O menino da Terra foi parar no iPad


No aplicativo criado pela Punch! para a Melhoramentos é possível até autografar a obra

No final de semana passado na Bienal do Rio, mais especificamente no dia 3/8, no estande da editora Melhoramentos, o Menino da Terra chegou aos iPads. O projeto foi da editora Melhoramentos em parceria com a Punch! Comunicação e Tecnologia, e não foi uma simples “conversão” de físico para digital. O menino da terra é um aplicativo desenvolvido para aproveitar os recursos do tablet da maçã. Com ilustrações divertidas, interação, jogos, vídeos e até entrevista do Ziraldo, o App procura integrar recursos para cativar cada vez mais o pequeno leitor. “Faço livros sobre meninos há mais de 30 anos e agora há novas plataformas para contar as nossas histórias. Para mim o livro continuará a ser o objeto mais bonito e importante que o ser humano criou”, explica Ziraldo no vídeo exclusivo produzido pela Punch! para o app.

Outro destaque do aplicativo é a possibilidade do autógrafo digital. O autógrafo é feito direto no aplicativo no iPad e uma vez gravado não pode mais ser apagado. A grande preocupação da editora era que a criança não corresse o risco de perder o autógrafo, a menos que perdesse o próprio iPad – o que seria como perder também um livro – mas segundo Bruno Valente, diretor da Punch!, “a única maneira de apagar o autógrafo é apagando o aplicativo ou perdendo o tablet.

Veja aqui o trailer do App e baixe o aplicativo na App Store, onde custa US$ 5,99.

Para Breno Lerner, superintendente da editora Melhoramentos, o mundo do livro digital é inevitável mas ainda estamos engatinhando. “A única certeza que eu tenho é de que as coisas não vão acontecer tão rápido quanto dizem os profetas do apocalipse. Não vamos dormir hoje e acordar amanhã com tudo digital. Há muitas questões ainda a serem resolvidas, aqui no Brasil. Onde estão os Nooks, os Kindles, os iPads?”, comenta. Para Breno, se no dia do lançamento do app de O menino da terra para iPad houvesse uma fila no estande da editora, de pessoas querendo baixar o aplicativo, o grande problema seria o hardware. “Não tem iPad pra todo mundo que quer.

Questionado sobre a decisão de desenvolver o produto, já que na sua visão ainda falta um certo tempo para o digital deslanchar no Brasil, Breno respondeu que é preciso experimentar; testar; descobrir caminhos. “Estou engatinhando para depois poder andar.” O diretor vê o futuro e garante que está se preparando para ele. O próprio O menino da terra já foi lançado em 2010 em formatos impresso e digital [PDF]. A editora já tem todos os seus livros em formato digital PDF e trabalha atualmente na conversão desses digitais para ePub. “E vai chegar um momento de testar também o lançamento primeiro em digital e depois no impresso”, comentou Breno.

O superintendente da editora acredita ainda que digital e impresso irão conviver para sempre. “O digital vai tirar um pedacinho do mercado do impresso, com certeza. Pode chegar a uma fatia grande? Especificamente no caso da Melhoramentos acho que não. Falo isso com a tranquilidade de quem tem o dicionário Michaelis na App Store há muito tempo com mil a dois mil downloads mês, mas que nem por isso a venda papel caiu. Ainda.

O próximo passo da editora é a experimentação de desenvolvimento de executáveis. Hoje o seu catálogo de arquivos digitais conta com cerca de 150 títulos, o que deve dobrar até o final de 2012; mas na visão de Breno Lerner, ainda é preciso decidir o melhor formato para cada produto. “Preciso entender como vai funcionar isso para depois poder lhe responder se vou fazer mais executáveis ou arquivos.” E o diretor planeja para dentro de 60 a 90 dias o lançamento do primeiro aplicativo de culinária, que segundo ele, é uma das grandes receitas da empresa atualmente. “A maior receita que tenho hoje na mídia eletrônica ainda não é de produtos, mas de licenciamento do meu banco de dados de dicionários e de receitas. E o grosso disso, inclusive, vem de fora do Brasil.

