Vendido a US$ 199, tablet da Amazon custa US$ 210 para fabricar


Os custos de fabricação do novo tablet da Amazon.com, o Kindle Fire, serão de US$ 209,63, afirmou a consultoria IHS iSuppli nesta sexta-feira, mostrando como a gigante do comércio eletrônico está tendo um prejuízo financeiro inicial para fazer com que o aparelho chegue ao maior número possível de consumidores.

Kindle Fire, tablet da Amazon

O executivo-chefe da Amazon, Jeff Bezos, divulgou o Kindle Fire na quarta-feira com um preço menor que o esperado: US$ 199.

O lançamento motivou preocupações sobre uma guerra de preços no mercado de tablets de baixo custo, atualmente dominado por aparelhos que rodam o sistema operacional Android, do Google, de empresas como Samsung, Motorola Mobility e HTC.

O executivo-chefe da Amazon, Jeff Bezos, mostra novos dispositivos da empresa | Photo Justin Lane | Efe

A IHS iSuppli disse que os componentes empregados na fabricação do Kindle Fire custam US$ 191,65. Despesas de fabricação adicionais levam o custo total para 209,63 dólares.

De acordo com as estimativas da IHS iSuppli, a companhia pode perder pouco menos de US$ 10 em cada Fire vendido. Mas a Amazon está esperando que o aparelho estimule usuários a comprar mais produtos e serviços da empresa, compensando o prejuízo inicial.

“O real benefício do Kindle Fire para a Amazon não será nas vendas de hardware ou conteúdos digitais. Em vez disso, o Kindle Fire, e toda a demanda por conteúdo que ele estimula, servirá para promover as vendas de todos os tipos de bens físicos que compreendem a maioria dos negócios do Amazon”, disse a IHS iSuppli em comunicado.

DA REUTERS, EM SAN FRANCISCO | Publicado por Folha.com, TEC | 30/09/2011 – 19h29

Livros aplicativos ampliam experiência dos leitores e exigem inovação das editoras


Por Giulliana Bianconi | Publicado originalmente no site Instituto Claro Em Pauta | 30 SETEMBRO 2011

Os personagens consagrados de títulos infantis precisaram sair dos livros para ganharem vida décadas atrás, na TV e nos cinemas. Agora, nas próprias páginas dos livros, eles não somente se tornaram personagens animados, com voz e movimento, como convidam os leitores a interagirem de maneiras diversas enquanto a narrativa avança. É a era dos livros digitais, cujo impacto para leitores – e também escritores e editoras- vai bem além da mudança do suporte de papel para digital.

Se os primeiros e-books eram arquivos em PDF e a diferença em relação ao livro de papel estava, basicamente, em serem acessados digitalmente, hoje a distância entre os dois formatos, forjada pela engenharia dos softwares, já é imensa. “Agora o céu é o limite, e o que a gente pensa a área de tecnologia faz”, conta a escritora carioca Bia Hetzel, também sócia da editora Manati.

Neste ano, a editora fez parceria com uma agência de tecnologia digital e publicou o clássico “Os Três Porquinhos” para tablets, um livro de imagens que oferece duas narrações em áudio – a do lobo e a da mãe dos porcos – e permite ainda que o leitor grave a sua própria narração. Com cara de aplicativo, o livro, que oferece atividades extras como pinturas digitais, é um dos mais baixados na Apple Store Brasil.

Ao logo das 25 telas, com desenhos caprichados da ilustradora Mariana Massarani, elementos e sons surpresas saltam à tela à medida que o usuário explora o ambiente. “Tudo é encantador”, diz Hetzel, que afirma não sentir falta de qualquer processo de criação que adotou para os mais de 15 livros impressos que escreveu anteriormente. “Você não imagina como é sensacional pensar um livro neste formato! Eu posso dizer que renasci, pois todo o processo é inovador.

Usuário e conteúdo ao centro

Ednei Procópio, 35, editor, especialista em livros digitais

Pesquisador de e-books desde 1998, autor de “O Livro na Era Digital” e editor na Livrus, Ednei Procópio observa que o mercado vive a euforia dos livros digitais, mas nem sempre leva em conta o usuário e o conteúdo. “Estes elementos devem estar no centro”, diz, antes de explicar: “Livros infantis ganham muito com as possibilidades dos softwares, que enriquecem a narrativa, assim como acontece com as narrativas policiais, afinal imagine poder acessar um mapa do local onde o crime da história aconteceu? Mas para outros gêneros pode não funcionar, e aí que sentido faz ter algo saltando ou algum barulho acompanhando a narrativa?”.

Softwares e hardwares fazem parte da discussão diária de quem trabalha no mercado editorial, mas Procópio diz que atrelada a isso está a reflexão sobre distribuição, pois na cultura digital os usuários são muito menos induzidos pelas editoras e livrarias. “Antes o leitor chegava à livraria, e a ‘conversa’ estava estabelecida nas vitrines e nas prateleiras. Se o mercado quisesse induzir os leitores a comprarem livros sobre anjos, por exemplo, eles estariam em destaque por toda a parte no ambiente.Agora não funciona mais assim.

Para acompanhar esse novo consumidor, Procópio trabalha em um projeto de distribuição que contará com uma biblioteca virtual com mais de 80 mil títulos, onde o usuário poderá encontrar o que lhe interessa por palavras-chave e escolher se quer ler na versão digital ou impressa. Os que optarem pelo digital poderão ainda selecionar em qual tipo de tela querem visualizar – smartphones, tablets, netbooks etc. Os que clicarem em impresso poderão imprimir o seu próprio livro. “As editoras precisam se adaptar. Não adianta ficar apenas tentando entender o rumo do mercado, é preciso fazer parte dele. Os recursos para isso já estão à disposição até mesmo para as pequenas editoras”, diz.

Por Giulliana Bianconi | Publicado originalmente no site Instituto Claro Em Pauta | 30 SETEMBRO 2011

Para ler nas nuvens


Os programas para você buscar, comprar, guardar e aproveitar seus escritores preferidos no celular, no tablet ou no computador pessoal

Desde o lançamento do leitor digital Kindle, que catapultou o crescimento do mercado de livros eletrônicos a partir de 2007, a leitura digital tem dividido opiniões. De um lado, há quem defenda a experiência prazerosa de ler no papel, supostamente inimitável pela tecnologia. De outro, entusiastas dos livros digitais desfilam pelas ruas com seus e-readers [os aparelhos de leitura] e exaltam a praticidade dos e-books [as obras digitais]. Há, porém, um terceiro grupo, no qual está inclusa a maior parte dos consumidores: aqueles que não se importam o suficiente para defender um dos lados da disputa [ou mesmo comprar um e-reader], mas gostariam de desfrutar as facilidades dos e-books. Desde que não dê muito trabalho. A seguir uma seleção de aplicativos baratos ou gratuitos para desbravar o acervo crescente de livros digitais.

FACILIDADE O editor de livros Paulo Tadeu e seu tablet. Desde que aderiu aos e-books, ele compra mais livros estrangeiros | Foto: Filipe Redondo/ÉPOCA

Os e-readers como o Kindle, da Amazon, oferecem uma experiência mais semelhante à do papel, com telas desenvolvidas para não irritar os olhos. Mas os aplicativos para computadores, tablets e smartphones são opções mais acessíveis para quem não quer investir em um aparelho dedicado para livros. “Optei por um tablet, no lugar de um e-reader, porque ele tem outras funcionalidades, e a leitura é muito confortável”, diz o editor de livros Paulo Tadeu, recém-convertido ao mundo dos e-books.

Outro ponto forte dos aplicativos é a possibilidade de ler o mesmo livro em vários dispositivos [incluindo e-readers], retomando a leitura no ponto anterior. Depois que você começa a ler um livro digital no smarthphone, se abrir a mesma obra no aplicativo do computador, tem a opção de ir para o ponto onde parou. “Uso o iPad de dia, quando estou em algum intervalo no trabalho ou no café”, diz o programador Daniel Filho. “O Kindle, uso em casa, antes de dormir, por proporcionar uma leitura mais confortável.”

Para explorar esse mercado, as principais lojas de livros digitais já criaram aplicativos que funcionam em várias plataformas. Um dos mais populares é o Kindle, da Amazon, que busca reproduzir em outros dispositivos as funções do popular e-reader da empresa. A Apple também disputa o público com o iBooks, que permite comprar e ler livros digitais. Outras livrarias virtuais do Brasil e de outros países aderiram à moda [leia o quadro abaixo]. Por enquanto, a tecnologia tem algumas limitações importantes – sobretudo para os leitores brasileiros. Além de lidar com um acervo escasso de livros digitais em português, os usuários do país não têm acesso a alguns dos principais aplicativos do gênero. E muitas livrarias digitais estrangeiras impõem restrições às vendas para o Brasil. Para comprar um livro digital na Fnac francesa é preciso ter um cartão de crédito daquele país. Mas as restrições devem durar pouco: aplicativos como o Kobo, o Kindle e o iBooks já oferecem formas de pagamento mais flexíveis. Dificilmente a tendência será ignorada por outros. O entusiasmo dos usuários e sua disposição para as compras virtuais justificam o esforço. “A oferta de conteúdo aumentou meu volume de leitura. Estou sempre lendo quatro ou cinco e-books ao mesmo tempo”, afirma Paulo.

POR DANILO VENTICINQUE | ÉPOCA | TECNOLOGIA | 30/09/2011 15h12

Biblioteca Digital Mundial tem rico acervo de origem brasileira


Ciências Sociais, engenharia, tecnologia, costumes, etiqueta e folclore. Estas são apenas alguns das dos acervos da Biblioteca Nacional que estão disponíveis na Biblioteca Digital Mundial. A BN brasileira é uma das fundadoras e atual membro do Conselho Executivo do projeto, que é encabeçado pela Biblioteca do Congresso dos EUA e Unesco. São centenas de peças com detalhamento em português e outras seis línguas. Clique aqui para conhecer o acervo da BN Digital no site da Biblioteca Digital Mundial.

Boletim Fundação Biblioteca Nacional | 30/9/2011 20:31

Kindle Fire a US$199 desperta questões sobre suprimento e margem


O preço baixíssimo do novo tablet Kindle Fire está despertando questões sobre a capacidade da Amazon.com para atender à demanda pelo aparelho e seu possível efeito sobre as margens de lucros já baixas da empresa.

Jeff Bezos, o bilionário presidente-executivo da Amazon, mostrou o Fire na quarta-feira, anunciando preço de US$ 199, inferior ao esperado.

Bezos anunciou que a companhia estava produzindo “milhões” de unidades do novo aparelho, sem acrescentar números mais específicos. Mas instou os consumidores a fazerem pré-encomendas do produto o mais cedo que pudessem.

Quando Bezos disse que as pessoas deveriam pedir o mais rápido possível, não estava apenas promovendo as vendas“, disse Brian Blair, analista da Wedge Partners. “Estava também anunciando às pessoas que os estoques do Fire vão se esgotar.

Quando o primeiro Kindle foi lançado, em 2007, a Amazon não produziu o aparelho em volume suficiente e o estoque inicial se esgotou em menos de uma semana. Isso implicou em vendas perdidas e em colocar o aparelho nas mãos de menor número de clientes, prejudicando a adoção rápida.

Espero que tenham aprendido a lição que isso ensinou“, disse Vinita Jakhanwal, analista da IHS iSuppli, que estuda as cadeias de suprimentos do setor de eletrônicos.

Porta-vozes da Amazon não responderam a pedidos de comentários na quinta-feira.

A Amazon encomendou entre quatro milhões e cinco milhões de telas para o Fire no quarto trimestre, um volume “bastante significativo,” disse Jakhanwal.

