Clube de Autores promove bate-papo virtual


O escritor Luiz Roberto Guedes participa hoje, dia 30, às 19h, do projeto Palavra Inquieta, encontro organizado pelo Clube de Autores e que será transmitido ao vivo pela internet. Para assistir, basta clicar aqui. Poeta e tradutor, Guedes começou sua carreira na década de 70. Neste mesmo período, com o pseudônimo Paulo Flexa, atuou comocompositor de MPB. Durante o bate-papo virtual, a plateia poderá mandar perguntas pelo Twitter [@clubedeautores].

PublishNews | 30/06/2011

Por que você não vende eBook?


Por Camila Cabete | Texto publicado originalmente em PublishNews | 30/06/2011

Tenho escutado agora uma discussão sobre livrarias e, lógico, não poderia deixar de escrever a respeito me metendo onde nem sempre sou chamada…

Fico feliz com vários movimentos de modernização de sistemas e sites de livrarias, que foram os últimos da cadeia a se movimentarem rumo ao e-book [com exceção da Amazon].

Num encontro que tive com profissionais de livrarias e editoras, onde o “digital” era assunto da pauta, adorei a declaração do Rui, dono da Travessa, ao pedir que parem com o bulliyng nos livros! Realmente, na sociedade, tudo o que é diferente ou tem uma imagem sensível acaba sofrendo algum tipo de bulliyng, e o livro está em evidência, sensível e em transformação, o que faz dele presa fácil nas mãos dos brutamontes digitais. Mas vejo, com tudo isso, um movimento positivo: os sofridos livros dando a volta por cima e levando em suas costas as livrarias, sãs e salvas.

Vamos pensar juntos. O Brasil já possui tecnologia para que qualquer livraria digital venda livros com segurança e tecnologia DRM. Por que você, livreiro, não embarcaria na tecnologia e correria na frente para lançar sua loja de e-books? E se eu antes comprava na livraria da Travessa, por que não continuaria comprando e-books lá?

O grande diferencial para mim, no livreiro, é a sua seleção. As megastores não me atraem, e acredito que também não aos leitores inveterados. No digital, isso continuará.

Então qualquer um poderá abrir uma loja digital, vendendo e-books, correto?

Correto!

Eles podem ter o mesmo acervo? Sim!

Porém, as lojas poderão se especializar mais e mais. Não é porque uma loja é especializada em obras jurídicas que ela vai precisar vender romances em seu site. Esse site não atrairia pessoas que se interessam por romances, não naquele momento em que foram até lá procurar uma obra sobre direito do consumidor, por exemplo.

Por que um site ou blog de culinária vegana venderia o “Guia de cozinha da carne vermelha”?

O que vai garantir a sobrevivência das livrarias, além do espaço cultural, ponto de encontro, café gostoso e [por que não?] e-books via Wifi será a seleção, especialização, site seguro e amigável, serviço bom, sistema de busca inteligente, inovação, desenvolvimento de conteúdo, integração com mídias sociais e por aí vai.

Não vejo perigo para as livrarias. Não consigo admitir inovação tecnológica como previsão apocalíptica na cadeia do livro, sorry!

Como o José Grossi disse neste encontro que tivemos, os transportadores sim vão sair perdendo com a inovação e popularização dos e-books. E não há lentes rosas que evitem que se chegue a esta conclusão.

Gostaria de agradecer o apoio e ótimos e-mails que me divertiram e emocionaram a respeito de minhas últimas colunas. Continuo às ordens: camila.cabete@gmail.com

Por Camila Cabete | Texto publicado originalmente em PublishNews | 30/06/2011

Camila Cabete [@camilacabete] tem formação clássica em História, mas foi responsável pelo setor editorial de uma tradicional editora técnica por alguns anos [Ciência Moderna]. Hoje, é responsável pelo setor editorial da primeira livraria digital do Brasil, a Gato Sabido [@gatosabido]. É ainda consultora comercial da Xeriph, a primeira distribuidora de conteúdo digital do Brasil e sócia fundadora da Caki Books [@cakibooks], uma editora cross-mídia que publica livros em todos os formatos possíveis e imagináveis. Vive em Copacabana e tem uma gata preta chamada Lilica.

A coluna Ensaios digitais é um diário de bordo de quem vive 100% do digital no mercado editorial brasileiro. Quinzenalmente, às quintas-feiras, serão publicadas novidades, explicações e informações sobre tecnologias ligadas a área literária.

Feira Internacional do Livro de Tokio, a maior feira de livro digital


A Feira Internacional do Livro de Tokio será realizada de 7 a 10 de julho, na Expo Tokyo [Japão]. Segundo seus organizadores trata-se da maior reunião mundial sobre conteúdos para o livro eletrônico. A Feira irá reunir 1.200 expositores com um público estimado em 100.000 visitantes. Para mais informações http://www.reedexpo.co.jp.

CBL Informa | 30 de Junho de 2011

II Congresso Internacional CBL do Livro Digital recebe Gil Giardelli que apresenta o painel sobre “Estratégias para redes sociais”


Dias 26 e 27/07 acontece em São Paulo, o 2? Congresso Internacional CBL do Livro Digital, no Centro de Eventos da Fecomércio em São Paulo / SP. Gil Giardelli é mais um palestrante confirmado no 2?Congresso Internacional CBL do Livro Digital. Gil vai apresentar o painel sobre “Estratégias para redes sociais”. Especialista no Mundo.com, com 12 anos de experiência na era digital. Professor de Pós-graduação e MBA na ESPM e CEO da Gaia Creative, Giardelli fundou outras 5 empresas da era digital desenvolvendo presença e relacionamento digital e consultorias de Inteligência.com.Faça sua inscrição para o II Congresso CBL Internacional do Livro no site http://www.congressodolivrodigital.com.br.

CBL Informa | 30 de Junho de 2011

O escritor de 1 milhão de eBooks John Locke estaria melhor numa editora? Acho que sim…


Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em Publishnews | 29/06/2011

Mike Shatzkin

A experiência do mais bem sucedido autor autopublicado que conheço, como descrito em seu mais novo livro, defende bastante, mesmo sem querer, a ideia de que autores que querem realmente ganhar dinheiro podem conseguir isso sem uma editora.

Descobri o escritor John Locke há poucos meses, quando estava aprendendo um monte de coisas sobre o mundo da autopublicação com Joe Konrath e Barry Eisler. Comprei um dos seus livros de US$0,99 e adorei. Agora, já li quatro. Ele me conquistou por ser um cruzamento entre o já falecido Jim Thompson e o bem atual Carl Hiaasen. Leitores mais sofisticados do que eu me disseram que seus enredos não são nada originais. Não percebi isso em nenhum dos livros, mas poderia acontecer que editores com mais conhecimento dispensassem seus livros se não houvesse nenhuma prova de apelo comercial.

Locke acabou de publicar um novo livro explicando [e intitulado] How I Sold One Million e-books in Five Months. Ele revela um trabalho de marketing duro, bastante focado, muito sofisticado com um plano claro e a disciplina para segui-lo. Todo autor autopublicado deveria ler, claro. pois esse é o mercado com o qual Locke se identifica. Um de seus princípios centrais é realmente entender para quem um livro está dirigido de forma que o próprio conteúdo e o marketing sejam sempre dirigidos com precisão aos alvos.
 
Um dos problemas que Locke vê ao trabalhar com editoras é que elas estão sempre querendo ampliar o apelo de um livro, o que, segundo ele, diminui seu apelo entre o nicho central de sua audiência, algo que vê como a chave para a construção de uma marca autoral bem-sucedida. Estou a ponto de reforçar este estereótipo porque é óbvio para mim que ele realmente deixou de identificar uma audiência chave com seu novo livro. Editores e marqueteiros em editoras deveriam lê-lo. Eles têm muito a aprender com as ideias e técnicas de John Locke.

Seu livro vai ajudá-los a tomar melhores decisões editoriais e de marketing. E pode ajudá-los a ganhar mais dinheiro.

Mas se John Locke também está interessado em ganhar mais dinheiro, deveria repensar se publicar seus livros a US$0,99 sem uma editora é realmente a melhor estratégia comercial

Vamos fazer as contas. Locke vendeu 1 milhão de e-books a 99 centavos de dólar cada. Ele ganha 35% da renda, então isso chega a pouco menos de $350.000 [taxas de cartão de crédito são deduzidos do valor bruto]. Há alguns custos de produção envolvidos [ele contrata um designer para a capa e é ajudado na formatação de seus livros], então diminuímos outros 10 ou 15 mil. Isso significa que ganha por seus nove romances uma média de uns $35.000 com cada um. Ele não está ganhando, aparentemente, nada com livros impressos e não está tendo nenhuma exposição em livrarias que poderiam estimular ainda mais as vendas online. A US$0,35 por cópia ele está ganhando menos do que os direitos por unidade que receberia de uma editora vendendo seus livros por $2,99, o ponto a partir do qual o pagamento de 70% do valor passa a valer nas lojas que vendem e-books pelo modelo de agência, mesmo se a editora não concordasse com o padrão atual de 25% de direitos. E se os livros custassem $9,99, ele estaria ganhando $1,75 por cópia de uma editora ou umas cinco vezes o que está ganhando agora.
Claro, se o próprio Locke vendesse os livros a $2,99, estaria recebendo seis vezes mais por livro, ao redor de $2,10 por cópia.

Assim que, dessa forma, ele parece estar abrindo mão de muito dinheiro. Sem os esforços de uma editora, ele certamente está deixando de lado muito marketing também. E os livros impressos nas lojas são uma das partes mais importantes disso. Vender até modestos 10.000 exemplares de capa dura daria mais de $20.000 em direitos autorais, ou mais da metade do que conseguiu até agora com cada um de seus livros.

Seria superficial, e acho que até um erro, atribuir o sucesso de Locke principalmente ao preço de seus livros. Na verdade, o próprio Locke fica arrepiado com essa ideia. Ele afirma em seu novo livro “how-to” que muitos autores vendendo por US$0,99 não conseguiram as mesmas vendas que ele. Minimiza o grau em que isso acontece por causa do apelo de sua escrita, e atribui suas vendas mais aos esforços sistemáticos e inteligentes de marketing.

Concordo que esses esforços sistemáticos e inteligentes de marketing são mais importantes do que os 99 centavos [Essa é a ideia central de todo esse post!]. Mas não tem nada no que ele faz que não poderia ter sido feito muito melhor por uma editora para apoiar um livro de capa dura vendido a US$20,00 ou mais, sem falar num e-book a US$9,99. Ele venderia uma média de 100.000 exemplares ou mais por título dessa forma?

Ninguém sabe com certeza, mas com o mesmo esforço de sua parte e o marketing adicional, exposição e acessibilidade que ganharia com uma editora, meu palpite é que venderia mais. Eu li quatro dos seus livros com seu principal personagem, Donovan Creed e não estou nem um pouco cansado ainda. Sou cauteloso como todo mundo sobre generalizar a partir da minha própria experiência, mas sei que se o próximo livro custasse 10 dólares em vez de um, isso não me impediria de comprar. Pago dez dólares ou mais na maioria dos livros que leio, assim como muita gente.

Uma das coisas que as livrarias de e-book sabem com certeza, mas que as editoras só podem adivinhar é até que grau os compradores de livros de 99 centavos são um mercado separado daquele formado por compradores de livros com preços de US$9,99 para cima. Muitos acreditam, e eu sou um deles, que são grupos separados de compradores e que pessoas como eu, que compram os dois tipos, são a exceção. Se isso é verdade, haveria algum risco para Locke [e para o editor que o contratasse] se ele decidisse mudar. Poderia não ter o mesmo sucesso com um grupo diferente de clientes e não ser seguido pelo seu grupo atual de leitores.
Mas se os mercados são diferentes, há alguns grandes potenciais de recompensa. Se há pessoas que somente compram livros baratos, também há pessoas que querem escolher livros validados profissionalmente, aqueles das grandes editoras. Quanto mais você acreditar que os mercados são diferentes, maiores oportunidades poderiam haver para Locke usar o que ele fez para se lançar de forma independente como trampolim para uma carreira como autor publicado por uma grande editora.

