Programa Mod MTV Livros


Vídeos do VodPod não estão mais disponíveis.

Primeira parte do programa MOD MTV exibido em Julho/2011 onde o autor Nicholas Carr aborda as diferenças da leitura no papel pela leitura na tela. Ann Thornton, da Biblioteca Pública de Nova York, mostra os benefícios do acervo virtual.

“Desvendando a adoção do Livro Digital”


Desvendando a adoção do Livro Digital – Uma Experiência Empírica utilizando um modelo em equações estruturais” foi o vencedor do trabalho científico no 2º Congresso Internacional CBL do Livro Digital, a apresentação aconteceu em uma sessão especial, e teve como objetivo estimular a divulgação de pesquisas e trabalhos inéditos empíricos ou conceituais.

Os seis melhores trabalhos foram apresentados durante o Congresso. Autora do trabalho classificado em segundo lugar, denominado “Desafios do Digital na democratização da divulgação científica no Brasil”, Nathalie Reis fala de sua satisfação: ”fiquei muito feliz e um pouco surpresa, pois a qualidade dos demais trabalhos também era muito boa. Podemos contribuir, inclusive através de parcerias, na ampliação da leitura no Brasil. Foi uma iniciativa muito interessante essa aproximação da indústria editorial brasileira, através da CBL, com a universidade. Há muito o que pesquisar sobre o livro digital no Brasil”. Primeiro e segundo lugares serão publicados pela Revista Rege da USP.

CBL | 30/07/2011

Entrada da Amazon na Itália estimula queda de preços


Itália: Horas antes de Ricardo Cavallero, gerente geral da Mondadori, embarcar para São Paulo – onde participou na quarta do Congresso Internacional do Livro Digital -, a gigante italiana assinou com a Amazon contrato para venda de 2.000 títulos para Kindle.

Há nove meses vendendo eBooks, a maior editora da Itália pretende lançar no formato outros 1.000 dos 10 mil títulos de seu catálogo até o fim do ano – quando a Amazon, no país desde novembro, deve iniciar a venda do Kindle. “Não houve razão para assinarmos o acordo antes de termos certeza de que eles entrariam no mercado italiano“, disse Cavallero à coluna.

Ciente das dificuldades da varejista de fechar contratos no Brasil, o gerente compara a situação aqui com a dos EUA em 2009. “A tendência é que as editoras batalhem pelo direito de definir os preços sem que ninguém possa mudá-los. O problema dessa típica reação de defesa da indústria é que, para que esse mercado dê certo, os preços precisam cair. Está provado que as pessoas gastam no máximo 10 dólares ou euros em compras pelo celular.

Hoje, a Mondadori dá descontos de 50% em todos os seus e-books. Quer reduzir ainda mais os preços até o fim do ano.

Por Raquel Cozer | O Estado de S.Paulo | 30/07/2011

O passado e o futuro


Sai Roger Chartier, entra Bob Stein. Com a mudança de agosto para outubro, a 1.ª Festa Literária Internacional de Cachoeira [Flica]perdeu o francês historiador do livro, mas garantiu o americano pioneiro em estudos sobre e-books. Em comum, os dois creem que o digital vai gerar um novo tipo de obra literária, mas Stein é mais radical. No Congresso do Livro Digital, ele mostrou não ver lugar para o impresso no futuro.

Por Raquel Cozer | O Estado de S.Paulo | 30/07/2011

As vendas por aqui


Na Cultura, 15 mil e-books foram vendidos este ano. Mauro Widman, coordenador da área na livraria, diz que as vendas dobram a cada dois ou três meses. A previsão é que, até dezembro, a comercialização de digitais chegue a 1% do faturamento da loja. Parece otimismo: ficaria em torno de R$ 3 milhões, se levado em conta o faturamento de 2010.

*

As editoras que mais vendem livros digitais na Cultura são a KBR, cujos títulos não passam de R$ 12, e a Zahar, devido aos preços e ao alto número de títulos no formato: 300.

*

Os e-books “made in Brazil” não chegam a 2% do total de títulos digitais oferecidos pela Cultura e pela Saraiva. Embora os importados dominem, suas vendas são menos expressivas. Cerca de 70% dos títulos no formato vendidos nas duas lojas são nacionais.

*

Segundo a Saraiva, há dez títulos nacionais cujas vendas em e-book já equivalem a mais de 5% das de papel no mesmo período.

Por Raquel Cozer | O Estado de S.Paulo | 30/07/2011

Enquanto isso, no Brasil…


Apesar de a Amazon ainda não ter chegado de fato ao Brasil, sua presença no País é significativa entre livrarias virtuais. Segundo o Google AdPlanner, que estima audiência de sites, a loja americana tem aqui mais visitantes únicos por mês [1,9 milhão] que a Cultura e a Fnac [com 1,2 milhão cada uma]. A Saraiva fica na frente das três, com 4,6 milhões.

Hoje, a Mondadori dá descontos de 50% em todos os seus e-books. Quer reduzir ainda mais os preços até o fim do ano.

Por Raquel Cozer | O Estado de S.Paulo | 30/07/2011

Prêmio dará R$ 30 mil para projetos de incentivo à leitura


Estão abertas até 10 de agosto as inscrições para o Prêmio Vivaleitura, que tem como objetivo incentivar a leitura no País. Essa é a sexta edição da premiação, que neste ano vai reconhecer pela primeira vez trabalhos desenvolvidos em ambientes virtuais como blogs ou redes sociais.

Podem se inscrever pessoas físicas, empresas, instituições e órgãos públicos em três diferentes categorias: bibliotecas, escolas e sociedade. Esta última inclui empresas, organizações não-governamentais [ONGs], pessoas físicas, universidades e instituições sociais. A lista dos 15 finalistas será divulgada em outubro e o resultado final, com o vencedor de cada categoria, em novembro. Cada um receberá um prêmio no valor de R$ 30 mil.

As inscrições podem ser feitas no site http://www.premiovivaleitura.org.br ou por carta registrada para o seguinte endereço: Caixa-Postal 71037-7 – CEP 03410-970 – São Paulo – SP. Mais informações na página do prêmio ou pelo telefone 0800 7700987.

O Vivaleitura é promovido pela Organização dos Estados Ibero-americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura [OEI] e os ministérios da Cultura e da Educação, com patrocínio da Fundação Santillana e apoio do Conselho Nacional de Secretários de Educação [Consed] e da União dos Dirigentes Municipais de Educação [Undime].

Por Amanda Cieglinski | Agência Brasil | 30/07/2011 | Edição: João Carlos Rodrigues

200 mil downloads gratuitos, 2.500 livros vendidos


Formada por três profissionais de menos de 30 anos, equipe do Grupo A brinca com diferentes tecnologias para livro digital e comemora acertos

Bruno Weiblen tem 27 anos e é gerente de Novos Negócios do Grupo A, que congrega as editoras Artmed, Bookman, Artes Médicas, McGrawHill, Penso e Tekne. Em sua equipe estão dois Felipes – o Couto, de 28 anos [e há 13 na empresa!], e o Flesch, de 22 [que trocou a área de vendas da Colgate pelos e-books]. Juntos, os três são responsáveis pelos projetos digitais do grupo gaúcho.

