Microsoft Reader


Por Ednei Procópio

Tela do Microsoft Reader

O Microsoft Reader with ClearType©, lançado em abril de 2000, foi um dos primeiros aplicativos desenvolvido para livros digitais baseado no padrão OeB/XML.

O lançamento do produto foi uma espécie de resposta da Microsoft aos aplicativos lançados por empresas como Nuvomedia [eRocket] e Adobe [Acrobat Reader]. E um modo que a Microsoft achou de chamar a atenção para os novos equipamentos, Pocket e Tablet PCs, anunciados na mesma época pela empresa.

O lançamento do Microsoft Reader foi um marco na história dos livros digitais e inspirou empresas como a Barnes & Noble a disponibilizar aos leitores cerca de 2000 títulos para compra e download imediato. Não é à toa que a Barnes & Noble disponibiliza hoje cerca de 1 milhão de títulos para a sua plataforma Nook; ela começou o processo lá em 2000. Um pouco mais tarde até a Palm lançou o Palm Reader baseado em um aplicativo antigo chamado PeanutPress Reader, para não perder campo com o seu Palm até então desconectado do mundo pré-iPhone.

LIT

A Microsoft há dez anos atrás foi uma das empresas que participou do consórcio que criou o Open eBook, o padrão que mais tarde daria origem ao formato ePub. Dentro de um arquivo .LIT, lido pelo aplicativo Microsoft Reader, existe um arquivo xHTML validado tal qual um ePub. Um arquivo LIT é muito parecido com um arquivo ePub em qualidade e conteúdo, com a diferença de que a Microsoft criara também um sistema de DRM, baseado em um passaporte para que leitores se identificasse através de um ID. Algo, mais tarde, consolidado pela Adobe com o seu Adobe Content Server.

Eu trabalhei por oito anos na assessoria de imprensa da Microsoft no Brasil e, de algum modo, eu sempre tive acesso as informações da empresa nesta área. Aliás, eu fui um dos únicos beta-testes da empresa para o dicionário baseado em XML, em formato LIT, que vinha com o aplicativo MS Reader.

DOWN

Esta semana, porém, a Microsoft anunciou a descontinuidade do Microsoft Reader. E eu realmente não consegui entender. Confesso que esta notícia me pegou de surpresa, porque se a Microsoft pretende realmente fazer com que versões portáteis ou mobiles do Windows rode em tablets e smartphones mais modernos, o aplicativo Microsoft Reader seria um dos itens mais importantes para acesso a conteúdo. Será que a Microsoft pretende lançar algum serviço cloud para eBooks nas próximas versões do Windows Phone ou Mobile? Ou será que a era dos aplicativos cross plataformas atingiu a empresa de Seattle em cheio?

Com a nova guerra entre os sistemas operacionais para portáteis [ Apple iOS, Google Android, Nokia Synbian, Windows Phone, etc.], eu acreditava que a Microsft fosse dar um ‘up‘ no projeto Microsoft Reader. Mas, agora, eu acho que há alguma coisa fora da ordem por aqui. Será que a Microsoft teve tanto prejuízo com livros digitais assim?

TABLETS

Embora o iPad seja um sucesso sem igual, a Microsoft foi uma das primeiras empresas a tentar vender para o mercado o conceito das pranchetas e o Microsoft Reader nasceu exatamente num momento em que Bill Gates tentava também vender a ideia dos Pocket PCs [os computadores de mãos que pretendiam rivalizar com os palmtops]. Uma vez que os Pocket PCs traziam telas de LCD coloridas, o Microsoft Reader melhorava a legibilidade de livros digitais através da tenologia denominada ClearType. Uma tecnologia que realmente suavizava as fontes exibidas nas telas tanto dos Pockets quantos dos Tablets PCs, usando conceitos básicos de RGB.

Mas já fazia algum tempo, porém, que a Microsoft não lançava uma verão atualizada do aplicativo. Sua última versão foi anunciada em meados de 2007, exatamente quando a Amazon lançou o Kindle.

VELHOS APPS

Bem. É realmente triste que a Microsoft esteja descontinuando, a partir deste mês, um dos melhores aplicativos de livros digitais já criados [numa época em que a Apple tenta a todo custo minar a existência de aplicativos melhores do que o iBooks]. Quem realmente conhece eBooks sabe que o aplicativo da Apple ainda tem muito o que melhorar e está muito longe dos bons aplicativos de leitura como o BlueFire, o MobiPocket e o velho e eficiente MS Reader.

Por Ednei Procópio

Colóquio Internacional eBooks e o futuro das bibliotecas : evolução ou revolução?


O Goethe-Institut São Paulo, a Maison de France e o Instituto Cervantes com o apoio da Fundação Memorial da América Latina convidam para o colóquio internacional.

O colóquio tem por objetivo discutir a mudança da leitura no papel impresso, existente há quase 600 anos para a leitura digital e interativa. Os e-books estão se transformando em produto de massa, modificando de forma definitiva o modelo tradicional das bibliotecas e dos negócios editoriais.

Programação

8h
Recepção e credenciamento

9h
Abertura

9h30
Estado atual da questão: oferta, negociação, valorização e uso dos e-books nas bibliotecas acadêmicas francesas

Claire Nguyen, bibliotecária, diretora do Consórcio Couperin da Bibliothèque Interuniversitaire de Santé Paris

Os e-books estão presentes nas bibliotecas acadêmicas desde 2007. Entretanto, os bibliotecários franceses reclamam de uma falta de qualidade na ofertas desse suporte em sua língua, oferta irregularmente repartida segundo as disciplinas e os níveis relativos a cada uma delas, sendo mal adaptada à demanda. Por esta razão, os negociadores do consórcio Couperin tentam construir a oferta e seus modelos conjuntamente com os editores, a fim de sustentar o desenvolvimento dos e-books. É necessário igualmente valorizá-los [por meio de descrições e pela sua promoção], o que permitirá desenvolver também seu uso. A célula e-books do consórcio Couperin acompanha ativamente esse processo, tanto no terreno da biblioteconomia quanto no dos consumidores – e minha intervenção é uma síntese desse processo.