A Babylon, de Israel, compra a base de dados do dicionário Michaelis e depois vem concorrer com a própria Melhoramentos, por exemplo, no portal do UOL – onde fica lado a lado com a janela do Michaelis. E isso levanta uma nova questão. “Até hoje as negociações de direitos eram pensadas em termos de território. Agora vamos ter que repensar isso. Quem sabe agora a gente passe a falar em formatos.

A  Melhoramentos já tem uma pequena equipe com a função exclusiva de pensar o tempo todo nos projetos digitais da empresa. Nas palavras de Breno, são “uns meninos que falam uma língua que a gente não entende mas que juram que estão falando português.” E o executivo diz ter grande prazer em trabalhar com algo novo e desconhecido: “A gente vai ter que repensar muita coisa, e pra ser honesto, para um cara um pouco mais velho como eu, isso é muito gostoso.

E ele chama a atenção para outro detalhe ainda: a mídia social. “Muito antes dos livros eletrônicos, as mídias sociais poderão fazer muito pela leitura, seja pelo livro papel, seja pelo livro eletrônico.” E essa é outra tarefa desse departamento digital dentro da Melhoramentos.

Por Ricardo Costa | PublishNews | 08/09/2011

Morre Michael Hart, criador do eBook


Michael Hart é considerado por muitos como o criador dos eBooks

O norte-americano Michael Hart, fundador da mais antiga biblioteca electrónica do mundo, morreu esta terça-feira em Illinois aos 64 anos, anunciou ontem o site do Projecto Gutenberg.

Os livros electrónicos provavelmente não existiriam hoje, se não tivesse sido Michael Hart em 1971 a lembrar-se de escrever a Declaração de Independência dos Estados Unidos no computador e torná-la acessível às outras pessoas. Um gesto que hoje parece banal foi há 40 anos um passo revolucionário.

Foi em 1971 que Michael Hart criou o Projecto Gutenberg, o primeiro dedicado à construção de uma grande biblioteca universal acessível a partir dos computadores. A ideia foi a criação de uma biblioteca digital gratuita, actualmente com mais de 36 mil livros, em mais de 40 idiomas, que se encontram em domínio público.

Qualquer utilizador pode participar no projecto, que está disponível em português, voluntariando-se para rever obras literárias, isentas de direitos autorais, para que depois outras pessoas as possam descarregar e ler os livros em qualquer parte do mundo.

Ele olhava constantemente para o futuro, antecipava avanços tecnológicos. Uma das suas especulações preferidas era que um dia, toda a gente poderia ter a sua própria cópia da colecção do Projecto Gutenberg […]. Esta visão tornou-se realidade”, pode-se ler no obituário publicado no site do projecto.

Michael Hart deixou uma grande marca no mundo. A invenção do e-book não foi simplesmente uma inovação tecnológica ou um precursor do ambiente moderno da informação. Um entendimento mais correcto é que os e-books são uma forma eficiente e eficaz de distribuição gratuita e ilimitada da literatura. O acesso aos e-books pode assim proporcionar uma oportunidade para o aumento da literacia. A literacia, e as ideias contidas na literatura, criam oportunidades”, continua ainda o obituário.

Publicado originalmente PÚBLICO | Portugal | 08.09.2011 – 10:43

Falando de bibliotecas de forma animada e nada apocalíptica…


Por Camila Cabete | Texto publicado originalmente em PublishNews | 08/09/2011

Nesta última segunda e terça, tive o prazer de assistir a um colóquio sobre e-books com foco em bibliotecas, promovido pela Biblioteca Nacional, na Bienal do Livro do Rio de Janeiro. E foi com muita alegria que vi que mundialmente existe um movimento muito grande na direção dos e-books. Ouvi bibliotecários e curadores de diversas instituições da França, Reino Unido e de Colônia, na Alemanha. No final desta coluna, colocarei os links interessantes.

