Mesa educacional estimula leitura e escrita


A mesa educacional Alfabeto com Realidade Aumentada, direcionada para alunos do Ensino Fundamental I, usa uma tecnologia que permite a interação de objetos reais com ambientes virtuais em 3D, potencializando as atividades que estimulam a criatividade, o interesse pela leitura e escrita e ajudam a ampliar o vocabulário.

A solução conta com uma câmera e marcadores [tags], que são pequenas placas plásticas com imagens dos personagens apresentados nas atividades. Essas ilustrações são capturadas pela câmera e são transformadas em imagens 3D que podem ser manipuladas como uma pequena “marionete virtual”.

Já a mesa educacional Mundo das Descobertas atende especialmente a faixa etária de 4 a 5 anos e combina atividades interativas com materiais manipuláveis – como bichos de pelúcia, jogos como dominós, memória, quebra-cabeças, conjunto de letras e números, lâmina de atividades, e dados –, estimulando a construção de conhecimentos na infância por meio de experiências de aprendizagem lúdicas, estimulantes e desafiadoras.

As mesas educacionais podem ser usadas simultaneamente por até seis crianças e promovem interação e socialização. Por meio das atividades, os alunos brincam e convivem com colegas enquanto buscam – individual ou coletivamente – soluções que as conduzem à apropriação de diferentes linguagens e saberes. As duas mesas já chegam ao mercado pré-qualificadas pelo MEC.

G1 | 13/06/2011

BIBLIVRE


O programa Biblioteca Livre [BIBLIVRE] é um aplicativo que permite a inclusão digital do cidadão na sociedade da informação. Trata-se de um software para catalogação e a difusão de acervos de bibliotecas públicas e privadas, de variados portes. Além disso, qualquer pessoa pode compartilhar no sistema seus próprios textos, músicas, imagens e filmes.
Por utilizar padrões internacionais de biblioteconomia e possibilitar a comunicação em rede de acervos, o sistema permite ao usuário acessar diferentes bibliotecas no mundo todo.

O sistema é licenciado como General Public Licence da Free Software Foundation [GPLv3] e foi desenvolvido pela Sociedade dos Amigos da Biblioteca Nacional [SABIN], com apoio da COPPE/UFRJ., no desenvolvimento do projeto nas versões, 1.0 e 2.0.

Através da lei de incentivo 8.313/91 [Lei Rouanet], o projeto foi patrocinado inicialmente pela IBM-Brasil e desde 2007 seu patrocinador exclusivo é o Instituto Itaú Cultural. Sua versão 3.0 possui versões em Inglês e espanhol, além do português, para atender à crescente demanda de utilização do software em instituições no exterior.

Hoje, o BIBLIVRE é sucesso em todo o Brasil, assim como no exterior e, por sua extrema relevância cultural, vem se firmando como o aplicativo de escolha para a inclusão digital do cidadão.

Conheça o site aqui.

Ascom | 13/06/2011

Do livro eletrônico


Curioso, mas, ao que parece, o engenho não foi anglicizado no Brasil. Ainda não ouvi ninguém falando ou, melhor dizendo, escrevendo sobre o livro eletrônico.

Não sei se pegou ou não por aí. Os livros-livros, aqueles de papel, já eram e continuam a ser meio novidade e não figuram, segundo consta, dos 50 itens mais populares ou vendidos no Brasil. Com a honrosa exceção de Paulo Coelho e Ivo Pitanguy, ambos membros da Academia Brasileira de Letras.

O primeiro é fenômeno mundial: escreve e vende uma quantidade de livros que não está no gibi [e esses? Quando serão eletronizados?]. O segundo, também é fenômeno mundial: um dos grandes cirurgiões plásticos do mundo e autor de algumas importantes obras sobre sua especialidade, sempre consultadas quando uma senhora de nossa melhor sociedade quer dar uma melhoradazinha geral na fachada.

