Ulisses ganha versão em tweets


Os admiradores de James Joyce lançaram a proposta de converter, no próximo dia 16 de junho, o famoso monólogo interior de seu romance Ulisses em uma corrente de tweets. A iniciativa marca a comemoração do Bloomsday. É no dia 16 de junho de 1904 que se passa a história do personagem Leopold Bloom. A data é comemorada na Irlanda – onde é feriado nacional – e também em todo o mundo. Segundo o jornal The Times, 96 admiradores do grande autor irlandês estão traduzindo 96 fragmentos de seu mais conhecido livro em tweets. Os trechos de 140 caracteres serão colocados na internet, a cada 15 minutos, a partir das 8 horas da manhã de Dublin.

O Estado de S. Paulo | 31/05/2011 | EFE

Rosana Hermann lança livro sobre sua relação com o Twitter


Sessão de autógrafos acontece na Saraiva do Shopping Higienópolis, em São Paulo

Rosana Herman se apaixonou pelo Twitter à primeira vista. Nesse tempo todo em que aderiu à comunicação em 140 caracteres foi hackeada, brigou com algumas pessoas, viu brigas e assuntos polêmicos agitando a rede e sua relação com o microblog foi ficando cada vez mais intensa. Para contar essa história, ela lança hoje, dia 31, na Saraiva MegaStore do Shopping Pátio Higienópolis [Av. Higienópolis, 618 – São Paulo/SP Tel.: 11 3662-3060], Um passarinho me contou [Panda Books, 152 pp., R$ 25,90]. Além de compartilhar sua experiência, ela dá dicas de como fazer bom uso da ferramenta, fala de cases que deram certo para o mercado publicitário e muito mais.

PublishNews | 31/05/2011

Editora 7Letras entra no mercado digital com uma revista e seis livros


RIO – Responsável pelas mais importantes revistas literárias editadas nos últimos anos no Brasil, a “Ficções” e a “Inimigo Rumor”, a editora 7Letras comemora hoje, às 19h, na Livraria da Travessa do Shopping Leblon, sua entrada no mercado digital, com o lançamento de seis livros de poesia e uma nova revista de arte e ensaios, a “Lado 7”. A publicação será vendida nas versões eletrônica e impressa, assim como os livros, entre os quais se destaca a volta à poesia de Charles Peixoto, um dos principais nomes da chamada Geração Mimeógrafo. As versões digitais custarão todas R$ 7, preço que, mais do que a graça com o nome da editora, chama a atenção pela aposta num desconto muito maior do que os 20% até agora estabelecidos como padrão informal para as edições digitais no mercado brasileiro [em edição impressa, os lançamentos custam entre R$ 25 e R$ 36].

– Minha política é baixar o preço ao mínimo possível – comenta o diretor da empresa, Jorge Viveiros de Castro. – No meu caso, o custo de impressão representa um percentual muito alto do custo do livro. Aproveitamos isso para apostar num preço baixo, até como forma de inibir a pirataria.

Os livros de poesia são complementados ainda por audiopoemas disponíveis no site da editora, que podem ser acessados por um código impresso na quarta capa. Além de “Sessentopéia” [o autor faz questão do acento banido pela reforma ortográfica], primeiro livro de Peixoto desde “Marmota platônica” [1985], a primeira fornada de e-books da 7Letras inclui cinco títulos de poetas nacionais: “Água para viagem”, de Lorena Martins; “Relógio de pulso”, de Ana Guadalupe; “Ramerrão”, de Ismar Tirelli Neto; “Uma cerveja no dilúvio”, de Afonso Henriques Neto, e “A partir de amanhã eu juro que a vida vai ser agora”, de Gregorio Duvivier. Os audiopoemas têm sido gravados por Jorge, que além de editor e poeta também é músico, num pequeno estúdio criado na sede da editora, em Botafogo.

– Estamos explorando a convergência entre mídias, algo que faz parte também da concepção da revista “Lado 7”, que terá espaço para ensaio, quadrinhos, artes visuais, ficção, dramaturgia e poesia – afirma Jorge, que edita a revista com Isadora Travassos.

O primeiro número da “Lado 7” sai a R$ 35 na versão impressa e traz colaborações de André Sant’Anna, Charles Peixoto, Alexandre Dacosta, Carlos Henrique Schroeder, Victor Heringer, Sonia Coutinho, Maria Laet, Marília Garcia, Raïssa de Góes, Ismar Tirelli Neto, Ana Guadalupe, Pedro Franz, Afonso Henriques Neto, Paloma Vidal e Sérgio Bruno Martins, além de traduções de Walt Whitman e Valère Novarina.

Por Miguel Conde | O Globo | 31/05/2011 | Todos os direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. | © 1996 – 2011 |

Como trabalhar com o livro digital nas livrarias


O curso “Como trabalhar com o livro digital nas livrarias” acontecerá no dia 31 de maio das 9 às 13 horas, na sede da ANL [Marques de Itú, 408 coj 72/73].

O curso tem como objetivo trazer novos desafios gerenciais para as livrarias que deverão encontrar formas viáveis de trabalhar dentro do novo cenário do mercado livreiro. Conhecer as diferentes formas de trabalhar de maneira lucrativa com o livro digital, integrando esse novo produto ao mix tradicional das livrarias.

A palestra será ministrada por Ednei Procópio, Coordenador do Cadastro Nacional do Livro, membro da Comissão do Livro Digital da Câmara Brasileira do Livro [CBL] e desde 1998 especialista em eBooks.

Associação Nacional de Livrarias

Escritor defende que internet deixa usuários mais distraídos


Como outras milhões de pessoas, o escritor norte-americano Nicholas Carr achou a sedução da internet difícil de resistir –até que ele notou que estava ficando cada vez mais difícil de se concentrar.

Ele demonstrou suas preocupações na dissertação de título “O Google está nos tornando estúpidos?”. E, no seu último livro “The Shallows”, Carr explora em profundidade a preocupação sobre o que a internet está fazendo com o nosso cérebro.

A sedução da tecnologia é difícil de resistir“, diz o escritor. Mas ele acha que está na hora de começar, ao menos, a tentar.

Em um discurso dado na semana passa no Fórum Digital de Seul e em uma entrevista com a France Presse, Carr falou novamente sobre suas preocupações sobre como as tecnologias têm afetado o jeito com que as pessoas pensam e sentem.

Nicholas Carr fala em Seul

Cada tecnologia que surgiu ao longo da história –como o mapa ou o relógio– mudou o jeito como as pessoas pensam, mas Carr vê um perigo específico na internet.

Enquanto a internet traz enormes benefícios ao trazer grandes quantidades de informação em alta velocidade, ela também distrai e encoraja mudanças rápidas de foco, segundo Carr.

Nós recebemos tanta informação, tão rápido, que estamos em um estado congnitivo constante de sobrecarga“, diz o escritor.

DA FRANCE PRESSE, EM SEUL | Publicado por Folha.com | 30/05/2011 – 16h28

Pirateiem meus livros


POR PAULO COELHO | Publicado originalmente em Folha de S.Paulo | São Paulo, domingo, 29 de maio de 2011

Em meados do século 20, começaram a circular na antiga União Soviética vários livros mimeografados questionando o sistema político. Seus autores jamais ganharam um centavo de direitos autorais.

Pelo contrário: foram perseguidos, desmoralizados na imprensa oficial, exilados para os famosos gulags na Sibéria. Mesmo assim, continuaram escrevendo.

Por quê? Porque precisavam dividir o que sentiam. Dos Evangelhos aos manifestos políticos, a literatura permitiu que ideias pudessem viajar e, eventualmente, transformar o mundo.

Nada contra ganhar dinheiro com livros: eu vivo disso. Mas o que ocorre no presente? A indústria se mobiliza para aprovar leis contra a “pirataria intelectual”. Dependendo do país, o “pirata” -ou seja, aquele que está propagando arte na rede- poderá terminar na cadeia.

E eu com isso? Como autor, deveria estar defendendo a “propriedade intelectual”. Mas não estou. Piratas do mundo, uni-vos e pirateiem tudo que escrevi!

A época jurássica, em que uma ideia tinha dono, desapareceu para sempre. Primeiro, porque tudo que o mundo faz é reciclar os mesmos quatro temas: uma história de amor a dois, um triângulo amoroso, a luta pelo poder e a narração de uma viagem. Segundo, porque quem escreve deseja ser lido -em um jornal, em um blog, em um panfleto, em um muro.

Quanto mais escutamos uma canção no rádio, mais temos vontade de comprar o CD. Isso funciona também para a literatura: quanto mais gente “piratear” um livro, melhor. Se gostou do começo, irá comprá-lo no dia seguinte -já que não há nada mais cansativo que ler longos textos em tela de computador.

1 – Algumas pessoas dirão: você é rico o bastante para permitir que seus textos sejam divulgados livremente. É verdade: sou rico. Mas foi a vontade de ganhar dinheiro que me levou a escrever?

Não. Minha família, meus professores, todos diziam que a profissão de escritor não tinha futuro. Comecei a escrever -e continuo escrevendo- porque me dá prazer e porque justifica minha existência. Se dinheiro fosse o motivo, já podia ter parado de escrever e de aturar as invariáveis críticas negativas.

2 – A indústria dirá: artistas não podem sobreviver se não forem pagos. A vantagem da internet é a divulgação gratuita do seu trabalho.

Em 1999, quando fui publicado pela primeira vez na Rússia [tiragem de 3.000 exemplares], o país logo enfrentou uma crise de fornecimento de papel. Por acaso, descobri uma edição “pirata” de “O Alquimista” e postei na minha página. Um ano depois, a crise já solucionada, eu vendia 10 mil cópias.

Chegamos a 2002 com 1 milhão de cópias; hoje, tenho mais de 12 milhões de livros naquele país.

Quando cruzei a Rússia de trem, encontrei várias pessoas que diziam ter tido o primeiro contato com meu trabalho por meio daquela cópia “pirata” na minha página.

Hoje, mantenho o “Pirate Coelho”, colocando endereços [URLs] de livros meus que estão em sites de compartilhamento de arquivos. E minhas vendagens só fazem crescer -cerca de 140 milhões de exemplares no mundo.

Quando você come uma laranja, precisa voltar para comprar outra.

Nesse caso, faz sentido cobrar no momento da venda do produto.

No caso da arte, você não está comprando papel, tinta, pincel, tela ou notas musicais, mas, sim, a ideia que nasce da combinação desses produtos.

A “pirataria” é o seu primeiro contato com o trabalho do artista.

Se a ideia for boa, você gostará de tê-la em sua casa; uma ideia consistente não precisa de proteção.

O resto é ganância ou ignorância.

PAULO COELHO , escritor e compositor, é membro da Academia Brasileira de Letras. É autor de, entre outros livros, “O Alquimista” e “A Bruxa de Portobello”.

Paulo Coelho incentiva a pirataria


 

O escritor brasileiro mais vendido no mundo, Paulo Coelho, publicou um texto no jornal Folha de São Paulo ressaltando a importância da pirataria na difusão de sua obra literária. O escritor disse que a não restrição de obras é a melhor forma de difundir ideias e que isso acaba atraindo receita. Paulo Coelho mantém um site que incentiva o pirateamento de seus livros, o “Pirate Coelho”. A postura de Paulo Coelho vai de encontro à ideias como a do presidente francês Nicolas Sarkozy, que na última semana, durante encontro do G8 – grupo das maiores economias do mundo, defendeu regras rígidas de proteção ao copyright de obras intelectuais.

Por Jairo Gonçalves | Bahia Notícias | Domingo, 29.05.2011 às 16:00

eBooks geram otimismo, mas acervo brasileiro é pequeno


Compatíveis com os formatos de livros eletrônicos, os tablets engoliram os leitores dedicados e geram otimismo.

Na última quinta, a Amazon, um dos maiores varejistas do setor nos EUA, anunciou que, desde 1º de abril, vende 105 livros eletrônicos [ou e-books] para cada cem livros impressos.

Segundo a APP [Associação Americana de Publicadores], entre fevereiro de 2010 e fevereiro deste ano, as vendas de e-books triplicaram, atingindo US$ 90 milhões.

O otimismo do setor nos EUA resultou em uma surpreendente participação da Apple na BookExpo America, importante evento da indústria dos livros em Nova York que começou ontem e termina amanhã. Não é comum para a empresa participar de grandes exposições.

