Números de uma micro editora, que ainda não começou seu planejamento de marketing


Por Camila Cabete | Texto publicado originalmente em PublishNews | 16/06/2011

Na última coluna, que deu o que falar, comentei que hoje colocaria os números dos e-books da @CakiBooks… Eis que agora cumpro minha promessa.

Vou começar falando da estrutura [ou seria a falta dela?] do início da @CakiBooks. Somos três pessoas, que começamos em home office, cada uma em sua casa, ligadas por um serviço de internet bem eficiente e um serviço Nextel nem tão eficiente assim. Começamos a empresa sem empréstimos homéricos, sem aportes colossais. Podemos afirmar que a Caki não deve a sistema financeiro algum. Nossa ideia inicial era editar o que gostávamos e ver o que conseguiríamos com essa nova onda digital, que eu já previa que viria com tudo. Fizemos um site básico, que estamos em projeto de melhoria agora, e uma loja de graça pela Magento. Isso com ajuda de um amigo, que depois nos abandonou…

Temos um ano e meio de existência. Não me dedico 100% à Caki [trabalho em três lugares… ok]. Um dia será minha prioridade. Mas nosso panorama hoje é: continuamos três e possuímos 38 obras, entre livros, crônicas e produção de domínio público para e-book. Usamos basicamente a plataforma Xeriph para distribuição de nossos e-books e controle de downloads no Brasil. Possuímos cinco aplicativos para Apple e Android. Distribuímos internacionalmente pela Amazon.

Nossas vendas no Brasil pela Xeriph: 60 em março, 30 em abril e 104 em maio. Nosso investimento em marketing: ZERO [por enquanto, claro]. Focamos nas mídias sociais, mas não tanto quanto gostaríamos, e buscamos editais para dar um up inicial e vendendo, sim, livros impressos via parceria com a Singular. Estoque: ZERO. Vontade e ideias: milhares. E estamos buscando agora desenvolver autores incríveis que confiaram na proposta da Caki.

O legal é que pela Caki eu consigo desmistificar um monte de coisas. A primeira delas foi a distribuição digital nacional e internacional de obras [escrevi sobre isso aqui]. Depois me falaram que e-book era uma coisa mística, muito misteriosa e fora do poder financeiro do mercado editorial brasileiro, e produzimos não só nossos lançamentos, como também domínios públicos etc.

Hoje no Brasil conheço duas empresas que prestam este serviço de conversão: a Simplíssimo e a Xeriph… Como trabalho na Xeriph, vou falar dos preços de conversões praticados por ela: R$ 109 por livro de baixa e média complexidade [os que têm texto ou imagens]. Nossa…como é fora de nossas possibilidades, não?! [ironia]. A Xeriph também oferece treinamento a equipes das editoras parceiras por um preço amigo. O interesse da Xeriph é o conteúdo que as editoras proverão para a distribuição e por isso procuram fazer as editoras auto-suficientes para produção de seu próprio conteúdo [sim, tenho participação na formatação deste projeto].

Sobre a confecção de audiobooks, nosso estúdio parceiro é a Audio Edition que cobra uma média de 300 reais a leitura e gravação de um livro com até 300 páginas em MP3…ok, cada projeto é um projeto…mas já dá para ver que não é inalcançável… A própria Audio Edition fez nossos aplicativos para Android, com a arte dos livros infantis e as músicas juntas por R$ 250. Nossos aplicativos também são bem básicos, mas fofos.

O aplicativo Saca-Rolhas na AppStore foi feito pelo Mauricio Junior, que não consegui autorização a tempo para colocar o contato dele aqui, mas fico devendo e colocarei via Twitter depois. Ele cobra em média uns R$ 300 também para colocar seu conteúdo, estático num aplicativo.

Na FNLIJ, semana passada, discutimos algo que encaixa aqui: o conteúdo infanto-juvenil em e-book é ridiculamente pequeno no Brasil. Somente 3% do conteúdo da Gato Sabido é infanto- juvenil… Na Amazon, ao procurar conteúdo desta ordem, já começa com a oferta de mais de 29 mil e-books. Que vergonha!

O livro hoje gera vários produtos, e por que não aproveitar isso tudo? O alcance e a diversificação de renda de uma editora aumentou. Se não é inalcançável para a Caki, imagine para uma editora mais antiga e melhor estruturada financeiramente.

O processo de edição anterior à finalização continua o mesmo: seleção, agenciamento, revisão, tradução, diagramação. Daí em diante é que se diversifica.

Gostaria muito de receber experiências de editoras com provedores de serviços bons e baratos. Estou disposta a colocar aqui para fazermos deste espaço uma troca de ideias de colegas de trabalho. Claro que se investigarmos, chegamos na internet a quem quisermos, mas por que complicar se podemos trocar? Ainda fazemos amizade =0]

Sobre a coluna anterior, preciso dividir com vocês o quanto ela mexeu com as pessoas… E por incrível que pareça só recebi apoio e adendos às minhas perguntas. Foi muito divertido! Na próxima coluna colocarei o desdobramento e alguns trechos do que recebi em resposta àquelas indagações.

Por Camila Cabete | Texto publicado originalmente em PublishNews | 16/06/2011

Camila Cabete [@camilacabete] tem formação clássica em História, mas foi responsável pelo setor editorial de uma tradicional editora técnica por alguns anos [Ciência Moderna]. Hoje, é responsável pelo setor editorial da primeira livraria digital do Brasil, a Gato Sabido [@gatosabido]. É ainda consultora comercial da Xeriph, a primeira distribuidora de conteúdo digital do Brasil e sócia fundadora da Caki Books [@cakibooks], uma editora cross-mídia que publica livros em todos os formatos possíveis e imagináveis. Vive em Copacabana e tem uma gata preta chamada Lilica.

A coluna Ensaios digitais é um diário de bordo de quem vive 100% do digital no mercado editorial brasileiro. Quinzenalmente, às quintas-feiras, serão publicadas novidades, explicações e informações sobre tecnologias ligadas a área literária.

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