Amanda Hocking conseguiu sucesso com publicação independente, mas depois assinou com uma grande editora. Barry Eisler tentou deixar as editoras para trás e se autopublicar, mas logo descobriu que o programa de publicação da Amazon – quanto tempo demorará a começarmos a nos referir às Sete Grandes? – na verdade era melhor do que fazer sozinho. Agora fazemos uma conta rápida com a história de Locke e descobrimos que constitui um argumento fraco para os benefícios econômicos da autopublicação.

É importante para todos nós, lembrarmos que ainda estamos num mundo onde a maioria dos livros é vendida impressa, em livrarias, que isso é mais verdade fora dos EUA do que aqui; e que vai permanecer assim fora dos EUA por um pouco mais de tempo do que aqui. Os desafios da era digital para as editoras são bem reais e a opção da autopublicação é muito mais viável do que há uma década; ou até há três anos. Mas ainda existe muita vida no modelo de anos. Me surpreenderia se algumas grandes editoras não estiverem preparando ofertas para o Sr. Locke, que ele seria obrigado a considerar seriamente se seu objetivo for ganhar mais dinheiro com sua escrita do que ganha agora. Se Amanda Hocking pode conseguir US$2 milhões por quatro livros, como podemos achar que John Locke está bem financeiramente conseguindo menos de 20% disso por nove?

O argumento mais persuasivo que posso pensar para a autopublicação é a velocidade para o mercado, principalmente para alguém de fora que ainda nem tem agente. Encontrar um agente demora. Conseguir uma proposta de padrões profissionais demora. A análise das editoras e a negociação de contrato depois da oferta demora. Tudo isso pode levar um ano ou mais; é raro conseguir em seis meses. E depois a editora vai precisar de persuasão para colocá-lo ao mercado em menos de seis meses [Isso não é irracional por parte do editor; maximizar as vendas em livros impressos ainda exige um longo caminho porque o planejamento no mercado de massa exige designar títulos específicos para locais com meses de antecedência. Essa é a realidade do mercado, não uma invenção das editoras].

Acho que autopublicação como caminho para a descoberta por uma editora pode se tornar um novo padrão e, se isso acontecer, as operações de e-book montadas por agências literárias podem acabar sendo vistas sob uma luz diferente.

Minha previsão com Locke é que ele vai acabar recebendo uma oferta irrecusável para criar um novo personagem. A série Donovan Creed e seus faroestes continuarão a ser lançados por US$0,99, mas algo novo será feito da forma convencional. E, a menos que meu palpite esteja muito errado, nos próximos anos, quem publicar da forma convencional vai ganhar muito mais dinheiro do que Locke.

Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em Publishnews | 29/06/2011

Mike Shatzkin tem mais de 40 anos de experiência no mercado editorial. É fundador e diretor-presidente da consultoria editorial The Idea Logical Co., com sede em Nova York, e acompanha e analisa diariamente os desafios e as oportunidades da indústria editorial nesta nova realidade digital. Oraganiza anualmente a Digital Book World, uma conferência em Nova York sobre o futuro digital do livro.

Nos Arquivos de Shatzkin, o consultor novaiorquino aborda os desafios e oportunidades apresentados pela nova era digital. O texto de sua coluna é publicado originalmente em seu blog, The Shatzkin Files [www.idealog.com/blog].

A nova “midlist”: autores de eBooks que ganham dinheiro


Robin Sullivan para o Publishing Perspectives | Traduzido do original publicado pela  por Caroline Aguiar [cdanascimento@gmail.com] | Publicado por PublishNews | 29/06/2011

Hoje em dia já existem grandes estrelas no ramo da autopublicação digital. Mas a verdade é que muitos autores que não aparecem nas listas dos “mais vendidos” [conhecidos como autores “midlist”] estão ganhando mercado

Entre os autores autopublicados na internet que despontam nos rankings de vendas estão Amanda HockingJoe Konrath e John Locke. Estes casos de sucesso merecem destaque, mas devemos levar em consideração que os mesmos representam exceções do novo mercado editorial [tanto quanto Stephen King e Stephenie Meyer são casos atípicos de vendas entre os autores publicados pelas editoras tradicionais]. A maioria dos autores não tem a ambição de atingir a marca dos 100 mil livros vendidos em um único mês, mas podem chegar a vender entre 800 e 20.000 e-books. Em se tratando de publicações tradicionais, esses números são considerados extraordinários. Mas o simples fato de que cada vez mais autores chegam a essa marca hoje em dia [vendendo mais livros a cada mês] nos mostra que os números acima são agora comuns para vendas na internet.

Os autores no ramo da autopublicação não somente estão vendendo bem em formato digital mas também estão recebendo mais por cópia comercializada [o padrão do mercado é de 25% dos direitos sobre as vendas de e-books na internet com base nos contratos das seis maiores editoras americanas]. Para comparar, basta olharmos para os seguintes números: quando um autor autopublicado vende seu livro na Amazon na faixa US$ 2,99 – US$ 9,99, ele recebe 70% do valor da venda [US$ 2,09 – US$ 6,99]. Um livro digital vendido a US$ 6,99 através de contrato com uma editora resultaria em US$ 1,22 para o autor [a ser dividido com o agente]. A combinação do volume de vendas e um retorno mais generoso está fazendo com que autores da internet finalmente consigam ter uma renda compatível com salários pagos em empregos tradicionais. Com isso, agora dedicam-se a fazer o que mais gostam: escrever.

O momento decisivo

Em minhas palestras sobre opções de publicação, costumo enfatizar que os autores passam a ter um maior controle quando decidem autopublicar seus livros. Recentemente tenho acrescentado a possibilidade de melhor retorno financeiro como vantagem, quando o projeto é bem realizado. Há somente um ano esse ponto não estava em questão. Mas mudanças importantes ocorreram entre outubro e novembro de 2010: foi nesse período que as vendas de e-books por autores desconhecidos começaram a disparar.

Para ilustrar o aumento significante nas vendas de livros digitais por autores “midlisters”, podemos analisar um caso que tenho acompanhado de perto. Michael J. Sullivan é meu marido e autor das série Rivya Revelations. Cinco dos seis livros da série foram publicados pela minha pequena editora, a Ridan Publishing. As datas de lançamento foram: The Crown Conspiracy [outubro de 2008], Avempartha [abril de 2009],Nyphron Rising [outubro de 2009], The Emerald Storm [abril de 2010] e Wintertide [outubro de 2010]. Durante um período de nove meses – de janeiro a setembro de 2010 – sua renda variou em torno de US$ 1.500 por mês ou US$ 10.700 no total [em vendas apenas pela Amazon Kindle US]. Certamente uma renda insuficiente. Após o estouro de vendas de livros digitais em outubro/novembro do ano passado, seu retorno foi de mais de US$ 102.000 em apenas cinco meses. Para detalhes de sua renda mensal veja o gráfico abaixo.

Lendo comentários no Writer’s Cafe [fórum da Kindle Boards], percebi que muitos autores tiveram aumento semelhante nas vendas de seus livros na internet, ou seja, o caso de Michael não é o único. Veja a tabela e gráfico abaixo [dados disponíveis no fórum Kindle Board]:

Tabela: número de autores e quantidade de livros vendidos nos meses de agosto de 2010 a fevereiro de 2011

Os autores informaram números de vendas e preços de livros no fórum da Kindle Boards e assim pude calcular as receitas no mês de março:

•    Michael J. Sullivan — US$ 16.648
•    Ellen Fisher — US$ 3.915
•    Siebel Hodge — US$ 15.425
•    N. Gemini Sasson – US$ 4.222
•    David McAfee — US$ 6.085
•    David Dalglish — US$ 12.132
•    Victorine Lieskie — US$ 7.281
•    M. H. Sergent — US$ 4.211
•    Nathan Lowell — US$ 9.296

Entre esses autores, apenas Victorine Lieskie entrou na lista dos 100 mais vendidos da Amazon [Amazon Top 100 Bestseller List]. A maioria dos autores que vendem mais de 800 livros fica entre as posições 300 e 6.000 no ranking dos mais vendidos.
 
Sim, você pode negociar direitos internacionais

Críticos apontam que ao optar pelo modelo de autopublicação digital os autores não podem negociar direitos internacionais ou ter seus livros vendidos nas estantes das livrarias. Isso era verdade no passado; hoje em dia ser um autor bem sucedido no mundo virtual pode abrir portas para a negociação de direitos internacionais e aumentam as chances de contrato com as editoras tradicionais – desde que existam leitores fiéis, que são o fator de maior importância para o mercado editorial.

A série Riyria Revelations é um exemplo para o qual tenho dados reais. Nos últimos seis meses foram negociados US$ 154.000 em direitos internacionais para tradução na República Checa, Rússia, Alemanha, França, Polônia e Espanha e estão em andamento acordos para publicação na Holanda e na Itália. Mais uma vez os dados no Writer’s Café apontam que, como autor, Micheal não é um caso atípico. Estes autores também anunciaram que estão assinando contratos internacionais ou estão em negociações com agentes ou editoras estrangeiras: David Dalglish, Shelley Stout, M.G. Scarsbrook, Tina Folsom, Melanie Nilles, Dawn McCullough White, Victorine Lieskie, Imogen Rose, Lucy Kevin, Margaret Lake, Terri Reid e Beth Orsoff.

À frente das novas mudanças

Quanto ao tema das livrarias… é verdade que a maioria das lojas físicas não costuma vender livros impressos autopublicados por seus autores. Porém, hoje em dia as editoras estão interessadas em contratar autores que já tenham conquistado leitores na internet e, nesses casos, oferecem adiantamentos maiores do que aqueles pagos a autores estreantes. Isso porque um autor autopublicado já tem uma boa idéia de quanto irá ganhar se optar por seguir trabalhando de forma independente. Segundo pesquisas, um autor de livros de ficção estreante pode vir a receber de US$ 5.000 a US$ 10.000. Assim, um contrato de três livros totalizaria em US$ 15.000 a US$ 30.000 de adiantamento. No caso de Michael, a Orbit [selo da Hachette Book Group] ofereceu um acordo acima de US$ 100.000. Outros autores autopublicados que assinaram contratos recentemente foram: H.P. Mallory [Random House], D.B. Henson [contatada pelo agente Noah Lukeman, teve os direitos do seu livro Deed to Death vendidos em leilão], Stephanie McAfee [Diary of a Mad Fat Girl], Jerry McGill [Dear Marcus], R.J. Jagger e Quentin Schultze & Bethany Kim.

Com a internet, o mercado editorial certamente está mudando com a velocidade da luz. Antes os autores tinham apenas uma opção se quisessem ganhar algum dinheiro escrevendo livros: passar meses [ou até anos] contatando agentes, esperar meses [ou anos] até que o projeto fosse elaborado pelo agente, e, se aceito, esperar até dois anos para que o livro chegasse às livrarias. Se o autor entrasse na lista dos midlisters [o que na verdade ocorria com a maioria dos escritores], menos livros eram impressos e ele passaria a receber uma porcentagem menor sobre as vendas, gerando uma renda insuficiente e impedindo o autor de dedicar-se à escrita em tempo integral.

