Mais um autor no Kindle Million Club


Guerra dos tronos alcança a marca de um milhão de e-books vendidos na Amazon

George R R Martin

George R R Martin, da série Guerra dos tronos, é o mais novo autor a entrar para o Kindle Million Club, que já conta com Stieg Larsson, James Patterson, Nora Roberts, Charlaine Harris, Lee Child, Suzanne Collins, Michael Connelly, John Locke, Janet Evanovich e Kathryn Stockett. Editado no Brasil pela LeYa e há semanas entre os mais vendidos, Martin vendeu, apenas na Amazon, um milhão de e-books.

PublishNews | 21/09/2011

O mercado de e-books poderia definitivamente confundir o consumidor médio


Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em Publishnews | 21/09/2011

Mike Shatzkin

Não há links neste post. Eu me refiro a pesquisas feitas em várias livrarias, mas as páginas de resultados são dinâmicas, então criar um link não garantiria que você visse os mesmos resultados que eu. Você pode replicar as buscas, mas pode ou não ver a mesma coisa.

Aqui mostro como o mercado de e-books pareceria sem o modelo de agência.

Depois de ler o livro 61, de Phil Pepe, sobre a grande temporada do jogador de beisebol Roger Maris há 50 anos, eu estava pronto para minha próxima leitura. Nenhum livro apareceu mais na imprensa, pelo que tenho lido nas últimas semanas, do que uma nova biografia de Jacqueline Kennedy: transcrições de entrevistas que ela deu ao historiador Arthur Schlensinger poucos meses depois do assassinato de JFK. Isso parecia uma boa escolha para mim.

[Aprendi através do exercício descrito aqui que o livro tem o copyright “by Caroline Kennedy”, que controlou a propriedade, editou e fez o contrato para sua publicação e também “by Michael Beschloss”, o historiador que escreveu a introdução.]

Apesar de ter vários leitores carregados no meu aparelho de leitura digital [o iPhone], recentemente me peguei sentindo falta da loja Kindle, porque é o melhor lugar para navegar. Ela permite buscas bem granulares por categoria e subcategoria [que as outras não permitem] e organizar as escolhas em ordem inversa de publicação [que as outras tampouco permitem, ou se permitem, não deixam muito óbvio ocomo]. Foi como eu encontrei 61 e The House That Ruth Built, minhas duas leituras mais recentes sobre a história do beisebol [meu assunto favorito].

No entanto, quando você sabe que quer um livro específico, todos os serviços de e-books são bastante iguais. Todos permitem que você faça buscas por título ou autor e mostram o que você está procurando. Como eu gosto de espalhar minha leitura para continuar em dia com as várias experiências, decidi procurar primeiro no Nook por “Jacqueline Kennedy”.

E o mecanismo de busca encontrou 22 itens, sendo que os dois primeiros eram o que eu estava procurando.

Mais ou menos.

O resultado número 1 era o livro que eu queria [Jacqueline Kennedy: Historic Conversations on Life with John F. Kennedy, de Caroline Kennedy], mas só estava disponível para pré-venda, disponível a partir de 3 de janeiro de 2012. O preço normal era de US$ 29,99 e o do Nook com desconto era de US$ 9,99. Obviamente, não era o modelo de agência. Aparentemente, a B&N vai aceitar uma perda de US$ 5 em cada cópia, assumido que eles fiquem com 50% dos US$ 29,99, dividindo com a editora Hyperion.

Mas eu quero ler agora!

O segundo resultado é o mesmo livro. No entanto é um “Nook Book Enhanced [e-book]”. Está disponível agora. O preço normal é de US$ 60 e o do Nook é de US$ 32! São trinta e dois dólares! Preço normal de SESSENTA dólares? Que m… é essa?

Vamos notar aqui que a B&N está aparentemente ganhando uma margem pequena se estão pagando 50% para a Hyperion. Mas como sou o maior gastador em e-books que conheço [comprei e li feliz tanto Fall of Giants quanto George Washington da Penguin por US$ 19,99 sem piscar; há alguns anos comprei um e-book biográfico de Grover Cleveland por US$ 28] e esse preço me pareceu exagerado, imagino se alguma outra pessoa o comprou.

Então continuei procurando.