As bibliotecas convidadas já fazem o uso dos e-books em empréstimos. E com alegria posso anunciar que a empresa que trabalho [Xeriph] está implementando esta mesma tecnologia aqui no Brasil. Funciona bem parecido com o empréstimo de livro físico: a biblioteca compra exemplares do provedor de conteúdo, o exemplar fica na página da biblioteca com um botão de empréstimo e outro de fila de espera. Os livros são empacotados com o DRM do provedor e abertos no login e senha do leitor. O livro fica emprestado, sob licença, por mais ou menos sete dias e depois volta para a biblioteca e é disponibilizado para o próximo da fila. Fantástico! Desculpe, mas não consigo não demonstrar minha animação…

As maiores dificuldades enfrentadas pelas bibliotecas que já dispõem deste serviço tcharam… adivinhem… foi convencer os profissionais a usarem e incentivarem o público com o novo formato e também com a informação e divulgar o serviço aos leitores. Todos falaram da importância do marketing interno das bibliotecas. Senti um certo desconforto na plateia formada por bibliotecários e, pelas perguntas do debate, percebi que estão bem fora do assunto e-book. O profissional que começar a se aprofundar agora se destacará. Fica aqui também a questão a discutir da formação destes profissionais. Acredito que as cadeiras acadêmicas também tenham que passar por uma completa reformulação…. nossa…um trabalhão…

O curador da British Library, que por acaso é um brasileiro, cearense muito simpático, nos passou o sistema e também se queixou muito das editoras no que diz respeito à demora na disponibilização de títulos em formato digital e na cobrança dos “exemplares” para as bibliotecas. Perguntei ao curador da Biblioteca de Colônia quanto eles pagavam pelas obras ao agregador de conteúdo, e ele me disse que era o mesmo valor do um exemplar de papel, e que a biblioteca comprava somente um exemplar de cada título. Já o curador conterrâneo do British Library disse que algumas editoras cobravam um valor maior pelo exemplar, outras cobram a recompra do exemplar a cada 26 empréstimos, pois dizem que este é o tempo que um livro impresso dura na biblioteca [ninguém entendeu como chegaram a este número].

O balanço final do encontro foi positivo [lá vem a minha mania de ver as coisas sob um aspecto positivo]. Mas foi sim. A primeira coisa que me animou foi que temos tecnologia brasileira desenvolvendo isso. A segunda é que uma biblioteca agora pode ter um alcance muito maior que antes, pois eu posso ser assinante da British Library, da Biblioteca de Nova York e pegarei constantemente livros emprestados da Biblioteca Nacional [espero que implementem o sistema logo logo], sem precisar ir ao centro do Rio e perder um tempão no congestionamento. A renovação dos profissionais de bibliotecas também me anima, pois eles só têm a acrescentar se aproximando deste novo mercado eletrônico, afinal continuaremos necessitando de curadores e direcionadores de cultura. Não tem máquina que substitua esse papel.

Agora eu pergunto a você: isto é ou não é a democratização da leitura?

Temos ainda muito o que evoluir, mas cobrar do governo a banda larga em nosso território, com computadores e tablets, acreditem, é muito mais barato que este sistema inchado e atrasado de distribuição de livro de papel em nosso país com dimensão continental. Podemos posteriormente falar deste sistema, que soube faz pouco tempo e fiquei apavorada com a problemática da logística… É de dar pesadelos.

Abaixo disponibilizarei links interessantes de bibliotecas e continuo divulgando meu e-mail para feedbacks e trocas de informações. Até a próxima quinzena!

Biblioteca Digital Universitária da França – http://couperin.org
Provedor do governo alemão de livros digitais – http://www.divibib.com
British Library – http://www.bl.uk
Biblioteca de Hampshire – http://www3.hants.gov.uk/library.htm
Projeto Observatório Nacional e-book – http://observatory.jiscebooks.org/
Plano estratégico para 2020 – http://www.bl.uk/2020vision
Aplicativo British Library de assinaturas de obras digitais – http://bit.ly/II2BfQ
Agregadora brasileira de e-books – http://www.xeriph.com.br

