Tecnologias podem criar “desigualdade na leitura”


EUA: A rápida ascensão dos livros eletrônicos pode criar uma “desigualdade na leitura,” com as pessoas incapazes de arcar com o custo da nova tecnologia sendo deixadas para trás, em um período de declínio na capacidade de escrita e leitura nos Estados Unidos.

As comunidades negras onde muitos estudantes já estão ficando para trás de seus pares, membros de maiorias em termos de alfabetização, estão sob ameaça especial, disse a escritora Marita Golden –e isso a despeito do número crescente de escritores norte-americanos negros célebres, entre os quais, Toni Morrison, que conquistou um Nobel de Literatura.

Minha maior preocupação é que a tecnologia continue aumentando essa desigualdade,” disse ela à Reuters. “Não teremos apenas uma desigualdade digital mas uma desigualdade de leitura, se a leitura se tornar uma atividade que dependa de tecnologia.” “Caso a leitura venha a depender de tecnologia que precisa ser comprada, creio que a desigualdade na alfabetização persistirá e até mesmo crescerá,” acrescentou.

Anos de discussão sobre o futuro dos livros em meio às amplas mudanças tecnológicas em curso, e o desejo de garantir que os escritores negros sejam incluídos nessa discussão, incentivaram Golden a conceber seu recente livro “The Word,” no qual escritores negros norte-americanos falam sobre como a leitura melhorou suas vidas.

Edward Jones, que conquistou um prêmio Pulitzer por seu romance “The Known World,” afirma acreditar que “a leitura e a escrita são fundamentais para ser uma pessoa melhor e ter uma vida melhor.” Outros contam como ler sobre vidas parecidas com as suas ajudou a validar suas experiências e a lhes propiciar confiança.

Nesse sentido, a tecnologia dos leitores eletrônicos, por exemplo, pode ser tanto vantagem quanto problema em termos de alfabetização, disse Golden, já que leitores que poderiam se sentir intimidados diante das muitas páginas de um livro talvez se entusiasmem com a leitura em forma digital.

Além disso, considerando que a comunidade negra dos EUA tem mais celulares e smartphones do que a comunidade branca, existe o potencial de explorar um mercado maior, acrescentou. “Mas o problema é ser possível baixar tanto jogos quanto livros, e não sabemos o que as pessoas farão“.

Por Elaine Lies | DA REUTERS, EM TÓQUIO | Publicado no Portal UOL | 18/03/2011

Xeriph, ‘cria’ da Gato Sabido para livros digitais, recebe aporte e sócios


Carlos Eduardo Ernanny, da Xeriph: contrato com cem editoras para oferta de 3,5 mil títulos por meio do novo site

Quando o empresário do mercado financeiro Carlos Eduardo Ernanny decidiu apostar nos livros digitais e lançou a livraria virtual Gato Sabido, não imaginava que sua iniciativa no segmento lhe renderia uma segunda empresa. Após enfrentar dificuldades para criar seu catálogo de livros virtuais e padronizar os arquivos para formatos protegidos contra cópias piratas, Ernanny decidiu usar a experiência para abrir um novo negócio, voltado para auxiliar outras livrarias e editoras. Assim surgiu, em abril de 2010, a Xeriph, primeira distribuidora de livros digitais do país.

Por Cibelle Bouças | Valor Econômico | 18/03/2011

Um livro didático digital possível


Maria Fernanda Rodrigues | PublishNews | 18/03/2011

Os estudantes de hoje já nasceram na era digital, mas seus professores não. Como, então, encontrar um ponto de equilíbrio entre a antiga forma de ensinar e a nova forma de aprender e de assimilar uma quantidade cada vez maior de informações que chegam de todos os lados? Durante três anos, a Moderna se empenhou em tentar entender o que seria um livro didático digital e criou a sua própria versão, o Moderna Plus. Não se trata, porém, de um livro totalmente eletrônico. “Não dá para oferecer um livro digital porque o professor não é digital”, disse Miguel Thompson, diretor de serviços educacionais e marketing da Moderna.

O Moderna Plus compreende novas mídias e está amarrado ao bom e velho livro de papel, onde estão assinalados os conteúdos adicionais. Quando chega nesse ponto da aula, o professor, se quiser, abre o portal na internet ou o CD-ROM e mostra vídeos, gráficos, imagens e tudo o mais que puder ajudar o aluno a entender a matéria. Se não quiser se aprofundar, ignora o box e segue com a aula tradicional.