Já experimentaram PDF, ePub e aplicativo para os diferentes sistemas operacionais. Vendem na AppStore, na Saraiva e no site da própria editora. Fazem parte do projeto Minha Biblioteca, de fornecimento de acervo digital para bibliotecas universitárias. Devem lançar em agosto o primeiro aplicativo para Android e em breve outro para o Windows Phone 7. E ainda querem fazer livros para serem lidos em desktop, em Mac e onde mais o leitor pedir.

A primeira brincadeira da equipe com aplicativos, apresentada em agosto de 2010, quando a empresa também anunciou o investimento de R$ 100 mil na digitalização de seu catálogo, custou caro [criar um aplicativo é quase como criar um software], mas deixou todos felizes. De cara, fizeram dois para um mesmo livro: um gratuito e outro pago. “A AppStore tem um volume alto de acessos, e para conteúdo gratuito esse número é ainda muito maior. Criamos o aplicativo grátis para fortalecer a marca e para levar as pessoas para a loja dos aplicativos pagos”, contou Felipe Flesch.

O resultado: 200 mil downloads gratuitos e 2.500 vendidos [a US$ 24,99] do Medicamentos de A a Z, e não só para o Brasil, mas também para os Estados Unidos, Argentina, China e Índia, entre outros. Lembrando que 2.500 é a tiragem média de um livro impresso, e ela nem sempre se esgota. A divulgação por aqui foi quase zero – mandaram apenas para o mailing. Foi a movimentação na própria AppStore que cuidou de manter o produto em destaque.

Mas este não é o único aplicativo do Grupo A. Há também o A psicanálise na terra do nunca, lançado em dezembro de 2010, e o Psicofármacos – Consulta rápida, de março deste ano. Outros devem ser criados sempre que um livro “pedir”, já que alguns funcionam melhor em PDF, outros em ePub. Na livraria digital de seu site, já são quase 250 títulos que custam 20% menos do que as versões impressas.

É uma iniciativa empreendedora do Grupo A e estamos dando a cara para bater”, comentou Felipe, que participou do 2º Congresso Internacional do Livro Digital nesta semana ao lado do colega Felipe Couto, convidado a integrar a equipe porque com sua experiência de 13 anos na empresa – começou como estagiário e passou por diversas áreas, inclusive a de diagramação, conhece de trás para a frente o catálogo das editoras do grupo e ajuda a pensar em quais formatos eles podem ser relançados.

Por Maria Fernanda Rodrigues | PublishNews | 29/07/2011

Site de J.K.Rowling com “experiência” Harry Potter é lançado no domingo


J.K.Rowling, autora dos livros Harry Potter, comemora aniversário com lançamento de site

O próximo domingo [31] será uma data bem importante para os fãs de Harry Potter. Neste dia, a autora J.K. Rowling faz aniversário e dá início à experiência do site Pottermore, que deve trazer mais histórias do bruxinho e sua turma.

Rowling já anunciou que, a partir de outubro, o site estará aberto a todos, e será uma oportunidade para conhecer histórias de Harry Potter que não estão nos livros e até de escrever e dividir outras narrativas. No entanto, a partir deste domingo, o site deve informar como o leitor pode acessar o site antes de outubro.

Ficou curioso? Cadastre-se em www.pottermore.com e não deixe de dar um pulinho por ali no domingo.

ENCONTRO

Para comemorar, fãs da saga vão se reunir no cinema Cinesystem do Galleria Shopping, em Campinas [SP], a partir das 12h30. Membros do fã-clube P3V e do site Potterish vão estar lá.

Às 14h, haverá uma sessão de “Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2”.

PARA CONFERIR
Encontro de fãs de Harry Potter
Onde: Cinesystem do Galleria Shopping [rod. D. Pedro 1, km 131,5, Jd. Nilópolis, Campinas – SP; tel.: 0/xx/19/4003-7053]
Quando: domingo, às 12h30
Quanto: grátis [encontro]

Folha.com | 29/07/2011 – 15h51

Vendendo para seres “ciber-híbridos”


Para Martha Gabriel, estamos entrando na era do “qualquer lugar, qualquer hora e por qualquer pessoa”

Martha Gabriel | Foto: PublishNews

Revoluções são irreversíveis e com a era digital é a mesma coisa. Não tem volta. Ou a gente vira letrado digital, ou fica tão analfabeto quanto eram as pessoas que não sabia ler na era do livro. A gente precisa aprender a andar de bicicleta, e com ela em movimento”, afirmou Martha Gabriel, diretora de Tecnologia da New Media Developers, em sua palestra “Marketing para o Livro Digital”, ontem, durante o 2º Congresso Internacional do Livro Digital.

Segundo ela, estamos entrando na web 3.0, cuja característica é “qualquer lugar, qualquer hora, por qualquer pessoa e qualquer coisa”. Ainda que não tenha foco exclusivamente em estratégia para editoras e e-books, a palestrante comentou sobre como o mundo digital mudou o marketing e de que forma todas as empresas, sejam elas editoras ou não, podem aproveitar essas mudanças. Para ela, não existe mais mídia de massa – onde a marca procura as pessoas -, mas sim a “My Mídia” ou “Era da Participação”, onde são as pessoas que procuram as marcas.

Para se dar bem neste cenário, é preciso adquirir capital social capaz de fazer as pessoas irem, por vontade própria, atrás da sua marca. “O consumidor está no comando. O consumidor escolhe onde ele vai estar, mas no momento em que ele resolveu falar com você, você pode dar para ele uma experiência receptiva bacana”, explicou a palestrante. Para isso, é necessário conhecer o seu cliente e, mais, entender o que é relevante para ele naquele instante. Não basta segmentar, segundo Martha Gabriel, porque as pessoas não “são”, as pessoas “estão” e mudam de ideia e interesses rapidamente.

As editoras precisam estar em sincronia com seus consumidores e o mundo digital, por conta das novas tecnologias, permite isso. Sabendo onde as pessoas estão é mais fácil vender para elas. “Mercado era como filho pequeno, a gente colocava a roupa, dizia o que ele tinha que fazer e acabou. Agora o mercado é como filho adolescente, ele retruca e você precisa argumentar e conquistar aos poucos. Dá mais trabalho”, comparou. “A metodologia no marketing continua igual, o que mudou é que o público-alvo não é mais só alvo, mas passou a ser mídia e gerador de conteúdo”.