Minha parada seguinte foi a Google e-Books. O livro que estou procurando não estava nas primeiras duas páginas de resultados na busca sobre Jacqueline Kennedy [no entanto, havia um livro chamado Inventing a Voice: The Rhetoric of American First Ladies of the Twentieth Century que estava à venda por US$ 42,36 e outro chamado The Kennedy Family: an American dynasty, a bibliography with indexes por US$ 55,20].

Então tentei a Kobo. Quando cheguei ao fim da primeira página de resultados, já estava em outras Jacquelines. E o livro que eu queria, o que estava tendo toda aquela publicidade, não apareceu.

Quase nunca uso a iBookstore porque a seleção é mais limitada. Mas decidi tentar dessa vez. Encontrei algo legal imediatamente: havia uma opção com o mecanismo de autocompletar, para “Jacqueline Kennedy”, depois de digitar algumas poucas letras de seu primeiro nome. Muito útil num iPhone.

Aqui encontrei uma variação do que já havia visto no Nook. A primeira lista era para o e-book comum, só que para pré-venda para entrega em 3 de janeiro de 2012, por $14,99 [iBookstore, ao contrário do Nook, não mostra o preço normal da editora].

O segundo item na lista anunciava Jacqueline Kennedy The Enhanced Edition por US$ 19,99, também sem me contar qual era o preço da editora.

Uma coisa era estranha. A iBookstore diz que o “quantidade de páginas” da edição enhanced é de 400 páginas e o da edição normal é de 256 páginas! Como eu achei que as “melhorias” seriam vídeo e áudio, isso é algo estranho.

Então, finalmente, fui até a loja Kindle. O primeiro resultado, disponível agora, era Jacqueline Kennedy[Kindle Edition with Audio/Video] por US$ 9,99. A página do livro dizia que o preço recomendado era de US$ 60 e o preço do Kindle significava uma economia de 83% [claro que comprei e posso dizer que a barra de progresso do meu iPhone diz que há 349 páginas no livro!].

O que isso sugere é que a Amazon poderia estar subsidiando as vendas deste livro em até US$ 20 por cópia vendida! [Da próxima vez que estiver com uma pessoa da Amazon, eu pago o café]. Estou assumindo que a Amazon está pagando metade do preço de tabela de US$ 60 para a Hyperion.

Os acordos entre as pessoas são particulares e não afirmo ter nenhuma informação privilegiada, mas entendo que tudo que os editores vendem para a Apple é de acordo com o modelo de agência [a editora estabelece um preço com a Apple e esta paga 70% dele], mas também é parte do acordo que a iBookstore pode baixar seu preço para competir e ajustar os pagamentos de acordo com esse novo preço. Talvez o que aconteceu aqui é que a Hyperion chegou a um acordo com a Apple de US$ 19,99, imaginando que mais ninguém [quer dizer Kindle ou Nook, neste caso, já que aparentemente Google e Kobo não têm o livro enhanced e não estão mostrando a versão normal para vendas futuras] iria diminuir o preço mais do que isso. Mas o Kindle baixou. Então, se estou certo sobre os termos, a iBookstore vai logo perceber isso, baixar o preço para US$ 9,99 e a Hyperion vai se encontrar recebendo 70% de US$ 9,99 da Apple em vez de 70% de US$ 19,99. E mesmo assim Kindle e Nook vão pagar US$ 30 por cópia com a Amazon preferindo perder US$ 20 por cópia vendida e a B&N preferindo não subsidiar e provavelmente tampouco vendendo nada.

A estratégia da Amazon antes do modelo de agência era dar descontos agressivos aos livros mais importantes, aqueles que o público leitor procurava com mais frequência, para mandar o sinal mais forte de que seus preços eram os mais baixos e forçar os concorrentes menores a entrar numa briga com preços mais altos. Neste caso, esta estratégia está sendo aplicada com sucesso, apesar de que tanto a iBookstore quanto a Nook podem responder. Não importa se você acha que é bom ou ruim que a livraria com mais bala na agulha possa gastar US$ 20 por cópia num livro para promover uma percepção de preço, mas isso demonstra claramente o que as editoras, os distribuidores e os consumidores enfrentam quando um livro importante e procurado é vendido sem a disciplina do preço do modelo de agência.

