Escola do Livro: “Direitos Autorais e a Proteção do Livro Eletrônico”


Patricia Peck

O curso “Direitos Autorais e a Proteção do Livro Eletrônico”, oferecido pela Escola do Livro, da CBL [Câmara Brasileira do Livro], acontece no dia 29 de setembro, das 9h às 13h. O curso tem como propósito mostrar a evolução dos direitos autorais na era digital, a proteção legal do Livro Eletrônico. Sociedade do conhecimento e a quebra do paradigma do suporte físico é um dos temas abordados por esse curso. Além disso, melhores práticas para criação, produção, distribuição e compra de livros Eletrônicos – o que deve constar nos contratos.

As aulas serão ministradas por Dra. Patricia Peck Pinheiro que é Advogada especialista em Direito Digital, formada na USP, com especialização em negócios pela Harvard Business School e MBA em marketing pela Madia Marketing School, com capacitação em inteligência e contra-inteligência pela Escola de Inteligência do Exército e Gestão de Riscos pela Fundação Dom Cabral. Sócia fundadora do Escritório Patricia Peck Pinheiro Advogados, é autora do livro “Direito Digital” e co-autora dos audiolivros “Direito Digital no Dia-a-Dia”, “Direito Digital Corporativo” e “Eleições Digitais”, todos pela Editora Saraiva, além de participação nos livros “Direito e Internet II”, “e-Dicas” e “Internet Legal”. É colunista do Conta Corrente da Globonews, do IDG Now e articulista do Valor Econômico, Revista Visão Jurídica, Revista Partner Sales, entre outros. Possui experiência internacional nos EUA, Portugal, Coréia. Idealizadora do Movimento “Criança Mais Segura na Internet”. Mais informações do curso podem ser obtidas pelo e-mail: escoladolivro@cbl.org.br ou pelo telefone [11] 3069-1300.

CBL Informa | 22 de Setembro de 2011

Boas novas do mercado digital e meu novo gadgetlove


Por Camila Cabete | Texto publicado originalmente em PublishNews | 22/09/2011

Uso hoje como ilustração desta coluna o desktop do meu iPad. Meu novo romance com essas coisas que não possuem cérebro nem corrente sanguínea. Embora adore a convivência humana e ache que a graça da nossa vida é conviver e conhecer esses estranhos seres bípedes, estou realmente apaixonada pelo meu Ipad 2.

Começo falando disso porque, analisando os dados da Gato Sabido, verificamos que 40% de nossos clientes compram livros por meio de um tablet. Parece mentira, mas contra essas análises de meus amigos andróides, não há controvérsias… E isso reflete exatamente o que venho vivendo.

Há algumas colunas cheguei até a comentar que o e-reader era meu preferido para leituras longas. Pois é, mudei meu hábito. Do nada me peguei lendo no iPad. E o pior, gostando! Comecei a comprar minhas revistas da Abril na Appstore, e olha que são muito melhores que as impressas. Não estou mais assinando as revistas impressas, quero assinaturas digitais, afinal, não quero continuar empilhando revistas em casa, revistas estas que, mais cedo ou mais tarde, serão jogadas no lixo. Cheguei ao cúmulo de trocar as minhas revistas preferidas por outras similares, pois algumas delas não estão ainda disponíveis neste formato. Minha primeira revista assinada no Ipad foi a Vegetarianos, que não tem um aplicativo tão rico quanto os da Abril, mas já me atende perfeitamente. Imagina estar sempre a um clique de todas as suas revistas… Sem falar em livros… ahhhh meus livros…

O iPad tem me acompanhado por todos os lugares. Com um adaptador fiz minha primeira apresentação em datashow no congresso da ANL, estou escrevendo esta coluna, anoto minhas reuniões, leio quando estou no taxi ou na sala de espera de algum lugar, faço calls via skype, vejo meus e-mails e respondo, trabalho de verdade e mergulho num mundo sem fim de leituras. Tenho lido três vezes mais do que há um ano.

O mercado mudando e eu refletindo isso no meu dia a dia… Óbvio!

Vocês sabiam que as universidades estão adotando o sistema de e-books para ementas inteiras? E que o aplicativo que o aluno usa para ler o material didático também serve para ler e-books? E que isso será um pulo para um maior consumo de livros em geral e que este caminho não tem volta?

A parte ruim é quando tento comprar um livro digital via tablet e não o acho em língua portuguesa brasileira e sou obrigada a comprar a obra em Inglês na Amazon… Isso me dói!

camila.cabete@gmail.com vulgo @camilacabete também conhecida como @ensaiosdigitais pela queridíssima @publishnews

* Quando falo em iPad, por favor, entenda Tablet, só cito a marca do meu, por conveniência e nenhum compromisso jornalístico ou de merchandising.