Houve um tempo em que o sistema de autopublicação gerava pouco ou nenhum retorno financeiro. Em geral, era uma opção para o autor somente se seu projeto fosse rejeitado por todos os agente e editoras. Após a revolução digital, o jogo se inverteu. Autores publicam e-books vislumbrando um possível retorno financeiro e espaço para divulgação na internet. Nos casos bem sucedidos, as possibilidades de negociação sobre os termos do contrato e valores de adiantamento são bem melhores. Claro que o modelo de autopublicação não é para todos. Mas aqueles que optam por esse caminho já sabem que não serão um caso isolado. Se conseguirem entrar para a nova lista de autores que figuram na “midlist” dos livros digitais, terão boas chances de dizer a seus chefes: “peço demissão, vou ficar em casa escrevendo livros”.

Robin Sullivan para o Publishing Perspectives | Traduzido do original publicado pela  por Caroline Aguiar [cdanascimento@gmail.com] | Publicado por PublishNews | 29/06/2011

O editor da era digital


Pesquisa aponta carência de habilidades técnicas no Reino Unido

Com as recentes mudanças no mercado de livros, entender o mundo digital parece ser essencial tanto para os experientes como para os novos editores. Segundo recente pesquisa da Skillset, empresa especializada em treinamento de profissionais para indústrias criativas, a carência de habilidades técnicas foi apontada em segundo lugar entre as os “skills gaps” para o profissional que trabalha no mercado editorial. Na pesquisa, que contou com a participação de mais de 11 mil empresas em todo o Reino Unido, incluindo editoras de livros, revistas e jornais, 53% dos entrevistados afirmaram sentir falta de habilidades técnicas entre seus colaboradores, atrás apenas de habilidades em vendas e marketing, com 69%. Mais dados podem ser vistos neste link.

É compreensível que marketing seja apontado como a principal carência entre os profissionais, já que as estratégias de venda mudam a todo momento com a Internet”, diz Suzanne Kavanagh, gerente editorial da Skillset, durante o seminário “Digital Skills in Publishing”, organizado pela Society of Young Publishers, na London School of Economics. “No entanto, o fato de a falta de habilidades técnicas estar em segundo lugar só reforça o quadro atual de que um mercado cada vez mais digital precisa de profissionais com capacidades ‘digitais’”.

Já para Alastair Horne, gerente de inovações na Cambridge University Press, a publicação eletrônica é um caminho inevitável para os novos editores. “O digital não será menos importante nos próximos anos do que já é agora”, diz. “Se hoje os e-books são responsáveis por 10% das vendas em sua empresa, certamente amanhã serão 12%, ou seja, a tendência é só aumentar.

Editores versus T.I.

Atualmente, é muito comum entre as editoras britânicas a contratação talentos da área de T.I., principalmente para o desenvolvimento de aplicativos para iPad, iPhone e BlackBerry. “Geralmente os editores chegam com as ideias para os profissionais de T.I. que só trabalham em como aquela ideia será posta em prática”, explica Horne. “No futuro, o profissional que tiver a idea deverá ter a capacidade de executá-la”, acredita.

Mas diante das expressões da plateia, composta por estudantes de literatura e comunicação, Horne se retrata: “Calma, ninguém espera que editor seja um expert em códigos de aplicativos, mas que seja pelo menos bom o suficiente para apontar soluções e sugerir novas ideais. Entender como um aplicativo funciona já é um grande passo.

O desenvolvimento de livros a partir do modelo de aplicativos foi apontado por todos os participantes do seminário como o futuro da publicação eletrônica, pelo menos no Reino Unido. Será esse o caminho para o mercado brasileiro?

Por Taynée Mendes, de Londres | Especial para o PublishNews | 29/06/2011

Tecnologias aumentam nossa capacidade de comunicação, diz autor


Não são as belezas naturais do Rio de Janeiro que trazem o professor e pensador Henry Jenkins ao Brasil, e sim a forma como os brasileiros estão contando suas histórias com a ajuda da tecnologia.

Autor do livro “Cultura da Convergência”, ele participará da 7ª edição do Descolagem, que ocorre no Rio, no próximo sábado. À Folha, ele falou sobre o impacto das novas tecnologias. Leia a entrevista na íntegra:

*

Como você vê o impacto das novas tecnologias na vida das pessoas?

Frequentemente, nós fazemos perguntas sobre como as tecnologias estão afetando nossa vida, mas eu gosto de questionar o que nós estamos fazendo com as tecnologias. Colocando isso em um nível mais simples, estamos usando as novas mídias para aumentar nossa capacidade de comunicação em todos os aspectos da nossa vida. Nós as usamos para aumentar nosso alcance, para que possamos nos comunicar com pessoas do outro lado do planeta.

Também podemos usá-las para acelerar a velocidade da nossa comunicação, o que acaba acelerando o ritmo de certas rotinas diárias. Estamos nos apropriando das novas tecnologias para sermos capazes de compartilhar ideias com uma quantidade de pessoas muito maior.

Assim, um vídeo produzido por um adolescente no quarto dele tem o potencial de atingir milhões por meio do YouTube, apesar de não existirem garantias de que isso irá acontecer. Então, para aqueles que estão mais imersos nas mídias digitais, todas as transações [entre as famílias, com os amigos, com os parceiros de negócios] estão mudando, como resultado do que estamos escolhendo fazer com essa extensão da nossa capacidade de comunicação.

Henry Jenkings, autor de "Cultura da convergência"

Como o mundo visto por meio de várias mídias [no modelo transmídia] mudou o jeito como consumimos conteúdo?

O jeito mais claro de pensar sobre isso é por meio de um exemplo que tomou os jornais na semana passada: o anúncio da autora J. K. Rowling. Ela lançou o Pottermore, uma espécie de rede social voltada para a leitura interativa da série de livros “Harry Potter”.

O anúncio de Rowling tem duas premissas básicas: a de que os leitores são uma parte ativa da experiência de leitura criada por ela e a de que os leitores estão sedentos por mais do que eles podem ter com os livros e filmes que já existem. Ela está criando algo novo, que aumenta os recursos disponíveis para os fãs dos livros — ela prometeu mais de 100 mil novas palavras sobre o mundo em que Potter vive.

Mas esse novo conteúdo estará disperso no tempo, integrado nas margens dos livros originais e disponível apenas on-line. Isso representa uma nova relação entre um autor e seus leitores, um relacionamento que envolve contínuas interações e extensões da ficção criada pela autora e que envolve algum nível de engajamento feito por meio da rede social que ela construiu ao redor do livro.

Isso também dá a Rowling um controle maior sobre a publicação de novas informações e sobre sua relação com os fãs. Essa é a promessa do mundo transmídia. Mas isso fica mais complicado, já que existe uma infraestrutura de fãs que cresceram ao redor desses livros e filmes e que já faz, independentemente, um pouco do que ela está prometendo fazer com o Pottermore. Então, ela vai ter que negociar com as expectativas dos fãs e tentar compreender o jeito com que eles vão lidar com a história. E essa é a luta de se estar entre a web 2.0 e a cultura participativa.

O modelo transmídia, por meio do qual é possível contar histórias com o uso de vários meios, já é visto no Brasil?

Isso é parte do que eu quero aprender mais durante minha viagem. Eu já estive no Rio de Janeiro e em São Paulo e pude conhecer pessoas supercriativas na Rede Globo, um centro importante para a produção de novelas e uma empresa que está interessada no entendimento completo de o que a transmídia pode trazer. Ainda tenho muito o que aprender sobre o papel da mídia no seu país, mas tudo o que eu já aprendi sugere que o Brasil está prestes a se tornar uma superpotência da mídia e da cultura pop.

No Brasil, o acesso à internet ainda não é para todos. Acha que vamos nos apropriar da rede de uma maneira diferente do que ocorreu nos EUA?

Nós temos combinado mídias diferentes para contar histórias durante a história da humanidade. No meu país, a internet tem sido uma peça-chave no processo transmídia, mas não há razões para que isso tenha que ser o centro da transmídia no Brasil. O modelo transmídia envolve usar a mistura mais apropriada de plataformas de mídia para uma história particular, para atingir uma audiência em particular. E isso pode ser feito por meio de formas tradicionais como músicas, performances ao vivo, comunicação oral e escrita, arte, transmissão de TV e filmes.

Parte do que torna o Brasil um lugar interessante nesse processo é que vocês têm práticas de cultura popular vibrantes –o samba e o carnaval, por exemplo– que ainda fazem parte da rotina das cidades. Nos Estados Unidos, as práticas populares foram quase que extintas com o crescimento das mídias de massa.

Eu vejo a cultura de participação tomando forma na intersecção entre as culturas populares e a cultura digital, então, enquanto o Brasil se torna mais on-line, é possível que a sua cultura digital tome um formato diferente, por causa da sua forte tradição popular.

Como a organização das pessoas em rede pode ajudar os países em desenvolvimento?

A comunicação feita em rede permite que as pessoas juntem recursos para o benefício de todos. Nós sempre tivemos redes sociais. Em várias comunidades mais pobres, as pessoas sobrevivem cuidando uns dos outros, trocando favores, emprestando recursos, resolvendo problemas de uma maneira coletiva. Essas práticas têm muito em comum com o que começamos a ver com o surgimento das comunidades on-line.

Essas comunidades são, como o antropologista norte-americano George Lipsitz sugere, ricas em rede, mas pobres em tecnologia. Então, com um Brasil mais on-line, poderemos ter os mais pobres ensinando os mais ricos sobre como viver em uma economia de rede.

Pelos seus livros, podemos ver que você é um grande estudioso do comportamento dos fãs. Como você acha que a tecnologia permite que os fãs sejam mais criativos?

Eu não diria necessariamente que a tecnologia permitiu que os fãs fossem mais criativos. Eles sempre foram criativos e foi isso que me levou a estudar o comportamento deles há mais de duas décadas. Os fãs são uma comunidade popular e viva que usa os recursos das mídias de massa para criar e compartilhar o que eles criaram com outros. Eles usam qualquer ferramenta que estiver disponível.

Eles fizeram criações com máquinas de fazer cópias, eles editaram vídeos usando dois videocassetes. Sim, existem novas formas de produção cultural na era do YouTube e do Facebook, mas o que realmente mudou é a natureza com a qual as culturas circulam.

Isso é o centro do meu próximo livro, que estou escrevendo com Joshua Green e Sam Ford. No passado, as pessoas faziam vídeos caseiros que eram domésticos no conteúdo e na exibição, e eles não saiam da esfera privada. Hoje, os vídeos caseiros, na verdade, são filmes públicos –eles se espalham on-line das maneiras mais diferentes. E a mídia criada pelos fãs está coexistindo com a mídia oficial para moldar a percepção do público de um universo ficcional específico. Isso está dando aos fãs uma influência cultural muito maior do que eles tinham antes.

Como podemos lidar com as questões dos direitos autorais quando estamos falando de um mundo constantemente recriado pelos fãs?

Nós precisamos repensar os direitos autorais e o seu uso justo. Nossa estrutura atual de leis foi desenhada para acomodar as necessidades de uma cultura em que um número limitado de pessoas poderia produzir e compartilhar informações. Agora, vivemos em um mundo onde mais e mais pessoas são capazes de participar da cultura nesse nível, e, ao democratizarmos a participação na criação de ideias, nós temos que mudar a propriedade intelectual para um direito que possa ser de todos os membros da sociedade.

Nós temos o direito de participar significativamente da nossa cultura e isso inclui o direito de citar e responder a materiais produzidos pela nossa cultura.

Isso não significa que as empresas ou os autores tenham que desistir de controlar o que acontece com suas ideias, mas significa que eles têm que perceber que o seu controle sobre esses materiais nunca é absoluto.