Mas a tecnologia usada nas telas do Fire já está em circulação há pelo menos um ano, e vem sendo produzida em volume elevado, o que reduz a chance de uma escassez de componentes, disse Jakhanwal.

Um dos componentes que enfrentava escassez de oferta no primeiro semestre de 2011 eram as telas de 10 polegadas, em larga medida devido ao iPad, de acordo com Bradley Gastwirth, do grupo de pesquisa de tecnologia ABR Investment Strategy.

Essa deve ter sido uma das principais razões para que a Amazon começasse com o formato de sete polegadas“, disse.

O preço de US$ 199 também causa preocupações aos analistas quanto às margens de lucros da Amazon.

A companhia sempre concorre agressivamente em termos de preços, e muitas vezes absorve prejuízos ao ingressar em novos mercados. Gene Munster, analista da PiperJaffray, estima que a companhia possa perder US$ 50 com cada Fire vendido.

DA REUTERS | Publicado por Folha.com | TEC | 30/09/2011 – 11h41

Kindle Fire terá quadrinhos da DC Entertainment com exclusividade


A DC Entertainment anunciou hoje que seus quadrinhos serão vendidos com exclusividade pela Amazon para o Kindle Fire, novo tablet anunciado ontem pela empresa.

Cem títulos estão disponíveis na Kindle Store, entre eles as famosas séries “Watchmen”, “V de Vingança”, “Superman: Earth One” [ainda inédito no Brasil], “Sandman” e “O Cavaleiro das Trevas” [veja aqui a lista completa].

“Estamos entusiasmados de trabalhar com o líder em livros digitais para trazer muitas das mais amadas e vendidas graphic novels do mundo aos leitores do Kindle”, disse Jim Lee, copublisher da DC Entertainment, ao site oficial da empresa.

Algumas dessas HQs nunca estiveram disponíveis em formato digital“, disse também ao site o vice-presidente de conteúdo do Kindle, Russ Grandinetti. “Acreditamos que os consumidores irão amá-las.

Segundo a DC Entertainment, as graphic novels estarão disponíveis para usuários do Kindle Fire na Kindle Store em breve. “Watchmen” e “Superman: Earth One” já estão disponíveeis em pré-venda, apenas para os Estados Unidos.

Jim Lee, copublisher da DC Entertainment, mostra a graphic novel "Superman: Earth One" em um Kindle Fire

Folha.com | 29/09/2011 – 16h14

Novo Kindle tem interface e navegação em português


Valor do aparelho começa em US$ 79; brasileiro paga US$ 255 por causa dos impostos

Se a popularização do e-book dependia de existir um leitor de livro digital barato, a Amazon deu ontem mais uma força para que isso aconteça de fato. De uma só vez, ela apresentou quatro novos modelos de Kindle com preços entre US$ 79 e US$ 199.

Apenas o modelo tradicional, que agora está menor, mais leve e mais barato, já está disponível para compra. Os brasileiros podem comprar a versão de US$ 109 [sem anúncio], mas o aparelho vai chegar aqui custando US$ 255,57.

Os outros três – Kindle Touch, Kindle Touch 3G e o tablet Kindle Fire – começam a ser despachados curiosamente em 21 de novembro, dia do lançamento mundial da biografia do fundador da Apple, Steve Jobs. Somando isso tudo ao interesse da empresa pelo Brasil – todos os modelos vão incluir interface e navegação em “português brasileiro”; editoras e livrarias foram procuradas pela Amazon, que quer conteúdo em português; diretores da empresa participaram da Bienal do Rio no início do mês; e a Amazon segue procurando um profissional para atuar no país – este pode ser um bom momento para os brasileiros e para o mercado editorial nacional.

Kindle

Custa apenas US$ 79 [mas vem com anúncios] e já está disponível para compra. O novo modelo é 18% mais compacto, 30% mais leve e mais barato que a versão original. De acordo com a empresa, ele também está 10% mais rápido na hora de virar as páginas. A tela e-ink, a mais parecida com o papel, é de 6 polegadas. http://www.amazon.com/kindle

Kindle Touch

A versão touch screen do Kindle custará US$ 99 [com anúncios] e US$ 139 [sem anúncios] e estará disponível a partir de 21 de novembro. A Amazon promete, com ele, um manuseio mais fácil, conforto na leitura e uma bateria mais duradoura. Essa versão virá com o que a Amazon está chamando de “X-Ray” para que os leitores possam explorar o “esqueleto do livro”. Com apenas um toque, será possível ver as passagens do livro que mencionam determinada ideia, figuras históricas, personagens e o que mais interessar ao leitor. Também será possível pesquisar na Wikipedia e na Shelfari, a enciclopédia comunitária da Amazon. Clientes americanos já podem encomendar o aparelho. http://www.amazon.com/kindletouch.

Kindle Touch 3G

A única diferença do Kindle Touch é o 3G gratuito, que permite ao usuário fazer suas compras de qualquer lugar sem depender uma conexão wi-fi. O valor é US$ 149 [com anúncios] e US$ 189 [sem anúncios] e americanos já podem fazer seus pedidos pelo site. http://www.amazon.com/kindletouch3G

Kindle Fire

Com este tablet, que roda o sistema operacional Android, a Amazon tenta se aproximar da Apple. O Kindle Fire vai custar US$ 199 [o iPad mais barato nos Estados Unidos custa US$ 499] e dará acesso a mais de 18 milhões de itens disponíveis na loja virtual, entre filmes, séries, músicas, aplicativos, jogos, revistas e, claro, livros. O conteúdo fica armazenado na nuvem e o aparelho pesa menos de meio quilo. A tela é de 7 polegadas e as dimensões são: 19 cm x 12 cm x 1.14 cm. A capacidade de armazenamento é de 8 GB, suficiente, segundo a Amazon, para guardar 80 aplicativos, 10 filmes, 800 músicas e 6 mil e-books. O Kindle Fire está disponível para encomendas e será entregue a partir de 15 de novembro. http://www.amazon.com/kindlefire.

Por Maria Fernanda Rodrigues | Publicado originalmente em PublishNews | 29/09/2011

Kindle pode forçar corte de preços em tablets Android


As companhias de tecnologia asiáticas sofreram pressão de corte de preços de seus computadores tablet depois que a Amazon.com lançou o Kindle Fire por US$ 199.

Empresas de Samsung Electronics à Sony, os grandes fabricantes asiáticos de tablets têm planos ambiciosos para enfrentar a Apple, cujo iPad é o aparelho de referência nesse mercado crescente.

Mas com produtos claramente parecidos e preços muito próximos aos US$ 499 dólares do iPad básico, nenhuma delas conseguiu capturar mercado significativo junto aos consumidores da Apple.

Até o momento, a Samsung vem sendo a candidata mais convincente a rival do iPad, e alguns analistas sugeriram que ela poderia perder sua segunda posição no mercado de tablets para o Fire.

A campanha de marketing dos tablets da companhia sul-coreana também vem enfrentando problemas nos últimos meses devido aos esforços judiciais da Apple para impedir a venda de tablets Samsung na Austrália, Estados Unidos e Alemanha, alegando violações de patentes e outras irregularidades.

O Kindle Fire, embora não disponha de muitos dos recursos mais avançados comuns em outros tablets, de câmeras a conexão 3G, pode representar o ponto final para muitos dos aparelhos concebidos em torno do sistema operacional Google Android.

“A escolha de preço é crucial para ganhar força no mercado de tablets. Os fabricantes rivais não conseguiram atrair consumidores porque acompanharam o preço do iPad sem acompanhar sua oferta de conteúdo”, disse Adam Leach, analista do grupo de pesquisa Ovum.

“O modelo de negócios da Amazon, que tem por base o varejo, permite que a companhia subsidie o aparelho sob a premissa de que seus usuários comprarão mais em seus sites, seja conteúdo digital, sejam produtos físicos.”

Galaxy Tab, da Samsung; Xoom, da Motorola Mobility; e muitos outros aparelhos da Acer e Asustek funcionam com o Android, que a Amazon também usa no Kindle Fire, combinado à sua loja on-line.

DA REUTERS, EM SEUL | Publicado por Folha.com | 29/09/2011 – 11h12

Novo selo digital da Bloomsbury revive centenas de títulos negligenciados


Edith Sitwell in 1952, wearing her self-designed 'Tudor' clothes. Photograph: Terry Fincher/Getty

Centenas de clássicos esquecidos estão sendo trazidos de volta à vida pelo novo selo inaugurado nesta semana pelaeditora de Harry Potter, a Bloomsbury. São 230 e-books até agora e a editora está resolvendo a questão dos direitos autorais com herdeiros e agentes literários e a lista de e-books deve chegar a 500 nos próximos meses. A Bloomsbury Reader sera focada em e-books, mas também disponibilizará os títulos para impressão sob demanda.

Os e-books serão vendidos a 6,98 libras no Reino Unido. “Não demos um preço muito baixo – achamos que este valor era apropriado, mais baixo que os lançamentos em paperback mas não tão baixo que desvalorize o livro em si”, disse a publisher Stephanie Duncan. “Com a constante pressão para que o preço do livro caia, corremos o risco de ter uma situação onde o escritor não vai mais poder escrever livros e nós queremos manter o valor que o livro tem”.

Por Alison Flood | The Guardian | 28/09/2011

Amazon lança Kindle Fire, tablet que concorrerá diretamente com iPad


O novo tablet operará com o sistema operacional Android, do Google, e já nasce com o apoio de uma das maiores empresas de varejo online do mundo

Jeff Bezos, presidente e CEO da Amazon, apresenta o Kindle Fire, o tablet de sua companhia | Foto: Mark Lennihan / AP

Kindle Fire. Esse é o nome do novo tablet, a ser produzido pela loja americana Amazon, anunciado nesta quarta-feira [28] pela empresa. Lançado oficialmente poucos dias antes de a Apple fazer sua conferência em que pode apresentar o novo iPhone – especula-se que isso aconteça entre esta semana e a próxima -, o novo Kindle deverá concorrer diretamente com o iPad e operará com o sistema operacional Android, do Google.

O novo tablet será um pouco menor que os aparelhos convencionais, e caberá na palma da mão. Ele deve estar disponível no mercado já a partir do próximo dia 15 de novembro. A parceria com o Google ameaça a hegemonia da Apple – as duas empresas vêm travando batalhas judiciais ferrenhas nos últimos meses por causa do mercado de tablets e de smartphones.

Nós nos perguntávamos se havia um jeito de trazer todas essas coisas [serviço móvel, Prime, Kindle, vídeos on demand e aplicativos] juntas em um produto que nossos consumidores fossem adorar. A resposta para essa pergunta é o Amazon Kindle Fire”, disse Jeff Bezos, executivo-chefe da Amazon, durante a coletiva para apresentar o novo tablet.

Aos consumidores, o Kindle Fire deverá chegar à Amazon.com por US$ 199 – bem abaixo da média de US$ 300 cobrados no iPad. Por outro lado, o novo tablet já deverá chegar ao mercado bem atrás de seu concorrente no que diz respeito aos aplicativos e à compatibilidade com novos apps – a Apple Store conta com muito mais programinhas que a própria Market Store do sistema Android. O tablet também não terá câmera ou conectividade por 3G, funcionalidades presentes no iPad.

Ken Sena, analista da Amazon para a Evercore Partners, no entanto avaliou que o tablet já nasce com uma imensa vantagem em relação ao iPad, que é o fato de milhões de pessoas já acessarem com regularidade o site da Amazon, o que facilitaria o relacionamento entre consumidores e fabricante.

O iPad ainda é, hoje, o tablet mais popular no mundo, com mais de 29 milhões de unidades vendidas e mais de dois terços de todo o mercado. Mas o Kindle conta com o apoio de uma das maiores empresas de varejo online dos Estados Unidos, com apoio do Google e com uma base de consumidores muito maior. Que comece a disputa.

