Porto Alegre sediará Simpósio Internacional de Bibliotecas Digitais


Entre os dias 17 e 19 de maio a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul [PUCRS – Av. Ipiranga, 6681 – Partenon. Porto Alegre/RS] promove o 6º Simpósio Internacional de Bibliotecas Digitais. O evento pretende ser um fórum de apresentação e debate sobre as últimas novidades e tendências em bibliotecas digitais, com destaque às bibliotecas universitárias, pela sua contribuição ao desenvolvimento da sociedade.

O tema central do encontro será “Tecnologia e comunicação digital para a mediação da informação”. O simpósio acontece das 8h às 19h e tem investimento de R$ 100 e R$ 80 [para estudantes]. Informações através do site.

Publishnews | 10/05/2011

Dom Quixote lança livro para ser lido no Facebook


Nem impresso e nem digital. Em Portugal, a Dom Quixote está experimentando com O bom inverno, de João Tordo, um novo formato de livro – o fBook. Funciona assim: a cada dia, a editora coloca trechos da obra na página dedicada a ela no Facebook, que são acompanhados pelos “leitores-amigos”. Todos podem comentar, curtir, compartilhar e depois ler, ao final do dia, os trechos da história reunidos em uma única publicação.

Para participar, é necessário ser “amigo” do narrador e de todos os 17 personagens, que também ganharam perfil próprio [com foto!]. A história começou a ser contada em 6 de maio, mas desde 27 de abril a iniciativa já movimenta a página. No meio do caminho, um contratempo. O perfil do narrador foi bloqueado porque a administração do Facebook achou que ele era falso. Tudo restabelecido, a história segue sendo contada em pílulas e a editora espera uma maior interação com os leitores. Eles vão poder visitar lugares com os personagens, ouvir as mesmas músicas que eles, ver as mesmas paisagens e muito mais.

Por Maria Fernanda Rodrigues | PublishNews | 10/05/2011

Será difícil encontrar uma biblioteca pública daqui a 15 anos


Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em Publishnews | 10/05/2011

Mike Shatzkin

Falei com um grupo em Montreal reunido pela Associação de Editores e pela Associação de Escritores de Quebec [de língua inglesa] num pequeno auditório na Biblioteca Atwater. Esta é uma biblioteca particular com mais de 100 anos e pouca ajuda governamental. [O artigo do Globe and Mail que me citou diz que ela é de 1828.] Ocupa um prédio que provoca muita nostalgia numa esquina do centro da cidade em frente a um pequeno parque e bem pertinho do antigo Montreal Forum, onde os Canadiens jogaram hóquei durante muitos anos [e eu tive a sorte de ver um jogo uma vez em 1958].

Eu podia decidir o assunto da conversa então falei o que eu acho que são os dois grandes temas das mudanças digitais na indústria editorial: vertical e global. Leitores desse blog já viram material sobre as duas coisas. Vertical se refere à especificidade do sujeito ou, se vocês preferirem, especificidade da audiência. Eu proponho que a publicação por assuntos – como são todos os livros das maiores editoras – é possível por causa das livrarias, que organizam os livros em prateleiras que fazem sentido aos clientes.

Um componente importante do argumento “vertical” é o inevitável declínio das livrarias. O que leva a isso é o inexorável movimento de clientes que deixam de comprar em livrarias para comprar on-line, combinado com a exigência da “massa crítica” por uma livraria. Algumas pessoas dizem que uma livraria vai fechar se perder 10% de seu negócio; eu normalmente digo 15%. Obviamente, isso varia de acordo com a loja. Assim como, obviamente, uma loja não precisa perder todo seu negócio, ou nem metade dele, antes de ser economicamente inviável e forçada a fechar.

Com uma livraria fechando, comprar nelas se torna algo menos conveniente. Com as livrarias restantes cortando o espaço nas prateleiras, elas se tornam menos atrativas. Tudo isso leva mais pessoas a comprar livros impressos via on-line ou mudar para e-books.

Como a habilidade mais importante para editoras voltada ao consumo de massa nos últimos 100 anos tem sido a capacidade de colocar seus livros nas prateleiras, esta é uma situação assustadora e todo editor precisa ficar atento.