No Brasil, porém, a popularização do formato esbarra em um problema: o tamanho do acervo de livros em português. Na Livraria Saraiva, por exemplo, existem 3.500 títulos em português, contra 220 mil estrangeiros.

Para Mauro Widman, coordenador da equipe de e-books da Cultura, três fatores explicam isso: contratos das editoras com escritores que não contemplam modalidades digitais, a reforma ortográfica [todo o acervo teria que ser revisado antes de ser digitalizado] e limitações técnicas nas editoras para produzir o conteúdo digital.

Isso é refletido nas vendas. A Livraria Cultura revela que as vendas de e-books correspondem a menos de 1% do seu faturamento global. A Saraiva diz que, de suas cem lojas, aquela que vende livros eletrônicos ocupa a octogésima posição.

Ainda assim, os tablets são bem vistos. Embora o PC ainda seja a principal plataforma de e-books, as livrarias já percebem um avanço das pranchetas no país.

BRUNO ROMANI | COLABORAÇÃO PARA A FOLHA | 28/05/2011 – 13h13

Senado pode deixar tablet importado mais barato que nacional


Um projeto de lei em tramitação no Senado prevê que os preços cobrados pelos tablets importados no Brasil caiam consideravelmente. A ideia é tornar o aparelho, e também os e-readers e os e-books, isento dos impostos sobre a importação. Conforme o autor da proposta, senador Acir Gurgacz [PDT-RO], os valores seriam 57% menores do que os praticados hoje.

O PL 114/2010, que altera a Política Nacional do Livro [PNL – Lei 10.753/03], prevê isenção de impostos em livros e produtos relacionados, como leitores eletrônicos, atlas e mapas. A proposta já foi aprovada na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado e segue para a Comissão de Educação, Cultura e Esporte [CE] em caráter terminativo [não precisa passar pelo plenário da Casa]. Se aprovado, o projeto irá para a Câmara dos Deputados e, depois, à sanção presidencial.

Para o autor do projeto, não há conflito entre sua proposta e a iniciativa do governo federal de incentivar a produção do tablet no Brasil. Na segunda-feira, o governo publicou no “Diário Oficial da União” a medida provisória 534, que incluiu os tablets na chamada “Lei do Bem”. Segundo o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, a medida pode deixar o aparelho 36% mais barato, mas haveria a necessidade de parte da produção dos tablets acontecer no Brasil.

Preço do tablet será 36% menor após desoneração, diz BernardoCidades da Copa terão prioridade para receber tecnologia 4G, diz governoGoverno edita medida provisória que dá incentivos tributários para tablets”A produção nacional é importante, porque gera empregos. Mas também temos de pensar na competição que aconteceria com as duas medidas em vigor, que tornaria o livro mais barato para quem precisa”, defende o senador.

Para Gurgacz não há necessidade de diferenciar os e-readers, voltados exclusivamente para leitura, e os tablets, que também tocam filmes, músicas e rodam aplicativos. “Não interessa se é o objetivo primário ou único do aparelho a leitura. O importante é que os livros cheguem mais baratos”, afirma.

Lei do Bem

Para o secretário de Política de Informática do Ministério da Ciência e Tecnologia [MCT], Virgilio Almeida, além de o preço ficar menor com a produção nacional, em torno de 31%, a fabricação dos itens no paísl é importante para a criação de empregos.

O Brasil tem o terceiro mercado de PCs do mundo, e o brasileiro é conhecido por ser ávido por novas tecnologias. Então, é importante que esse movimento gere empregos e renda no país”, afirma.

Segundo Almeida, as regras para a produção dos tablets com isenção concedida pela Lei do Bem, definidas no Processo Produtivo Básico [PPB], devem ser anunciadas em duas semanas. “As regras quanto a nacionalização da produção dos tablets serão mais rigorosas até que as aplicadas aos notebooks. Mas isso foi discutido em audiência pública com os fabricantes, não partiu apenas do governo”, conta.

Doze empresas já demonstraram o interesse pela fabricação dos tablets ao MCT. Almeida deixa claro que elas não precisaram esperar pelo PPB para começar a produzir. “Todas elas assumiram um compromisso com as regras do PPB, então, assim que ele for aprovado, as empresas serão beneficiadas com as isenções da Lei do Bem”, explica.

Por Tiago Falqueiro | Publicado originalmente em G1 | 27/05/2011

Livros digitais são destaque da Feira de Nova York


As editoras norte-americanas se reuniram em Nova York nesta semana para promover o que haverá de melhor no próximo ano, num evento em que cada vez mais a atenção se volta para a crescente influência das publicações digitais.

As editoras participantes da BookExpo America concordam que, mesmo que a indústria editorial esteja perdendo dinheiro em geral, o aumento das vendas de e-books e leitores eletrônicos estão oferecendo aos investidores uma oportunidade de apostar em vencedores e perdedores do futuro do setor, onde os livros impressos podem se tornar obsoletos.

Enquanto as empresas digitais estavam ainda relegadas a um canto do enorme espaço de exposição da feira, o número de editoras e de tráfego na área aumentou muito, com o mundo editorial admitindo que os livros e leitores eletrônicos estão aqui para ficar.

Eu brincava, chamando isso de gueto digital“, disse o executivo-chefe da Kobo, Michael Serbinis, que lançou uma edição nova de seu leitor eletrônico nesta semana, por US$ 129.

A empresa canadense, que também vende livros on-line e tem aplicativos para dispositivos móveis, anunciou nesta semana que fechou uma rodada de investimentos de US$ 53 milhões.

No primeiro trimestre de 2011, as vendas de livros eletrônicos aumentaram mais de 159,8%, para US$ 233,1 milhões, de acordo com a associação de editoras americanas.

No mesmo período, os livros impressos tiveram uma queda nas vendas de 23,4% em comparação ao ano anterior. A livraria on-line Amazon anunciou neste mês que agora vende mais e-livros do que livros de papel.

DA REUTERS, EM NOVA YORK | 27/05/2011 – 18h28 | Publicado por Folha.com – Tec

KindleBookBr promove lançamento coletivo


Editora apresenta hoje 25 livros que poderão ser adquiridos em formato e-book ou impressos sob demanda

A KindleBookBr [KBR], com o apoio da Singular, realiza nesta sexta-feira, dia 27, às 19h30, a primeira edição da “Farra do POD”. Trata-se de um lançamento coletivo de 25 obras nas versões digital ou para impressão sob demanda que contará com a presença de pelo menos a metade dos autores. O evento acontece na Livraria da Travessa do Shopping Leblon [Av. Afrânio de Melo Franco, 290 – Loja 205 – Leblon – Rio de Janeiro/RJ]. No segundo semestre a “Farra” se associa à Livraria Cultura em sete capitais [São Paulo, Recife, Fortaleza, Brasília, Salvador, Curitiba e Porto Alegre] e promove seu primeiro book tour coletivo de autores. Entre os lançamentos estão Avelã Pirata, de Simone Magno; Histórias possíveis, de André de Leones, Lucia Bettencourt e outros; Joana a contragosto, de Marcelo Mirisola, e Dança ritual urbana, de Erwin Maack.

Relação dos livros e autores

  • A escritora – Ethel Kacowicz
  • A Transilvânia é o Catete – Ricardo Hofstetter
  • A volta da mulher barbuda – Carlos H. Peixoto
  • Avelã pirata – Simone Magno
  • Contocrônicas, umas tantas – Jacob B. Goldemberg
  • Dança ritual urbana – Erwin Maack
  • Domingo, o jogo – Cassia Cassitas
  • Estrela brasileira – Claudia Vasconcelos
  • Equilíbrio – Flavia Mariano
  • Histórias possíveis – André de Leones, Lucia Bettencourt e outros
  • Hoje não quero chorar – Noga Sklar
  • Joana a contragosto – Marcelo Mirisola
  • Juntos no paraíso – Victor Almeida
  • Jurisdição do Real x Processo Penal – Alexandre Morais da Rosa
  • Luau americano– Noga Sklar
  • Navegar é preciso – Esther Frankel
  • Nuvem de Pó – Priscila Ferraz
  • O rabino e o psicanalista – Rosane Chonchol
  • O reencarnado – Eduardo Borsato
  • Poética da episteme-arte – Adão Vieira de Faria e Lilian de Faria Gomes
  • Sacerdotisa – Vera Carvalho Assumpção
  • Samba-canção – Eduardo Borsato
  • Tem uma coisa sobre mim que acho certo você saber – Eduardo Haak
  • Tzadik – Alan Sklar
  • Um Kindle pra chamar de meu – Noga Sklar

PublishNews | 27/05/2011

Como aprendi a amar a pirataria


Por Cecilia Talan | Publicado em português por PublishNews | 27/05/2011 | Este artigo foi publicado originalmente no Ciclet.com e depois no site do Digital Book World. Foi traduzido e reproduzido pelo PublishNews com a permissão de Cecilia Tan, autora, editora e Publisher/fundadora da Circlet Press.

Editora mostra como a pirataria pode ajudar a vender mais livros, sejam eles impressos ou digitais

A pirataria de e-book é boa ou ruim para os escritores? Me perguntam isso o tempo todo, o que me faz lembrar do que eu costumava perguntar [sem parar]: “Ai meu Deus!, o que você vai fazer com a pirataria?!?!?!?!”. Hoje em dia essa conversa é um pouco menos carregada de histeria. E isso é bom, por várias razões. Uma é que a histeria raramente resolve os problemas. A outra é que talvez as pessoas estejam abordando de maneira mais racional as realidades do mundo digital que incluem:

1. É fácil compartilhar arquivos
2. É fácil encontrar pessoas que pensam igual à gente por lá, se juntando em comunidades
3. É mais fácil do que nunca para as pessoas espalharem o “boca-a-boca”

Essa três coisas tornam a vida da pirataria e do compartilhamento ilegal de arquivos mais fácil. Mas as três também tornam a vida de autores e criadores mais fácil. Escrevi num artigo anterior sobre como a possibilidade de ser encontrado, ou a falta dela, é o maior problema que a maioria dos escritores encontra [sites piratas são paraísos para viciados em livros e, portanto, que melhor lugar para colocar o seu nome ou o seu livro diante de uma audiência fanática?].

Depois do meu último artigo sobre esse assunto, tenho colecionado links e histórias tentando construir uma imagem melhor sobre como simplesmente o compartilhamento livre, direcionado pelo boca-a-boca, ajuda a vender livros. Essa é a definição que algumas pessoas dão para a pirataria, mas eu também incluo aí a distribuição gratuita de livros bem como a “liberação no mundo selvagem” de maneira despreocupada.

O último grande boom de que se fala é um dessas liberações despreocupadas de conteúdo, que foi a disseminação viral do PDF de prova do livro de Adam Mansbach Go the F**k to sleep, uma paródia adulta para o livro infantil. O artigo “How the Success of ‘Go the F— to Sleep’ Discredits Copy Protection” [Como o sucesso de Go the F**k to sleep desacredita a proteção contra cópias], da PC Magazine, conta a história. Pra resumir, a cópia PDF para revisão correu a internet [totalmente ilegal] porque as pessoas ficaram tão curiosas pelo livro que não puderam esperar pelo lançamento do livro “de verdade” para contar aos seus amigos. O que aconteceu? O livro é o número um na lista da Amazon e tem mais de 100 mil cópias vendidas na pré-venda. Como diz o artigo, “concluir que a pirataria é uma coisa boa baseado apenas nessa história seria simplificar perigosamente demais as coisas. Mas se o editor tivesse trancado as cópias digitais do livro com o cadeado do DRM, ele nunca teria tido a chance de se tornar viral.” Para saber mais sobre Go the F**k to Sleep, confira esses links no Digital Book World. Espera-se que uma cópia para revisão gere mesmo um barulho. E foi exatamente o que aconteceu. É verdade, você já leu todo o livro, mas isso simplesmente aumentou a vontade de ter o livro físico.

Os autores best-selleres Cory Doctorow e Neil Gaiman têm falado com frequência sobre o valor de distribuir o seu trabalho gratuitamente pela internet para estimular as vendas dos livros impressos. Basta fazer uma busca no Google pelos nomes desses escritores e você vai encontrar muitos resultados. Aqui está um vídeo de Neil Gaiman, que está em um artigo da Fast Company: “… depois de observar que os países com a maior concentração de pirataria, como a Rússia, realmente tinham as melhores vendas, [Gaiman] decidiu experimentar colocar o seu livro de graça na internet. ‘As vendas do meu livro, nas livrarias independentes – que era onde estávamos fazendo as medições – aumentaram 300% logo no mês seguinte’.

