Pioneiro da Internet quer salvar os livros


Criador de uma página da memória da Internet agora quer salvar os livros de uma possível extinção

Objetivo é guardar uma cópia de todos os livros já publicados

Brewster Kahle

Em uma dessas reviravoltas da vida que fazem os produtores de Hollywood esfregarem as mãos antecipando uma grande história, um pioneiro da internet está juntando cópias de absolutamente todos os livros já publicados, salvando-os para um futuro em que o publicações em papel poderão se tornar artigo extinto.

Brewster Kahle é um dos cofundadores do Internet Archive, que já é um interessante projeto que salva para a posteridade a memória da internet [existe uma vasta biblioteca de versões antigas de páginas como o Yahoo, Google, Microsoft e até do Mc Donalds].

Brewster alugou um depósito em Richmond, na Califórnia, para guardar a preciosa coleção para as gerações futuras. O espaço já conta com 500 mil livros e ele calcula que será suficiente para guardar até 1 milhão de edições – pouco, se comparado com os 130 milhões de títulos disponíveis hoje segundo números do Google. Mas é um começo.

Cada uma das edições ganha um código de barras e é embalada em uma caixa de papelão, que depois é guardada em um container.

Ele justifica o trabalho dizendo que “sempre haverá espaço para os livros”.

A coleção não estará disponível para empréstimos, como em uma biblioteca; servirá para guardar a memória dos livros para um futuro onde eles poderão ter desaparecido completamente. Um banco de memórias similar à caverna do Ártico que serve de banco de sementes das espécies vegetais que existem hoje, chamada Silo Global de Sementes de Svalbard.

Por Leonardo Carvalho | Publicado originalmente em MSN Tecnologia | Fonte: Associated Press | 2/8/2011 13:12

Na Simon & Schuster, digital já representa 15% do faturamento


O grupo CBS apresentou os resultados do segundo trimestre, onde sua editora Simon & Schuster registrou um aumento de 12% nos lucros. A CBS disse que “o forte crescimento das vendas de produtos digitais mais lucrativos foi ofuscado pela queda nas vendas de livros impressos”, indicando que o aumento nos lucros foi resultado mais “da diminuição das despesas, como resultado da iniciativa da empresa de redução de custos, além do crescimento significante das vendas digitais.” As vendas de produtos digitais responderam por 15% do faturamento – 14% foram dos e-books – apresentando uma queda de 2% em relação ao trimestre anterior. Carolyn Reidy, CEO da S&S, disse: “vimos o mesmo acontecer no segundo trimestre do ano passado.” A sua teoria é que as vendas de novos e-readers no Natal estimula demais a compra, o que depois estabiliza ou até diminui à medida que os consumidores retornam ao seu comportamento padrão de compras. Como aconteceu no trimestre anterior, “a vendas internacionais realmente dispararam, lideradas pelo Reino Unido”, onde houve um crescimento de 32%.

Por Michael Cader | PublishersLunch | 02/08/2011

Por que o Facebook comprou uma editora de eBook?


O Facebook anunciou terça-feira, dia 2, a aquisição da Push Pop Press, uma editora de livros digitais especializada em livros interativos para iPad e iPhone. Podemos esperar que o Facebook passe a produzir e vender e-books em seu site, o que o colocaria na disputa com Apple, Amazon e Google? O Facebook nega, mas há razões para dúvidas. Nos últimos anos o Facebook já provou não ser apenas uma rede social, mas também um distribuidor de entretenimento. Ele tem uma das maiores plataformas de games do mundo, e mais no início deste ano também começou a testar filmes em streaming no seu site, em parceria com a Warner Brothers. As experiências do Facebook com diferentes formas de entretenimento indica que estão procurando outras formas de faturamento, que não apenas os anúncios. Mas é claro que não precisa ser dono de uma editora para distribuir livros. O Facebook tem outra vantagem como plataforma de entretenimento: sabe como ninguém, o que os seus clientes gostam e não gostam.

Por Nick Bilton | The New York Times | 02/08/2011

Perdeu o Congresso do Livro Digital?