A tendência global é mais encorajadora para pessoas no mercado editorial hoje e é especialmente mais feliz para editoras em pequenos países que distribuem conteúdo em idiomas mais comuns. Isso significa que editores canadenses tanto em inglês quanto francês devem se beneficiar muito da infraestrutura construída que os coloca mais perto de clientes em todo o mundo.

Em parte porque estávamos numa biblioteca e em parte porque alguém perguntou, eu também falei um pouco sobre o futuro das bibliotecas. O Toronto Globe & Mail informou dessa forma:

E as bibliotecas? “Bibliotecas não farão sentido no futuro”, disse Shatzkin no palco de uma biblioteca que foi fundada em 1828. Qualquer um com internet já consegue acessar muito mais livros do que os existentes numa biblioteca. Essa foi sua explicação. “Não existe a necessidade de um prédio.“ Haverá uma crescente necessidade de bibliotecários, no entanto; suas habilidades continuarão sendo necessárias, assim como a dos editores.

Essa citação foi realmente mal usada e é bastante desagradável para muitas pessoas. Então pensei que valeria a pena devotar um post ao assunto do futuro das bibliotecas.

Primeiro de tudo, a palavra central é “futuro”. Eu fico sempre repetindo que a infraestrutura para a criação e distribuição de livros impressos passou por mudanças orgânicas nos últimos 100 anos. É uma capacidade bastante desenvolvida. Editoras sabem como fazer livros impressos de forma correta e eficiente; sabem como encontrar e servir os clientes. Sabem como imprimi-los em escala e, nos últimos 12 anos, até mesmo um de cada vez. As exigências especiais que as bibliotecas possuem para preparar livros que devem ser guardados são realizadas de forma fácil pela Ingram e a Baker & Taylor.

A infraestrutura de livros impressos é como uma rede de estradas, calçadões e rodovias. Tudo chega aonde deve ir por caminhos bem estabelecidos.

Os e-books vivem num mundo diferente. Não existem autoestradas e, para muitos livros e muitos mercados, ainda não existe nem um caminho de terra batida. Ainda estamos abrindo caminho pelo meio da selva. Então, na maior parte, o mundo em que viveremos quando existir uma infraestrutura construída para e-books hoje só existe em nossa imaginação.

O mundo que estava descrevendo na seção citada e parafraseada da minha palestra é imaginário. É o esperado [pelo menos por mim], mas ainda não está aqui e eu não estava sugerindo que existe.

Em um mundo totalmente dominado pelos e-books, que eu espero estar vivendo em 10 ou 15 anos a partir daqui, os livros impressos não estarão extintos, mas serão exóticos ou impressos por motivos determinados. Não serão a forma comum ou normal de distribuir conteúdo como são hoje.

Também espero um mundo onde todos nós teremos acesso ou seremos donos de muitas telas. Através dessas telas, também teremos acesso a uma grande variedade de conteúdo que é sugerido pelo que a Internet oferece hoje. Meu palpite é que, nesse momento, nossa assinatura de “internet básica” [pense em “cabo básico”] incluirá acesso a mais livros do que existem na maioria das bibliotecas hoje, com grande quantidade de outros disponíveis por preços nominais e, às vezes, por taxas substanciais. Podemos ter de escolher uma tela [ou duas] para carregar conosco quando saímos de casa pela manhã [ou não – haverá telas para empréstimo no Starbucks e no hall do hotel e na sala de espera do seu dentista], mas teremos acesso a conteúdo para ela [ou elas] onde estivermos e a qualquer momento. Como a mesma tela vai nos trazer ferramentas para produtividade pessoal [o post do blog em que estou trabalhando, a lista de compras para o supermercado], provavelmente nos conectar com nosso dinheiro e, claro, conter nossa agenda e o endereço da festa que vamos essa noite, carregar “coisas” adicionais – um livro, uma revista, um jornal ou um caderno –será um anacronismo descartado.