E o que dizer do escritor Paulo Coelho, cujo livro O Alquimista vendia meras mil cópias por ano na Rússia mas que em 2001, vendeu 10 mil? Por quê? E as vendas continuaram a aumentar até 100 mil. E agora, chegaram a mais de 1 milhão. Como? As pessoas estavam pirateando o livro e isso estimulou as vendas exponencialmente. Isso motivou Paulo Coelho a começar o seu próprio site de download grátis, o Pirate Coelho [hoje hospedado no blog do autor. Aqui está um outro artigo sobre isso. Ele convenceu a HarperCollins a lançar versões promocionais gratuitas dos seus livros, como ele conta nesta entrevista [em inglês].

A maneira mais extrema de lucrar com a pirataria é a venda por parte da O’Reilly, por US$ 99,99, do relatório dos resultados do estudo que fizeram sobre o impacto da pirataria nas vendas [The Impact of P2P and Free Distribution on Book Sales]. Não li, é muito longo. Mas a essência dele está nesta entrevista com Brian O’Leary, da O’Reily, na qual ele diz: “Os dados que coletamos a respeito dos livros da O’Reiley que colocamos à venda mostraram um aumento nas vendas finais para os livros que foram pirateados. Então, na verdade, a pirataria estimulou, não prejudicou, as vendas.” Ele também diz: “Sou muito inflexível sobre o DRM: ele não tem impacto nenhum na pirataria. Qualquer bom pirata consegue arrancar o DRM em questão de segundos – ou minutos. Um pirata também pode escanear um livro impresso. DRM realmente só é útil para impedir que pessoas compartilhem um arquivo que adquiriram legalmente.

O’Leary afirma que o que mais leva à pirataria é o desejo das pessoas de ler um material no formato que elas querem e a dificuldade para conseguir o que querem. Se a indústria do livro satisfizer esse desejo, então poderemos construir um comércio forte, em vez de sermos pegos de calças curtas, como aconteceu com a indústria da música, que desperdiçou bilhões de dólares tentando “combater” a pirataria, simplesmente para descobrir que a única maneira eficiente de reduzir a pirataria era dando às pessoas o que elas queriam: música fácil e barata [DRM-free]. Agora que as lojas de download de MP3 estão bem estabelecidas [até o Wal-Mart tem uma!], o dinheiro está entrando e a pirataria está diminuindo. Neste artigo da revista Wired o editor comenta que o auge da pirataria de música chegou ao fim [eu gostaria de ver mais números atualizados, mas as gravadoras realmente não querem que nós, ou os seus artistas, saibamos muito sobre o que eles estão fazendo].

E aqui convido a indústria dos quadrinhos a reagir de maneira similar, legalizando as muitas versões digitais disponíveis [você pode pensar que os quadrinhos isso seria normal visto a enorme popularidade dewebcomics independentes já bem estabelecidos, e tantas Graphic Novels tendo sido escolhidas a partir de listas de webcomics!].

Mas tem outra coisa. Você ainda pode argumentar que todos esses exemplos de autores “pirateando” os próprios livros e isso levando ao aumento das vendas só dizem respeito a livros físicos. Mas e se você for um editor apenas de livros digitais? Eu entendo o medo. O seu produto é 100% digital. Se alguém o piratear, terá o produto completo nas mãos. Que incentivos eles terão para comprar um livro digital de você? Pirataria de arquivos digitais pode ajudar na venda de livros impressos, mas vão prejudicar as vendas dos digitais, certo? CERTO??

Vamos mais devagar. Vamos olhar para a indústria de software para uma possível resposta.

O pessoal do negócio de software tem lutado contra a pirataria há muito mais tempo do que os editores. Olhemos em particular para os games, que são mais parecidos com os livros, no sentido que são uma escolha de entretenimento. Os desenvolvedores de games têm muitas razões para querer que você pague pelo que eles fazem. Desenvolver um novo game de muito sucesso exige alto investimento financeiro em salários, marketing, etc. Muito mais do que um livro.

E mesmo assim parece que os ventos predominantes sopram na direção de se livrarem do DRM e confiar nos jogadores que pagam pelos games. De acordo com o blog “Game Developers Speaking out Against DRM”, alguns jogos como Prince of Persiaagora são vendidos sem nenhum DRM. Sabe-se que um jogo chamado World of Goo é pirateado por 90% dos seus jogadores, mas os desenvolvedores sentem que esses 90% nunca teriam pago pelo jogo mesmo. Colocar um DRM rigoroso apenas teria diminuído ainda mais a porcentagem dos 10% que pagaram!

Aqui está um link para um post no blog do veterano desenvolvedor de games Jeff Vogel. Ele inicia o post dizendo: “Esse artigo é a minha declaração final sobre como os desenvolvedores deveriam lidar com os piratas. Ele inclui histórias bem humoradas de como eu me comportei como um bobo no passado. E, acredite em mim, fui muito bobo.

Durante quinze anos, eles tiveram um sistema complicado de registro em seus jogos, que supostamente deveria reduzir a pirataria, mas tudo o que o sistema fez foi reduzir o número de compradores legítimos. Como ele escreve, “este sistema nos prendeu por 15 anos, seria a mesma coisa se tivesse ateado fogo em uma pilha de dinheiro.” Não crie obstáculos para as pessoas curtirem o seu produto e se tornarem usuários legítimos. A vida não deveria ser mais fácil para os piratas do que para os compradores. Se você dificultar a vida para os compradores mais do que para os piratas, ganhará menos dinheiro. Simples assim.

Procurando agora no Google encontrei muitos outros artigos sobre games que estão tirando o DRM, incluindo o mundialmente popular Dragon Age.

Então, se os editores de games estão tirando o DRM para diminuir o incentivo à pirataria e aumentar a compra fácil, e o resultado é o crescimento da popularidade dos games porque as pessoas conseguem experimentá-los primeiro… isso me parece uma dica bem clara de que os editores de livros digitais devem fazer o mesmo. Os e-books do Kindle agora estão vendendo mais do que os livros impressos na Amazon. As pessoas querem livros digitais. Dê às pessoas o que elas querem e facilite para que tenham essas coisas em suas mãos.

Enquanto tenho a sua atenção, eu deveria apontar para o fato de que os autores que veem 100 mil downloads dos seus livros como o equivalente a 100 mil vendas perdidas estão enganados. Por favor, acredite em mim quando digo que 100 mil downloads não equivalem a 100 mil cópias roubadas das lojas. Na verdade é o equivalente a 100 mil pessoas olhando o livro enquanto estão em uma livraria ou biblioteca, decidindo se vão investir tempo na leitura.

Recentemente uma autora [Anne B. Ragde] falou contra a pirataria dessa maneira, entretanto, calculando o valor da sua “perda de vendas”. Durante a entrevista, o seu filho deixou escapar para o repórter que a sua mãe, apesar da postura antipirataria, tinha quase duas mil músicas baixadas ilegalmente no seu MP3 player. A sua defesa foi que ela não ouvia na verdade essas músicas [o tal player estava em uma casa de verão em algum lugar]; ela pagava pela música que realmente ouvia. Muito bem, adivinhe só: daqueles 100 mil que baixaram o seu livro, a maioria deles nem está lendo. 90 mil provavelmente nunca nem abriram o arquivo. Os 10 mil que abriram equivalem ao número de pessoas olhando o livro em uma livraria para ver se gostam. Os escritores mais tradicionais fariam qualquer coisa para ter um lugar de exposição como esse em livrarias que atraem 10 mil compradores para dar uma olhada no seu livro. Desses 10 mil, digamos que três entre quatro decidem que o livro não é do seu gosto. Então, agora, diminuímos para 2.500 pessoas que estão genuinamente interessadas. No mundo das lojas físicas, a regra de venda do varejo diz que 500 delas teriam uma boa chance de compra. Outras 500 provavelmente iriam procurar o livro numa biblioteca. O restante nunca chegaria a comprar, colocariam o livro de volta na prateleira e se esqueceria dele.

Então o seu livro precisa ser baixado 100 mil vezes antes que você ganhe míseros 500 compradores. As porcentagens aumentam muito quando os downloads são legais, cópias gratuitas direcionadas para o seu público-alvo como acontece com os livros gratuitos da Tor Books [veja abaixo]. O’Leary na entrevista do link acima também menciona a Bain Books, outra editora de ficção científica, que tem distribuído por aí cópias digitais gratuitas de seus livros há 10 anos [inclusive distribuindo CD-rooms em convenções Sci-fi – eu tenho um de 2002]. Ele comenta que eles têm os mais baixos índices de pirataria no negócio do livro. Isso não é uma coincidência. Bem, você pode não estar convencido, mas eu estou. Distribuir arquivos ajuda. Ter um processo fácil de venda também ajuda. Na verdade, apesar de todo o nosso falatório sobre “novas mídias” na publicidade na era digital, artigos em blogs, discussões no Twitter e páginas no Facebook, essas duas coisas parecem ser as duas únicas que realmente causam um impacto mensurável nas vendas. Distribuição gratuita aumenta a base de consumidores. Depois disso, tenha um processo de venda fácil para conseguir dinheiro daqueles que estão dispostos a pagar. É isso!

Por Cecilia Talan | Publicado em português por PublishNews | 27/05/2011 | Este artigo foi publicado originalmente no Ciclet.com e depois no site do Digital Book World. Foi traduzido e reproduzido pelo PublishNews com a permissão de Cecilia Tan, autora, editora e Publisher/fundadora da Circlet Press.

“Ulisses”, de James Joyce, será adaptado para o Twitter


O romance “Ulisses”, de James Joyce, será adaptado para o Twitter. Um homem que se identifica apenas como Stephen, da cidade de Baltimore, está à procura de voluntários para ajudá-lo na adaptação do conteúdo para o formato de 140 caracteres por post.

Essa não é uma tentativa de tuitar o conteúdo de Ulisses sem pensar, palavra por palavra, 140 caracteres por vez. Isso seria impossível. Nossa proposta é reimaginar a experiência de leitura e dividi-la em tuítes“, disse Stephen, no blog do experimento.

A adaptação do romance para o microblog será tornada pública no dia 16 de junho, durante 24 horas, no perfil @11ysses.

Os voluntários interessados em ajudar na adaptação podem se manifestar até o dia 30 de maio. Leia mais sobre os requisitos aqui.

POR AMANDA DEMETRIO | Folha.com | 26/05/2011 – 18h42

2º Congresso Internacional CBL do Livro Digital


O 2º Congresso Internacional CBL do Livro Digital acontecerá nos dias 26 e 27 de julho de 2011, no Centro Fecomercio de Eventos em São Paulo – SP.O evento vai reunir palestrantes internacionais e nacionais como: Dominique Raccah [Sourcebooks – BISG], Bob Stein [The Future of the Book], Joseph Craven [Sterling Publishing], Rochelle Grayson [BookRiff Media], Pieter Swinkels [Kobo], Marcos da Veiga Pereira [Sextante], Martha Gabriel [New Media Developers] que trarão suas experiências e visões sobre comportamento do consumidor; gestão do livro digital e suas tecnologias; modelos de negócio existentes e outros assuntos de interesse aos empresários e executivos do livro. O 2º Congresso Internacional CBL do Livro Digital tem apoio da Frankfurter Buchmesse e Fecomercio – SP.

Conheça a programação e faça sua inscrição pelo site www.congressodolivrodigital.com.br.

Livro digital: da edição aos modelos de negócio


O curso “Livro Digital: da edição aos modelos de negócio”, oferecido pela Escola do Livro, da Câmara Brasileira do Livro [CBL], acontecerá no dia 16 de junho, das 9h30 ás 17h30. A iniciativa tem como objetivo mostrar os conceitos do ebook e seus formatos, como comercializar eBooks no Brasil e no exterior e sobre a pirataria como evitá-la, avaliando as tendências do ebook em todo mundo.

O instrutor Fernando Quaglia é Publicitário, formado pelo Instituto de Estudos Econômicos e Sociais de Mar del Plata – Argentina. Atualmente é Diretor da EDICEI- Editora no Conselho Espírita Internacional, que já possui mais de 200 títulos publicados em diferentes idiomas.Coordena a área de negócios internacionais da Editora e hoje conta com filiais na Alemanha, Argentina, Colômbia e Estados Unidos. É fundador da eBook Company, empresa especializada na edição, produção e comercialização de ebooks através das principais plataformas do Mundo.