Mas mesmo com um público ativo, ela afirma que o mundo digital é uma vantagem para qualquer marca, pois estas ganharam mais pontos de contatos e a oportunidade de estar com seu consumidor 24h por dia. Para entender as necessidades e os desejos do cliente e saber o que dar para ele em todos os momentos, é necessário entender que a internet e as novas tecnologias tornaram as pessoas seres “ciber-híbridos”, usuários não mais de uma, mas de várias plataformas digitais. E essa conectividade pode ser uma oportunidade para quem tiver interesse em atingir e vender para o público. Basta saber aproveitar.

Por Gabriela Nascimento | PublishNews | 28/07/2011

“Demita quem não usa Facebook”


Riccardo Cavallero, da Mondadori, falou sobre o novo perfil do editor

Riccardo Cavallero, da Mondadori | Foto: PublishNews

Nós não conhecemos o livreiro e o distribuidor e agora temos que conhecer o consumidor”, brincou o diretor da italiana Mondadori [cuja sede fica em um prédio projetado por Niemeyer], Riccardo Cavallero, no encerramento do 2º Congresso Internacional do Livro Digital. Ele foi convidado a falar sobre o papel do editor neste novo momento da indústria do livro e disse que o primeiro passo é entender que mudanças estão acontecendo e que não é mais possível manter distância dos consumidores. “Demita quem não usa Facebook”, disse. “Pensamos: Não está acontecendo comigo. Acontece nos Estados Unidos, mas não no meu país. Acontece com a indústria da música, mas não com a do livro”, completou.

Mas está acontecendo e quem não entrar na dança tem muito a perder. Ele comentou que novos players sem tradição vão chacoalhar as editoras, mas pode ser que eles não estejam vivos quando o mercado encontrar novamente a estabilidade. E que o jeito mais eficaz de morrer antes da hora é investir em um diretor digital. “O melhor é saber que seu editor tem mente digital, e não ter um diretor digital”.

Para Cavallero, os editores devem estar preparados para trabalhar em uma empresa orientada para dados, para perder o controle do território e para entrar em novos territórios. “Temos um longo caminho a seguir. Sei que haverá um editor no futuro, só não sei se eu serei o editor”.

Ele comentou que o Brasil e a Itália, e outros países, estão vivendo mais ou menos no mesmo período da era digital e que por causa de suas línguas menores não sofrem a pressão sentida pelos Estados Unidos e Inglaterra. Disse ainda que é preciso ter em mente que o aumento do consumo não significa exatamente aumento do faturamento, que enquanto se investe em canais digitais é preciso manter o modelo tradicional de distribuição e que vem do impresso o dinheiro que será investido no e-book. “Mas publique tudo, publique simultaneamente e publique barato”, completou.

Por Maria Fernanda Rodrigues | PublishNews | 28/07/2011

Construindo uma comunidade de leitores


Joseph Craven dá dicas de como editoras podem montar comunidades verticais e lucrar com isso

Joseph Craven | Foto: PublishNews

Uma grande oportunidade para as editoras no mundo digital é a possibilidade de criar websites voltados para pessoas que procuram informações detalhadas sobre assuntos que lhe interessam. Foi isso que disse Joseph Craven, vice-presidente da Sterling Publishing, editora da Barnes & Noble, em sua palestra “Comunidades verticais desenvolvidas por editores: Um mundo e novas oportunidades”, durante o 2º Congresso Internacional do Livro Digital. “Como editoras, nós não somos impressoras de livros, mas criadoras de conteúdo e nosso trabalho, agora, é entregar esses conteúdos em diversos formatos e plataformas”, explicou.

Para ele, deve existir um casamento entre novas ideias e conteúdo de qualidade, pois formas inovadoras não valem nada se não existir o conteúdo. Mas este também não tem valor se não for distribuído. Num mundo digital, é preciso aproveitar as oportunidades de distribuir esses conteúdos para as pessoas e entre as opções disponíveis no mercado atual para realizar essa ação estão os e-books, aplicativos e as comunidades verticais, assunto sobre o qual veio falar no Brasil.

As comunidades são websites criados pelas editoras com o objetivo de atrair pessoas com interesses específicos sobre o qual querem saber mais. Esses sites podem ser focados em um determinado gênero de literatura, em um único autor, ou mesmo em dicas e serviços relacionados a hobbies e profissões. Craven, que traz no currículo a experiência de criação de uma comunidade de amantes da fotografia no Pixiq, explicou que para que esse tipo de investimento dê certo, é preciso conhecer o seu público e entender seus interesses e gostos. Uma editora especializada em livros de viagens pode, por exemplo, criar uma comunidade para que pessoas que gostam de viajar troquem informações sobre destinos e passeios. Independente do assunto, é importante que o site proporcione para as pessoas a sensação de que fazem parte de uma comunidade e que esta comunidade é única e tem atrativos que não podem ser encontrados em outro lugar.

Por si só, a criação dessas comunidades pode parecer um investimento que não trará retorno financeiro, mas, segundo Craven, a editora pode usar essas comunidades para divulgar sua marca e vender, indiretamente, seus livros. Uma editora com um forte acervo de livros de ficção científica pode criar uma comunidade para fãs do gênero e, lá mesmo, divulgar e vender seus lançamentos. Porém, ele afirma que é necessário tomar cuidado ao oferecer suas publicações, pois o site deve ser uma comunidade e não uma livraria, e uma estratégia de venda direta e agressiva pode espantar as pessoas.

Além da venda de livros e publicidades, ele sugeriu que as editoras interessadas nesse tipo de negócio pensem em estratégias diferentes, como oferecer conteúdo especial para quem quiser ser assinante, vender produtos de terceiros que tenham relação com o conteúdo do site, licenciar o que é produzido para outros sites e promover eventos e festivais não virtuais para os integrantes das comunidades.

Para os interessados em montar seus sites, Craven contou que a primeira coisa que deve fazer é encontrar uma lacuna no mercado, focar em um assunto cuja demanda exista, mas que ainda não seja suprida por ninguém. Depois, é necessário fazer um plano de negócios adaptável, com o objetivo de dar uma ideia do que será feito, mas aberto para mudanças ao longo do caminho. É essencial que a editora tenha objetivos claros com esse projeto, que escolha bem a equipe que irá produzir e administrar o site, e que também tenha certeza de que ele é funcional e que o conteúdo pode ser facilmente identificado e encontrado. Para as editoras brasileiras, ele sugeriu também a possibilidade de fazer acordos com empresas estrangeiras que já tenham uma comunidade parecida com o que desejam fazer e investir na tradução desse conteúdo.

Na hora de lançar o site, Craven diz que é imprescindível ouvir a comunidade e ser capaz de se adaptar perante as críticas, além de saber que, num site, o trabalho nunca acaba: “Não é um livro, é um organismo vivo e as pessoas querem que aquilo seja renovado”.