REDAÇÃO ÉPOCA | 28/09/2011 13h09

Amazon lança tablet Kindle Fire por US$ 199 nos EUA


A varejista on-line norte-americana Amazon anunciou nesta quarta-feira [28] seu novo tablet, chamado Kindle Fire.

O aparelho, com tela de sete polegadas sensível ao toque, será vendido por US$ 199 nos EUA, menos da metade do preço do iPad mais barato, que custa US$ 499.

Kindle Fire, Kindle Touch e Kindle, os novos modelos de e-reader da Amazon

Diferente dos modelos atuais de Kindle, o tablet não tem teclado físico e é usado por meio da touchscreen, que aceita apenas dois pontos de toque simultâneos [o iPad aceita até dez].

Outra diferença do Kindle Fire em relação às versões tradicionais do e-reader está na conectividade: o novo aparelho não acessa redes 3G. Para acessar a internet, é preciso usar conexão Wi-Fi. O aparelho também não tem câmera e microfone.

O sistema operacional do Kindle Fire é o Android, do Google, com uma interface própria desenvolvida pela Amazon. Quem comprar o aparelho terá direito a um mês de acesso gratuito à Amazon Prime, serviço de streaming de filmes cuja assinatura anual custa US$ 79.

PAPEL ELETRÔNICO

A companhia também anunciou outros modelos de e-readers da família Kindle. Eles usam tela de papel eletrônico, como as versões atuais do aparelho.

Kindle Touch, novo leitor de livros eletrônicos da Amazon

O Kindle Touch é um modelo com tela sensível ao toque [via infravermelho]. Custa US$ 99 e US$ 149 – o segundo preço refere-se à versão com conexão a redes 3G [que funciona em mais de 100 países, assim como já ocorre com as versões atuais do Kindle].

O modelo mais simples da linha, chamado apenas de Kindle, perdeu o teclado – e não tem tela sensível ao toque. Tem tela de seis polegadas e, segundo a Amazon, vira páginas 10% mais rápido e pesa 30% menos do que a versão atual. Custa US$ 79.

Na página da Amazon, os modelos atuais, com teclado físico, ganharam novos nomes: Kindle Keyboard [US$ 99] e Kindle Keyboard 3G [US$ 139]. Além deles, o novo Kindle já está disponível para pronta entrega. Os outros aparelhos estão em pré-venda – as duas versões do Kindle Touch começam a ser enviadas em 21 de novembro, um pouco depois do Kindle Fire, que tem data de envio marcada para o dia 15 do mesmo mês.

Por enquanto, os produtos lançados hoje estão disponíveis apenas nos EUA. A Amazon envia os modelos atuais de Kindle ao Brasil, mas, com o pagamento de impostos e frete, eles custam em torno do dobro do valor cobrado nos EUA. Ainda não se sabe quando os novos equipamentos estarão disponíveis no Brasil.

VERENA FORNETTI | EM NOVA YORK | Com colaboração de São Paulo | Publicado em Folha.com | 28/09/2011 – 12h01

Amazon deve lançar hoje rival do iPad por US$ 250


Amazon deve anunciar hoje, em entrevista coletiva em Manhattan, seu tablet de US$ 250 [aproximadamente R$ 460] para concorrer com o iPad, da Apple, segundo o “New York Times”.

Analistas acreditam que a tela do aparelho terá 7 polegadas [18 cm, menor do que os 25 cm do iPad] e será sensível ao toque, ao contrário da do Kindle, aparelho para leitura de livros da própria Amazon.

Um segundo modelo, com uma tela maior, é esperado para o próximo ano.

Passageiro lê em seu Kindle, e-reader da Amazon, no metrô | Photo Brian Snyder, by Reuters

O aparelho, que segundo o blog TechCrunch vai se chamar Kindle Fire, custará nos EUA metade do preço do iPad mais barato [US$ 499] e deve estar no mercado nos próximos meses, antes do Natal. No Brasil, não há previsão.

“A primeira coisa que os consumidores fazem nos tablets é ver e-mails”, disse ao “New York Times” Sarah Roman Epps, analista da empresa Forrester. “A segunda é navegar na internet. Depois, jogar e ver vídeos. A Amazon vai oferecer o tablet de que muitos consumidores precisam.” Ela estima que a empresa venderá, inicialmente, 5 milhões de unidades.

ESTRATÉGIA DISTINTA

Uma após a outra, empresas de tecnologia foram seduzidas a entrar no mercado de tablets. A Apple tornou esse nicho atraente ao vender 29 milhões de iPads em seus primeiros 15 meses.

Segundo o jornal americano, a Amazon parece ser o competidor mais bem preparado para enfrentar o iPad.

Enquanto a Apple vende filmes, música e livros para comercializar seus tablets, a Amazon comercializa aparelhos para vender livros, filmes e música. A Apple nunca enfrentou um oponente com estratégia tão diferente.

O que torna a Amazon uma real ameaça à Apple, escreveu Epps em um artigo recente, é que a empresa busca clientes que usem tablets apenas para entretenimento. Como o uso para fins não profissionais representa dois terços do total, ela conclui que a Apple finalmente terá que levar um competidor a sério.

POSSÍVEIS PROBLEMAS

Uma das características que podem afetar as vendas da primeira versão do tablet da Amazon é a tela pequena.

A reportagem do “Times” cita uma frase de Steve Jobs, criador da Apple, de que jamais faria um dispositivo nessas dimensões por acreditar que “a tela é muito pequena para expressar o software”.

Outro diferencial do iPad –e dos demais produtos da Apple– é o design. As pessoas compram os equipamentos também pela qualidade do acabamento. Para críticos, o primeiro Kindle parecia uma calculadora gigante.

A disputa entre Amazon e Apple será uma batalha entre a empresa que criou o primeiro e-reader popular [e revolucionou a forma como livros são consumidos] e a que criou o primeiro tablet popular [e criou a revolução ainda em curso de como entretenimento e diversas mídias são consumidos hoje].

Para Anthony DiClemente, analista da Barclays, “o consumidor será o vencedor”.

Folha.com | TEC | 28/09/2011 – 06h51

Os direitos autorais na era digital


Palestra promovida pela CBL deve responder as dúvidas sobre a proteção de direitos autorais do livro eletrônico

Para quem está confuso com as questões legais na era digital, a CBL promove no dia 29 de setembro a palestra “Direitos autorais e a proteção do livro eletrônico”. Ministrada pela Dr. Patrícia Peck Pinheiros, advogada especialista em Direito Digital, a palestra deve abordar desde a evolução dos direitos autorais na era digital e o cenário internacional até a proteção legal do livro eletrônico.A palestra acontece na Escola do Livro [Rua Cristiano Viana, 91, Pinheiros – São Paulo/SP. Tel.: 11 3069-1300], das 9h às 13h. A palestra custa R$ 250 para associados da CBL e R$ 500 para o restante do público.

Escola do Livro: Gestão de Catálogo e Conteúdo para Livros Digitais


Ednei Procópio

O curso “Gestão de Catálogo e Conteúdo para Livros Digitais”, oferecido pela Escola do Livro, da CBL [Câmara Brasileira do Livro], acontece no dia 6 de outubro de 2011, das 9h30 às 13h30.

A iniciativa tem como objetivo evidenciar o processo de criação de catálogos de livros digitais, bem como uma visão global sobre o assunto. Plataformas, formatos e DRM [Digital Rights Management] fazem parte do conteúdo do curso, que conta ainda com a apresentação de cases na área. Também serão apresentados aspectos do gerenciamento de conteúdo.

O curso será ministrado por Ednei Procópio, que é editor e sócio-fundador da Livrus Negócios Editoriais. Procópio atua há 10 anos no mercado de livros digitais. É ainda autor da obra “O Livro na Era Digital” e coordenador Geral do Cadastro Nacional do Livro, desenvolvido pela CBL.

Mais informações sobre o curso podem ser obtidas pelo e-mail escoladolivro@cbl.org.br ou pelo telefone [11] 3069-1300.

CBL Informa | 27 de Setembro de 2011

Kindle Fire será apresentado amanhã


Amazon lança tablet para concorrer com o iPad neste Natal

Foto ilustrativa: Tablet da Amazon poderá usar sistema operacional Android

A Amazon vai apresentar seu tablet Kindle Fire amanhã de manhã nos Estados Unidos. O furo foi do site TechCrunch, que antecipou algumas características do novo aparelho em matéria publicada nesta segunda-feira, dia 26. Ele terá 7 polegadas, deve custar entre US$ 250 e US$ 300 e começará a ser vendido na segunda semana de novembro. A Barnes & Noble também deve lançar a segunda versão do Nook Color no próximo mês. Tudo isso para não deixarem a Apple reinar sozinha neste lucrativo mercado antes das compras de Natal. Confira a matéria do TechCrunch aqui, ou aguarde as informações oficiais amanhã.

PublishNews | 27/09/2011

Manuscritos do Mar Morto estão online


Dois mil anos após terem sido escritos e décadas após terem sido encontrados por beduínos em cavernas no Deserto da Judeia, trechos dos célebres Manuscritos do Mar Morto foram publicados ontem na internet pela primeira vez, em uma parceria do Museu de Israel e do Google.

No endereço dss.collections.imj.org.il, pode-se observar cinco manuscritos diferentes. Ao clicar nos versículos, uma pequena janela se abre com a tradução para o inglês. Até 2016, todos os fragmentos conhecidos devem estar online.

Os manuscritos originais estão guardados em um cofre, dentro de um edifício construído especificamente para abrigá-los. O acesso depende de três chaves, um cartão magnético e uma senha secreta.

Especula-se que eles foram escritos por uma seita judaica ascética que se estabeleceu em Qumran, nas margens do Mar Morto. As centenas de manuscritos que sobreviveram, parcialmente ou na íntegra, jogam luz sobre o desenvolvimento da bíblia hebraica e as origens da cristandade. Os cinco exemplares publicados no site estão entre os mais bem conservados.

O Estado de S.Paulo | 27 de setembro de 2011 | 3h 06

Brasil sedia Congresso Internacional de Livros Digitais Daisy


Reconhecido internacionalmente como um dos mais modernos recursos de acessibilidade de leitura, o formato DAISY [Digital Accessible Information System] será foco do Congresso Internacional realizado pela Fundação Dorina Nowill para Cegos em parceria com o Consórcio Daisy Latino, que acontecerá em São Paulo, nos dias 4 e 5 de novembro.Na programação estará assuntos como livros didáticos e seus desafios ao formato Daisy; formatos DAISY 4 e EPUB 3: convergência entre mercado e acessibilidade – desafios e oportunidades, compartilhamento de livros acessíveis online, o futuro do livro Daisy, além de um panorama da produção e distribuição deste formato no Brasil, na América do Norte, na Europa e na Oceania.

O formato Daisy é uma ferramenta de leitura digital que permite à pessoa cega ou com visão subnormal acesso à leitura de forma rápida e estruturada. O usuário pode visualizar o conteúdo do texto em vários níveis de ampliação e ouvir a sua gravação em voz sintetizada de forma simultânea.

CBL | 26/09/2011

Com tablets, empréstimo de e-books é desafio para bibliotecas


Com a popularização dos tablets, o empréstimo de livros virtuais virou um desafio para as bibliotecas

Com a popularização dos e-readers [leitores eletrônicos] entre alunos, o empréstimo de livros nas escolas brasileiras passa por um processo de adaptação. Colégios públicos e particulares investem e incentivam o uso de tablets e similares, e os estudantes começam a se familiarizar com a leitura de textos virtuais em dispositivos portáteis. Mas como as bibliotecas estão lidando com essa nova plataforma de leitura? Na 15ª Bienal do Livro, no Rio de Janeiro, ocorrida no início de setembro, dois dias foram dedicados à discussão do papel da biblioteca no empréstimo de e-books, da democratização no acesso à leitura e dos desafios impostos com o surgimento de novas tecnologias, um cenário inimaginável há menos de duas décadas, quando existiam poucos aparelhos e eles ainda eram grandes e caros.