Para inscrições e informações clique aqui.

Bloomsburry lança novo selo digital para títulos fora de catálogo


A Bloomsburry [casa editorial de Harry Potter na Inglaterra] vai voltar a publicar, agora em e-book, 500 títulos que estavam fora de catálogo, de autores como Alan Clark, Edith Sitwell e Bernice Rubens, a partir de setembro, com o lançamento de um novo selo: o Bloomsburry Reader, que será dirigido pela diretora de mídia digital Stephanie Duncan. O novo selo publicará títulos atualmente indisponíveis no formato impresso, cujos direitos autorais para publicação em inglês retornaram para os autores. Os livros serão produzidos em formato e-book ou POD, “com preços acessíveis e na mais alta qualidade”, afirmou Stephanie. Ela disse ao The Guardian: “Com o crescimento do mercado digital, estamos descobrindo que as pessoas querem redescobrir autores que estão fora de catálogo. Ou, que elas leem um livro e depois querem ler tudo que um escritor produziu.

Por Graeme Neil | The Bookseller | 26/05/2011

Livro que mistura Facebook e ficção científica vai virar filme


Warner Bros. comprou os direitos para adaptar às telas o romance The Future of Us, de Jay Asher e Carolyn Mackler.

Ambientada em 1996, a trama mostra uma garota que, ao acessar a Internet pela primeira vez da sua casa, descobre seu perfil do Facebook de 15 anos no futuro. A partir da descoberta, ela e a melhor amiga vão decidir se tentam se encaixar nas vidas sugeridas pela página ou rejeitá-las completamente.

Di Novi Pictures será responsável pela produção. O romance será publicado nos EUA em novembro.

Por Aline Diniz | Publicado originalmente no site Omelete | 25 de Maio de 2011

Como é difícil descobrir o preço correto para o livro digital


Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em Publishnews | 25/05/2011

Mike Shatzkin

Wall Street Journal publicou um artigo sobre um assunto que já nos preocupa há um certo tempo: a dificuldade que as editoras terão em sustentar os preços dos livros no momento em que o fornecimento [de livros] está crescendo mais rápido do que a demanda por causa de toda a autopublicação que está chegando ao mercado.

O WSJ construiu sua história ao redor de John Locke, cujos livros de mistério custam 99 centavos de dólares e conseguiu ganhar US$ 100 mil em março vendendo-os na Kindle Store. O próprio Locke coloca a questão dos preços sob outra perspectiva. Se seus livros custam 99 centavos de dólar e a maioria dos e-books das grandes editoras custa de US$ 9,99 para cima, ele não precisa provar que é tão bom quanto os outros escritores; eles é que precisam provar que são 10 vezes melhores do que Locke!

Já li o Locke e afirmo: não consigo pensar em ninguém que seja dez vezes melhor do que ele. Por seus próprios critérios, ele poderia facilmente vender por US 2,99 [e ganhar uma porcentagem mais alta de royalties] porque ninguém é três vezes melhor do que ele, também.

Enquanto isso, num nível muito menos importante comercialmente, o e-book do The Shatzkin Files saiu agora pela Kobo por US$ 3,99. Como o preço foi pensado? A Kobo disse: “vamos colocar este preço”. A primeira ideia deles foi que deveria custar US$ 4,99, mas depois sugeriram diminuir porque, afinal, todo o conteúdo do e-book está no blog, de graça [isso estabelece que qualquer pessoa que compra o e-book está pagando pela conveniência do conteúdo agregado num só lugar e produto, não pelo conteúdo em si].

Não sei qual é o impacto diluidor do The Shatzkin Files sobre as vendas do “verdadeiro” e-book, mas é, como o material de John Locke, concorrência adicional para livros que são lançados por editoras. É mais oferta concorrendo pela mesma demanda.

Tentar entender o impacto real do preço é bastante difícil. A Amazon informa que os livros sobre os quais ela tem controle do preço estão crescendo mais do que os livros nos quais as editoras controlam o preço. Isso é outra maneira de dizer: “e-books de 99 centavos e US$ 2,99 autopublicados estão crescendo mais do que ebooks de US$ 9,99 a US$ 14,99 publicados pelas grandes editoras”. Isso tenderia a sugerir [e certamente procura dizer] que o preço alto [e “sem noção”] está prejudicando a rentabilidade das grandes editoras e dos grandes autores, mas não dá para tirar essa conclusão dos dados com absoluta certeza.

Voltando a Locke. Ele afirma que o livro de US$ 9,99 precisa ser “10 vezes melhor” do que o dele para ter um valor equivalente, mas eu afirmaria que ele precisa vender somente um décimo da quantidade de exemplares vendidos por Locke para garantir a mesma renda. A Penguin ainda está vendendo o Fall of Giants , de Ken Follett, por US$ 19,99. Venderia vinte vezes mais exemplares se cobrasse 99 centavos? E, se vendesse, faria isso canibalizando as vendas da edição de capa dura, que, com um preço de US$ 36, possui uma margem de quase US$ 20 em relação ao e-book?

Não sei se US$ 19,99 é o preço certo para Fall of Giants, mas tenho certeza de que 99 centavos não é.

Em outras palavras, as grandes editoras não estão loucas ao resistir aos preços de e-books que os novos autopublicados estão colocando. Para ser justo, não podemos sugerir que a Amazon colocaria seus preços a esse nível, se tivesse a liberdade para tanto. Uma coisa é certa: a menos que os esquemas de preços mudassem completamente, a Amazon teria “comprado” um e-book [no atacado] a um preço que limitaria sua disposição a rebaixá-lo. Eles realmente pressionaram as editoras assumindo perdas em alguns e-books, vendendo por US$ 9,99 o que tinham comprado por US$ 12 ou US$ 15. Mas nunca os venderiam por 99 centavos!

Na verdade, parece que a Amazon não tem controle sobre o preço do livro de Locke, porque o artigo do WSJ deixa claro que ele vai continuar vendendo por 99 centavos, mesmo podendo ganhar mais a US$ 2,99 [A Amazon paga um royalty de 35% para livros abaixo de US$ 2,99 e 70% por livros entre US$ 2,99 e US$ 9,99, então Locke ganharia US$ 2,10 por cópia se vendesse a US$ 2,99 em vez dos 35 centavos de agora]. Provavelmente a Amazon teria colocado os livros dele a um preço onde Locke [e eles] ganhassem mais, não onde conseguissem mais vendas por unidade, o que, assumimos, iria aumentar a cada centavo que os preços fossem reduzidos – até chegarem a ser gratuitos.

Mas o fato de que as editoras não estão necessariamente erradas em tentar manter os preços perto dos US$ 10 ou mais não apaga duas verdades convincentes que seria um erro ignorar.

Uma é que a pressão para baixa nos preços é inexorável porque o número de autores empreendedores como John Locke vai crescer e eles serão descobertos e “ganharão nome”, e assim muitos leitores os verão como substitutos para os autores mais caros das editoras, e porque o número de ofertas iguais às do e-book do The Shatzkin Files – de pessoas que não estão escrevendo para lucrar com o conteúdo, mas que estão construindo uma audiência e de qualquer maneira têm um livro – vai continuar a acrescentar oferta para o que é uma demanda relativamente estática.

E o segundo, já falado aqui antes há não muito tempo, é que as editoras não sabem tanto quanto poderiam e deveriam sobre como o preço afeta as vendas por unidade e o lucro total.

Cedo ou tarde, uma ou duas grandes editoras vão começar a fazer experiências sérias com isso. Elas vão conseguir o conhecimento que vai permitir que digam a um autor ou agente: “sabemos algumas coisas sobre preços que podem gerar uma boa renda para você, se publicar conosco”. Quando isso acontecer, provavelmente vai ser mais significativo para um autor do que um aumento na porcentagem nos royalties. Talvez uma editora possa até acrescentar valor suficiente com expertise em preços para compensar a redução deles!

Até agora, somente um autor que conhecemos recusou um adiantamento significativo de uma grande editora para se autopublicar. Foi Barry Eisler, e escrevemos sobre ele quando tomou sua decisão de recusar meio milhão de dólares para se autopublicar. A gente convidou o Barry para falar em nossaprimeira Conferência Publishers Laucnh em 25 de maio na BookExpo America. Estamos muito interessados em quanto ele está antecipando em vendas no exterior e como vai lidar com direitos de tradução, mas também queremos saber os pensamentos de Barry sobre como ele vai estabelecer os preços para seus livros quando o poder estiver inteiramente em suas mãos.

Por Mike Shatzkin | Publicado originalmente em Publishnews | 25/05/2011

Mike Shatzkin tem mais de 40 anos de experiência no mercado editorial. É fundador e diretor-presidente da consultoria editorial The Idea Logical Co., com sede em Nova York, e acompanha e analisa diariamente os desafios e as oportunidades da indústria editorial nesta nova realidade digital. Oraganiza anualmente a Digital Book World, uma conferência em Nova York sobre o futuro digital do livro.

Nos Arquivos de Shatzkin, o consultor novaiorquino aborda os desafios e oportunidades apresentados pela nova era digital. O texto de sua coluna é publicado originalmente em seu blog, The Shatzkin Files [www.idealog.com/blog].

Congresso do Livro Digital aproxima academia e mercado


Organizado pela CBL, evento contará com a presença de profissionais do mercado editorial nacional e internacional e de pesquisadores brasileiros

A organização do 1º Congresso Internacional CBL do Livro Digital se surpreendeu com o sucesso do evento realizado em São Paulo em maio do ano passado e agora quer mais. Cinco pessoas da Comissão do Livro Digital da CBL trabalham para que toda a programação esteja redonda até os dias 26 e 27 de julho, quando será realizada a segunda edição do evento, também em São Paulo.

Com um público esperado de 500 pessoas, o 2º Congresso Internacional CBL do Livro Digital deve ampliar as discussões levantadas na primeira edição sobre o impacto da era digital na cadeia produtiva do livro. Além disso, pretende analisar o comportamento do consumidor, discutir assuntos de interesse comum aos empresários e executivos do livro, refletir sobre os principais desafios e oportunidades do mercado e dar orientações sobre a produção e a gestão do livro digital, uma vez que algumas de suas 640 entidades associadas [entre editoras, livrarias e distribuidoras] são pequenas e precisam de apoio para se adaptar às mudanças ocasionadas pela chegada e popularização do livro digital.

Entre os nomes confirmados estão Bob Stein, presidente do Institute for The Future of the Book, que irá falar sobre essa nova geração que já nasceu digital; Dominique Raccah, da Sourcebook e do Book International Study Group, que analisará o comportamento do consumidor; Rochelle Grayson, da BookRiff Media, que dará uma palestra sobre modelos de negócios; Piete Swinkles, da Kobo, e Diego Vorobechik, da Bibliografika, que, junto ao brasileiro Marcos da Veiga Pereira, da Sextante e da DLD, falarão sobre o novo papel das distribuidoras e livrarias no mundo do livro digital.

Além deles, participam Joseph Craven, vice-presidente da Sterling Publishing, em painel sobre as oportunidades para os editores e Martha Gabriel, diretora da New Media Developers, que dará uma palestra sobre o marketing para o livro digital. Dominique Raccah, do Book Industry Study Group e CEO da Sourcebooks, e Edmar Bulla comentarão sobre estratégias para as redes sociais; Ricardo Cavallero, da Random House Mondadori, falará sobre o novo papel do editor; Carlos Viceconti, diretor da Digisign, e Patricia Peck Pinheiro, da Peck Pinheiro Advogados, abordarão a pirataria e os direitos autorais na edição digital. Por fim, Sandra Reimão, da USP, analisará a “cultura do gratuito”. Outros nomes e mesas ainda serão confirmados, e a CBL também avisa que a programação pode sofrer mudanças.

A novidade do evento deste ano é a apresentação de trabalhos científicos. Com essa iniciativa, a CBL pretende aproximar academia e mercado. Foram inscritas dez pesquisas, das quais serão escolhidas entre 4 e 6 para serem apresentadas. Dessas, duas ganharão prêmios em dinheiro e poderão ser publicadas em revistas científicas. Os temas dos trabalhos variam desde os desdobramentos das mudanças causadas pelos livros digitais até educação e negócios. Segundo a comissão, por ser um tema muito novo é essencial que o mercado e a academia olhem juntas para o livro digital. A CBL espera que, com a divulgação dessa nova iniciativa, mais pesquisas sejam inscritas no ano que vem.

