Como os dados modelam o mercado editorial


Por Felipe Lindoso | Publicado originalmente em O Xis do Problema | 18/08/2011

A informática permite hoje a coleta de dados importantes sobre o desempenho dos livros. É claro, desde que os metadados estejam corretamente assinalados e sejam “coletáveis”.

Os instrumentos para tanto são vários. Alguns podem estar dentro da própria editora, ou da livraria, consolidando dados sobre os clientes e vendas, devoluções, pagamento de direitos autorais, amortização do investimento, etc.

Um dos mais interessantes é o BookScan, da Nielsen International. Esse instrumento recolhe informações de vendas no varejo, a partir do ponto de venda, em mais de 31.500 livrarias nos cinco continentes. Apenas livros em inglês, na Inglaterra, Estados Unidos, Irlanda, Austrália, África do Sul, Itália, Nova Zelândia, Dinamarca, Espanha e Índia.

Os dados são recolhidos em diferentes formas, incluindo a participação no mercado de diferentes categorias de livros e por editoras individuais e seus respectivos selos editoriais, autor, e preço efetivamente praticado pelo ponto de venda. Cada venda individual é registrada, de modo que os relatórios podem ser exaustivos e incluem elementos para o acompanhamento e o planejamento de editoras de todos os portes. O BookScan captura os dados diretamente do sistema de vendas das cadeias de livrarias e das livrarias independentes, e os relatórios, em seus vários níveis, podem ser adquiridos tanto por editoras quanto bibliotecas e pela mídia, em tempo real.

Em 2009 a Nielsen lançou o LibScan, que registra a movimentação de empréstimo das bibliotecas. Estas têm que aderir ao sistema e permitir que o software da Nielsen capture as informações dos seus usuários.

A quantidade de informações é estonteante.

As cadeias de livrarias, com seus sistemas de “clientes preferenciais” [milhagem], organizam dados sobre seus principais consumidores e clientes. Cruzando essas informações com todas as compras feitas, saem relatórios sobre o tipo de livros adquiridos, a frequência de compras, o local e a hora dessas compras, e assim por diante. As carreirinhas de cliente preferencial e os descontos que oferecem são compensados não apenas pela maior frequência na loja, mas também pelos dados que proporcionam.

Quem já fez compras na Amazon, conhece os frequentes e-mail chamando atenção para sugestões baseadas nas compras de outros clientes que adquiriram o mesmo livro, ou livros do mesmo gênero, etc. A coisa vai se refinando ao ponto de permitir a elaboração de ofertas absolutamente personalizadas.

A Amazon não revela o funcionamento de seus sistemas, mas a simples observação do funcionamento das listas e do modo de operação da empresa permite que editoras tentem aumentar as chances de seus títulos subirem na classificação de vendas da Amazon segundo a categoria do livro. Um artigo interessante foi publicado no Digital Book World a esse respeito .

Do lado das editoras, essa pletora de dados possibilita muitos tipos de análises. Muito úteis para a administração geral do negócio, mas que trazem também um perigo embutido para os livros de qualidade que não conseguem índices altos de venda.

André Schiffrin, importante editor independente americano que viu sua empresa, a Pantheon, ser adquirida pela Random House [hoje faz parte do grupo de selos encabeçados pela KnopfDoubleday, ainda da Random House mas controlados pelaBertelsmann alemã], chamava atenção sobre como a tradicional perspectiva dos editores de que os best-sellers ajudavam a financiar os títulos mais arriscados foi sendo liquidada pelo processo de concentração e conglomerização do mundo editorial. Schiffrin escreveuThe Business of Books, livro com sua trajetória profissional e análise desses desenvolvimentos do mercado editorial, e que foi publicado no Brasil pela Casa da Palavra.

A cultura corporativa não se dava bem com esse raciocínio. Para as grandes corporações, cada um dos títulos tinha que ser rentável. Os publishers dos selos e cada editor tinham seu desempenho medido e avaliado segundo o histórico de vendas de cada título, e não simplesmente pelos resultados globais. O resultado, segundo Schiffrin, era a busca desenfreada pelos best-sellers, independentemente da qualidade do livro.

Palavras proféticas, que os mecanismos de captura e análise dos dados só mostram como podem se tornar cada vez mais precisos.

Os dados, entretanto, são neutros. O uso que deles se faz é que conforma o ambiente de negócios, que não necessariamente deveriam ser assim tão perversos [embora as chances de que seja assim cresçam cada vez mais].

De qualquer forma, as análises de Schiffrin, o BookScan e os outros mecanismos de coleta de dados de desempenho dos livros mostram simplesmente o quanto estamos defasados nesse sentido. Talvez menos na área do varejo. Tenho certeza que Pedro Herz, na Cultura, a Saraiva, a Submarino, a Livraria da Vila e as outras redes de livraria estão aprendendo rapidamente a usar melhor seus dados.

Mas todas elas enfrentam o dilema: ou desenvolvem sistemas de metadados para cada um dos livros que compram, ou ficam com informações incompletas, já que as editoras realmente me parecem não prestar muita atenção no assunto.

Em tempo: a Nielsen, no Brasil, faz pesquisas desse tipo para muitos produtos. Mas não de livros. Não sei se por falta de interesse deles ou de estímulo por parte dos editores e livreiros.

