Livro que mistura Facebook e ficção científica vai virar filme


Warner Bros. comprou os direitos para adaptar às telas o romance The Future of Us, de Jay Asher e Carolyn Mackler.

Ambientada em 1996, a trama mostra uma garota que, ao acessar a Internet pela primeira vez da sua casa, descobre seu perfil do Facebook de 15 anos no futuro. A partir da descoberta, ela e a melhor amiga vão decidir se tentam se encaixar nas vidas sugeridas pela página ou rejeitá-las completamente.

Di Novi Pictures será responsável pela produção. O romance será publicado nos EUA em novembro.

Por Aline Diniz | Publicado originalmente no site Omelete | 25 de Maio de 2011

Como é difícil descobrir o preço correto para o livro digital


Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em Publishnews | 25/05/2011

Mike Shatzkin

Wall Street Journal publicou um artigo sobre um assunto que já nos preocupa há um certo tempo: a dificuldade que as editoras terão em sustentar os preços dos livros no momento em que o fornecimento [de livros] está crescendo mais rápido do que a demanda por causa de toda a autopublicação que está chegando ao mercado.

O WSJ construiu sua história ao redor de John Locke, cujos livros de mistério custam 99 centavos de dólares e conseguiu ganhar US$ 100 mil em março vendendo-os na Kindle Store. O próprio Locke coloca a questão dos preços sob outra perspectiva. Se seus livros custam 99 centavos de dólar e a maioria dos e-books das grandes editoras custa de US$ 9,99 para cima, ele não precisa provar que é tão bom quanto os outros escritores; eles é que precisam provar que são 10 vezes melhores do que Locke!

Já li o Locke e afirmo: não consigo pensar em ninguém que seja dez vezes melhor do que ele. Por seus próprios critérios, ele poderia facilmente vender por US 2,99 [e ganhar uma porcentagem mais alta de royalties] porque ninguém é três vezes melhor do que ele, também.

Enquanto isso, num nível muito menos importante comercialmente, o e-book do The Shatzkin Files saiu agora pela Kobo por US$ 3,99. Como o preço foi pensado? A Kobo disse: “vamos colocar este preço”. A primeira ideia deles foi que deveria custar US$ 4,99, mas depois sugeriram diminuir porque, afinal, todo o conteúdo do e-book está no blog, de graça [isso estabelece que qualquer pessoa que compra o e-book está pagando pela conveniência do conteúdo agregado num só lugar e produto, não pelo conteúdo em si].

Não sei qual é o impacto diluidor do The Shatzkin Files sobre as vendas do “verdadeiro” e-book, mas é, como o material de John Locke, concorrência adicional para livros que são lançados por editoras. É mais oferta concorrendo pela mesma demanda.

Tentar entender o impacto real do preço é bastante difícil. A Amazon informa que os livros sobre os quais ela tem controle do preço estão crescendo mais do que os livros nos quais as editoras controlam o preço. Isso é outra maneira de dizer: “e-books de 99 centavos e US$ 2,99 autopublicados estão crescendo mais do que ebooks de US$ 9,99 a US$ 14,99 publicados pelas grandes editoras”. Isso tenderia a sugerir [e certamente procura dizer] que o preço alto [e “sem noção”] está prejudicando a rentabilidade das grandes editoras e dos grandes autores, mas não dá para tirar essa conclusão dos dados com absoluta certeza.

Voltando a Locke. Ele afirma que o livro de US$ 9,99 precisa ser “10 vezes melhor” do que o dele para ter um valor equivalente, mas eu afirmaria que ele precisa vender somente um décimo da quantidade de exemplares vendidos por Locke para garantir a mesma renda. A Penguin ainda está vendendo o Fall of Giants , de Ken Follett, por US$ 19,99. Venderia vinte vezes mais exemplares se cobrasse 99 centavos? E, se vendesse, faria isso canibalizando as vendas da edição de capa dura, que, com um preço de US$ 36, possui uma margem de quase US$ 20 em relação ao e-book?

Não sei se US$ 19,99 é o preço certo para Fall of Giants, mas tenho certeza de que 99 centavos não é.