Por Camila Cabete | Texto publicado originalmente em PublishNews | 08/09/2011

Camila Cabete [@camilacabete] tem formação clássica em História, mas foi responsável pelo setor editorial de uma tradicional editora técnica por alguns anos [Ciência Moderna]. Hoje, é responsável pelo setor editorial da primeira livraria digital do Brasil, a Gato Sabido [@gatosabido]. É ainda consultora comercial da Xeriph, a primeira distribuidora de conteúdo digital do Brasil e sócia fundadora da Caki Books [@cakibooks], uma editora cross-mídia que publica livros em todos os formatos possíveis e imagináveis. Vive em Copacabana e tem uma gata preta chamada Lilica.

A coluna Ensaios digitais é um diário de bordo de quem vive 100% do digital no mercado editorial brasileiro. Quinzenalmente, às quintas-feiras, serão publicadas novidades, explicações e informações sobre tecnologias ligadas a área literária.

“Nada substitui o poder dos livros”


Roberto Feith

Ele sempre quis escrever. Entretanto, os caminhos da vida levaram esse carioca a estudar em Nova York e a fazer carreira na TV Globo como correspondente internacional até chegar à direção da televisão na Europa. De volta ao Rio, Roberto Feith cometeu a “loucura” de comprar o controle de uma pequena editora, a Objetiva. Para desespero da concorrência, deu certo. E seis anos atrás, o Grupo Prisa-Santillana comprou o controle acionário da empresa mantendo o ex-jornalista a frente do negócio no Brasil.

Semana passada, em conversa por telefone, de seu escritório no machadiano bairro do Cosme Velho, no Rio, Feith comemorou mais um feito. A Objetiva assinou contrato para editar, a partir do ano que vem, nada menos que 27 títulos do poeta e escritor Mário Quintana.

Aqui vão trechos da entrevista:

Editar livros é bom negócio?
Pode ser um bom negócio, mas o mar está turbulento. Tem de ficar atento porque qualquer equívoco custa caro. Uma metáfora que me ocorre é a da dança das cadeiras. A quantidade de editoras é crescente, mas, quando a música parar, as empresas que não estiverem estruturadas vão sobrar.

Por que os livros são tão caros no Brasil?
Olha, recebemos um agente internacional recentemente e ele ficou revoltado com a tarifa do taxi, com os preços dos hotéis e dos restaurantes. Maiores do que em qualquer cidade americana. E o livro não é diferente de outros produtos. Por outro lado, quero deixar claro: levantamentos da Fipe mostram que os preços médios dos livros no Brasil estão caindo. Principalmente por causa da publicação de edições de bolso e da entrada de novas editoras no mercado, que aumentou a concorrência.

O mercado editorial brasileiro tem aumentado proporcionalmente à população?
Não, não segue o mesmo ritmo. A curva de evolução do mercado editorial se mantém colada à curva do poder aquisitivo das classes médias e baixas. É o que mostram pesquisas tanto do Sindicato dos Editores quanto da Câmara Brasileira do Livro. O ritmo de subida ou descida é praticamente o mesmo.

Se tivesse condição financeira, o brasileiro leria mais? A gente fala muito da necessidade de alfabetizar, do contingente de pessoas recém-alfabetizadas como perspectiva de crescimento do mercado. Só que, antes de atingir esse segmento, existe o nicho dos alfabetizados que têm o hábito da leitura, mas que não consomem tantos livros porque os salários não permitem. É um contingente significativo, que tem influenciado o crescimento do mercado nos últimos anos.

As novas tecnologias têm influenciado no hábito da leitura?
Elas são uma maravilha. Eu tenho usado bastante, porque viajo constantemente e preciso ler muitos originais. O Brasil ainda não sentiu o impacto da chegada do livro digital, porque ainda não tivemos a disseminação dos dispositivos digitais. Há muitos iPads, mas eles têm um monte de funções, e a leitura é apenas uma delas. Já os aparelhos que foram desenvolvidos só para leitura, como o Kindle, não estão presentes no País de forma significativa. Quando isso acontecer, o livro digital decolará.