Conforme explica o presidente da Fundação Biblioteca Nacional, Galeno Amorim, há duas linhas principais em estudo que se apresentam como possibilidades para implantação de uma biblioteca para empréstimo de e-books no Brasil. “Uma delas, que vigora na Europa e nos Estados Unidos, indica o empréstimo de livros que são baixados e, depois de alguns dias, desaparecem do suporte utilizado, fazendo com que termine o prazo de uso. A outra se daria por meio do ciberespaço, da chamada ‘nuvem’. Dentro desse conceito, os livros ficariam em uma rede disponível a todos e o leitor não chega a baixar os arquivos. Neste caso, haveria a necessidade de pagar uma mensalidade para que o usuário acessasse as obras“.

Desde o último dia 5, a Gol Editora já disponibiliza uma biblioteca virtual no endereçowww.nuvemdelivros.com.br. “Temos dados que nos propiciam fazer uma biblioteca em nuvem no Brasil, e fazendo com que isso seja popular. O País é o terceiro mercado de computadores do mundo e tem a quinta maior planta de celulares, com mais aparelhos do que habitantes. Esses são fatores que favorecem a implantação de uma rede para a leitura virtual“, afirma Jonas Suassuna, presidente do grupo, que pretende disponibilizar seis mil obras a partir de outubro ao custo de R$ 0,99 por semana. Esse modelo, no entanto, não é unanimidade. “O Brasil é um muito País muito grande e com peculiaridades bem distintas em cada região. Creio que para alcançarmos a tão falada inclusão digital, o ideal seria que o empréstimo de livros virtuais fosse gratuito, como nas bibliotecas convencionais“, detalha a professora do curso de biblioteconomia da Universidade Federal de Brasília [UnB], Mônica Regina Perez.

Os piratas do Brasil – Segundo dados da Associação Brasileira de Direitos Reprográficos, quase 200 mil downloads ilegais de livros foram realizados no País nos últimos dois anos por meio de 50 mil links “alternativos”. “Na França, em 2010, o número de livros pirateados foi de, no máximo, 3%. Ou seja, existe segurança para que o empréstimo e a comercialização não sejam irregulares“, comenta Amorim. Sócia-proprietária do site de hospedagem e gerenciamento virtual de livros Alexandria Online, Raquel Mattes acredita que o download ilegal é “uma resposta ao preço caríssimo das obras“.

“Durante o governo Lula, os livros foram desonerados de qualquer imposto e, mesmo assim, os preços não baixaram. Esse tipo de pirataria só pode ser combatida quando tivermos preços acessíveis à população”, diz.

Para Suassuna, a utilização da nuvem seria uma forma de combater a pirataria, já que não é possível baixar o livro e, assim, não daria para copiá-lo. Livros na rede sem qualquer custo – Enquanto se discute a melhor forma de distribuição do conteúdo, projetos como o Domínio Público [www.dominiopublico.gov.br], do governo federal, que disponibiliza, por exemplo, a obra completa de Machado de Assis, e o Gutenberg [www.gutenberg.org], em inglês,  que busca a democratização da leitura por meio da distribuição gratuita de livros em formato digital, ganham espaço. Em ambos os casos, são colocados à disposição do internauta obras cujos direitos autorais já estão liberados para uso. Com uma proposta um pouco diferente, o Scridb [pt.scribd.com] se anuncia como “o maior clube do livro do planeta”. Nele, o leitor compartilha textos com outras pessoas e pode, assim como nos sites já citados, encontrar algumas obras de livre circulação. O problema segue sendo as obras “fechadas”, cujo interesse econômico por trás ainda vigora.

Empreste um livro para um amigo – Para esses casos, ainda existe a possibilidade de uma troca entre amigos, que segue viva nas plataformas virtuais. O mais popular leitor de e-books da atualidade, o Kindle, da Amazon, permite o empréstimo de livros virtuais desde novembro do ano passado. O processo é feito de um equipamento para o outro. O usuário que empresta fica 14 dias sem acesso à obra para que o amigo possa ler. Depois desse tempo, ela é bloqueada para quem pegou emprestado e “devolvida” ao dono. Processo muito semelhante a um empréstimo de um livro de papel.

Independentemente da postura adotada, o importante é procurar uma adequação às mudanças que a tecnologia impõe ao hábito de ler. “A biblioteca precisa buscar alternativas para se adaptar a esse processo. A tecnologia está disponível em qualquer lugar e a qualquer momento, e não necessariamente onde está a biblioteca. Logo, ela não pode mais esperar que o usuário vá até a instituição para buscar títulos ou realizar pesquisas, ela precisa ir onde o leitor estiver, disponibilizado obras raras e coleções exclusivas, para atrair o mesmo”, ressalta o professor de tecnologia da informação da Universidade Federal do Espírito Santo [Ufes], Antônio Luiz Mattos. A biblioteca da Ufes já começou a selecionar obras para compor seu acervo de livros virtual.

Terra Educação | 26/09/2011

Google inicia projeto para digitalizar documentos bíblicos


Não é difícil entender a necessidade de, atualmente, tudo ser armazenado na web. Fotos, textos, documentos. A ação do tempo é cruel com este tipo de conteúdo impresso e, por diversas vezes, muita coisa se perde por conta disso. Imagine não poder mais ter acesso aos mais antigos textos bíblicos já descobertos na História?

Pensando nisso, o Google, em parceria com o Museu Israelense, em Israel, está realizando um trabalho para levar os Dead Sea Scrolls [Manuscritos do Mar Morto] para a Internet.

Encontrados entre 1947 e 1956 em cavernas de Qumram, no Mar Morto, estes fragmentos de centenas de textos são as versões mais antigas da Bíblia já encontradas e continham Livros Apócrifos, regras da seita e porções de toda a Bíblia Hebraica.

A ideia da gigante de buscas é utilizar imagens de resolução superior a 1200 megapixels, para que os usuários possam fazer zoom profundo na direção do texto, sendo possível analisar até mesmo a superfície onde eles estão escritos. Além do original, em hebraico, estará disponível uma tradução em inglês.

Segundo especialistas, estes textos foram escritos há mais de 24 séculos. Depois de mais de 2000 anos, o Google disponibiliza os manuscritos para todos os interessados que nunca tiveram a oportunidade de lê-los ou simplesmente de vê-los no Santuário do Livro do Museu de Israel.

Thiago Barros | TechTudo | Via TNW | 26/09/2011

Colégios trocam caderno por tablet


Caneta e papel ou tablet? O uso de ferramentas digitais no lugar de livros didáticos ainda está no início, mas já parece ser uma tendência. O 1 por 1, ou um computador por aluno, já é realidade em várias escolas de São Paulo.

Para os pais, ver os seus pequenos mexendo sozinhos com notebooks em casa chega a dar orgulho. Porém, na escola, só o uso das máquinas digitais não é suficiente.

Na escola bilíngue Cidade Jardim Playpen, na zona oeste, o uso misto de aulas tradicionais com o 1 por 1 começa logo no primeiro ano do ensino fundamental, com crianças de seis anos.

Lições iniciais de informática de como escrever o próprio nome em Word são aprendidas no netbook já na fase de alfabetização.

As aulas com computadores começam cada vez mais cedo pois os alunos entram na escola com certo conhecimento adquirido em casa“, diz o professor de informática Cory Willis.

A escola planeja testar o uso de tablets no lugar dos cadernos em duas turmas do sexto ano em 2012.

Interagir com os aparelhos eletrônicos do século 21 desde cedo é uma tática defendida por Paulo Blikstein, da Escola de Educação da Universidade Stanford [EUA].

“Não tenho dúvida que o caminho é esse [1 por 1]. Se começar antes, melhor. Mas, se a escola não oferecer oportunidades para os alunos concretizarem suas ideias, a utilidade passa a ser apenas de pesquisa na internet”, pondera Blikstein.

Assim, os professores devem criar situações de interatividade e construção coletiva do conhecimento que vão além da busca no Google. Uma boa dica para verificar se isso ocorre é procurar conhecer criações de alunos da escola.

íntegra está disponível para assinantes do jornal e do UOL.

POR RENATO CASTRONEVES | COLABORAÇÃO PARA A FOLHA | 25/09/2011 – 07h30

Amazon deve anunciar tablet em evento na quarta, dizem sites


A Amazon distribuiu convites para uma coletiva de imprensa a ser realizada na próxima quarta-feira, dia 28 de setembro, em Nova York. Alguns sites americanos supõem que o evento tem a ver com o lançamento do novo tablet da empresa.

Homem segura leitor eletrônico Kindle DX, da Amazon, em evento de lançamento do aparelho em Nova York, em 2009 | Photo Eric Thayer, 6/mai/09, by Reuters

GigaOm diz que uma pista para isso é a notícia de que a Amazon acertou a aquisição de tablets com a taiwanesa Quanta e aposta que o tablet da Amazon teria sistema operacional Android com uma roupagem da própria empresa.

AllThingsD afirma que, apesar de o convite enviado pela Amazon dar poucos detalhes sobre o evento, é “uma aposta segura” a de que a coletiva tenha relação com o tablet que a empresa está produzindo.

Segundo MG Siegler, do site de tecnologia TechCrunch, o tablet da empresa terá tela colorida LCD de sete polegadas e sistema operacional Android  -com um visual novo, a ponto de torná-lo irreconhecível.

Siegler ainda diz que o aparelho será vendido por US$ 250, metade do preço da versão mais simples do iPad [US$ 500, nos EUA].

Folha.com | 23/09/2011 – 17h45

Prateleira


A Biblioteca Nacional acaba de contratar Aquilles Brayer como consultor. Curador da versão on-line da British Library, o brasileiro vai ajudar a traçar plano estratégico da BN até 2020, reestruturara BNDigital e implantar a biblioteca de empréstimo de e-books. A BN também está negociando, com a Bill & Melinda Gates Foundation, investimentos em bibliotecas públicas brasileiras a partir de 2012. O primeiro encontro ocorreu há dois meses, no Rio. Na próxima semana, a rodada de conversas será em Houston. As informações são da coluna Direto da Fonte.

O Estado de S. Paulo | 23/09/2011

A realidade do livro digital


Quem quiser conhecer um pouco mais sobre e-books pode participar gratuitamente do seminário “Livro digital: uma realidade”, que será realizado entre os dias 26 e 29 de setembro, das 10h às 12h, na Biblioteca Popular Municipal de Botafogo [Rua Farani, 53 – Botafogo/RJ – Tel.: 21 2551-6911]. Com curadoria de Carlo Carrenho, o curso abordará temas como os desafios do mercado editorial, a distribuição digital, o DRM, o self-publishing e as bibliotecas digitais. Entre os palestrantes estão Miriam Gabbai, da Callis; Claudio Soares, do Portal PontoLit; Julio Silveira, da Ímã Editorial; e Carlo Carrenho, diretor executivo da Singular Digital. São 60 vagas e as inscrições podem ser feitas pelo telefone 21 3235-3799 ou pelo e-mail estacaopensamento@gmail.com.

Programação

26/9 – Visão geral do crescimento dos livros digitais nos EUA e Europa e um panorama da situação brasileira.

Temas como os desafios do mercado editorial, distribuição digital, DRM [trava anti-pirataria], self-publishing e bibliotecas digitais circulantes serão abordados.