Por Felipe Lindoso | Publicado originalmente em O Xis do Problema | 18/08/2011

Felipe Lindoso

Felipe Lindoso é jornalista, tradutor, editor e consultor de políticas públicas para o livro e leitura. Foi sócio da Editora Marco Zero, diretor da Câmara Brasileira do Livro e consultor do CERLALC – Centro Regional para o Livro na América Latina e Caribe, órgão da UNESCO. Publicou, em 2004, O Brasil pode ser um país de leitores? Política para a cultura, política para o livro, pela Summus Editorial.

A coluna O X da questão traz reflexões sobre as peculiaridades e dificuldades da vida editorial nesse nosso país de dimensões continentais, sem bibliotecas e com uma rede de livrarias muito precária. Sob uma visão sociológica, este espaço analisa, entre outras coisas, as razões que impedem belos e substanciosos livros de chegarem às mãos dos leitores brasileiros na quantidade e preço que merecem.

Escolas de 8 países da América Latina usarão tablets em sala


Escolas particulares de oito países da América Latina começarão a utilizar tablets em suas salas de aula, como parte do projeto educativo organizado pelo Grupo Santillana, informaram seus diretores nesta quarta-feira à Efe.

O Sistema Uno será lançado inicialmente em 238 escolas de nível básico do México e capacitará 4.500 professores. Cerca de 65 mil alunos usarão iPads como ferramentas de estudo a partir da próxima segunda-feira.

Logo após, a plataforma será aplicada na Argentina, no Brasil, na Colômbia, no Equador, em El Salvador, na Guatemala e em Honduras, onde se pretende criar a maior rede de escolas da região ibero-americana.

A iniciativa conta com vários parceiros, entre eles o Discovery Education e a Apple, que já promove em Cingapura projetos de tecnologia parecidos com o Sistema Uno. Em entrevista à Efe, o diretor internacional do projeto, o argentino Pablo Doberti, explicou que a ideia é levar o Sistema Uno para 22 países ibero-americanos, incluindo Espanha e Portugal, em um prazo de dois anos.

As escolas privadas cobrarão uma taxa anual de 3.990 pesos mexicanos [US$ 327] para cada aluno, e 1.400 pesos a mais [US$ 115] caso queiram participar do programa mais avançado, com iPads para todos os alunos na sala de aula. Inicialmente só existem 12 mil iPads no México, por isso o acesso ao programa com aparelhos para cada aluno é limitado.

Nos demais casos, quem usará o equipamento será o professor, como meio de ajuda nas salas de aula.

Os tablets não são comprados, a escola os adquire com o conteúdo educativo pronto para que os estudantes possam usá-los. Segundo Doberti, os tablets apresentam vantagens sobre os quadros-negros tradicionais.

Pelo seu peso, autonomia, capacidade e fácil manuseio, a empresa vê os tablets como ótimas ferramentas para realizar um plano de digitalização na educação, como o proposto. Tais ferramentas digitais não pretendem eliminar os instrumentos tradicionais como o livro ou o quadro-negro, porque a proposta “não contém uma hegemonia digital no mundo educativo“, disse Doberti.

Já o vice-diretor internacional do Sistema Uno, Ricardo Rubio, disse à Efe que a grande virtude da proposta é que com ela cria-se um “processo do mundo digital” nas escolas.

A proposta procura causar uma integração maior com os demais, professores, companheiros de sala de aula e pais, acrescentou.

Por enquanto, o programa não entrará nas escolas públicas a menos que alguma autoridade demonstre interesse. Criada em 1960, a editora Santillana, orientada a lançar livros educativos, se reconstituiu no Grupo de mesmo nome, que por sua vez é parte do Grupo Prisa, com interesses em meios de comunicação, edição, publicidade, impressão e internet.

DA EFE, NO MÉXICO | Publicado originalmente em português em Folha.com, no caderno TEC | Em 18/08/2011 – 15h55

Hagnos lança biblioteca digital


Com custo de R$ 239, a editora irá, inicialmente, disponibilizar onze títulos

Uma plataforma totalmente interativa, capaz de armazenar informações e anotações de estudos de forma pessoal e que possibilita ao usuário acesso a livros com preços mais baixos. Essa é a proposta da Biblioteca Digital Hagnos, nova ferramenta da editora cujo lançamento nacional acontece nesta quinta-feira, dia 18 de agosto, no Centro de Eventos MuBi [Av. Pastor Sebastião Davino dos Reis, 672, Vila Porto – Barueri/SP], durante o Fórum de Ciências Bíblicas.

O novo produto integrará o Sistema de Biblioteca Digital Libronix que no país é representado pela Sociedade Bíblica do Brasil. O acesso à plataforma Libronix é gratuito. Depois de acessar a plataforma, o usuário pode adquirir diferentes conteúdos, como será o caso do disponibilizado pela Editora Hagnos. Com custo de R$ 239, a Biblioteca Digital da Hagnos será composta, inicialmente, por onze títulos: Janelas para o Novo Testamento, Marcos, Manual da Exegese, Malaquias, Novos Caminhos para a Educação Cristã, O Período Interbíblico, Cristologia a doutrina de Jesus Cristo, Foco e Desenvolvimento no Novo Testamento,Doze Homens uma Missão, Geografia da Terra Santa e das Terras Bíblicas e Foco e Desenvolvimento do Antigo Testamento.

O novo produto poderá ser adquirido por meio do site da editora, na Livraria Hagnos [Rua Conde de Sarzedas, 135, Sé – São Paulo/SP] ou via Sociedade Bíblica do Brasil.

PublishNews | 18/08/2011