Quanto custa para o consumidor baixar um livro no Kindle? E quanto fica com o editor?
De modo geral, as editoras vão cobrar pela versão digital de 30% a 40% menos do que pela versão em papel. A evolução do mercado digital no Brasil ainda é muito limitada. A editora que lança um título em formato digital tem de investir também em uma versão impressa. Nos EUA, o mercado digital está ameaçando a sobrevivência das livrarias. Aqui, o impacto será mais muito lento.

O livro de papel vai acabar?
Por enquanto não. Temos um universo muito grande de pessoas que só agora está entrando no mercado da cultura. Isso deve garantir mais um período de crescimento das livrarias nacionais.

Como as editoras buscam novos talentos?
Temos “batedores” em Londres, nos EUA e em Paris. Eles buscam títulos que possam atrair leitores, identificam novos autores. No Brasil, o contato com as agências literárias continua sendo importante. Isso faz parte da rotina, mas não é suficiente. A intuição não pode ser desprezada. O faro e a subjetividade podem definir o sucesso ou o fracasso de uma editora.

Você teve uma carreira como jornalista. O que fez com que se voltasse para os livros?
Depois que me formei em História e Economia, queria ser jornalista, pensava em escrever. Aí surgiu um emprego na TV Globo, em Nova York. Viajei o mundo inteiro, conheci a sociedade de diversos cantos do planeta. Nesse tempo todo, o apelo pela palavra escrita permaneceu. Quando surgiu a oportunidade de comprar uma pequena editora, chamada Objetiva, o impulso falou mais alto. Todo mundo dizia, na época, que eu era maluco por trocar a TV por uma mídia ligada ao passado. Mas liberdade é poder fazer o que a gente gosta. Acho que fiz muito bem.

Como você compara o conteúdo dos livros com o conhecimento gerado pela televisão?
No caso da ficção, o livro te permite uma viagem mais profunda e mais completa. Dificilmente o audiovisual ou a internet poderá oferecer o mesmo. Mergulhar plenamente no livro agrega conhecimento. É uma experiência sedutora, insubstituível.

Como você vê a produção intelectual brasileira?
Enquanto no resto do mundo a sociedade se move para proteger e estimular a criação intelectual, aqui tem gente querendo fazer o movimento contrário. As pessoas não trabalham de graça. Ninguém passa anos escrevendo um livro sem remuneração. Se autores brasileiros não forem estimulados, nossos alunos terão de usar cada vez mais publicações criadas no exterior, onde a produção intelectual é resguardada.

Por que iniciativas como a Flip são importante para o País?
A Flip e as Bienais do Livro têm um efeito multiplicador enorme. A valorização dos autores e de seus trabalhos é indiscutível. No caso da Flip, em que se procura trazer para o Brasil autores estrangeiros de qualidade, isso se torna uma forma importante de disseminação da cultura, do talento, do conhecimento.

Como a literatura brasileira é vista lá fora?
Está muito aquém da visibilidade do País como um todo. Eu vivi fora do Brasil nas décadas de 70, 80 e 90. Desde então, venho viajando a trabalho e acho que é indiscutível o crescimento do interesse global pelo Brasil. Mas isso não tem eco na literatura.

O que o Brasil tem de fazer para aproveitar essa oportunidade?
Os editores têm de apresentar as obras de autores brasileiros para seus parceiros internacionais. O governo triplicou a verba para a tradução. Acho muito bom. É uma possibilidade real que se tem para acelerar o processo. Nossa editora produz uma revista literária, a Granta, que nasceu na Inglaterra e agora está fazendo uma versão brasileira. Na edição nacional, que será apresentada no ano que vem, vamos abrir espaço para os jovens talentos brasileiros.

