Com baixa procura, grupos brasileiros adiam investimentos


Editoras brasileiras investem em e-books em ritmo muito mais lento do que as de mercados como Estados Unidos e Inglaterra.

E apostar em edições vitaminadas para o formato app é algo que adiam ainda mais.

Monteiro Lobato é um dos autores nacionais que mais têm títulos migrados para as tabuletas: são oito, além de cinco adaptações para quadrinhos, que podem ser lidos no iPad. Lançadas há um mês, essas obras já tiveram cerca de 7.300 downloads, segundo a Globo Livros.

Os títulos de Lobato não possuem, porém, recursos interativos. Permitem apenas a leitura no tablet.

Mais experimental será a edição em quadrinhos de “As Grandes Histórias do Menino Maluquinho”, de Ziraldo, que a editora anuncia para a Bienal do Rio, no mês que vem. Entre as ferramentas incluídas, há uma que vai permitir a gravação de voz do leitor.

Ainda é relativamente caro produzir apps, porque a base de tablets no país é pequena“, afirma Mauro Palermo, diretor da Globo Livros. “O investimento crescerá na medida em que o número de usuários aumentar“, acescenta Palermo.

Editoras de pequeno e médio portes dedicadas ao público infantil têm experimentado mais no formato que as grandes casas.

Pela Peirópolis, por exemplo, saíram dois títulos, “Meu Tio Lobisomem”, de Manu Maltês, e “Crésh”, de Caco Galhardo. Este ano, estão previstas obras de Angela Lago, Lalau e Laurabeatriz, Chico dos Bonecos e Guazzelli.

A DCL, de grande porte, prevê lançar seu catálogo infantil no mercado de apps apenas no ano que vem. Não será em ritmo acelerado. Serão cerca de três por ano. Em eBook, serão cerca de 30.

O grupo Ediouro diz que só em 2012 deve começar a migrar títulos para o formato. Os projetos para apps previstos para este ano foram adiados porque a equipe do seu braço digital, a Singular, teve de se concentrar em outra área, a de impressão sob demanda.

Por Josélia Aguiar | Folha de S. Paulo | 24/08/2011