Jovens não leem mais por conta das redes sociais


Grã-Bretanha | Uma pesquisa realizada pelo instituto National Literacy Trust, da Inglaterra, constatou que jovens britânicos não leem mais por causa das redes sociais. Segundo o jornal inglês The Telegraph, esse segmento da população está mais propício a ser exposto a celulares e computadores que a livros de romance.

O estudo, realizado com mais de 18 mil pessoas, descobriu que jovens entre 8 e 17 anos tem gastado mais tempo respondendo e-mails, mensagens de textos e interagindo em sites de relacionamento, tais como Twitter e Facebook, que lendo.

De acordo com os dados, 13% dos entrevistados não leram sequer um único livro no último mês. Além disso, a pesquisa também revelou que a frequência de leitura tende a diminuir com a idade. Adolescentes de 14 a 16 anos, por exemplo, evitam dez vezes mais os livros do que as crianças na educação primária.

Para Jonathan Douglas, diretor do instituto responsável pela pesquisa, as pessoas que não leram livros quando eram jovens, muitas vezes, tenderam a sofrer sérios problemas de alfabetização na idade adulta.

Estamos preocupados, pois essas crianças vão crescer e ser o um em cada seis adultos que lutam contra a alfabetização. Orientá-las a ler e ajudá-las a apreciar a leitura é a melhor maneira de transformar suas vidas e criar novas oportunidade e aspirações” – agumentou.

Conforme revelou o National Literacy Trust, o índice de leitura entre os jovens da Inglaterra, em 2010, passou do 17° lugar no ranking mundial para o 25°.

Por Verônica Vasque | Publicado originalmente em TechTudo | 22/08/2011 | Via The Telegraph

Como a inclusão digital será feita nas escolas brasileiras?


Por Gabriela Dias | Publicado originalmente em PublishNews | 22/08/2011

Um dos destaques do II Congresso do Livro Digital, organizado pela CBL em São Paulo, foi a palestra de , do Publishing Perspectives. Após citar números do mercado de e-books lá fora, Ed entrou na nossa seara e se entusiasmou: “O governo brasileiro, que faz compras substanciais de livros para escolas de todo o país, anunciou que vai começar a comprar ‘conteúdo digital’ em 2014 — o que pode ser chamado de ‘Dia D’”.

Embora as estatísticas nessa área por ora só sejam relevantes nos Estados Unidos, é compreensível que uma notícia dessas assombre os gringos. Afinal, não é todo dia que um player do tamanho do governo federal entra no jogo – e mesmo que o impacto imediato seja apenas nos livros didáticos [textbooks, na palestra de Nawotka], é de se esperar que esse contato precoce com o livro digital influencie os hábitos de leitura da população jovem a médio e longo prazo.

Em outras palavras, livro didático digital na escola pública pode querer dizer um mercado significativo para outros tipos de e-books no futuro – e esse futuro pode nem estar tão distante assim!

O X da questão

O que não entrou na equação de Nawotka é COMO essa inclusão digital será feita nas escolas brasileiras.

Várias pesquisas têm demonstrado que a mera inserção de equipamentos tecnológicos no ambiente escolar não melhora o desempenho dos estudantes. Uma das mais recentes foi o sexto relatório do PISA 2009, intitulado Students On Line – Digital Technologies and Performance.

Com foco na capacidade de leitura de estudantes de 15 anos em 19 países, o relatório lançado no fim de junho diz que “a sua maior surpresa talvez seja a falta de uma relação clara entre a frequência de uso das TICs na escola e a performance de leitura digital dos alunos”. E acrescenta: “O uso das TICs na escola não esteve positivamente associado às habilidades de navegação nem de leitura […]”.

Essa conclusão pode ser chocante, mas não é nova. O mais curioso é um segundo dado: “Ao examinar a relação entre a performance de leitura digital e o acesso a computadores na escola ou em casa, viu-se que o acesso caseiro se relacionou positivamente com a performance, enquanto o acesso escolar não”. Essa relação é válida em 16 dos 19 países, inclusive quando se leva em consideração a origem socioeconômica dos alunos.

Embora o relatório faça ressalvas sobre as próprias conclusões, não deixa de ser alarmante. Se as TICs na escola não têm feito diferença em habilidades como navegar por algumas páginas e compreendê-las, o que o PISA vai encontrar quando avaliar as áreas de matemática [2012] e ciências [2015] com “ênfase na capacidade de ler e entender textos digitais e de resolver problemas apresentados em formatos digitais”?

E mais: se estudantes de 15 anos estão desenvolvendo certas habilidades mais em casa do que na escola, o que isso nos diz sobre o ensino de hoje?

Pistas para a escola do século XXI

A parte boa é que o próprio relatório dá pistas de como resolver o problema. Vou resumir aqui algumas das principais:

  • Outras políticas e práticas escolares interagem com as relações observadas; é preciso levar em conta todos os fatores que influenciam a eficácia do uso de TICs na escola
  • Uma análise aprofundada deve caminhar mais na direção da qualidade do que na da frequência desse uso; um exemplo seria oferecer mais atividades baseadas em projetos, que permitam aos alunos explorar várias abordagens na resolução de problemas, como já fazem sozinhos em casa
  • Se as TICs não forem parte essencial do projeto pedagógico da escola, é improvável que os professores se motivem a investir no uso delas
  • Se os professores tiverem oportunidades adequadas para se desenvolver no uso de TICs, ficarão mais propensos a integrá-las de modo efetivo e regular às suas práticas de ensino

Pedras no caminho?

Portanto, meu caro @EdNawotka, pode haver mais pedras no caminho do pleno desenvolvimento da leitura digital no Brasil do que fazem supor as atuais manchetes. Quem viver verá…

Até a próxima, Gabriela Dias

Por Gabriela Dias | Publicado originalmente em PublishNews | 22/08/2011

Gabriela Dias [@gabidias] é formada em Editoração pela ECA-USP e atua desde 1996 na fronteira entre o impresso e o digital. Já fez multimídia, livro e site, mas hoje trabalha com tudo isso [e mais um pouco] na editora Moderna. Vive ainda em outras fronteiras: entre Rio e São Paulo, entre Higienópolis e Santa Cecília. É Flamengo, mas não tem uma nega chamada Teresa.

A coluna Cartas do Front é um relato de quem observa o mercado educacional no Brasil e no mundo, por dentro e por fora. Mensalmente, ela vai trazer novidades e indagações sobre o setor editorial didático e sobre o impacto da tecnologia nos livros escolares e na sala de aula.

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