Por Sonia Racy | O Estado de S.Paulo | 08/09/2011 | Entrevista publicada em 25/07/2011

Colaboração

Débora Bergamasco debora.bergamasco@grupoestado.com.br
Marilia Neustein marilia.neustein@grupoestado.com.br
Paula Bonelli paula.bonelli@grupoestado.com.br

Por R$ 0,99 por semana, brasileiro terá acesso à biblioteca digital


Projeto Nuvem de Livros foi apresentado no Bienal do Livro do Rio

Até 2020, todas as escolas brasileiras deverão ter uma biblioteca. Partindo da ideia de que existem quase 68 mil escolas no país e que 34% delas não têm nenhuma sala com livros, e ainda que o Brasil é o 3º país em número de celulares, o 5º em número de computadores, e que mais de 38 milhões já têm banda larga, Jonas Suassuna, do grupo Gol, viu aí uma oportunidade de negócio. Ele sabe das dificuldades envolvidas no cumprimento dessa diretriz governamental. Por que não construir, então, uma grande biblioteca digital?

Depois de três anos maturando a ideia, pesquisando, criando plataformas e pensando no conteúdo, a Gol Mobile apresentou sua Nuvem de Livros na Bienal do Livro do Rio. Com curadoria editorial de Antônio Torres e uma licença de uso semanal de R$ 0,99, o projeto conta com parceria de empresas como Telefônica, Vivo, Estadão, O Globo e Itautec, o que já dá, de saída, 82 milhões de clientes à biblioteca.

Os livros poderão ser lidos no computador, leitores digitais, tablets e celulares e a Gol criou seu próprio DRM para evitar a pirataria. O acesso amplo e simultâneo está garantido. “Tem que dar acesso geral. Se milhões de pessoas quiserem ler o mesmo livro ao mesmo tempo, elas vão ler”, comentou Suassuna. Hoje, a biblioteca conta com 3 mil títulos, e isso inclui 1.500 teleaulas fornecidas pela Fundação Roberto Marinho. Já o CCAA ficou responsável por todo o conteúdo em língua estrangeira.

Livros de 25 editoras como Moderna, Ediouro e seus selos, Conrad, A Girafa, Vermelho Marinho e outras também integram o catálogo. A forma de remuneração talvez seja a maior novidade do projeto. O fato de o livro estar na biblioteca já garante um pagamento à editora. Se ele for selecionado para ficar como destaque ou integrar coleções e ainda se for muito acessado, isso quer dizer que a editora ganhará um extra. Participar do projeto não é difícil. Se já tiver os livros digitalizados, tanto melhor. Se não tiver, a Gol cuida de convertê-los.

Outra novidade é que professores vão poder acompanhar a leitura dos alunos, conferir os livros pesquisados e saber se eles fizeram de fato o download da obra para embasar seus trabalhos.

Mas a Nuvem de Livros não foi pensada para ser usada apenas por alunos nas escolas; ela terá conteúdo para toda a família. A seu favor, Suassuna tem os apartamentos cada vez mais compactos. “Os apartamentos têm hoje, em média, 45 m2. Coloque uma estante de livros no meio disso tudo e falta espaço para a geladeira ou para a cama”, comentou.

Criamos um modelo para ganhar pouco dinheiro de muita gente”, comentou Suassuna, que não pretende resolver o problema da biblioteca pública no Brasil. “Se eu conseguir fazer os 82 milhões de usuários terem uma boa experiência com bons livros já posso ir embora dessa terra para as nuvens” brincou.

Essa conta que faz remonta ao número de clientes de seus parceiros. Por exemplo, todos os computadores da Itautec virão com a biblioteca digital. Os 80 milhões de usuários da Vivo terão 30 dias de acesso gratuito e depois, se quiserem, assinam o serviço por R$ 0,99 por semana. O mesmo vai acontecer com os clientes dos 25 países onde a Telefônica atua e os assinantes dos jornais O Globo e O Estado de S. Paulo.

Esta é a segunda iniciativa na área de bibliotecas digitais feita por empresas que não são exatamente bibliotecas no Brasil. A primeira, Minha Biblioteca, acaba de firmar parceria com a Ingram e ainda está sendo formatada para em breve ser oferecida para universidades do país. A Nuvem de Livros deve chegar antes, já que a previsão de lançamento é para 1º de outubro.

Por Maria Fernanda Rodrigues | PublishNews | 08/09/2011