Carlo Carrenho – Formado em Economia pela USP, com especialização em Editoração no Radcliffe College, ligado à Harvard University. Criador do PublishNews, principal fonte de informações do mercado editorial brasileiro, tem artigos publicados em revistas internacionais. É diretor executivo da Singular Digital, coordenador do curso de especialização O Negócio do Livro, da FGV-RJ, e vem se especializando no mercado editorial digital.

27/9 – O livro digital na escola: uma realidade pedagógica

O papel do livro digital na educação; as novas possibilidades para professores, alunos e editores; o que as editoras brasileiras já vêm fazendo; vantagens e desvantagens do livro digital na sala de aula, estes são alguns dos temas abordados.

Miriam Gabbai – Editora, formada em História e Belas Artes, com especialização em Negócios, pela FGV-SP. É aficionada em tecnologia e livros infantis, tendo desenvolvido uma plataforma digital de livros paradidáticos, com foco na realidade brasileira.

28/9 – O livro digital na literatura: uma realidade criativa

Com foco na relação entre criação literária e tecnologia, o seminário abordará a influência da revolução digital no processo criativo da literatura. Entre os temas discutidos, estão as novas tecnologias do livro, as novas estratégias de storytelling, a influência das mídias sociais na literatura, a partir de exemplos práticos.

Claudio Soares – E-publisher da Ímã Editorial e do portal PontoLit, especializado em self-publishing. Autor de Santos Dumont Número 8, primeiro romance brasileiro publicado em redes sociais. É também articulista do portal de tecnologia iMasters/Uol e analista de sistemas. Atualmente, desenvolve Krapotkinware, uma narrativa baseada em redes sociais.

29/9 – O livro digital no mercado: uma realidade de ruptura

Este seminário abordará os novos caminhos que estão surgindo para editores e escritores. Por um lado, trata-se de um exercício futurista de pensar a editora, a livraria e o autor que serão realidade em poucos anos; por outro, também mostrará o cenário atual e os primeiros passos que já acontecem nesta direção.

Julio Silveira – Após dirigir a editora Casa da Palavra por mais de uma década, atuou como editor na Nova Fronteira e Thomas Nelson Brasil. Atualmente dedica-se à Imã Editorial, uma editora 100% digital. É também tradutor, revisor, capista, administrador e editor.

PublishNews | 23/09/2011

Escola do Livro: “Direitos Autorais e a Proteção do Livro Eletrônico”


Patricia Peck

O curso “Direitos Autorais e a Proteção do Livro Eletrônico”, oferecido pela Escola do Livro, da CBL [Câmara Brasileira do Livro], acontece no dia 29 de setembro, das 9h às 13h. O curso tem como propósito mostrar a evolução dos direitos autorais na era digital, a proteção legal do Livro Eletrônico. Sociedade do conhecimento e a quebra do paradigma do suporte físico é um dos temas abordados por esse curso. Além disso, melhores práticas para criação, produção, distribuição e compra de livros Eletrônicos – o que deve constar nos contratos.

As aulas serão ministradas por Dra. Patricia Peck Pinheiro que é Advogada especialista em Direito Digital, formada na USP, com especialização em negócios pela Harvard Business School e MBA em marketing pela Madia Marketing School, com capacitação em inteligência e contra-inteligência pela Escola de Inteligência do Exército e Gestão de Riscos pela Fundação Dom Cabral. Sócia fundadora do Escritório Patricia Peck Pinheiro Advogados, é autora do livro “Direito Digital” e co-autora dos audiolivros “Direito Digital no Dia-a-Dia”, “Direito Digital Corporativo” e “Eleições Digitais”, todos pela Editora Saraiva, além de participação nos livros “Direito e Internet II”, “e-Dicas” e “Internet Legal”. É colunista do Conta Corrente da Globonews, do IDG Now e articulista do Valor Econômico, Revista Visão Jurídica, Revista Partner Sales, entre outros. Possui experiência internacional nos EUA, Portugal, Coréia. Idealizadora do Movimento “Criança Mais Segura na Internet”. Mais informações do curso podem ser obtidas pelo e-mail: escoladolivro@cbl.org.br ou pelo telefone [11] 3069-1300.

CBL Informa | 22 de Setembro de 2011

Boas novas do mercado digital e meu novo gadgetlove


Por Camila Cabete | Texto publicado originalmente em PublishNews | 22/09/2011

Uso hoje como ilustração desta coluna o desktop do meu iPad. Meu novo romance com essas coisas que não possuem cérebro nem corrente sanguínea. Embora adore a convivência humana e ache que a graça da nossa vida é conviver e conhecer esses estranhos seres bípedes, estou realmente apaixonada pelo meu Ipad 2.

Começo falando disso porque, analisando os dados da Gato Sabido, verificamos que 40% de nossos clientes compram livros por meio de um tablet. Parece mentira, mas contra essas análises de meus amigos andróides, não há controvérsias… E isso reflete exatamente o que venho vivendo.

Há algumas colunas cheguei até a comentar que o e-reader era meu preferido para leituras longas. Pois é, mudei meu hábito. Do nada me peguei lendo no iPad. E o pior, gostando! Comecei a comprar minhas revistas da Abril na Appstore, e olha que são muito melhores que as impressas. Não estou mais assinando as revistas impressas, quero assinaturas digitais, afinal, não quero continuar empilhando revistas em casa, revistas estas que, mais cedo ou mais tarde, serão jogadas no lixo. Cheguei ao cúmulo de trocar as minhas revistas preferidas por outras similares, pois algumas delas não estão ainda disponíveis neste formato. Minha primeira revista assinada no Ipad foi a Vegetarianos, que não tem um aplicativo tão rico quanto os da Abril, mas já me atende perfeitamente. Imagina estar sempre a um clique de todas as suas revistas… Sem falar em livros… ahhhh meus livros…

O iPad tem me acompanhado por todos os lugares. Com um adaptador fiz minha primeira apresentação em datashow no congresso da ANL, estou escrevendo esta coluna, anoto minhas reuniões, leio quando estou no taxi ou na sala de espera de algum lugar, faço calls via skype, vejo meus e-mails e respondo, trabalho de verdade e mergulho num mundo sem fim de leituras. Tenho lido três vezes mais do que há um ano.

O mercado mudando e eu refletindo isso no meu dia a dia… Óbvio!

Vocês sabiam que as universidades estão adotando o sistema de e-books para ementas inteiras? E que o aplicativo que o aluno usa para ler o material didático também serve para ler e-books? E que isso será um pulo para um maior consumo de livros em geral e que este caminho não tem volta?

A parte ruim é quando tento comprar um livro digital via tablet e não o acho em língua portuguesa brasileira e sou obrigada a comprar a obra em Inglês na Amazon… Isso me dói!

camila.cabete@gmail.com vulgo @camilacabete também conhecida como @ensaiosdigitais pela queridíssima @publishnews

* Quando falo em iPad, por favor, entenda Tablet, só cito a marca do meu, por conveniência e nenhum compromisso jornalístico ou de merchandising.

Por Camila Cabete | Texto publicado originalmente em PublishNews | 22/09/2011

Camila Cabete [@camilacabete] tem formação clássica em História, mas foi responsável pelo setor editorial de uma tradicional editora técnica por alguns anos [Ciência Moderna]. Hoje, é responsável pelo setor editorial da primeira livraria digital do Brasil, a Gato Sabido [@gatosabido]. É ainda consultora comercial da Xeriph, a primeira distribuidora de conteúdo digital do Brasil e sócia fundadora da Caki Books [@cakibooks], uma editora cross-mídia que publica livros em todos os formatos possíveis e imagináveis. Vive em Copacabana e tem uma gata preta chamada Lilica.

A coluna Ensaios digitais é um diário de bordo de quem vive 100% do digital no mercado editorial brasileiro. Quinzenalmente, às quintas-feiras, serão publicadas novidades, explicações e informações sobre tecnologias ligadas a área literária.

O papel do digital na construção de uma nova forma de ler


O desenvolvimento e a rápida expansão das novas tecnologias de informação e de comunicação têm gerado diversas transformações na sociedade. Uma das mais visíveis diz respeito à forma de receber conhecimento e entretenimento. Os livros digitais representam bem o caminho que a nova sociedade está trilhando. Em uma época em que a tecnologia está praticamente em todos os lugares, muitas pessoas acabam se desinteressando pelos livros impressos, substituindo-os por aparelhos como laptops e Ipods.

Os novos suportes, porém, ainda enfrentam uma luta acirrada com os amantes do papel. A última Bienal do Livro, realizada em setembro no Rio de Janeiro, se mostrou um sucesso de público. Entre os estandes, alguns dos mais procurados foram aqueles que mostraram aos visitantes uma nova ferramenta para a leitura: os e-books. Nestes locais, a aglomeração de pessoas demonstrava a curiosidade do público para conhecer e entender a novidade que vem ocupando mais espaço a cada dia. As amigas Gabriela Elias, de 21 anos, e Cristina Lemos Simões, de 23, testaram a leitura digital pela primeira vez na Bienal. Empolgadas, as jovens fizeram questão conhecer a tecnologia na feira de livros e já conseguem visualizar uma série de benefícios dos e-books.

Formada em Letras e atuando com secretária, Cristina Simões se encantou com o aparelhinho. Para ela, os e-books são muito vantajosos, principalmente para quem estuda. “Só de você não ter que levar um monte de livros em uma mochila pesada, já é um grande benefício. Se na minha época de estudante tivesse essa ferramenta, a faculdade teria sido bem mais fácil”. Cristina tem o hábito, como muitas pessoas, de ler vários livros ao mesmo tempo. E a plataforma digital facilita muito esse processo, pois todos os livros podem ser encontrados em um único lugar e com fácil acesso. Além disso, as ferramentas de busca nos aparelhos digitais e a possibilidade de selecionar o texto desejado para transferí-lo para uma pesquisa também tornam o trabalho muito mais fácil. “Para universitários e estudantes, isso ajuda muito. Para fazer um trabalho, o estudante tem que consultar vários livros e os e-books facilitam muito. Fica mais dinâmico e você não precisa mais perder tempo procurando um trecho de um livro”, comenta a secretária.

Opiniões divergentes, mas todos com o mesmo interesse

A estudante de Educação Física, Gabriela Elias, mesmo vendo muitos pontos positivos na leitura digital, ainda não se sente confortável com os novos suportes.

“Estou fazendo minha monografia e, com certeza, os e-books iriam me ajudar muito. Mas uso óculos e fico muito tempo no computador, forço muito a vista e tenho dor de cabeça. Por esse motivo, ainda prefiro os livros tradicionais. Quem sabe daqui a algum tempo este problema já esteja resolvido?”. A amiga Cristina, porém, já não tem este tipo de dificuldade e passa, devido ao trabalho, o dia em frente à tela do computador.

Além disso, a jovem também costuma ler textos, artigos e trabalhos em seu netbook, deitada na cama. Mesmo apaixonada por tecnologia, a secretária não teme o fim dos livros impressos. “Acho que não há riscos do livro em papel sumir. Há um tempo, muito se falava no fim do jornal impresso, mas isso não aconteceu. E muita gente ainda prefere o formato tradicional. Com o livro, certamente vai acontecer a mesma coisa. O uso das mídias digitais depende muito do perfil da pessoa que vai comprar. Para alguns, vale a pena. Para outros, não. Muita gente ainda prefere o livro impresso“.

