Livro digital estimula negócios no exterior


A Feira do Livro de Frankfurt, a maior do mundo, vai começar no próximo mês um dia antes do habitual.

O mesmo ocorreu em fevereiro com a de Bolonha, a maior de livros infantojuvenis, e, em abril, com a de Londres, hoje quase tão importante quanto a alemã.

O motivo para a programação extra? Uma série de encontros e debates só sobre o futuro digital do livro.

Na de Londres, entre estandes de editoras tradicionais, havia muitos já ocupados por empresas novas: de conteúdo digital, de autopublicação e de impressão sob demanda.

Os contratos de venda direitos negociados nessas feiras já incluem cláusulas para as versões em e-book.

É imprecisa a comparação com as bienais do Rio e de São Paulo, pois as feiras daqui atendem ao grande público, enquanto as de Londres, Frankfurt e Bolonha dirigem-se a executivos da indústria do livro.

Mas a comparação evidencia o quanto é maior o ritmo de crescimento do mercado de livros digitais lá fora.

Voltadas também para o público, a Expo Book America, que ocorreu em Nova York, em maio, e a Feira de Tóquio, em julho, cresceram até 25%, impulsionadas pelos e-books. O diretor da feira alemã, Juergen Boos, garante: “2011 é o ano da virada para o e-book”.

POR JOSÉLIA AGUIAR | COLUNISTA DA FOLHA DE S.PAULO | 12 de setembro de 2011

Na era do eBook, Bienal do Rio é analógica


Evento brasileiro menospreza livros digitais; visitantes utilizam tablets para acessar redes sociais e tirar fotos

Para diretora da feira, mercado ainda não começou no Brasil; Ziraldo autografou tablets com HQ digital

A era do livro digital já começou: e-books são lançados diariamente e os aparelhos para leitura proliferam.

Quem passeou pela Bienal do Livro do Rio, encerrada ontem, viu poucos sinais desse novo mercado.

Em sua 15ª edição, a feira foi um típico evento do século 20, feito para, grosso modo, vender papel. Nas raras editoras em cujos estandes havia algum sinal de e-books, o que se via era um ou dois tablets ou e-readers encostados num canto.

O mercado do livro digital ainda não começou no Brasil“, disse à Folha Sonia Jardim, presidente do Sindicato Nacional dos Editores de Livros [que organiza a Bienal]. “Ele vai ter uma virada quando os aparelhos digitais de leitura se popularizarem.

Nesse sentido, a feira poderia ter começado a conscientização com seu estande Bienal Digital, onde havia 16 tablets de fabricantes distintos, todos atraindo muitos visitantes -estes, no entanto, nada liam: jogavam, navegavam na web e tiravam fotos.

Os e-books foram mais discutidos do que vistos e lidos -houve palestras sobre eles e um colóquio para debater as bibliotecas da era digital.

Uma das apresentações contrariou a noção de que o mercado do livro digital ainda não começou no país. Carlos Eduardo Ernanny, criador da Xeriph [distribuidora de e-books que reúne mais de 150 editoras], disse já ter um catálogo de mais de 6.000 títulos digitais, a maior parte de editoras pequenas.

Quando se olha para as grandes editoras nacionais, o cenário é diferente: a DLD, distribuidora de e-books que reúne Objetiva, Record, Sextante, Rocco, Planeta e L&PM, tem hoje 650 títulos nesse formato, nem 1% do acervo total dessas editoras.

Nos bastidores, não há editora no Brasil que não esteja se mexendo“, disse Pascoal Soto, da LeYa. “Estamos atrasados em relação a Europa e EUA, mas temos de nos mexer para sobreviver.

FEIRA DE E-BOOKS?

Se os efeitos da tecnologia no mercado editorial foram debatidos, a discussão sobre como será uma bienal de e-books ainda é incipiente.

A gente tem até brincado sobre isso, se perguntando se, quando o mercado migrar para o digital, a feira vai continuar“, disse Sonia Jardim.

Um exemplo de como a feira pode continuar existindo em versão digital foi dado por Ziraldo, que lançou uma HQ para o iPad e esteve no estande da editora Melhoramentos para autografar tablets.

O esquema é análogo ao dos livros tradicionais: o leitor leva a obra [no caso, 15 fãs levaram iPads com a HQ] e o autor a autografa [em uma parte criada especialmente para isso] no aparelho.

POR MARCO AURÉLIO CANÔNICO | DO RIO | Para a Folha de S.Paulo | 12 de setembro de 2011

Amazon estuda serviço de biblioteca similar a Netflix


A Amazon quer estabelecer um serviço de uso de livros digitais similar ao do Netflix para filmes, segundo o “Wall Street Journal”.

Em artigo em sua edição desta segunda-feira [12], o jornal informa que os usuários do serviço pagariam uma tarifa anual em troca de ter acesso ao serviço.

O periódico, que cita fontes familiares com a ideia, diz que vários diretores editoriais expressaram ceticismo perante a ideia, devido à crença de que poderia causar uma queda nos preços dos livros, entre outras razões.

A proposta representa mais um sinal de que os vendedores de livros buscam outra maneira de fornecer conteúdo por via digital, à medida que cada vez mais consumidores leem livros ou veem filmes em formato eletrônico, segundo o “Wall Street Journal”.

DA EFE, EM WASHINGTON | Publicado em Folha.com | TEC | 12/09/2011 – 14h34

Amazon negocia serviço de biblioteca digital por assinatura


NOVA YORK | A Amazon.com está em negociações com editoras para o lançamento de um serviço de biblioteca de e-books – similar ao Netflix para vídeos – com foco em tablets e outros leitores digitais, afirma o ‘The Wall Street Journal’.

Com sede em Seattle, a Amazon, que tornou popular o leitor eletrônico Kindle, também trabalha em um tablet para rivalizar com o iPad , da Apple, que será lançado nas próximas semanas.

De acordo com a proposta feita pela Amazon às editoras, os clientes pagariam uma taxa anual para acessar de forma ilimitada uma biblioteca virtual, informou o jornal. Não está claro o quanto as negociações avançaram nem se há previsão para o lançamento do serviço.

Vários executivos do setor editorial disseram sob condição de anonimato que não estão entusiasmados com a idéia.

A proposta poderia diminuir o valor cobrado pelos livros e poderia por em xeque a relação das editoras com outros varejistas que vendem suas publicações, informou o jornal.

Fontes disseram ainda que o serviço de assinatura pode levar algum tempo para ser lançado em razão da Amazon estar enfrentando dificuldades para atrair editores para o negócio.

Um porta-voz da Amazon não foi encontrado para comentar a notícia.

O Globo, com sites internacionais | 12/09 às 10h15