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Dominique Raccah comenta os novos desafios das editoras e os maiores desejos dos leitores na era do livro digital

Dominique Raccah | Fotógrafo: Danilo Maximo

As transformações que o livro está sofrendo e como o consumidor está se comportando dentro deste novo cenário foram os temas da palestra de Dominique Raccah, CEO e publisher da Sourcebooks, durante o primeiro dia do 2º Congresso Internacional CBL do Livro Digital. Segundo Raccah, nunca houve tantas oportunidades para as editoras como existem hoje, mas para aproveitá-las é preciso entender o cenário e se perguntar “o que quer o consumidor?”.

Nos Estados Unidos, segundo Raccah, o perfil do leitor que usa um e-reader é, em média, uma mulher por volta dos 44 anos com renda acima da média e que, em geral, consome ficção. Esse também é o perfil do leitor fiel de livros impressos. As mesmas pessoas que visitam livrarias e colecionam livros em suas estantes estão agora lendo em Kindles, Nooks e outros leitores digitais. Para ela, essa escolha está acontecendo porque o e-reader traz algumas vantagens que saciam o desejo do leitor ávido: portabilidade, o acesso instantâneo a muitos títulos e a possibilidade de carregar vários livros ao mesmo tempo.

Além disso, a questão do preço também faz diferença na hora de escolher entre um livro digital e um impresso. Além de serem mais fáceis de carregar e armazenar, os e-books são mais baratos, e tudo isso junto faz com que, em países onde já está estabelecido, o mercado do livro digital não pare de crescer.

Dominique Raccah comparou a situação do Brasil com a dos Estados Unidos e disse que, apesar de ainda estarmos longe do patamar alcançado por seu país, o Brasil tem a chance de aprender com os erros e acertos das experiências vividas no exterior e avançar mais rapidamente.

A palestrante também usou sua própria vivência na Sourcebooks para comentar sobre qual é o papel e as possibilidades das editoras no mundo digital. Segundo ela, ao adicionar os e-books entre seus produtos em 2010, as vendas da Sourcebooks tiveram um aumento de 60%.

Raccah afirma que ainda que a plataforma seja diferente as editoras continuarão a fazer basicamente as mesmas coisas na era digital, pois os únicos pontos diferentes entre os livros impressos e os e-books são que os últimos eliminam a necessidade de impressão e distribuição física. O desafio maior, porém, será manter os preços baixos, uma vez que existe uma pressão para que e-books sejam baratos: “As pessoas acham que e-books são simples e não custam nada para serem feitos e por isso não deveriam custar nada para serem adquiridos”.

Ela contou que, normalmente, fazer um e-book é muito mais difícil do que parece por conta da enorme variedade dos formatos de venda. “Nos Estados Unidos, existem diferentes canais de distribuição de e-books e os vendedores usam variados formatos, o que significa que as editoras precisam produzir um formato diferente para cada um dos vendedores. Cada vez que aparece um novo vendedor, é preciso fazer um novo formato”.

Raccah acredita que o mundo digital não irá acabar com as editoras, mas sim abrir mais oportunidades e deixar a área muito maior do que era. Um livro digital pode vir com áudios e vídeos, ou pode virar um aplicativo para que os leitores possam interagir com o conteúdo. Para acompanhar essas mudanças, as editoras também devem evoluir e apostar em novas formas de interagir com os autores e consumidores. “Esse é um momento histórico e estamos vivendo essa transformação”.

Por Gabriela Nascimento | PublishNews | 27/07/2011