O objetivo central – o objetivo fundador – de uma biblioteca, ao redor do qual outras coisas cresceram, é permitir o acesso a palavras impressas. Mesmo a menor biblioteca local quase certamente possui mais conteúdo guardado dentro de si do que qualquer indivíduo possui em sua casa e, na maioria dos casos, muito mais conteúdo do que estaria disponível em qualquer livraria. Foram os livros na biblioteca que inicialmente definiram-na como biblioteca e atraíram um grupo de patrocinadores. Quando todos nós tivermos acesso a mais livros na nossa tela do que em nossa biblioteca, qual será o objetivo dela?

Pelo menos, é nisso que estou pensando.

O amável Gary Price, bibliotecário e profissional de informação que passou mais tempo pensando sobre bibliotecas nessa ou em qualquer outra semana do que eu em toda minha vida, postou suas ideias sobre esse assunto por causa do parágrafo no Globe and Mail, mas indo muito além do que havia ali.

Gary levanta alguns bons pontos que valem a pena responder [sobre os quais ele postou mais ideias depois que eu li e escrevi sobre eles.]

Ele se questiona sobre qual tipo de biblioteca estou falando. Resposta simples: bibliotecas para o público geral. Bibliotecas que servem para profissionais – acadêmicos ou outros – estão fora do escopo dessas previsões.

Gary observa que as estatísticas mostram que as bibliotecas estão sendo usadas mais do que nunca. Não duvido disso, mas tampouco diminui minha crença sobre onde estarão as coisas em 10 ou 15 anos. Os jornais tiveram recordes de lucros no meio dos anos 90.

Gary observa que muitas pessoas usam a biblioteca para mais coisas do que livros, especialmente citando a missão de fornecer tecnologia educativa e fornecer acesso à internet, além de afirmar que nem todo mundo tem acesso a computadores e internet em casa. Na minha opinião, todas essas objeções serão quase que inteiramente discutíveis nos próximos 10 ou 15 anos.

[Abrindo um parênteses. Nos EUA, pelo menos, os pobres serão quase que certamente deixados para trás. As pessoas são deixadas para trás pela mudança; nosso país permite que isso aconteça. Sou um democrata liberal; esse não é um aspecto dos Estados Unidos que me deixa feliz. As bibliotecas vão desaparecer mais rápido do que sua necessidade. Prevejo o que acredito que vai acontecer, não o que eu quero que aconteçam.]

Ele afirma que há coleções especiais, arquivos e outros materiais encontrados em bibliotecas e que estes, bem como alguns livros, podem não ser digitalizados no futuro próximo. Talvez seja verdade, apesar de que menos verdade em 10 ou 15 anos. Mas qual porcentagem das bibliotecas atuais tem esse tipo de material para mantê-las abertas [principalmente se estivermos falando de bibliotecas para o público em geral]? Uma pequena porcentagem, posso garantir.

Como fizeram outras pessoas, Gary aponta para os eventos da comunidade que acontecem numa biblioteca para se contrapor a meu argumento. Não acho que seja assim. Não disse que centros comunitários deixarão de existir. Há muitos centros comunitários que não são bibliotecas. O fato de que seja conveniente e importante para uma cidade usar sua biblioteca local para outros objetivos não significa que eles precisam manter a biblioteca para servir a outros objetivos. Na verdade, haverá muitos lugares vazios para serem usados como centros comunitários por todo o país daqui a 10 ou 15 anos.

Uma das pessoas em Atwater em Montreal me contou que estão reduzindo o espaço nas prateleiras para livros [como muitas livrarias, poderia acrescentar]. Se chegarmos ao dia em que as lojas que ainda se chamam Barnes & Noble e tem uma prateleira com livros, sendo que as outras estão cheias de artigos de papelaria, brinquedos de luxo e e-readers, ela ainda vai ser uma livraria? Se a Atwater se converte com o tempo num centro comunitário com uma sala com alguns livros, ainda é uma biblioteca?

Não acho que seja assim. Outros podem discordar, mas eu chamaria isso de um argumento semântico, nada substancial.

