretanto, é de esperar que o número de apps -hoje vagamente classificado pela Amazon como “milhares”- se multiplique logo. O sistema operacional utilizado pelo Fire, aliás, é uma versão adaptada daquele criado pelo Google.

Funciona bem. Mas alguns detalhes que aumentam os passos na navegação, como a tela que enfileira aplicativos ou os categoriza, tiram pontos diante do ultrainstintivo iOS 5, da Apple.

Uma das características trompeteadas pela Amazon é a rapidez de seu novo navegador, o Amazon Silk. É fato. Mas a resposta ao toque -zoom e rotação, ou o toque para acionar vídeos- é lenta, e às vezes engasga.

Diferentemente do que se torna frequente com o iPad, os sites não reconhecem imediatamente o Fire como tablet e carregam sua versão completa. Porque a tela é significativamente menor, a leitura se torna menos confortável do que no rival.

Faz falta também um ajuste de som no próprio aparelho -o controle, virtual, aparece na tela. Já a qualidade dos vídeos é excelente, mesmo com a tela menor.

Dois pequenos trunfos do Fire sobre o iPad são a porta Micro-USB e a portabilidade [o rival pesa 50% mais].

Ao evoluir, porém, o Fire deixou de lado aquilo que fazia seu irmão mais velho tão especial frente ao iPad: o conforto para ler livros.

Ainda estão ali dicionários, marcações e consultas. Mas a tela luminosa é bem menos confortável aos olhos do que a de E Ink dos Kindles antigos, e o peso é 2,5 vezes maior. Além disso, a bateria da versão simples durava até um mês -no Fire, a promessa é de oito horas em uso intenso.

Por Luciana Coelho | De Washington | Publicado originalmente por Folha de S.Paulo | 27/11/2011

Turma da Mônica ganha vídeos para smartphone e tablet


O estúdio de Mauricio de Sousa, 76, na Lapa, zona oeste de São Paulo, tem o estilo descontraído que se imagina de quem vive de criar e entreter.

Nas salas do edifício antigo ocupadas pelo inventor da Turma da Mônica há vários brinquedos e quadros dos personagens, guloseimas sobre as mesas e um entra e sai constante de filhos de Mauricio que trabalham com ele –sete, de um total de dez.

Isto aqui é uma usina de ideias“, diz, ao lado da filha Mônica Spada e Sousa, 51, que inspirou a personagem de mesmo nome e hoje é diretora comercial da Mauricio de Sousa Produções.

Ideias que renderam novos projetos para 2012.

No primeiro semestre do ano que vem, de olho no público jovem e adulto, a produtora lança uma série de vídeos de curtíssima duração –espécie de vinhetas de 30 segundos – para iPhone e iPad chamada “Monica Toy”.

São breves animações com personagens da Turma menos politicamente corretas que as tradicionais, para público acima de 14 anos“, diz Mônica.

Além disso, a empresa pretende estar com o site atualizado [www.monica.com.br], mais interativo, e atuando em e-commerce com seus 1.500 produtos licenciados [como brinquedos e roupas] e itens exclusivos. É a primeira grande reformulação na área digital desde que o site foi criado, em 1996.

Mauricio de Sousa e sua filha Mônica Spada e Sousa, no estúdio da produtora na capital paulista | Leticia Moreira, by Folhapress

Fizemos um investimento grande naquela época, e depois isso ficou adormecido“, afirma a diretora comercial, sem revelar valores.

A tecnologia é importante para manter a comunicação com o público. Lamento não ter tempo para usar ainda mais as redes sociais“, diz Mauricio, reconhecido no Twitter pela assiduidade.

RELEITURA

Ainda na lista de novidades para 2012 em busca do público jovem e adulto, a produtora lança uma série de quatro “graphic novels” [romances gráficos] com a Turma da Mônica.

As histórias, publicadas trimestralmente, vão ser concebidas por cinco desenhistas de fora da equipe tradicional -contratados especificamente para o projeto.

Cada um fez o desenho e a história ao seu estilo, mas, claro, sob nossa supervisão“, diz Mauricio. “As exigências foram não ter desvio de comportamento nem morte de personagem, e que as figuras guardassem algumas características das originais.

POR CAROLINA MATOS | Folha.com | 27/11/2011 – 11h12