O 2º Congresso Internacional CBL do Livro Digital tem o apoio da Frankfurter Buchmesse e será realizado no Centro Fecomercio de Eventos [Rua Dr. Plínio Barreto, 285. Bela Vista – São Paulo/SP] e custa R$ 1.050 para associados da própria CBL, R$ 1.250 para associados de entidades congêneres, professores e estudantes, R$ 1.500 para não associados e US$ 925 para estrangeiros. As inscrições deverão ser feitas no site http://www.congressodolivrodigital.org.br.

Por Gabriela Nascimento | PublishNews | 25/05/2011

Kobo lança e-reader com touchscreen


A Kobo apresentou, na Book Expo America, a versão touchscreen de seu e-reader de olho nos compradores menos experientes digitalmente. O diretor Michael Serbinis descreveu o mercado de e-books como Davi contra os Golias da Apple e da Amazon. Ele quer ser o número um neste mercado e aposta no preço baixo. Essa versão touchscreen vai custar US$ 130 e a versão wi-fi terá o preço reduzido para US$ 99. Ele ainda não pensa em um tablet multi funcional.

The Bookseller | 24/05/2011

Barnes & Noble anuncia o novo Nook, leitor de livros eletrônicos


A versão mais leve e mais barata do Nook, e-reader da Barnes & Noble, rede de livrarias norte-americana, tem como alvo aqueles que procuram um leitor de livros eletrônicos mais simples.

O Kindle 3 tem 38 botões. São 37 a mais do que o novo Nook“, disse Willian Lynch, executivo-chefe da Barnes & Noble, no evento de anúncio do equipamento, em Nova York.

Disponível a partir do dia 10 de junho, o novo Nook se conecta com a internet por meio de Wi-Fi, tem tela sensível ao toque de seis polegadas e pode armazenar cerca de mil livros digitais.

Com o preço de US$ 139, o Nook entra na briga com a Amazon e com outros fabricantes do setor.

O foco na simplicidade faz com que a bateria do Nook dure até 2 meses. Pesando pouco mais de 200 gramas, o aparelho é 35% mais leve do que o primeiro Nook e cerca de três vezes mais leve do que o iPad 2.

A tecnologia da tela continua sendo a E Ink, ou tinta eletrônica, que cansa menos a vista do que telas luminosas, como a de tablets ou monitores de PCs.

Folha.com | 24/05/2011 – 16h50

Editoras se unem e levam e-books para bibliotecas universitárias


Grupo A, GEN, Saraiva e Atlas criam a empresa Minha Biblioteca, que começa a operar em 1º de junho

Em 2010, Objetiva, Record, Sextante, Rocco, Planeta e L&PM fundaram a DLD para converter seus livros para o formato digital e distribuí-los. Ontem, pouco mais de um mês desde que a DLD começou a operar, outras quatro grandes editoras, mas com forte presença no segmento de livros universitários, também se uniram para uma entrada mais agressiva no mercado de livro digital. Só que dessa vez o foco sai das livrarias e vai para as bibliotecas das universidades brasileiras.

Grupo A, GEN, Saraiva e Atlas inauguram o projeto “Minha Biblioteca” em 1º de junho. Nele, será reunido o catálogo digital das quatro sócias, estimado, hoje, em quatro mil títulos. Funciona assim: com base no interesse da universidade, no número de alunos, na perspectiva de acessos e no potencial de crescimento, a empresa, que também se chama Minha Biblioteca, customiza um catálogo e o vende inteiramente à universidade. Aos alunos dessas instituições é permitido o acesso remoto a todo o conteúdo.

À primeira vista a ideia se parece com a da Pasta do Professor, mas o diretor executivo Richardt Feller, que trocou Curitiba por São Paulo e já está se instalando no escritório da empresa na Avenida Paulista, disse que elas são diferentes. “A Pasta é mais uma contribuição do mercado para evitar a pirataria e legalizar as cópias, mas não tem formato digital. Já o Minha Biblioteca, que também é uma alternativa à pirataria, prevê o ensino de plataforma, com acesso livre de qualquer lugar”. Enquanto no projeto mais antigo é possível comprar o livro fracionado, neste novo só serão vendidos livros inteiros.

Nesse momento, nosso objetivo é levar conteúdo digital a um maior número de alunos do Brasil”, disse. Mas este é só o começo, garante. Agora, as empresas estão concentradas em colocar o “Minha Biblioteca” na rua. A partir da publicação nesta segunda-feira, 23, do comunicado da Saraiva, a equipe – são quatro funcionários – está liberada para divulgar o serviço, apresentá-lo nas universidades, fechar negócios…

O site deve entrar no ar ainda hoje – http://www.minhabiblioteca.com.br

Conheça as editoras envolvidas no projeto

O Grupo A é uma holding formada pelos selos editoriais Artmed, Bookman, Artes Médicas, McGrawHill, Penso e Tekne. Responsável pela publicação de livros científicos, técnicos e profissionais nas áreas de biociências, de ciências humanas e de ciências exatas, sociais e aplicadas, o Grupo possui, entre títulos impressos e e-books, mais de 2 mil títulos em catálogo.

A Editora Atlas, fundada em 1944, conta com mais de 3 mil títulos publicados nas áreas de Contabilidade, Economia, Administração de Empresas, Direito, Ciências Humanas, Métodos Quantitativos e Informática. Suas publicações – livros-textos, livros de referência, dicionários e livros para concursos públicos – visam à melhoria do ensino e da Educação brasileira em sua totalidade.

Formado oficialmente no segundo semestre de 2007, o Grupo Editorial Nacional [GEN] reúne as editoras Guanabara Koogan, Santos, LTC, Forense, Método, Forense Universitária, AC Farmacêutica e EPU. O objetivo do grupo é prover o mais completo conteúdo educacional para as áreas científica, técnica e profissional [CTP]. O GEN oferece um catálogo com mais de 2.800 títulos, alguns dos quais publicados também em Espanhol e distribuídos em toda América Latina.

A Editora Saraiva é a maior editora brasileira no segmento de obras jurídicas e uma das mais importantes editoras de livros universitários nas áreas de administração, economia, contabilidade, marketing e negócios, além de editar obras de interesse geral. Hoje, seu catálogo reúne cerca de 3 mil títulos para o público universitário. É também uma das primeiras no ranking de livros didáticos e paradidáticos para ensino fundamental e médio.

Por Maria Fernanda Rodrigues | PublishNews | 24/05/2011

Amazon chega ao Brasil com leitor Kindle


Lançamento de site não prevê venda de livros impressos; tributos preocupam empresa

A gigante americana Amazon iniciará suas operações no Brasil exclusivamente com a venda de livros digitais, que serão reproduzidos pelo leitor Kindle.

Segundo a Folha apurou, exemplares impressos não estão nos planos iniciais em virtude da complexidade logística de entrega. Ainda não há previsão de data para o início das atividades.

A Amazon pretende também montar um escritório no país para negociar com as editoras, segundo declarou o peruano Pedro Huerta, diretor de conteúdo do Kindle.

A aproximação da empresa com o mercado brasileiro aconteceu há dois anos, quando representantes da Amazon se aproximaram de editoras brasileiras na feira de Frankfurt, na Alemanha.

Há três meses, quando o executivo foi nomeado, as conversas avançaram. No entanto, nenhum contrato foi fechado. A expectativa é que as discussões durem de 4 a 6 meses.

A estratégia é ter um site em português para os livros digitais e vender o Kindle em lojas de eletrônicos e até operadoras de telefonia.

No entanto, o preço do aparelho preocupa a empresa, que quer um “valor acessível”. De acordo com executivos próximos a Amazon, nos próximos meses Huerta deverá vir ao Brasil para pleitear incentivos de importação ao Kindle.

POR CAMILA FUSCO | Publicado em Folha.com | São Paulo, terça-feira, 24 de maio de 2011

Facelivro


Personagens que conversam entre si e postam links dão vida no Facebook a obra de autor português

Andrés Bosco é um sujeito gordo, de cavanhaque, com cara de poucos amigos. Em sua página no Facebook, criada há duas semanas, tem clamado por justiça.

O Don Metzger foi assassinado. Foi assassinado esta noite por alguém nesta casa. E eu faço questão de saber quem foi“, escreveu, recentemente.

O brado indignado foi lido por 220 pessoas. Em pouco tempo, elas terão o alento de descobrir a identidade do malfeitor -mas jamais o verão preso.

Bosco e o assassino são personagens do livro “O Bom Inverno”, do português João Tordo, 35, vencedor em 2009 do Prêmio José Saramago [principal distinção para autores portugueses de até 35 anos]. “O Bom Inverno” não foi publicado no Brasil.

Lançado em Portugal com 8.000 cópias em setembro de 2010, o romance -sobre um assassinato ocorrido na casa de um cineasta, Don Metzger, na Itália- está sendo adaptado para o Facebook, em pequenos capítulos atualizados diariamente.

A ideia partiu dos publicitários Erick Rosa, 36, e Thiago Carvalho, 30, brasileiros radicados em Portugal, onde trabalham na agência de propaganda Leo Burnett.

É como ver a adaptação de um livro para o cinema“, disse Rosa, diretor de criação. “Só que nesse caso, transpusemos para o Facebook. A ideia está sendo testada enquanto acontece.

Para dar conta de realocar 250 páginas na linguagem diminuta de rede social [“posts” do Facebook podem ter no máximo 420 caracteres], o redator Carvalho cortou o livro pela metade. “Suprimi alguns capítulos e divagações, tudo com a aprovação do autor“, disse.

Em seguida, recorreu à agência de fotografia Corbis para procurar retratos que lembrassem a descrição dos personagens. Andrés Bosco se tornou o homem gordo de cavanhaque. Seus 17 companheiros de trama, dentre os quais um médico e um agente literário, foram agraciados com imagens joviais.

Para ler o livro, um usuário do Facebook precisa teclar no link “curtir” na página dos personagens. A partir disso, recebe as atualizações em seu próprio perfil.

LINKS INTERATIVOS

Desde que a história começou a ser contada, em 6 de maio, Carvalho dedica uma hora do dia para atualizá-la. Publica a linha narrativa e faz com que os personagens conversem entre si, em suas páginas do Facebook.

Além disso,tem uma terceira atribuição: postar links relacionados ao enredo. “Se o personagem escuta uma música, coloco um link com o vídeo dela no YouTube. Se vai para a Itália e cita o [ditador Benito] Mussolini, complemento com um link sobre ele da Wikipedia“, contou.

Por telefone, o autor João Tordo se disse satisfeito: “Muitos personagens são parecidos com o que imaginei.

Ele acredita que a ação não atrapalha a versão impressa: “O livro saiu há seis meses, está na quinta edição. O grosso das vendas foi feito. E as pessoas que não costumam ler podem eventualmente se interessar.

Ele aponta que as versões são muito distintas entre si: “Monólogos interiores estão no romance e não no Facebook. A internet não substitui o livro“.

A história se estenderá por mais duas semanas. Depois, os personagens continuarão a existir no Facebook, mas sem se manifestar.

De acordo com os publicitários Rosa e Carvalho, a editora Leya, responsável pela publicação de “O Bom Inverno” em Portugal, já pensa em adaptar um segundo livro para a internet.

POR ROBERTO KAZ | Folha de S.Paulo | São Paulo, terça-feira, 24 de maio de 2011

Custo dos eBooks desafia editoras


Apesar de ganharem relevância na discussão sobre a migração dos livros em papel para os meios digitais, os livros eletrônicos, ou e-books, ainda desafiam as editoras nos custos de tecnologia.

Segundo empresas ouvidas pela Folha, os gastos para converter os textos impressos para a versão digital e para revisar todas as edições ainda são uma equação não solucionada pelas editoras.

Para se converter mil títulos para a versão digital, por exemplo, são gastos de R$ 300.000 a R$ 500.000 adicionais, valores que incluem o trabalho e as revisões“, afirma Sérgio Machado, presidente da editora Record.

Na avaliação de Machado, hoje o e-book está relacionado principalmente à comodidade de compra de um livro digital, e não necessariamente à experiência de leitura. No entanto, não podem ficar para trás da demanda.