A Câmara Brasileira do Livro disponibilizou no site do 2º Congresso Internacional CBL do Livro Digital o conteúdo de algumas das palestras do evento realizado na semana passada em São Paulo. Quem não pode participar ou quem quiser rever, encontra lá as seguintes apresentações: “Comportamento do consumidor”, de Dominique Raccah; “Como competir com a cultura do gratuito”, de Sandra Reimão e Nicholas Serrano; “O novo papel das distribuidoras e livrarias no mundo do livro digital”, de Pieter Swinkels, Diego Vorobechik e Marcos Pereira; “Comunidades verticais desenvolvidas por editores: Um mundo de novas oportunidades”, de Joseph Craven; “Marketing para o livro digital”, de Marha Gabriel; “Estratégias para redes sociais”, de Gil Giardelli, Michele Fernandes Aranha e Michel Lent; “O novo papel do editor”, de Riccardo Cavallero; “DRM soluções de equilíbrio e prevenção”, de Carlos Viceconti e Patricia Peck; e “Mídias sociais e conteúdo: Como as redes sociais permitem novos modelos de negócios, conceitos e mercados”, de Sol Rosenberg. Acesse aqui.

PublishNews | 02/08/2011

O que se ganha em um congresso?


Por Felipe Lindoso | Publicado originalmente em PublishNews | 02/08/2011

Nos dias 26 e 27 de julho passado aconteceu o 2º Congresso Internacional CBL do Livro Digital. Foram doze eventos, entre palestras e mesas-redondas, além da apresentação de trabalhos científicos em uma sala anexa. Boa frequência, apesar do preço salgado. Poucas perguntas e ainda menos discussões. A plateia permaneceu passiva depois da maior parte das palestras/mesas-redondas, e mesmo as perguntas feitas não provocaram grandes discussões.

Não pretendo comentar todas as palestras ou discussões. Quero apenas chamar atenção para alguns tópicos que me pareceram os mais interessantes.

O primeiro ponto a destacar é que esta segunda versão do Congresso do Livro Digital teve menos “vendedores de soluções” que o primeiro. Achei isso bem positivo. É um tanto abusivo pagar para ouvir um monte de gente querendo vender soluções desenhadas para outro ambiente de negócios e estágios tecnológicos muito diferentes dos que temos aqui.

Ainda assim, ausências se fizeram notar, principalmente a das empresas em desenvolvimento de distribuição e conversão de conteúdos digitais já presentes no Brasil. Não se teve notícias nem da empresa formada pelo consórcio que organizou a DLD – Distribuidora de Livros Digitais [Objetiva, Record, Sextante, Planeta, Rocco e L&PM], nem do “Minha Biblioteca”, a versão brasileira do programa iniciado pala Ingram nos EUA e que aqui inclui o GEN, Atlas, Grupo A e a Editora Saraiva. E também nada da Xeriph, distribuidora de conteúdo digital que não está vinculada a nenhum grupo editorial. Na minha opinião, faltou também outro tema relevante: o uso de conteúdo digital nas universidades públicas, já que há anos tanto a CAPES/CNPq quanto a FAPESP investem grandes somas na aquisição de revistas acadêmicas em formato digitalizado. Pode ser que em outro congresso os organizadores se lembrem disso.

Como acontece em qualquer evento do gênero, houve momentos interessantes e outros que chegaram a ser patéticos. Um deles, que vou me poupar de mencionar, me fez lembrar o movimento de criação de um partido anti-powerpoint que andou aparecendo na Europa, e “brindou” a plateia com uma dessas apresentações que às vezes aparecem na Internet, cheia de lugares comuns, fotos comovedoras e mensagens de autoajuda. Quase saí para entrar online e pedir filiação nesse partido…

Outra apresentação que chegou perto do patético foi a do representante da Digisign, empresa conceituada na certificação digital mas que, aparentemente, não sacou a dos e-books. Quer garantir a inviolabilidade do conteúdo com DRMs que funcionam com tokens ou somente online. Acabam inventando um e-book acoplado com jaca ou melancia. Imaginem se para ler um conteúdo for preciso fazer uma operação similar à de acessar a conta corrente bancária…

A palestra mais instigante e sensata, sem dúvida, foi a do Ed Nawotka, editor do Publishing Perspectives. Ed fugiu totalmente da futurologia e colocou de modo muito simples: os editores só podem – ou melhor, devem – se preparar para as contingências do futuro da edição digital com os mecanismos mais abrangentes de coleta de informações sobre seu público, com o uso amplo de metadados. Já comentei no meu blog que os editores brasileiros estão uns dez anos atrasados nisso.