Por Gabriela Nascimento | PublishNews | 28/07/2011

Um ano depois…


O que mudou no mercado editorial brasileiro entre o 1° Congresso Internacional do Livro Digital e a edição que se encerra agora

Em um ano, o brasileiro parou de discutir se a chegada do livro digital representaria o fim do livro físico e colocou a mão na massa. No longínquo março de 2010, a Câmara Brasileira do Livro [CBL] e a Feira do Livro de Frankfurt realizaram o 1º Congresso Internacional do Livro Digital e o clima era de incertezas, com a maioria dos editores ainda sem coragem de arriscar e de investir dinheiro em experimentos.

Mesmo com poucos títulos convertidos para e-books, as livrarias começaram a se mexer. Em abril, a Gato Sabido deixou de reinar sozinha e teve de dividir os clientes com a Livraria CulturaA eBookstore da Saraiva seria inaugurada um mês depois. Hoje, até Ponto Frio, Casas Bahia e Extra vendem livro digital. E Ricardo Eletro, que passou a vender livros este ano, tem planos de incluir as versões digitais em seu site. E tem mais: hoje, até editoras vendem e-books diretamente para o leitor final a partir de seus sites, como é o caso da pioneira Ciência Moderna e do Grupo A.

As distribuidoras Xeriph e DLD também chegaram em 2010 para ajudar as editoras, que já conseguiram produzir, no total, 4 mil títulos em português. O número é pequeno se comparado ao de títulos importados à venda por aqui. Na Saraiva, por exemplo, eles superam os 220 mil. Essas mesmas editoras mandaram seus funcionários estudar, e nisso quem se destacou foi a gaúcha [e italiana] Simplissimo. Ela levou seu curso de produção de e-books para São Paulo e para o Rio e pode continuar viajando se conseguir fechar turmas em outros estados.

Dados de vendas ainda são um mistério, mas boas surpresas aparecem pelo caminho. O Grupo A, por exemplo, produziu um aplicativo para o livro Medicamentos de A a Z e vendeu nada menos do que 2.500 unidades só na AppStore [ele custa US$ 24,99].

As bibliotecas não ficaram de fora do movimento. Neste ano, Saraiva, Atlas, Grupo A e Gen criaram a Minha Biblioteca, uma empresa que pretende vender catálogos digitais para bibliotecas universitárias e que acaba de assinar contrato com a Ingram para a parte tecnológica.

Isso sem contar o interesse da Amazon e da Google, que estão contratando profissionais para atuar no Brasil, e da Kobo, que está trazendo o holandês Pieter Swinkels para cuidar de suas operações na América Latina.

Agora só falta o e-reader ficar mais barato, as editoras encontrarem um ponto de equilíbrio entre o preço do livro físico e do digital, os contratos serem resolvidos e o governo lançar edital para compra de obras digitais.

Ilustração: Jonas Meirelles – http://www.jonasilustracao.blogspot.com

Por Maria Fernanda Rodrigues | PublishNews | 28/07/2011

A terceira onda dos eBooks


Apesar de uma maratona de ideias [nas palestras e painéis] e de boas e agradáveis conversas no backstage do Congresso Internacional CBL do Livro Digital, que terminou hoje, eu cheguei a uma conclusão dolorosamente simples:

A verdadeira revolução dos eBooks ainda não chegou no Brasil!

É muita marca, muita plataforma, muita solução, muita rede social, muito marketing, muito falatório, muitas ‘apps’… para poucos e bons livros.

Em breve, quero publicar um artigo onde eu defendo a tese [um ponto de vista bem pessoal] de que nem a primeira geração de eBooks, e nem esta sua segunda geração, conseguiu efetivamente substituir o livro impresso, de papel, em eficiência, portabilidade e, acima de tudo, em legibilidade. E me parece que o que está substituindo o livro impresso em papel é a maledicência.

Escreverei, neste artigo, sobre o que eu considero que vem por aí, o que eu chamarei de A Terceira Onda dos eBooks. Ela é ainda maior que todas as tentativas anteriores juntas. E esta sim irá devastar, de uma vez por todas, qualquer vestígio de ausência de interoperabilidade entre hardware, software e conteúdo.

Falo sobre o assunto assim que eu tiver tempo.

Agora, eu preciso assistir desenho com o meu filho; e descansar.

Ednei Procópio

É preciso flexibilizar a propriedade intelectual


PROFESSOR DE HARVARD DIZ QUE PROIBIÇÃO CRIA “GERAÇÃO DE CRIMINOSOS” E DEFENDE CULTURA DO COMPARTILHAMENTO

Lessig dá palestra no Aspen Ideas Festival, nos EUA. Photo: Leigh Vogel | Getty Images

Lawrence Lessig, 50, professor de direito de Harvard [EUA], defende a flexibilização das regras de propriedade intelectual.

Autor de livros como “Remix”, disponível gratuitamente sob uma licença da “Creative Commons”, Lessig diz que é preciso haver liberdade para que a cultura comercial conviva com a do compartilhamento – que ganha cada vez mais espaço na internet.

Lessig, que virá ao Brasil para o fórum HSM Negociação 3.0, que acontece em 23 e 24 de agosto, falou com exclusividade à Folha. A seguir, trechos da entrevista:

Propriedade intelectual

Precisamos de mais pensamento empírico e menos religião no que diz respeito à propriedade intelectual.

É verdade que, com a internet e as tecnologias disponíveis, as empresas têm hoje menos condições de “controlar” o uso de suas marcas.

Mas, junto com o risco, vem uma grande oportunidade para as companhias. Quando 50 mil pessoas no Facebook voltam as atenções para um produto porque amigos usaram a marca [em um “remix”] e recomendaram [o vídeo] ao seu círculo de contatos, isso é mil vezes mais eficaz que o resultado obtido através de um anúncio.

Compartilhamento

Exceto em questões de privacidade, espero que nunca tenhamos um mundo onde seja possível controlar o uso de ideia. Leis de direitos autorais não controlam ideias; patentes regulam só invenções. E a lei das marcas registradas assegura somente a integridade na esfera comercial.

As ideias devem se espalhar livremente pelo globo.

Propriedade intangível

A lei sempre compreendeu a diferença entre o que é propriedade tangível e o que é intangível, e essas diferenças devem ser protegidas.

A mudança, hoje, é que estamos rodeados por muito mais propriedade intangível do que antes, e as leis que regulam o que é intangível foram criadas para o mundo antigo, e não para o novo.

As pessoas e as empresas sentem a mudança, que é profunda, e se dividem em dois grupos: o que tenta fazer valer as velhas regras no novo mundo e o que tenta descobrir as regras certas para o novo mundo. Eu faço parte do segundo grupo.

Geração de criminosos

Vivemos uma era em que nossos jovens deixaram de ver televisão para fazer televisão. E temo que estejamos produzindo uma geração de criminosos por causa do sistema de regulação desatualizado.

A lei do direto autoral poderia ser atualizada para servir melhor aos interesses de artistas e evitar transformar crianças em criminosos. Deveríamos estar fazendo isso.

Ideias como “uso justo” têm que ser centrais e protegidas para possibilitar a existência de ambas as culturas criativas: a comercial e a do compartilhamento.