Por Camila Cabete | Texto publicado originalmente em PublishNews | 22/09/2011

Camila Cabete [@camilacabete] tem formação clássica em História, mas foi responsável pelo setor editorial de uma tradicional editora técnica por alguns anos [Ciência Moderna]. Hoje, é responsável pelo setor editorial da primeira livraria digital do Brasil, a Gato Sabido [@gatosabido]. É ainda consultora comercial da Xeriph, a primeira distribuidora de conteúdo digital do Brasil e sócia fundadora da Caki Books [@cakibooks], uma editora cross-mídia que publica livros em todos os formatos possíveis e imagináveis. Vive em Copacabana e tem uma gata preta chamada Lilica.

A coluna Ensaios digitais é um diário de bordo de quem vive 100% do digital no mercado editorial brasileiro. Quinzenalmente, às quintas-feiras, serão publicadas novidades, explicações e informações sobre tecnologias ligadas a área literária.

O papel do digital na construção de uma nova forma de ler


O desenvolvimento e a rápida expansão das novas tecnologias de informação e de comunicação têm gerado diversas transformações na sociedade. Uma das mais visíveis diz respeito à forma de receber conhecimento e entretenimento. Os livros digitais representam bem o caminho que a nova sociedade está trilhando. Em uma época em que a tecnologia está praticamente em todos os lugares, muitas pessoas acabam se desinteressando pelos livros impressos, substituindo-os por aparelhos como laptops e Ipods.

Os novos suportes, porém, ainda enfrentam uma luta acirrada com os amantes do papel. A última Bienal do Livro, realizada em setembro no Rio de Janeiro, se mostrou um sucesso de público. Entre os estandes, alguns dos mais procurados foram aqueles que mostraram aos visitantes uma nova ferramenta para a leitura: os e-books. Nestes locais, a aglomeração de pessoas demonstrava a curiosidade do público para conhecer e entender a novidade que vem ocupando mais espaço a cada dia. As amigas Gabriela Elias, de 21 anos, e Cristina Lemos Simões, de 23, testaram a leitura digital pela primeira vez na Bienal. Empolgadas, as jovens fizeram questão conhecer a tecnologia na feira de livros e já conseguem visualizar uma série de benefícios dos e-books.

Formada em Letras e atuando com secretária, Cristina Simões se encantou com o aparelhinho. Para ela, os e-books são muito vantajosos, principalmente para quem estuda. “Só de você não ter que levar um monte de livros em uma mochila pesada, já é um grande benefício. Se na minha época de estudante tivesse essa ferramenta, a faculdade teria sido bem mais fácil”. Cristina tem o hábito, como muitas pessoas, de ler vários livros ao mesmo tempo. E a plataforma digital facilita muito esse processo, pois todos os livros podem ser encontrados em um único lugar e com fácil acesso. Além disso, as ferramentas de busca nos aparelhos digitais e a possibilidade de selecionar o texto desejado para transferí-lo para uma pesquisa também tornam o trabalho muito mais fácil. “Para universitários e estudantes, isso ajuda muito. Para fazer um trabalho, o estudante tem que consultar vários livros e os e-books facilitam muito. Fica mais dinâmico e você não precisa mais perder tempo procurando um trecho de um livro”, comenta a secretária.

Opiniões divergentes, mas todos com o mesmo interesse

A estudante de Educação Física, Gabriela Elias, mesmo vendo muitos pontos positivos na leitura digital, ainda não se sente confortável com os novos suportes.

“Estou fazendo minha monografia e, com certeza, os e-books iriam me ajudar muito. Mas uso óculos e fico muito tempo no computador, forço muito a vista e tenho dor de cabeça. Por esse motivo, ainda prefiro os livros tradicionais. Quem sabe daqui a algum tempo este problema já esteja resolvido?”. A amiga Cristina, porém, já não tem este tipo de dificuldade e passa, devido ao trabalho, o dia em frente à tela do computador.

Além disso, a jovem também costuma ler textos, artigos e trabalhos em seu netbook, deitada na cama. Mesmo apaixonada por tecnologia, a secretária não teme o fim dos livros impressos. “Acho que não há riscos do livro em papel sumir. Há um tempo, muito se falava no fim do jornal impresso, mas isso não aconteceu. E muita gente ainda prefere o formato tradicional. Com o livro, certamente vai acontecer a mesma coisa. O uso das mídias digitais depende muito do perfil da pessoa que vai comprar. Para alguns, vale a pena. Para outros, não. Muita gente ainda prefere o livro impresso“.