Claramente, algo precisa mudar aqui. Talvez a Google e a Kobo não estejam listando este título porque não podem ou não querem vender um enhanced e-book. Talvez a Hyperion não tenha oferecido a eles. Sabemos que a Apple insiste no modelo de agência e a Amazon está igualmente determinada a ficar com o modelo de varejo. Entendo que a B&N vai trabalhar com os dois apesar das declarações públicas de que parece apoiar o modelo de agência. Nesse caso, no entanto, eu esperava que a B&N seguisse os mesmos termos que a Apple [que, como inclui o controle de preços da editora, a Amazon não quer]. A B&N certamente não quer vender um e-book a US$ 32 enquanto seus concorrentes estão vendendo por US$ 10 ou US$ 20 menos do que isso e também não querem perder US$ 20 por cópia num título best-seller [talvez quando você estiver lendo isso, já tenha acontecido um ajuste de preços].

Mas se a B&N e a Apple tinham termos que permitiram o corte nos preços descontados da Amazon e pagam menos a cada e-book, é difícil ver como a Amazon poderia aceitar isso!

Infelizmente não há forma de apresentar isso sem criar confusão. Talvez um dos fornecedores de serviço ou especialista em nossa conferência “e-Books for Everyone Else” seja capaz de explicar melhor!

Tradução: Marcelo Barbão

Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em Publishnews | 21/09/2011

Mike Shatzkin tem mais de 40 anos de experiência no mercado editorial. É fundador e diretor-presidente da consultoria editorial The Idea Logical Co., com sede em Nova York, e acompanha e analisa diariamente os desafios e as oportunidades da indústria editorial nesta nova realidade digital. Oraganiza anualmente a Digital Book World, uma conferência em Nova York sobre o futuro digital do livro.

Nos Arquivos de Shatzkin, o consultor novaiorquino aborda os desafios e oportunidades apresentados pela nova era digital. O texto de sua coluna é publicado originalmente em seu blog, The Shatzkin Files [www.idealog.com/blog].

Cultura lança aplicativo de leitura para Samsung


Vale para quem usa o tablet ou o smartphone

Em parceria com a Samsung, a Livraria Cultura acaba de lançar com exclusividade para os usuários dos tablets e smartphones da marca o aplicativo Livraria Cultura eReader. Eles poderão acessar gratuitamente, neste primeiro momento, nove e-books e o primeiro capítulo de outros dois títulos. Isso sem contar que pelo aplicativo também será possível comprar os 200 mil e-books já disponíveis na livraria. Uma vez baixado o livro, o leitor poderá escolher entre mais de 20 opções de fonte e também o tamanho da letra, poderá modificar as margens, as cores do plano de fundo e brilho de tela, além do alinhamento do texto e espaçamento entre as linhas.

PublishNews | 21/09/2011

No mundo das nuvens


Por Gustavo Martins de Almeida | Publicado originalmente em PublishNews | 21/09/2011

Apesar dos relativamente pequenos hábitos quantitativos de leitura no Brasil, o livro eletrônico já começa a aparecer no cenário do consumo nacional, com crescente quantidade de leitores. Ressalte-se que pesquisa SNEL-CBL divulgada na Bienal do Livro do Rio de Janeiro aponta crescimento dos leitores, e o mercado da educação tem grande parcela desse saudável índice.

E o subitamente tão falado “cloud computing”? Assim como os ciclos contemporâneos, seu surgimento é repentino e intenso como um tsunami, e logo se aplica a nosso cotidiano, sem que saibamos de que forma. Vamos ver do que se trata, principalmente as suas primeiras implicações na nova relação do consumidor com o mercado editorial.

Falando em “computação da nuvem”, onde vamos armazenar a nossa nova biblioteca, a digital, que será exibida na tela do aparelho leitor [o “reader”], geralmente um “tablet” [uma simples placa, palavra que deriva do latim tabula]? Como viajar e levar na bagagem digital o guia turístico, dicionário, romance, algum livro técnico, o livro de sua religião, além de tirar fotos, filmar, mandar e-mails, e telefonar pelo skype?

As grandes empresas provedoras de conteúdo e serviços de redes sociais constataram que o armazenamento de dados em locais seguros, distantes do consumidor, mas acessíveis pela internet, facilitaria a vida de todos, já que a capacidade de reprodução e armazenamento de informação cresce em velocidade geométrica e os aparelhos decrescem de tamanho físico quase na mesma proporção. Daí que o volume oceânico de dados – p. ex. de Gmail ou Facebook – fica disponível em “armazéns” gigantescos, refrigerados e seguros [até hoje!], de modo a permitir o acesso rápido de qualquer local do planeta, pela internet.