O que me interessa saber é se o pessoal que lê nossos novos e talentosos escritores de meia-idade vai à livraria, ao sebo ou à loja de informática.

Aqui, nos Estados Unidos, e mundo afora, o bicho pegou e uma discussão sem o menor interesse corre solta sem ninguém que a contenha. A questão tem três lados. Os que são contra, os que são a favor e os que preferem ler o jornal distribuído grátis no metrô.

O preço do tablete legível é o primeiro obstáculo. Quer dizer, é e não é. O Kindle, que é marca da popular Amazon, custa lá pelas 110 libras, ou seja, quase uns 300 reais. Pelo que leio, no computador, é leve, tem bom contraste, funciona lindamente na base do wi-fi. Mas parece que, como tudo mais, o quente mesmo, são os livros eletrônicos da Apple, do iDolatrado iSteve iJobs. Ao menos é o que todo mundo me diz. Os aplicativos, ou seja os livros, propriamente, o cerne da questão, seu busílis, são os jornais e revistas populares ou pedantes, que podem ser adquiridos e daí então acessados, por bem menos que um livro-livro. Ficam lá pelas duas ou três libras.

Quem não gostou da história da digitação de livros foram os franceses, que, convenhamos, são bons em matéria de escrituras e leituras. Há uma comissão parlamentar pensando e já tomando as necessárias providências para unificar os preços da leitura cibernética.

Francês é chato com essa mania de livro. Aqueles livros feitos de árvores [muitas nossas, quero crer, tsk, tsk], e não micro-isso ou nano-aquilo, também sofreram uma arejada governamental no sentido de unificar por baixo o preço dos brutos: Proust, Flaubert e Jean de la Quelque-Chose acabariam todos saindo pela mesma quantia [não repeti “preço”. Os franceses acham deselegante repetir uma palavra em três linhas].

Fato é que, nessa história do livro eletrônico, não importa sua marca ou raça, seu leitor de arquivos ou qualquer outro programa compatível, o que importa, digo eu, no final das contas, é se o distinto aí – o senhor mesmo, freguês – vai de livro de árvore ou livro da Amazon? [Essa não quer dar a pala de que vivem do trabalho de madeireiro ilegal ou chineses pagos a preço de banana.]

Mesmo que os autores continuem faturando seus direitos autorais, no setor eletrônico, feito o Coelho e o Pitanguy, há uma opção a ser feita pelo leitor, até agora, felizmente, apenas em potencial, e não impotente. Qual é que vai ser a escolha?

Dou meu palpite, que é do que vivo. Fiquemos com o book-book e não o e-book. Faça você o teste que bolei há 40 anos e recomendo para avaliar a qualidade de qualquer livro. Em primeiro lugar, abra numa página qualquer e taque o dedo numa linha. Batata. Dá um tremendo plá do livro: ou besteira ou legível. New Criticism é isso aí.

Em segundo lugar, e o mais importante, abra de novo, bem no meio, e dê uma boa cafungada nele. Livro sem cheiro não é livro. Mesmo novo em folha tem que lembrar, nem que seja vagamente, uma mulher que se amou muito. Se for livro velho, comprado no sebo, tem que cheirar a pó-de-arroz, patchouli, suores antigos e à mesma mulher que se amou muito, agora num apartamento azul com o quarto iluminado só pela luz difusa de um abajur lilás.

O objetivo de qualquer livro, mesmo aquele estalando de novo, pouco importa suas qualidades literárias, é esse: ficar, lá na estante, fazendo companhia à gente, ao lado de seus velhos amigos, outros livros, com eles conversando e lembrando, em silêncio, amores passados. Todos prontos para conosco relembrarmos tudo, comovidos como o quê.

Experimente fazer isso com um livro eletrônico.

Por Ivan Lessa | Colunista da BBC Brasil | Texto publicado originalmente em BBC Brasil | Atualizado em 13 de junho, 2011 – 05:23