Dicionário Oxford ganha 400 palavras


Retweet, textspeak, sexting, cyberbullying são algumas delas

Palavras inspiradas pela tecnologia estão entre as 400 novas entradas do Concise Oxford English Dictionary. Este é o caso do termo “retweet”, que significa passar à frente uma mensagem publicada no Twitter; “textspeak”, digitar palavras e expressões abreviadas (como “kd vc”); “sexting”, enviar textos com conteúdo sexual; e “cyberbullying”, assediar moralmente alguém por meios eletrônicos, entre outras. “Estes acréscimos levam à frente a tradição de um dicionário que sempre buscou ser progressista”, disse o editor Angus Stevenson. Lançado em 1911, tinha como objetivo ser um catálogo moderno de palavras que deveria se manter em constante evolução, de acordo com seus editores. A informação é da BBC.

PublishNews | 24/08/2011

Com baixa procura, grupos brasileiros adiam investimentos


Editoras brasileiras investem em e-books em ritmo muito mais lento do que as de mercados como Estados Unidos e Inglaterra.

E apostar em edições vitaminadas para o formato app é algo que adiam ainda mais.

Monteiro Lobato é um dos autores nacionais que mais têm títulos migrados para as tabuletas: são oito, além de cinco adaptações para quadrinhos, que podem ser lidos no iPad. Lançadas há um mês, essas obras já tiveram cerca de 7.300 downloads, segundo a Globo Livros.

Os títulos de Lobato não possuem, porém, recursos interativos. Permitem apenas a leitura no tablet.

Mais experimental será a edição em quadrinhos de “As Grandes Histórias do Menino Maluquinho”, de Ziraldo, que a editora anuncia para a Bienal do Rio, no mês que vem. Entre as ferramentas incluídas, há uma que vai permitir a gravação de voz do leitor.

Ainda é relativamente caro produzir apps, porque a base de tablets no país é pequena“, afirma Mauro Palermo, diretor da Globo Livros. “O investimento crescerá na medida em que o número de usuários aumentar“, acescenta Palermo.

Editoras de pequeno e médio portes dedicadas ao público infantil têm experimentado mais no formato que as grandes casas.

Pela Peirópolis, por exemplo, saíram dois títulos, “Meu Tio Lobisomem”, de Manu Maltês, e “Crésh”, de Caco Galhardo. Este ano, estão previstas obras de Angela Lago, Lalau e Laurabeatriz, Chico dos Bonecos e Guazzelli.

A DCL, de grande porte, prevê lançar seu catálogo infantil no mercado de apps apenas no ano que vem. Não será em ritmo acelerado. Serão cerca de três por ano. Em eBook, serão cerca de 30.

O grupo Ediouro diz que só em 2012 deve começar a migrar títulos para o formato. Os projetos para apps previstos para este ano foram adiados porque a equipe do seu braço digital, a Singular, teve de se concentrar em outra área, a de impressão sob demanda.

Por Josélia Aguiar | Folha de S. Paulo | 24/08/2011

Depois dos eBooks, editoras se arriscam agora nos app-books


Penguin agita mercado ao lançar versão para tablets de ‘Pé na Estrada’, de Kerouac, cheia de recursos interativos

O catálogo de e-books da centenária Penguin já reúne 4 mil títulos. Mas o que faz mais barulho há um mês e meio no mercado de livros é sua re-edição de um cult literário, Pé na Estrada, em formato de aplicativo em tablets como o iPad, da Apple. A obra de Jack Kerouac é apenas uma das cinco partes do app que comemora o cinquentenário de sua publicação. As outras tratam do autor, da viagem, da geração beat e da trajetória do próprio livro. A edição é repleta de elementos interativos: áudio, vídeo, mapas, fotografias, trechos do diário de Kerouac, cartas trocadas com amigos e editor, antigas capas. Outras edições ampliadas de literatura já estão a caminho, afirma à Folha Stephen Morrison, editor responsável pelo app de Pé na Estrada. Os números de venda de Kerouac também não são divulgados – o mercado fala de 60 mil downloads num único mês.

Por Josélia Aguiar | Folha de S. Paulo | 24/08/2011

O “DNA” dos livros pode servir de base para encontrá-los?


Por Felipe Lindoso | Publicado originalmente em O Xis do Problema | 24/08/2011

Semana passada Claudiney Ferreira, com quem trabalho no projeto Conexões Itaú Cultural – Mapeamento Internacional da Literatura Brasileira – e que vasculha a Internet quase obsessivamente atrás de sites sobre literatura, achou uma curiosidade: o BookLamp. Tratava-se de um site que se propunha a levantar o DNA dos livros para servir de motor de buscas para os leitores descobrirem livros “semelhantes” aos que gostaram, e de ferramenta para autores e editores.

Visitei o site e achei realmente fascinante. E já tinha planejado escrever um post sobre o assunto.

Esse trabalho me foi poupado pelo Ed Nawotka, do Publishing Perspectives, que no dia 24 publicou um artigo sobre o assunto. Ed Nawotka esteve aqui há pouco, no Congresso do Livro Digital, e sua palestra motivou que eu escrevesse um post sobre a questão dos metadados e sua importância para o mercado editorial.

Bem, quem quiser ler o original, o link está aqui. Com permissão do Ed Nawotka, traduzi o artigo que deixo aqui para vocês:

O “Projeto do Genoma do Livro” do BookLamp é o futuro da descoberta?

Por Edward Nawotka

Se você achava que metadados eram complicados, conheça Booklamp.org., um novo motor de descoberta de livros que pesquisa 32.160 diferentes pontos de dados por livro. “Fazemos isso processando o texto completo proporcionado pelo editor em formato digital e passando pelo nosso computador”, explica o CEO Aaron Stanton.