Este é o caso dos amigos Hian Marins, de 15 anos, e Lucas Mendonça, de 17, ambos alunos do primeiro ano do ensino médio. Mesmo percebendo inúmeros benefícios na leitura digital, os estudantes ainda preferem o método tradicional de ler. Segundo Hian, a preferência tem um único motivo: costume. “Nós estamos conhecendo agora os tablets e aparelhos do tipo. Eles ainda são uma novidade. Algo que não conhecemos muito bem. Já o livro é nosso companheiro desde quando éramos pequenos. Estamos mais acostumados com as histórias no papel do que nas telas“, explica. O amigo Lucas concorda com Hian, apesar de já ter contato com a leitura digital em seu computador pessoal. “Em casa temos um programa que apresenta todos os textos bíblicos digitalizados. É bem interessante, pois a leitura se torna muito dinâmica. E a pesquisa, mais fácil“. Por isso mesmo é que, apesar de preferir o livro impresso, Lucas acredita que um dia ele terá fim. “Hoje, as crianças já nascem em meio ao mundo digital. Elas estão se acostumando com isso e vão achar, com o tempo, a tecnologia melhor que a tradição. Um dia, daqui a muito tempo, acredito que os livros podem, sim, acabar, ou, pelo menos, diminuírem bastante de produção“. Também amigo de turma, Rodrigo Santana, de 15 anos, não tem dúvida: prefere os livros digitais. O estudante acaba mostrando aos outros que, apesar das preferências, todos têm curiosidade e interesse por este novo modo de ler que vem surgindo. Ao perguntar aos amigos se, tendo condições financeiras, algum deles compraria um e-book, não houve discórdia. Todos disseram sim.

Especialistas também acreditam no fim do livro impresso

De acordo com Domício Proença Filho, membro da Academia Brasileira de Letras, o prazer de ler varia de acordo com o leitor. Para ele, as pessoas que cultivam há anos o hábito da leitura no suporte papel levarão algum tempo para substituí-lo pela telinha do livro eletrônico. Porém, a funcionalidade de que este último se reveste acabará por ser decisiva a seu favor. A escritora Leila Rego também prevê o crescimento dos e-books e já se prepara para entrar nesse mercado. Leila escreveu os livros “Pobre Não Tem Sorte” [2009] e “Pobre Não Tem Sorte 2 – Alguma Coisa Acontece No Meu Coração” [2010] e tem um público muito diversificado, já que suas histórias são do gênero chick-Lits – o que equivale a uma  comédia romântica. “Essa é uma preocupação que eu já tenho. O livro digital é o futuro do livro impresso. Não temos como fugir. Já estou conversando com a editora para que possamos transformar o livro físico em digital daqui a um tempo“, afirma. Apesar de ser dizer apaixonada pelas histórias em papel, a autora compreende a mudança de comportamento dos leitores. “Eu ainda tenho muito apego ao livro físico, mas acho que isso muda de acordo com a geração. Essa nova geração nasceu rodeada de tecnologia. Então, é muito mais natural para eles, a leitura digital. Eles já ouvem música no formato MP3 e não mais no CD, por exemplo. O livro digital é uma consequência natural“, explica. “Quem sabe um dia meus netos vão comentar: Nossa avó lia livros em papel! Como acontece hoje com a máquina de escrever e os discos de vinil“, imagina.

Segundo ela, a vantagem do livro digital é que você pode carregar em um tablet, um aparelho que pesa apenas 300 gramas, uma biblioteca inteira. “Quer dizer, no peso que você levaria um livro, você pode levar quantos quiser“. Porém, para a escritora, o livro físico possui um charme e atrativos diferentes, já que você pode sentir o cheiro e a textura das páginas. “Você vai a uma livraria, folheia, olha as capas. Tem todo um charme. Tem todo um processo, onde você namora o livro. É disso que eu gosto“, revela. Domício Proença – recentemente eleito uma das Personalidades Educacionais 2011, em promoção realizada pela FOLHA DIRIGIDA, ABI e ABE – concorda. E afirma ter uma relação quase afetiva com o livro de papel. “Sua materialidade é extremamente mobilizadora. E o prazer que desperta vai além da simples leitura do texto“. Quanto aos aplicativos que os livros digitais trazem e prometem trazer ainda mais – como trilhas sonoras, efeitos de sonoplastia e imagens da cena -, Leila brinca. “Isso tudo enriquece a leitura digital, mas as imagens, por exemplo, acabam por cortar a imaginação do leitor. Eu prefiro imaginar“.

De uma coisa não há dúvida: para a disseminação dos suportes digitais é preciso muito empenho para que tais aparelhos se tornem disponíveis com facilidade. Dómício acredita que os e-books devem passar a frequentar o cotidiano dos leitores, “sobretudo na escola, a agência cultural por excelência no que se refere ao desenvolvimento do hábito de leitura“. E, para que isso aconteça, também é necessário derrubar alguns entraves ao cultivo da leitura. Se muitos reclamam que as publicações impressas possuem preços elevados, o problema tende a piorar, no que diz respeito à compra dos aparelhos para a leitura digital, que surgem com um preço ainda elevado. “Se os livros eletrônicos não se adaptarem ao poder aquisitivo da maioria dos consumidores, eles enfrentarão a mesma dificuldade“. Este é o segredo para que esta nova forma de ler possa se instalar definitivamente na sociedade, para que ela, então, faça sua escolha.

Por Joyce Trindade | Publicado originalmente em Folha Dirigida | 22/09/2011

Mais um autor no Kindle Million Club


Guerra dos tronos alcança a marca de um milhão de e-books vendidos na Amazon

George R R Martin

George R R Martin, da série Guerra dos tronos, é o mais novo autor a entrar para o Kindle Million Club, que já conta com Stieg Larsson, James Patterson, Nora Roberts, Charlaine Harris, Lee Child, Suzanne Collins, Michael Connelly, John Locke, Janet Evanovich e Kathryn Stockett. Editado no Brasil pela LeYa e há semanas entre os mais vendidos, Martin vendeu, apenas na Amazon, um milhão de e-books.

PublishNews | 21/09/2011

O mercado de e-books poderia definitivamente confundir o consumidor médio


Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em Publishnews | 21/09/2011

Mike Shatzkin

Não há links neste post. Eu me refiro a pesquisas feitas em várias livrarias, mas as páginas de resultados são dinâmicas, então criar um link não garantiria que você visse os mesmos resultados que eu. Você pode replicar as buscas, mas pode ou não ver a mesma coisa.

Aqui mostro como o mercado de e-books pareceria sem o modelo de agência.

Depois de ler o livro 61, de Phil Pepe, sobre a grande temporada do jogador de beisebol Roger Maris há 50 anos, eu estava pronto para minha próxima leitura. Nenhum livro apareceu mais na imprensa, pelo que tenho lido nas últimas semanas, do que uma nova biografia de Jacqueline Kennedy: transcrições de entrevistas que ela deu ao historiador Arthur Schlensinger poucos meses depois do assassinato de JFK. Isso parecia uma boa escolha para mim.

[Aprendi através do exercício descrito aqui que o livro tem o copyright “by Caroline Kennedy”, que controlou a propriedade, editou e fez o contrato para sua publicação e também “by Michael Beschloss”, o historiador que escreveu a introdução.]

Apesar de ter vários leitores carregados no meu aparelho de leitura digital [o iPhone], recentemente me peguei sentindo falta da loja Kindle, porque é o melhor lugar para navegar. Ela permite buscas bem granulares por categoria e subcategoria [que as outras não permitem] e organizar as escolhas em ordem inversa de publicação [que as outras tampouco permitem, ou se permitem, não deixam muito óbvio ocomo]. Foi como eu encontrei 61 e The House That Ruth Built, minhas duas leituras mais recentes sobre a história do beisebol [meu assunto favorito].

No entanto, quando você sabe que quer um livro específico, todos os serviços de e-books são bastante iguais. Todos permitem que você faça buscas por título ou autor e mostram o que você está procurando. Como eu gosto de espalhar minha leitura para continuar em dia com as várias experiências, decidi procurar primeiro no Nook por “Jacqueline Kennedy”.

E o mecanismo de busca encontrou 22 itens, sendo que os dois primeiros eram o que eu estava procurando.

Mais ou menos.

O resultado número 1 era o livro que eu queria [Jacqueline Kennedy: Historic Conversations on Life with John F. Kennedy, de Caroline Kennedy], mas só estava disponível para pré-venda, disponível a partir de 3 de janeiro de 2012. O preço normal era de US$ 29,99 e o do Nook com desconto era de US$ 9,99. Obviamente, não era o modelo de agência. Aparentemente, a B&N vai aceitar uma perda de US$ 5 em cada cópia, assumido que eles fiquem com 50% dos US$ 29,99, dividindo com a editora Hyperion.

Mas eu quero ler agora!

O segundo resultado é o mesmo livro. No entanto é um “Nook Book Enhanced [e-book]”. Está disponível agora. O preço normal é de US$ 60 e o do Nook é de US$ 32! São trinta e dois dólares! Preço normal de SESSENTA dólares? Que m… é essa?

Vamos notar aqui que a B&N está aparentemente ganhando uma margem pequena se estão pagando 50% para a Hyperion. Mas como sou o maior gastador em e-books que conheço [comprei e li feliz tanto Fall of Giants quanto George Washington da Penguin por US$ 19,99 sem piscar; há alguns anos comprei um e-book biográfico de Grover Cleveland por US$ 28] e esse preço me pareceu exagerado, imagino se alguma outra pessoa o comprou.

Então continuei procurando.

Minha parada seguinte foi a Google e-Books. O livro que estou procurando não estava nas primeiras duas páginas de resultados na busca sobre Jacqueline Kennedy [no entanto, havia um livro chamado Inventing a Voice: The Rhetoric of American First Ladies of the Twentieth Century que estava à venda por US$ 42,36 e outro chamado The Kennedy Family: an American dynasty, a bibliography with indexes por US$ 55,20].

Então tentei a Kobo. Quando cheguei ao fim da primeira página de resultados, já estava em outras Jacquelines. E o livro que eu queria, o que estava tendo toda aquela publicidade, não apareceu.

Quase nunca uso a iBookstore porque a seleção é mais limitada. Mas decidi tentar dessa vez. Encontrei algo legal imediatamente: havia uma opção com o mecanismo de autocompletar, para “Jacqueline Kennedy”, depois de digitar algumas poucas letras de seu primeiro nome. Muito útil num iPhone.

Aqui encontrei uma variação do que já havia visto no Nook. A primeira lista era para o e-book comum, só que para pré-venda para entrega em 3 de janeiro de 2012, por $14,99 [iBookstore, ao contrário do Nook, não mostra o preço normal da editora].

O segundo item na lista anunciava Jacqueline Kennedy The Enhanced Edition por US$ 19,99, também sem me contar qual era o preço da editora.

Uma coisa era estranha. A iBookstore diz que o “quantidade de páginas” da edição enhanced é de 400 páginas e o da edição normal é de 256 páginas! Como eu achei que as “melhorias” seriam vídeo e áudio, isso é algo estranho.

Então, finalmente, fui até a loja Kindle. O primeiro resultado, disponível agora, era Jacqueline Kennedy[Kindle Edition with Audio/Video] por US$ 9,99. A página do livro dizia que o preço recomendado era de US$ 60 e o preço do Kindle significava uma economia de 83% [claro que comprei e posso dizer que a barra de progresso do meu iPhone diz que há 349 páginas no livro!].

O que isso sugere é que a Amazon poderia estar subsidiando as vendas deste livro em até US$ 20 por cópia vendida! [Da próxima vez que estiver com uma pessoa da Amazon, eu pago o café]. Estou assumindo que a Amazon está pagando metade do preço de tabela de US$ 60 para a Hyperion.

