O que é um eBook?


Por Ednei Procópio

Eu agora estou empenhado na formatação de um modelo de negócios para a minha nova empresa, a Livrus Negócios Editoriais. Uma espécie de agência focada em comunicação e especializada em livros digitais, que pretende atender contas de escritores e levá-los ao admirável mundo novo.

Na hora de decidir um foco da nossa área de atuação, porém, uma questão nos veio à toa: O que é um eBook?

Bem, depois de uma década de experiência na área, precisei novamente voltar ao básico para responder a algo que já me parecia ter sido respondido lá atrás, quando tive acesso pela primeira vez a plataforma Rocket eBook da californiana Nuvomedia.

A Estrada da Futuro, de Bill Gates

Back to Basic

Para responder a pergunta “O que é um eBook?”, resolvi voltar ao básico. Fui ler novamente o meu livro de cabeceira, “A Estrada do Futuro”, a obra prima de Bill Gates lançada em 1995.

Bill Gates, em algum momento, em uma de suas falas ou artigos, deixa claro a separação estratégica que envolvia o hardware e o software nos negócios de sua empresa, na época em que ele a dirigiu.

A Microsoft, em algum momento de sua trajetória, resolveu aventurar-se na fabricação de hardwares [XBox, Kin, etc.] e também chegou a comercializar produtos com conteúdo [MS Encarta, Games, etc.]. Mas a Microsoft especializou-se mesmo no desenvolvimento de softwares [Windows, Office, MS Reader, etc.].

Convergência nos negócios

Inspirado em algum momento lúcido da brilhante carreira de William Gates III, percebi a diferença básica que se apresenta nos três principais itens que compõe um livro digital:

HARDWARE

Todos os livros, digitais ou não, necessitam de um hardware para trefagar. O livro impresso necessita do hardware papel, enquanto que o livro digital necessita de um netbook, de um tablet, e-reader ou mesmo de um smartphone. O segredo para a nossa empresa, chegamos a conclusão, é ficar atento a base instalada desses hardwares móveis aqui no Brasil. Ou até mesmo, quem sabe, desenvolver o nosso próprio suporte.

SOFTWARE

Para escrever, estruturar e armazenar um livro se faz necessário um software. Que começa com um sistema operacional [iOS, Android, etc.]; avança para um software de autoria ou conversão [Indesign, Calibre, etc.]; e termina em algum aplicativo de leitura [BlueFire, Kindle Apps, MS Reader, etc.].

CONTEÚDO

O fato é que eu cheguei a conclusão de que, para o meu novo empreendimento, embora possamos vislumbrar o novo mercado de aplicações e aplicativos móveis, o segredo dos nossos negócios está no conteúdo. Os nossos reais clientes [escritores, leitores, etc.] estão interessados em conteúdo e é neste item, portanto, que iremos focar.

Reinicializando

Respondendo finalmente a pergunta inicial deste post, “o que é um eBook?”: Livro digital é a convergência perfeita entre hardware, software e conteúdo.

Livrus Negócios Editoriais

Ainda estou pensando em alguns focos no planejamento estratégico da minha nova empresa, mas, pelo menos em termos de comunicação interna, nós já temos bem definido o que seja um eBook. E já sabemos que o nosso foco será o conteúdo. Embora possamos em algum momento de nossa história comercializar um tablet reader [em regime OEM] ou um aplicativo por nós encapsulado.

Quando houver um hardware fino, leve, portátil, móvel, conectado e acessível em termos de custo; quando houver um aplicativo de leitura que vença a experiência da leitura de um livro em hardware papel; quando houver conteúdo para livros digitais em quantidade e qualidade; neste dia espero que a nossa nova empresa já tenha se estabelecido como uma facilitadora entre os livros e seus escritores, até o mercado leitor.

Ednei Procópio é editor, especialista em livros digitais. É membro da Comissão do Livro Digital da CBL e Coordenador do Cadastro Nacional do Livro. É autor da obra “O Livro na Era Digital” e criador da plataforma http://www.Livrus.com.br.

Smartbook


Por Ednei Procópio

PaperPhone

Se depender do cientista Roel Vertegaal, do laboratório de mídias humanas da Universidade de Queens, no Canadá, em cinco ou dez anos os celulares serão feitos de papel.

A criação de Vertegaal, batizada de PaperPhone, promete realizar todas as funções de um smartphone comum, incluindo a leitura de livros digitais.

Uma das coisas que mais chama a atenção do PaperPhone é a tecnologia que permite que a sua bateria só seja operada quando uma função é acionada no equipamento. O que ajuda na economia de energia, um dos maiores entraves tanto dos celulares quanto de leitores de livros digitais.

Conexão direta

A conexão é um dos entraves dos livros digitais, principalmente no Brasil onde a conexão é uma das mais lentas e a caras do mundo. E é aqui que a gente começar a entender o crescente interessante de companhias de telefonia, como a Telefonica na Espanha, neste mercado emergente de “livros portáteis”.

Para o crescente mercado de livros digitais o PaperPhone pode significar uma mudança de jogo, pois diversas editoras, bibliotecas, livrarias e distribuidores digitais poderiam trafegar livros diretamente para o público leitor nos smartphones utilizando a própria rede de tráfego destes tipos de equipamentos.

O PaperPhone, embora represente um avanço em espessura [ele é 7 vezes mais fino que o iPad2], ainda é apenas um protótipo que custou cerca de US$ 6 mil para ser desenvolvido. Sua tela possui apenas 9,5 cm e foi produzida a partir de um display E-INK, a mesma tecnologia utilizada em alguns e-readers disponíveis no mercado como Sony Reader.

Segundo a Universidade de Queens, que emitiu um comunicado à imprensa, a descoberta abre espaço para uma nova geração de portáteis.