Três editoras francesas processam Google por falsificação


As editoras francesas Gallimard, Flammarion e Albin Michel processaram o Google por falsificação pela digitalização de milhares de títulos como parte de seu projeto de biblioteca universal.

A queixa contra a filial francesa do Google foi apresentada em 6 de maio no Tribunal de Grande Instância de Paris.

O Google a recebeu“, confirmou nesta quarta-feira o serviço jurídico da Gallimard.

Essa mesma queixa será apresentada contra a matriz.

O juiz deve estabelecer agora um calendário, e o Google terá que apresentar explicações, acrescentou.

As três editoras exigem € 9,8 milhões por perdas e danos da empresa americana pela digitalização não autorizada de 9.797 livros.

O valor “corresponde a uma tarifa fixa de € 1.000 euros por obra digitalizada das editorias“, ressaltou a Gallimard.

Nos limitamos a indicar que estamos certos de que os livros foram reproduzidos“, explicou o serviço jurídico da maior editora independente francesa, que celebra seu centenário este ano.

Este valor muda todos os dias porque a Google continua escaneando as obras, acrescentou.

DA FRANCE PRESSE, EM PARIS | Publicado em Folha.com | 11/05/2011 – 16h42

Enquanto tablets se expandem no Brasil, livro digital ainda engatinha


SÃO PAULO. Enquanto a base de proprietários de tablets, como o iPad, cresce em ritmo acelerado no Brasil, a oferta de livros digitais engatinha, devido a obstáculos que vão da renegociação de direitos autorais à preocupação com pirataria. Paulo Rocco, dono da editora Rocco, conta que alguns agentes cedem os direitos autorais para o livro digital por apenas dois anos, a título de experiência.

A editora começou a vender e-books há um mês. São 50 títulos, tirados dos contratos mais novos, que preveem a cessão de direitos para livros digitais.

Apesar das dificuldades, as editoras querem dar este ano um salto no número de e-books. A LP&M, hoje com 200 títulos, pretende chegar a 450. A Zahar quer passar de 300 para 450, e a Sextante, de 50 para 100.
– Se você procura um livro digital que não existe, a chance é maior que ele seja pirateado – diz Marcos Pereira, editor e sócio da Sextante.

Download é pouco se comparado à venda impressa

O consumo ainda é modesto. O best-seller “A cabana”, da Sextante, atingiu em seis meses mil downloads, contra 200 mil cópias em papel vendidas no período. Já “Comer, rezar e amar”, da Objetiva, teve 75 downloads em abril, contra 10 mil impressos vendidos.

Na Zahar, que produz livros digitais há dois anos, o faturamento destes é de apenas 0,1% do total. A editora, forte em livros acadêmicos, vende títulos por 30% menos que nas livrarias e oferece capítulos separadamente, por até R$ 1,90.

De olho na demanda futura, LP&M, Objetiva, Planeta, Record, Rocco e Sextante criaram em 2010 a Distribuidora de Livros Digitais [DLD]. Ela entrou efetivamente em operação há um mês, com catálogo de 400 obras, vendidas por Saraiva e Livraria Cultura e preço 30% menor que a versão em papel. Roberto Feith, diretor-presidente da Objetiva e presidente do Conselho da DLD, aposta na forte expansão quando os e-readers forem acessíveis à classe média.

Na Ediouro, a ênfase ainda é nas classes A e B. Ela tem hoje 200 livros digitais. Já a Record vem apostando em títulos para o público jovem.

Por Paulo Justus | Publicado por Globo.com | Digital & Mídia | 11/05/2011 às 00h50m | Todos os direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A.

Livros digitais baratos mexem com o mercado editorial


Nos Estados Unidos, é cada vez maior a dificuldade de grandes editores de livros para seguir cobrando o que cobram na frente digital. É que títulos digitais baratos, publicados de forma independente, ganham popularidade entre leitores em busca de diversão a baixo custo.

Na terça-feira à tarde, a lista dos 60 títulos digitais mais vendidos da Amazon.com Inc. trazia 17 livros por US$ 5 ou menos. Cinco deles, todos a US$ 0,99, eram do empresário John Locke, um escritor amador com uma série popular de policiais protagonizada por um ex-matador da CIA.

O que estão fazendo é afastar [o público] de autores renomados e criar visibilidade para títulos bancados pelo próprio autor“, disse um alto executivo do setor [que não quis ser identificado] a propósito da Amazon.