E é preciso haver liberdade, que significa permissão para qualquer um usar sua capacidade de criar.

O “Creative Commons” oferece a autores a possibilidade de marcar seus conteúdos com as liberdades que pretendem que a obra carregue.

RAIO-X LAWRENCE LESSIG

IDADE | 50 anos

ATUAÇÃO | Diretor do Edmond J. Safra Center for Ethics e professor de direito de Harvard

FORMAÇÃO | Direito, economia e mestrado em psicologia

POR CAROLINA MATOS, DE SÃO PAULO | Publicado originalmente em Folha de S.Paulo | São Paulo, quarta-feira, 27 de julho de 2011

Bateria transparente e flexível funciona, diz estudo nos EUA


Protótipo criado por pesquisadores da Califórnia tem como base o lítio, tal como baterias de laptop atuais

Princípio poderia ser usado para criar, por exemplo, smartphone dobrável ou telas que parecem placas de vidro

Uma bateria transparente e tão flexível que poderia ser enrolada e enfiada no bolso é a aposta de pesquisadores da Universidade Stanford [EUA] para a próxima geração de smartphones e outros eletrônicos portáteis.

O grupo liderado por Yi Cui apresentou a ideia em artigo na edição desta semana da revista científica “PNAS”. O protótipo da bateria conseguiu alimentar um LED [componente emissor de luz comum em vários aparelhos, como controles remotos].

A tecnologia, segundo seus criadores, poderia chegar ao mercado em até quatro anos. Como é baseada em lítio, mesmo elemento-chave das baterias dos laptops e outros eletrônicos, seria relativamente fácil adaptá-la aos produtos já existentes.

ÚLTIMA BARREIRA

Hoje, a necessidade de baterias é a última barreira para a criação de aparelhos flexíveis e transparentes. O problema, escrevem os pesquisadores na “PNAS”, é a densidade de energia que é possível “empacotar” no objeto.

Isso porque, em tese, para que uma quantidade decente de energia caiba na bateria, ela precisa ser relativamente grossa. E, com componentes espessos, o olho humano acaba captando o conjunto como algo opaco, e não transparente.

Os pesquisadores de Stanford conseguiram contornar o problema fazendo com que os eletrodos da bateria formassem um padrão de xadrez com linhas extremamente finas, que o olho nu não capta.

Essas linhas foram desenhadas sobre um composto de silício que já é muito usado pela indústria.

Usaram também um gel transparente e uma embalagem de plástico para o conjunto, que garantem a flexibilidade do componente.

Ainda assim, a densidade de energia fica um pouco prejudicada. É preciso levar em conta a relação custo-benefício entre transparência e potência – segundo Cui, uma transparência de uns 70% é o ideal por enquanto.

POR REINALDO JOSÉ LOPES, EDITOR DE CIÊNCIA E SAÚDE | Publicado originalmente em Folha de S.Paulo | São Paulo, quarta-feira, 27 de julho de 2011

“O próximo sucesso editorial pode ser de qualquer país, inclusive do Brasil”


Jurgen Boos, presidente da Feira do Livro de Frankfurt, participa da abertura do Congresso do Livro Digital ao lado de Karine Pansa, da CBL

Jurgen Boos

Na abertura do 2º Congresso Internacional do Livro Digital, a presidente da Câmara Brasileira do Livro, Karine Pansa, comentou que este é um momento de transformação para a indústria do livro. “Hoje, paramos para estudar e aprender toda essa movimentação pela qual o mercado está passando e cabe à CBL prover essas informações.” Ao seu lado estava o presidente da Feira do Livro de Frankfurt, Juergen Boos, que começou perguntando se a plateia sabia qual era o market share do livro digital no Brasil. Silêncio.

Boos, que já participou do congresso no ano passado, sugeriu que editores mirem mercados que não os de língua inglesa na hora de comprar os direitos de um livro. Isso porque o número de pessoas que lêem em inglês está aumentando e a facilidade de acesso a essas edições estrangeiras faz com que os leitores optem pela edição original ao invés de esperar que o livro seja traduzido, editado e que chegue às livrarias de seu país [sempre a um preço mais alto]. “Pode ser mais interessante para uma editora francesa comprar os direitos de um livro italiano do quede um em inglês”, comentou. “O próximo sucesso editorial pode ser de qualquer país, inclusive do Brasil”.

Ele comentou que em suas andanças tem percebido que o Brasil aparece nas conversas como um mercado de interesse das editoras estrangeiras por sua economia forte e pelo programa de apoio à tradução, visto por ele com otimismo, e ainda por outros motivos. Ele lembrou ainda que a globalização ajudou no aparecimento de novos e bons tradutores, e não só de inglês, e que esta é uma boa oportunidade de divulgar os autores de seus países e de conhecer os de outros lugares. Aos editores e agentes, deixou a dica: “Só o contato pessoal faz a diferença na hora de vender os direitos de um livro”. A Feira de Frankfurt está aí…

Por Maria Fernanda Rodrigues | PublishNews | 27/07/2011

Livros e redes sociais


A chave para se adequar ao novo papel das editoras é, segundo Sol Rosenberg, o uso de redes sociais para descobrir e focar nos gostos e interesses do consumidor

Sol Rosenberg

Muito do que aconteceu em outras partes do mundo irá acontecer no Brasil, provavelmente em menos tempo, afirmou Sol Rosenberg, vice-presidente de Negócios, Desenvolvimentos e Conteúdo do Copia Interactive em sua palestra “Mídias sociais e conteúdo” nesta terça-feira, dia 26, durante o 2º Congresso Internacional do Livro Digital. Segundo ele, a vantagem de estar atrás de países como os Estados Unidos no estabelecimento do mercado do livro digital é que, assim, o Brasil tem o acesso ao que chamou de “jornal do amanhã”. E assim pode se inspirar nos modelos bem sucedidos e tentar evitar aqueles que não deram certo.

“Eu encaro as coisas como o que aconteceu com a televisão. Os programas de televisão tinham só uma câmera no meio de um palco. Aos poucos, foram sendo incorporadas mais câmeras, os profissionais começaram a usar novos enquadramentos e adicionaram narração e efeitos especiais. Depois, surgiu a TV a cabo e todo mundo pensou que era o fim da televisão aberta. Hoje, temos a internet e o Youtube. Essas evoluções vão acontecer com a indústria do livro”, comentou.

Para Rosenberg, o caminho que as editoras devem seguir para conseguir novos leitores é apostar na segmentação: “É preciso pensar em cada cliente como exclusivo. É preciso focar na personalização, atender comunidades menores e até mesmo ter como alvo uma só pessoa”. Para isso, ele sugere o uso de redes sociais que indiquem às editoras os gostos e interesses de seus usuários e, assim, elas podem fazer indicações específicas para cada um de seus clientes.