“Nosso programa separa o livro em 100 cenas e mede o “DNA” de cada cena, procurando 132 ingredientes temáticos distintos, e mais 2.000 variáveis”. Um leitor pode ir ao site da Booklamp.org., que foi lançado em formato beta na semana passada, e fazer busca por palavra-chave em títulos que correspondam a critérios semelhantes ao título que informam ao site. Alguns críticos o apelidaram de “Caixa de Pandora para livros”, mas Stanton prefere o termo “Projeto do Genoma do Livro”.

Digamos que você esteja procurando um romance como o Código Da Vinci. Descobrimos que o romance contém 18,6% de Religião e Instituições Religiosas, 9,4% de Assassinato & Investigação de Assassinato, 8,2% de Arte e Galerias de Arte, e 6,7% de Sociedades Secretas & Comunidades, e outros elementos – e pescamos um livro com elementos similares – desde que esteja em nosso banco de dados”, diz Stanton.

Stanton começou o projeto do BookLamp em 2003, quando era estudante em Boise, Idaho, quando ele e colegas escanearam um exemplar de Thinner, de Richard Bachman [pseudônimo de Stephen King] – algo que então lhes tomou seis horas para fazer – antes de compreender que o que queriam estava provavelmente além do alcance de estudantes universitários. Em 2007, entretanto, ele achou que seria perfeito para o Google, e conseguiu marcar uma entrevista, que se tornou um meme viral na época].

Stanton apresentou então o projeto ao Dr. Matthew Jockers, professor de linguística computacional na Universidade de Stanford, que ajudou a desenvolver os protocolos para a “análise estilística contextual” para o BookLamp.

Atualmente, BookLamp tem aproximadamente 20.000 textos em seu banco de dados – basicamente das editoras Random House e Kensington – e já reuniu cerca de 650 milhões de “pontos de dados” no total. “Esperamos alcançar a cifra dos bilhões nos próximos meses”, diz Stanton.

Mas será que um computador pode realmente avaliar com precisão o conteúdo de um livro? Stanton acha que sim. “Nossos modelos originais foram baseados em grupos de foco”, diz ele. “Nós dávamos a eles uma cena de alta densidade e uma cena de baixa densidade, por exemplo, e pedíamos que as avaliassem, o que nos deu a base para experimentar os modelos. Depois pesquisamos livros que podiam ultrapassar os modelos e ajustamos as fórmulas. Dessa maneira, nossos algoritmos são treinados como um ser humano”.

O BookLamp qualifica elementos como densidade, ritmo, descrição, diálogo e movimento, além de numerosas e nuançadas microcategorias, tais como “pistolas/rifles/armas”, ou “descrições explícitas de intimidade” ou “ambientes de trabalho”.

“De muitas maneiras, usando e usando “ingredientes” temáticos como uma alternativa aos metadados tradicionais”, diz Stanton, que prevê o projeto servindo a leitores, escritores e editores.

A primeira iteração do BookLamp – que é a que atualmente se pode ver online – está claramente dedicada aos leitores. Escritores e editores, por outro lado, logo terão a oportunidade de fazer upload dos manuscritos e tê-los avaliados pelos mesmos critérios. Essas obras irão para um “banco de dados vivo de manuscritos com certas características”. “Por exemplo – diz Stanton – digamos que vampiros são o quente em um ano, então você rejeita todos os livros sobre extraterrestres, mas depois a tendência muda para extraterrestres – e pode-se pesquisar nosso banco de dados por originais que correspondam a essas tendências nascentes e tomar a dianteira na curva. Para os autores, um livro rejeitado nunca é simplesmente um livro rejeitado, já que sempre pode ser achado”.

Atualmente o maior obstáculo do BookLamp parece ser exatamente os editores e autores, que podem estar reticentes em ver seus livros convertidos em pontos de dados. O banco de dados limitado em 20.000 títulos “é de longe a maior crítica ao site”. Seu objetivo é alcançar 100.000 tíotulos até o final do ano.

Os curiosos podem se registrar e explorar o BookLamp agora no www.booklamp.org.

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Bem, eu escrevi para o Stanton [que ainda não respondeu], perguntando se ele não estava interessado em traduzir o programa para o português e começar a catar originais dos nossos livros. Escrevi como gozação [mas quero acompanhar de perto o projeto], pois sei perfeitamente o quanto o mercado editorial brasileiro está atrasado não apenas na formatação de versões digitais quanto na compreensão [e uso] de metadados.

O artigo do Ed Nawotka é mais um exemplo das amplas possibilidades que se abrem para que os livros [e não só os digitais] permaneçam no radar dos leitores, e também da quantidade de ferramentas de trabalho que se desenvolvem para editores e autores.

Por Felipe Lindoso | Publicado originalmente em O Xis do Problema | 24/08/2011

Felipe Lindoso

Felipe Lindoso é jornalista, tradutor, editor e consultor de políticas públicas para o livro e leitura. Foi sócio da Editora Marco Zero, diretor da Câmara Brasileira do Livro e consultor do CERLALC – Centro Regional para o Livro na América Latina e Caribe, órgão da UNESCO. Publicou, em 2004, O Brasil pode ser um país de leitores? Política para a cultura, política para o livro, pela Summus Editorial.

A coluna O X da questão traz reflexões sobre as peculiaridades e dificuldades da vida editorial nesse nosso país de dimensões continentais, sem bibliotecas e com uma rede de livrarias muito precária. Sob uma visão sociológica, este espaço analisa, entre outras coisas, as razões que impedem belos e substanciosos livros de chegarem às mãos dos leitores brasileiros na quantidade e preço que merecem.