Enquanto a venda de livros digitais dispara, as editoras olham com inquietude para o mercado até então desprezado de títulos de publicação independente. Cinco anos atrás, era quase impossível que um título bancado pelo autor fosse dividir as prateleiras com os maiores nomes do mercado. Hoje, porém, o baixo custo da divulgação digital, aliado ao Twitter e a outras ferramentas de rede social, permite que autores até então desconhecidos tenham impacto mais depressa do que nunca.

A questão do preço chama atenção desde que a Amazon lançou o leitor digital Kindle, em novembro de 2007. O dispositivo estourou, puxado pelo grande apelo de best-sellers digitais a US$ 9,99 colocados à venda no mesmo dia do lançamento de um novo livro.

As seis maiores editoras dos EUA, cada vez mais receosas de que o desconto em livros digitais fosse corroer seu negócio tradicional, acabaram adotando o chamado modelo de agência: passaram a estipular elas próprias o preço de varejo dos títulos digitais, eliminando na prática descontos indesejados. Muitos de seus best-sellers para o Kindle custavam, na quarta, entre US$ 11,99 e US$ 14,99.

Algumas editoras vendem seus livros a preço de atacado para a Amazon, permitindo que ela ofereça um desconto em relação ao preço de varejo. Segundo a Amazon, seus estudos indicam que a venda de unidades de títulos digitais de editoras que adotam o modelo de agência não está crescendo ao mesmo ritmo de livros que a Amazon pode vender com desconto.

Hoje, o livro enfrenta a concorrência de uma leva de alternativas digitais e baratas de entretenimento facilmente acessadas ?? por tablets — alternativas inexistentes em aparelhos exclusivos para leitura digital. Na briga pelo tempo do público, as editoras batem de frente com a Netflix Inc., que cobra uma mensalidade de US$ 7,99 pelo acesso ilimitado a filmes e séries de TV na internet, e a loja iTunes da Apple Inc., onde por US$ 0,99 é possível alugar um episódio de uma série de TV.

Isso tudo ajudou a puxar as vendas de John Locke, o autor de policiais. Locke, que lançou seu primeiro título dois anos atrás, aos 58 anos, diz que decidiu entrar na arena do livro digital em março de 2010, depois de estudar os preços do setor.

Quando vi autores de grande sucesso cobrando US$ 9,99 por um livro digital, calculei que se pudesse ter lucro cobrando US$ 0,99 já não teria de provar que sou tão bom quanto eles“, diz Locke. “Agora são eles que precisam provar que são dez vezes melhores do que eu.

Locke ganha US$ 0,35 a cada título vendido a US$ 0,99. No total, diz que sua receita da venda de livros em março foi de US$ 126.000 só na Amazon. Locke gastou cerca de US$ 1.000 para publicar o livro digitalmente — embora também pague um editor para trabalhar com ele, uma despesa adicional.

Em março, Locke vendeu 369.000 downloads na Amazon. Em janeiro, foram cerca de 75.000 e, em novembro, apenas 1.300. Seus títulos também estão à venda em livrarias digitais operadas por Kobo Inc., Barnes & Noble Inc. e Apple Inc.

Locke tem mais de 20.000 seguidores no Twitter, usa um blog para promover seus livros, e responde pessoalmente a centenas de e-mails por semana. “É tudo questão de marketing, mas [o público] precisa gostar” de seu livro, diz ele.

A Amazon paga a todo escritor que usa o Kindle Direct Publishing, o serviço de publicação independente da varejista, royalties de 35% em títulos digitais abaixo de US$ 2,99,e de 70% em e-books com preços entre US$ 2,99 e US$ 9,99.

Por Jeffrey A. Trachtenberg | Publicado em The Wall Street Journal | 11/05/2011

A vergonha dos eBooks brasileiros


Os e-books são a sensação mundial em vendas da atualidade. São modernos, portáteis, práticos, de fácil compra e acesso e, principalmente, infinitamente mais baratos. No entanto, o mercado editorial brasileiro ainda não compreendeu essa dinâmica econômica dos livros digitais. Ou pior: compreendeu e está tentando lesar os consumidores para ganhar mais dinheiro enquanto for possível manter encoberta a farsa bandida ao grande público brasileiro. Você, caro leitor, está sendo literalmente roubado.