E como se dá esse armazenamento no mundo dos livros eletrônicos? Para responder a essa pergunta pesquisei os contratos do KINDLE, leitor da Amazon, e do NOOK, leitor da Barnes & Noble, transcrevendo e analisando, agora, alguns itens significativos, seguidos de tradução livre para facilitar a compreensão.

Da leitura dos instrumentos – o primeiro com simples 6 folhas e o outro com 30 – vemos a primeira e significativa diferença da forma de aquisição e da vida do livro eletrônico em relação ao nosso querido volume de papel, e a nós leitores. Enquanto compramos um livro [suporte físico da obra, ou corpus mechanicum] que permanecerá em nossas vidas sem limite de tempo, no caso do livro eletrônico teremos alicença de leitura de conteúdo digital [“Digital Content is licensed, not sold, to you by the Content Provider”; tradução: Conteúdo Digital é licenciado, não vendido, para você pelo Provedor de Conteúdo], que poderá ser revogada [“non-exclusive, revocable license to make personal, non–commercial use…”;tradução, licença não exclusiva, revogável, para uso pessoal, não comercial, contrato do Nook].

Simples pesquisa que você pode fazer mostrará que a Amazon cancelou a licença, concedida a consumidores pagantes, de leitura de “1984”, de Orwell, por conta de não autorização da disponibilidade da obra para os leitores eletrônicos daquela “livraria”. A obra foi simplesmente deletada [aliás, deletar, delete, vem do latim delere, deletium, que significa destruir, assim como em Delenda Cartago!] da biblioteca situada nas nuvens. Acresçam-se a essa circunstância as da rápida obsolescência dos aparelhos, que faz toda uma geração eletrônica virar sucata em pouquíssimo tempo [fitas de vídeo-cassete, disquetes, TV de transistor, celular analógico], podendo inutilizar o conteúdo armazenado.

Então fica claro que o adquirente de um livro eletrônico terá a condição de licenciado, locatário, leitor temporário, já que a vida útil dos conglomerados, as suas freqüentes fusões e oscilações geram uma nova relação com o consumidor-leitor, bem diferente da estável e simples compra do livro físico. Não mais seremos proprietários do objeto físico livro, ficando inibidos, nesse caso, os sentidos de tato e olfato em relação à obra, mas possivelmente teremos a inclusão da audição mediante a incorporação, por exemplo, da voz do escritor, ou imagens do tema nos “enhanced books” [livros para leitores eletrônicos com acessórios visuais e sonoros que aparecem na tela, como os dos exemplos].

O conteúdo fica, então, armazenado na já correntemente chamada nuvem [“all Digital Content that you purchase in an online ‘library’ [is] hosted in our ‘cloud’ storage facility”, Nook; tradução, todo o conteúdo digital que você adquirir numa biblioteca on line [fica] hospedado na nossa nuvem de armazenamento]. E a empresa afirma que, quando o consumidor se conectar, ela usará os “reasonable efforts” para permitir seu acesso a essa biblioteca, tão distante e tão próxima.

O contrato estipula que a licença concedida ao leitor é personalíssima, pois se destina unicamente ao uso do adquirente, que não poderá “sell, rent, lease, distribute, broadcast, sublicense, or otherwise assign any rights to the Digital Content or any portion of it to any third party…” [tradução, vender, alugar, distribuir, sublicenciar, ou transferir quaisquer direitos de Conteúdo Digital ou qualquer parte dele para qualquer terceiro] [contrato do Kindle].

É claro que a atual lei de direito autoral brasileira também proíbe xerocar um livro de papel para revenda, mas as condições de reprodutibilidade de um livro digital [se quebrado o código de segurança do arquivo, e os mini-gênios não tardarão a encontrar um atalho eletrônico] permitem rapidíssima difusão mundial do conteúdo [dust in the wind].

Destaco que a quebra do código de segurança, ou qualquer alteração do software, estão entre as restrições da licença concedida para uso e leitura do conteúdo digital conforme cláusula 2, “d”, do Contrato da Nook.