As editoras devem continuar a publicar livros, mas precisam observar o que mais podem fazer para continuar nesse negócio”, disse. De acordo com o executivo, o caminho é investir no estabelecimento de sua marca, na segmentação por interesse e gosto do consumidor sem esquecer de investir em novas tecnologias criando e-books e aplicativos de suas obras.

Por Gabriela Nascimento | PublishNews | 27/07/2011

Em qualquer lugar, a qualquer hora, em qualquer aparelho


Dominique Raccah comenta os novos desafios das editoras e os maiores desejos dos leitores na era do livro digital

Dominique Raccah | Fotógrafo: Danilo Maximo

As transformações que o livro está sofrendo e como o consumidor está se comportando dentro deste novo cenário foram os temas da palestra de Dominique Raccah, CEO e publisher da Sourcebooks, durante o primeiro dia do 2º Congresso Internacional CBL do Livro Digital. Segundo Raccah, nunca houve tantas oportunidades para as editoras como existem hoje, mas para aproveitá-las é preciso entender o cenário e se perguntar “o que quer o consumidor?”.

Nos Estados Unidos, segundo Raccah, o perfil do leitor que usa um e-reader é, em média, uma mulher por volta dos 44 anos com renda acima da média e que, em geral, consome ficção. Esse também é o perfil do leitor fiel de livros impressos. As mesmas pessoas que visitam livrarias e colecionam livros em suas estantes estão agora lendo em Kindles, Nooks e outros leitores digitais. Para ela, essa escolha está acontecendo porque o e-reader traz algumas vantagens que saciam o desejo do leitor ávido: portabilidade, o acesso instantâneo a muitos títulos e a possibilidade de carregar vários livros ao mesmo tempo.

Além disso, a questão do preço também faz diferença na hora de escolher entre um livro digital e um impresso. Além de serem mais fáceis de carregar e armazenar, os e-books são mais baratos, e tudo isso junto faz com que, em países onde já está estabelecido, o mercado do livro digital não pare de crescer.

Dominique Raccah comparou a situação do Brasil com a dos Estados Unidos e disse que, apesar de ainda estarmos longe do patamar alcançado por seu país, o Brasil tem a chance de aprender com os erros e acertos das experiências vividas no exterior e avançar mais rapidamente.

A palestrante também usou sua própria vivência na Sourcebooks para comentar sobre qual é o papel e as possibilidades das editoras no mundo digital. Segundo ela, ao adicionar os e-books entre seus produtos em 2010, as vendas da Sourcebooks tiveram um aumento de 60%.

Raccah afirma que ainda que a plataforma seja diferente as editoras continuarão a fazer basicamente as mesmas coisas na era digital, pois os únicos pontos diferentes entre os livros impressos e os e-books são que os últimos eliminam a necessidade de impressão e distribuição física. O desafio maior, porém, será manter os preços baixos, uma vez que existe uma pressão para que e-books sejam baratos: “As pessoas acham que e-books são simples e não custam nada para serem feitos e por isso não deveriam custar nada para serem adquiridos”.

Ela contou que, normalmente, fazer um e-book é muito mais difícil do que parece por conta da enorme variedade dos formatos de venda. “Nos Estados Unidos, existem diferentes canais de distribuição de e-books e os vendedores usam variados formatos, o que significa que as editoras precisam produzir um formato diferente para cada um dos vendedores. Cada vez que aparece um novo vendedor, é preciso fazer um novo formato”.

Raccah acredita que o mundo digital não irá acabar com as editoras, mas sim abrir mais oportunidades e deixar a área muito maior do que era. Um livro digital pode vir com áudios e vídeos, ou pode virar um aplicativo para que os leitores possam interagir com o conteúdo. Para acompanhar essas mudanças, as editoras também devem evoluir e apostar em novas formas de interagir com os autores e consumidores. “Esse é um momento histórico e estamos vivendo essa transformação”.

Por Gabriela Nascimento | PublishNews | 27/07/2011

Os próximos 10 anos


Ed Nawotka

A indústria do livro impresso no Brasil faz muito dinheiro se comparada a outros mercados e nos próximos 10 anos o digital será apenas mais uma opção para vocês”, disse o jornalista Ed Nawotka, editor do Publishing Perspectives, à plateia do 2º Congresso Internacional do Livro Digital nesta segunda-feira, dia 26. Mas para chegar lá da melhor forma possível é preciso se preocupar, desde já, em organizar melhor suas informações criando corretamente metadados que vão transformar seu livro em algo encontrável em meio a tantos outros disponíveis nas livrarias, quantidade em constante crescimento [se quiser mais informações sobre metadados, leia a coluna de Camila Cabete].

O fato de o Brasil estar alguns anos atrás de mercados como os Estados Unidos e a Inglaterra é, para ele, uma oportunidade de os editores, livreiros e distribuidores brasileiros aprenderem com os erros cometidos por aqueles que já conseguem viver da venda de livro digital. Um dos exemplos que citou foi o da Borders. Entre alguns dos erros que a rede de livrarias americana recém-liquidada cometeu 10 anos atrás foi ter demitido os funcionários que cuidavam dos eventos e das relações com a comunidade. Nawotka faz uma análise mais completa do declínio da Borders aqui [em inglês].

O jornalista abordou ainda temas como o avanço do self-publishing [e citou Eduardo Spohr], o fato de que todos podem ser editores hoje [inclusive JK Rowling] e a quantidade de coisas que as pessoas leem hoje. Na América do Norte, por exemplo, são 35 mil palavras por dia, o equivalente a 1/3 de um romance.

Por Maria Fernanda Rodrigues | PublishNews | 27/07/2011

Você vai ganhar dinheiro com eBook se…


Rochelle Grayson, da BookRiff, dá dicas para editores focarem suas estratégias na entrada, e permanência, no mundo digital

Rochelle Grayson, da BookRiff | Fotógrafo: Danilo Maximo

Se você responder sim a essas questões, é possível que tenha algum sucesso no mercado de livros digitais. Você dá as informações que as pessoas procuram? Seus leitores continuariam comprando seus produtos se você pisasse eventualmente na bola? Consegue fazer seu consumidor se sentir melhor sobre a vida e a imagem dele? As pessoas estão iniciando ou mantenho relacionamentos com outras pessoas a partir de seus produtos e serviços? Você dá a oportunidade de as pessoas ganharem [ou economizarem] algum dinheiro? Você ajuda a melhorar a carreira das pessoas? Você permite que as pessoas expressem sua criatividade? Você ajuda a aumentar o conhecimento das pessoas fornecendo informações relevantes? A lista foi dada por Rochelle Grayson, CEO da canadense BookRiff, uma empresa que permite ao comprador misturar conteúdos e formatos e criar um livro exclusivo, na tarde desta terça-feira, dia 26, durante o 2º Congresso Internacional do Livro Digital, em São Paulo.

Tudo isso para que os editores consigam reverter uma estatística revelada por Rochelle no início da palestra: “95% das pessoas que gostam de seu conteúdo não vão comprar de você”. E também para que os editores não se percam em meio a tantas novidades e caminhos que era digital abre [e também para que lucrem com isso].

