Bibliotecária fala sobre substituição do papel pelo digital


Todeska Badke

Todeska Badke

Das escrituras em paredes de cavernas, tabletes de barro, pele de animais, trapos de roupas e depois, mais recente, em celulose, hoje se discute a nova passagem de plataforma da escrita, do papel para o digital. Para a bibliotecária Todeska Badke, essa substituição é inevitável.

Com o advento da tecnologia, que está nas nossas vidas e no nosso trabalho, isso se dará em algum tempo, enquanto ainda estamos nessa fase de transição do mundo analógico [papel] para o digital“, diz.

Bom Dia Ceará | 26/10/2011

Twitter da FBN é eleito um dos mais influentes


Além dos informativos semanais, a comunicação da FBN tem voltado atenção especial para as redes sociais. O Twitter da Biblioteca Nacional, por exemplo, foi eleito pelo Estadão como um dos melhores perfis de informação sobre acervo e memória na internet, ao lado de projetos como o americano National Archives. Diariamente, cerca de 20 mil pessoas acompanham, em tempo real, a rotina da BN. Linguagem dinâmica, enquetes, dicas culturais e cobertura ao vivo de eventos têm ganhado simpatia de público e imprensa. Também no Facebook, a FBN mantém uma página oficial com ampla participação dos internautas.

Boletim da Biblioteca Nacional nº200

Seminário discutirá empréstimo de livros digitais


Como as bibliotecas estão se preparando para passar a emprestar também os livros digitais, seja para ser lido em suas salas de leitura como para ser baixados e lidos pelos seus usuários onde eles estiverem. Para estimular essa discussão e mostrar experiências desenvolvidas em diversas bibliotecas, a Fundação Biblioteca Nacional se associou ao Instituto Goethe, Instituto Cervantes e Maison de France para trazer especialistas da Alemanha, Espanha, França, Inglaterra e Brasil. O E-books e a democratização do acesso – Modelos e experiências de bibliotecas. Será realizado nos dias 05 e 06, no auditório José Lins do Rego, dentro da Bienal, com tradução simultânea.

Boletim da Biblioteca Nacional nº200

Para não se perder na Bienal


Pela primeira vez, visitantes com iPhone poderão baixar um aplicativo

A Bienal do Livro do Rio de Janeiro terá este ano 74 sessões oficiais de debate com duração de mais de 100 horas. Para facilitar a vida dos visitantes da feira que começa na próxima quinta, dia 1º de setembro, e vai até o dia 11, a organização fez pela primeira vez um aplicativo para iPhone. Disponível gratuitamente no iTunes, ele vai informar sobre os eventos e os meios de transporte para se chegar ao Rio Centro, além de dar as últimas notícias. Será possível também consultar um mapa em GPS da área de 55 mil m2 dedicada à Bienal no Riocentro.

Por Maria Fernanda Rodrigues | PublishNews | 26/08/2011

Kate Wilson e o livro infantil digital


Editora britânica faz palestras em Passo Fundo e em São Paulo para contar sua experiência à frente da Nosy Crow

Kate Wilson

Kate Wilson é uma editora com experiência de 25 anos [quase todos editando livros infantis]. Foi diretora editorial da Macmillan e diretora executiva da Scholastic. Agora, na casa dos 40 e mãe de duas crianças, uma de 12 e a outra de 10, resolveu abrir uma editora. Eram dois os objetivos iniciais: ser dona do seu próprio nariz e explorar o novo universo do livro digital. Ao término deste primeiro ano da londrina Nosy Crow – o primeiro título saiu em janeiro de 2011, ela terá editado 23 livros, cinco e-books e três aplicativos. Isso com a ajuda de 13 funcionários, sendo que nem todos trabalham em tempo integral.

No Brasil para conferências na Jornada Nacional de Literatura e no SESC Belenzinho e para se reunir com editores brasileiros, ela contou que em seu país, a Inglaterra, também é muito caro produzir um aplicativo, mas segundo Kate vale a pena. Ela contou que seus dois primeiros títulos, Os três porquinhos e Cinderela [confira os vídeos], vendem muito bem em seu país, na França e na Alemanha. Aliás, a estratégia da Nosy Crow para aplicativos é a mesma usada por editoras inglesas na época dos livros pop-up. A produção torna-se viável se feita pensando em mercados maiores. Dessa forma, a Nosy Crow lançou os dois aplicativos no Reino Unido por conta própria e também na França, com a ajuda da Gallimard, e na Alemanha, em parceria com a Carlsen.