Vê-se, então, que o simples ato de aquisição de um livro eletrônico vem, hoje, com regras enormes, que causam um primeiro, e normal, espanto [quando comprei uma das primeiras fitas de vídeo-cassete no Brasil foram emitidas duas notas fiscais, uma referente à transmissão do conteúdo, um filme de Chaplin, e outra pela aquisição da própria fita]. Logo esses hábitos estarão incorporados a sociedade, e não causarão estranheza.

No entanto, certas relações do mercado editorial mudarão. Destaco desde logo duas relevantes; [a] o consumidor-leitor entrou no circuito antes existente apenas entre editor e autor, adquirindo alguns direitos inéditos, com a licença concedida; e [b] a substituição dos livros físicos pelas licenças para as bibliotecas, pois não é justo, para o escritor, que se compre um só livro eletrônico e se empreste simultaneamente para muito mais pessoas que poderiam tomar livros físicos.

A resposta a segunda questão tem como pista a nova equação econômica: bens rentáveis são aqueles de preço menor, mas utilizados por muito mais pessoas. Assim, possivelmente o livro, viabilizando o constitucional acesso à cultura, seria utilizado por milhares de pessoas, por tempo menor, pagando bem menos, mas o maior volume de licenças permitiria até maior retorno financeiro para o escritor e a editora, respeitando o direito autoral, também assegurado pela Constituição.

Não tenho dúvida de que a discussão aberta entre os interessados conduzirá a soluções justas para autores, editores e leitores, devendo o Poder Público atentar para as singularidades do caso.

Enquanto não chegam as soluções poderemos até exercitar a nefelomancia para imaginar as respostas para as novas – e muitas – questões!

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Registro que entre 8 e 13 de setembro o Brasil recebeu significativa delegação de editores ingleses, comandada pela singular Emma House, diretora da Publishers UK. Os encontros com o mercado editorial brasileiro [Rio e SP], dos quais tive a honra de participar, marcaram um primeiro passo para novo e intenso patamar de trocas de experiências entre os dois países.

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Por Gustavo Martins de Almeida | Publicado originalmente em PublishNews | 21/09/2011

Gustavo Martins de Almeida é carioca, advogado e professor. Tem mestrado em Direito pela UGF. Atua na área cível e de direito autoral. É também advogado do Sindicato Nacional dos Editores de Livros [SNEL] e conselheiro do MAM-RIO.

Na coluna Lente, Gustavo Martins de Almeida vai abordar os reflexos jurídicos das novas formas e hábitos de transmissão de informações e de conhecimento. De forma coloquial, pretende esclarecer o mercado editorial acerca dos direitos que o afetam e expor a repercussão decorrente das sucessivas e relevantes inovações tecnológicas e de comportamento.

Positivo lança tablet com sistema operacional em português


E promete ter, a partir de outubro, o melhor conteúdo digital nacional

Chega ao mercado em outubro o primeiro tablet desenvolvido por brasileiros a partir de pesquisas feitas com os próprios brasileiros. A Positivo Informática apresentou ontem o Positivo Ypy 7 e o Positivo Ypy 10, em versões Wi-Fi e Wi-Fi+3G, e o ecossistema Mundo Positivo, com revistas e jornais nacionais, livros, filmes, jogos e aplicativos.

Estudamos o comportamento do consumidor durante 20 meses para chegar a um produto 100% voltado ao brasileiro. Até o nome Positivo Ypy, que quer dizer primeiro em tupi-guarani, foi inspirado na língua dos primeiros habitantes do nosso país. Junto com o ecossistema Mundo Positivo, ele vai contar com o melhor conteúdo nacional à disposição do consumidor”, destaca Hélio Bruck Rotenberg, presidente da Positivo Informática.

O Ypy 7 começa a ser vendido na segunda quinzena de outubro com preços a partir de R$ 999. O segundo modelo chega para o Natal. A empresa ainda estuda acordos com as telefônicas.

Segundo o fabricante, o principal diferencial de hardware do Positivo Ypy é sua tela capacitiva multitoque de alta resolução e formato 4:3, ideal para o leitura de conteúdos digitais, especialmente livros, revistas e jornais, além de páginas da web. O teclado virtual também é totalmente em português, com teclas “ponto br” e cedilha. O produto conta ainda com sensor de movimentos [acelerômetro], que pode ser usado em jogos, e saída HDMI para que seja ligado à TV de LCD, além de suporte para uso de sites com Adobe Flash.

