Barreiras nas negociações da Amazon com editoras


O peruano Pedro Huerta, executivo da Amazon na América Latina, segue no País na próxima semana, com encontros agendados em empresas do ramo no Rio e em São Paulo. Os objetivos – conseguir números precisos do mercado e fechar contratos para distribuição de conteúdo em português para outros países – não têm se mostrado simples. Tateando o universo dos e-books, muitas editoras não têm interesse em liberar dados para a loja. “Huerta está muito perdido porque o mercado está perdido“, avalia um editor. Outro problema, segundo quem já leu o contrato proposto pela varejista, está no modelo do documento: a Amazon quer a prerrogativa de definir descontos sobre títulos que vende, podendo, por exemplo, comprar um livro a US$ 15 e vender a US$ 9. Nos EUA, as grandes editoras não sossegaram enquanto não alteraram contratos do gênero. Huerta até teria sugerido limitar os descontos a 20%-30%, mas, por ora, nada feito. Sobre abrir uma Amazon.br, possibilidade ainda distante, há quem veja outro empecilho: a maior loja virtual do mundo teria de enfrentar a Saraiva, que no Brasil tem mais força entre editoras, já que é também a maior vendedora de livros impressos do País.

Por Raquel Cozer | O Estado de S. Paulo | 25/06/2011