Vou tomar como grande exemplo o meu próprio caso, afinal, nada melhor que uma experiência pessoal para ilustrar um assunto tão delicado. Acredito que a maioria dos meus leitores, desde os mais distantes rincões às grandes capitais, tenha ciência de que eu lancei, no final de janeiro, o livro “A Primeira Presidenta”, com a honra de ser a primeira obra publicada no país sobre a trajetória política de Dilma Rousseff. Diante da morosidade das editoras na análise dos jovens autores e do cruel monopólio da intelectualidade reinante no Brasil, decidi arriscar tudo: banquei minha própria publicação, arcando com todas as responsabilidades, incluindo divulgação, marketing e afins.

Guardando ufanismos imbecis, mas sem ficar atolado em falsas modéstias, tive um resultado surpreendente e em questão de dias, com comércio exclusivamente digital, tinha vendido milhares de cópias. Como consequência imediata, algumas editoras começaram a me cercar interessadas em publicar meu trabalho, agora já reconhecido. Por não concordar com a política editorial anacrônica e até mesmo por certo rancor, neguei todas elas. E explico: depois que eu tinha me arriscado, bancado todo jogo e feito todo o trabalho, agora alguns estavam interessados em garfar uma fatia dos meus lucros. Simples assim.

Eis que a editora-chefe de uma empresa me apresentou aquela que considerei a melhor e mais justa proposta e nesta semana estamos chegando às livrarias e ao comércio eletrônico com “A Primeira Presidenta” pela Editora Faces, uma jovem e arrojada empresa, comandada por Bia Willcox, uma “mulher-alfa” que parece não dormir nunca. Sua proposta é perfeita: ser justa com o consumidor literário brasileiro e dar aos e-books a cara que eles realmente devem ter, como em qualquer outro lugar do planeta. Um livro digital, muito além da praticidade e da tecnologia embutidas em sua concepção, tem o dever absoluto de ser mais barato, mantendo uma expressa qualidade. E foi exatamente dentro desses critérios que a Editora Faces me seduziu. Me são caras e fascinantes a possibilidade brigar pela democratização do acesso aos livros digitais e a luta intransigente contra o monopólio intelectual e os roubos descarados a que os brasileiros estão sendo submetidos.

Parece papo de “comuna”? Não é não. Com a publicação do meu livro pela Editora Faces e o início das vendas, veio a grande surpresa: minha obra é uma das mais baratas do mercado atual. O livro está sendo vendido nos principais sites do país por apenas R$ 9,90. Ainda assim, eu estou recebendo minha devida e justa quantia pelos direitos autorais e a editora está ganhando seu naco para arcar com toda a equipe de profissionais envolvida no processo, além dos lucros e dos impostos, obviamente. Parece uma pizza pequena a ser dividida por muitos? É sim. Mas é justo. É honesto. Principalmente com os consumidores.

Enquanto isso, uma pesquisa rápida pelos sítios de comércio eletrônico me comprovaram o absurdo: livros cujas versões impressas são vendidas nas livrarias por R$ 40 estão sendo colocados à venda no formato e-book por algo entre R$ 35 e R$ 38. Ou seja, tanto os autores quanto as editoras estão enganando os consumidores e faturando alto com a padronização irresponsável de preços dos livros digitais no Brasil. Certamente, cada um desses e-books poderiam estar sendo vendidos por, no máximo, R$ 15. Mas há um cartel disposto a continuar lesando o bolso dos leitores enquanto essa realidade esquizofrênica permanecer no mercado editorial. Sinceramente, como escritor eu me sinto envergonhado e insultado com essa prática suja dos nossos “pseudonotáveis”.

Fique aqui o alerta: se você vai comprar um e-book e ele estiver sendo vendido por mais que R$ 20, tenha a certeza de que você está sendo descaradamente roubado. Nesse sentido, acredito no poder dinâmico do mercado em pressionar essas empresas por um preço justo para um produto cada vez mais moderno e que chegou para dominar o comércio literário. O e-book é uma realidade mundial e é sensacional. Mas o Brasil precisa, com urgência e no mínimo, corrigir sua compreensão sobre esse mercado. Caso contrário, vamos continuar no nosso atrasado atoleiro cultural.

Por Helder Caldeira | Publicado em Gazeta Digital | Quarta, 11 de maio de 2011, 03h30 | Helder Caldeira é escritor, colunista político, palestrante e conferencista. E-mail: heldercaldeira@estadao.com.br