O Positivo Ypy 7 tem 7 polegadas, com 420g e 11,8mm de espessura, e conta com a maior resolução de tela entre os produtos de 7 polegadas disponíveis no mercado, de 1024×768, além de câmera frontal para videoconferências. O sistema operacional é o Android 2.3.4, a versão mais adequada para telas de 7 polegadas. A bateria é de longa duração, com autonomia de até nove horas em uso constante.

Especificações

O Positivo Ypy 10, com tela de 9,7 polegadas, também é fino e leve. Com 700g e a mesma espessura do Ypy 7, ele vem com sistema operacional Android 3.2, o Honeycomb, e formato de tela 4:3, câmera frontal e traseira e GPS com bússola digital. A bateria tem autonomia de até oito horas em uso.

O sistema operacional Android também foi customizado e está totalmente em português. A Positivo também criou uma organização diferenciada com seus aplicativos, dividindo-os em seções. O Ypy traz o exclusivo botão Redes Sociais, que oferece uma área especial para acesso rápido ao Facebook, Twitter e Orkut.

Mundo Positivo

Mundo Positivo conta com lojas próprias de revistas, jornais, livros, músicas, jogos e aplicativos, muitos deles sem custo. Ele pode ser acessado de qualquer computador. Com uma única conta, o usuário pode consumir, comprar, organizar e transferir conteúdos e aplicativos em PCs de qualquer marca, além de tablets ou e-readers da Positivo Informática. As lojas entram no ar simultaneamente à chegada do Positivo Ypy ao mercado.

Dezenas de conteúdos do Mundo Positivo já vêm pré-embarcados no Ypy, incluindo músicas e vídeos de artistas brasileiros como Ivete Sangalo, Paula Fernandes, Mariana Aydar, Zeca Pagodinho e Seu Jorge. No tablet da Positivo Informática, o usuário também acessa toda a oferta de conteúdo e serviços Google: Android Market, Maps, YouTube, Gtalk e Orkut. Pelo Android Market, é possível baixar mais de 200 mil aplicativos das mais diversas categorias.

Aqui, você confere imagens e um vídeo sobre os produtos.

PublishNews | 21/09/2011

Dobra o número de americanos que leem eBooks


O número de americanos usando um leitor de livro digital quase dobrou nos últimos meses de acordo com uma nova pesquisa. The Harris Poll também revelou que um em cada seis americanos que ainda não têm um e-reader pretende comprar o aparelho em até seis meses. A informação deve ser comemorada pelas editoras, já que proprietários de e-readers leem mais livros de acordo com a pesquisa. Ao todo, 16% dos americanos leem entre 11 e 20 livros ao ano e 20% deles leem mais de 21 títulos. Entretanto, um terço daqueles que têm um Kindle. Nook ou outro leitor ficam na média dos 11-20 livros e 27% superam os 21 títulos.

Por Graeme Neill | The Bookseller | 21/09/2011

Amazon lança empréstimo de livros com 11.000 bibliotecas


Já era de conhecimento geral que a Amazon estava trabalhando para lançar o seu próprio serviço de empréstimo de livros digitais da biblioteca para o Kindle, e hoje [21/09], a varejista virtual revelou detalhes desse serviço, onde os usuários do Kindle poderão “pegar emprestado” livros de mais de 11 mil bibliotecas espalhadas nos Estados Unidos.

Em abril, o site The Next Web informou que a Amazon estava interessada em criar o seu próprio serviço de empréstimo de livros, já que diversas soluções não-oficiais estavam aparecendo na web, como o LedInk e o Kindle Lending Club.

Os serviços se apresentavam como soluções funcionais para os usuários que gostariam de acessar livros de bibliotecas norte-americanas, mas todos esperavam por um produto originário da própria Amazon, para tornar o acesso mais prático.

Com o lançamento do seu sistema de empréstimo de livros, os usuários do Kindle poderão, por exemplo, visitar o site da biblioteca da sua cidade, procurar o livro que deseja, solicitar o empréstimo e clicar no link “Send to Kindle”, que vai liberar o download do livro para o seu dispositivos.