Os acordos entre as pessoas são particulares e não afirmo ter nenhuma informação privilegiada, mas entendo que tudo que os editores vendem para a Apple é de acordo com o modelo de agência [a editora estabelece um preço com a Apple e esta paga 70% dele], mas também é parte do acordo que a iBookstore pode baixar seu preço para competir e ajustar os pagamentos de acordo com esse novo preço. Talvez o que aconteceu aqui é que a Hyperion chegou a um acordo com a Apple de US$ 19,99, imaginando que mais ninguém [quer dizer Kindle ou Nook, neste caso, já que aparentemente Google e Kobo não têm o livro enhanced e não estão mostrando a versão normal para vendas futuras] iria diminuir o preço mais do que isso. Mas o Kindle baixou. Então, se estou certo sobre os termos, a iBookstore vai logo perceber isso, baixar o preço para US$ 9,99 e a Hyperion vai se encontrar recebendo 70% de US$ 9,99 da Apple em vez de 70% de US$ 19,99. E mesmo assim Kindle e Nook vão pagar US$ 30 por cópia com a Amazon preferindo perder US$ 20 por cópia vendida e a B&N preferindo não subsidiar e provavelmente tampouco vendendo nada.

A estratégia da Amazon antes do modelo de agência era dar descontos agressivos aos livros mais importantes, aqueles que o público leitor procurava com mais frequência, para mandar o sinal mais forte de que seus preços eram os mais baixos e forçar os concorrentes menores a entrar numa briga com preços mais altos. Neste caso, esta estratégia está sendo aplicada com sucesso, apesar de que tanto a iBookstore quanto a Nook podem responder. Não importa se você acha que é bom ou ruim que a livraria com mais bala na agulha possa gastar US$ 20 por cópia num livro para promover uma percepção de preço, mas isso demonstra claramente o que as editoras, os distribuidores e os consumidores enfrentam quando um livro importante e procurado é vendido sem a disciplina do preço do modelo de agência.

Claramente, algo precisa mudar aqui. Talvez a Google e a Kobo não estejam listando este título porque não podem ou não querem vender um enhanced e-book. Talvez a Hyperion não tenha oferecido a eles. Sabemos que a Apple insiste no modelo de agência e a Amazon está igualmente determinada a ficar com o modelo de varejo. Entendo que a B&N vai trabalhar com os dois apesar das declarações públicas de que parece apoiar o modelo de agência. Nesse caso, no entanto, eu esperava que a B&N seguisse os mesmos termos que a Apple [que, como inclui o controle de preços da editora, a Amazon não quer]. A B&N certamente não quer vender um e-book a US$ 32 enquanto seus concorrentes estão vendendo por US$ 10 ou US$ 20 menos do que isso e também não querem perder US$ 20 por cópia num título best-seller [talvez quando você estiver lendo isso, já tenha acontecido um ajuste de preços].

Mas se a B&N e a Apple tinham termos que permitiram o corte nos preços descontados da Amazon e pagam menos a cada e-book, é difícil ver como a Amazon poderia aceitar isso!

Infelizmente não há forma de apresentar isso sem criar confusão. Talvez um dos fornecedores de serviço ou especialista em nossa conferência “e-Books for Everyone Else” seja capaz de explicar melhor!

Tradução: Marcelo Barbão

Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em Publishnews | 21/09/2011

Mike Shatzkin tem mais de 40 anos de experiência no mercado editorial. É fundador e diretor-presidente da consultoria editorial The Idea Logical Co., com sede em Nova York, e acompanha e analisa diariamente os desafios e as oportunidades da indústria editorial nesta nova realidade digital. Oraganiza anualmente a Digital Book World, uma conferência em Nova York sobre o futuro digital do livro.

Nos Arquivos de Shatzkin, o consultor novaiorquino aborda os desafios e oportunidades apresentados pela nova era digital. O texto de sua coluna é publicado originalmente em seu blog, The Shatzkin Files [www.idealog.com/blog].

Cultura lança aplicativo de leitura para Samsung


Vale para quem usa o tablet ou o smartphone

Em parceria com a Samsung, a Livraria Cultura acaba de lançar com exclusividade para os usuários dos tablets e smartphones da marca o aplicativo Livraria Cultura eReader. Eles poderão acessar gratuitamente, neste primeiro momento, nove e-books e o primeiro capítulo de outros dois títulos. Isso sem contar que pelo aplicativo também será possível comprar os 200 mil e-books já disponíveis na livraria. Uma vez baixado o livro, o leitor poderá escolher entre mais de 20 opções de fonte e também o tamanho da letra, poderá modificar as margens, as cores do plano de fundo e brilho de tela, além do alinhamento do texto e espaçamento entre as linhas.

PublishNews | 21/09/2011

No mundo das nuvens


Por Gustavo Martins de Almeida | Publicado originalmente em PublishNews | 21/09/2011

Apesar dos relativamente pequenos hábitos quantitativos de leitura no Brasil, o livro eletrônico já começa a aparecer no cenário do consumo nacional, com crescente quantidade de leitores. Ressalte-se que pesquisa SNEL-CBL divulgada na Bienal do Livro do Rio de Janeiro aponta crescimento dos leitores, e o mercado da educação tem grande parcela desse saudável índice.

E o subitamente tão falado “cloud computing”? Assim como os ciclos contemporâneos, seu surgimento é repentino e intenso como um tsunami, e logo se aplica a nosso cotidiano, sem que saibamos de que forma. Vamos ver do que se trata, principalmente as suas primeiras implicações na nova relação do consumidor com o mercado editorial.

Falando em “computação da nuvem”, onde vamos armazenar a nossa nova biblioteca, a digital, que será exibida na tela do aparelho leitor [o “reader”], geralmente um “tablet” [uma simples placa, palavra que deriva do latim tabula]? Como viajar e levar na bagagem digital o guia turístico, dicionário, romance, algum livro técnico, o livro de sua religião, além de tirar fotos, filmar, mandar e-mails, e telefonar pelo skype?

As grandes empresas provedoras de conteúdo e serviços de redes sociais constataram que o armazenamento de dados em locais seguros, distantes do consumidor, mas acessíveis pela internet, facilitaria a vida de todos, já que a capacidade de reprodução e armazenamento de informação cresce em velocidade geométrica e os aparelhos decrescem de tamanho físico quase na mesma proporção. Daí que o volume oceânico de dados – p. ex. de Gmail ou Facebook – fica disponível em “armazéns” gigantescos, refrigerados e seguros [até hoje!], de modo a permitir o acesso rápido de qualquer local do planeta, pela internet.

E como se dá esse armazenamento no mundo dos livros eletrônicos? Para responder a essa pergunta pesquisei os contratos do KINDLE, leitor da Amazon, e do NOOK, leitor da Barnes & Noble, transcrevendo e analisando, agora, alguns itens significativos, seguidos de tradução livre para facilitar a compreensão.

Da leitura dos instrumentos – o primeiro com simples 6 folhas e o outro com 30 – vemos a primeira e significativa diferença da forma de aquisição e da vida do livro eletrônico em relação ao nosso querido volume de papel, e a nós leitores. Enquanto compramos um livro [suporte físico da obra, ou corpus mechanicum] que permanecerá em nossas vidas sem limite de tempo, no caso do livro eletrônico teremos alicença de leitura de conteúdo digital [“Digital Content is licensed, not sold, to you by the Content Provider”; tradução: Conteúdo Digital é licenciado, não vendido, para você pelo Provedor de Conteúdo], que poderá ser revogada [“non-exclusive, revocable license to make personal, non–commercial use…”;tradução, licença não exclusiva, revogável, para uso pessoal, não comercial, contrato do Nook].

Simples pesquisa que você pode fazer mostrará que a Amazon cancelou a licença, concedida a consumidores pagantes, de leitura de “1984”, de Orwell, por conta de não autorização da disponibilidade da obra para os leitores eletrônicos daquela “livraria”. A obra foi simplesmente deletada [aliás, deletar, delete, vem do latim delere, deletium, que significa destruir, assim como em Delenda Cartago!] da biblioteca situada nas nuvens. Acresçam-se a essa circunstância as da rápida obsolescência dos aparelhos, que faz toda uma geração eletrônica virar sucata em pouquíssimo tempo [fitas de vídeo-cassete, disquetes, TV de transistor, celular analógico], podendo inutilizar o conteúdo armazenado.

Então fica claro que o adquirente de um livro eletrônico terá a condição de licenciado, locatário, leitor temporário, já que a vida útil dos conglomerados, as suas freqüentes fusões e oscilações geram uma nova relação com o consumidor-leitor, bem diferente da estável e simples compra do livro físico. Não mais seremos proprietários do objeto físico livro, ficando inibidos, nesse caso, os sentidos de tato e olfato em relação à obra, mas possivelmente teremos a inclusão da audição mediante a incorporação, por exemplo, da voz do escritor, ou imagens do tema nos “enhanced books” [livros para leitores eletrônicos com acessórios visuais e sonoros que aparecem na tela, como os dos exemplos].

O conteúdo fica, então, armazenado na já correntemente chamada nuvem [“all Digital Content that you purchase in an online ‘library’ [is] hosted in our ‘cloud’ storage facility”, Nook; tradução, todo o conteúdo digital que você adquirir numa biblioteca on line [fica] hospedado na nossa nuvem de armazenamento]. E a empresa afirma que, quando o consumidor se conectar, ela usará os “reasonable efforts” para permitir seu acesso a essa biblioteca, tão distante e tão próxima.

O contrato estipula que a licença concedida ao leitor é personalíssima, pois se destina unicamente ao uso do adquirente, que não poderá “sell, rent, lease, distribute, broadcast, sublicense, or otherwise assign any rights to the Digital Content or any portion of it to any third party…” [tradução, vender, alugar, distribuir, sublicenciar, ou transferir quaisquer direitos de Conteúdo Digital ou qualquer parte dele para qualquer terceiro] [contrato do Kindle].

É claro que a atual lei de direito autoral brasileira também proíbe xerocar um livro de papel para revenda, mas as condições de reprodutibilidade de um livro digital [se quebrado o código de segurança do arquivo, e os mini-gênios não tardarão a encontrar um atalho eletrônico] permitem rapidíssima difusão mundial do conteúdo [dust in the wind].

Destaco que a quebra do código de segurança, ou qualquer alteração do software, estão entre as restrições da licença concedida para uso e leitura do conteúdo digital conforme cláusula 2, “d”, do Contrato da Nook.

Vê-se, então, que o simples ato de aquisição de um livro eletrônico vem, hoje, com regras enormes, que causam um primeiro, e normal, espanto [quando comprei uma das primeiras fitas de vídeo-cassete no Brasil foram emitidas duas notas fiscais, uma referente à transmissão do conteúdo, um filme de Chaplin, e outra pela aquisição da própria fita]. Logo esses hábitos estarão incorporados a sociedade, e não causarão estranheza.

No entanto, certas relações do mercado editorial mudarão. Destaco desde logo duas relevantes; [a] o consumidor-leitor entrou no circuito antes existente apenas entre editor e autor, adquirindo alguns direitos inéditos, com a licença concedida; e [b] a substituição dos livros físicos pelas licenças para as bibliotecas, pois não é justo, para o escritor, que se compre um só livro eletrônico e se empreste simultaneamente para muito mais pessoas que poderiam tomar livros físicos.

A resposta a segunda questão tem como pista a nova equação econômica: bens rentáveis são aqueles de preço menor, mas utilizados por muito mais pessoas. Assim, possivelmente o livro, viabilizando o constitucional acesso à cultura, seria utilizado por milhares de pessoas, por tempo menor, pagando bem menos, mas o maior volume de licenças permitiria até maior retorno financeiro para o escritor e a editora, respeitando o direito autoral, também assegurado pela Constituição.

Não tenho dúvida de que a discussão aberta entre os interessados conduzirá a soluções justas para autores, editores e leitores, devendo o Poder Público atentar para as singularidades do caso.

Enquanto não chegam as soluções poderemos até exercitar a nefelomancia para imaginar as respostas para as novas – e muitas – questões!