Em outras palavras, as grandes editoras não estão loucas ao resistir aos preços de e-books que os novos autopublicados estão colocando. Para ser justo, não podemos sugerir que a Amazon colocaria seus preços a esse nível, se tivesse a liberdade para tanto. Uma coisa é certa: a menos que os esquemas de preços mudassem completamente, a Amazon teria “comprado” um e-book [no atacado] a um preço que limitaria sua disposição a rebaixá-lo. Eles realmente pressionaram as editoras assumindo perdas em alguns e-books, vendendo por US$ 9,99 o que tinham comprado por US$ 12 ou US$ 15. Mas nunca os venderiam por 99 centavos!

Na verdade, parece que a Amazon não tem controle sobre o preço do livro de Locke, porque o artigo do WSJ deixa claro que ele vai continuar vendendo por 99 centavos, mesmo podendo ganhar mais a US$ 2,99 [A Amazon paga um royalty de 35% para livros abaixo de US$ 2,99 e 70% por livros entre US$ 2,99 e US$ 9,99, então Locke ganharia US$ 2,10 por cópia se vendesse a US$ 2,99 em vez dos 35 centavos de agora]. Provavelmente a Amazon teria colocado os livros dele a um preço onde Locke [e eles] ganhassem mais, não onde conseguissem mais vendas por unidade, o que, assumimos, iria aumentar a cada centavo que os preços fossem reduzidos – até chegarem a ser gratuitos.

Mas o fato de que as editoras não estão necessariamente erradas em tentar manter os preços perto dos US$ 10 ou mais não apaga duas verdades convincentes que seria um erro ignorar.

Uma é que a pressão para baixa nos preços é inexorável porque o número de autores empreendedores como John Locke vai crescer e eles serão descobertos e “ganharão nome”, e assim muitos leitores os verão como substitutos para os autores mais caros das editoras, e porque o número de ofertas iguais às do e-book do The Shatzkin Files – de pessoas que não estão escrevendo para lucrar com o conteúdo, mas que estão construindo uma audiência e de qualquer maneira têm um livro – vai continuar a acrescentar oferta para o que é uma demanda relativamente estática.

E o segundo, já falado aqui antes há não muito tempo, é que as editoras não sabem tanto quanto poderiam e deveriam sobre como o preço afeta as vendas por unidade e o lucro total.

Cedo ou tarde, uma ou duas grandes editoras vão começar a fazer experiências sérias com isso. Elas vão conseguir o conhecimento que vai permitir que digam a um autor ou agente: “sabemos algumas coisas sobre preços que podem gerar uma boa renda para você, se publicar conosco”. Quando isso acontecer, provavelmente vai ser mais significativo para um autor do que um aumento na porcentagem nos royalties. Talvez uma editora possa até acrescentar valor suficiente com expertise em preços para compensar a redução deles!

Até agora, somente um autor que conhecemos recusou um adiantamento significativo de uma grande editora para se autopublicar. Foi Barry Eisler, e escrevemos sobre ele quando tomou sua decisão de recusar meio milhão de dólares para se autopublicar. A gente convidou o Barry para falar em nossaprimeira Conferência Publishers Laucnh em 25 de maio na BookExpo America. Estamos muito interessados em quanto ele está antecipando em vendas no exterior e como vai lidar com direitos de tradução, mas também queremos saber os pensamentos de Barry sobre como ele vai estabelecer os preços para seus livros quando o poder estiver inteiramente em suas mãos.

Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em Publishnews | 25/05/2011

Mike Shatzkin tem mais de 40 anos de experiência no mercado editorial. É fundador e diretor-presidente da consultoria editorial The Idea Logical Co., com sede em Nova York, e acompanha e analisa diariamente os desafios e as oportunidades da indústria editorial nesta nova realidade digital. Oraganiza anualmente a Digital Book World, uma conferência em Nova York sobre o futuro digital do livro.

Nos Arquivos de Shatzkin, o consultor novaiorquino aborda os desafios e oportunidades apresentados pela nova era digital. O texto de sua coluna é publicado originalmente em seu blog, The Shatzkin Files [www.idealog.com/blog].

