eBook não é assunto de editor


Por Cindy Leopoldo | Publicado originalmente em Publishnews | 26/07/2011

Alguém já me falou há anos que e-book não é assunto de editor, mas só agora confirmo. Faço zilhares de buscas por dia sobre o assunto e não é comum achar alguém de dentro das editoras usando com propriedade as novas palavras editoriais, tais como tablet, ePub, DRM etc.

Vejo que alguns amigos meus acham que as editoras estão inventando isso para lucrar ainda mais, mas, na verdade, assim como a indústria fonográfica queria continuar vendendo CDs, as editoras no geral queriam [e algumas ainda querem] continuar fazendo apenas os impressos. E-book é assunto de sites e revistas de tecnologia, se localiza mais ou menos entre a seção de smartphones e a de games, e é curioso ver a lista de tablets e e-readers à venda no mercado, porque, no Brasil, parece haver mais e-book readers do que e-books para serem lidos. Por quê? Simples, os e-readers são feitos por livrarias e por grandes empresas de tecnologia, e os e-books são feitos pelas editoras [pelo menos enquanto a pirataria não entra no jogo…]. E esse assunto pertence tanto à indústria mundial de tecnologia que o próprio ePub foi criado pelo consórcio IDPF [International Digital Publishing Fórum], formado por empresas como Google, Adobe etc.

Há quem compre a ideia de que a tecnologia melhora o mundo, e eu acho que ela o torna mais prático em muitos aspectos mesmo, mas sinceramente o mundo continua a mesma aristocracia de sempre. Um grupinho decide como a vida dos outros vai mudar para melhor, quando, através de que aparelho e por qual valor. As revoluções ocorridas no mundo da música e do livro são financiadas por empresas que querem vender seus iPods, Kindles etc. Essa aristocracia do moletom quer o mesmo que as outras quiseram: vencer. De alguém. Contabilizando essa vitória em dólares.

E como as editoras ficam no meio disso? Reféns? De certa forma. Mas são também uma grande indústria, baseada há anos nas também aristocracias cultural e / ou artísticas. Sabendo avaliar e usar bem as potencialidades da tecnologia e buscando ouvir seu consumidor, pode até vender mais que antes e alcançar novos patamares de lucro, vencendo até mesmo a considerada mais poderosa e destrutiva aristocracia da pirataria.

Por Cindy Leopoldo | Publicado originalmente em Publishnews | 26/07/2011

Cindy Leopoldo é graduada em Letras pela Universidade Federal do Rio de Janeiro [UFRJ] e pós-graduada em Gerenciamento de Projetos pela Universidade Federal Fluminense [UFF]. Trabalha em departamentos editoriais há 7 anos. Escreve quinzenalmente para o PublishNews, sempre às terças-feiras.
A coluna Making of trata do mundo que existe do lado de dentro das editoras. Mais especificamente, dentro de seus departamentos editoriais.