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Registro que entre 8 e 13 de setembro o Brasil recebeu significativa delegação de editores ingleses, comandada pela singular Emma House, diretora da Publishers UK. Os encontros com o mercado editorial brasileiro [Rio e SP], dos quais tive a honra de participar, marcaram um primeiro passo para novo e intenso patamar de trocas de experiências entre os dois países.

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Por Gustavo Martins de Almeida | Publicado originalmente em PublishNews | 21/09/2011

Gustavo Martins de Almeida é carioca, advogado e professor. Tem mestrado em Direito pela UGF. Atua na área cível e de direito autoral. É também advogado do Sindicato Nacional dos Editores de Livros [SNEL] e conselheiro do MAM-RIO.

Na coluna Lente, Gustavo Martins de Almeida vai abordar os reflexos jurídicos das novas formas e hábitos de transmissão de informações e de conhecimento. De forma coloquial, pretende esclarecer o mercado editorial acerca dos direitos que o afetam e expor a repercussão decorrente das sucessivas e relevantes inovações tecnológicas e de comportamento.

Positivo lança tablet com sistema operacional em português


E promete ter, a partir de outubro, o melhor conteúdo digital nacional

Chega ao mercado em outubro o primeiro tablet desenvolvido por brasileiros a partir de pesquisas feitas com os próprios brasileiros. A Positivo Informática apresentou ontem o Positivo Ypy 7 e o Positivo Ypy 10, em versões Wi-Fi e Wi-Fi+3G, e o ecossistema Mundo Positivo, com revistas e jornais nacionais, livros, filmes, jogos e aplicativos.

Estudamos o comportamento do consumidor durante 20 meses para chegar a um produto 100% voltado ao brasileiro. Até o nome Positivo Ypy, que quer dizer primeiro em tupi-guarani, foi inspirado na língua dos primeiros habitantes do nosso país. Junto com o ecossistema Mundo Positivo, ele vai contar com o melhor conteúdo nacional à disposição do consumidor”, destaca Hélio Bruck Rotenberg, presidente da Positivo Informática.

O Ypy 7 começa a ser vendido na segunda quinzena de outubro com preços a partir de R$ 999. O segundo modelo chega para o Natal. A empresa ainda estuda acordos com as telefônicas.

Segundo o fabricante, o principal diferencial de hardware do Positivo Ypy é sua tela capacitiva multitoque de alta resolução e formato 4:3, ideal para o leitura de conteúdos digitais, especialmente livros, revistas e jornais, além de páginas da web. O teclado virtual também é totalmente em português, com teclas “ponto br” e cedilha. O produto conta ainda com sensor de movimentos [acelerômetro], que pode ser usado em jogos, e saída HDMI para que seja ligado à TV de LCD, além de suporte para uso de sites com Adobe Flash.

O Positivo Ypy 7 tem 7 polegadas, com 420g e 11,8mm de espessura, e conta com a maior resolução de tela entre os produtos de 7 polegadas disponíveis no mercado, de 1024×768, além de câmera frontal para videoconferências. O sistema operacional é o Android 2.3.4, a versão mais adequada para telas de 7 polegadas. A bateria é de longa duração, com autonomia de até nove horas em uso constante.

Especificações

O Positivo Ypy 10, com tela de 9,7 polegadas, também é fino e leve. Com 700g e a mesma espessura do Ypy 7, ele vem com sistema operacional Android 3.2, o Honeycomb, e formato de tela 4:3, câmera frontal e traseira e GPS com bússola digital. A bateria tem autonomia de até oito horas em uso.

O sistema operacional Android também foi customizado e está totalmente em português. A Positivo também criou uma organização diferenciada com seus aplicativos, dividindo-os em seções. O Ypy traz o exclusivo botão Redes Sociais, que oferece uma área especial para acesso rápido ao Facebook, Twitter e Orkut.

Mundo Positivo

Mundo Positivo conta com lojas próprias de revistas, jornais, livros, músicas, jogos e aplicativos, muitos deles sem custo. Ele pode ser acessado de qualquer computador. Com uma única conta, o usuário pode consumir, comprar, organizar e transferir conteúdos e aplicativos em PCs de qualquer marca, além de tablets ou e-readers da Positivo Informática. As lojas entram no ar simultaneamente à chegada do Positivo Ypy ao mercado.

Dezenas de conteúdos do Mundo Positivo já vêm pré-embarcados no Ypy, incluindo músicas e vídeos de artistas brasileiros como Ivete Sangalo, Paula Fernandes, Mariana Aydar, Zeca Pagodinho e Seu Jorge. No tablet da Positivo Informática, o usuário também acessa toda a oferta de conteúdo e serviços Google: Android Market, Maps, YouTube, Gtalk e Orkut. Pelo Android Market, é possível baixar mais de 200 mil aplicativos das mais diversas categorias.

Aqui, você confere imagens e um vídeo sobre os produtos.

PublishNews | 21/09/2011

Dobra o número de americanos que leem eBooks


O número de americanos usando um leitor de livro digital quase dobrou nos últimos meses de acordo com uma nova pesquisa. The Harris Poll também revelou que um em cada seis americanos que ainda não têm um e-reader pretende comprar o aparelho em até seis meses. A informação deve ser comemorada pelas editoras, já que proprietários de e-readers leem mais livros de acordo com a pesquisa. Ao todo, 16% dos americanos leem entre 11 e 20 livros ao ano e 20% deles leem mais de 21 títulos. Entretanto, um terço daqueles que têm um Kindle. Nook ou outro leitor ficam na média dos 11-20 livros e 27% superam os 21 títulos.

Por Graeme Neill | The Bookseller | 21/09/2011

Amazon lança empréstimo de livros com 11.000 bibliotecas


Já era de conhecimento geral que a Amazon estava trabalhando para lançar o seu próprio serviço de empréstimo de livros digitais da biblioteca para o Kindle, e hoje [21/09], a varejista virtual revelou detalhes desse serviço, onde os usuários do Kindle poderão “pegar emprestado” livros de mais de 11 mil bibliotecas espalhadas nos Estados Unidos.

Em abril, o site The Next Web informou que a Amazon estava interessada em criar o seu próprio serviço de empréstimo de livros, já que diversas soluções não-oficiais estavam aparecendo na web, como o LedInk e o Kindle Lending Club.

Os serviços se apresentavam como soluções funcionais para os usuários que gostariam de acessar livros de bibliotecas norte-americanas, mas todos esperavam por um produto originário da própria Amazon, para tornar o acesso mais prático.

Com o lançamento do seu sistema de empréstimo de livros, os usuários do Kindle poderão, por exemplo, visitar o site da biblioteca da sua cidade, procurar o livro que deseja, solicitar o empréstimo e clicar no link “Send to Kindle”, que vai liberar o download do livro para o seu dispositivos.

Todos os livros estarão habilitados com o sistema Whispersync, que permite a sincronização automática de suas anotações, bookmarks, destaques e páginas onde o leitor parou a leitura. Além disso, o sistema possui integração com o Twitter e Facebook, para que o leitor possa compartilhar opiniões e pequenas resenhas sobre os livros que pegaram emprestado. Com isso, a Amazon espera conectar usuários de todo o país, tornando o hábito da leitura de livros algo bem mais interativo.

A melhor notícia é que o usuário não precisa ter um Kindle para aderir ao serviço. Basta ter uma conta na Amazon dos Estados Unidos. Para mais informações, clique aqui.

Por Eduardo Moreira | TechTudo | 21/09/2011

O segundo Gutenberg



A obra de são Hart revela o poder transformador de ideias cultivadas como filhas, não como escravas


UM FRANCISCANO morreu na semana passada. Talvez nem católico fosse, pouco importa. Sua visão de mundo, que valorizava o conhecimento acima de qualquer bem material e que percebia como era ingênuo confiná-lo, foi seu grande legado. Seu nome era Michael Hart.

Verdadeiramente fiel à causa que defendia, seu perfil era quase desconhecido, ainda mais se levado em conta o tamanho de sua obra: o e-book.

Pelo que se lê de seu obituário, o sr. Hart [que por ironia morreu de ataque do coração] não era homem de muitas posses ou patentes. Pelo menos é o que deixava transparecer nas poucas entrevistas que dava por causa de sua segunda maior invenção, o Projeto Gutenberg, uma grande biblioteca pública digital, iniciada muito antes que o mundo viesse a se fascinar com Kindles e iPads.

Aos 64, Hart morreu cedo. Mas viveu o bastante para ver sua ideia vingar e se estabelecer. Sua invenção foi disruptiva como mais tarde foram o formato MP3, o protocolo P2P e boa parte dos sistemas de código aberto que sustentam a internet que tantos usam de forma egoísta e pragmática.

Em 1971, então com 24 anos, ele poderia ser visto como mais um dos jovens hippies que perdiam tempo naquela utopia descabida de uma rede mundial de troca de documentos eletrônicos. Como muitos deles, Hart permaneceu fiel às suas ideias e, constante como um bom jardineiro, nunca tentou transformar sua plantinha. Nem ser mais importante do que ela.

Em tempos egoístas e pragmáticos, essa atitude chega a provocar estranheza ou até desprezo pela ingenuidade. Por mais importante que seja sua invenção, não há registro de powerpoints com sua trajetória nem em um mísero TED. Justo hoje, quando até militantes como Julian Assange não perdem a chance de aparecer como bad boys e, no egocentrismo, colocar em risco a organização em que atuam -já que muitos governos, incapazes de proteger seus arquivos, resolvem queimá-los logo de uma vez.

Como toda grande intenção, a iniciativa do sr. Hart começou pequena e beirando a ilegalidade. Ao receber uma cópia da declaração de independência dos EUA, resolveu digitá-la em um computador e compartilhá-la, gratuitamente, por uma das redes que, anos mais tarde, comporia a internet.

Silenciosamente, sem perder o foco em sua meta, manteve seu trabalho de formiguinha, digitando a Bíblia, as obras de Homero, de Shakespeare e de tantos outros. Sozinho e sem pedir créditos, digitou mais de 300 livros. Aos poucos, sua atitude inspirou voluntários de toda parte, que nunca abriram mão do formato aberto, acessível e gratuito.

A abnegação de são Hart [e de tantos como ele] deixa no mundo uma marca muito maior do que pode supor uma vã tecnologia. Da mesma forma como a prensa de tipos móveis do Johann Gutenberg original ajudou a fundamentar a metodologia científica, a alfabetização e a democratização do mundo, o compartilhamento gratuito de documentos eletrônicos será responsável por muitas das transformações que virão por séculos a fio.

Seu exemplo mostra o poder transformador de ideias cultivadas como filhas, não como escravas para rápido consumo. E ajuda a entender o sucesso de algumas iniciativas, mesmo que só ela só venha décadas mais tarde.

POR LULI RADFAHRER | folha@luli.com.br | Folha de S.Paulo | TEC | São Paulo, quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Tablets viram aposta para aulas mais dinâmicas


Para tornar as aulas mais dinâmicas e interativas, escolas começam a apostar nos tablets. A rede do Sistema Educacional Brasileiro [SEB], que tem três mil alunos no 1º ano do ensino médio, distribuídos em 24 escolas em seis estados adota a nova tecnologia. Os tablets fazem parte de um projeto digital, que começou há quatro anos, e já disponibilizou sete mil netbooks para os alunos. “Os tablets têm mais apelo sensorial que os netbooks. Eles são uma versão portátil do que o aluno vê nas nossas lousas digitais”, conta Rose Bernardi, diretora da escola Pueri Domus, em São Paulo, uma das unidades da rede SEB. A Pueri Domus entregou aos estudantes, no início deste mês, 170 tablets com sistema operacional Android, que é mais compatível com softwares de conteúdos educacionais. Nos aparelhos, roteiros das aulas e testes simulados, principalmente de Ciências e Matemática.

Por Marcelle Ribeiro | Globo | 19/09/2011