Congresso do Livro Digital aproxima academia e mercado


Organizado pela CBL, evento contará com a presença de profissionais do mercado editorial nacional e internacional e de pesquisadores brasileiros

A organização do 1º Congresso Internacional CBL do Livro Digital se surpreendeu com o sucesso do evento realizado em São Paulo em maio do ano passado e agora quer mais. Cinco pessoas da Comissão do Livro Digital da CBL trabalham para que toda a programação esteja redonda até os dias 26 e 27 de julho, quando será realizada a segunda edição do evento, também em São Paulo.

Com um público esperado de 500 pessoas, o 2º Congresso Internacional CBL do Livro Digital deve ampliar as discussões levantadas na primeira edição sobre o impacto da era digital na cadeia produtiva do livro. Além disso, pretende analisar o comportamento do consumidor, discutir assuntos de interesse comum aos empresários e executivos do livro, refletir sobre os principais desafios e oportunidades do mercado e dar orientações sobre a produção e a gestão do livro digital, uma vez que algumas de suas 640 entidades associadas [entre editoras, livrarias e distribuidoras] são pequenas e precisam de apoio para se adaptar às mudanças ocasionadas pela chegada e popularização do livro digital.

Entre os nomes confirmados estão Bob Stein, presidente do Institute for The Future of the Book, que irá falar sobre essa nova geração que já nasceu digital; Dominique Raccah, da Sourcebook e do Book International Study Group, que analisará o comportamento do consumidor; Rochelle Grayson, da BookRiff Media, que dará uma palestra sobre modelos de negócios; Piete Swinkles, da Kobo, e Diego Vorobechik, da Bibliografika, que, junto ao brasileiro Marcos da Veiga Pereira, da Sextante e da DLD, falarão sobre o novo papel das distribuidoras e livrarias no mundo do livro digital.

Além deles, participam Joseph Craven, vice-presidente da Sterling Publishing, em painel sobre as oportunidades para os editores e Martha Gabriel, diretora da New Media Developers, que dará uma palestra sobre o marketing para o livro digital. Dominique Raccah, do Book Industry Study Group e CEO da Sourcebooks, e Edmar Bulla comentarão sobre estratégias para as redes sociais; Ricardo Cavallero, da Random House Mondadori, falará sobre o novo papel do editor; Carlos Viceconti, diretor da Digisign, e Patricia Peck Pinheiro, da Peck Pinheiro Advogados, abordarão a pirataria e os direitos autorais na edição digital. Por fim, Sandra Reimão, da USP, analisará a “cultura do gratuito”. Outros nomes e mesas ainda serão confirmados, e a CBL também avisa que a programação pode sofrer mudanças.

A novidade do evento deste ano é a apresentação de trabalhos científicos. Com essa iniciativa, a CBL pretende aproximar academia e mercado. Foram inscritas dez pesquisas, das quais serão escolhidas entre 4 e 6 para serem apresentadas. Dessas, duas ganharão prêmios em dinheiro e poderão ser publicadas em revistas científicas. Os temas dos trabalhos variam desde os desdobramentos das mudanças causadas pelos livros digitais até educação e negócios. Segundo a comissão, por ser um tema muito novo é essencial que o mercado e a academia olhem juntas para o livro digital. A CBL espera que, com a divulgação dessa nova iniciativa, mais pesquisas sejam inscritas no ano que vem.

O 2º Congresso Internacional CBL do Livro Digital tem o apoio da Frankfurter Buchmesse e será realizado no Centro Fecomercio de Eventos [Rua Dr. Plínio Barreto, 285. Bela Vista – São Paulo/SP] e custa R$ 1.050 para associados da própria CBL, R$ 1.250 para associados de entidades congêneres, professores e estudantes, R$ 1.500 para não associados e US$ 925 para estrangeiros. As inscrições deverão ser feitas no site http://www.congressodolivrodigital.org.br.

Por Gabriela Nascimento | PublishNews | 25/05/2011