Os autores sempre criaram a partir do trabalho de outros autores e o que mudou é apenas que agora temos uma classe muito maior de pessoas querendo ser autores da cultura.

*

RAIO-X HENRY JENKINS

PROFISSÃO É professor de comunicação, jornalismo e artes cinematográficas na Universidade do Sul da Califórnia. Integra o conselho da Alchemists Transmedia Storytelling Company
PUBLICAÇÕES Escreveu vários livros sobre mídia e cultura popular, entre eles o “Cultura da Convergência”, lançado no Brasil pela editora Aleph
BLOG www.henryjenkins.org

PROJETO DESCOLAGEM

CONVIDADOS Além de Jenkins, estarão presentes Zach Lieberman, Daito Manabe e Rafael Parente
QUANDO 2 de julho, às 15h [os portões serão abertos a partir das 14h]
ONDE Núcleo Avançado em Educação [rua Uruguai, 204, Tijuca, Rio de Janeiro]
INSCRIÇÕES Os interessados devem responder a um questionário e aguardar a confirmação da inscrição. Encontre em bit.ly/inscdesc
ON-LINE Haverá transmissão ao vivo on-line em www.facebook.com/descolagem

POR AMANDA DEMETRIO, DE SÃO PAULO | Publicado originalmente em Folha Online | 29/06/2011 – 03h37

No Brasil, metade dos alunos não tem acesso a computador


Entre 65 países avaliados, apenas 10 estão em situação pior que a brasileira, indica levantamento do Pisa

Metade dos estudantes brasileiros está “desconectada” e o País soma uma década de atraso em relação aos países ricos no que se refere ao acesso a computadores e internet. Se não bastasse, as escolas brasileiras estão entre as piores em relação ao contato dos alunos com a informática, o que pode comprometer a formação de milhares de jovens.

Esse é o resultado do primeiro levantamento do Programa Internacional de Avaliação de Alunos [Pisa] para analisar a relação entre os sistemas de ensino e a tecnologia. Segundo o documento, elaborado com dados de 2009 pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico [OCDE], as escolas brasileiras não estão equipadas e o Brasil é o último em uma lista de 38 países avaliados em relação ao número de computadores por alunos na escola.

“O aprendizado do uso do computadores é primordial para o futuro desses jovens. Estudos mostram que pessoas com conhecimento de informática têm 25% mais de chance de encontrar um trabalho”, disse Sophie Vayssettes, pesquisadora responsável pelo levantamento, que mediu o acesso ao computador de um estudante de 15 anos em várias partes do mundo.

De um total de 65 países avaliados, apenas 10 estão em situação pior que a do Brasil. Alunos da Romênia, Rússia e Bulgária contam com mais acesso à tecnologia que os brasileiros. No País, em média, 53% dos estudantes de 15 anos têm computadores em casa. Há dez anos, a taxa era de 23%. Apesar do avanço, os números ainda são inferiores à média dos países ricos. Na Europa, EUA e Japão, mais de 90% dos estudantes têm computador. O acesso no Brasil é hoje equivalente ao na Europa no ano 2000.

O estudo aponta ainda a desigualdade do acesso à informática no Brasil. Entre os mais ricos, 86% têm computador e internet em casa – taxa equivalente a dos alunos de países ricos. Entre os mais pobres, apenas 15% têm as ferramentas em casa.

PARA ENTENDER

Prova avalia leitura de textos na internet

Saber ler e calcular já não basta. O Pisa avaliou pela primeira vez a leitura digital de estudantes, para examinar a capacidade de “acessar, administrar, integrar e avaliar a informação” na internet. Ou seja, analisou a capacidade dos jovens de construir novos conhecimentos a partir de textos eletrônicos.

Apenas 19 países participaram – o Brasil não entrou por causa do baixo número de computadores nas escolas. Os que melhor se saíram foram os alunos sul-coreanos, seguidos pelos da Nova Zelândia, Austrália, Japão, Hong Kong, Islândia e Suécia.

Por Jamil Chade, CORRESPONDENTE/GENEBRA | Publicado originalmente em O Estado de S.Paulo | 29 de junho de 2011 | 0h 00

Coreia do Sul lidera leitura pela internet, aponta pesquisa


Os estudantes sul-coreanos, com 568 pontos – a média é de 499 na Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico [OCDE] -, estão no topo do ranking de leitura de textos pela internet, seguidos de longe por neozelandeses e australianos com 537 pontos nos dois casos.

Publicado nesta terça-feira, o relatório do Programa Internacional de Avaliação de Alunos [Pisa] avalia a capacidade de absorção da informação procedente de diferentes fontes, a credibilidade utilizada e a navegação em sites de forma autônoma e eficiente.

Entre os últimos postos dos 16 países da OCDE que participaram de 2009 da experiência, os estudantes chilenos de 15 anos aparecem com 435 pontos, distante dos que se situavam imediatamente acima: Áustria [459], Polônia [464], Hungria [468] e Espanha [475].

Colômbia ficou ainda mais abaixo, com 368 pontos, após ser submetido à mesma análise, apesar de não pertencer à organização. O mesmo que Hong Kong [515 pontos] e Macau [492].

Com notas acima da média aparecem Japão [519], Islândia [512], Suécia [510], Irlanda [509], Bélgica [507] e Noruega [500], e logo atrás aparecem França [494] e Dinamarca [489].

Globalmente, 8,5% dos alunos dos 16 países da OCDE alcançaram ao menos o nível 5 de capacidades leitoras em linha, embora com notáveis diferenças por países.

Assim na Coreia do Sul, Nova Zelândia e Austrália 17% estavam nesse nível 5 ou superior, enquanto mais da quarta parte no Chile, Áustria, Hungria e Polônia não alcançavam sequer o nível 2, considerado o mínimo para um pleno acesso às oportunidades educativas, de emprego e sociais próprias do século 21. Na Colômbia era quase 70% o que não chegava.

Os resultados deste novo estudo Pisa são muito similares a outros precedentes que avaliavam as habilidades de leitura de textos impressos, nos quais novamente a Coreia do Sul aparecia na primeira posição com 539 pontos, seguido por Hong Kong [533], Nova Zelândia [521], Japão [520] e Austrália [515].

Na parte de baixo da tábua apareciam Dinamarca [495], Hungria [494], Espanha [481], Áustria [470], Chile [449] e mais uma vez a Colômbia [413].

Os autores da pesquisa indicaram que os países com piores números tendem a mostrar melhores resultados na compreensão de leitura de textos impressos.

Destaque ainda para a diferença entre meninos e meninas – em favor sempre destas últimas – é algo menor na leitura na internet, com 24 pontos de diferença no conjunto da OCDE frente a 39.

Constataram que o percentual de alunos que dispõe de equipamentos de informática em casa aumentou notavelmente, ao passar de 72% em 2000 para 94% em 2009, com até 99,1% na Islândia, 98,7% na Noruega, 98,2% na Áustria, mas logo após que 87,5% na Coreia do Sul. A proporção mínima, no entanto, é a do Chile [73,2%].

Nos centros escolares, o percentual médio dos estudantes que utilizam computadores é de 74,2% na OCDE, com mais de 90% em países nórdicos como a Dinamarca, Noruega, mas também na Austrália, 62,7% na Coreia do Sul, menos, portanto, que na Espanha [65,5%] e o Chile [56,8%].

De qualquer maneira, entre as conclusões do estudo figura a que os “usuários moderados” da rede obtêm notas mais altas na capacidade de leitura que os “intensivos” ou que os se conectam esporadicamente.

Além disso, quanto mais intensivo é o uso de computadores na escola, os resultados se ressentem. Pelo contrário, há uma associação positiva entre o uso do computador em casa para fins de lazer e a aquisição de capacidades de compreensão dos textos.

Agencia EFE | 28/06/2011

Ações inovadoras digitais no negócio editorial


Curso da Universidade do Livro trata dos desafios da edição neste novo cenário que se abre com a chegada de novas tecnologias

A Universidade do livro – UNIL [Praça da Sé, 108 – Centro – São Paulo/SP] promove, nos dias 4 e 5 de julho, das 18h às 21h, o curso “Ações inovadoras digitais no negócio editorial”. Destinado a editores, jornalistas, professores, bibliotecários, estudantes de comunicação e editoração, empresários e demais interessados pela área editorial, o curso irá tratar da chegada das tecnologias digitais e dos desafios que este novo formato de publicação impõe.

Serão apresentados conceitos e fenômenos relacionados à transformação digital do mercado bem como cases ilustrativos com ações inovadoras usando tecnologias digitais.

O curso será ministrado por Martha Gabriel, engenheira pós-graduada em marketing e design gráfico, e custa R$ 400 para sócios e estudante, e R$ 500 para o restante do público. As inscrições devem ser feitas através do telefone 11 3242-9555 ou por e-mail.

PublishNews | 28/06/2011

Fazendo eBooks


Por Cindy Leopoldo | Publicado originalmente em Publishnews | 28/06/2011

Há meses vinha pensando que ninguém do mercado editorial brasileiro tinha o perfil geeknecessário para realmente explicar o que diabos era ePub. Ok, me diziam quais eram as vantagens dele em relação ao PDF, que o InDesign fazia a conversão, falavam do mercado americano, dos e-readers, dos direitos autorais, mas quando chegávamos na pergunta “mas como um arquivo .indd se ‘transforma’ num .ePub?” a conversa travava em “ah, aí é com um programador”… E a pergunta que ficava martelando na minha cabeça era: de onde tiraríamos esse programador com noções de design de livro e que aceitaria os valores por lauda do mercado editorial? E a única resposta que me vinha era: dos próprios birôs de diagramação, será apenas um serviço a mais. Assim, inventei o mundo tranquilo do editorial digital, no qual apenas os diagramadores teriam que se aventurar no mundo assustador dos códigos de programação e a nós, produtores editoriais, caberia apenas o trabalho de sempre: isbn, revisão, controle de prazos etc.

Essa tranquilidade foi desaparecendo na medida em que recebíamos os arquivos convertidos: fontes perdidas, imagem de capa desaparecida, sumários confusos ou com pouca informação, imagens que apareciam em um leitor, mas não em outros, links [notas, por exemplo] que jogavam para trechos errados do livro etc. Definitivamente, não era tranquilo pra ninguém, todo o mercado precisava estudar, não havia sequer uma empresa benchmark no setor. Na verdade, não havia nem há o setor!

Cheguei a acreditar que só nos restava esperar que os fornecedores amadurecessem, mas isso me deu um desânimo, uma sensação de impotência, que me fez perceber que eu estava no caminho errado. Um dia, ao sair do trabalho, percebi o óbvio: estava mais uma vez perdendo ânimo e energia por acreditar que o mundo [editorial ou não] é absolutamente previsível e, pior, que eu já o tinha compreendido e catalogado. Mais uma vez, estava paralisada pela odiosa arrogância de quem trabalha há anos na mesma área e abafando minhas dúvidas. Decidi que teria que me livrar de mais esses pré-conceitos, que só servem para nos fazer crer que “nada nunca irá mudar” ou “só eu me interesso por isso”, e iria achar as pessoas de programação que sabiam o que era ePub. Rapidamente a energia voltou! Fazendo buscas e buscas no Google, encontrei um fórum de discussões e me animei: achei o revolução e-book. Lendo as discussões, percebi que havia um senhor que parecia saber bastante sobre os problemas que temos no dia a dia de uma editora, peguei todos os contatos que consegui pra “um dia quem sabe…”, mas nunca tive coragem de ligar ou escrever e expor minha ignorância a ele. E, além disso, o que eu poderia falar com ele? Pedir uma aula? Uma palavra amiga? Não liguei, mas não foi necessário, pois acabamos nos conhecendo dias depois totalmente por acaso no curso da Simplíssimo em Niterói.