Ter em mente o que as pessoas querem e o que as levaria a pagar por isso é um começo neste desconhecido mundo digital. “Hoje vamos pagar por coisas que vão nos poupar tempo”, comentou. E citou algumas iniciativas que podem ajudar a chegar mais rapidamente aos leitores, poupando-os o tempo e o trabalho de procurar por aquilo que os interessa. Uma delas é o serviço de assinatura de e-books, que pode servir para devoradores de livros e não valer de nada para leitores mais lentos. E ainda: curadoria de conteúdo, criação de serviços ou conteúdos vip pelos quais as pessoas pagariam um pouco mais, pagamentos com um tweet [já feito de forma isolada no Brasil], sites de compras ou de produção coletivas, entre outros.

Por Maria Fernanda Rodrigues | PublishNews | 27/07/2011

iPhone pode ser disfarçado de livro antigo


Um iPhone está sempre na mira dos ladroes, mas e um livrinho com cara de velho? É por essas e outras que o case BookBook pode ser uma boa ideia – feito de couro, ele disfarça o seu iPhone e ainda serve como carteira, já que tem lugar para dinheiro e documentos. A capinha foi desenvolvida pela TwelveSouth, a mesma que criou o BookBook para MacBook. Está à venda aqui por USD 59,99.

Por Debora Schach | Blue Bus | 27/07/2011 | Com informações da Creativity

Metadata, ou quando os editores brasileiros comem moscas, cobras e largatos


Por Felipe Lindoso | Publicado originalmente em “O Xis do Problema” | 27 de julho de 2011

A palestra mais interessante do primeiro dia do Congresso do Livro Digital da CBL foi sem dúvida a de Edward Nawotka, editor-chefe do Publishing Perspectives, já no final da tarde.

Ed tratou de vários pontos, voltando a dez anos atrás e mostrando alguns dos erros estratégicos que culminaram na falência da Borders e os perigos que rondam o mercado editorial. Mas o ponto central do que falou foi a advertência: algo que os editores podem e devem fazer para garantir seu futuro em um mercado onde pululam os autores que se auto-publicam, é trabalhar a metadata de seus livros.

De que se trata?

Metadata é o conjunto de dados sobre dados. Assim simples, parece pouco. Mas na verdade é algo realmente fundamental para adquirir o instrumento mais precioso que os editores podem ter para manter sua posição no mercado: informação.

O título de um livro, o nome do autor, da editora e o ISBN, por exemplo, são metadatas. Informações que se referem a um livro. Mas se restritos apenas a esses dados, a quantidade de informação que estes podem proporcionar é ridícula, diante da riqueza que pode ser mineirada se houver uma compreensão melhor sobre o assunto.

Agora quem recua a dez, doze anos atrás sou eu. Trabalhava na CBL, como Diretor de Relações Institucionais. Por volta de 1998/99, duas movimentações no mercado internacional atraíram minha atenção. A primeira foi a iniciativa do Book Industry Study Group – BISG [mantido pela indústria editorial americana para promover pesquisas e estudos sobre o mercado] e do Book Industry Comunication [do Reino Unido] de construir a primeira versão do ONIX – On Line Information Exchange. O padrão ONIX é desenhado para possibilitar a comunicação computador-computador entre os envolvidos na criação, distribuição, licenciamento ou qualquer outro modo de tornar disponível propriedade intelectual publicada, seja física ou digital. Todos os padrões ONIX são expressos em XML. Mais informações aqui .

A segunda iniciativa foi a da criação do DOI – Digital Object Information, também por iniciativa principalmente dos editores, destinada a identificar qualquer segmento de informação digital de forma unívoca [tal como o ISBN identifica uma edição, o DOI identifica objetos digitais]. Mais informações aqui . Qualquer segmento, nesse caso, pode significar desde o livro digital inteiro até qualquer parte dele [o título, o nome do autor, o ISBN, uma foto, a capa, um gráfico, uma ilustração, qualquer parte do objeto digital].

As duas iniciativas criaram as condições para que se pudesse rastrear a circulação na Internet de qualquer movimentação relacionada com os livros: no caso do ONIX, mesmo dos livros físicos; no caso do DOI, de qualquer segmento digital. O resultado disso foi, entre outras coisas, o surgimento dos diferentes sistemas de DRM – Digital Rights Management.

É importante destacar que o DRM pode ser um instrumento extremamente flexível e, acoplado com as informações dos arquivos no padrão ONIX e DOI, possibilitam ao editor obter dados valiosíssimos sobre a circulação das INFORMAÇÕES sobre seus produtos na Internet.

Digamos, por exemplo, que as informações sobre um título qualquer – livro físico – estão organizadas no padrão ONIX. O sistema permite que se recolham informações sobre qualquer acesso a qualquer tipo de informação que circule na Internet sobre esse livro. Se alguém acessa o site da editora e clica no título em questão, o sistema coleta informações as mais variadas a partir do IP de quem clicou. O mesmo se o título for consultado no site de uma livraria ou de um distribuidor. Depende de como foram organizados os metadados dentro do padrão ONIX. Ou seja, não é preciso que seja um livro digital para que os metadados referentes a esse livro já estejam gerando informações para os editores: sobre a distribuição geográfica dos acessos, por exemplo, que podem ser combinados com outras fontes de informações. Quem já viu as tabelas do Google Analytics pode imaginar o quanto é possível garimpar a partir de um simples clique no título do livro. E o ONIX não é apenas isso. Tem muito mais.

O DOI simplesmente amplifica essas possibilidades para os livros digitais.

As restrições à circulação dos e-books, que tornaram os DRMs mais conhecidos por conta das restrições nas transferências do conteúdo digital, são praticamente um subproduto da combinação ONIX/DOI. E a maioria das pessoas pensa que os DRMs dizem respeito apenas ao comércio dos e-books.

Nada disso. DRMs são uma expressão prática de coleta de metadados, e apenas uma delas, talvez a que tenha atraído maior rejeição por parte dos consumidores finais.

Representando a CBL, cheguei a assistir a duas séries de reuniões sobre o DOI, em Frankfurt e em Berlim, e o assunto já começava a ser discutido pela diretoria da CBL. Era uma visão de futuro para o mercado editorial.

Em 2002, na sucessão da administração do Raul Wassermann, o senhor Oswaldo Siciliano foi eleito e jogou fora tudo isso.

Somente no ano passado a CBL iniciou tratativas com a Federación de Gremios de Editores de España para adotar uma versão do padrão ONIX em um catálogo de livros disponíveis, que seria a versão brasileira do DILVE – Distribuidor de Información del Libro Español en Venta. Falou-se nisso e depois não ouvi mais a respeito. No site da CBL, não se encontra mais nada sobre o assunto.

Em resumo, no começo da década passada já se esboçava uma visão de futuro sobre a importância da coleta de informação, e da padronização do tipo de informações. O esforço foi jogado fora e interrompido.

