Um livro didático digital possível


Maria Fernanda Rodrigues | PublishNews | 18/03/2011

Os estudantes de hoje já nasceram na era digital, mas seus professores não. Como, então, encontrar um ponto de equilíbrio entre a antiga forma de ensinar e a nova forma de aprender e de assimilar uma quantidade cada vez maior de informações que chegam de todos os lados? Durante três anos, a Moderna se empenhou em tentar entender o que seria um livro didático digital e criou a sua própria versão, o Moderna Plus. Não se trata, porém, de um livro totalmente eletrônico. “Não dá para oferecer um livro digital porque o professor não é digital”, disse Miguel Thompson, diretor de serviços educacionais e marketing da Moderna.

O Moderna Plus compreende novas mídias e está amarrado ao bom e velho livro de papel, onde estão assinalados os conteúdos adicionais. Quando chega nesse ponto da aula, o professor, se quiser, abre o portal na internet ou o CD-ROM e mostra vídeos, gráficos, imagens e tudo o mais que puder ajudar o aluno a entender a matéria. Se não quiser se aprofundar, ignora o box e segue com a aula tradicional.

O projeto-piloto foi aplicado em quatro escolas municipais de Belém e esse teste mostrou à Moderna que enquanto o plano de banda larga não tiver sido colocado em prática no Brasil, ela não pode depender só da internet. Por isso, incluiu o CD-ROM no kit. Até o final de 2010, o Moderna Plus já era usado por mais de 2 mil professores e aproximadamente 150 mil alunos de escolas como o Porto Seguro, Sion e Mary Ward, em São Paulo, entre tantas outras. A editora ainda não consolidou os dados de 2011, mas estima que esse valor seja muito maior, já que em 2010 apenas três disciplinas foram contempladas.

Transformar esse material em um livro digital completo será um passo natural. “Isso pode ir para um iPad tranquilamente. Se a escola quiser, podemos testar. Já há demanda”, comentou Thompson. No entanto, as dúvidas com relação aos direitos autorais ainda não foram resolvidas lá dentro.

Gabriela Dias, editora executiva, construiu uma equipe, trabalhou em conjunto com professores e autores até chegar à versão final dos livros [baseada nas obras originais]. Por causa desse projeto, o editor da Moderna mudou de perfil e tornou-se um profissional multifacetado, que não prepara apenas o livro, mas imagina a aula como um todo e produz livros dinâmicos.

Mas a Moderna não saiu fazendo animação de qualquer coisa [veja um exemplo de trigonometria], só dos processos muito complexos ou abstratos. Por exemplo, você conseguiu, durante seu tempo de colégio, visualizar o citoplasma das células eucarióticas ou processo de respiração celular? O professor de geografia, por sua vez, pode abrir um mapa virtual e com um clique mostrar onde no mundo existe o clima desértico. Com outro clique, uma imagem daquele tipo de clima se abre e ele ainda consegue fazer outras relações entre tipo de solo, densidade demográfica e por aí vai. Os conteúdos adicionais oferecidos, como os vídeos dos experimentos químicos, não pretendem substituir a prática no laboratório, mas ajudam o professor a introduzir a matéria e, mais importante, permitem que estudantes de escolas que não contam com laboratório pelo menos vejam o que acontece naquele determinado processo. Para outros exemplos,clique aqui.

A editora começou 2010 com Biologia, Física e Química. Agora, todas as disciplinas foram incluídas neste novo material que prepara mais para o Enem do que para o vestibular. Esses livros são ligeiramente mais caros que as versões anteriores, ainda à venda. O de biologia, por exemplo, custa R$ 113,50 na edição tradicional e R$ 135 na edição “plus”.

A Moderna não fala de quanto foi o investimento do projeto. Diz apenas que gastou “alguns milhões”. “A Moderna quer estar na frente das transformações. Ela quer ela mesma construir esse futuro”, diz Gabriela.

A equipe do Moderna Plus é composta por cerca de 20 pessoas no editorial, além dos profissionais de marketing, do núcleo de infográfico, do departamento de tecnologia educacional e dos estagiários que dão assistência técnica por telefone, internet ou pessoalmente aos professores.

Para ler mais sobre o projeto, clique aqui.

Maria Fernanda Rodrigues | PublishNews | 18/03/2011