O último argumento de Gary, que não tem nada a ver com o que eu falei, é ponderar o que acontece com os livros e outros materiais numa biblioteca se ela fecha. Ele espera que não terminem num lixão. Eu tenho uma posição sobre isso [se tiverem valor no momento, não terminarão], mas eu lembro que muitas bibliotecas hoje, ao contrário da situação de alguns atrás, não aceitam sua contribuição de livros quando você limpa suas prateleiras em casa. Elas não têm lugar para colocá-los e muitas, como Atwater, possuem menos espaço para livros. Eu sei que as bibliotecas tentam realizar vendas de livros usados para ganhar dinheiro, mas imagino que vamos encontrar bibliotecas que destruirão livros no futuro, por necessidade.

Eu apresentei a opinião em Montreal, que o Globe and Mail pegou e Gary aplaudiu, de que bibliotecários serão necessários muito depois que os edifícios deixarem de ser importantes. Isso vai exigir todo um novo modelo de negócios que ainda não foi inventado. Considero isso como parte da infraestrutura que teremos daqui a uma década, mas que só pode existir em nossas imaginações no momento.

Que tal escrever todo um post sobre bibliotecas e não mencionar a limitação da HarperCollins sobre o empréstimo de e-books? Talvez outra dia…

Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em Publishnews | 10/05/2011

Mike Shatzkin tem mais de 40 anos de experiência no mercado editorial. É fundador e diretor-presidente da consultoria editorial The Idea Logical Co., com sede em Nova York, e acompanha e analisa diariamente os desafios e as oportunidades da indústria editorial nesta nova realidade digital. Oraganiza anualmente a Digital Book World, uma conferência em Nova York sobre o futuro digital do livro.

Nos Arquivos de Shatzkin, o consultor novaiorquino aborda os desafios e oportunidades apresentados pela nova era digital. O texto de sua coluna é publicado originalmente em seu blog, The Shatzkin Files [www.idealog.com/blog].

App transforma sua atividade no Facebook em livro


Não é a 1ª iniciativa do gênero, mas chama a atençao por ser um aplicativo dos correios da Alemanha e também pelo estilo visual inspirado nos infográficos. O app Social Memories coleta dados do seu perfil no Facebook e transforma esse conteúdo em um livro – para a Europa, o custo de produçao e envio fica em torno de 20 euros.

Vídeos do VodPod não estão mais disponíveis.

Por Debora Schach | Blue-Bus | 10/05/2011 | Dica do Adverblog

Portugal quer proibir Creative Commons


Enquanto no Brasil o Ministério da Cultura vive uma crise que começou com a suspensão licenças Creative Commons  do seu site, em Portugal a situação vai além. O Partido Socialista quer simplesmente tornar proibido o uso das licenças Creative Commons.

A nova Lei de Cópias Privadas, proposta pelo Ministério da Cultura de Portugal, inclui um artigo sobre “inaliebidade e não-renunciabilidade” que, trocando em miúdos, diz que o autor não pode simplesmente renunciar do benefício econômico de seu trabalho.

A proposta de lei define: “Estabelecimento do carácter irrenunciável e inalienável das compensações de autores e de artistas, contribuindo assim para uma maior e mais efectiva protecção para os criadores e para a criação cultural“.

Isso tornaria ilegais as licenças CC, que permitem ao autor escolher a maneira como quer compartilhar seu trabalho.

A flexibilidade das licenças criadas pelo advogado americano Lawrence Lessig costuma incomodar entidades de autor e associações como a MPAA (que reúne a indústria cinematográfica dos EUA), porque permite o livre compartilhamento e aumenta a liberdade do autor em relação a como o trabalho vai cicrular.

A proposta ainda está sendo debatida pelo governo português.

Por Tatiana de Mello Dias | Link do Estadão | 10 de maio de 2011 | 19h25

Random House UK adota modelo de agência


A Random House UK resolveu adotar o modelo de agência assim como fez a filial americana em março. Com isso, os cerca de seis mil títulos digitais da editora passam a ser encontrados também na iBookstore, da Apple. A porta-voz da Random House Maureen Corish disse: “Somos a única grande editora em língua inglesa que não tem seus livros na iBookstore e este anúncio mostra o início de uma nova relação comercial e o nosso compromisso em aumentar as opções de escolha dos consumidores, fazendo com que os livros dos nossos autores estejam disponíveis para o maior número de leitores possível no formato que eles preferirem”.

PublishersLunch | 10/05/2011