O tal “senhor” se chama Antonio Hermida [antoniofhermida@gmail.com] e é bem mais novo que eu… Trabalhava como estagiário de produção editorial em uma editora carioca por ainda estar cursando Letras, mas antes estudou Análise de Sistemas. Com ele inauguro uma nova coluna dentro da coluna, que se ocupará de conhecer [e apresentar] a nova geração editorial.

 
Por que você saiu da informática? Você fez Letras porque queria trabalhar com livros?
Na verdade, sim e não. Comecei a fazer Letras por gostar de latim e literaturas, mas precisava me sustentar antes, daí ter feito informática [área na qual sempre tive facilidade de transitar]. Queria poder me dedicar ao estudo da literatura sem a obrigação de me formar às pressas, com urgência do mercado de trabalho. Sempre quis trabalhar e estar entre livros, mas nunca tive uma ideia muito clara de como faria isso.

O que fazia [dentro de uma editora] quando começou?
Basicamente tudo que faz um estagiário de editorial. Cotejo, pesquisa, padronização de textos, notas, bibliografia…

Quando surgiu o ePub na sua vida? O que espera do ePub3?
Na época, os arquivos em epub estavam sendo convertidos fora do país, o que gerava uma série de problemas ortográficos e, pior que isso, uma demora absurda para correção. Um ciclo sem fim de revisão-emenda-outra revisão-novos erros-emenda-revisão etc. Peguei alguns arquivos para cotejar e, em casa, pesquisei sobre a estrutura do epub e passei a emendá-los diretamente no código. Como a lista de arquivos convertidos [e com problemas] não era curta, pude ir montando um “banco de dados” tanto de erros quanto de efeitos interessantes a serem explorados nas conversões futuras, assim como um manual de estilo para digitais. Acho que foi basicamente isso, comecei a entender os epubs consertando-os. Ainda é das coisas que mais faço [consertar], principalmente quando recebo testes de fornecedores que estão regulares e podem ser aproveitados.

Sobre o epub3, bem, eu cresci brincando com livros-jogos da série Aventuras Fantásticas, justo por isso penso em e-books não só convertidos para o formato, mas concebidos e idealizados como digitais, desde o esboço.

Um bom romance policial não precisaria ser linear, nem ter apenas um final possível, assim como você poderia escolher com que personagem seguir a história, colocar senhas, links externos, pistas em sites… Bem, a própria definição de gênero correria perigo de ser reformulada ou passar a ambientação num caso desses. Fora as demais possibilidades oferecidas por conectividade, geolocalização [no html5], suporte audiovisual…

Você gosta de ler livros digitais? Pra você, o que eles têm de melhor e de pior em relação ao livro impresso? A Faculdade de Letras já fala sobre eles?
Uma edição ruim é cansativa independente do suporte e quando trabalhamos com isso passamos a reparar em detalhes que são ignorados pela maior parte dos leitores. Dentro do que consumo, gosto, claro, de boas edições, impressas ou digitais. Por comodidade tenho lido muito mais digitais [acabo convertendo em casa os textos que recebo dos professores ou livros em domínio público utilizados em algumas literaturas], carrego a maior parte do que preciso ler em um e-reader no lugar de carregar uma resma de papel e livros que, no geral, atacariam minha rinite. É mais cômodo nesse sentido e a leitura proporcionada pela e-ink é confortável. O fato de você poder ajustar o tamanho das fontes, navegar pelas notas, fazer buscas por palavras e consultar suas definições são vantagens indiscutíveis em um e-book. A rigidez do impresso, apesar de às vezes figurar como desvantagem, tem uma segurança da qual sinto falta. Se eu passar um e-book de um e-reader para outro, perco minhas notas e marcações, o mesmo acontece quando acho algum problema na edição e resolvo corrigí-la. Não é mais o mesmo arquivo, e lá se vão minhas notas e marcações outra vez. O que mais gosto num livro é sentir-me avançando nele, por mais que tenhamos a barra de status indicando quantas páginas foram lidas /total, perdemos um pouco desse desbravar. A sensação tátil também perde um pouco, mas isso é pessoal, não acho que seja unânime, nada é. Na Letras a preocupação maior é com o texto em si, com a palavra, não com o suporte, mesmo os professores de idade mais avançada se mostram animados quando eu levo algum e-reader.

Poderia fazer um ranking dos 5 e-readers/tablets/aplicativos que você prefere e explicar o porquê da preferência?
1. Nook [1 e New Nook]: Atualizações frequentes de software, tanto para correção quanto para melhoria, excelente contraste e tempo de resposta [no New então…]. Gosto muito do Kobo Reader também. Fujo da série PRS da Sony, usei até o 600 e não gostei, tanto pelo comportamento peculiar do texto e dos links quanto pelo contraste que é fraco, além de eu ter que ficar desviando do meu reflexo para poder ler.

2. iPad: para ler revistas e livros de fotografias. Imagino que para quem consome livros de arquitetura [por exemplo] não tem opção comparável. As telas e em e-ink são quase todas de mais ou menos 6 polegadas. Excelentes para texto, mas, pelo próprio tamanho, ficam devendo.

3. Lucidor [& Lucifox, sua extensão para o Firefox] é leve, multiplataforma e, na abertura do arquivos, aponta se tem algum problema [inclusive alguns que o epubcheck deixa passar] no epub.

4. Calibre: Também é multiplataforma e funciona como um gerenciador de biblioteca, mas que também faz conversões simples para os mais variados formatos.

5. Adobe Digital Editions: É a tecnologia do ADE que pauta a compatibilidade entre a maioria dos e-readers [embora isso esteja mudando com a emergência epub3]. É leve, simples e intuitivo.

Como você avalia a oferta de fornecedores para “conversão” em ePub? Eles são mais coders ou mais diagramadores?
Melhor do que era 1 ano atrás, mas longe do ideal. No geral são diagramadores com algum suporte de um webdesigner. O maior problema está na mentalidade. “Dá para fazer isso?” [por exemplo, utilizar a tipologia do impresso]. “Dá”. “É a melhor prática?” ou “O resultado compensa?”. “No geral, não.”

Considerando que você analisa e/ou produz códigos de e-books quase todos os dias há mais de um ano, quais dicas você daria aos diagramadores e aos coders? Quais os erros mais comuns que eles cometem?
O maiores problemas são com imagens, grandes e achatadas por código [por exemplo, uma imagem de capa de 1024×1280, que vai ser exibida assim, no código: height:35%; fora isso, o trabalho com as imagens é diferente, as telas ainda são, em sua maioria, monocromáticas, o contraste varia etc.
A tipologia também é um problema. Se não tiver jeito, se uma fonte precisa mesmo ser embutida ao arquivo, dois cuidados devem ser tomados: padronização do tamanho em “Em” e conversão do tipo para otf. Parece pouca coisa, mas, em termos gráficos, são as principais características que compõem uma edição. No mais, testar sempre no maior número de aparelhos e programas a fim de observar as diferentes maneiras como cada um interpreta e, o de praxe, ferramentas como o epubcheck, o validador do Sigil etc.

E quais os erros mais comuns que os editoriais cometem contra os fornecedores de ePubs?
Todos permeiam o mesmo tema: a busca por um e-book igual à edição impressa. São edições diferentes, que se comportam de maneira diversa entre si. A melhor maneira de entender o produto que estão vendendo é consumindo-o. Manipular edições digitais como usuário é a melhor prática de julgamento e o melhor exercício de entendimento. A falta de um manual de estilo [realista] para fornecedores também gera uma série de ruídos de comunicação e não permite ao fornecedor saber o que o se espera.

Quais tipos de arquivos podem ser “convertidos”? Você trabalha com quais softwares?
Qualquer arquivo digital pode ser convertido para epub da mesma maneira que um manuscrito pode tornar-se livro. Alguns formatos dão [muito] mais trabalho que outros. O indd é o mais comum, quase um padrão. Mas não vejo problemas em arquivos de outros tipos desde que os cuidados pós “conversão” sejam feitos. Pessoalmente acho infinitamente mais rápido e fácil trabalhar com doc/odt, o código fica mais limpo, o arquivo mais leve, e fácil de editar/acrescentar coisas.

Utilizo, basicamente o seguinte:

Para edição do arquivo já em epub uso o BlueFish* ou Sigil, dependendo do que é preciso fazer.

Para imagens: Gimp e Inkscape [para imagens svg, as quais dou preferência por não perderem resolução].

Para preparar o texto antes uso o LibreOffice + algumas extensões. No caso de o arquivo ter vindo de um pdf [acontece às vezes], MyTXTCleaner.

E, insisto, o maior número de visualizadores possível.

Quais as características de um e-book bonito?
Se você lê sem notar nada de errado é um bom sinal. Se o arquivo está leve, bem ordenado, de fácil leitura e bem “diagramado” [com imagens variando de acordo com a tela e respeitando as margens], se as notas não estão abrindo entrelinhas [e os links funcionando, uma vez que não é possível ficar folheando para procurar com a mesma facilidade que se tem em uma edição impressa], se está tudo bem padronizado [os espaços, as citações, os títulos] e funcionando mesmo quando o texto é redimensionado… em suma, tudo isso, quando passa imperceptível, causa boa impressão. Os erros é que saltam aos olhos e interrompem a fluidez da leitura.

Sei que você tem prestado consultoria para algumas empresas, mas, além de você e da Simplíssimo, o que mais há que trate do código? Que dica você daria para os estudantes que querem trabalhar com e-books no futuro? Estudem o quê? Onde? Como?
Acho que é uma questão de tempo que “e-books” tornem-se disciplina em produção editorial. Enquanto isso não acontece: xhtml, css e, fundamentalmente, as miudezas que envolvem o “design” de livros. Grosso modo, um diagramador webdesign tem 80% do que é necessário para dar conta de todo o processo.

Criar um blog offline é um exercício bom, embora o formato também tenha suas próprias peculiaridades… Os sites da wc3 e da idpf fornecem material abundante.

Por Cindy Leopoldo | Publicado originalmente em Publishnews | 28/06/2011

Cindy Leopoldo é graduada em Letras pela Universidade Federal do Rio de Janeiro [UFRJ] e pós-graduada em Gerenciamento de Projetos pela Universidade Federal Fluminense [UFF]. Trabalha em departamentos editoriais há 7 anos. Escreve quinzenalmente para o PublishNews, sempre às terças-feiras.
A coluna Making of trata do mundo que existe do lado de dentro das editoras. Mais especificamente, dentro de seus departamentos editoriais.

2° Congresso Internacional CBL do Livro Digital abre inscrições


Já estão abertas as inscrições para o 2° Congresso Internacional CBL do Livro Digital, que será realizado em São Paulo, nos dias 26 e 27 de julho, no Centro de Eventos da Fecomércio. Estarão reunidos no Congresso todos os envolvidos com o mercado do livro, sejam livrarias, distribuidores, editoras, leitores e/ou apaixonados por esse universo vão se reunir para discutir assuntos que estão em pauta há tempos: Quem são os novos protagonistas do mercado do Livro Digital? Quais os próximos passos para que o Livro Digital se torne um negócio que gere lucro? Quais as novas tendências desse mercado que cresce rapidamente?

A Câmara Brasileira do Livro [CBL], em parceria com a Frankfurter Buchmesse, maior e mais importante feira editorial do mundo, se propôs responder a essas e outras perguntas e fornecer as informações e orientações necessárias para que todos trilhem um caminho de sucesso. A programação do Congresso conta com diversas palestras de personalidades nacionais e internacionais, importantes nomes da cadeia produtiva do livro e da mídia digital.