Este é o caso dos amigos Hian Marins, de 15 anos, e Lucas Mendonça, de 17, ambos alunos do primeiro ano do ensino médio. Mesmo percebendo inúmeros benefícios na leitura digital, os estudantes ainda preferem o método tradicional de ler. Segundo Hian, a preferência tem um único motivo: costume. “Nós estamos conhecendo agora os tablets e aparelhos do tipo. Eles ainda são uma novidade. Algo que não conhecemos muito bem. Já o livro é nosso companheiro desde quando éramos pequenos. Estamos mais acostumados com as histórias no papel do que nas telas“, explica. O amigo Lucas concorda com Hian, apesar de já ter contato com a leitura digital em seu computador pessoal. “Em casa temos um programa que apresenta todos os textos bíblicos digitalizados. É bem interessante, pois a leitura se torna muito dinâmica. E a pesquisa, mais fácil“. Por isso mesmo é que, apesar de preferir o livro impresso, Lucas acredita que um dia ele terá fim. “Hoje, as crianças já nascem em meio ao mundo digital. Elas estão se acostumando com isso e vão achar, com o tempo, a tecnologia melhor que a tradição. Um dia, daqui a muito tempo, acredito que os livros podem, sim, acabar, ou, pelo menos, diminuírem bastante de produção“. Também amigo de turma, Rodrigo Santana, de 15 anos, não tem dúvida: prefere os livros digitais. O estudante acaba mostrando aos outros que, apesar das preferências, todos têm curiosidade e interesse por este novo modo de ler que vem surgindo. Ao perguntar aos amigos se, tendo condições financeiras, algum deles compraria um e-book, não houve discórdia. Todos disseram sim.

Especialistas também acreditam no fim do livro impresso

De acordo com Domício Proença Filho, membro da Academia Brasileira de Letras, o prazer de ler varia de acordo com o leitor. Para ele, as pessoas que cultivam há anos o hábito da leitura no suporte papel levarão algum tempo para substituí-lo pela telinha do livro eletrônico. Porém, a funcionalidade de que este último se reveste acabará por ser decisiva a seu favor. A escritora Leila Rego também prevê o crescimento dos e-books e já se prepara para entrar nesse mercado. Leila escreveu os livros “Pobre Não Tem Sorte” [2009] e “Pobre Não Tem Sorte 2 – Alguma Coisa Acontece No Meu Coração” [2010] e tem um público muito diversificado, já que suas histórias são do gênero chick-Lits – o que equivale a uma  comédia romântica. “Essa é uma preocupação que eu já tenho. O livro digital é o futuro do livro impresso. Não temos como fugir. Já estou conversando com a editora para que possamos transformar o livro físico em digital daqui a um tempo“, afirma. Apesar de ser dizer apaixonada pelas histórias em papel, a autora compreende a mudança de comportamento dos leitores. “Eu ainda tenho muito apego ao livro físico, mas acho que isso muda de acordo com a geração. Essa nova geração nasceu rodeada de tecnologia. Então, é muito mais natural para eles, a leitura digital. Eles já ouvem música no formato MP3 e não mais no CD, por exemplo. O livro digital é uma consequência natural“, explica. “Quem sabe um dia meus netos vão comentar: Nossa avó lia livros em papel! Como acontece hoje com a máquina de escrever e os discos de vinil“, imagina.

Segundo ela, a vantagem do livro digital é que você pode carregar em um tablet, um aparelho que pesa apenas 300 gramas, uma biblioteca inteira. “Quer dizer, no peso que você levaria um livro, você pode levar quantos quiser“. Porém, para a escritora, o livro físico possui um charme e atrativos diferentes, já que você pode sentir o cheiro e a textura das páginas. “Você vai a uma livraria, folheia, olha as capas. Tem todo um charme. Tem todo um processo, onde você namora o livro. É disso que eu gosto“, revela. Domício Proença – recentemente eleito uma das Personalidades Educacionais 2011, em promoção realizada pela FOLHA DIRIGIDA, ABI e ABE – concorda. E afirma ter uma relação quase afetiva com o livro de papel. “Sua materialidade é extremamente mobilizadora. E o prazer que desperta vai além da simples leitura do texto“. Quanto aos aplicativos que os livros digitais trazem e prometem trazer ainda mais – como trilhas sonoras, efeitos de sonoplastia e imagens da cena -, Leila brinca. “Isso tudo enriquece a leitura digital, mas as imagens, por exemplo, acabam por cortar a imaginação do leitor. Eu prefiro imaginar“.

De uma coisa não há dúvida: para a disseminação dos suportes digitais é preciso muito empenho para que tais aparelhos se tornem disponíveis com facilidade. Dómício acredita que os e-books devem passar a frequentar o cotidiano dos leitores, “sobretudo na escola, a agência cultural por excelência no que se refere ao desenvolvimento do hábito de leitura“. E, para que isso aconteça, também é necessário derrubar alguns entraves ao cultivo da leitura. Se muitos reclamam que as publicações impressas possuem preços elevados, o problema tende a piorar, no que diz respeito à compra dos aparelhos para a leitura digital, que surgem com um preço ainda elevado. “Se os livros eletrônicos não se adaptarem ao poder aquisitivo da maioria dos consumidores, eles enfrentarão a mesma dificuldade“. Este é o segredo para que esta nova forma de ler possa se instalar definitivamente na sociedade, para que ela, então, faça sua escolha.

Por Joyce Trindade | Publicado originalmente em Folha Dirigida | 22/09/2011