Por enquanto ainda não há uma mina de ouro. Até agora só existem investimentos, mas não podemos ignorar esse setor“, resume.

Ao lado da Record e integrante da DLD [Distribuidora de Livros Digitais, que entregam o conteúdo adaptado para livrarias], a editora Objetiva afirma que as empresas estão adaptando seus modelos de negócio para a era digital.

Os livros digitais ainda estão se preparando para decolar no fim de 2011 e início de 2012“, diz Roberto Feith, diretor geral da Objetiva e presidente do conselho da DLD.

No entanto, está mais fácil contratar os direitos autorais dos autores para publicações digitais porque não há mais tanta insegurança jurídica quanto há cerca de três anos sobre o modelo de remuneração.

Em média, segundo Feith, enquanto a participação dos autores nos livros impressos era de 20%, nas publicações digitais chegam a 25%.

Na avaliação de Mariana Zahar, diretora executiva da Zahar, uma das primeiras editoras do Brasil a entrar no negócio on-line, embora o mercado precise amadurecer, ainda há possibilidade de explorar novos conteúdos dos livros digitais com a era dos tablets.

A possibilidade de exploração de elementos audiovisuais está muito maior“, afirma.

LOJAS EM PREPARAÇÃO

As livrarias também se preparam para o triunfo dos livros eletrônicos, embora ainda apontem restrições para que a categoria deslanche no país.

Hoje são três principais entraves: criação de software compatível da loja digital com os aparelhos a venda, acervo em português e preço dos leitores eletrônicos. Quando as três questões estiverem resolvidas, o mercado deverá deslanchar“, diz Marcílio Pousada, presidente da Livraria Saraiva.

Há quase um ano com uma loja virtual de títulos que podem ser livros no computador, nos tablets ou nos leitores digitais –como o Alfa, da Positivo -, a Saraiva tem hoje 220 mil títulos em inglês e 3.600 em português.

O faturamento da loja on-line é o 80º entre as 99 operações da empresa do país, segundo Pousada.

Já a Livraria Cultura aposta na forma de convergência da tecnologia com os livros. A empresa está lançando os “livros como aplicativos” em que os usuários podem baixar os títulos digitais acompanhados com audiolivros para iPhone e iPad.

AMAZON NO BRASIL

Caso a chegada da Amazon ao Brasil se confirme para os próximos meses, ela deverá ajudar a impulsionar os números de vendas de livros on-line no país.

Segundo a Folha apurou, a gigante americana do varejo prepara sua estréia com operações exclusivamente on-line, com a venda do leitor Kindle.

Segundo a consultoria ebit, no ano passado a categoria representou 12% de todos os pedidos on-line no país. O comércio eletrônico movimentou R$ 15 bilhões e a categoria “livros e assinaturas de revistas” foi a segunda mais influente nas vendas.

A expectativa para este ano é que o segmento atinja R$ 20 bilhões.

POR CAMILA FUSCO | Folha.com | 24/05/2011 – 06h30

Sob demanda


Apesar da expansão do livro digital, cresceu 5% a produção de livros impressos em 2010 nos EUA. É que aumentou em 169% os chamados “títulos não tradicionais”, obras em domínio público feitas com impressão sob demanda e livros publicados pelo próprio autor [“self-publishing”]. Ou seja, as novas tecnologias ajudaram a imprimir mais livros. Desde 2002, a produção de livros impressos cresceu 47%, e de títulos não tradicionais, 8%. O levantamento é da R.R. Bowker, especializada em dados do mundo bibliográfico.

Por Josélia Aguiar | Folha de S. Paulo | PAINEL DAS LETRAS | 23/05/2011

Os tablets da Amazon


A venda de e-books superou a de livros impressos, somando capa dura e normal, anunciou a Amazon na última semana. Faz tempo que o Kindle, e-reader que lançou em 2007, é divulgado como seu produto mais vendido. Ante a previsão de que o futuro será dos tablets, e não dos e-readers, a rede americana de varejo online desenvolve na surdina dois novos produtos, Coyote e Hollywood, dizem rumores.

Por Josélia Aguiar | Folha de S. Paulo | PAINEL DAS LETRAS | 23/05/2011

Best-seller eletrônico


Apesar de as vendas de e-books dobrarem de mês para outro, os números ainda representam pouco por aqui, longe do 1%. Quanto vende um best-seller eletrônico? Algumas dezenas de exemplares, até três ou quatro centenas, mas não mais que isso. Quem é o leitor? Os chamados “early adopters” e muitos da terceira idade, que podem aumentar a letra na tela. Quais os títulos mais vendidos? O jurídico “Vade Mecum” é o líder na Saraiva desde que a rede vende e-books, há um ano. Somando obras de outras editoras, há “1822”, de Laurentino Gomes, e “A Cabana”, de William P.Young. Na Livraria Cultura, os best-sellers na última semana são “Domingo, o Jogo”, de Cássia Cassitas, “Estrela Brasileira”, de Claudia Vasconcelos, e “Critérios de Excelência”, da FNQ.

Por Josélia Aguiar | Folha de S. Paulo | PAINEL DAS LETRAS | 23/05/2011

Coletânea reúne textos de escritores sobre futuro do livro


Por Miguel Conde | Publicado originalmente em O Globo | 23/05/2011

Em vez de vagar pelo deserto com a barba engruvinhada e um manto fedorento, os profetas da era digital usam a camisa para dentro da calça, manejam com destreza o Powerpoint e substituíram o batido “apocalipse” [tão ontem] pela “mudança de paradigma”. Como seus antecessores, no entanto, eles continuam nos advertindo que “o fim” está próximo. A diferença, é claro, é que agora o delírio é duvidar da previsão.

Os editores de livros foram os últimos integrantes da indústria cultural a terem que se deparar com “o fim”, mas hoje poucos duvidam que precisam repensar seus negócios em resposta às novas tecnologias digitais. A transformação talvez não seja tão radical quanto a de outros setores, como a indústria fonográfica [mesmo essa ressalva, no entanto, já soou mais convincente], mas certamente será muito mais profunda do que era plausível imaginar alguns anos atrás, quando os leitores de e-books ainda pareciam condenados a permanecer para sempre como engenhocas não muito práticas ou atraentes. Embora no Brasil ainda vá devagar, em outros países a mudança de fato já é radical: no mês passado, a Associação de Editores Americanos informou que os e-books foram o formato mais vendido pela indústria editorial dos Estados Unidos em fevereiro.

O surgimento de novas formas de publicação, distribuição e leitura de livros não é no entanto um problema apenas industrial, ainda que o debate sobre essas mudanças seja mais ou menos monopolizado por empresários, advogados e toda forma genérica de guru midiático. Partindo dessa constatação, um livro lançado recentemente nos Estados Unidos tenta trazer para essa discussão um grupo que até agora tem participado dela de maneira marginal: os escritores. “The Late American Novel: Writers on the Future of Books” [Soft Skull Press, 192 páginas, US$ 14,95], organizado por C. Max Magee e Jeff Martin, reúne 26 textos sobre o assunto escritos por contistas e romancistas americanos, a maioria deles jovens autores que gravitam em torno das revistas literárias surgidas nos EUA nos últimos anos, como “McSweeney’s”, “n+1”, “The Believer” e “The Millions”. Escritores para quem a criação e a discussão de literatura estiveram desde sempre, ou quase, vinculadas ao computador e à internet, mas que ainda assim, em muitos casos, exploram a própria perplexidade diante da transição do papel para a tela.

— Estávamos interessados em saber o que os desafios e oportunidades criados pelas novas tecnologias significam para quem está de fato tentando viver do que escreve — resume C. Max Magee, criador e editor do site “The Millions”, em entrevista por email ao GLOBO [leia abaixo].

Com mais senso de ironia e muito menos jargão 2.0 do que o usual, os autores reunidos no livro usam a questão como ponto de partida para todo tipo de texto, do ensaio à ficção, da piada ao cenário de fim do mundo, da recordação saudosa de partidas de Mortal Kombat a uma pequena tese sobre as diferentes etapas da civilização humana. Muitos textos, como seria de se esperar, tratam de impasses ligados à criação literária. Jonathan Lethem [o veterano da coletânea] fala das redes sociais como uma grande forma coletiva de ficção, enquanto Benjamin Kunkel [autor de “Indecisão”, publicado aqui pela Rocco] se pergunta se é possível narrar as experiências que temos diante do computador.

Leia abaixo a entrevista com C. Max Magee. Clique aqui para ler um dos artigos da coletânea, de Deb Olin Unferth, e aqui para ler um texto de James Warner, publicado originalmente na revista “McSweeney’s”, cuja série de previsões é em si um resumo irônico das incontáveis pontificações, dúvidas e enrolações que compõem o debate atual sobre o futuro do livro.

Debates sobre o futuro do livro tendem a reunir editores, advogados, gurus da mídia, mas nem sempre escritores. Por que vocês resolveram levar essa discussão aos autores, e em que a abordagem deles difere das usuais?

C. MAX MAGEE: Tínhamos a impressão de que as pessoas no lado empresarial do mundo dos livros estavam recebendo atenção demais nessa discussão. Estávamos interessados em saber o que os desafios e oportunidades criados pelas novas tecnologias significam para quem está de fato tentando viver do que escreve. O escritores se perguntam sobre a transição da leitura para uma tela ou isso não faz diferença nenhuma para eles? Nosso livro acabou sendo mais eclético e emotivo do que a maioria das coisas que você lê sobre o assunto. Muitos desses autores têm uma conexão pessoal profunda com livros e a escrita, e acho que isso aparece nos textos.

O termo “copyright” é mencionado em apenas um ensaio do livro. Isso é surpreendente, já que em meios como o musical as discussões sobre a tecnologia digital costumam centrar-se na questão dos direitos autorais. Os escritores estão menos preocupados com isso do que os músicos? 

MAGEE: É difícil ganhar a vida como autor de ficção, e portanto, embora exista o perigo da pirataria, muitos escritores não têm tanto a perder e estão escrevendo simplesmente por paixão. Quando você olha para os escritores nas listas de best-sellers, as preocupações com os direitos autorais aumentam. Para ficcionistas, em geral, uma preocupação maior do que “as pessoas vão roubar meu livro?” é “as pessoas ainda vão querer ler ficção?”

O título do livro, ao explorar o duplo sentido de “novel” — ao mesmo tempo “romance” e “novo” —, sugere uma ligação entre tecnologias de leitura e formas literárias. O que você acha da ideia de que novos dispositivos de leitura vão favorecer o surgimento de novas formas de escrita?

MAGEE: A tecnologia sem dúvida abre novas portas e caminhos, muitos que ainda sequer imaginamos. Mas não acho que estejamos perto de uma grande mudança na forma narrativa dominante nos livros. Talvez editores comecem a oferecer extras digitais ou algo do tipo, mas quanto mais um “livro” se aproxima da interatividade do mundo conectado, mais ele deixa de ser um “livro” para tornar-se um videogame ou alguma outra forma de entretenimento. As fronteiras do “livro” são definidas em relação a outros meios. Um livro em formato visual é um filme. Um livro onde o leitor controla a ação é um jogo. Leve o livro muito para longe de seu formato atual e ele se tornará alguma outra coisa. De muitas maneiras, a definição de livro é bem específica. Você pode considerá-lo “um texto narrado por um escritor para um leitor”. No fim das contas, o que pode acabar sendo mais ameaçador para os livros é adicionarmos tanta multimídia e tantos bônus interativos que nos daremos conta que aquilo que estamos “lendo” não pode mais ser considerado um livro. Ao mesmo tempo, a tecnologia e a interatividade oferecem grandes perspectivas para a interação entre leitores — e até mesmo entre leitores e autores — em torno de um livro.

Editores costumam dizer que não podem repetir os erros da indústria musical em relação à tecnologia digital. A indústria editorial está de fato se saindo melhor?

MAGEE: Embora sem dúvida estejam diante de grandes desafios, os editores tiveram sorte de ter uma década a mais para refletir sobre o compartilhamento de arquivos e a pirataria, e eu acho pouco provável que sejam atingidos de modo tão duro quanto a indústria musical foi atingida. De muitas maneiras, eles estão protegidos porque os e-books costumam ser lidos em leitores como o Kindle e smartphones, que funcionam dentro de sistemas fechados, com barreiras muito maiores do que as existentes nos primórdios do mp3.