As inscrições já estão abertas e podem ser realizadas através do link abaixo, onde podem ser encontrados também os valores da taxa de inscrição.

http://www.congressodolivrodigital.com.br/site/inscricoes.php

Mais informações sobre o evento:
G. Treviso Comunicação – Gloriete Treviso
[11] 5084-4212 / [11] 9174-9174 – gtreviso@gtreviso.com.br

G. Treviso Comunicação – 27/06/2011

EUA dobra o número de donos de e-readers


O número de donos de leitores eletrônicos de livros, como o Kindle da Amazon, dobrou entre os adultos norte-americanos nos últimos seis meses, passando de 6% para 12%, de acordo com uma pesquisa publicada nesta segunda-feira [27].

O estudo, do Pew Research Center, descobriu que a adoção de tablets como o iPad estava crescendo mais devagar entre os norte-americanos maiores de 18 anos.

Enquanto o número de donos de leitores eletrônicos de livros dobrou de novembro de 2010 a maio de 2011, a quantidade de donos de computadores tablet cresceu de 5% em novembro para 8% em maio, disse a pesquisa.

O centro de pesquisas Pew diz que 22% dos norte-americanos que tem curso superior agora têm um e-reader, enquanto 3% dos adultos do país têm um leitor eletrônico e um tablet.

O número de donos de leitores eletrônicos de livros e tablets, porém, segue menor que o de celulares, computadores de mesa e notebooks.

A pesquisa com 2.277 adultos foi conduzida entre 26 de abril e 22 de maio. A margem de erro é de dois pontos percentuais.

France Presse | 27/06/2011

Pan Mac cria selo digital para obras fora do catálogo


Pan Macmillan acaba de lançar um selo para seus títulos fora de catálogo, que poderão ser comprados em formato digital ou impresso [nesse caso, a impressão é feita sob demanda]. O Macmillan Compass será dirigida pelo editor de ficção Jeremy Trevathan e pela diretora da área digital Sara Lloyd. A ideia é estabelecer parcerias exclusivas com agentes, herdeiros e demais donos de direitos autorais. A editora garantiu que os preços desses novos formatos serão “competitivos”.

Por Graeme Neill | The Bookseller | 27/06/2011

O que é um eBook?


Por Ednei Procópio

Eu agora estou empenhado na formatação de um modelo de negócios para a minha nova empresa, a Livrus Negócios Editoriais. Uma espécie de agência focada em comunicação e especializada em livros digitais, que pretende atender contas de escritores e levá-los ao admirável mundo novo.

Na hora de decidir um foco da nossa área de atuação, porém, uma questão nos veio à toa: O que é um eBook?

Bem, depois de uma década de experiência na área, precisei novamente voltar ao básico para responder a algo que já me parecia ter sido respondido lá atrás, quando tive acesso pela primeira vez a plataforma Rocket eBook da californiana Nuvomedia.

A Estrada da Futuro, de Bill Gates

Back to Basic

Para responder a pergunta “O que é um eBook?”, resolvi voltar ao básico. Fui ler novamente o meu livro de cabeceira, “A Estrada do Futuro”, a obra prima de Bill Gates lançada em 1995.

Bill Gates, em algum momento, em uma de suas falas ou artigos, deixa claro a separação estratégica que envolvia o hardware e o software nos negócios de sua empresa, na época em que ele a dirigiu.

A Microsoft, em algum momento de sua trajetória, resolveu aventurar-se na fabricação de hardwares [XBox, Kin, etc.] e também chegou a comercializar produtos com conteúdo [MS Encarta, Games, etc.]. Mas a Microsoft especializou-se mesmo no desenvolvimento de softwares [Windows, Office, MS Reader, etc.].

Convergência nos negócios

Inspirado em algum momento lúcido da brilhante carreira de William Gates III, percebi a diferença básica que se apresenta nos três principais itens que compõe um livro digital:

HARDWARE

Todos os livros, digitais ou não, necessitam de um hardware para trefagar. O livro impresso necessita do hardware papel, enquanto que o livro digital necessita de um netbook, de um tablet, e-reader ou mesmo de um smartphone. O segredo para a nossa empresa, chegamos a conclusão, é ficar atento a base instalada desses hardwares móveis aqui no Brasil. Ou até mesmo, quem sabe, desenvolver o nosso próprio suporte.

SOFTWARE

Para escrever, estruturar e armazenar um livro se faz necessário um software. Que começa com um sistema operacional [iOS, Android, etc.]; avança para um software de autoria ou conversão [Indesign, Calibre, etc.]; e termina em algum aplicativo de leitura [BlueFire, Kindle Apps, MS Reader, etc.].

CONTEÚDO

O fato é que eu cheguei a conclusão de que, para o meu novo empreendimento, embora possamos vislumbrar o novo mercado de aplicações e aplicativos móveis, o segredo dos nossos negócios está no conteúdo. Os nossos reais clientes [escritores, leitores, etc.] estão interessados em conteúdo e é neste item, portanto, que iremos focar.

Reinicializando

Respondendo finalmente a pergunta inicial deste post, “o que é um eBook?”: Livro digital é a convergência perfeita entre hardware, software e conteúdo.

Livrus Negócios Editoriais

Ainda estou pensando em alguns focos no planejamento estratégico da minha nova empresa, mas, pelo menos em termos de comunicação interna, nós já temos bem definido o que seja um eBook. E já sabemos que o nosso foco será o conteúdo. Embora possamos em algum momento de nossa história comercializar um tablet reader [em regime OEM] ou um aplicativo por nós encapsulado.

Quando houver um hardware fino, leve, portátil, móvel, conectado e acessível em termos de custo; quando houver um aplicativo de leitura que vença a experiência da leitura de um livro em hardware papel; quando houver conteúdo para livros digitais em quantidade e qualidade; neste dia espero que a nossa nova empresa já tenha se estabelecido como uma facilitadora entre os livros e seus escritores, até o mercado leitor.

Ednei Procópio é editor, especialista em livros digitais. É membro da Comissão do Livro Digital da CBL e Coordenador do Cadastro Nacional do Livro. É autor da obra “O Livro na Era Digital” e criador da plataforma http://www.Livrus.com.br.

Smartbook


Por Ednei Procópio

PaperPhone

Se depender do cientista Roel Vertegaal, do laboratório de mídias humanas da Universidade de Queens, no Canadá, em cinco ou dez anos os celulares serão feitos de papel.

A criação de Vertegaal, batizada de PaperPhone, promete realizar todas as funções de um smartphone comum, incluindo a leitura de livros digitais.

Uma das coisas que mais chama a atenção do PaperPhone é a tecnologia que permite que a sua bateria só seja operada quando uma função é acionada no equipamento. O que ajuda na economia de energia, um dos maiores entraves tanto dos celulares quanto de leitores de livros digitais.

Conexão direta

A conexão é um dos entraves dos livros digitais, principalmente no Brasil onde a conexão é uma das mais lentas e a caras do mundo. E é aqui que a gente começar a entender o crescente interessante de companhias de telefonia, como a Telefonica na Espanha, neste mercado emergente de “livros portáteis”.

Para o crescente mercado de livros digitais o PaperPhone pode significar uma mudança de jogo, pois diversas editoras, bibliotecas, livrarias e distribuidores digitais poderiam trafegar livros diretamente para o público leitor nos smartphones utilizando a própria rede de tráfego destes tipos de equipamentos.

O PaperPhone, embora represente um avanço em espessura [ele é 7 vezes mais fino que o iPad2], ainda é apenas um protótipo que custou cerca de US$ 6 mil para ser desenvolvido. Sua tela possui apenas 9,5 cm e foi produzida a partir de um display E-INK, a mesma tecnologia utilizada em alguns e-readers disponíveis no mercado como Sony Reader.

Segundo a Universidade de Queens, que emitiu um comunicado à imprensa, a descoberta abre espaço para uma nova geração de portáteis.

Barreiras nas negociações da Amazon com editoras


O peruano Pedro Huerta, executivo da Amazon na América Latina, segue no País na próxima semana, com encontros agendados em empresas do ramo no Rio e em São Paulo. Os objetivos – conseguir números precisos do mercado e fechar contratos para distribuição de conteúdo em português para outros países – não têm se mostrado simples. Tateando o universo dos e-books, muitas editoras não têm interesse em liberar dados para a loja. “Huerta está muito perdido porque o mercado está perdido“, avalia um editor. Outro problema, segundo quem já leu o contrato proposto pela varejista, está no modelo do documento: a Amazon quer a prerrogativa de definir descontos sobre títulos que vende, podendo, por exemplo, comprar um livro a US$ 15 e vender a US$ 9. Nos EUA, as grandes editoras não sossegaram enquanto não alteraram contratos do gênero. Huerta até teria sugerido limitar os descontos a 20%-30%, mas, por ora, nada feito. Sobre abrir uma Amazon.br, possibilidade ainda distante, há quem veja outro empecilho: a maior loja virtual do mundo teria de enfrentar a Saraiva, que no Brasil tem mais força entre editoras, já que é também a maior vendedora de livros impressos do País.

Por Raquel Cozer | O Estado de S. Paulo | 25/06/2011

Disney lança quadrinhos digitais para iPad, iPhone e iPod


Para quem quiser reler aquelas antigas revistas em quadrinhos do Mickey, Pateta, Pato Donald e cia. e também conferir as histórias criadas para os personagens da Pixar como Carros, Toy Story, entre outros, a Disney Publishing Worldwide acaba de colocar na AppStore da Apple o aplicativo Disney Comics.

Por enquanto, estão disponíveis mais de 50 publicações, que incluiu alguns dos personagens clássicos da Disney e material desenvolvido para a série High School Musical, Tron: Legacy e Enrolados [Tangled], animação inspirada no conto da Rapunzel. A empresa ainda garantiu que serão lançados 2 novas títulos por semana.

O aplicativo, compatível para iPhone, iPad e iPod touch, fez sua estreia nos EUA mas estará nas AppStores da Apple de mais de 80 países localizados nas Américas, Europa, Ásia, África e Austrália.

“Nós criamos mais de 25 mil páginas a cada ano e é imprescindível que entreguemos esse conteúdo para todos os leitores ao redor do mundo. Temos mais de 1 bilhão de leitores hoje e o aplicativo irá fazer nossa audiência crescer”, declarou o presidente da Disney Publishing Worldwide, Russell Hampton.

Entre os recursos oferecidos para o Disney Comics estão a inclusão de efeitos sonoros para as histórias em quadrinhos, a personalização do modo de leitura e compartilhamento dos títulos preferidos via Facebook e e-mail. Na página dedicada a “estante de revistas em quadrinhos”, existe uma divisão para títulos, personagens e categorias.

O aplicativo e os títulos da seção DigiFree podem ser baixados gratuitamente. Quanto ao conteúdo catalogado e apresentado na DigiStore, o preço varia entre $.99 a $4.99.

Por Bárbara Gaia | TechTudo | 24/06/2011 | Via Enhanced Online News

Rowling anuncia site para leitura virtual de Harry Potter


J.K. Rowling, autora dos livros sobre o bruxo Harry Potter, anunciou nesta quinta-feira [23] um site gratuito em que os usuários poderão ler as histórias de Potter de uma maneira mais interativa. Para o site, batizado de Pottermore, Rowling afirma ter escrito mais sobre os personagens, lugares e objetos envolvidos na história.

De acordo com uma nota de divulgação do site, a autora informa que as histórias ganharão mais detalhes com ilustrações e momentos interativos. Para entrar no site, o usuário deverá escolher um “nome mágico”.