Algo que perpassou várias palestras e mesas redondas foi a confusão – que acredito não deliberada, mas nem por isso menos daninha – entre os diferentes tipos de conteúdo digital que podem ser acessados pelo público leitor. Quando sabemos que o leitor de e-books mais popular no mundo é o Kindle, com sua tela sem cores e que privilegia totalmente a leitura de textos; quando sabemos que a iBookstore acoplada nos aparelhos da Apple perde feio para o iTunes, e que a venda de livros no iPad e nos iPhones está sendo muito menor que o esperado; quando sabemos que o Nook e o Kobo seguem pelo mesmo rumo do Kindle, eu me pergunto: a que vem tantas apresentações sobre “enhanced e-books” e sobre conteúdos compartilhados em redes digitais? Acredito que o conteúdo de livros didáticos e de livros infantis vá exigir telas coloridas [e a Amazon já prometeu seu tablet com essas características até o final do ano], mas, no momento e como tendência dominante, o que predomina é a leitura de texto. O resto, por enquanto, é jogo interativo online, o fenômeno “transmídia”, que ainda veremos no que vai dar.

Bob Stein, na palestra de abertura, se declarou muito feliz por ter sido pago durante anos para “pensar o futuro do livro” e veio com a ideia de que – no futuro, é claro – o conteúdo seria distribuído gratuitamente e que as pessoas pagariam para participar da “rede de leitores”. Nessa rede todos os leitores fariam anotações, comentários, glosas e o que mais lhes apetecessem acrescentar ao conteúdo original. Quem faz parte do Facebook [eu faço] sabe perfeitamente que a quantidade de comentários inanes que por ali circulam é enorme. Imaginem o sujeito ler um Balzac acompanhado de comentários mandando florzinhas ou sinaizinhos de “curti” a cada página? Se fosse um grupo fechado lendo um ensaio, vá lá. E mais, tanto o Kobo quando o próprio Kindle já permitem acesso – pelo menos parcial – a anotações de outros leitores. Se o Bob Stein ganhou para pensar isso, eu também quero me candidatar a pensador remunerado.

Uma palestra interessante foi a da Dominique Raccah – e mais como vice-presidente do BISG [Book Industry Study Group] que como CEO da Sourcebooks – por ter apresentado dados sobre a demografia comparada de leitores de livros em papel e e-books, mostrando que o fator preço é fundamental na adoção dos e-books. Os leitores do segmento trade – romances, ensaios, autoajuda, etc. – demandam sempre alguma espécie de conteúdo gratuito [download de capítulos, material adicional], além do preço substancialmente mais baixo. Esses leitores também são os que mais usam e-readers, enquanto os universitários acessam conteúdo digital principalmente através de laptops, notebooks e desktops.

A palestra de Joseph Craven [Sterling Publishing], sobre a construção de comunidades verticais desenvolvidas pelos editores em torno de livros ou coleções, também foi muito interessante. Tornou prática e consequente a conversa de uso das redes sociais no negócio de livros, chamando atenção para a interação entre o público leitor/consumidor e os editores, inclusive no que diz respeito ao conteúdo adicional aos livros.

Alguns dos palestrantes abordaram muito de leve uma questão que tem atraído bastante minha atenção. Atualmente, o segmento comercial/industrial que efetivamente está ganhando dinheiro com o conteúdo digital é o dos prestadores de serviço de acesso e as empresas de telecomunicação, que viabilizam esse acesso.