10h30
Experiências com e-books em uma biblioteca pública alemã

Frank Daniel, bibliotecário, diretor do departamento de serviços escolares e serviços eletrônicos da Stadtbibliothek Köln [Biblioteca Pública de Colônia]

Cada vez menos a nova geração compreende o sentido e a finalidade das bibliotecas. Na Internet pode-se obter informações atuais gerais e especializadas em qualquer hora e lugar. Além disso, houve um enorme aumento do uso de Smartphones, iPads, Tablet-PCs e e-Readers móveis. Juntamente com as lojas virtuais de e-books da Amazon, Apple e Google esta é uma ameaça real para o conteúdo tradicional das bibliotecas. Para continuar realizando sua tarefa clássica, uma biblioteca também deve disponibilizar na Internet fontes eletrônicas atrativas aos seus leitores, não acessíveis de forma gratuita. Uma possibilidade é o empréstimo digital online através da Firma DiViBib. Ele permite que usuários de bibliotecas façam o empréstimo de conteúdo digital licenciado pelas editoras como livros, audio-livros, músicas, filmes e jornais. O uso é por um período pré-determinado, através de download no computador ou dispositivo móvel do leitor. Em 2007 a Biblioteca Pública de Colônia foi biblioteca piloto e desde o princípio pode acompanhar a evolução do projeto. Atualmente são mais de 250 bibliotecas participantes, algumas delas também disponibilizam e-Readers para empréstimo. A palestra discute as seguintes questões: como funciona o empréstimo digital online e como é a experiência da Biblioteca Pública de Colônia? Como são disponibilizados os e-Readers? O que dizem os leitores? Quais as vantagens e desvantagens do empréstimo digital? Quais as alternativas para as bibliotecas públicas? Como será o futuro?

11h30 – discussão plenária

12h00 – intervalo para almoço – há restaurante por quilo no Memorial da América Latina

13h30
O e-book, um desafio à criatividade: o caminho a seguir sob a ótica da Espanha

Antonio Rodríguez de las Heras, doutor em Letras e Filosofia, diretor do Instituto de Cultura y Tecnologia da Universidad Carlos III de Madrid

Esta apresentação divide-se em duas partes. A primeira, dedicada a uma exposição das características deste fenômeno cultural que gera a mudança do suporte da escrita. A passagem do papel ao suporte digital provoca um efeito dominó que alcança o livro códice, a edição, a distribuição, os modos de leitura e a escrita. Todas as manifestações seculares da cultura escrita se vêem afetadas. A indicação de todos estes fenômenos de mudança será um dos objetivos desta primeira parte. Mudanças no artefato de leitura, no espaço de leitura [da página para a tela], na escrita [do texto ao hipertexto; da ilustração à escrita multimídia] e do conceito de obra [da encadernação à “nuvem”]. Apresentado este panorama que altera o até então estabelecido, a segunda parte estará centrada na resposta que as editoras [e os novos modelos de negócio], as bibliotecas [e a sua busca por novas funções], os hábitos e a mentalidade dos leitores e a criação dos escritores na Espanha.

14h30
O cenário editorial francês em matéria de e-books

Jean-Michel Ollé, editor, diretor editorial da Hachette Livre International

Desde 2010, a edição francesa entrou, após muita hesitação, na era digital. Os catálogos digitais começaram a ganhar corpo. A oferta às bibliotecas, historicamente limitadas nestes últimos anos às revistas e publicações científicas, se diversifica em direção à Literatura e às Ciências Humanas.
Subsistem ainda numerosos problemas, jurídicos, técnicos e comerciais – em termos de controle de preços, de respeito à propriedade intelectual, de interoperacionalidade de dados etc. Mas esses problemas vão sendo identificados e, pouco a pouco, a profissão se organiza para oferecer ao público e às bibliotecas conteúdos de qualidade no formato e-book.

15h30 – Intervalo para café

16h
E-books: um belo e novo mundo?

Christoph Freier, administrador de empresas, diretor da divisão de Entretenimento da GfK Panel Services Deutschland

Na Alemanha, o ainda jovem mercado de comércio via download foi responsável por cerca de 5% dos gastos com entretenimento no ano de 2010. Também no mercado de livros são aguardados novos impulsos através dos e-books. Neste contexto e tendo como exemplo o mercado alemão, as seguintes questões serão examinadas de forma mais detalhada:

  • Que papel o comércio de livros digitais desempenha se comparados a mercados de entretenimento vizinhos?
  • Em que medida o tema e-book é conhecido do consumidor final, qual a atitude do consumidor frente aos livros digitais? Quais barreiras existem? – Qual a situação atual do mercado de e-books? [tamanho, estrutura de vendas, gêneros, preços]
  • Como é avaliado o mercado de e-books sob o ponto de vista das editoras e livrarias?
  • Qual o potencial do mercado de e-books?

17h00 – Discussão plenária

Serviço:
Data: 8 de setembro de 2011, 5ª feira
Horário: 8h às 17h30
Local: Auditório Simon Bolívar – Fundação Memorial da América Latina
Avenida Auro Soares de Moura Andrade 664
São Paulo – Capital
Estação Barra Funda do metrô – estacionamento no local

Inscrição gratuita e antecipada através do email biblioteca@saopaulo.goethe.org constando nome completo, instituição e email. É obrigatória a apresentação de RG original para o empréstimo dos fones de tradução.