Livros digitais demandam cineastas e animadores


Especialista em mídia eletrônica é requerido em mercado de obras didáticas

Com a migração de parte do conteúdo dos livros para o meio digital, um novo perfil profissional começa a ganhar espaço nas editoras: os especialistas em áreas como cinema, animação em 3D e arquitetura da informação.

São eles os responsáveis por criar conteúdo digital para complementar obras em papel. “Recursos de áudio, vídeo e animação visam facilitar o aprendizado“, explica Gabriela Dias, responsável pela área de tecnologia educacional da Editora Moderna.

Formada em comunicação e habilitada em editoração pela USP [Universidade de São Paulo], Dias ingressou na editora em 2007. Dois anos depois, a empresa deu início ao departamento de tecnologia educacional, que produz material digital e, atualmente, emprega 30 funcionários.

É a mesma média de empregados da área da Abril Educação responsável por mídias digitais, que é gerenciada pela jornalista Camila Carletto, 32. “Tive medo no início porque não conhecia a tecnologia“, explica ela.

A falta de experiência, no entanto, foi positiva. “Trouxe um olhar do público, que nem sempre é letrado em novas mídias“, diz Carletto, que assumiu a chefia após cursar pós-graduação na Espanha.

A disposição para aprender e aperfeiçoar-se é requisito para quem quer trabalhar com plataformas digitais, de acordo com Ana Teresa Ralston, diretora de tecnologia de educação da Abril Educação, e Fábio Biazzi, diretor de RH da Editora Moderna.

Na opinião de Karine Pansa, presidente da Câmara Brasileira do Livro, é preciso conhecer bem o livro tradicional para “ter a medida do que será transposto para a plataforma eletrônica“.

NICHOS

O movimento para a criação de departamentos de mídias digitais por enquanto está restrito a editoras de livros didáticos, segundo Dias.

Já na seara de “audiobooks” e obras para deficientes visuais, há demanda fora do universo escolar.

Pedro Milliet, 56, responsável pela arquitetura da informação da Fundação Dorina Nowill [de inclusão de pessoas com deficiência visual], criou projeto para automatizar a migração de obras em papel para livros acessíveis.São contratados dubladores com interpretação “delicada e sem exagero“, diz ele.

Por Jordana Viotto | Folha de S. Paulo | 05/06/2011