Um tema controverso em relação aos e-books é o poder de editores e distribuidores para editar ou mesmo apagar livros já comprados por um consumidor. O quão sério é o perigo da censura em relação aos e-books, e que papel as bibliotecas podem ter nessa discussão?

MAGEE: A digitalização dos livros cria grandes questões de censura. Já vimos que toda nossa vida online é vulnerável ao monitoramento de empresas interessadas em nos vender seus produtos e, potencialmente, também de governos que desejem manter um olho em nós. Os livros no meio digital estão suscetíveis a essas mesmas forças. Não é difícil perceber os possíveis conflitos criados pela possibilidade de que nossos hábitos de leitura estejam sujeitos à vigilância dessas entidades. Em geral, pelo menos nos EUA, as bibliotecas têm feito um bom trabalho em adotar novas tecnologias e proteger seus usuários, então acho que elas podem acabar por ser um contraponto às consequências potencialmente negativas das novas tecnologias sobre os livros.

Qual será o lugar dos livros em meio às mudanças sociais das próximas décadas?

MAGEE: Existe um vínculo íntimo entre o futuro dos livros e o futuro da civilização. Não acho que a mudança tecnológica vá interferir no desejo humano de se comunicar por meio da palavra escrita, e suspeito que, de uma forma ou de outra, os livros serão parte das futuras mudanças, não como o meio central que foram séculos atrás, mas ainda parte da cacofonia digital global.

Por Miguel Conde | Publicado originalmente em O Globo | 23/05/2011

Amazon investe em sua editora


Ela acaba de contratar o ex-agente Laurence Kirshbaum, que vai formar a equipe para trabalhar no escritório de NY da empresa

A Amazon contratou Laurence Kirshbaum, ex-CEO da Time-Warnes Book Group e mais recentemente um agente literário, para assumir o posto de editor da Amazon e ele começa em 5 de julho. A ideia é que ele construa algo que se parecerá com uma editora tradicional, mas com foco específico em não-ficção e um pouco de ficção literária. Recentemente a Amazon criou dois selos e Kirshbaum planeja ainda a criação de outros. Essa história é contada pelo Bookseller. Para outras informações, em inglês, clique aqui.

PublishNews | 23/05/2011

O livro infantil digital


Por Dolores Prades | Publicado originalmente em PublishNews | 23/05/2011

Na ordem do dia das preocupações de todo editor, pensar o livro digital infantil nos remete a um universo de questões bastante específicas e diferenciadas dos outros segmentos editoriais. Para além da contraposição entre a afirmação do livro digital e o livro em papel, para além da discussão do desaparecimento definitivo do livro tal como o conhecemos hoje, há questões específicas do livro infantil que se delineiam nesse universo ainda duvidoso em que se move a edição digital.

No caminhão de perguntas sem resposta com o qual adentro este universo, um dos aspectos que não deixam margem a duvidas é a certeza de que estamos vivendo um momento de efetiva inflexão da indústria editorial. Seja qual for o caminho que for tomado – a edição do livro em papel, a edição digital ou ambas -, todas as etapas do fazer editorial estão postas em questão e provavelmente passem por um franco processo de mudanças. Não há nenhuma novidade nisso e muito se tem falado a esse respeito.

Porém, a sensação de ser testemunha desta reviravolta no mundo da edição só fui ter mesmo algumas semanas atrás participando do TOC [Tools of Change for Publishing], conferência sobre o futuro do livro infantil promovida pela Feira de Bolonha. Pela primeira vez, a maior feira dedicada ao livro para crianças e jovens organizou uma discussão sobre o livro digital e sobre as mudanças que este novo suporte podem representar para este mercado. Tal reconhecimento e a convocatória para um prêmio anual a partir de 2012 para o melhor livro digital, o Bologna Ragazzi Digital Award, instituem e chancelam o livro digital infantil no universo do que há de melhor na produção do livro infantil e juvenil.

O forte interesse despertado pelo tema ficou comprovado pelo público presente. Mais de 200 pessoas de 27 países diferentes se reuniram no domingo, véspera da abertura da feira, durante um longo dia onde se sucederam palestras e mesas redondas sobre três grandes temas: um geral sobre o mercado, outro sobre a edição e as mudanças que desde já se vislumbram e um terceiro sobre os novos suportes e suas características.

Mais do que dar respostas, essa jornada reiterou dúvidas e confirmou as primeiras impressões. Quem foi ao TOC atrás de respostas ou de modelos de negócios saiu com a certeza de que ninguém sabe ao certo como fazer. E o que fazer depende de muito investimento e experimentação. Movendo-se ainda às cegas, os grupos editoriais que já atuam neste segmento de mercado deixaram claro o caráter experimental de suas iniciativas e pesquisas, assim como o grande investimento que significa entrar para valer e de forma original neste segmento. Além dos investimentos em pesquisa e criação, foi reiterado que o livro digital exige constantes atualizações no ritmo das inovações tecnológicas exigidas pelo seu suporte.

Se o avanço e a substituição do livro em papel pelo formato digital é inquestionável em vários segmentos do mercado editorial, é só pensar nas enciclopédias, nos dicionários e nos livros científicos, conteúdos que se adaptam melhor a este formato e suas inovações. No caso do livro infantil, o que os exemplos de ponta das experiências digitais mostram não são apenas transposições para um outro formato. Ao contrário, o que temos são novos produtos: livros animados, com recursos interativos muito próximos dos brinquedos que exigem aptidões diferentes daquelas que a leitura [em silêncio ou compartilhada] exige.

Reconhecer estas diferenças não significa de modo algum desprezar as consequências que estas inovações impõem ao mercado editorial do livro infantil. A reviravolta está em curso e a imaginação e criatividade dos editores para fazer frente a estas mudanças são onde reside, do meu ponto de vista, a sobrevivência com maior ou menor peso do livro em papel. É importante repensar o que se faz, ir atrás de uma maior qualidade, explorar ao máximo os recursos gráficos, descobrir novos nichos e novos formatos de modo que o livro em papel se torne exclusivo garantindo seu espaço no mercado.

Livro digital e abertura de novos mercados andam de mãos dadas. Crianças são os novos consumidores em potencial desta era digital e como tais devem ser bombardeadas por novos produtos e por constantes inovações. Nesta guerra de mercado, o livro digital é o suporte mais adequado para ganhar espaço e consumidores. Na briga pela ampliação de novos mercados fica claro que os grandes grupos não podem deixar de entrar nesta competição e de colocar o foco neste novo produto que é o livro digital.

Porém, é aqui que reside um dos maiores nós deste mercado: o desconhecimento geral das regras deste novo negócio. Não se sabe como controlar o número de cópias vendidas, como fazer frente aos downloads free, como fazer disto um negócio rentável a ponto de justificar o enorme investimento que o livro digital pressupõe. As mesmas dúvidas ocorrem com a divulgação destes novos produtos. Como dar visibilidade a cada título nos sites de compra? Como controlar e intervir nos sites das grandes corporações detentoras da tecnologia? Como fugir das regras impostas por elas?

Faz décadas que a indústria editorial vem acolhendo e se moldando aos efeitos dos avanços tecnológicos e não há nenhuma novidade nisso. A indústria do livro digital é uma nova etapa deste processo, no qual estamos apenas engatinhando. Os novos formatos estão aí impondo sua força no mercado. Mas eles precisam de conteúdo, isto é, da criatividade de autores e ilustradores, do olho do editor capaz de identificar e formatar um produto, de identificar pontos fortes e estabelecer parcerias.

Esta ponte fundamental entre conteúdo e forma como ponto de partida foi comentada por Neal Hoskins da Wingedchariot Press, que fechou o TOC com uma frase bastante paradigmática naquelas circunstâncias: “Always remember where you come from”. Muitas podem ser as interpretações, porém no contexto no qual nos encontrávamos, a remissão ao conteúdo, à literatura como suporte essencial e ao trabalho criativo foram lembradas.

Por Dolores Prades | Publicado originalmente em PublishNews | 23/05/2011

Dolores Prades é editora, gestora e consultora na área editorial de literatura para crianças e jovens. É também curadora e coordenadora do projeto Conversas ao Pé da Página – Seminários sobre Leitura e coordenadora da área de literatura para crianças e jovens da Revista eletrônica Emília a ser lançada no próximo mês de junho.

Pequenos grandes leitores é uma coluna que pretende discutir temas relacionados à edição e ao mercado da literatura para crianças e jovens, promover a crítica da produção nacional e internacional deste segmento editorial e refletir sobre fundamentos e práticas em torno da leitura e da formação de leitores. Ela é publicada quinzenalmente, às segundas-feiras.

Saraiva anuncia nova sociedade para venda de e-books


A Saraiva anunciou nesta segunda-feira [23] a parceria com as editoras Artmed, Atlas e Gen [Grupo Editorial Nacional] para atuar no ‘promissor’ mercado de livros digitais [e-books].

As editoras criaram a Minha Biblioteca Ltda, sociedade que será voltada para a edição, distribuição e comercialização de e-books e outros conteúdos digitais. Segundo comunicado divulgado aos investidores, a Saraiva vai deter 25% do capital da nova empresa.

A atuação se dará tanto no atacado quanto no varejo, no território nacional e internacional.

“Com esta associação, a companhia alavancará sua atuação no novo e promissor mercado de conteúdo digital”, diz a Saraiva em comunicado. Segundo a empresa, o movimento é estratégico, ao incluir em seu portfólio uma plataforma de venda de conteúdo digital.

Confira a íntegra do comunicado:

Saraiva S.A. Livreiros Editores [“Companhia”], em cumprimento ao previsto no artigo 157, § 4°, da Lei n° 6.404/76, e ao disposto na Instrução Normativa da Comissão de Valores Mobiliários – CVM n° 358/02, comunica aos seus acionistas, investidores e ao mercado em geral que, nesta data, constituiu, em associação com Artmed Editora S.A., Atlas S.A. e GEN – Grupo Editorial Nacional Participações S.A., uma nova sociedade, denominada “Minha Biblioteca Ltda.”, a qual se dedicará à edição, distribuição e comercialização de livros digitais [e-books] e outros conteúdos, no mercado de atacado e varejo, no território nacional e internacional. A Companhia detém uma participação acionária na nova sociedade representativa de 25% do capital social.

Com esta associação, a Companhia alavancará sua atuação no novo e promissor mercado de conteúdo digital. Esse movimento estratégico agregará valor ao catálogo de produtos oferecidos pela Companhia, que incluirá, além da tradicional e reconhecida qualidade dos livros impressos produzidos por seus diversos editoriais, também uma moderna plataforma de venda de conteúdo digital, que atenderá demandas dos mais diversos públicos.

G1 / ValorOnLine | 23/05/2011

Notícias do front


Por Ednei Procópio

Nos corredores da Apple, Microsoft e, principalmente, Google, atualmente não se fala em outra coisa a não ser numa tal de NUVEM. Isso quer dizer que o livro digital é tão leve que pode ficar hospedado nas ‘nuvens’ e não despencam feitos livros impressos nas prateleiras físicas. Estou pensando em, quando eu finalmente tiver tempo, vou criar um novo selo chamado NUVEM Books.

Aliás, há algum tempo que eu não tenho tempo pra nada, são tantas as novidades neste novo cenário que já me causam medo. Mas vamos lá, vamos tentar, tenho aí uns cinco minutos antes da minha esposa voltar do cabeleireiro:

AS NOVIDADES DA BARNES

Há notícias, por exemplo, que evidenciam que na próxima terça-feira, dia 24 de maio, a excelente Barnes & Noble irá revelar um novo leitor eletrônico. Ou seja, vem  novidades em termos de hardwares por aí. Ou seria apenas uma apresentação de melhorias feitas em seu Nook Color?

É o que vamos ver, mas a Barnes & Noble é pioneira na venda de títulos digitais. Ela começou a brincadeira muito tímida no início de 2001. Tentou também o download de PDFs, não rolou, claro, mas depois ajudou a definir um escopo de negócios baseado também no mercado educacional o que a fez manter um fôlego até o lançamento da sua mais recente plataforma. Moderna e flexível, afinal, o Nook migrou para uma aplicação que roda tanto no próprio hardware Nook quanto em outras plataformas [iOS, Android, etc.].