O projeto-piloto foi aplicado em quatro escolas municipais de Belém e esse teste mostrou à Moderna que enquanto o plano de banda larga não tiver sido colocado em prática no Brasil, ela não pode depender só da internet. Por isso, incluiu o CD-ROM no kit. Até o final de 2010, o Moderna Plus já era usado por mais de 2 mil professores e aproximadamente 150 mil alunos de escolas como o Porto Seguro, Sion e Mary Ward, em São Paulo, entre tantas outras. A editora ainda não consolidou os dados de 2011, mas estima que esse valor seja muito maior, já que em 2010 apenas três disciplinas foram contempladas.

Transformar esse material em um livro digital completo será um passo natural. “Isso pode ir para um iPad tranquilamente. Se a escola quiser, podemos testar. Já há demanda”, comentou Thompson. No entanto, as dúvidas com relação aos direitos autorais ainda não foram resolvidas lá dentro.

Gabriela Dias, editora executiva, construiu uma equipe, trabalhou em conjunto com professores e autores até chegar à versão final dos livros [baseada nas obras originais]. Por causa desse projeto, o editor da Moderna mudou de perfil e tornou-se um profissional multifacetado, que não prepara apenas o livro, mas imagina a aula como um todo e produz livros dinâmicos.

Mas a Moderna não saiu fazendo animação de qualquer coisa [veja um exemplo de trigonometria], só dos processos muito complexos ou abstratos. Por exemplo, você conseguiu, durante seu tempo de colégio, visualizar o citoplasma das células eucarióticas ou processo de respiração celular? O professor de geografia, por sua vez, pode abrir um mapa virtual e com um clique mostrar onde no mundo existe o clima desértico. Com outro clique, uma imagem daquele tipo de clima se abre e ele ainda consegue fazer outras relações entre tipo de solo, densidade demográfica e por aí vai. Os conteúdos adicionais oferecidos, como os vídeos dos experimentos químicos, não pretendem substituir a prática no laboratório, mas ajudam o professor a introduzir a matéria e, mais importante, permitem que estudantes de escolas que não contam com laboratório pelo menos vejam o que acontece naquele determinado processo. Para outros exemplos,clique aqui.

A editora começou 2010 com Biologia, Física e Química. Agora, todas as disciplinas foram incluídas neste novo material que prepara mais para o Enem do que para o vestibular. Esses livros são ligeiramente mais caros que as versões anteriores, ainda à venda. O de biologia, por exemplo, custa R$ 113,50 na edição tradicional e R$ 135 na edição “plus”.

A Moderna não fala de quanto foi o investimento do projeto. Diz apenas que gastou “alguns milhões”. “A Moderna quer estar na frente das transformações. Ela quer ela mesma construir esse futuro”, diz Gabriela.

A equipe do Moderna Plus é composta por cerca de 20 pessoas no editorial, além dos profissionais de marketing, do núcleo de infográfico, do departamento de tecnologia educacional e dos estagiários que dão assistência técnica por telefone, internet ou pessoalmente aos professores.

Para ler mais sobre o projeto, clique aqui.

Maria Fernanda Rodrigues | PublishNews | 18/03/2011

eBooks podem fazer mal à visão?


Nos primeiros cinco meses de 2009, os e-books representavam 2,9% das vendas de livros. No mesmo período de 2010, eram 8,5%, segundo a Associação das Editoras Americanas, graças ao Kindle, da Amazon, e ao iPad, da Apple. Mas os brasileiros não ficam atrás, quando o assunto é a tecnologia. A Bienal do Livro de São Paulo de 2010 apresentou mais que títulos em papel. A feira sediou o lançamento do Mix Leitor-d, primeiro leitor eletrônico com tecnologia de software nacional.

Em ascensão nos últimos anos, o livro digital vem se tornado uma forma mais contemporânea de leitura, ainda que incipiente. O assunto mobiliza os leitores no mundo todo. Durante a 8ª Festa Literária Internacional de Paraty [Flip], na cidade do Sul Fluminense, o assunto foi muito debatido.

O futuro do livro digital é certo, mesmo sem entrar no mérito se ele substituirá ou não, por completo, os livros tradicionais. Quando o preço médio do e-book for reduzido, o livro digital ficará mais popular, ocupando parte do mercado editorial em todo o mundo. Pode ser cansativo ler dessa forma, mas esse estilo de leitura vem crescendo muito, pois permite ao usuário do e-book ter acesso gratuito a obras internacionais que são célebres e fáceis de serem encontradas na Internet.

Um livro também promove a acessibilidade quando facilita a leitura de quem tem problemas de visão, de vista cansada à completa cegueira. Um livro de papel de qualidade e com letras grandes ajuda o primeiro grupo. Os livros digitais também fazem isto, mas vão além para atender o segundo grupo, os e-books oferecem um sistema de text-to-speech [conversão texto para áudio embutida], que lê todo o texto, como alguém que lê para uma pessoa cega o livro que ela deseja.