Todos os livros estarão habilitados com o sistema Whispersync, que permite a sincronização automática de suas anotações, bookmarks, destaques e páginas onde o leitor parou a leitura. Além disso, o sistema possui integração com o Twitter e Facebook, para que o leitor possa compartilhar opiniões e pequenas resenhas sobre os livros que pegaram emprestado. Com isso, a Amazon espera conectar usuários de todo o país, tornando o hábito da leitura de livros algo bem mais interativo.

A melhor notícia é que o usuário não precisa ter um Kindle para aderir ao serviço. Basta ter uma conta na Amazon dos Estados Unidos. Para mais informações, clique aqui.

Por Eduardo Moreira | TechTudo | 21/09/2011

O segundo Gutenberg



A obra de são Hart revela o poder transformador de ideias cultivadas como filhas, não como escravas


UM FRANCISCANO morreu na semana passada. Talvez nem católico fosse, pouco importa. Sua visão de mundo, que valorizava o conhecimento acima de qualquer bem material e que percebia como era ingênuo confiná-lo, foi seu grande legado. Seu nome era Michael Hart.

Verdadeiramente fiel à causa que defendia, seu perfil era quase desconhecido, ainda mais se levado em conta o tamanho de sua obra: o e-book.

Pelo que se lê de seu obituário, o sr. Hart [que por ironia morreu de ataque do coração] não era homem de muitas posses ou patentes. Pelo menos é o que deixava transparecer nas poucas entrevistas que dava por causa de sua segunda maior invenção, o Projeto Gutenberg, uma grande biblioteca pública digital, iniciada muito antes que o mundo viesse a se fascinar com Kindles e iPads.

Aos 64, Hart morreu cedo. Mas viveu o bastante para ver sua ideia vingar e se estabelecer. Sua invenção foi disruptiva como mais tarde foram o formato MP3, o protocolo P2P e boa parte dos sistemas de código aberto que sustentam a internet que tantos usam de forma egoísta e pragmática.

Em 1971, então com 24 anos, ele poderia ser visto como mais um dos jovens hippies que perdiam tempo naquela utopia descabida de uma rede mundial de troca de documentos eletrônicos. Como muitos deles, Hart permaneceu fiel às suas ideias e, constante como um bom jardineiro, nunca tentou transformar sua plantinha. Nem ser mais importante do que ela.

Em tempos egoístas e pragmáticos, essa atitude chega a provocar estranheza ou até desprezo pela ingenuidade. Por mais importante que seja sua invenção, não há registro de powerpoints com sua trajetória nem em um mísero TED. Justo hoje, quando até militantes como Julian Assange não perdem a chance de aparecer como bad boys e, no egocentrismo, colocar em risco a organização em que atuam -já que muitos governos, incapazes de proteger seus arquivos, resolvem queimá-los logo de uma vez.

Como toda grande intenção, a iniciativa do sr. Hart começou pequena e beirando a ilegalidade. Ao receber uma cópia da declaração de independência dos EUA, resolveu digitá-la em um computador e compartilhá-la, gratuitamente, por uma das redes que, anos mais tarde, comporia a internet.

Silenciosamente, sem perder o foco em sua meta, manteve seu trabalho de formiguinha, digitando a Bíblia, as obras de Homero, de Shakespeare e de tantos outros. Sozinho e sem pedir créditos, digitou mais de 300 livros. Aos poucos, sua atitude inspirou voluntários de toda parte, que nunca abriram mão do formato aberto, acessível e gratuito.

A abnegação de são Hart [e de tantos como ele] deixa no mundo uma marca muito maior do que pode supor uma vã tecnologia. Da mesma forma como a prensa de tipos móveis do Johann Gutenberg original ajudou a fundamentar a metodologia científica, a alfabetização e a democratização do mundo, o compartilhamento gratuito de documentos eletrônicos será responsável por muitas das transformações que virão por séculos a fio.

Seu exemplo mostra o poder transformador de ideias cultivadas como filhas, não como escravas para rápido consumo. E ajuda a entender o sucesso de algumas iniciativas, mesmo que só ela só venha décadas mais tarde.

POR LULI RADFAHRER | folha@luli.com.br | Folha de S.Paulo | TEC | São Paulo, quarta-feira, 21 de setembro de 2011