O hardware Nook, todos nós sabemos, já praticamente virou um tablet. Começou com uma tela em preto e branco, rodando o sistema operacional Android, e depois migrou para uma tela colorida que deixou a maquininha acessar outros apps [para não fazer feio frente à Apple].

OS NÚMEROS DA AMAZON

Será que a Amazon anunciou o lançamento dos tablets Coyote e Hollywood após descobrir que a Barnes & Noble ia reunir a imprensa para anunciar o seu novo produto?

Pois é, né, mas tem os números que a Amazon recentemente divulgou sobre as vendas de livros digitais. Embora a Amazon não tenha divulgado os dados exatos de vendas dos seus títulos digitais, pelo menos desta vez ela deixou bem claro que estes números incluem a soma dos volumes de capa mole [brochura] e de capa dura [hardcover], e exclui os downloads gratuitos que certamente somariam um volume maior nos números apresentados. Afinal, o grátis na Internet atual domina. Percebam que a versão do hard Kindle que mais vende é o de menor custo para o leitor/consumidor final.

A Amazon, embora seja o maior varejista online da Internet, ainda assim ela é apenas um recorte do bilionário mercado de livros nos Estados Unidos. Tudo bem que seus números apontam uma tendência, mas a pergunta que eu ainda me faço, e eu ainda não encontrei resposta é: quanto efetivamente a Amazon vende em números exatos de títulos e quanto é o seu real faturamento neste segmento especificamente falando?

Descobrir isto nos ajudaria, aqui no Brasil, a ter um balizamento de nossos próprios negócios. Pois, embora o volume de títulos nas livrarias Cultura, Saraiva, Gato Sabido, etc., não somem 10 mil títulos em língua portuguesa, infelizmente nós não temos acesso aos números de vendas, acesso e consumo.

Se alguém quiser me ajudar a descobrir, por gentileza, me escrevam em livrus@livrus.com.br.

Ednei Procópio

Editoras e livrarias se preparam para chegada da Amazon


Por Renata Honorato | Com reportagem de Paula Reverbe l Publicado originalmente em VEJA – Vida Digital | 20/05/2011 – 19:24

A cadeia de produção e distribuição do livro deverá ser afetada pela entrada da empresa americana no mercado. E promete reagir

O Kindle: plataforma de leitura e negócios da Amazon

O primeiro passo da Amazon no Brasil será oferecer ao mercado local 5.000 livros em formato eletrônico em língua portuguesa. Será um importante incremento, uma vez que a Saraiva, maior rede de livrarias do país, e a Cultura, a mais bem equipada do ponto de vista de acervo, oferecem cerca de 3.000 títulos em português cada – além de aproximadamente 230.000 em outras línguas. Mas a Amazon poderá dar escala ao processo. Em sua loja virtual, estão à disposição de consumidores nada menos do que 950.000 e-books. A velocidade em que essa evolução se processará aqui dependerá em boa medida da decisão dos editores, detentores dos direitos de publicação das obras já editadas no país.

No Brasil, a empresa americana negocia com diversas editoras. É o caso de empresas de peso como Record, Objetiva e Ediouro. O objetivo das conversas é convencer as brasileiras a entrar de cabeça em seu sistema: em outras palavras, vender seus livros a partir de sua loja virtual, no formato compatível com o leitor Kindle. Alguns frutos desse trabalho já estão pendurados na árvore da Amazon. Segundo Newton Neto, diretor da Singular Digital, braço da Ediouro para operações eletrônicas, cerca de 120 e-books da editora já estão disponíveis na livraria americana.

Os editores brasileiros garantem que o negócio interessa. Mas, na prática, são cautelosos e evitam tratá-lo como tábua de salvação do segmento editorial local. “Levamos muito a sério as novas tecnologias”, diz Roberto Feith, presidente da Objetiva. “Mas a internet, e suas variantes, se configura apenas como mais um canal de vendas”, completa o executivo. Sérgio Machado, presidente da Record, sintetiza o impasse entre as partes. “Estamos conversando, mas ainda não encontramos um modelo de parceria que nos pareça satisfatório.

Nos bastidores, comenta-se que as editoras preparam um acordo: não liberar para venda na Amazon seus bestsellers [ou candidatos a], principal fonte de receita do setor. Além disso, Objetiva, Record, Sextante, Intrínseca, Rocco e Planeta articularam, em uma espécie de joint venture, a criação de uma empresa responsável pela digitalização de obras e sua distribuição a livrarias: a DLD. É uma tentativa de dominar parte do processo digital.

O modelo de parceria é de fato um dos pontos-chave do trabalhoso processo de migração do papel para o meio eletrônico. Nos Estados Unidos, onde o negócio, é claro, está mais avançado, a Amazon iniciou a operação fixando o preço de “capa” do produto final, pagando um percentual aos editores a cada venda. A intenção da gigante era forçar preços baixos e insuflar o incipiente segmento de livros eletrônicos. O modelo vigorou entre 2007 e 2010, quando a Apple lançou o iPad e a venda de e-books em sua loja virtual. Na proposta de Steve Jobs, os editores determinavam os preços, ficando a loja com a comissão de 30%. A novidade caiu como uma bomba entre as editoras americanas, que pediram a revisão de seus contratos.

A Amazon teve de ceder. E agora adota uma política similar à da Apple. O contrato, contudo, não exige exclusividade. Assim, quando as obras em português caírem definitivamente na loja da Amazon, poderão eventualmente ser encontradas em concorrentes.

Se a vida dos editores está sendo sacudida pela brisa da Amazon, a dos livreiros deve enfrentar um furacão. Ao inaugurar um escritório e uma operação dedicados ao Brasil, a Amazon, um titã que fatura 34 bilhões de dólares ao ano, passará a concorrer diretamente com as empresas estabelecidas aqui. “Acredito que as grandes livrarias estão preparadas para essa nova realidade. Mas as pequenas certamente sofrerão com isso“, diz Karine Pansa, presidente da Câmara Brasileira do Livro [CBL].

Saraiva e Cultura já dão como certa a entrada da empresa americana na disputa pelo leitor local. Para contra-atacar, miram no formato de livro digital vendido pela Amazon, só compatível com o leitor de e-books da marca, o Kindle. As livrarias brasileiras apostam em um formato eletrônico chamado ePUB, reconhecido por um grande número de plataformas, como tablets, celulares e computadores que rodam, entre outros, com sistemas da Apple e do Google [Android].

Estamos criando novos modelos para a distruição digital de conteúdo. Um deles é o livro-aplicativo, que pode ser baixado na Apps Store, da Apple, e, em breve, na versão Android“, diz Sergio Herz, presidente-executivo da Cultura. A Saraiva vai no mesmo caminho. E aposta no aumento da oferta de obras. “Estamos trabalhando duro para aumentar nosso acervo em língua portuguesa“, afirma o presidente da companhia, Marcílio Pousada.

Atualmente, em consequencia de um acordo firmado entre editoras e livrarias, um e-book custa, no Brasil, 20% a menos do que um livro impresso. Espera-se que a chegada de um protagonista do setor, a Amazon, ajude a derrubar ainda mais esses preços.

Por Renata Honorato | Com reportagem de Paula Reverbe l Publicado originalmente em VEJA – Vida Digital | 20/05/2011 – 19:24

Amazon está chegando ao Brasil. E não vai vender só livros


Por Renata Honorato | Com reportagem de Paula Reverbe l Publicado originalmente em VEJA – Vida Digital | 20/05/2011 – 19:23

A maior varejista eletrônica do planeta prepara entrada no mercado nacional pelo setor de livros. Mas ninguém acredita que vai ficar só nisso

 

A Amazon está aportando no Brasil. A maior varejista eletrônica do mundo deve iniciar sua operação por aqui no fim deste ano ou no início de 2012. Para isso, já negocia com editoras brasileiras a conversão, em grande escala, de títulos nacionais em e-books, além de vender por aqui seu leitor de livros digitais, o Kindle. “Estamos em contato com o emissário da Amazon. E ele está conversando com várias editoras locais“, revela Sérgio Machado, presidente da Record, uma das maiores empresas do setor editorial no país. Mas a Amazon não vive só de livros. Ao contrário. No ano passado, suas vendas nesse segmento [reforçadas por discos, consoles de games, software e downloads] foram responsáveis por menos da metade do faturamento de 34 bilhões de dólares da empresa – que atualmente vende itens tão diversos quanto acessórios automotivos e ervas para gatos.

A companhia americana confirma que tem “planos para o Brasil”, mas guarda segredo sobre eles. Há três meses, o interlocutor com as editoras locais é o peruano Pedro Huerta, que trabalhou na prestigiosa editora americana Randon House. Ele conduz negociações a partir de Nova York e Londres. É evidente, porém, que a Amazon deve chegar ao país para empreender uma grande, ou melhor, gigantesca operação de e-commerce, que deve mexer com a vida de eventuais parceiros, concorrentes e consumidores. Faz todo o sentido. O setor de e-commerce no Brasil passa por uma fase positiva. Neste ano, deve faturar ao menos 20 bilhões de reais, segundo previsão da empresa de monitoramento de comércio eletrônico E-bit. É um crescimento de 35% em relação a 2010.

A Amazon é uma empresa muito grande. Por isso, é improvável que venha para o Brasil só para vender livros“, diz Carlos Affonso Souza, vice-coordenador do Centro de Tecnologia e Sociedade da Fundação Getúlio Vargas [FGV]. “O fator mais positivo é que sua chegada estimulará o setor de comércio eletrônico e funcionará como uma espécie de chancela, um reconhecimento de que o e-commerce brasileiro é maduro e promissor.” Souza lembra que o interesse da Amazon no Brasil é antigo. Em 2005, a empresa tentou na Justiça tomar controle do domínio amazon.com.br, que pertence a uma empresa brasileira de soluções de TI chamada Amazon Corporation. Não obteve, contudo, um veredicto a seu favor.

O retrospecto de atuação da Amazon em outros mercados fornece mais um indício de que a empresa deve chegar ao Brasil para vender de tudo um pouco. A companhia nasceu em 1995, nos Estados Unidos. De lá, e desde então, expandiu sua atuação a outros países. Grã-Bretanha e Alemanha, por exemplo, ganharam operações locais já em 1998. França e China, em 2000. Canadá, Japão e Itália também estão na lista de nações que contam com escritórios locais da companhia.

Nesses mercados, a empresa aliou a oferta de um vasto número de livros em idioma local à venda do mix de produtos que a sustenta: computadores, material de escritório, casa e jardim, produtos de saúde e beleza, brinquedos, roupas e bugigangas, além da prestação de serviços, como o armazenamento de dados de grandes empresas. Nem todos os itens, contudo, saem de seus estoques. A estratégia tem sido recorrer a fornecedores locais, que usam a Amazon como uma vitrine, a partir de dois acordos. Em um deles, o parceiro usa a rede de distribuição da gigante do varejo para fazer seu produto chegar às mãos do consumidor. No outro, ele mesmo faz a entrega. Nos dois casos, recebe uma comissão da Amazon.

A logística de distribuição de produtos no Brasil é o “x” da questão acerca da entrada da companhia no país. Na China, por exemplo, a empresa americana iniciou suas operações construíndo uma rede de distribuição própria. Quatro anos depois, porém adquiriu por 75 milhões de dólares a chinesa Joyo, especializada no assunto. “A Amazon deve erguer sua própria logística no Brasil, mas não podemos descartar a possibilidade de ela adquirir um grande player nacional, que já tenha o seu modelo montado“, diz Alexandre Umberti, diretor de marketing e produtos da E-bit. Umberti aposta ainda que o consumidor sera o principal beneficiado, uma vez que a empresa americana colocará em solo brasileiro seu know-how em áreas como atendimento ao cliente.

O certo é que o dia em que a companhia americana colocar os pés no país algo vai mudar na vida dos atuais protagonistas do e-commerce local. Um deles é a  B2W, que controla os serviços Submarino, Americanas.com, Ingresso.com e Shoptime, detentor de um faturamento de 4 bilhões de reais, em números de 2010. Procurada pela reportagem de VEJA para comentar a aproximação da Amazon do mercado brasileiro, o grupo preferiu manter-se em silêncio. Posição mais clara em relação ao seu negócio tem a Câmara Brasileira do Livro, entidade que representa interesses de editoras, livrarias e distribuidores. “A chegada da Amazon no país indicará um caminho inevitável e sem volta: ela terá de se expandir para outros negócios“, diz Karine Pansa, presidente da CBL.