J. K. Rowling, autora da série de livros "Harry Potter"

A página também trará uma loja on-line onde usuários poderão comprar livros virtuais e áudiolivros da série Harry Potter. Pottermore estará disponível em inglês, francês, italiano, alemão e espanhol, inicialmente, e será aberto para o público em outubro. Os fãs já podem entrar no site e se registrar.

Eu queria dar algo de volta aos fãs que seguiram o Harry tão devotamente durante os anos e trazer as histórias para a geração digital. Eu espero que os fãs e os que ainda não conhecem a história participem no ato de moldar Pottermore“, disse Rowling.

Folha.com | 23/06/2011 – 12h45

RS: fisl12 abre espaço para autores lançarem seus livros


Até o momento, o fisl12 conta com mais de 3 mil inscritos | Foto: Divulgação

O 12º Fórum Internacional do Software Livre [fisl12] abrirá um espaço para que autores de livros que abordem assuntos como software livre, inclusão digital, educação e linguagem de programação possam lançar suas obras no evento. No estande da Associação Software livre.org, os autores poderão apresentar seus livros, interagir com o público e participar de uma sessão de autógrafos.

Para participar da iniciativa e ter o direito de apresentar o livro no evento em uma palestra de 15 minutos, os autores precisam enviar uma amostra de material para análise para a organização do evento até sexta-feira. Os livros devem estar disponíveis para download e ser licenciados em Creative Commons. Para mais informações, acesse http://www.fisl.org.br.

O fisl12

A 12ª edição do Fórum Internacional Software Livre [fisl] será realizada no Centro de Eventos da PUCRS, e terá atividades voltadas às mais diversificadas áreas de 29 de junho a 2 de julho. O fisl12 é considerado um dos principais eventos de discussão e expansão do software livre no mundo e tem apoio da Sociedade Brasileira de Computação [SBC] e promovido pela Associação Software Livre [ASL.Org]. Neste ano, a expectativa é que 8 mil pessoas passem pelo evento que terá mais de 450 atividades, incluindo palestras, workshops, oficinas e eventos comunitários, integrarão usuários, programadores e desenvolvedores de tecnologia.

Terra | 22/06/2011

Site da Livraria Cultura repaginado


O site da Livraria Cultura está de cara nova. Para comemorar o lançamento do novo site, que continua no mesmo endereço, a rede realiza até dia 22 de julho um concurso cultural entre os tuiterios. Para participar, basta seguir o perfil @LivCultura e responder corretamente as perguntas que serão publicadas diariamente. Os seguidores que responderem mais rápido e de forma correta concorrerão a livros, DVDs e CDs. O ganhador do prêmio do dia estará automaticamente classificado para a pergunta final, que concorrerá a um vale-presente de R$ 1.000,00. A Cultura foi a primeira livraria a ter e-commerce e a loja virtual já é responsável por 18% das vendas entre todas as lojas.

PublishNews | 22/06/2011

Propaganda de eBooks ainda é um problema


Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em Publishnews | 22/06/2011

Mike Shatzkin

Desde os meus oito anos, sempre estou lendo pelo menos um livro. Quando era criança, os encontrava em casa [papai trabalhava na indústria] ou na biblioteca da cidade, Croton-on-Hudson, ou na biblioteca da escola. Às vezes situações fora do comum me traziam um monte de material de leitura. Nos últimos dias do segundo ano da escola, peguei catapora e fiquei na cama por umas duas semanas. Já tinha desenvolvido uma afinidade com a série de livros infantis da Random House sobre história norte-americana chamada Landmark Books, que ainda está disponível. Papai conhecia a pessoa na gráfica responsável pela conta da Random House e uma caixa com 40 livros chegou um dia depois que fui diagnosticado. Quando finalmente pude sair da cama, já tinha lido todos.

Quando estava no ensino médio, descobri que uma grande farmácia na esquina da Rua 42 com a Rua Vanderbilt, na Grand Central Station, tinha uma enorme seleção de livros paperback e ela se tornou um destino de compras pra mim por um bom tempo.

Quando adulto, as compras e as descobertas passaram a acontecer nas livrarias. E apesar de, ocasionalmente, encontrar ideias sobre o que ler em resenhas de livros ou recomendações de amigos, normalmente eu simplesmente ia até a livraria e comprava. Ia dar uma espiada nas seções de história norte-americana, biografias ou esportes [besisebol tem sua própria estante dentro de esportes].

Nunca me tomou muito tempo encontrar o que eu queria ler até chegar aos e-books.

Na era dos e-books pré-Kindle, eu era cativo da loja Palm Digital, porque lia num Palm e sua postura era não permitir que outras lojas vendessem seu formato. As escolhas eram limitadas porque as editoras, antes da chegada do Kindle, relutavam em fazer os investimentos necessários para publicar livros para mim e para as outras quatro pessoas que liam e-books na época. Isso mudou imediatamente quando o Kindle chegou e, por causa dele e de outros grandes formatos que chegaram ao mercado desde então, as opções são muito maiores agora. Quase todo livro novo que quero ler está disponível para o aparelho que escolhi [o iPhone] e a digitalização do catálogo continua acontecendo nas editoras.

Mas a propaganda, pelo menos para alguém que compra num iPhone [é um pouco melhor através de outros aparelhos ou PCs], deixa muito a desejar. Minhas experiências de compra são, na verdade, parecidas a uma caminhada aleatória. Eu peço para a minha loja me mostrar os livros por categoria e, como minhas categorias não mudam muito [e não mudaram muito desde que sou criança], tendo a ver os mesmos livros muitas vezes, muitos dos quais já li [talvez em outros formatos].

Há pouco tempo, estava comprando minha próxima leitura no iPhone. Comecei a comprar com o Kindle e depois com o Nook, mas alguns minutos em cada site mobile não mostraram nada que me animasse. Aí, no Google eBooks, encontrei Making of the President 1968, de Theodore White. Esse era o que eu queria ler. Comprei e já estou na metade.

Não existe nenhuma garantia especial de que vou encontrar meu próximo livro na Google. Ainda não encontrei nenhum padrão claro entre as quatro lojas em que compro normalmente [Kobo é a quarta]. Obviamente, se eu soubesse que queria ler outro thriller de James Patterson ou John Locke, os dois estariam em poucos minutos no meu iPhone sem grandes problemas. É quando estou buscando por assunto que encontrar uma boa opção de leitura parece ser um golpe de sorte. Com certeza não estou ajudando as livrarias ao ficar fazendo compras em vários lugares; mesmo se alguma delas tivesse um bom motor de busca para guardar as minhas compras anteriores, ler o meu perfil e fazer uma excelente recomendação, eu estaria complicando por ficar espalhando meus dados por aí.

Tudo isso mostra a dificuldade do desafio enfrentado por Bookish nos EUA e aNobii no Reino Unido, dois sites para “encontrar a próxima leitura”, financiados por grandes editoras. E eles se juntam a uma longa lista de sites que tentaram construir recomendações e conversas comunitárias baseadas no que as pessoas estão lendo: Goodreads, Shelfari, Library Thing, e a nova plataforma de e-books, Copia.

Acontece que a nossa empresa está agora se dedicando a colocar o livro do “The Shatzkin Files” em plataformas diferentes da sua inicial, a Kobo [os 60 dias de exclusividade terminaram]. Quando encontramos um limite de sete palavras-chave no processo de upload do Kindle, comecei a questionar: “Por que esse limite?”

E tive uma boa resposta. Acontece que a inclinação de qualquer autor ou editor seria colocar um monte de palavras-chave. Essa era a minha intenção. Ia pegar toda palavra-chave de todo post e colocar no livro. Mas, depois de refletir, como meu amigo na Amazon sugeriu, isso realmente não ajudaria o leitor que estava procurando o meu livro. O fato de um post no blog falar sobre um sobrevivente do Holocausto não quer dizer que alguém procurando esse tópico vai querer meu livro, cujo resto do conteúdo fala sobre coisas totalmente diferentes.

Acontece que a Amazon usa algoritmos criados por busca de texto completo para melhorar o que eles mostram em resposta às buscas que o editor e o autor não necessariamente pensam quando criam metadados. Como exemplo, ele mostrou um livro que você vai encontrar na Amazon se procurar por “erasure coding”, um termo de arte que poderia muito bem não ter sido incluído por um autor ou editor ao inserir palavras-chave, mas que os métodos mais sofisticados da Amazon permitem que seja usado para buscas.

Meu amigo na Amazon não disse isso, e talvez eu esteja lendo muito sobre o que eles fazem, mas quase parece que as palavras-chave que colocamos poderiam ser supérfluas e a capacidade que eles têm de fazer análises e algoritmos sobre textos completos na verdade mandam no que descobrimos. Talvez a solicitação de palavras-chave a autores e editores seja “só pra inglês ver”, mas é claro que não espero que a Amazon admita isso.

Eu estava apenas procurando por “história norte-americana” quando encontrei Making of the President 1968 no Google [e não encontrei em nenhum outro lugar quando procurei]. Então, as sofisticadas capacidades da Amazon não funcionaram para mim e agora o mecanismo deles não sabe que esse era um livro que eu queria, porque comprei em outro lugar.

Mas estou realmente feliz por ter encontrado este livro, que deve ter saído bem recentemente em formato e-book. Eu fui bastante ativo naquela campanha e na Convenção Democrática em Chicago, onde era o assistente de Pierre Salinger na primeira campanha de George McGovern. O autor dos livros da sérieMaking of the President, Theoore White, era amigo de Salinger e eu o conheci na convenção. Mas vou guardar as histórias dessa campanha para outro post, em outro dia.

Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em Publishnews | 22/06/2011

Mike Shatzkin tem mais de 40 anos de experiência no mercado editorial. É fundador e diretor-presidente da consultoria editorial The Idea Logical Co., com sede em Nova York, e acompanha e analisa diariamente os desafios e as oportunidades da indústria editorial nesta nova realidade digital. Oraganiza anualmente a Digital Book World, uma conferência em Nova York sobre o futuro digital do livro.

Nos Arquivos de Shatzkin, o consultor novaiorquino aborda os desafios e oportunidades apresentados pela nova era digital. O texto de sua coluna é publicado originalmente em seu blog, The Shatzkin Files [www.idealog.com/blog].

Bibliotecas na web


Colocar um blog no ar pode ser uma boa ideia? Sim! Afinal, o que nele estiver poderá ser lido por qualquer pessoa, a qualquer tempo, na rede mundial de computadores.

Assim podem fazer as bibliotecas, públicas, comunitárias, particulares, como fez a Biblioteca Municipal Prof. Benito Caliman, de Venda Nova do Imigrante, no Espírito Santo.

Assim está fazendo a diferença a bibliotecária de lá, Sandra Küster, como tantos outros bibliotecários pelo mundo afora. Conheça a história contada pela Sandra e conte sua, também!

Já são dois meses no ar e até agora mais de 3.700 acessos, diz Sandra. “Hoje, com mais experiência na operação do sistema, o blog está mais interessante e cheio de novidades! Conseguimos reorganizar a apresentação da lista do acervo que está bem fácil de ser acessada, com apenas um click. Se você se tornar seguidor, estará sempre recebendo notícias e novidades”, explica a bibliotecária.

Para acessar o blog, clique aqui.