O fato é que uma parte dos custos de “logística” dos e-books é transferido para os consumidores de conteúdo digital que pagam pelo acesso à Internet. Esse é um negócio específico das empresas de telecomunicação e dos provedores de acesso. Essas empresas pressionam todos os produtores de conteúdo para receber um fluxo constante de conteúdo barato ou gratuito. Por sua vez, esse conteúdo gera mais tráfego na rede e agrega receita a essas empresas. Na discussão do conteúdo gratuito não podemos nos esquecer de que, como não existe almoço grátis, estamos pagando pelo acesso e também, com nossas contribuições blogueiras, no Facebook e no Twitter, para proporcionar conteúdo gratuito para essas gigantes que inexoravelmente apresentam suas contas.

Por Felipe Lindoso | Publicado originalmente em PublishNews | 02/08/2011

Felipe Lindoso

Felipe Lindoso é jornalista, tradutor, editor e consultor de políticas públicas para o livro e leitura. Foi sócio da Editora Marco Zero, diretor da Câmara Brasileira do Livro e consultor do CERLALC – Centro Regional para o Livro na América Latina e Caribe, órgão da UNESCO. Publicou, em 2004, O Brasil pode ser um país de leitores? Política para a cultura, política para o livro, pela Summus Editorial.

A coluna O X da questão traz reflexões sobre as peculiaridades e dificuldades da vida editorial nesse nosso país de dimensões continentais, sem bibliotecas e com uma rede de livrarias muito precária. Sob uma visão sociológica, este espaço analisa, entre outras coisas, as razões que impedem belos e substanciosos livros de chegarem às mãos dos leitores brasileiros na quantidade e preço que merecem.

Facebook compra editora de livros digitais para iPad


EUA: O Facebook confirmou nesta terça-feira [2] a aquisição da editora de livros digitais Push Pop Press. A empresa, que tem Mike Matas, ex-designer da Apple como sócio, lançou para iPhone e iPad um aplicativo do livro “Our Choce”, de Al Gore.

O aplicativo ganhou o prêmio de melhor design no evento WWDC, realizado pela Apple, em junho.

Embora a rede social não planeje lançar um livro, de acordo com comunicado da Push Pop, a tecnologia criada pela empresa irá “ajudar os usuários do site a publicar suas histórias de maneira mais rica“. Entre as possibilidades, a editora explica que “os usuários poderão navegar pelas notícias, fotos e vídeos de forma mais expressiva como o aplicativo ‘Our Choice’ [do livro de Al Gore]“.

O valor da aquisição não foi divulgado.

G1 | 02/08/2011

Facebook compra editora de livros digitais para iPad


Push Pop criou aplicativo de livro de Al Gore usando animações e vídeos.
Tecnologia serviria para compartilhar conteúdo na rede social.

Modelo visto em aplicativo de livro de Al Gore poderá ser implementado no Facebook. Foto: Divulgação

O Facebook confirmou nesta terça-feira [2] a aquisição da editora de livros digitais Push Pop Press. A empresa, que tem Mike Matas, ex-designer da Apple como sócio, lançou para iPhone e iPad um aplicativo do livro “Our Choce”, de Al Gore.

O aplicativo ganhou o prêmio de melhor design no evento WWDC, realizado pela Apple, em junho.

Embora a rede social não planeje lançar um livro, de acordo com comunicado da Push Pop, a tecnologia criada pela empresa irá “ajudar os usuários do site a publicar suas histórias de maneira mais rica“. Entre as possibilidades, a editora explica que “os usuários poderão navegar pelas notícias, fotos e vídeos de forma mais expressiva como o aplicativo ‘Our Choice’ [do livro de Al Gore]”.

O valor da aquisição não foi divulgado.

Portal G1, em São Paulo| 02/08/2011, às 17h11

eBooks no “Clique e Ligue”


Nessa edição do Clique e Ligue vamos mostrar como os tablets e e-readers estão abrindo novos horizontes para o mercado editorial. Além de criar oportunidades para uma nova geração de autores, o uso dessas tecnologias também altera a relação da sociedade com o livro, que além da versão impressa, agora também pode existir como um simples arquivo digital. Como as editoras e livrarias estão se preparando para atender a esse mercado? E o livro físico corre o risco de virar peça de museu? Além de discutir esses assuntos, o programa também mostra quais os equipamentos mais adequados para determinados tipos de leitores.

Clique e Ligue | 02/08/2011