Adaptação às novas tecnologias

O que preocupa os oftalmologistas em relação ao uso do livro digital são os tipos de iluminação de tela e o contraste das letras com o fundo do display. Grande parte das queixas é similar ao uso do computador comum ou dos notebooks: vista cansada, desconforto com a luminosidade da tela e dores de cabeça após a leitura.

Para amenizar os desconfortos e usufruir das novas tecnologias, algumas providências podem ser tomadas em relação aos cuidados com os olhos e com a postura corporal, durante leituras prolongadas. Se uma pessoa tem intolerância à iluminação específica da tela, talvez ela não consiga superar o problema apenas se adaptando a um novo hábito de leitura. Em alguns casos, é preciso fazer o uso de óculos com lentes coloridas, que podem filtrar algumas tonalidades da luz do livro digital.

Outra reclamação habitual refere-se ao fundo cinza de uma das marcas comercializadas, que dificulta a obtenção do contraste com as letras. Os leitores que apresentam um início de catarata, para os quais a visão em contraste é importante, apresentam mais dificuldades em lidar com o aparelho.

Geralmente, o público que lê e-books é mais jovem, mas percebemos que algumas pessoas com mais de 40 anos ficam com a vista cansada. Para evitar a fadiga visual é preciso posicionar o livro digital abaixo da linha dos olhos e ler em ambientes com lâmpadas amarelas, mais próximas da luz natural.

Outra medida preventiva no uso de e-books é uma pausa obrigatória na leitura. Recomenda-se que, a cada 50 ou 60 minutos, o usuário do livro digital dê uma parada por cinco minutos. O leitor deve dirigir seu olhar para um local distante, através de uma janela, por exemplo. Assim a musculatura ocular também poderá trabalhar, evitando a fadiga dos olhos.

Após horas de leitura, o piscar reflexo diminui, sem que a pessoa perceba. Quando você estiver fazendo uso dos livros digitais, coloque um lembrete, como, por exemplo, ‘piscar’ em algum cantinho do monitor. Assim você estará se policiando e piscando mais vezes, evitando o ‘olho seco’. Em atividades normais, os olhos piscam, em média, 22 vezes por minuto, enquanto que, quando estão em atividade de leitura, piscam de 12 a 15 vezes por minuto.

Os usuários de lentes de contato devem lubrificar mais vezes os olhos, quando em leitura continuada, para evitar problemas de ressecamento ocular. Manter as lentes de contato limpas e higienizadas deve ser uma rotina. Quando bem indicadas e usadas de acordo com as orientações médicas, as lentes não apresentam complicações.

Fonte: www.imo.com.br | sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011 18:16

Viciada em twitter


Sai em maio livro da Rosana Hermann sobre o Twitter – ‘Um passarinho me contou’

Sai em maio, pela Editora Panda, ‘Um passarinho me contou’ – relatos de uma viciada em Twitter. Escrito pela jornalista e blogueira Rosana Hermann – @rosana, “nao é um livro técnico, mas é um livro que fala do twitter, conta histórias, relatos de experiência vividas nesses 4 anos que estou lá [desde 9 de abril de 2007]” – diz a autora. 18/03 Julio Hungria

Trecho da obra:

“Nesses anos de intensa tuitagem, já ganhei e perdi muitos seguidores, aprendi e ensinei alguns truques, ministrei e frequentei palestras, gastei e ganhei dinheiro tuitando. Já fui hackeada, maltratada, aplaudida, entrevistada nacional e internacionalmente, premiada e trollada. Fui visitar o centro de controle da NASA, em Houston, a convite do perfil @NASA no Twitter. Fui à California participar de uma valiosa Twitter Conference. Fui ameaçada por alguns fãs e hackeada num feriado. Dei palestras sobre Twitter em emissoras de TV, agências de propaganda, empresas privadas, universidades. Gravei cursos de Twitter em vídeo para açoes de endomarketing de uma grande operadora de telefonia celular, apresentei quadros em vídeo com dicas de Twitter, na web e na televisao a cabo. Aconselhei muita gente a aderir à rede e, até hoje, faço um serviço de helpdesk mais ou menos voluntário”.

“Já briguei e xinguei muito no Twitter. Criei algumas bobagens e aprendi muito com desenvolvedores. Envolvi-me em problemas, fights, polêmicas, flame wars. No Twitter é assim, dá até pra brigar em diferentes línguas. Já fiz inimigos e desafetos e dei muito palpite onde nao fui chamada. É impressionante o que o ser humano é capaz de fazer, para o bem e para o mal, em 140 toques”.

“Foram tantos acontecimentos que nao dava mais para contar num update no Twitter ou num post no meu blog. Achei que a melhor maneira de me livrar de todas essas histórias seria, me livrando mesmo. Eis o livro. Se gostar, dê RT”.

Por Julio Hungria | Blue Bus | 18/03/2011