Por João Augusto | Agência Brasil Que Lê | 21/06/2011

Convenção de Livrarias fecha a programação


Com o tema “Livrari@ – realidades e perspectivas”, a 21ª Convenção Nacional de Livrarias vai acontecer nos dias 29, 30 e 31 de agosto de 2011, no Hotel Sofitel [Avenida Atlântica, 4.240 – Rio de Janeiro/RJ] e vai discutir formas de conquistar e encantar o cliente, as diferenças entre atender e entender, as políticas públicas para o livro e a leitura, a relação do livreiro com o autor e o editor e, como não poderia faltar, o livro digital e os desafios que se abrem às livrarias com a sua popularização. Entre os que já confirmaram presença estão Fabiano dos Santos Piúba, diretor de livro, leitura e literatura da Secretaria de Articulação Institucional do Ministério da Cultura; Galeno Amor, presidente da Fundação Biblioteca Nacional; e André Vianco, escritor. Glorinha Kalil também estará por lá para dar dicas de estilo. A organização é da Associação Nacional de Livrarias. Para participar, inscreva-se no site http://www.anl.org.br ou mande um fax [11] 3361-4622.

PublishNews | 21/06/2011

Oi Cabeça recebe fundador da revista “Eletric Literature”


Encontro será nesta quarta-feira, dia 22, no Rio de Janeiro

Scott Lindenbaum, um dos fundadores da revista “Electric Literature”, dedicada à publicação de contos de autores consagrados e iniciantes, é o convidado desta quarta-feira, dia 21 de junho, do Oi Cabeça. Idealizado pelo Pólo Digital e com curadoria de Heloisa Buarque de Hollanda e Cristiane Costa, o projeto acontece mensalmente até dezembro no Oi Futuro Flamengo [Rua Dois de Dezembro, 63 – Flamengo – Rio de Janeiro/RJ]. Para debater com Lindenbaum, foram convidados Paulo Werneck, editor da Ilustríssima; Sergio Rodrigues, autor do blog Todo Prosa, e Carlo Carrenho, sócio-fundador do PublishNews. A “Electric Literature” desenvolveu multiplataformas – ela pode ser lida em iPad, Kindle, no site e ainda impressa sob demanda em qualquer lugar do mundo. Isso levou à criação da Electric Publisher, que transforma livros e revistas em aplicativos para iPad. Para a programação completa, clique aqui.

PublishNews | 21/06/2011

II Congresso Internacional do Livro Digital será nos dias 26 e 27/7


O 2º Congresso Internacional CBL do Livro Digital será realizado nos dias 26 e 27 de julho de 2011, no Centro de Eventos da Fecomércio em São Paulo / SP.

O 2º Congresso Internacional CBL do Livro Digital tem o objetivo de reunir representantes de toda a cadeia do livro para discutir temas relevantes quanto ao impacto da era digital no mercado editorial brasileiro. Serão intercaladas apresentações e debates, com mediação de importantes personalidades do mundo editorial e da comunicação. Joseph Craven apresenta a palestra “Comunidades Verticais desenvolvidas por editores: um mundo e novas oportunidades”. Joseph é Vice-Presidente de Vendas e Desenvolvimento de Negócios da Sterling Publishing Co. Inc. é responsável por supervisionar todas as atividades de vendas nos Mercados Especiais, Mercados Digitais e canais de Vendas Institucionais e Comerciais, além de gerenciar as iniciativas de Desenvolvimento Digital e de Negócios da Sterling Publishing.

Faça sua inscrição para o II Congresso CBL Internacional do Livro no site: www.congressodolivrodigital.com.br.

CBL Informa | 20/06/2011

Biblioteca Britânica e Google fecham acordo para digitalizar 250 mil livros


Itens digitalizados do acervo vão de 1700 a 1870

A Biblioteca Britânica e o Google anunciaram nesta segunda-feira uma parceria para ditigalizar 250 mil livros do acervo da biblioteca.

Os artigos que serão digitalizados não possuem restrições relativas a direitos autorais.

Os títulos, que abrangem um total de 40 milhões de páginas, datadas de 1700 a 1870, foram selecionados pela Biblioteca Britânica e digitalizados pelo Google, que irá arcar com todos os custos do processo.

Entre os primeiros itens a ser digitalizados estão panfletos feministas a respeito da rainha Maria Antonieta, de 1791, um documento sobre o primeiro submarino movido por um motor de combustão, de 1858, e um texto que oferece um relato detalhado de um hipopótamo empalhado do príncipe de Orange, de 1775.

Uma vez digitalizados, os textos poderão ser consultados na íntegra, baixados e lidos por meio do programa Google Books.

Pesquisadores e estudantes em qualquer parte do mundo poderão ter acesso aos itens digitalizados e copiá-los e compartilhá-los desde que o façam sem fins comerciais.

A parceria com o Google é o mais recente acordo firmado pela Biblioteca Britânica com entidades privadas para digitalizar a coleção da biblioteca.

Recentemente, a instituição anunciou uma parceria com a editora online britânica brightsolid para
digitalizar 40 milhões de páginas de sua coleção de periódicos e já havia firmado anteriormente um acordo com a Microsoft para digitalizar 65 mil livros do século 19, alguns dos quais estão disponíveis atualmente por meio de aplicativos do iPad, da Apple.

BBC Brasil | Atualizado em 20 de junho, 2011 – 10:09 [Brasília] 13:09 GMT

Os números da Apple


Por Ednei Procópio

Tenho reparado numa série de dificuldades, por parte das editoras nacionais, em disponibilizar eBooks na plataforma iTunes/iBooks. Aliás, descobri uma plataforma nova baseada em PDF, muito parecida com o Zinio, que quero comentar assim que conseguir terminar de testar.

Embora eu ainda considere o caminho Apple um pouco burocrático, e por isso custoso para os padrão editorial brasileiro, uma da coisas que eu mais gosto na Apple é que ela mantém uma política de divulgar bem os seus números. Algo que a Amazon sempre esconde ou manipula.

Durante a última Conferência Internacional de Desenvolvedores da Apple, a AllThingsD divulgou alguns números referentes a plataforma da maçã. Eu estava, como sempre, sem tempo pra divulgar estes números aqui, mas vamos lá:

HARDWARE

São 25 milhões de unidades do iPad em todo o mundo.

SOFTWARE

O iOS [sistema que roda nos hardwares iPads, iPhones e iPods Touch] representa 44% de todo o mercado móvel mundial.

São pelo menos 200 milhões de hardwares que rodam o sistema operacional iOS. À propósito,  eu às vezes me pergunto porque a Apple não abre o seu iOS para outros fabricantes [?].

CONTEÚDO

425 mil aplicativos estão disponíveis no iTunes.

90 mil aplicativos dos quais rodam exclusivamente no hardware iPad.

Até agora, o iTunes comercializou cerca de 30 milhões de livros digitais via aplicativo iBooks.

Outros 14 bilhões de aplicativos foram baixados em menos de três anos.

O montante de negócios para os desenvolvedores giram em torno de US$ 2,5 bilhões.

Adorei os números. Bem que poderia haver uma Apple do Brasil, né, pra gente poder trafegar de modo mais rápido e simples o nosso conteúdo naquela plataforma.

Por Ednei Procópio

Impressão sob demanda


Representantes da Bibliolabs, empresa de digitalização de livros que fechou parceria com a Singular no passado, também desembarcam aqui este mês. A meta é conversar com bibliotecas como a Nacional e a da USP para digitalização de títulos, para então vendê-los em impressão sob demanda, com parte do lucro indo para as instituições. Os criadores da Bibliolabs, que no passado venderam para a Amazon o atual serviço de impressão sob demanda da loja, voltaram ao noticiário há pouco com o aplicativo mais baixado para iPad na categoria livros, com o acervo da British Library.

Por Raquel Cozer | O Estado de S. Paulo | 18/06/2011

Amazon mais perto


O peruano Pedro Huerta, executivo da Amazon na América Latina, estará pela primeira vez no País na semana que vem. Participará de uma apresentação para editoras na sede da CBL, em São Paulo. O interesse principal da maior varejista eletrônica do mundo, no entanto, não é abrir uma loja brasileira, e sim conseguir conteúdo em português. No momento em que houver conteúdo o suficiente, a loja, ainda sem data definida, pode se tornar realidade.

Por Raquel Cozer | O Estado de S. Paulo | 18/06/2011

Lugar de livro é no YouTube?


LivroClips podem ser uma forma inovadora e eficiente de divulgar livros pela internet

O escritor e agente literário Andrey do Amaral é autor, entre outras obras, de um livro que orienta novos escritores a publicarem seus livros com sucesso. Em Mercado editorial – Guia para autores [Ciência Moderna], Amaral comenta desde a produção dos originais, passando pela distribuição e divulgação. Ele relata como as novas tecnologias podem ser aliadas do usual boca a boca entre leitores, principalmente nas redes sociais. Agora, o agente também aposta no YouTube. Ele acabou de lançar quatro LivroClips de textos seus e dos autores que representa no site de vídeos. A nova ação parece ter dado bastante resultado. Os teasers animados das obras contabilizam mais de 14 mil acessos, um público difícil de ser atingido nas estantes das livrarias. São 7.800 acessos só no teaser do livro Novo e divertido acordo ortográfico [Ciência Moderna], do próprio Amaral.

PublishNews | 17/06/2011

Projeto de “Harry Potter” não é um novo livro, diz porta-voz


A internet se transformou em um festival de boatos depois que a autora da saga literária de Harry Potter, J.K. Rowling, lançou um misterioso site com uma contagem regressiva para o anúncio de um novo projeto na próxima semana.

Uma porta-voz da bilionária escritora informou que não se trata de um novo livro e que o site também não está relacionado à estreia da segunda parte de “Harry Potter e as Relíquias da Morte”, o último filme da série, que chegará aos cinemas em julho.

Os internautas que visitam a página www.pottermore.com encontram uma tela com a cor rosa, duas corujas e a mensagem “Coming soon” [em breve], com a assinatura da escritora.

Ao clicar em uma das corujas, o internauta abre uma página do YouTube com uma contagem regressiva até 23 de junho e a mensagem “As corujas estão se reunindo… descubra por que em breve”.

A página provocou todo tipo de especulações sobre o novo projeto.

“É um novo projeto, e não é um novo livro nem está diretamente relacionado ao filme”, disse a porta-voz de Rowling, Rebecca Salt.

“Não vamos dizer mais nada agora”, completou.

A marca “Pottermore” pertence à Warner Bros, o estúdio americano que produziu a saga cinematográfica de Harry Potter.

Os fãs foram levados até o novo site por um jogo de pistas lançado em dez páginas de fãs do jovem bruxo.

Também foi criada uma conta no Twitter [@pottermore], que já tem mais de 50 mil seguidores.

Entre as especulações dos internautas está uma muito aguardada enciclopédia da saga, um jogo on-line ou um “parque temático gigante”.

A saga “Harry Potter” é uma das mais lucrativas da história. Os sete livros venderam mais de 400 milhões de exemplares em 69 línguas, e os sete filmes lançados até o momento arrecadaram mais de US$ 6,6 bilhões em todo o mundo.

DA FRANCE PRESSE, EM LONDRES | Publicado por Folha.com | 17/06/2011 – 14h29

Fundação Biblioteca Nacional aumenta digitalizações de periódicos em 1.000%


Três scanners novos, adquiridos em fevereiro pela Fundação Biblioteca Nacional, vão alavancar a quantidade de arquivos de periódicos da Biblioteca Digital em 1.000%. O trabalho iniciado este ano vai fazer com que o atual acervo de 1 milhão de imagens passe para 10 milhões. Um investimento de R$ 6 milhões, obtidos com recursos do Ministério da Ciência e Tecnologia / FINEP, vai possibilitar que o acervo de periódicos em domínio público fique disponível no site da BN. O prazo para a conclusão dos trabalhos é de dois anos. O novo processo de digitalização possibilitará que o usuário faça buscas a partir da tecnologia OCR [sigla em inglês para reconhecimento ótico de caracteres], que transforma arquivos digitais do modo imagem para modo texto, permitindo, assim, pesquisa por palavras.

Boletim da Biblioteca | Nº 190 | 17/06/2011