Amazon exclui editoras e negocia com escritores


Empresa deve lançar 122 livros em papel e formato digital até o fim do ano

Editores se apavoram com a concorrência da companhia, capaz de pagar US$ 800 mil para publicar um livro

A Amazon.com mostrou aos leitores que eles não precisam de livrarias físicas. Agora incentiva os escritores a descartar as editoras.

Até dezembro a Amazon deve lançar 122 livros em uma série de gêneros, em papel e formato digital. A empresa vai competir de frente com as editoras de Nova York -que são também as suas maiores fornecedoras.

A Amazon trouxe um editor veterano, Laurence Kirshbaum, para produzir livros de ficção e não ficção de nomes conhecidos no mercado.

Assinou seu primeiro contrato com o autor de livros de autoajuda Tim Ferriss.

Na semana passada, anunciou a publicação de um livro de memórias da atriz e diretora Penny Marshall, pelo qual pagou US$ 800 mil, segundo uma pessoa próxima da transação.

As editoras dizem que a Amazon corteja agressivamente alguns de seus autores de maior sucesso.

Várias se negaram a falar “on the record”. Dennis Loy Johnson, da Melville House e conhecido por falar com franqueza, disse: “Os editores estão apavorados e não sabem o que fazer“.

Executivos da Amazon se negaram a revelar quantos editores a empresa emprega ou quantos livros contratou.

As editoras tiveram um vislumbre do futuro no fim do mês passado, quando a Amazon lançou o seu novo tablet, o Kindle Fire.

Jeffrey Bezos, o executivo-chefe da empresa, se referiu várias vezes ao aparelho como um “serviço de uma ponta a outra”, suscitando a imagem de um mundo em que a Amazon desenvolve, promove e entrega o produto.

DO “NEW YORK TIMES” | Tradução de CLARA ALLAIN | São Paulo, terça-feira, 18 de outubro de 2011 | Folha de S.Paulo, Mercado