É possível que algumas editoras mais bem informadas estejam trabalhando com o padrão ONIX. Não sei. Se estão, devem guardar esses dados como um tesouro de informações valiosíssimas.

Mas o fato é que o mercado editorial brasileiro, nessa altura dos acontecimentos, tem que correr atrás do prejuízo.

Por Felipe Lindoso | Publicado originalmente em “O Xis do Problema” | 27 de julho de 2011

Especialista faz ressalvas ao uso de tablets em escolas


Paulo Blikstein

Em entrevista à Folha, ele defende a exclusão de conteúdos curriculares, especialmente nas áreas de matemática e ciências, e diz ser positivo o fim da obrigatoriedade do ensino da letra cursiva nos EUA.

Formado em engenharia pela Escola Politécnica da USP, mestre pelo MIT Media Lab e doutor pela Northwestern University [Chicago], Blikstein estará no Brasil nos dia 17 e 18 de agosto, quando participa da Sala Mundo Curitiba 2011 -encontro internacional de educação que reúne educadores do mundo todo.

Folha – Você conhece experiências com o uso de tablets em sala de aula?

Paulo Blikstein – Aqui em Stanford teve um projeto com o apoio da Apple onde eles queriam substituir livros didáticos na faculdade por iPads. Foi feita uma pesquisa com professores e a conclusão geral é que a tecnologia ainda não está à altura do que se precisa numa escola.

O tablet é muito pequeno, é muito difícil de fazer anotações, de visualizar várias coisas ao mesmo tempo. Por enquanto, o livro didático, pelo menos para nível superior -onde muitas vezes você trabalha com várias fontes ao mesmo tempo, precisa fazer anotações e cruzar informações de várias fontes – você precisaria de um equipamento muito mais avançado para isso poder realmente substituir o livro didático.

E em níveis mais básicos de ensino?
Em todos os programas que eu conheço, todo mundo sempre subestima a questão logística e a questão do custo de propriedade. Por exemplo, uma empresa que tem 1.000 funcionários e 1.000 computadores tem um departamento inteiro para cuidar daquilo.

As pessoas acham que você vai dar 1.000 computadores para as crianças, e não tem ninguém para tomar conta disso, para consertar, atualizar, dar orientação. A questão logística é importante.

As pessoas acham que o problema da educação é falta de acesso a tecnologia, e não é. O problema é que querem usar os tablets exatamente do jeito que se usa um livro didático. Querem que as crianças sentem nas cadeiras e, em vez de o professor chegar lá e falar “abram seus livros”, é “abram seus tablets”. Usar um tablet, que é um material que custa caro, que é difícil de dar manutenção, que quebra, que tem uma série de problemas, do mesmo jeito que você vai usar um livro é um desperdício enorme de dinheiro.

O que você precisaria é pensar quais são as novas formas de aprendizado que os tablets, os computadores permitem.

Algumas empresas dizem que haverá gráficos, tabelas dinâmicas e toda uma interatividade com o conteúdo e que isso seria diferente do livro didático. Mesmo nesse caso, você não vê uma mudança significativa?
Já tem muita interatividade em materiais online que já existem e nem por isso eles melhoraram significativamente o aprendizado. Você pode olhar uma animação num computador e entender aquele fenômeno de uma forma errada. A gente tem a ideia de que o visual é melhor do que o textual. Mas isso não é necessariamente verdade. Tem muitas pesquisas mostrando que às vezes o visual confunde mais do que o textual. Agora, tem coisas que são boas. Você pode demonstrar vários conceitos em ciência, física ou química melhor quando se tem essa ferramenta.

O que muda para o professor com o uso dos tablets?
A aula tradicional fica cada vez mais difícil de ser dada com esse tipo de tecnologia. Para o professor, os tablets vão trazer uma grande mudança de mentalidade porque você precisa dar aula de um outro jeito. Se não, vai ser como em várias escolas brasileiras, em que a aula na sala de informática às vezes é mais repressora do que na sala de aula, porque os professores ficam preocupados porque as crianças podem quebrar [o computador] ou começar a jogar um jogo.

Como deveria ser uma aula nesse novo formato?
Eu conheço, por exemplo, um projeto na Tailândia que um colega meu coordenou. O jeito que ele usou essas tecnologias lá foi: primeiro criar projetos relevantes para as crianças. Projetos ambientais ou urbanos. Ele levava as crianças, por exemplo, para um estudo do meio onde você tinha um problema ambiental, ou uma espécie que estava sendo extinta, ou uma espécie invasora que estava chegando, ou um problema de qualidade da água.

As crianças usavam os computadores para documentar o lugar, tirar fotos onde tinha o problema. Usavam sensores para medir as coisas e tentar entender cientificamente o que estava acontecendo. Depois levava tudo isso para a sala de aula e discutia com os alunos as hipóteses. Esse é um tipo de protótipo de projeto que acho superinteressante de fazer com tablets.

Você acha que o uso dos tabletes pode melhorar o aprendizado dos alunos?
Isso é mais ou menos como se eu perguntasse assim: “será que o uso de canetas na sala de aula pode melhorar o aprendizado?”. Sem dúvida que pode, mas eu posso também usar as canetas de um jeito tão ruim que não faça nenhuma diferença.

Agora, colocar o tablet numa aula tradicional, sem nenhuma adaptação do jeito que se ensina, sem nenhuma adaptação do material didático -que seja um pouco melhor do que simplesmente colocar umas animações dentro de um livro didático – é um desperdício. Não vale a pena.

A questão fundamental é desenvolver atividades em sala de aula e conteúdos que efetivamente usem as novas qualidades desse material. Isso é o que vai fazer os tablets valerem a pena. A questão é que essa é a parte difícil de fazer e é a parte que sempre não é feita.

Como você vê o Brasil em relação ao uso de tecnologias na educação?
Tem uma tradição no Brasil que vem desde o Paulo Freire de ouvir o aluno. Isso é uma coisa importante que em outros países simplesmente não existe. Eu tenho vários alunos de pós-graduação que vêm da Coreia, por exemplo, ou de outros países da Ásia, onde a preocupação com o aluno é muito diferente.

A questão [nesses países] não é se o aluno está feliz aprendendo, se ele está gostando do que aprende, se está se interessando; é muito mais um regime de alta pressão para resultados, mas resultados que muitas vezes são vazios. O Brasil tem essa grande vantagem, que eu acho que a gente realmente se importa com o aluno, com o interesse do aluno, muito mais do que em outros países.

O problema é que muitas vezes você não tem as ferramentas e o treinamento para fazer isso acontecer na sala de aula. Em relação a tecnologia, a minha percepção é que o foco ainda é muito no hardware, no equipamento, e muito pouco em treinar os professores para usar isso de uma forma interessante na sala de aula.

Publicado originalmente em Folha de S.Paulo | 26/07/2011