A ideia de começar por esses dois clássicos, que inspiraram as brincadeiras de diferentes gerações, surgiu para que os pais, mais do que as crianças, sentissem a diferença ao experimentar o novo formato e se animassem em comprar os novos livros para seus filhos ainda não alfabetizados. Além disso, são histórias com movimento, imprescindível em um aplicativo.

Nem todos os livros têm vocação para aplicativo e isso os editores vão aprendendo no dia a dia e com a ajuda de todos os profissionais da empresa. Na opinião de Kate, os editores de livros infantis que quiserem sobreviver à transição para a era digital devem ter em mente duas coisas. A primeira é falar com o cliente certo. “Precisamos parar de pensar, pelo menos na Inglaterra, que os nossos clientes são as livrarias e começar a ver que na verdade nossos clientes são os leitores, ou os pais dos leitores, e achar uma forma de nos comunicarmos com eles”. Nesse sentido, o site da editora é bastante interessante. A outra é agir como uma figura central no processo de produção de um livro, ou seja, organizar para que todos – editores, escritores, ilustradores, diagramadores, programadores e quem mais estiver envolvido naquele projeto – pensem o livro juntos.

Imaginação X independência

As crianças estão gastando mais tempo na frente das telas e com isso terão menos oportunidade para ler. Para Kate, esta é a hora de o editor se perguntar o que pode fazer para não perder de vez esse leitor. E é aí que entram os livros digitais interativos, especialmente quando o público for formado por crianças que ainda não sabem ler. Se sobra espaço para a imaginação? Kate diz que sim porque eles não são passivos. Mas mais importante que isso é a possibilidade de a criança fazer algo melhor do que apenas sentar na frente da tela. “Além disso, a criança não precisa esperar alguém parar para ler para ela”, comentou.

O maior problema é que ninguém sabe que tipo de leitor essa criança que foi apresentada a livros digitais interativos tão cedo se tornará. Ela vai se contentar com um e-book simples, só de texto? “Não sabemos, mas este não é motivo para enfiarmos a cabeça na terra como um avestruz e não fazermos nada.”

Kate no Brasil

Passo Fundo
Experiências de formação de leitores: ampliando redes
Sexta-feira, 26/8, às 8h30
Palestra encerra a programação do 10º Seminário Internacional de Pesquisa em Leitura e Patrimônio, que acontece paralelamente à Jornada Nacional de Literatura. Além de Kate Wilson, participam Flourish Klink [MIT Estados Unidos], Elias Torres Feijó [Universidad de Santiago de Compostela/Espanha], César Piva [Programa Cultura Viva], Laura Niembro [FIL Guadalajara/México], Maria Elvira Charria Villegas [Cerlalc/Colômbia], Rita de Cássia Tussi [Programa Bebelendo], Natália Klidzio [Universidade Marie Curie – Sklodowska de Lublin/Polônia], Frieda Liliana Morales Barco [Municipalidad de Guatemala]

Formação do leitor contemporâneo
Sexta-feira, 26/8, às 14h
No palco principal da Jornada Nacional de Literatura, Kate Wilson conversa com a crítica Beatriz Sarlo e os escritores Alberto Manguel e Affonso Romano de Sant’Anna

São Paulo
Conversa com Kate Wilson
Sábado, dia 27/8, às 18h30
Com mediação de Carlo Carrenho, Kate Wilson fala sobre sua experiência profissional e o que é ser um editor na era digital. Discute hábitos e atitudes de leitura a partir de dados do Reino Unido e EUA. O encontro faz parte da exposição Linhas de histórias: Um panorama do livro ilustrado no Brasil
SESC Belenzinho [Rua Padre Adelino, 1.000, Belenzinho – São Paulo/SP. Tel.: 11 2076-9700]
Grátis

Por Maria Fernanda Rodrigues | Publicado originalmente em PublishNews | 26/08/2011